A desilusão da Rosa

Theka Tsukishiro

Categoria: [Gincana 2 anos] Desafio Ficlet IV, Dia do Amigo (20/07/2011) - [b]Projeto Need for History – Missing scene – Versalles no Bara – Song fic.

Advertências: Spoilers do episódio 25 "O minueto do amor não correspondido"

Classificação: PG-13

Capítulos: 1 (one shot)

Completa: [X] Sim [ ] Não

Resumo: Uma única chance... uma única esperança para um coração aflito.

Fic dedicada a(o) amigo(a): Fabinho :love:

Beta: Shiryuforever – Merci querida, sei que tu tava com tudo correndo por ai, mas mesmo assim teve um tempinho. :luv:

Sinopse de Versailles no Bara: Também conhecido como Lady Oscar, A Rosa de Versalhes é um mangá de shoujo de Riyoko Ikeda de 1972. Foi adaptado para a TV em 1979. A história de Versailles no Bara passa-se no final do século XVIII em França. Oscar é uma jovem garota criada como rapaz pelo seu pai. A educação militar que recebe permiu-lhe tornar-se capitã da guarda real, encarregada da proteção da jovem Maria Antonieta. Ao seu lado, Oscar tem André, seu amigo de infância, secretamente apaixonado por ela. Mais Tarde, devido à um amor não correspondido, Oscar decide sair da Guarda Real e Maria Antonieta coloca-a na Guarda Francesa. Juntos, terão de enfrentar os primeiros distúrbios que anunciam a Revolução Francesa.

Lembretes e Avisos:Versailles no Bara não me pertence, mas sim a Riyoko Ikeda. Fanfic sem fins lucrativos e para diversão minha e de quem a ler.

Empreguei o uso do itálico para falas vindas da parte final da segunda temporada do Anime. Frases entre aspas e em itálico são pensamentos, os quais não fazem parte do anime.

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Paris – França

Pouco antes da Revolução Francesa

Devido a crise financeira que assolava toda a França, a credibilidade da família Real para com seus súditos tornava-se mais tensa e abalada. O povo passava fome enquanto os nobres tinham tudo do bom e do melhor, o que revoltava a classe menos afortunada. Essa situação agravara-se mais quando o nome da rainha, Maria Antonieta, fora envolvido involuntariamente no 'Caso do Colar de Diamantes'. Mesmo sendo inocentada, o escândalo inflamara a situação, danificando sua reputação e fornecendo mais adeptos aos que tramavam contra o poder da monarquia.

Apesar de tudo isso e, mesmo com o povo passando necessidade, a nobreza continuava esbanjando o dinheiro provindo de impostos em eventos luxuosos.

De volta a França e hospedado na residência Jarjayes, Hans Axel von Fersen desconhecia o que vinha acontecendo desde que voltara da América, onde fora com os soldados franceses ajudar na revolução daquele país. Mesmo com a jovem solicitando que o conde fosse ter com a rainha, este pedira que não contasse que estava de volta. Seu amor pela rainha francesa já se tornara coisa do passado e foi o que bastou para que Oscar deixasse que seus sonhos começassem a se tornar realidade.

Os dias passavam calmos, com a jovem e bonita loira deliciando-se com a presença de seu amado Fersen.

Já que ele não mais estava interessado na rainha, ela podia dar-se ao luxo de finalmente amar a única pessoa a quem achava por direito entregar seu coração. A quem poderia deixar a fragilidade de mulher à mostra sem esconder-se atrás de um uniforme masculino.

Tudo parecia bem, Oscar só esperava uma boa oportunidade para poder demonstrar o que sentia a Fersen, mas este lhe dava provas de que a via somente como uma amiga e um dos melhores oficiais de todo o país. Em uma conversa descontraída, finalmente o conde soube o que estava acontecendo por toda a França e como a popularidade da família Real, principalmente da rainha, andava em baixa. Mesmo não amando mais Maria Antonieta, o bonito conde via-se no dever de ajudá-la e à sua família em uma situação tão grave.

Com o coração partido, Oscar viu seu amado seguir novamente para os braços daquela que um dia ele amara.

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Montada em seu cavalo branco, Oscar parecia ainda estar ouvindo os comentários feitos por André um pouco mais cedo. Ela os conhecia muito bem, ainda mais o que dizia respeito a Fersen. Seu querido e adorado sueco fora promovido a Coronel de Regimento e ela sabia perfeitamente que o retorno da rainha se dera devido aos conselhos dele.

