Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fic não possui fins lucrativos.

Summary: Sydney bate a cabeça em um acidente, e eis que ocorre um dos básicos clichês do mundo fanfic (essa é para quem gosta de fics sem morte, mutilação ou tortura do nosso inglês do coração... Santa Sacarose que me ajude, sou péssima com fluffy!).

N.A.: Fic presente de aniversário para Aqua, minha linda! Te desejo toda a felicidade, amor e sucesso, meu bem! Você merece tudo de bom! Era pra ser one-shot, mas estou postando alguns capítulos como juros pelo atraso (e também pq minhas one-shots são uma drrrrroga . ).


_Sweet 16 _

Parte I (ela acorda)

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Havia neve caindo lá fora, o que tornava a noite de natal ainda mais encantadora. Mas dentro da casa, longe dos alegres convidados, um homem permanecia de pé com o olhar desiludido. Ele encarava a reação da mulher a sua frente, como se aquela noite não pudesse ter qualquer encanto.

Você... não vai dizer nada? – perguntou ele.

A mulher virou-lhe as costas, expondo o lindo decote do vestido verde que estava usando.

Sinto muito – respondeu ela. E embrenhou-se entre as demais pessoas, deixando-o para trás...

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― ESTÁ ACORDADA?

Sydney ouviu a voz grave e gentil, e a imagem das duas pessoas naquela casa estranha desvaneceu-se.

A morena se deu conta de que estava deitada. Por acaso aquilo fora um sonho? Abriu os olhos e aguardou até se acostumarem com a forte claridade do local. Após alguns segundos, conseguiu distinguir uma figura a sua frente.

Nesse momento, ela ignorou o resto do ambiente claro e estranho ao seu redor. Quem era aquele homem segurando a sua mão e falando com ela? Ele lhe parecia familiar... e era um gato.

― Como está se sentindo? – perguntou ele.

Ela espiou de leve para os lados. O homem vestia calças caqui e um suéter azul marinho. Estava sentado ao lado de sua cama, em uma cadeira de onde pendia uma mochila presa ao encosto. O estranho parecia preocupado. Ela espiou o outro canto, não havia mais ninguém no quarto de hospital.

Hospital?

― O que aconteceu comigo? – Sydney percebeu que ainda estava segurando a mão dele e a soltou, rápido. Tentou se mover, mas sentiu que seu pescoço estava imobilizado com um daqueles colares cervicais. Começou imediatamente a entrar em pânico.

― Acalme-se. Você levou uma pancada na cabeça, mas o médico disse que está tudo bem.

― Pancada? – ela apalpou o crânio, sentindo o enorme galo por baixo de sua cabeleira. ― Eu caí?

O homem estreitou levemente os olhos verdes e Sydney ficou estática. Ela teve que se corrigir por um segundo: ele era SUPER gato.

― Você não se lembra do acidente? – perguntou ele. Sydney começou a sentir o pânico crescer novamente. ― Seus freios não funcionaram na rodovia congelada. Você bateu com o carro em um poste, mas não houve muito estrago – disse o estranho calmamente.

Inobstante ele estar dando aquela notícia, Sydney havia se encantado com o jeito dele. Deveria ser crime reunir todo aquele charme em uma só pessoa! Aquela voz... por acaso ele era inglês?

― E onde está o meu pai? – perguntou ela, ajeitando-se sobre a maca.

Ele pareceu um pouco confuso. ― O Senhor Fox já está a caminho. Eu o avisei ontem; você ficou inconsciente por um dia inteiro.

Ele era inglês, sim. E seu sotaque era o máximo... Opa! Um dia inteiro? Deve ter sido mais sério do que ele disse!

― Mas meu pai não se machucou no acidente, certo?

O homem inglês continuou lançando aquele olhar incrédulo. ― É claro que não, você estava sozinha no carro.

A mulher travou. ― Oh... então... eu estou encrencada!

A porta do quarto escancarou-se neste momento, dando passagem a Randal Fox, que invadiu o local seguido de uma moça loira. Ele jogou as duas malas que carregava ao lado da porta, sem qualquer cuidado.

