Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens.

N/A: Eu li muitas histórias em outros idiomas, nas quais várias pessoas lêem os livros do Harry. De tanto pensar "Eu não acho que fulano falaria isso" ou "Cicrano não descobriria isso primeiro", resolvi fazer a minha própria.

Inicialmente eu ia fazer com Harry e seus amigos acompanhando os personagens escolhidos, mas acho que seria impossível esconder a reação deles em determinadas partes, além do fato deles estarem lá já mostrar que eles sobreviveram. Então vou escrever apenas com personagens do passado e, se tudo der certo e a história ficar boa, pretendo fazer Harry e seus amigos lendo sobre os personagens do passado lendo a história – juro que será menos confuso que a explicação.

Um agradecimento especial à Mrs. Mandy Black pela revisão e correção do capítulo.


...


Prólogo -A Carta Misteriosa

No verão de 1977, Albus Dumbledore estava fazendo os ajustes finais em uma sala isolada para adequá-la às exigências da carta misteriosa, que mesmo ele não chegava a compreender totalmente. Por que estas de todas as pessoas do mundo receberiam tal informação era algo que o intrigava, não menos do que pensar como estas pessoas poderiam conviver bem tempo o suficiente para receber tal informação. Decidiu repassar mentalmente o conteúdo para ter certeza que não tinha lhe escapado nada.

"Prezado Diretor Albus Dumbledore,

Acredito que o conteúdo desta carta será uma grande surpresa para o Senhor, mas gostaria de lhe dizer que o Sr. mesmo contribuiu com a idéia dela. O fato de não possuir lembrança disso acontecer é porque foi o seu eu futuro quem concordou com a ideia.

Permita-me explicar melhor. Esta carta foi escrita depois da guerra, a qual não teve lados vencedores, pois todos perderam muito. Então foi estabelecido que as pessoas que deram muito de si e não receberam quase nada em troca merecem saber o que aconteceu.

Sei que parecerá uma escolha estranha, mas sei que entenderá que tenho conhecimentos a frente do seu tempo e que o futuro é algo incerto. Talvez não mude nada, talvez mude tudo. Mas a escolha não é só minha e não é sua. Por isso peço que reúna os alunos: James Potter, Sirius Black, Remus Lupin, Lily Evans, Frank Longbotton, Alice Fawcett e Severus Snape em uma sala encantada para abrir somente quando toda a informação for dada. Essa sala deverá ser em Hogwarts com uma mesa ligada à cozinha para fornecer comida durante o tempo necessário. Também deverá ter banheiros e acomodações.

Sei que parece um pedido estranho e que o Sr. poderá se perguntar porque eles entre todas as pessoas; ou se é uma boa idéia, considerando os sentimentos pessoais de cada um. Quanto a isso, aparecerá no verso desta carta uma outra mensagem, que deverá ser lida quando todos estiverem reunidos.

Para finalizar as suas dúvidas sobre a veracidade das minhas informações, mando junto com a carta uma pena de Fawkes que, junto com os feitiços de veracidade, deverá convencê-lo das minhas intenções."

Após verificar a autenticidade da carta, o diretor mandou uma coruja a cada um dos alunos mencionados, solicitando uma reunião um mês antes do ano letivo. Terminava de checar pela última vez a tal sala antes de ir para seu escritório e aguardar a chegada dos seus alunos, para a leitura do verso do pergaminho.

...

Enquanto isso, vários jovens se preparavam para ir ao castelo, cada um perdido em seus próprios pensamentos.

Lily Evans se preparava para aparatar em Hogsmeade, pensando os motivos de Dumbledore para chamá-la tão antes do começo do ano letivo. Seu primeiro pensamento foi discutir seus deveres de Monitora-Chefe, embora lhe parecesse muito cedo para isso; era mais provável que tivesse algo a ver com a guerra. Embora ela não tivesse certeza de com poderia ser útil neste momento, ela estava disposta a ajudar e para isso iria à reunião e ouviria atentamente o que o diretor tinha a dizer. E com esse pensamento, ela desaparatou.

Frank Longbotton e Alice Fawcett seguiam de mãos dadas pelo vilarejo enquanto discutiam o porquê desta reunião. Dumbledore certamente tinha algo importante para falar, mas não conseguiam imaginar o que seria e se mais alguém estaria lá. Mas o diretor era um bruxo muito poderoso e inteligente, então provavelmente seria uma conversa interessante. Seguindo esta linha de pensamento, eles continuaram andando em direção ao castelo.

