15 Days

Advertências: Rated M por precaução, irá conter algumas cenas de sexo não muito explícitas, é maioritariamente slash, mas também contém hetero, linguagem. Se você não se sente confortável, ou se sente ofendido com alguma destas advertências, melhor não ler.

Shipper: Harry Potter/Draco Malfoy

Drama/Romance/Angst

Resumo: Bastaram apenas 15 longos dias para tudo mudar em suas vidas. Tudo começou com uma aposta.

Capítulo 1

17 de Janeiro, 1997

Harry Potter estava sentado nos sofás da Sala Comum. Era sábado, bem de manhã, por isso não estava muita gente com ele. Todos ainda estavam dormindo. Havia reparado quando se levantou que Ron já lá não estava, mas não ligou. Ele apenas estava sentado, olhando o nada, enquanto pensava na sua vida.

Ele era o menino-que-sobreviveu. A sua única família viva eram seus tios e seu primo, Dudley. Sirius havia morrido no fim do seu 5º ano, e seus pais estavam mortos desde à 16 anos atrás. Fazia algum tempo que ele havia feito 17 anos. Ele estava cursando o seu último ano em Hogwarts.

Apesar disso, ele tinha os amigos perfeitos. Ron Weasley e Hermione Granger eram seus melhores amigos. Ginny, a irmã mais nova de Ron, tinha uma paixão, que ela dizia ser avassaladora, por ele. Harry pensou que sentia algo por ela, então eles tiveram algo. Mas o garoto acabou tudo pouco depois. Percebeu que não amava a ruiva, mesmo que tentasse. Era apenas uma boa amiga e não lhe pareceu que isso fosse mudar. Apesar dos sentimentos por Harry não desaparecerem, e Ginny ter ficado um pouco magoada depois da relação, ela acabou por aceitar. Os Weasley eram a sua família, já que para ele, os Dursley não lhe eram nada.

Colocando de lado o facto de ele ser o único garoto capaz de salvar o mundo bruxo e de matar Voldemort, ele se sentia de alguma forma feliz pelo que tinha. Mas não totalmente. Faltava algo para ele estar completo. Faltava a outra metade de si. Apesar de todos pensarem que ele não estava apaixonado por ninguém, isso não era verdade. Ele estava, o único problema é que essa pessoa nunca iria o amar de volta, nunca faria parte da sua vida. Além de que as pessoas nunca iriam entender se ele contasse. Afinal, até olhar de lado iriam se soubessem que Harry Potter estava apaixonado pelo seu maior rival de Hogwarts. Draco Malfoy.

Suspirou, fechando os olhos.

- Eu vou ter que esquecer ele. – Sussurrou para si mesmo. – Nem que tente mil e uma coisas, mas tenho que o esquecer.

- Harry? Você está bem? – A voz de Hermione lhe soou aos ouvidos.

- Sim Mione, está tudo bem. – Harry abriu os olhos para conseguir observar a amiga, que já estava sentada a seu lado.

- Eu conheço você. E eu sei que algo se passa.

- Hermione, eu estou bem, de verdade. É só.. toda essa história a ver com Voldemort e tudo isso, me dá muito que pensar.

- Pode te dar muito que pensar, mas… você já deveria saber que a mim não me engana.. consigo ver perfeitamente que não é Voldemort que está ocupando sua mente agora. Sabe que pode confiar em mim, certo? – A menina perguntou, passando suavemente a mão por entre os cabelos revoltos do melhor amigo.

- É claro que eu sei. – Ele assentiu.

- Oh meu deus.. – Hermione falou, dando um sorrisinho.

- O que foi? – Harry imediatamente voltou os olhos para ela.

- Harry… você está apaixonado.

- Não. – Apressou-se em negar.

- Está sim, não minta para mim. – Disse ela.

Foi com a mesma rapidez com que Harry havia negado a afirmação da morena, que ele corou violentamente.

- Me conta vai. Quem é ela Harry? Não é a Ginny de novo pois não? Ou é? – Perguntou Hermione.

- Não Hermione, não é a Ginny.

- Então…?

- Primeiro, terá de me prometer que não vai contar a ninguém. Ninguém mesmo. Segundo, por favor, não faça comentários. Eu tenho noção que não é normal eu estar gostando dessa pessoa.

- É claro que eu prometo. E eu não vou fazer comentários, quem você acha que eu sou Harry? – Dizia ela.

- Tudo bem. Bom, eu.. eu gosto..

- Diz de uma vez!

- Draco Malfoy. – Falou ele, um pouco alto demais. Mas nenhum dos poucos à volta dos dois parecia ter ouvido.

Houveram alguns segundos em silêncio.

- É um ele, portanto. – A menina observou.

- Sim.. – Harry confirmou, não olhando os olhos dela.

- O Malfoy, Harry? Sério? – Perguntava Hermione.

- Sem comentários, você prometeu Mione. – Harry disse, em voz baixa.

- Certo, desculpa. – Disse, olhando de uma forma um pouco estranha para ele.

- Porque está me olhando assim agora?

- Desculpa, é só que é… estranho. Muito estranho.