― Querida! Como você está?

Os recém-chegados ignoraram o homem que conversava com Sydney e espalharam-se ao redor da maca, que tinha a metade do colchão elevada. A morena sentou-se melhor na cama e deu uma risadinha sem graça.

― Pai, me desculpe pelo carr-O QUE ACONTECEU COM O SEU CABELO?

Randal deu uma risada calorosa e abraçou a filha.

― Já está até fazendo piada! É tão bom vê-la bem, querida!

― Nós estávamos super preocupados! – comentou a moça loira. Ela era baixinha e parecia uma exata réplica da boneca Barbie. Só que com um pouco mais de... peito.

Sydney fez uma cara séria para a moça. ― Eu conheço você?

― Como assim? – respondeu a loira.

O homem de olhos verdes permaneceu de pé, do outro lado da maca. Estava prestando atenção em Sydney e continuava com a expressão confusa. Incrível como ele era lindo! A morena voltou-se novamente para a sirigaita, que agora estava se abraçando ao seu pai.

― Eu perguntei quem é você.

― Sydney, isso não tem graça – comentou o inglês, um tanto embaraçado.

Sydney o ignorou. ― Quem é essa moça, pai?

As três pessoas de pé se entreolharam. Em vez de receber uma resposta, a morena pôde ouvir um grito do outro quarto. ― EMERGÊNCIA!

― Desculpe, Jenny. Ela acabou de acordar, ainda deve estar um pouco desorientada – comentou o homem desconhecido, como se fosse um pecado Sydney estar lançando aquele olhar de ódio para a loirinha abusada.

― Quem está desorientada é essa... moça. Pai, por que não se afasta? Ela está te agarrando.

― Syd, tem certeza de que está bem? Você está estranha.

Sydney encarou o homem bonito. Desde quando ele a conhecia para saber se ela estava ou não estranha? E quem era ele para chamá-la de "Syd" quando não havia sequer se apresentado?

― E você, quem é? Invadiu meu quarto, e por mais que eu o ache familiar, não me lembro de ter se apresentado.

A pergunta era simples, mas o inglês pareceu tremendamente assombrado.

O pai de Sydney franziu o cenho. ― Você não se lembra dele, filha?

A morena observou os três ao seu redor.

― Não.

Randal arregalou os olhos. A loira abriu a boca sem dizer nada. O homem inglês continuou incrivelmente chocado.

Sydney ouviu novamente a voz abafada no outro quarto. ― EU JÁ DISSE QUE É UMA EMERGÊNCIA!

― Ela está mesmo... desorientada... – comentou o pai de Sydney. A loirinha agarrou-se ainda mais a ele.

― Os únicos desorientados aqui são vocês, pai. Eu quero saber agora quem é esse inglês jogando charme para cima de mim; desde quando você ficou careca desse jeito; e você, Barbie Girl, se não parar agora de se esfregar no meu pai, eu irei até aí lhe dar uma lição!

― Ei, isso foi muito rude, filha! Não quero que fale assim com Jenny.

― Mas quem é Jenny? EI! Eu avisei você! – Sydney jogou os lençóis para o lado e começou a descer da maca, com os braços esticados em direção à loira.

Randal se enfiou na frente da filha e segurou suas mãos. O outro homem praticamente subiu sobre a cama e ajudou a forçar Sydney a se deitar novamente.

― Syd! Se acalme! O que pensa que está fazendo? – grunhiu o inglês.

Sydney se debateu mais algumas vezes, mas o colar cervical, e os dois homens, limitaram seus movimentos. Ela não conseguiu alcançar a loira que se escondia atrás de Randal. Depois de alguns segundos, e várias tentativas frustradas de se libertar, a morena parou de se mexer.

― Tudo bem! Eu desisto.

Os dois a analisaram um instante e soltaram seus braços. Sydney começou a ajeitar o avental verde que estava vestindo. Aquela porcaria era aberta nas costas. E se aquele homem inglês tivesse visto algo que não... deveria...