Um jovem solitário procurava algum resto de pó de flu para ir a Hogwarts. Severus Snape estava muito preocupado por ter sido chamado pelo diretor. O que Dumbledore poderia querer com ele? Será que tinha a esperança de dissuadi-lo do caminho que ele pensava em trilhar? Seria uma perda de tempo, ele tinha decidido ser poderoso o suficiente para não ser humilhado novamente, e durante seus seis anos de escola o diretor não mostrou nada que lhe indicasse um novo caminho. Por outro lado, seria burrice não ouvir o que o velho tinha a dizer. Informação sempre é importante e talvez ele pudesse fazer algo com isso mais tarde. Tendo decidido, continuou a procurar o pó de flu.

Dois jovens estavam sentados numa cama de uma enorme casa enquanto esperavam um terceiro arrumar seus cabelos para que pudessem sair. Remus Lupin e James Potter estavam discutindo a carta do diretor. Eles não conseguiam se lembrar de terem feito algo grave o suficiente para serem chamados durante as férias escolares. Talvez o diretor tivesse descoberto o segredo deles? Mas se fosse o caso, o outro amigo, Peter Pettigrew, teria sido chamado também. Quem sabe Sirius Black tivesse razão e foram chamados para explicar que o fato de James Potter ter sido nomeado Monitor-Chefe era uma piada. Embora Remus não pudesse imaginar o diretor fazendo algo assim, não podia descartar completamente, afinal Dumbledore era "excêntrico", na falta de uma palavra melhor. James Potter pensava algo parecido com seu amigo. Poderia ser uma lição para eles não aprontarem tanto, ou talvez ele faria algum dos seus discursos que o faziam se sentir extremamente culpado depois. Ele admitia estar meio ansioso para chegar logo a Hogwarts e saber do que se tratava, afinal odiava não saber das coisas.

Enquanto isso, Sirius Black terminava de arrumar seu cabelo pensando que seria ótimo passar em Hogsmeade e talvez conhecer umas meninas no vilarejo. Merlin é testemunha que James precisava conhecer uma garota que não fosse Evans e não faria mal que Remus conhecesse alguém também, se ele não pensasse apenas no seu problema peludo... É claro, tudo isso teria que ser planejado após a conversa com o diretor, porém ele não se preocupava muito com isso. Provavelmente queria falar que estava sob uma poção de insanidade quando nomeou James Monitor-Chefe, ou pedir que eles não explodissem a escola no próximo ano letivo, ou algo assim. De qualquer forma, ele estava sempre feliz de dar um passeio. Arrumando a ultima mecha para cair elegantemente sobre seus ombros, saiu do banheiro para se juntar aos seus amigos.

...

Dumbledore acabava de se sentar quando o primeiro aluno chegou para a reunião. Mantendo a aparência serena, embora estivesse realmente curioso sobre o pergaminho e as informações que estes jovens supostamente receberiam, ele aguardou pacientemente enquanto subiam a escada e batiam à porta.

— Entre — disse Dumbledore calmamente. Sorriu ao ver Lily entrar. Deveria ter imaginado que ela seria a primeira a chegar. — Tome um assento, Srta. Evans, enquanto esperamos que os outros juntem-se a nós.

Sorrindo timidamente, Lily contou sete cadeiras, e escolhendo uma no canto, sentou-se e começou a se perguntar quais seriam as pessoas que faltavam e sobre o tema da reunião. Sete parecia um número muito improvável para que fosse algo ligado à monitoria. Quando ia pedir um esclarecimento maior, algo se agitou na lareira e um garoto caiu no tapete.

— Seja bem vindo, Sr. Snape. Por favor, tome um assento enquanto esperamos os outros convidados chegarem.

Severus olhou para o diretor e em seguida para os assentos. Lily Evans estava sentada ali. Apenas isso já o alegrava de ter vindo. Começou a caminhar em direção a cadeira ao lado da garota, mas o olhar dela serviu para lhe lembrar que já não eram amigos e que não era bem vindo ao lado dela. Com um suspiro imperceptível, sentou no extremo oposto.

Lily estava cada vez mais curiosa sobre o que seria esta reunião. Poderia ser algo com a guerra? Entretanto, Dumbledore saberia que Severus já tinha escolhido um lado, que não era o lado deles. Quem sabe o diretor pudesse convencê-lo a mudar de idéia... Embora ela soubesse que era inútil, sempre teve a esperança de que ele se arrependeria de tudo o que fez e que ela teria seu amigo de infância de volta. Ao mesmo tempo, lembrou como se sentiu traída ao perceber como o garoto tinha mudado. Estava perdida nestes pensamentos quando bateram novamente à porta.