- Eu sei que é, mas não tenho culpa. Além disso, eu vou tentar esquecer ele. – Afirmou.

- Porquê? – Perguntou Mione, erguendo as sobrancelhas.

- Porquê Hermione? O cara me odeia, ele nunca irá gostar de mim como eu gosto dele. Nem pintado de ouro me consegue ver à frente.

- Eu não tenho certeza disso, ele realmente gosta de ouro, e…

- Uma forma de falar né, Mione..

Os dois ficaram em silêncio por mais um pouco.

- Eu tava procurando vocês dois. – Ron entrou na Sala Comum e sentou ao lado dos amigos. – Que se passa?

- Nada. – Disse Hermione.

- Do que estavam falando?

- Hermione tava acabando de me dizer que eu não deveria ficar aqui sentado o dia inteiro a pensar nos problemas. – Respondeu Harry.

- Bom, nesse caso acho que Mione tem toda a razão. Eu vou tomar o pequeno-almoço, to esfomeado. – Ron disse, se levantando.

- Quando você não está esfomeado Ronald? – Perguntava Hermione.

- Bem, vocês vêm?

- Sim. – A morena concordou, se levantando também a seguir. – Harry?

- Vão vocês dois primeiro, eu vou já lá ter.

- Ah, nada disso. Levanta a bunda desse sofá agora mesmo Harry Potter, e venha connosco. – Hermione falou, alto e em tom imperativo.

Quase que no mesmo segundo, o moreno estava em pé, ao lado dos outros dois.

- Caramba. – Ambos os meninos murmuraram, se entreolhando.

Logo seguiram Hermione, que estava já saindo da Sala Comum e foram os três rumo ao Salão Principal para o café da manhã.


Draco Malfoy, 17 anos, estava no seu sétimo ano em Hogwarts. Dizia que não gostava de lá andar, mas no fundo gostava sim.

Era verdade quando antes dizia que Albus Dumbledore não deveria ser o director, mas também, o homem já fora desta para melhor. Ele era também o monitor dos Slytherin e tinha o seu próprio quarto, coisa que ele gostava bastante. Finalmente tinha sua privacidade.

Seus cabelos loiros, olhos cinzentos, voz rouca a que todos denominam de 'sexy' e seu corpo de cortar a respiração, fazia dele um dos garotos mais requisitados de Hogwarts e conseguia também conquistar todos se assim o pretendesse, teria quase que instantaneamente todos os que quisesse a seus pés.

Draco tinha os dois pais vivos, mas seu pai, Lucius, estava agora em Azkaban.

Ele não conseguia contar as namoradas que tivera, muito menos com quantas garotas já havia feito sexo.

Provavelmente ia continuar a o fazer, mas também sentia que precisava de alguém. Para namorar, para algo sério, algo definitivo talvez.

Mas bem… parecia que a pessoa certa ainda não havia chegado.

Agora era hora de almoço. Draco estava em um dos corredores, atrás de uma estátua, observando seu amigo, Blaise Zabini, parado na frente de um garota.

Tudo aquilo por causa de uma aposta que eles haviam feito à três dias atrás.

*Flashback*

- Ah é Blaise? – Perguntava Draco. – Não há nada nesse mundo que você não consiga fazer? Portanto, nada é impossível para você.

- Isso mesmo. Nada é impossível. – O outro respondeu, convicto.

- Muito bem. Já que você está tão certo disso, faremos uma aposta. – Mesmo que Blaise aceitasse, o que ele quase que duvidava, sabia que ele não iria conseguir.

- Tudo o que quiser, vai em frente. – Continuava convicto.

- Nesse caso terá de beijar a Milicent Bulstrode.

- O QUÊ? DRACO! – Blaise berrou, de olhos arregalados.

- Ela é Slytherin. – O loiro tentava amenizar a situação, mas sabia que o que dissera, nada valia.

- É, ela é Slytherin, e horrenda também! – O moreno continuava falando alto.

- Sem discussão Zabini, você não disse que nada era impossível para você fazer? Então beijar ela por dois minutos não deve de ser assim tão difícil.

Blaise abaixou a cabeça, suspirando.

O loiro começou a se afastar do moreno, mas pareceu se lembrar de algo e se virou de novo.

- Ahh sim, você também terá de apalpar ela.

- Sem chance. – Disse o outro.

- Você quer desistir? – Draco parecia ter tocado em um nervinho do amigo, que logo respondeu, depois de um bufo frustrado.

- Blaise Zabini nunca desiste de nada…

- Nesse caso você tem 3 dias para se mentalizar. Sexta-feira, na hora de almoço isso terá de acontecer, senão depois você verá as consequências. Pode começar.

E assim, Draco se afastou de novo, deixando Blaise batendo com a cabeça na parede, tentando descobrir como iria conseguir beijar Milicent.

*Fim de Flashback*

E agora era o momento. Blaise olhou para o lado, onde Draco estava escondido.

Este, fez um gesto com a mão, que dizia claramente para ele ir em frente.

Milicent, na frente do moreno, estava derretida e já de olhos fechados.

