Disclaimer: Twilight não me pertence, mas essa história, assim como a filha da Bella e do Edward sim, portanto respeitem!

Procura-se a menina beta Cella. Foi vista pela última vez na selva amazônica com sua amiguinha Tainá. KD?

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Capítulo 27: Perto Demais

Edward abriu mão do fim de semana com Claire, como uma extensão do meu presente de aniversário para que eu pudesse passar o tempo com ela, já que suas aulas começariam segunda-feira. Fizemos um passeio até a praia mais próxima, decidido e arranjado de última hora. Por sorte, ela não era tão fã de areia e sal, e dois dias eram suficientes para suprir sua necessidade de natureza nas férias.

Nós aproveitamos os últimos raios de sol do domingo para pegar a estrada de volta, no percurso de duas horas. Claire estava mais calada do que o normal quando chegamos a Nova York, contrariando seu humor de poucas horas atrás.

- Ei, tudo bem? - perguntei ao pararmos em um semáforo.

- Uhum. - ela suspirou, sem me enganar.

- Não tá não. Que carinha é essa?

- É o Jake, mãe... - falou, cedendo. - Ele foi embora.

- Foi embora pra onde? Quando? - perguntei, um pouco preocupada.

- Pra faculdade. Foi hoje de manhã.

- Ah. - respirei de alívio. Eu nem saberia como agir caso mais um homem saísse repentinamente da vida da minha filha. - Mas ele não ia estudar aqui na cidade? NYU, não era isso?

- Sim, mas... Ele vai ter que morar no dormitório no primeiro ano. E vai ficar lá, rodeado o dia todo daquelas garotas mais velhas e mais gatas do que eu. A gente mal começou a namorar e já tá indo tudo por água abaixo.

- Ei, já pode parar de ser a rainha do drama adolescente. Não fique encanada com isso. Se ele gosta mesmo de você, o que eu acho que sim, então ele vai se comportar.

- Ah, sei lá, mãe. Não consigo não ficar insegura. E tem mais, a gente vai se ver bem menos. Já estou com saudades. - de canto de olho eu vi o seu biquinho.

- Telefone e internet estão aí pra isso. Não acho apropriado você ir até o dormitório, mas ele pode ir lá em casa quando quiser.

- Tá falando sério?

- Claro, filha.

- Obrigada! - ela falou mais entusiasmada. - Aliás, que tal a gente marcar aquele jantar logo?

- Quando o Jake vai estar livre?

- Provavelmente nessas primeiras semanas ele deve estar cheio de arrumações pra fazer, mas... acho que no primeiro fim de semana de novembro ele estará livre.

- Marcado então. Vou conhecer oficialmente meu genro.

- Para de bobeira, mãe. - ela riu. - É só o Jake.

- Não é mais só o Jake, né? Agora é O Jake, seu namorado. - eu sorri, e só ouvi seu suspiro apaixonado.

- Sim...

Naquela semana, Claire retornou às aulas para começar o ensino médio, e os poucos, toda nossa rotina foi voltando ao normal. Bom, normal apenas em relação à nossa casa, pois a minha vida pessoal parecia ter entrado em um universo paralelo. Mas era tudo bem real.

Desde o nosso último encontro no café, Edward se tornou uma presença muito mais constante nos meus dias. De lá para cá, pequenas porém importantes mudanças começavam a ocorrer entre nós. Um dia eu lembrei de adicioná-lo como amigo no Facebook, e ele aceitou segundos depois; Era uma coisa tão juvenil, que eu me senti ridícula fazendo. No entanto, acabou sendo uma experiência legal ver um pouco de sua vida que antes eu não tinha acesso.

Outro dia, Edward descobriu que eu costumava passar o tempo nas manhãs menos movimentadas da redação vendo os perfis dos amigos e as fotos. Desde então, sempre vem puxar conversa - também em seu horário de trabalho - para implicar comigo sobre como eu devia estar olhando todos os seus álbuns antigos. Eu sequer fingi que não. Havia algumas fotos lindas de Claire, recentes, e outras de sua infância, e eu não podia evitar minha curiosidade, já que a maioria eu jamais tinha visto.

Em uma conversa rápida no chat, eu deixei escapar que estava doida para voltar naquele restaurante italiano que fomos recentemente. É claro que vinte minutos depois, Edward estava lá embaixo me esperando para irmos novamente almoçar no Il Pane.

Nesse dia, criamos um novo hábito; ele passou a me levar a um restaurante novo nas redondezas todos os dias. Mesmo que eu tivesse que espremer a minha hora de almoço, estava valendo a pena. Tanto pela comida boa, quanto pela companhia.

