Ao nosso redor, eles caíam. Eles morriam. Enlouqueciam.

Queríamos sair. Os dois andares da casa não eram suficientes. Nem o Jardim, nem aquela vila maldita.

Queríamos aparatar, mas não podíamos. Porque queríamos um futuro, não saíamos. Porque queríamos nosso bebê vivo, mantínhamos um ao outro naquela casa ordenada, clara, arejada e sufocante.

Mas eu queria que você sorrisse. Desejava ver seus olhos brilhantes como se ainda tivéssemos treze anos e o maior perigo que enfrentaríamos seriam balaços em jogos de quadribol e poções que não deram certo. Em sua face sempre aparecia o sorriso displicente, meu preferido, quando você via meu pobre nó de gravata e o refazia. Ajeitava minha camisa, quando você mesma a bagunçava.

Aonde eu perdi? O brilho verde, a displicência. Aonde foram parar?

Harry dormia e o silêncio de sua respiração era quase uma maldição, que sussurrava que nunca sairíamos desse tipo de situação.

. "Eu não quero essa guerra, quero ir embora." Você me dizia. Chegava ao ponto de você não conseguir mais chorar. Era só mais uma menininha com medo, estava aterrorizada.

Aninhou-se ao lado do sofá vermelho da nossa sala. Abraçou o joelho e levou as mãos às orelhas, pois não queria ouvir o som do silêncio. Eu podia ver todas as lágrimas que não escorriam pelos seus olhos, via que aquela casa de sonho, de família, de ilusão tirava o melhor de você. E tirava há um ano e três meses.

Na noite anterior, recebemos a notícia de que os Mckinnon morreram. Era mais uma família na nossa conta. Era mais um sorriso despreocupado e ordinário na nossa conta. Mas sentimos mais. Você, por causa as Marlene. Eu, por causa da Marlene...e do Sirius. Você chorara todas as lágrimas que era incapaz de chorar, encostada no sofá, sem se importar se eu estava te vendo caída, desistindo.

Estendi minha mão para você, que sem hesitar pegou-a e passou no próprio rosto. Fitei seus olhos, abaixando-me. E sorrindo, sempre sorrindo. Só para que você me acompanhasse, pois algumas vezes parecia incapaz de rir.

"Vai ficar tudo bem, Lily." Disse, pois não podia fazer mais do que isso...

Peguei minha varinha. Sem mais palavras desnecessárias, ambos estávamos no meio de uma colina perto da casa dos meus pais. Era uma ilusão, mas era o que eu podia dar a ela.

Era tão brilhante quanto eu me lembrava. Era amarela como o Sol.

"Aqui..." Murmurei pensativo, pois o "aqui" era razoavelmente longe de Godric's Hollow." Essa colina fica no terreno dos meus pais. Quando tudo isso terminar, podemos passar aqui."

Você levantou do chão que lhe parecia terra, deu uma volta sobre o próprio eixo. Vislumbrou o mar de girassóis maiores do que eu. Eram incontáveis e você nunca vira nada que pudesse ser comparado. Deu-me as costas, imersa na visão azul em acima, amarelo abaixo.

"James." Você os mira com seus olhos verdes, que eu não posso ver. "Esse é o lugar mais incrível que eu já vi."

"Podemos levar Harry para cá. Tenho certeza que ele vai amar, ele gosta de coisas brilhantes. Podemos plantar mais girassóis."

Você gira e gira entre as flores de pétalas amarelas. Seu cabelo vermelho brilha embaixo daquele sol, que aparecia somente no verão. Finalmente, você compreendeu que aquela plantação representa nosso futuro, minha esperança, seus desejos.

Entre as flores vejo as lágrimas perdidas, rolando pelo seu rosto. Vejo o sorriso displicente dançando em seus lábios.

E entre o mar amarelo de ilusão, eu me vejo acompanhando você. No choro, nas risadas.

Lily, foi esse seu sorriso que me manteve entre você e a morte de capuz negro e uma varinha na mão.

Éramos nós que caíamos. Como girassóis secos.

N/A: Ok...mais uma James/Lily! Ficou meio non-sense, mas mesmo assim eu gostei muito. A inspiração veio diretamente de Strawberry field dos Beatles e os girassóis vieram diretamente de Tenjou Tengue ( o diálogo a narração e a idéia vieram diretamente da fusão dos dois com a adição da minha mente surtada). Espero que tenham gostado.

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