Desfecho

Eram desejos. A vontade desesperada de dois bruxos. Um obcecado por histórias infantis, o outro era somente o acompanhante, que fora tão envolvido que passara a acreditar. Sua obsessão era pelos olhos verdes ígneos.

O controle de Gellert não se mantinha em Relíquias velhas, mas no garoto loiro fadado a apodrecer em Godric's Hallow. O gênio tão covarde. Aquele destinado a grandes feitos, Albus Dumbledore. Aquele que relutantemente cumpriria seu destino grandioso.

E o primeiro relutante passo, se resumia em um confronto. Não de palavras, argumentos e visões teóricas, como ambos estavam acostumados. Era um duelo.

Seriam perdedor e vencedor, sem o meio termo que Albus tanto presava. O moreno Gellert não pôde deixar de sorrir irônico, pois tudo terminaria do seu jeito. Começara como o gênio de Hogwarts preferira, mas o consolo de Gellert era o fim.

E a varinha era dele. A invencível varinha estava em sua posse. Sorriu com a figura hesitante de Albus à poucas passadas e sabia o que fazer. Porque Albus nunca o faria, nunca iniciaria o fim. Porque Grindewald o libertara do tédio de ser quem era, um gênio limitado pelas coincidências, pela irmã retardada e o irmão sem modos e brilho. Nunca poderia feri-lo, não mais do que já fizera.

"É como sempre, você não vai me atacar." O moreno jogou seu escárnio junto com as palavras impiedosas. Estendeu a varinha provocando.

"Eu vou, Gellert." Falou o gênio pesaroso, com os olhos azuis perfurando a alma do mais novo. "Pelo bem maior."

Sabia o peso do que falara.

Lutaram uma batalha épica, mas por poucos lembrada. Na qual fogo tornava-se água e esta tornava-se vapor, vidro esfarelava-se em areia. Um feixe verde de luz que errara o alvo contra um estúpido feitiço de impedimento que acertara o objetivo.

Albus caminhou até o companheiro que jazia impotente no chão, com olhos verdes tão inflamados como da primeira vez.

"Acha que vai encontrar redenção assim? Acha que aquela noite não vai mais existir? Acha que Ariana não tivera que pagar pela sua apatia, meu orgulho e o do seu irmão?" Gellert mostrou seu sorriso mais sarcástico, sem sentido nas faces tão delicadas. "Essa é a sua redenção, Albus Dumbledore?"

"É meu inferno, Gellert Grindewald." O loiro mirou-o decima, parecia tão pequeno, nada problemático. "Os aurores vão cuidar de você."

Dumbledore deu-lhe às costas, como dera antes, mais uma vez fugia da verdade que deveria enfrentar. A verdade em forma de esferas verdes e flamejantes, em forma de cabelo escuro displicentemente arrumado, em forma de intelecto aguçado, tão afiado que poderia ser comparado ao mais estimado filho de Hogwarts.

Em forma de Grindewald. Em forma de pecado.

Albus Dumbledore queria acreditar mais uma vez naquele conto de fadas para crianças. Queria acreditar que a Pedra traria seus dias em Godric's Hollow. Desejava que trouxesse o seu Gellert cheio de convicções e projetos de utopias.

Mas a pedra não traria de volta aquele que morrera na mesma noite em que Ariana.


N/A: Então...minha primeira fic Dumbledore/Grindewald. Eu adoro os dois, sinceramente, queria um final melhor pros dois. Mas não deu. É só mais uma fic sobre como Dumbledore perdeu o Grindewald. Espero que vocês tenham gostado.

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