— Entrem — disse Dumbledore mais uma vez, enquanto Alice e Frank entravam na sala com os olhos brilhando de curiosidade.

Alice caminhou para se sentar ao lado de Lily, mandando um olhar de ódio quando passou por Snape. Ela nunca tinha entendido o motivo de Lily ter feito amizade com ele em primeiro lugar, mas não tinha comentado nada em respeito à amiga. Após o incidente do quinto ano, ela tinha sido extremamente vocal na sua desaprovação, até que Lily tinha dito que isso a incomodava, então resolveu mostrar sua desaprovação abertamente mandando olhares de puro ódio cada vez que via o rapaz. Frank sentou ao seu lado e suspirou. Faltavam três lugares e ele tinha uma boa idéia de quem seria estas pessoas. Se perguntava se Dumbledore não tinha bom senso o suficiente para chamar cada um separadamente, porque tinha certeza que feitiços voariam em breve.

Neste momento, Remus apareceu na lareira e ficou tão chocado com o grupo ali reunido que se esqueceu de sair da frente e ficou no caminho de James, que lhe deu um esbarrão que quase o derrubou no chão.

— Remus, com todas as vezes que usamos o flu, você ainda não aprendeu que ficar parado no caminho não é uma boa idéia? — falou James, enquanto dava um aceno na direção do diretor e olhava para os lugares. Gostaria de se sentar ao lado de Lily, mas Alice já estava ali. Entre Frank e Snape, preferia Frank em qualquer momento. Sorriu para as meninas, recebeu em resposta um sorriso de Alice e um educado curvar de lábios de Lily, que resolveu tentar um relacionamento civilizado com ele, já que ambos seriam monitores-chefes quando o ano letivo começasse. James sentou-se ao lado de Frank e Remus o seguiu.

Todos olhavam para a lareira agora, porque era óbvio quem seria o próximo a chegar, embora o motivo de reunir todos juntos parecesse um mistério cada vez maior. E Severus torcia para estar enganado, porque pior que ficar em uma sala com os Marotos era ter um sentado diretamente ao seu lado. Disfarçadamente, tirou a varinha do boslo, para se preparar. Dumbledore, que tinha visto o gesto, abria a boca para comentar que não era necessário, quando Sirius Black apareceu nas chamas.

— Gostaria de lembrar-lhe, meu querido diretor — começou Sirius, logo após sair da lareira e sem se preocupar em olhar ao redor — que o ano letivo não começou e os pontos não podem ser descontados, e que detenções não podem ser dadas nas férias... — e parou a frase na metade ao ver o sorriso de Dumbledore e ouvir risos do povo à sua volta.

— Caro Sr. Black, por favor, tome assento — e ao ver qual era o assento vago e o olhar de morte entre Sirius e Snape, acrescentou. — Devo lembrar que nenhuma espécie de duelo está permitida e que tenho certeza que os senhores podem suspender hostilidades tempo o suficiente para que eu informe os motivos e objetivos desta reunião.

Com um olhar de nojo na direção de Snape, Sirius sentou, mantendo a mão na varinha, gesto que foi repetido por Snape. James pensou em fazer o mesmo, mas um olhar para o diretor foi o suficiente para concluir que era uma péssima idéia. Remus pensou em como era louco deixar Snape e Sirius lado a lado, como o restante da sala também pensava.

— Meus caros alunos — começou Albus Dumbledore, levantando-se. —, tenho certeza que todos estão se perguntando o motivo de ter reunido um grupo tão incomum de estudantes. — Todos assentiram internamente. — Vou explicar o tanto quanto eu sei a esse respeito e o resto, descobriremos juntos. — Vendo que todos pareciam ainda mais confusos que quando chegaram, continuou. — Recebi uma carta dizendo que todos vocês eram merecedores de estar aqui, e que o motivo seria revelado quanto todos estivem reunidos. Então leremos juntos a carta e a prosseguiremos a partir daí.

Deu um olhar a cada rosto, que parecia cheio de perguntas, antes de virar o pergaminho e ver que um novo texto havia aparecido atrás. Curioso como todos os outros, começou a ler:

"Caros jovens,

Sei que cada um está se perguntando o motivo de estar aqui. Tentarei dizer-lhes. A guerra de vocês foi, é e será a minha guerra. Eu sou parte do futuro de vocês e vocês são partes do meu. Embora o futuro seja incerto e não deva ser alterado, os caminhos podem ser diferentes, os sacrifícios feitos merecem recompensas e as decisões são melhores quando tomadas em conjunto, porque várias mentes pensam melhor que uma.