Alguém gritou novamente no outro quarto. ― TENHAM PIEDADE! EU PRECISO DE UM URINOL!

― O que é isso? – perguntou Sydney, com as mãos no peito.

― É só alguém chamando as enfermeiras – respondeu o homem de olhos verdes.

― Não – explicou ela. ― Desde quando são deste tamanho?

E a morena começou a apertar os seios.

O homem arregalou os olhos e ficou da cor de um tomate. Randal e a loira começaram a rir.

― Isso não é normal. Ela não está normal! – comentou o inglês, tentando desviar a visão do que a morena estava fazendo.

― Pode ser efeito dos medicamentos que deram a ela – considerou Randal, mais perguntando do que esclarecendo a situação.

Sydney apertou ainda mais e o inglês tentou esconder o rosto.

― Imagine quando eu fizer uns vinte anos! – brincou ela, admirada.

Os três ficaram petrificados.

― O que disse, querida? – perguntou o Senhor Fox.

Sydney soltou o peito e encarou Randal.

― O quê está acontecendo comigo, pai? E por onde você andava? Como pôde me deixar sozinha no quarto com este estranho? Ele estava segurando a minha mão – cochichou a última parte apontando para o jovem homem, que ainda estava com as bochechas avermelhadas.

― Isso é terrível. É como se ela estivesse com amnésia, Randal – comentou a loira.

Sydney lançou um olhar fulminante para ela, ainda mais ao ver que seu pai parecia concordar com a garota.

― Filha, do que você lembra antes de vir para o hospital?

Sydney ajeitou o cabelo observando a outra mulher com desdém. "Amnésia"? Pfff! Que coisa mais absurda, ela se lembrava de tudo. Do que a Barbie tamanho família pensava que sabia?

― Eu estava indo para... o colégio... – de repente as memórias ficaram um pouco confusas. ― É isso. Eu precisava acompanhar Susy no grupo de estudos sobre História, na biblioteca do colégio. Mas eu realmente não lembro de ter pegado o carro.

Os três fitaram a morena, perplexos.

― Colégio? – perguntou Randal. ― Quantos anos você tem, filha?

― Dezesseis.

―...

Gritaram do outro quarto. ― EMER-GÊNCIA! ALGUÉM AÍ! EU ESTOU IMPLORANDO!

―...

― Eu... vou chamar o médico – disse a loirinha, e sumiu pela porta.

―...

― Eu... vou verificar do que esse pobre homem está precisando... Você cuida das coisas aqui, rapaz – disse Randal para o inglês e virou as costas.

O homem saltou na frente do pai de Sydney. ― O quê? Não pode nos deixar! Você não ouviu o que ela acabou de dizer?

― Pai, não vai me deixar aqui com esse estranho, vai?

― Não, ele não é um estranho. E sim, eu ouvi muito bem o que ela disse... e não preciso lidar com uma Sydney adolescente por mais de uma vez na minha vida. Como acha que eu fiquei careca, rapaz?

― Senhor Fox, o senhor não é careca.

― Você diz isso porque não me conhecia.

O inglês espiou Sydney, ela observou seu pai com mais atenção. Ele realmente parecia mais velho...

O inglês continuou tentando impedir a passagem de Randal.

― O fato é que ainda não sabemos ao certo o que Sydney tem. Não pode sair assim, Senhor Fox.

― Eu não estou saindo, apenas não quero estar presente quando ela começar a ter aqueles ataques de fúria novamente!

― Ataques de fúria? Como assim? - exclamaram Sydney e o homem em uníssono.

― Você verá – Randal se aproveitou e driblou o inglês. ― Eu voltarei assim que o médico chegar!

E saiu rápido pela porta.

―...

AH! UMA BOA ALMA, FINALMENTE! POR FAVOR, EU ESTOU NO MEU LIMITE! – implorou a voz.

Silêncio preencheu o quarto de Sydney.

A morena olhou para o homem de pé, e ele se virou para ela, bem devagar. Os dois se encararam receosos.

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