Eu nunca pensei que isso seria possível acontecer novamente, mas hoje eu estava ansiosa para vê-lo. Ansiando a sua companhia, mais do que eu queria admitir.

Ele chegou comemorando que a chuva tinha dado trégua, e o sol tinha se aberto, e não falou mais nada. Agora eu o seguia em seus passos apressados, sem saber para onde iríamos.

- Não vai me dizer mesmo onde vamos comer hoje? - eu perguntei pela terceira vez na caminhada. Edward lançou um olhar e sacudiu a cabeça ao meu lado, sem parar de andar.

- É uma surpresa.

- Pra onde você está me levando, hein? - nós viramos uma esquina e ele começou a andar em direção a um portão do Central Park. - Existe algum restaurante aí dentro ou você está tentando cortar caminho por um local obscuro do parque?

Ele riu. - Relaxa, Bella. Você vai ver.

Nós andamos mais alguns cem metros, e eu já estava cansada - por sorte, eu usava sapatilhas. Não demorou muito para que eu começasse a sentir o cheiro antes de ver o nosso local de destino. Comecei a reconhecer os arredores, e quando passamos a barraca de flores, eu instintivamente sabia onde iríamos.

- Você está me levando para a barraca do sr. Carter em pleno almoço de quinta-feira? - perguntei com suspeitas.

E elas estavam todas certas, pois vi seu sorriso abrir assim que paramos na fila de dez pessoas à espera do melhor cachorro quente da cidade. Bem, o melhor na nossa opinião. Era um ponto onde Edward sempre me trazia para comer quando saíamos nos fins de semana, na adolescência. Era o único lugar que sua mesada permitia pagar, mas eu nem me importava - aquele cachorro quente e as batatas fritas valiam mesmo a pena.

- Comer besteiras na rua de vez em quando faz bem, Bella. - ele riu. Meu estômago roncou e eu só consegui salivar ao pensar na possibilidade.

- Esse cheirinho é irresistível. Será que ainda tem o mesmo gosto?

- Claro que sim. A dona Mimi não erra nunca nesses temperos. - falou, se referindo a ajudante do sr. Carter.

- Ela é uma fofa. Será que vai me reconhecer?

- Provavelmente sim. - ele disse antes de escutarmos um burburinho e alguns berros injuriados com voz de trovão, vindos do início da fila. Nós rimos, pois sabíamos muito bem o que significava. - Me diga, há quanto tempo não ouve uma mal criação do sr. Carter por pedir mais catchup?

- Céus, ele continua rabugento, não é?

- Mais do que nunca. Aliás, foi hilário quando Claire começou a bater boca com ele porque cismou que a minha porção de batatas estava menor que a dela, e achou injusto.

- Claire? Você a trouxe aqui? - ela adorava comer no trailer quando era mais nova. Sempre vínhamos passear no parque nos fins de semana.

- Claro que sim. Como você acha que a gente sobrevive nos fins de semana? - ele brincou.

- Só imagino como vocês passam o fim de semana à base de besteiras.

- Também não é assim, Bella, eu sei dar limites. Tudo bem, quando eu era mais jovem isso era difícil, mas agora... Sei lá, acho que agora estou finalmente acertando mais nessa coisa de ser pai.

- Edward, você nunca foi muito de falhar com ela. Bom, a não ser... Você sabe, sair de casa e deixá-la para trás.

- Mas eu compensei da melhor forma que podia. E jamais deixei de dar amor. Você sabe disso, não sabe?

Eu o encarei para lhe reafirmar.

- Sim, eu sei. Teve um tempo em que eu achava que tudo o que você fazia por Claire era só uma forma de comprar o amor dela, mas... depois eu entendi que não. Ela nunca se sentiu abandonada e sempre falou de você com tanto carinho, então eu só pude concluir que era um afeto recíproco.

Ele assentiu, concordando e então um sorriso foi brotando em sua face quando seu olho brilhou de travessura. De alguma maneira, eu sabia muito bem o que aquela expressão dizia, e era uma que Claire também fazia para me deixar de cabelo em pé. Quando eles vinham com aquela cara de criança que comeu biscoito antes do jantar, coisa boa não era.

- O que está tramando? - perguntei, quase alarmada. A fila andou e nós demos passos sem perceber.

- Só estou tendo uma ideia...

- Que ideia?

- Você podia passar um fim de semana com a gente.

- Pra quê?

- Pra me espionar. - ele riu. - Ah sei lá, pode ser legal pra Claire. Há quanto tempo ela não passa um dia inteiro com nós dois juntos?