Pode parecer que estou divagando, mas eu sei muito sobre vocês, mesmo que pareça improvável, e acho que fizeram o suficiente para merecer a chance de se redimir dos seus erros. Falo a cada um para manter a mente aberta, pois preto e branco são duas cores e entre elas existem vários tons de cinza.

Espero que todos estejam dispostos a doar um pouco do seu tempo para entender as conseqüências de suas ações, grandes ou pequenas, e a importância de cada uma delas para vocês mesmos e para os outros. Caso todos estejam dispostos a fazer um compromisso, estarei compartilhando várias informações com vocês.

Tudo que preciso é que todos concordem em ir para a sala que o diretor irá lhes indicar e permanecer nela até que tenham terminado de ler tudo que lhes será dado. Tudo foi devidamente arranjado para que não precisem deixar a sala. Também deverão concordar em manter a mente aberta, e não importa o quão ruim as coisas pareçam, evitem emitir julgamento até terem todas as respostas, porque raramente tudo é como parece.

Escrevo isso não para mudar o futuro em si, mas sim para corrigir falhas do passado, pois todas as ações têm conseqüências. Acredito que vocês devem olhar para dentro de si durante a leitura, ao invés de olhar para os outros. E pensar no todo e não no cada um.

Confio em todos e em cada um para fazer o certo no final. Como eu disse, isso é tanto para vocês quanto para mim, e eu saberei de vocês e me orgulharei. Tenham uma boa leitura."

Um pesado silêncio se seguiu a essas palavras. Dumbledore entendeu o motivo de serem os jovens – e não ele – a receberem informações. As ações destes jovens parecem ter tido respostas diretas na guerra, e era uma espécie de recompensa aos sacrifícios feitos. Uma carga muito pesada para eles. Esperava que todos decidissem pelo certo, ao invés do fácil.

James pensou que se existia qualquer coisa que ele pudesse fazer para ajudar a vencer a guerra, ele faria. Se isso significasse passar um tempo lendo informações com seus amigos e Snape, era um preço que estava disposto a pagar.

— Eu entendo que devo ficar até o final e me comprometo manter a mente o mais aberta possível e não enfeitiçar ninguém, a menos que seja em defesa própria ou de meus amigos, até sairmos da sala — afirmou James, sorrindo para o diretor, que pensou que era um compromisso razoável. Acenou de volta para o rapaz, que se levantou e ficou ao lado do diretor.

Sirius viu seu amigo, seu irmão de alma, mesmo que não fosse de sangue, comprometendo-se a saber o futuro, e quis também. Embora não entendesse o motivo de Snape estar ali, parecia que não era um ponto discutível. E bem... Na pior das hipóteses, ele era superior a Snape em qualquer duelo.

— Ficarei até o final e tentarei o meu melhor para não enfeitiçar ninguém sem uma boa causa e a não julgar... muito durante a leitura — disse Sirius, olhando para o diretor. Dumbledore pensou que era provavelmente o máximo de compromisso que Sirius faria, mas esperava que seus amigos o impedissem de fazer alguma besteira caso ele achasse uma "boa causa". Acenou para o jovem Black se juntar a eles.

Remus contemplou o que James e Sirius tinham dito. Já tinha decidido ler por causa da guerra, mas agora sabia que deveria estar junto para ter certeza que seus amigos cumpririam com o acordo. Os dois tinham um bom coração, porém na maioria das vezes agiam primeiro para pensarem depois e ele faria o possível para ajudá-los a entender quais eram os erros que a carta queria que fossem corrigidos.

— Aceito ficar até o fim, manter a mente aberta quanto às pessoas e não levantar minha varinha contra ninguém, a menos que seja necessário — Remus disse, encarando seriamente o diretor. Dumbledore sabia que Remus entendia melhor que seus amigos a seriedade da situação e acenou, sorrindo para o jovem se juntar ao grupo.

Lily olhou os jovens garotos ao lado do diretor, seus amigos ao seu lado e seu ex-amigo no canto. A carta dizia sobre chances e erros. Ela teria errado ao terminar a amizade com Severus? Se ela tivesse dado uma nova chance, ele não teria seguido o caminho das trevas? Ela não pensava assim, mas o autor da carta falara sobre tons de cinza... Talvez ela fosse injusta com os meninos ao lado do diretor? Ela sabia que Potter tinha melhorado um pouco ano passado, afinal Dumbledore disse na carta em que a nomeava Monitora-Chefe que ele trabalharia junto com ela. Mas ele era tão arrogante, tão centrado nele mesmo... Estaria mesmo sendo injusta? Seriam estas pequenas coisas importantes para a guerra? Decidiu ouvir os conselhos da carta e descobrir.

