Sirius suspirou antes de fechar as mãos e cerrar seus punhos. Apertou tanto que as unhas sujas se sujaram mais um pouco, só de que sangue. Ele sentia qualquer lembrança que lhe trouxesse felicidade fugir para longe daquelas paredes de pedras. Elas passavam pelas barras com tanta facilidade, apesar de Sirius segurá-las com força.

Dizia para si mesmo que era inevitável. Tudo na prisão era pensado. E seu único propósito era destruir seus cativos. O corpo. A mente. E sua alma.

Não era sua culpa, ele sabia, mas não podia deixar de sentir certa tristeza quando não consegui lembrar da exata maneira que James bagunçava seu cabelo. Ou como seus sorrisos curavam qualquer dia monótono e miserável. Como James sempre tinha as melhores idéias para pôr os Sonserinos em seu lugar. Como depois de longos períodos como animago James se entupia de salada no almoço.

Só sobravam as sombras, as memórias incompletas. Só sobravam as lágrimas para Sirius. Sua risada louca quando viu James no chão, procurando por alguma coisa no teto. Os olhos esverdeados opacos fixos. Procurando talvez um sorriso para Sirius.

Porque os únicos momentos que sobravam eram aqueles que precisava desesperadamente deixar. Quando Peter dizia que adorava todos eles, que não havia nada melhor do que passar os dias de verão com os amigos, que o mapa estava incompleto. Quando Peter dizia meus amigos: Remus porque era compreensivo e tão inteligente. Sirius por ser o pior Black que já existira. E James, bom... porque James era James e isso já era o suficiente. Os sorrisos de admiração e cumplicidade. Os olhares ternos, os olhares divertidos.

Maldito. Maldito.

Queria gritar até que seus pulmões se esfarelassem, queria um momento de vingança. Isso... uma chance. Queria esfolar, apertar, sacudir aquela garganta maldita que como em um suspiro estragara tudo.

E então quando tivesse sua vingança olharia nos olhos de todos eles. De Dumbledore que sempre observou-os na Ordem e por sete anos na escola. O Diretor, mestre tão visionário e sábio. Foi o mesmo que acreditou que Sirius Black entregara James Potter. O melhor amigo. Ele não conseguiu ver além, quando Sirius mais precisara. Não acreditou nele como acreditou em Ranhoso...

Qual era a diferença entre eles? Por que um comensal merecia mais confiança do que Sirius? Sirius, o garoto que fugiu de casa porque não conseguia suportar que a mãe lhe jogasse os valores pelos quais Severus lutara.

Sirius, que fugiu para James.

Sirius, que James não deixou para trás.

Iria falar com Minerva e sorrir amargo. Iria lhe perguntar quantas broncas ela não lhes deu com um sorriso formando-se no canto dos lábios porque sabia que eles não conseguiriam evitar. Porque ficar quieto não fazia parte da natureza de ambos. Porque não havia nada mais divertido do que James Potter e Sirius Black.

E então, Remus. O que diria para Remus? Você sempre esteve lá. Você estava lá quando eu entreguei para James o espelho, só para mesmo separados nos divertirmos. Você estava lá quando confessei que deixaria Regulus, que os Black o tragaram de tal forma que nem mesmo eu poderia ser ouvido. Você estava lá quando eu virei um animago somente para assegurar que você não se machucaria. Você estava lá quando James sorria para mim, quando eu sorria para ele e quando nós dois sorríamos para você. Você estava lá quando eu passei cinco horas seguidas arremessando pedrinhas para que James as pegasse antes de atingirem o chão. Porque ele queria ser apanhador, porque eu queria vê-lo rindo.

Seria isso que ele falaria?

Você sempre esteve lá e acha que eu teria trocado a minha vida pela de James? Ou a de Regulus?

Você viu tudo, Moony. Olhe nos meus olhos e diga que você acredita que eu entreguei a vida de James Potter.

É, era isso mesmo que iria dizer.


N/A: Bom...toda a inspiração chega quando só falta UMA SEMANA! PQP

Espero que tenham gostado!

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