- Não sei, Edward. Seria estranho. E acho que seria estranho até mesmo pra ela.

- Você acha?

- Quero dizer, ela já está bem grandinha. Não acho que ela tenha essa necessidade. - eu suspirei. - Por quê? Por acaso, ela... já expressou isso pra você?

- Não, nunca. - ele desviou-se por um momento. - Só achei que seria uma coisa legal, mostrar a ela que nós não estamos mais brigados. Mas tudo bem, eu entendo você não querer.

Edward tinha essa impressionante capacidade de me deixar com remorso quando ele parecia desiludido com algo que eu neguei. Eu não entendia como eu caía nessas, e não consegui evitar me sentir mal por lhe dizer não.

- Ei. - falei, indo para a frente dele e pegando em seus braços para que me olhasse. - N-não é nada contra você, é só que... Você sabe, uma situação assim iria fazer Claire começar a questionar, e...

- E são perguntas que você ainda não sabe responder. - ele concluiu para mim o que eu já havia dito diversas vezes. - Eu entendo. Juro. Só espero que não demore muito a saber como respondê-las.

- Em breve. - eu afirmei com um sorriso, encarando-o diretamente para mostrar minha sinceridade.

- Edward e... Bella? - o momento foi interrompido quando tivemos nossos nomes chamados, e nos viramos para ver que a fila havia andado e nós éramos os próximos.

- Mimi. - ele acenou com a cabeça. - Trouxe alguém especial hoje.

- Como vai, Mimi? - eu cumprimentei a mulher de cinquenta e poucos anos, e ela sorriu imensamente.

- Quanto tempo, Bella. Eu não sabia que você ainda estava com Edward. Que bom ver dois jovens tão apaixonados depois de tantos anos. Uma gracinha!

- Ah, mas nós não estamos... - eu ia protestar sobre aquilo, porém Edward me interrompeu.

- Obrigado, Mimi. - falou, e abriu um largo sorriso para a senhora. - Onde está o sr. Carter?

- Foi ao banheiro. Mas eu sirvo vocês. O que vão querer?

Edward pagou nossos lanches - ou melhor almoços - completos, e seguimos para sentar em um dos muitos bancos que havia em volta do parque. Eu estava um pouco incomodada com o que havia ocorrido naquele trailer, e não hesitei em tirar a limpo.

- Por que você deixou que ela pensasse que a gente...?

- Desculpe. - ele sorriu sem jeito. - Mas era melhor do que ficar se explicando no meio daquela fila, não é?

- De qualquer forma, você não devia ter feito isso.

- Depois eu volto lá em outra hora e explico tudo, não se preocupe.

Eu rolei os olhos. - Não precisa chegar a tanto. Só não repita.

- Posso te perguntar uma coisa?

- Você pode perguntar, mas eu escolho se respondo ou não.

- Justo. - ele assentiu, e então vi seu semblante ficar mais sério. - Bella, a ideia de estar junto comigo novamente te perturba tanto?

Eu o olhei, sem conseguir ter uma reação.

Uma pergunta tão simples havia a resposta de algo que eu vinha varrendo para debaixo do tapete há tempos. Cogitar essa ideia me deixava com o estômago em nós. Eu desejava não querer pensar naquilo, mas não teve solução, foi mais forte do que eu. Minha mente já estava caminhando naquela direção.

Perturbada talvez não fosse a palavra certa. Eu não me sentia à vontade com a ideia, principalmente com tudo o que vinha com ela. Estar junto significaria tanta coisa, e era complicado. Ainda estava tudo muito turvo depois que meu coração se aquietou e se livrou da amargura.

O que me preocupava, porém, é que havia um tipo de carinho por Edward sendo reconstruído pouco a pouco em mim. Eu o via com outros olhos hoje, e sentia cada vez mais necessidade de estar por perto, sabe-se lá por qual motivo. Mas esse afeto não seria capaz de sustentar uma relação homem-mulher.

Como se não bastasse tudo isso, ainda havia, logicamente, a circunstância que ele se encontrava com sua noiva.

- Devia te perturbar também, se você já tem outra pessoa na sua vida. - eu respondi.

- Isso já é outra história, e não é o que estou perguntando.

- Edward, do que sequer adiantaria? Mesmo se eu cogitasse... o que eu sinto por você agora não é como antigamente. Tudo mudou.

- Então isso significa que você sente algo por mim agora? - eu o olhei, sendo pega na minha fala dúbia. - Não precisa responder se não quiser.

Sacudi a cabeça e suspirei fundo, sentindo necessidade em responder.

