Antes de mais nada: obrigada pelos reviews! Eles são maravilhosos e dão um super estímulo pra escrever. Às vezes me dão até algumas idéias.

Uma outra coisa que queria comentar era sobre o Sasuke. Eu tenho que admitir que realmente ele tá meio OOC, e eu já tinha percebido isso antes mesmo de receber as reviews. O lance é que eu simplesmente não consegui colocar ele dentro do contexto da fic sem distorcer um pouco o personagem. Eu juro que estou tentando deixá-lo menos contraditório com o Sasuke original, mas é difícil pra mim...

Bom, por último... desculpem a demora (olhando para o teto com cara de culpa). Eu ando ocupada com outras coisitas, mas pensava nessa fic toda vez que uma review ou pms pingava no meu email. Escrevendo um parágrafo aqui, outro ali, acabei fazendo um Frankstein. Hahaha. Semana passada comecei a editar o capítulo e terminei ontem.

Espero que gostem.

dai86


Capítulo 5

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"Alguém parece contente hoje," a Hokage comentou sem tirar os olhos dos papéis que Sakura havia lhe trazido.

"Shishou?" Sakura soou confusa.

"Caso esteja em dúvida, sim, estou falando de você, Sakura. O que há com esse sorriso bobo e o modo praticamente saltitante com que entrou na minha sala hoje?" A Hokage levantou os olhos para encarar sua pupila com um sorriso sugestivo. "Teve uma noite agradável ontem? Espero que não tenha feito nada que eu não faria."

Sakura corou violentamente diante da insinuação enquanto ouvia risadas abafadas do canto da sala onde Shizune organizava os relatórios das últimas missões. Sakura engoliu a indignação e ficou repetindo pra si mesma que esta era sua shishou – a poderosa e respeitada Hokage. Não, definitivamente não podia mandá-la praquele lugar.

Estampou a expressão mais neutra possível no rosto antes de responder. "Sim, shishou. Tive uma noite ótima ontem. Fomos comemorar o aniversário da Hinata no Shushuya. Mas tenho certeza que já sabia disso, Tsunade-sama. Afinal de contas, Sasuke estava lá."

"Hn?" Tsunade indagou distraída parecendo ter voltado sua atenção novamente ao documento em mãos. "Como assim?"

A rosada revirou os olhos diante do comportamento da Hokage. "Tenho certeza de que está tudo no relatório de vigilância do Sasuke, se é que ainda se dá ao trabalho de ler aquilo, shishou."

"Não sei do que você está falando, Sakura. A vigilância da ANBU sobre o Sasuke foi suspensa. Shizune, quem autorizou essa missão pra Otafuku Gai?" A Hokage berrou pra sua assistente do outro lado da sala.

Sakura piscou confusa tentando processar a informação enquanto Shizune se aproximava da mesa de Tsunade. Após ler rapidamente o papel, a assistente esclareceu num tom monótono: "Foi você mesma quem autorizou, Tsunade-sama."

"Verdade? Não me lembro disso," a mulher loira contemplou o documento.

"Shishou," Sakura chamou pela mestra, "do que você está falando?"

"Vocês realmente esperam que eu me lembre de cada missão que autorizo? São dezenas por dia! Isso sem mencionar os relatórios inúteis de-"

"Estou falando da condicional do Sasuke!" Sakura interrompeu impaciente.

Tsunade voltou os olhos para a garota, e a irritação em seu rosto deu lugar a uma expressão de desinteresse. "Ah, sim. Não se anime demais. A condicional de Sasuke permanece - apenas cancelei a vigilância da ANBU."

Sakura soltou um som que poderia ser interpretado como indignação. "E não seria bom informá-lo disso?"

"Acredito que ele saiba, já que foi o próprio quem solicitou as mudanças na condicional," Tsunade continuou carimbando os papéis da pilha a sua frente, ocasionalmente lendo alguns.

"O quê? Como assim, shishou?"

"Ele solicitou uma audiência diante do novo conselho umas duas semanas atrás pra defender seu caso. Tenho que admitir que apresentou argumentos bem convincentes pra mudarmos o status da condicional. Honestamente, o simples fato dele pedir tal mudança espontaneamente já foi um bom indício do desejo de se reintegrar a aldeia. Não que me surpreendesse. Mas eu acreditava que demoraria pelo menos mais um ano antes de ver esse tipo de atitude vindo daquele garoto orgulhoso." Tsunade interrompeu o trabalho burocrático pra tomar um gole de seu precioso sakê enquanto observava sua pupila. "Desde a semana passada a vigilância do Uchiha foi cancelada. Por enquanto ele está condicionado a se reportar a mim uma vez por semana. Ainda não está autorizado a sair de Konoha, mas acredito que os selos de chakra vão ser retirados daqui um mês se ele se comportar."

Pela expressão de Sakura, Tsunade presumiu que era a primeira vez que ela ouvia isso. Imaginou se estaria estragando algum tipo de surpresa do Uchiha. Bem, se estivesse, a culpa seria dele, afinal, sabia que Sakura era sua assistente, e algo assim não passaria batido por ela – cedo ou tarde a garota ficaria sabendo.

