Capítulo 1

A água salgada escorria pelo seu corpo atlético enquanto ele corria na minha direção com um sorriso no rosto.

Quanto mais próximo ele ficava de mim, mas detalhes eu podia ver do seu corpo. A água escorrendo pelo seu peito firme e sem pelos, descendo pelo seu abdômen marcado por músculos, as entradinhas que eram a minha perdição sumindo dentro da bermuda verde e branca que tinha sido um presente meu.

— Vem comigo para a água — ele chamou, ainda não tão perto quanto eu queria.

— A água está gelada.

— Não está. — E para confirmar sua resposta, ele se abaixou à minha frente e inclinou o corpo na minha direção, me fazendo deitar sobre a toalha estendida na areia quente, ficando sobre o meu corpo. — Está vendo só? Está quente.

Eu podia sentir a água gelada no seu corpo, mas tê-lo assim tão perto, colado à mim, fazia com que eu nem percebesse esse detalhe, sentindo apenas a sua pele macia e quente contra a minha.

— Vem comigo — ele tornou a chamar, agora sussurrando no meu ouvido, e eu não tive outra escolha a não ser ir com ele, meu corpo praticamente sendo atraído como um imã.

Fiquei em pé com a ajuda dele e andamos de mãos dadas para dentro do mar, sem trocar uma palavra sequer.

Apenas quando estávamos submersos — eu até os ombros e ele até o peito — foi que voltamos a conversar.

— Estava com saudade de você — ele murmurou, baixo demais para que qualquer pessoa além de mim ouvisse, embora não houvesse ninguém por perto na água.

— Eu também — falei no mesmo tom, dando um passo na sua direção para diminuir a distância dos nossos corpos.

Quando sua mão envolveu a minha cintura, me puxando para mais perto ainda, mas sem colar nossos corpos, eu soltei um suspiro de frustração.

— Eu quero você — falei irritada, ainda baixo demais.

— Eu também. Mas vamos ter que esperar um pouco mais — ele falou, parecendo tão frustrado quanto eu estava. — Mas se você quiser, posso te dar um pouco de alívio agora.

O encarei sem entender enquanto ele olhava na direção da praia e então voltou a me encarar, imediatamente tirando a mão da minha cintura para infiltrá-la na parte de baixo do meu biquíni marrom.

Soltei um gemido de surpresa e prazer e deixei que ele continuasse com as carícias na minha intimidade enquanto eu ousava tanto quanto ele, infiltrando uma mão na sua bermuda, logo sentindo seu membro rijo entre os meus dedos.

Ele continuava me tocando, às vezes me penetrando com dois dedos, e eu fazia o mesmo com ele, masturbando-o lentamente, os dois sempre alternando olhares na direção da praia para ver se não tinha ninguém olhando na nossa direção.

— Vai mais rápido — ele pediu naquela voz rouca que eu adorava, e prontamente atendi.

Quanto mais rápido eu o tocava, mais rápido ele me penetrava, e eu já começava a sentir os espasmos me envolverem quando um som irritante e repetitivo começou a atrapalhar a minha concentração.

— Que barulho é esse? — perguntei irritada, olhando ao redor.

— Parece um som de despertador.

E então eu acordei.

Estava arfando, suada, trêmula e completamente molhada entre as pernas quando joguei o despertador longe, irritada com aquela interrupção. Mas então a lembrança do sonho voltou a minha mente e eu sentei de uma vez na cama, ainda arfando, mas dessa vez pelo choque da lembrança. Eu não podia estar sonhando com ele. Não com ele. De todas as pessoas com quem eu poderia ter um sonho erótico, ele jamais entraria na lista.

— Brad, eu vou contar tudo para mamãe!

— Morrendo de medo, Suzinha!

— Argh! NÃO ME CHAMA DE SUZINHA! — gritei a plenos pulmões enquanto saía correndo escada abaixo atrás de Brad, depois dele ter feito o favor de puxar meu cabelo, desfazendo o rabo de cavalo perfeito que eu tinha passado cinco minutos arrumando em frente ao espelho.

— Que gritaria é essa a essa hora? — Andy perguntou parado ao pé da escada e olhou alarmado para nós. — Ei, ei, vocês dois, podem parar. Nada de brigas no café da manhã.

— Ele assanhou meu cabelo!

— Ela está de TPM!

Nós gritamos ao mesmo tempo, fazendo com que Andy não entendesse nada, mas eu entendi bem o que Brad falou.

— Quem é que está de TPM, hein?

— Você. Viu só como a sua voz fica toda fina quando está nesses dias!

— Brad, deixe-a em paz!

— Já deixei — Brad falou, fazendo pouco caso enquanto eu tornava a subir as escadas, e entrei no meu quarto para tentar arrumar meu cabelo de novo.

O fato era que eu estava mesmo de TPM, mas jamais deixaria Brad saber disso.

Aquele era o meu normal com Brad. Brigávamos desde que eu me mudei para a sua casa, há dois anos, quando minha mãe casou com o pai dele. Eu o odiava e ele me odiava também. Por isso tinha ficado tão surpresa de ser logo ele a fazer parte daquele sonho. Não ele!