- Eu... Eu sinto uma grande vontade de te conhecer e desvendar tudo que tem na sua cabeça. Eu sinto um enorme carinho pela nossa história, e por tudo o que você representa pra mim, mas... qual é o nome disso? Eu não sei.

Ele assentiu a cabeça e desviou seu olhar para prestar atenção no cachorro-quente em suas mãos. Ficou calado por um momento até que aquele sorrisinho tímido reaparecesse.

- Você não sente mais nem um pouco de atração por mim? - ele perguntou, me pegando de surpresa e me deixando um pouco boquiaberta.

Era óbvio que eu tinha atração por ele. Eu não era cega. Edward era um homem lindo, e deviam haver poucas mulheres que resistiam ao seu charme. Mas é claro que eu não responderia isso a ele.

- Edward, você sabe que é um homem muito bonito, não precisa que eu te elogie. Que pergunta mais sem cabimento.

Ele apenas riu da minha alteração.

- Relaxa, Bella, só estava brincando.

- Certo. - eu respondi e comecei a comer meu almoço antes que esfriasse. Ele fez o mesmo, e eu só parei para falar o quão gostoso estava o lanche.

Até que em algum momento ele resolveu reparar no meu decote.

- Está usando o meu colar. - ele notou.

Eu o encarei com uma sobrancelha erguida. Iria fazê-lo provar do próprio veneno.

- O seu colar? Pensei que fosse meu agora, já que você me deu.

- Merda, n-não foi o que eu quis dizer... - ele gaguejou e foi a minha vez de rir.

- Relaxa, só estava brincando.

- Touché. - ele sorriu rendido. - Combinou muito com você, mesmo.

- Eu sei. - falei tocando a pérola e sentindo-a. - Eu tenho usado desde aquele dia. Se eu saio sem parece que falta alguma coisa.

- Eu adoro isso em você, sabe. - ele confessou. - Você se apega de verdade a algumas coisas, e usa até gastar, ainda mais se for um presente.

- Bom, obrigada por não me achar mesquinha por cultivar certos objetos. Tem gente que acha o contrário.

- Pessoas fúteis. - falou e eu concordei.

- E não dá pra entender. Não sei o problema que as pessoas tem em repetir roupas ou acessórios. Se eu amo alguma coisa e não me cansei dela, eu vou querer repeti-la sempre, por mais antiga que esteja.

E então, com sua incrível habilidade de me deixar desnorteada, Edward soltou a perguntou, do nada.

- Você se cansou de mim?

- Claro que não, porqu... - e é óbvio que eu levei uns segundos para compreender o que ele insinuava. Seu sorriso de divertimento ficou imenso. - Não fique brincando tanto com a sorte, Edward. Hoje eu estou de bom humor, mas se fosse outro dia e você ficasse fazendo essas piadinhas...

- Ok, ok. Já entendi o recado - ele levantou as mãos e tacou uma batatinha com molho na boca, como um menino travesso.

Eu rolei os olhos, porém bem menos irritada do que eu pretendia me sentir. Por mais que eu quisesse, não conseguia ter raiva dele, eu percebi. E me perguntei se isso seria uma constante a partir de agora.

Eu estava quase me divertindo com toda a provocação... Bem, isso até eu lembrar de tudo, e lembrar que não eram brincadeiras inocentes - que havia uma pessoa na sua vida, e eu nunca seria capaz de me insinuar para o homem de outra mulher. Não mais. Já bastava minha consciência pesada para a loucura que fiz na sua festa de aniversário.

- Viu, é por isso que eu tinha tanto receio em tentar uma amizade. - constatei. - Você prometeu que não deixaria essas situações ficarem fora de controle.

- Você não parece tão brava. - ele reparou com a voz mais séria.

- Não estou brava, eu só... não te entendo. Você disse que conseguia conter seus sentimentos ao meu redor, e agora está fazendo tudo ao contrário.

- Me desculpe. - ele falou. - Eu não quero te constranger. Não sei o que dá em mim, algumas coisas às vezes somente saem, e... está ficando cada vez mais difícil me controlar...

- Eu não quero que isso seja um fardo nem pra mim nem pra você, Edward.

Quando falou, ele soou e pareceu magoado.

- Você acha que... Que talvez seja melhor não nos vermos mais?

A ideia me pareceu absurda. Nunca mais vê-lo não era o que eu queria. Era duro admitir, mas estava difícil imaginá-lo longe por muito tempo. Ainda havia tanto para aprender...

- Não. - sacudi a cabeça. - Não, vamos... deixar rolar. Acho que podemos fazer isso funcionar.

- Deixar rolar. - ele assentiu.

xxx

Assim passamos as duas semanas seguintes. Apenas deixando rolar, como eu havia pedido.