— Eu me comprometo a manter a mente aberta quanto às pessoas e suas atitudes, dando o meu melhor para esperar todos os fatos antes de julgar. – Lily disse, levantando-se enquanto o diretor acenava. Viu James sorrir para ela e suspirou. Ele parecia feliz apenas pela perspectiva de passar mais tempo perto dela. Talvez... apenas talvez ela deveria dar uma chance a ele. Tudo parecia confuso nesse momento.

Alice viu Lily e James, que eram seus amigos, e Remus e Sirius, que embora não tão próximos eram boas pessoas. Olhou para Frank, ao seu lado. Não teve dúvidas, estaria lá e tentaria fazer o melhor possível com o que fosse passado a eles. A guerra precisava ser parada e ela queria contribuir para isso da forma que pudesse. E se essa forma era ler com seus amigos e um aprendiz de Comensal da Morte, bem... a pessoa que fez a carta devia ter seus motivos.

— Farei meu melhor para ser justa em todos os momentos e tentarei esperar até o final para julgar. — Alice decidiu, olhando determinada para o diretor que acenou. Ele sabia que ela faria o seu melhor para ser justa mesmo antes de se comprometer. Ela era tudo que a Lufa-Lufa, casa a qual pertencia, representava.

Frank olhou para Alice e seus amigos. Sabia que mexer com o futuro poderia ser ruim e tinha percebido pela carta que ninguém parecia ter tido um final feliz, mas ele era um Corvinal e sabia que o conhecimento era importante. E que era possível eles mudarem algo desse futuro fúnebre que ele e seus amigos pareciam estar destinados.

— Eu estou me comprometendo a ter toda a informação antes de julgar e fazer o melhor possível com a informação que me for dada — escolheu as palavras com cuidado. O diretor acenou para que ele se juntasse ao grupo.

Todos estavam olhando para o único aluno que não tinha se manifestado ainda. Dumbledore não tinha duvidado que os outros fariam o necessário para vencer a guerra e inclusive tinha planos para estes jovens. A única dúvida era Snape. Sabia que o garoto tinha perdido a amizade com Lily e gostaria de recuperá-la, contudo também sabia dos problemas que ele teve com James, Sirius e Remus. Tudo o que podia fazer era esperar.

Severus era capaz de sentir todos os olhos nele. Seu primeiro pensamento foi ir embora, nada poderia vir de bom ao ficar trancado em uma sala com quatro grifinórios, um corvinal e uma lufa-lufa. E ele tinha prestado atenção nas palavras de cada um. Potter tinha dito que não o enfeitiçaria a menos que fosse em legítima defesa ou para defender seus amigos, e Black tinha dito que esperaria um motivo. Tudo que eles precisariam era que Black distorcesse um motivo qualquer e Potter o ajudaria a se defender. E Fawcett tinha deixado bem claro o que pensava dele após aquele dia terrível. Ele até entenderia o ponto de vista dela, se não fosse pelo fato dela ser amiga do Potter. Entretanto, a carta falava sobre sacrifícios... E se algo acontecesse à Lily porque ele não leu? Conseguiria viver com a dúvida? E ainda mais importante, falava sobre segundas chances. E se ele pudesse recuperar a amizade dela? Se Potter e Black tentassem enfeitiçá-lo, Lily o defenderia, mesmo que eles não fossem mais amigos. Ele sabia que ela era contra a injustiça, ou esperava que fosse. Pensando nela, decidiu ler.

— Eu aceito permanecer na sala junto com outros até o final e me comportarei tão bem quanto todos que estiverem lá. Tentarei que meus... pré juízos... não me... influenciem — cedeu Severus, pesando cada palavra, enquanto ficava de pé.

— Excelente! — exclamou Dumbledore. — Agora que todos concordaram, façam a gentileza de me acompanharem até a sala. Tenho certeza que todos estão ansiosos para começar.

E liderou o grupo pelo castelo, até uma sala que parecia estar atrás do salão principal. Abrindo uma porta que ninguém nunca tinha reparado que estava ali, deu a explicação final.

— Há um livro em branco sobre a mesa que conterá as informações que vocês devem saber. Tenho certeza que cada um fará o seu melhor tanto na leitura como depois. Lembre-se que ao passarem por esta porta, estarão presos ao compromisso que fizeram e não haverá volta. A sala está equipada com tudo que vocês precisam para a leitura — explicou, enquanto o último aluno passava, e concluiu antes de fechar a porta. — Parece que o futuro do mundo bruxo está nas mãos de vocês.


Capítulo revisado por Mrs. Mandy Black