A menina tinha 17 anos, provavelmente esse era o seu primeiro beijo, portanto essa era sua oportunidade, ainda mais com Blaise, que junto com Draco, era um dos garotos mais requisitados daquela escola.

Blaise, começou então a se aproximar cada vez mais da face da garota, e sua face expressava nojo.

Mas, no final das contas, ele conseguiu. Uns cinco segundos depois, ele estava beijando ela, com as mãos na sua cintura.

Draco tapou a boca com a mão, como se fosse vomitar.

- Oh meu Merlin… - Ele sussurrou. – Ele realmente beijou aquele monstro.

Pouco depois, Blaise largou Milicent e correu para a Sala Comum dos Slytherin, logo subindo para o dormitório.

O loiro imediatamente o seguiu, e parou na porta do banheiro, e observava Blaise que lavava a boca pela sétima vez.

- Calma. - Disse apenas.

- Calma? Eu acabei de beijar aquela coisa e você me diz para ter calma? Ah, nem vem Draco. Eu que tive de colocar meus lindos lábios junto com os dela, foi minha língua que tocou na dela, não a sua!

- Graças a Merlin… - O loiro murmurou, enquanto um arrepio percorreu o corpo dos dois.

O moreno desligou a água quando acabou de lavar a boca pela décima vez.

- Agora vamos ao que interessa. – Ele falou, cruzando os braços e mostrando um sorriso malicioso.

- E o que será isso? – Draco perguntou.

- Você perdeu a aposta, lembra? Agora que são elas.

- O que você quer que eu faça?

- Bem Draco.. você terá de…

- Sem rodeios, vai logo directo.

- Credo, calma homem. Muito bem. Você tem exactos 15 dias inteirinhos, começando amanhã, para conquistar Harry Potter. Ao início do 16º dia, Potter terá de estar loucamente apaixonado por você. – Blaise falou então.

- Está de brincadeira né? – Foi tudo que o loiro conseguiu dizer naquele momento.

- Não, não estou. Vai, tem 15 dias. Senão conseguir, sofrerá as consequências depois. Afinal, não será muito difícil para você. Não é verdade que você é um dos mais requisitados e que é conhecido também por suas fantásticas técnicas de sedução? Então a única coisa a fazer é fazer o garoto se apaixonar por você, e depois, ao fim de duas semanas e um dia, dar-lhe com os pés como só você sabe fazer.

- Blaise, por favor.. – Ele pedia.

- Vai desistir é?

Draco cerrou os dentes e estreitou os olhos para ele.

-Ah, não me olhe assim..! – Disse Blaise, levando as mãos ao alto.

- Não, eu não vou desistir.

- Bem parecia. Pode começar seu plano para conquistar ele. 15 dias podem parecer o bastante, mas olhe que as aparências enganam.

- Sim, eu vou. – O loiro bufou, e saiu do dormitório rumo ao seu quarto, sem pronunciar nem mais uma palavra.


Era de noite, e Draco tinha de fazer a sua ronda. Começaria seu plano no dia seguinte. Começaria aquela noite , isso se Harry fosse monitor, coisa que não era.

Se fosse o caso talvez se encontrassem. A única pessoa dos Gryffindor que ele era capaz de encontrar ali, era Hermione Granger e essa, não lhe interessava para nada.

Andava pelos corredores escuros. Estava distraído pensando e só voltou à realidade quando percebeu que havia ido contra alguém.

Observou a pessoa caída e viu que era Harry. Deu um discreto sorrisinho.

'Vai, você tem de dizer, tem de ganhar isto..' Pensava.

- Desculpa Potter. – Draco disse, estendendo a mão. – Não foi com intenção.

- Você acabou de me pedir desculpa Malfoy? – Harry perguntou, aceitando a mão do outro.

- Não. – O loiro cerrou os dentes. – Sim.

- Estou surpreendido. Acho que foi a primeira vez na sua vida que pediu desculpa a alguém e ainda mais, ofereceu ajuda.

- Acredite ou não Potter, eu estou mudado. Não sou o mesmo Draco Malfoy dos outros anos. – Falou.

O moreno nada disse, apenas continuou a olhar o loiro, bem fundo nos olhos dele.

- Você precisa de alguma coisa para estar nos corredores a esta hora? – Perguntou Draco, quase que amavelmente.

- Não.. obrigado.. – Até Harry, nunca havia pensado em pronunciar um 'obrigado' para o outro. – Eu estava só voltando para a Sala Comum dos Gryffindor.

- Bom, nesse caso… boa noite Potter. – Draco voltou a falar, deixando um sorrisinho verdadeiro escapar.

- Boa noite Malfoy. – Mais cinco segundos de silêncio de passaram entre eles, até que Harry seguiu em frente então para a Sala Comum.

E o loiro continuou o seu caminho, fazendo a ronda, e deixando outro sorriso, dessa vez de escárnio, se desenhar na sua face.

Não, ele não ia se preocupar. Ia fazer tudo com tempo (ou pelo menos como se o tivesse) e mais importante, ia certificar-se de que bem feito. Ele ia ganhar aquilo. Porque Draco Malfoy sempre tem o que quer.