Nós almoçamos mais algumas vezes durante esse tempo. Edward estava, aos poucos, voltando a participar da minha vida, e eu me surpreendi em como podia ser fácil conviver com ele, passada toda a carga negativa que eu nutria.

Ele me divertia e me fazia sorrir. É claro que nossa aproximação não ocorreu magicamente. Não era tão fácil manter as coisas totalmente leves como com um amigo normal, pois sempre parecia existir uma tensão. Talvez fosse o medo de dar passos errados, ou de dizer algo que poderia nos aborrecer. Não sabia. Mas a sensação era diferente. Era Edward, e ao mesmo tempo não era. Uma mistura interessante do que eu já conhecia e do que ainda estava para conhecer.

E foram as pequenas coisas que me cativaram. No sábado, eu recebi um telefonema inusitado enquanto arrumava minha cozinha.

- Alô? - atendi, confusa porque ele me ligaria hoje.

- Oi. Sou eu.

- Eu sei. Está tudo bem com Claire?

- Claro que sim, por que a pergunta?

- Edward, a gente combinou que ainda não íamos contar da nossa... situação. E aí você me liga no dia que está com ela na sua casa, eu só posso achar que aconteceu alguma coisa. - suspirei. - Ela tá ouvindo tudo, né?

- Não, Bella. - ele riu. - Ela tá tomando banho. Você pode falar agora?

- Posso, estou só lavando a louça.

- Coincidentemente eu também estou. - disse, e eu percebi que ele parecia estar falando com a boca cheia.

- Está comendo?

- Uhum. Meu almoço tardio. Fiz uma omelete pra gente. Ah, falando nisso... o que está achando de Top Chef?

- Top Chef? - perguntei sem saber do que ele falava.

- Bella, você que é a rainha dos reality shows não conhece Top Chef?

- Ahm... Desculpe se eu estou trabalhando o dia todo e não tenho mais tempo de ver TV.

- Não foi isso que eu soube... Vai negar que vê as reprises da Nick at Nite todas as noites?

- Claire te contou isso?

- Obviamente sim.

Eu traguei o ar para fingir de aborrecida.

- Meu Deus, mas essa garota é uma fofoqueira. O que mais ela contou da minha rotina pra você, hein?

- Então é verdade. - ele notou. - Não contou nada de mais... A não ser como você fica cantando Whitney Houston no chuveiro e ela consegue ouvir tudo do quarto.

- Não acredito que ela falou isso! - agora já sentia uma pontada real de vergonha. - Vamos ter uma conversinha quando ela chegar em casa.

- Ei, tudo bem, não se sinta intimidada. Outro dia ela me pegou cantando Cher enquanto eu passava umas camisas.

Eu gargalhei alto. - Cher, jura? Ela deve ter pensado que o pai virou uma bichinha quarentona sensível.

- Não precisa tirar ainda mais sarro da minha cara. Claire já ficou com toda a cota. - ele falou rindo, e então retornou ao assunto. - Top Chef tem reprises aos domingos. Começou essa semana. É uma competição culinária, e eu juro que todo mundo parece louco... os chefs, os jurados, o diretor. Nunca pensei que cozinhar pudesse ser tão estressante.

- Comida e competição estressante, isso é tipo o paraíso. - eu ri. - Vou dar uma olhada, obrigada pela dica. Mas espera aí... Desde quando você vê esse tipo de coisa?

- Você falou que eu poderia ver com Claire, então tentei dar uma chance. A maldita edição consegue sugar a gente logo no primeiro episódio. Tenho que tirar o chapéu pra eles. E também como você parecia tão entusiasmada por essas competições, eu tentei...

- Ah então é por minha causa? Tsc tsc, como você é influenciável. - eu brinquei.

- Só sob a sua influência, Bella. - ele falou, me deixando sem ter uma resposta.

- Vem cá, você me ligou só pra falar isso?

- Mais ou menos. - eu ouvi um barulho, e seu xingamento. - Ah, merda! Desculpe. Escorregou um copo na pia e quase quebrou. Então, como eu dizia... O que eu dizia mesmo?

- Sobre porque você estava telefonando.

- É, então, eu quero te mandar uma coisa. Quero saber quando posso te entregar.

- Que coisa? - senti minha testa franzir.

- Um CD... do Black Keys. Não lembra que eu te falei?

Eu me recordei que ele falou sobre a banda há algumas semanas, na última vez que estivemos no Joe's Caffé.

- Ah sim. Bom, pode passar na redação segunda.

- Ok, passarei. Ops, acho que Claire terminou o banho. Até logo, tchau! - ele falou com pressa e eu não tive tempo de responder antes que ele desligasse.