Um mês se passou e eu já nem pensava mais naquele sonho estúpido. Saí com os meus amigos da escola e me mantinha mais afastada possível no meio irmão adotivo. Ele, felizmente, fazia o mesmo.

Mas uma noite específica, quando minha mãe tinha ido jantar com Andy, Jake estava num dos seus encontros amorosos e David tinha ido dormir na casa de um amigo da escola, tudo mudou.

Eu estava trancada no meu quarto fazendo a lição de casa, mas desisti depois de um tempo, sentindo calor demais para me concentrar. Então, resolvi sentar na janela do meu quarto, tentando captar qualquer brisa que viesse do mar. Apaguei as luzes do meu quarto para ver as estrelas, e fiquei ali sentada, observando a Baía de Carmel.

Vi quando Brad chegou de bicicleta e me escondi para que ele não me visse. Ele entrou perguntando se havia alguém em casa e eu me mantive calada, não querendo que ele viesse implicar comigo. Mas quando ele não subiu as escadas imediatamente, demorando demais lá embaixo, eu comecei a pensar que ele estava aprontando algo.

Querendo mais que tudo encontrar ele fazendo algo que não deveria e o entregar a Andy para deixá-lo de castigo, eu desci as escadas silenciosamente, não o encontrando em parte alguma.

Me concentrando um pouco, consegui ouvir o barulho do chuveiro da piscina e fui até lá para lhe dar um susto.

Mas quem acabou levando o susto não foi ele.

A porta estava entreaberta e eu podia vê-lo de onde estava, encontrando-o de costas, debaixo do chuveiro. Ele estava apenas de sunga, sua cabeça baixa e os músculos das costas estavam contraídos como se ele estivesse tenso. Mas, ao prestar mais atenção, vi que não era exatamente aquilo. Sua mão esquerda estava apoiada na parede de azulejos, enquanto sua mão direita se mantinha em movimento, em algum ponto na altura do seu quadril.

De início, imaginei que ele estava se lavando, e já ia me retirar quando um gemido saiu da boca dele. E eu congelei no lugar.

Sua mão se movia cada vez mais rápida, e agora eu sabia bem o que ele estava fazendo.

As imagens do sonho imediatamente voltaram à minha mente e eu, involuntariamente, comecei a sentir meu corpo inteiro aquecendo. Seus gemidos roucos me deixavam ainda mais quente, enquanto a lembrança da sua mão em mim, mesmo que em sonho, me fez estremecer.

Eu tentava sair dali, mas minhas pernas pareciam não querer obedecer.

Quando ele finalmente acabou, seu corpo relaxou completamente enquanto ele respirava com dificuldade, arrumando a sunga no lugar. Então, antes que eu pudesse sequer pensar em sair dali o mais rápido possível, ele se voltou, seu olhar caindo exatamente onde eu estava.

Seus olhos arregalaram ao me ver ali e ele pareceu momentaneamente sem reação, assim como eu estava. Mas quando Brad se moveu decidido na minha direção, eu me voltei ainda mais rápido que ele, disparando para dentro da cozinha.

— Suze, espera! — ele gritou, e eu apressei os passos, querendo chegar logo ao meu quarto e me trancar lá para sempre. — Suzannah, espera, por favor.

Não parei de andar até que sua mão segurou meu braço e fez com que eu me voltasse.

— Me solta! — pedi por entre os dentes, puxando meu braço com força. Tentei sair dali de novo, mas novamente ele me segurou pelo braço. — Não toca em mim, seu imundo — esbravejei, tornando a puxar meu braço com força.

— Só me escuta — ele pediu com quase desespero.

— O que você quer? — perguntei, cruzando os braços sobre os seios, tentando evitar que ele visse o quanto eles estavam túmidos através da blusa fina.

— Não conta isso ao meu pai, por favor. Ele acabaria com a minha raça. Ainda mais se souber que você viu tudo.

— Eu não vi nada — falei, embora aquela fosse a mentira mais lavada que eu poderia contar naquele momento. E ele sabia disso.

— Então você não vai contar? — ele perguntou e eu não sabia dizer se seu olhar estava desesperado ou relaxado.

Eu simplesmente não conseguia olhar na direção dele, preferindo observar o armário de porcelanas da minha mãe.

— Não. — Até porque, eu jamais teria coragem de contar para qualquer pessoa que tinha encontrado o filho do meu padrasto se masturbando debaixo do chuveiro da piscina.

— Obrigado, Suze. Fico te devendo essa.

Dei as costas a ele, começando a subir as escadas, mas me voltei no quarto degrau, finalmente o encarando.

— Só vamos esquecer esse fato nojento, por favor — pedi.

— Não é nojento, Suzinha — ele falou, parecendo completamente esquecido de ter sido pego no flagra, e sorriu. — Homens fazem isso sempre. Claro que nem sempre eles são flagrados, mas...

— Encerrando o assunto! — interrompi, mais uma vez lhe dando as costas, e voltei a subir.

— Mulheres fazem isso também, Suze. Você devia tentar qualquer dia desses. Alivia o estresse.

— Vai se ferrar, Bradley! — gritei, batendo a porta do meu quarto com toda força que possuía, enquanto o som da sua risada ecoava lá embaixo.