Sentia o coração doer, mas tinha que se controlar, não poderia deixar transparecer sua dor. Ela sabia que aquilo poderia acontecer, estava se dando o direito de sentir pela primeira vez o sabor do ciúme e não era muito agradável ao paladar. Protegendo a rainha de um ataque, viu sua vida passar por um fio. Mesmo não sendo atingida, poderia ter sido.

"Deus, no que estou pensando. Por todo lado que olho algo me lembra meu querido Fersen. Não posso distrair-me assim e creio que terei apenas uma chance... mesmo que você tenha voltado para o lado de quem mais precisa que esteja presente... mesmo depois de tantos anos... ela ainda o ama... uma atitude nobre, penso eu... mas mesmo assim, ainda tenho apenas uma chance..." – Pensou. Ao deparar-se com André e dar-lhe ordens expressas para que Gerodèlle assumisse o comando, fez com que seu cavalo saísse a galope deixando para trás o amigo de infância um tanto surpreso.

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O trote dos cavalos que levavam a luxuosa carruagem para o baile embalavam os pensamentos da linda dama trajando maravilhoso vestido. Um tanto sufocada, pois não estava acostumada com aquela vestimenta, a jovem não reclamava mais. Os frios olhos azuis pareciam perder-se em algum ponto qualquer enquanto o bonito leque repousava em seu colo.

Ao finalmente adentrar o salão apinhado de cortesãs, cavalheiros de alta estirpe e a nobreza, todos os olhares se voltaram para si. Sentiu a pele enrubescer levemente, mas tomando toda a coragem possível, caminhou por entre todos sem abrir a boca. Não queria levantar suspeitas sobre sua identidade, ainda mais que ouvia perfeitamente bem os murmurinhos a seu respeito. Internamente divertia-se com isso, mas ao cruzar seus olhos com os do homem másculo parado a poucos metros, sentiu seu coração bater mais forte.

Contendo a vontade de correr em sua direção, passou por ele na esperança de que fosse chamada para dançar.

- Madame... poderia me honrar com a próxima dança, por favor? – Solicitou fazendo-lhe uma reverência.

Sem nada dizer, com um menear de cabeça, a jovem aceitou valsar com tão atraente coronel. Ela deixou-se envolver e juntos começaram a valsar. Estava diferente para os olhos de todos. Tinha os cabelos presos, usava um vestido, mas para ele, ela seria sempre uma só pessoa: Oscar.

Não pode aproveitar muito o momento divino. Seu coração descompassava a cada reviravolta e volteio que eles executavam. Por mais que quisesse aproveitar o momento, as perguntas feitas por Fersen não deixavam escolhas para Oscar. Ele a estava descrevendo, comparando-a achando que fosse uma pessoa apenas parecida com a que ele conhecia. Conteve a vontade de falar-lhe e continuou a valsar.

Com os olhos baixos, tentou não mirá-lo diretamente nos olhos, mas mesmo assim, o curioso coronel continuava em seu monólogo. Novamente seus olhos se cruzaram e as palavras fatídicas foram proferidas.

- Ela é muito bonita e também tem cabelos loiros. Muito educada e inteligente... Corajosa e dedicada aos seus ideais. Geralmente esconde seus dotes físicos sob um uniforme militar com garbo e elegância. Assim, ela evita e se distancia dos olhares masculinos... Como uma flor de gelo... Ela é a minha mais fiel e confiável amiga...

Desnorteada, Oscar acabou por atrapalhar-se com suas vestes. A cauda do vestido enroscara no salto de seu sapato. Preparada para o tombo e o que viria a seguir, arregalou os olhos surpresa por ser amparada pelo homem amado. O coração em pedaços, a voz que não lhe saía da garganta. Uma dor terrível tomando conta de seu ser. Ainda com seu corpo colado ao dele, mordiscou o lábio inferior.

Encaravam-se sustentando o olhar um do outro. Ele desconfiava, era muita coincidência. Antes de ser descoberta e sem nada dizer, Oscar retirou-se. Os saltos do sapato ferindo-lhe os ouvidos e ajudando a fazer a dor de seu coração ser maior. Queria ficar, revelar-se e dizer estar apaixonada por ele, mas não valia mais a pena. Ela, daquele dia em diante, seria apenas sua mais confiável amiga, como ele mesmo havia lhe dito.