Na segunda-feira sem falta, Edward estava lá no meu prédio. Ele me convenceu a acompanhá-lo no almoço, e quando voltamos, me emprestou o seu novo CD favorito. Desde então, quase todo dia ele me perguntava se eu já tinha ouvido. Prometi que ouviria assim que tivesse um tempo sozinha.

O fim de mais uma semana se aproximava, e com ele veio o final de semana do casamento dos meus amigos. Riley e eu tínhamos uma reunião com a direção do Le Printemps, e agora estávamos esperando, já a postos, que todos chegassem.

- Nós estamos adiantados ou esse pessoal que está atrasado? - ele me perguntou, olhando no relógio. A pequena sala de reuniões fez um eco.

- Relaxe, eles já vão chegar.

- Odeio atrasos. - ele bufou. Assim que eu me levantei para pegar um copo de água, a porta se abriu.

- Desculpe a demora, senhores. Boa noite. - falou Joaquin, o primeiro a entrar, vindo nos cumprimentar. O senhor foi seguido pelo pessoal do marketing, seus assistentes... e Edward.

Fiquei surpresa em vê-lo ali, pois não sabia que ele também estaria incluido na reunião, então só lhe lancei um olhar inquisitivo. Ele sorriu ligeiramente e veio sentar do meu outro lado, na cadeira vazia, enquanto os demais preparavam o projetor e computadores que usariam.

- Não sabia que você também estaria aqui. - falei baixo perto dele.

- Eu tinha que te fazer uma pergunta. - eu vi o brilho travesso em seus olhos, e quase me preocupei.

- Que pergunta? Edward, eu preciso trabalhar.

- Você sabe.

Eu suspirei ao lembrar do CD que tinha ouvido durante o trânsito ontem.

- A resposta é sim. Logo mais eu te devolvo.

- Como só um sim sem graça? O que você achou?

- Foi bom... Mas já ouvi melhores esse ano.

- Ah, é? Tipo o quê? Eu duvido.

- Ahm... Sei lá, Edward. O novo do Kings of Leon?

- Você não está falando sério. Aquele álbum é o pior dos últimos cinco anos!

- Eu amei. - dei de ombros, sussurando. - Não posso fazer nada.

- Tá vendo isso aqui, Bella? - ele apontou para seu rosto sério, falando com a voz mais grave possível. - Esse sou eu te julgando pelo seu mau gosto musical.

Eu não aguentei e acabei soltando uma risada inesperada para o olhar esquisito que ele fazia. A sala inteira ficou em silêncio naquele momento, e eu me ajeitei na cadeira. Parecia que todos estavam nos assistindo. Eu me recompus, mais do que constrangida e limpei a garganta.

- Desculpem. Podemos começar. - avisei.

De canto de olho, vi Riley nos olhando com uma expressão estranha, e então ele só sacudiu a cabeça e iniciou os trabalhos da noite.

Falamos sobre como tinha terminado a fase de pesquisa e levantamento da história do hotel, e mostramos nosso projeto para a divisão de capítulos. Joaquin, felizmente, aprovou tudo com um largo sorriso no rosto. Mesmo que os diretores de marketing tivessem achado alguns defeitos, ele parecia satisfeito, e isso já me deixava mais tranquila.

Nós demos por encerrada a reunião um pouco depois das oito da noite. A direção se despediu e pediu licença, deixando Riley e eu para guardarmos nossos papéis e planilhas.

- Eu vou te dar outra coisa. - Edward me falou levantando da cadeira. Eu o olhei com suspeita, terminando de fazer anotações na minha agenda.

- O quê?

- Você vai ver. Eu vou te fazer mudar de ideia. Fique aqui, já volto. - ele disse, e eu rolei os olhos porque ele obvimante estava investido demais em me fazer gostar da porcaria do CD. Claro que era bom e eu tinha adorado. Mas eu não lhe daria esse gostinho de vitória tão fácil.

Riley esperou Edward sair para puxar assunto.

- Então... E o casamento amanhã, hm? Chegou tão rápido.

- Pois é! Parece que foi ontem que experimentei o vestido.

- Ah, nem me fale dessas provas de roupa. Eu nunca soube que Mary era tão perfeccionista. A gente ficou quase duas horas pra acertar meu terno. Não aguentava mais ter minha bunda espetada por alfinetes.

Eu ri. - Pelo menos ela me deu liberdade pra escolher o que eu preferisse. Tive sorte.

- Sorte mesmo... Mais tarde vamos levar Garrett a uma boate pra despedida de solteiro. Foi de última hora, mas acho que vai ser divertido.

