Rolf esticou os dedos lentamente. Queria tocar, mas tinha medo.

(Sentia-se como diante de um novo animal, desconhecido, incógnito. Medo e interesse, fundindo-se, e embaralhando sua mente, fazendo bater forte o coração)

Aos poucos foi se aproximando, dando passos, de vez em quando olhando nos olhos de Luna. A verdade de tudo aquilo não o havia atingido ainda, e parecia que tocar, e talvez cheirar, ouvir, tornaria tudo mais real.

Queria entender; queria saber como aquilo o atingia. O que mudaria nas vidas deles dois? O que mudaria na sua vida juntos?

Rolf agachou-se, e pôs a mão a centímetros da pele de Luna. Será que já sentiria a diferença?

(Luna estava sorrindo. Luna estava sorrindo muito naquele momento. Observando o cabelo de Rolf, ali embaixo, com a cor que parecia ouro velho. Ele estava com aquela expressão de que ela gostava bastante, uma das que ela gostava de catalogar em sua mente, e guardar no coração. Era como quando estavam escondidos detrás de alguma árvore, observando, ou quando ela punha os óculos e sentava-se para escrever. Rolf gostava de ter o mundo todo nas mãos. Gostava de saber cada detalhe. Às vezes os dois deitavam-se no chão, contando as estrelas, e ao mesmo tempo descrevendo como tinha sido o dia. Rolf queria saber de que jeito ela tinha prendido o cabelo, e com que roupa cada pessoa com quem ela havia conversado estava. Ele dizia que gostava de imaginar tudo direito. Luna achava que, se ele pudesse, engoliria o mundo de um bocado só.)

Não havia diferença nenhuma. Mas ao mesmo tempo, tudo estava mudado. A pele continuava lisinha, o umbigo continuava um pouco saltado, e não havia sons saindo da barriga, nem roncos de fome. O cheiro continuava o mesmo, aquele cheiro para o qual ele simplesmente não conseguia encontrar correspondente.

Rolf levantou-se, mas continuou com as mãos na barriga dela. Abraçou-a de um jeito meio torto, e pode sentir mais do cheiro-Luna em seu pescoço.

Nada havia mudado, mas tudo estava diferente.

— Luna, Luna... — não sabia se estava pensando isso, ou se estava falando mesmo. Luna esticou os braços em volta de seu corpo. Tocou o seu cabelo. — Suponho que a gente vá ter de adiar nossa procura pelos Blibbering Humdingers.

Luna beijou-o, e continuou sorrindo.

— Não tenho a mínima ideia de como é ser mãe. Do que eu tenho que fazer, do que eu tenho que dizer. Mas suponho que isso seja divertido, não é? Descobrir tudo por nós mesmos.

— Acho que teremos muito trabalho de pesquisa, mesmo sem viajarmos. Os seres humanos são muito mais complexos, e não se resumem, ou se definem, pelos seus habitats e hábitos. Ainda mais seres humanos tão jovens. Suas características devem mudar rápido de mais para que nós possamos descrevê-las.

— Vamos acabar aprendendo, uma hora ou outra. A conhecê-los, e a cuidar deles. A amar também, acho.

— É ruim não saber o que fazer, como agir.

— Suponho que nossos pais também não sabiam, e estamos aqui, não estamos? Será que já não nascemos prontos para isso?

Rolf beijou-a, e percebeu que os lábios também permaneciam com o mesmo sabor.

— Acho que vamos ter de esperar para descobrir.


N/A: sempre quis escrever uma Rolf/Luna, e aqui está ela :D

Fic para o 65º Challenge Relâmpago do 6v, tema Pseudo-PO.