Umas mãos

Jin Ha Rim não saberia dizer quando (porque ele nunca prestava atenção a esses detalhes), mas começou a ter uma séria inclinação para notar as mãos de Ro Seun Ki. Admirava a habilidade dele em fazer waffles absurdamente deliciosos, e achava que suas mãos operavam milagres. Mas não era só para isso que elas eram úteis.

Também havia muito o que varrer e limpar e esfregar na loja, e Sun Ki era atento aos mínimos detalhes, ao mesmo tempo em que era muito cuidadoso. Seus dedos longos faziam movimentos lânguidos e precisos, quase como se fizesse parte de uma dança. Também havia muitos anéis que os adornavam, só que ficavam largos, porque além de longos, seus dedos eram finos.

Suas mãos não deixavam de ser masculinas, mesmo assim. Quando estavam apenas os dois, e algo pesado precisava ser levantado, não havia hesitação para que Seun Ki se oferecesse ao serviço. E Jin Ha Rim fazia de conta que nunca era sua vez, apenas para poder admirar a força da qual aquelas palmas eram capazes.

Seun Ki era muito como suas próprias mãos: belo e forte. Ha Rim invejava isso, pois as suas eram fracas e estranhas. Mas, tão contrárias e opostas que eram as suas mãos, elas se encaixavam milimetricamente na do outro, num abraço que se completava com um beijo no escuro, seguido de outro. E quem diria, seus lábios também se encaixavam perfeitamente.


N/A: Meio que inspirado num conto de Machado de Assis, meio que roubado, meio que wtf.