Naquele instante, eu me dei conta do que estava esquecendo para o dia de hoje, e soltei minha agenda dentro da bolsa, xingando baixo pela minha cabeça avoada.

- Ah meu Deus, eu tinha esquecido! Claro, a despedida de solteira. - choraminguei. - Sou uma péssima madrinha. Eu nem comprei nada...

- Ei, não fica assim. Mas veja pelo lado positivo, você estará acompanhada do melhor padrinho de todos. - ele ergueu as sobrancelhas duas vezes, fingindo estar convencido de si mesmo.

- Bobo. - eu sorri fracamente. - Droga, eu tinha esquecido completamente, e agora estou tão cansada. Tomara que eu não precise ficar muito tempo. A irmã dela me ligou semana passada. Acho que vamos a um bar especial pra noivas. Tenho até medo do que esperar.

- Vá e divirta-se um pouco, Bella. Você merece.

Eu suspirei. - É, acho que eu mereço mesmo.

- Vai ser ótimo. Mas, e aí, pronta pra valsa? - perguntou ao terminar de fechar suas pastas.

- Que valsa?

- A valsa dos noivos... os padrinhos também dançam.

- Espere aí! - eu parei e o encarei. - Ninguém me falou que teria uma dança.

- A noiva faz questão. - ele deu de ombros e riu, provavelmente vendo minha cara apavorada. - O que foi?

- É só que... Sei lá, dançar em frente a um bando de desconhecidos é estranho. E é valsa. Não estou acostumada com essas coisas. Não danço uma valsa desde... na verdade acho que nunca dancei. Viu só? Sou a pior madrinha do mundo.

- Ah, Bella, não tem nada de mais. - Riley parou e deixou suas coisas sobre a mesa. - Quer saber de uma coisa, vamos praticar.

- Quando? A festa é amanhã!

- Agora mesmo. - ele esticou sua mão para mim e abriu um sorriso. Eu o olhei como se tivesse perdido a cabeça.

- Não está falando sério.

- É agora ou nunca, Bella.

Riley estava doido. Mas eu resolvi embarcar na sua doideira e me levantei da cadeira para pegar sua mão oferecida. Agora ou nunca.

Ele nos dirigiu até o espaço entre a parede de projeção e a mesa, e se pôs a minha frente. Contornou o braço na minha cintura, segurando a minha mão direita. Minha outra mão descansou sobre seu ombro e eu respirei fundo, com medo de escorregar em algum fio invisível e derrubar nós dois. Ao menos estávamos a sós na sala, se eu fosse pagar algum mico. Oh, Bella, você está velha pra isso.

- Só segue o que eu digo... e o que eu faço. - ele avisou. - Os homens comandam.

- Caramba, nunca percebi que valsa era tão machista.

- Bella. - ele riu alto, sacudindo a cabeça. - Só você pra pensar essas coisas. Vamos lá, eu vou contar até três e nos movemos para a direita, e assim por diante. Só no três. Um, dois, três...

Um, dois, três, um dois, três, e então eu estava valsando em círculos estreitos pela sala de reunião do Le Printemps. Meu sorriso apareceu, pois eu não podia negar - estava me divertindo demais.

- Isso é muito mais fácil do que eu pensava. - comentei. Riley soltou um "tsc", e vi seus olhos brilharem de malícia.

- Está fácil? Vamos ver se você consegue girar. - antes que eu protestasse, ele me puxou para perto e começou a girar mais rápido em um curto espaço. Eu gritei e ri, mas felizmente não caímos.

- Ainda foi fácil! - desafiei. - Se eu não pisei no seu pé, então está tudo bem.

- Ah é? Vamos ver se vai achar o mesmo agora. - ele usou um tom ameaçador e fez o mesmo movimento para o outro lado. Porém ao pararmos Riley me supreendeu, e de repente eu me vi com as costas quase tocando o chão, seu corpo inclinado sobre o meu.

Foi tudo tão rápido.

Ele estava perto demais. Senti suas mãos firmemente segurando meu corpo, e seu rosto tão próximo do meu. Meu coração acelerou e com ele minha respiração também. Não tinha mais volta. Fechei os olhos, e dessa vez eu deixei que seus lábios tocassem os meus. Eu não relutei porque não tinha motivos. Não estava pensando em nada em particular, a não ser no seu gosto distante do café que tomamos mais cedo.

Riley nos ergueu lentamente e continuou a mover sua boca contra a minha. Suas mãos estavam apertadas em volta da minha cintura, e eu segurei seus braços. Eu tinha acabado de separar meus lábios para receber sua língua quando então ouvi meu nome.

