(Por que ele era tão...bonito?)

A análise era a rápida. A conclusão era simples

Nada mudara em James, era o mesmo garoto irresponsável de sorriso fácil. Era o mesmo bobo com senso de justiça desprezível e levemente hipócrita. O mesmo arrogante que por seus amigos faria qualquer coisa. Até descartar seu orgulho.

Eles crescera um pouquinho desde a última vez que se encontraram ( quando James teve sua última oportunidade de chamá-la para sair, mas não o fez. Na época ela se preguntara se foi exclusivamente porque ele ficara cansado de ouvir o mesmo sonoro "não ", que ele ouvira durante todo o quinto ano). Não no sentido conotativo, ele estava mais alto mesmo. Mas só.

Os maneirismos eram todos os mesmos. A mania interminável de bagunçar somente mais um pouco o cabelo escuro era um fato. As pontas dos dedos roçavam nas mechas enquanto James se afundava em uma lição de História da Magia.

A expressão emburrada (que ele não fazia o menor esforço para esconder) era como Lily se lembrava. Os lábios crispados de leve, as sobrancelhas um pouquinho franzidas. Os olhos esverdeados passeavam sem o menor interesse pela página do livro velho, que quase rasgou quando James, impaciente, virou-a com força.

Os olhos emburrados por de trás dos óculos.

Óculos. Em qualquer outro estudante não se ajustariam tão bem quanto se mostravam nele. Em qualquer outro estudante tão pedante arrogante irritante (e menos bonito, mas Lily não falaria isso), os óculos seriam motivo de escárnio.

As lentes circulares também escondiam os seus hábitos. Como quando James não conseguia ver pelas lentes embaçadas, ele levaria até a barra da camisa de pano e as limparia displicente. Deixando que qualquer aluna com um mínimo de acuidade visual vislumbrasse sua musculatura abdominal (que Lily classificaria como excepcional, pois ela não gostava de elogios. Que ela pensaria como perfeita porque ela não mentia para si mesma tão frequentemente assim).

Os óculos quebravam todos os paradigmas com James. Não escondiam seus pensamentos, estes eram entregues para que qualquer um os decifrasse em seu rosto. Não lhe davam ares de esperteza. James não precisava, já tinha seu sorriso e seu cérebro (por mais que Lily quisesse negar) para isso. Ambos prontos para desarmar qualquer um.

Como quando ele notasse que Lily o observava, o sorriso que encontraria seus lábios seria grande e ao mesmo tempo envergonhado. Ele apontaria para o pequeno anão, que por acaso era seu professor (como se mandasse ela prestar atenção na aula, não em James Potter, como as outras garotas faziam).

Lily ficaria vermelha como só ela sabia ficar e desviaria os olhos. Pois ele sorrira com os seus (olhos esverdeados levemente amendoados expressivos transparentes por de trás dos óculos). E Lily não admitiria nunca que isso poderia desarmar qualquer um, inclusive a própria ruiva. Não admitiria que...

(Que ela o amava, apesar de tudo.)

N/A: Mais uma curtinha para a minha pequena coleção! E James e Lily! Essa eu decidi resgatar, pois estava perdida no limbo do meu computador! Espero que tenham gostado, apesar de ser bobinha...

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