Agradável

Agradável não era um adjetivo normalmente usado para descrever Alan Shore. Ele não era uma daquelas pessoas que nasceu para ser querido por seus pares. Talvez fosse a personalidade inquieta e desafiadora, sua ética deficiente, seu total desrespeito às normas sociais ou simplesmente um aviso de mau caráter que parecia brilhar sobre sua cabeça.

Mas mesmo assim, Alan parecia reunir um considerável grupo em torno de si. Pessoas em geral consideradas párias pelos outros vinham atraídos a ele, como os ratos ao flautista*. Ele as ouvia, dava a elas uma voz, as ensinava a encontrar seu lugar no mundo. Ele podia ter desapontado a muitos, mas havia ajudado a tantos outros que isso fazia suas faltas perdoáveis, seu lado negro esquecível. Alan Shore era um homem útil, não agradável.

* O flautista é uma referencia ao conto de fadas "O flautista de Hamelin"