E o que se seguiu aconteceu numa rápida sucessão.

- Bella, ainda está aí? Não conseguia achar o meu... - a voz de Edward parou bruscamente quando chegou tão perto que eu pude senti-lo na sala antes mesmo de me virar.

Me separei de Riley como se um raio nos atingisse. Meu estúpido coração estava acelerado demais, e meu peito arfava ridiculamente. Eu já não sabia o motivo, mas eu sabia que aquele choque de adrenalina não podia ser normal.

Ficamos os três estáticos por instantes intermináveis. Lá longe, vi os olhos verdes parcialmente arregalados e imóveis grudados nos meus. Meu estômago se apertou.

- Me desculpem, eu... Eu não sabia que vocês... - Edward balbuciou parecendo muito confuso, se afastando de volta para a porta. - Desculpem, e-eu já vou.

- Edward! - eu o chamei, mas logo desisti quando ele desapareceu. O que eu falaria, afinal? Eu não devia satisfações a ele.

Riley e eu ficamos somente parados ali, olhando a sala vazia. Me virei para ele com cautela, ainda sem compreender tudo que tinha ocorrido.

- Desculpe. - falei com a voz falha. - Eu só... levei um susto.

- Tudo bem, eu também. - respondeu ele suavemente. Me fitou por uns segundos, até que perguntou. - Você quer ir atrás dele?

Eu o encarei espantada. O que isso significava? Eu não devia ir atrás de Edward, devia? Desejei ardentemente que minha mente estivesse em pleno funcionamento naquele momento, porém parecia que o meu universo estava mais lento.

- N-não. - sacudi a cabeça. - Por quê?

- Porque... - ele suspirou. - Nada não, Bella. Nada não.

- Então... Acho que preciso ir. Ainda tenho que me arrumar pra despedida de solteira. - falei meio sem jeito.

- É, eu também. A gente se vê amanhã. - ele pegou suas coisas e deixou um inesperado beijo na minha bochecha.

Eu fiquei sozinha na sala até me lembrar de ir em frente e pegar minha bolsa para sair. Andei rapidamente, passando pelo saguão do hotel e rezando para que eu não encontrasse mais nenhum conhecido. Dirigi para casa sem parar de pensar no que tinha acontecido.

Tinha sido uma situação tão estranha, e quase pareceu errada... Mas não errada no sentido que eu pensei da primeira vez que Riley me beijou. Era diferente. Eu permiti aquele beijo. Foi bom enquanto durou. Entretanto, assim que vi Edward nos observando naquela sala, era como se eu estivesse fazendo algo ilegal. Como se eu tivesse sido pega no flagra e devesse sentir vergonha por aquilo.

Eu não devia satisfação a ele. Então por que eu não era capaz de evitar o sentimento de que eu precisava lhe falar alguma coisa a respeito do que tinha visto? Eu não entendia. Nada fazia sentido. Foi só um beijo. E depois um susto que pegou a todos nós de surpresa. Nada mais.

Minha mente fez lembrar que essa devia ser a primeira vez que ele me via beijando outro homem. Será que havia doído como na primeira vez que eu o vi beijando Tanya, a única namorada que ele já apresentou à família, depois de mim? Será que era normal o que eu estava sentindo? Eu não deveria mais ter problemas para beijar outras pessoas na sua frente... Deus sabe que eu já havia beijado uma boa quantidade de homens depois dele. Mas eu tinha certeza que essa não era a sensação mais confortável que eu já vivi.

Decidi parar de pensar de uma vez antes de enlouquecer. Eu iria me arrumar para a bendita despedida de solteira, colocaria meu melhor vestido e faria a maquiagem mais bonita. Iria sair com minhas amigas e provavelmente ficaria mais alterada do que o normal. Eu merecia essa noite.

Eu quase havia me esquecido do episódio quando cheguei na minha garagem, não fosse o pequeno objeto quadrado que chamou minha atenção.

Jogado sobre o carona do carro, o maldito CD do The Black Keys zombava da minha cara, como um pequeno lembrete de que muito em breve eu precisaria lidar com seu dono e pior - com minhas próprias emoções.


N/A: Era uma vez Bella, namorada de Edward. Um dia ele sumiu de sua vida, e ao seu lado ficou Jacob, o melhor amigo. O moço voltou, mas ela não resistiu e beijou Jacob na frente dele. No final, a mocinha acabou se casando. Sabe com quem? POIS É. Não surtem.

O EXTRA dessa semana vai ser o ponto de vista do Edward ao ver Bella e Riley aos beijos.

Até quinta que vem!

Beijos!