Ai ga kurushimi Nara

Se amar é sofrer

Com lágrimas banhando seu lindo rosto, Oscar entrou na carruagem. – Siga para casa, André. – Solicitou com a voz embargadas.

- Mas Oscar, aconteceu alguma coisa? – André perguntou. Estava preocupado, nunca tinha visto a amiga chorar tão sentidamente. Escutara seus soluços ao fechar a porta da condução, mas como não constrangê-la?

- Não, apenas siga para casa, André. – Pediu novamente. Os olhos marejados impedindo-a de ver com nitidez. Seu coração doía. Não deveria ter tentado, mas não era covarde. Sempre fora muito corajosa, mas aquela dor era insuportável. Talvez fosse pior que a dor de ser ferida por uma bala ou a lâmina afiada de uma espada.

Oscar não queria que ninguém mais a visse tão fragilizada. Fora treinada para não demonstrar suas fragilidades e por isso mesmo tinha de ser forte, mas então, por que não conseguia controlar o sentimento que parecia corroer-lhe as entranhas?

Ikurademo kurushi mou

Suportarei qualquer sofrimento

Lutou contra as lágrimas teimosas, mas estas pareciam estar zombando dela a cada nova gota cristalina que escorria de seus olhos. Quando a carruagem parou a frente da bonita casa e a porta foi aberta, um lenço foi lhe estendido. Ao olhar para seu dono não disse nada e apanhou o que era ofertado.

- Sabe, Oscar... elas não combinam com você. – A voz baixa e levemente rouca do jovem serviçal e amigo se fez ouvir. – Se quiser, sabe que pode contar comigo, podemos ir andar a cavalo amanhã... talvez treinarmos e...

- André... – Atalhou com veemência. – Obrigado. – Agradeceu, levantou-se do banco e saiu sendo auxiliada por ele. Mirou-o nos olhos. – Sei o que quer fazer, mas agora o melhor é deixarmos que tudo se aquiete. Agradeço por tentar me ajudar, mas agora preciso ficar sozinha. – Sem esperar resposta, seguiu para seus aposentos.

Deixou o corpo repousar em sua cama e esperou pelo sono. Se tivesse sorte, em seus sonhos encontraria com seu amado Fersen e, talvez, somente aí pudesse encontrar a paz e amor que seu coração tanto esperava.

Kimi wa hikari boku wa kage

Você é a luz e eu a sombra

Hanarera renai futari no kizuna

Nossos laços nunca podem ser partidos.

Quem sabe com um beijo os dois selariam a promessa de amor eterno. Como em um conto de fadas ele seria seu príncipe encantado levando-a para longe de tudo para ser apenas sua mulher.

oOoOoOo

Momento Aquariana no Divã:

*Tirando um cochilo após conseguir terminar a fic. Acaba por acordar assustada e arregala os olhos ao ter uma unha vermelha apontada para o rosto*

Oh céus! Eu devo ter dançado Can Can na Santa Ceia... *revirando os olhos*

Kardia: Você é tão velha desse jeito?

Kardia... vou dizer que é velho por aqui e você não vai gostar. *rilhando os dentes* E agora? O que foi dessa vez? E espero que seja algo muito, mas muito urgente para você vir me acordar.

Kardia: Hmm... claro que é... você vai nos esquecer de vez, não é? Agora até coisa velha tu foi ressucitar! *olhando para Oscar e Fersen*

Kardia! Tenha santa paciência! Eu escrevo aquilo que me dá na veneta. Por que ao em vez de me ameaçar você não vai torrar outra pessoa?

Kardia: Ah! Por que atazanar sua pessoa é mais divertido. *sorriso sádico nos lábios*

Ai eu mereço. Que tal você ir buscar o Dégel e levá-lo para algo que queira muito fazer? Ele está na biblioteca dele até agora. Não é justo deixá-lo lá sozinho, né?

Kardia: Você sempre apela pro meu ponto franco...

Pode ser, mas bem que você gosta... *vendo o escorpiano sorrir malicioso* tá esperando o que? Vai logo! *esperando o dourado sumir* Ufa...

Agora sim... merci para quem chegou até aqui e leu isso... Agradeço muito!

E Fabs, desculpe se não ficou ao seu agrado, mas eu fiz meu melhor. Espero que gosto. Foi com muito carinho que fiz essa fic.

Beijos a todos e até o próximo surto.

Theka Tsukishiro