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Sakura caminhava distraída por um dos corredores da Torre. A informação havia lhe causado surpresa tal que não sabia o que fazer com ela. Sasuke havia solicitado ao conselho novas condições para sua condicional. Mais do que isso – ele havia conseguido tais condições. Ela devia estar pulando de alegria nesse instante.

Estava contente sem dúvida, mas algo a incomodava. Por que Sasuke não lhe contou isso antes? Não é como se não tivesse tido a oportunidade. Haviam se encontrado ontem mesmo.

Talvez ele achasse que ela mesma tivesse percebido? Honestamente, Sakura já havia se habituado tanto com as sombras que seguiam Sasuke pra todo lado que nem mais procurava por elas. De certo modo isso era uma pontada no orgulho da kunoichi – estava relaxando a atenção enquanto afastada de missões. A lembrança lhe arrancou um suspiro frustrado – às vezes esquecia que estava quase tão presa a vila quanto Sasuke com toda essa precaução por conta de Madara.

Deixando o lunático da Akatsuki de lado, correu a memória pelos encontros com Sasuke na última semana e realmente não se lembrou de ter notado a presença de agentes ANBU em nenhum momento. Mas lembrou-se de ter a impressão de Sasuke estar mais relaxado e sociável. Bem, tão sociável quanto possível para Sasuke. Sim, sem dúvida estava consciente de que não era mais vigiado.

Sua mente continuava voltando a mesma pergunta: porque Sasuke não havia lhe contado que havia se apresentado diante do novo conselho.

De repente, uma sensação estranha interrompeu seus pensamentos. Parou no meio de um corredor e olhou para os lados, mas não havia nada fora do comum, pelo menos não aparentemente. Entretanto uma pontada de receio no fundo da mente continuava a lhe incomodar. Jogou os arquivos que carregava no chão e juntou as mãos. "Kai!"

Imediatamente o mundo ao seu redor começou a se distorcer, desfazendo a ilusão de genjutsu. Porém, antes que pudesse reagir se viu sendo erguida do chão por um aperto forte ao redor dos braços e torso, enquanto uma mão lhe tapava a boca. Pânico comprimiu seu coração por um segundo – Madara foi a primeira imagem que lhe veio a mente enquanto era invadida por um medo irracional.

Sem sentir o chão sob os pés e com os movimentos restritos pelos braços de seu agressor, a médica se preparou pra fazer uso de força bruta. Se esse maldito achava que ia ser fácil... Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, o homem que a segurava a largou. A kunoichi pousou no chão, e num movimento fluído e ágil saltou para longe, assumindo uma postura defensiva.

Num segundo avaliou seu oponente, bem como seu entorno. Estavam numa das salas da torre, mais especificamente na sala onde a Hokage realizava suas reuniões com líderes de clã e seus comandantes jounin. De pé no meio da sala estava um homem alto em uniforme ANBU, sua máscara era a representação do que parecia ser uma doninha.

A fração de segundo de confusão deu lugar a uma lembrança desagradável quando foi presa e interrogada por Danzou e agentes da Root. Era isso? Vingança? Ainda que tomada por sensação gelada nas veias, Sakura puxou uma kunai do coldre sob a saia. Por mais bem treinado que fosse, um único agente não bastaria pra derrubá-la.

"Desgraçado. Vai ver que sou bem menos dócil quando não estou sedada e algemada," ela ameaçou numa voz trêmula de raiva.

"Uou! Calma aí, Sak! Sou eu! Sou eu!" O ANBU levantou as mãos num gesto apaziguador enquanto puxava a máscara de lado.

"Kaito?"

No momento em que viu a kunoichi embranquecer que nem uma folha de papel, Kaito soube que tinha abusado na brincadeira. Se lhe restasse qualquer dúvida, a kunai em punho e suas palavras jogaram um balde de água fria no que deveria ser outra de suas gracinhas. Ainda tentou aliviar a situação com bom humor. "O que foi Haruno? Não me reconhece mais sem aquele pijama de hospital?"

Após um momento de tensão, Sakura respirou fundo e guardou sua kunai. Ele abriu os braços mesmo ao vê-la se aproximar com um sorriso perigoso no rosto. E a kunoichi não deixou barato – tão logo esteve ao seu alcance, acertou um murro no estômago do rapaz, que caiu de joelhos tentando não vomitar. "Huunn," se dobrou de dor, "eu sabia que você ia fazer isso."

"E se deixou eu te acertar assim mesmo é porque sabe que mereceu," a médica retrucou um pouco menos irritada agora que havia descontado a raiva. "Que diabos você pretendia?"

"Conversar com você?" ele gemeu, agora deitado de lado no chão. "Droga, Haruno. Precisava me socar tão forte assim? Você sabe que eu tenho um estômago sensível."

Bloqueando qualquer tentativa de piada, ela continuou com o tom gélido. "E não pensou em se aproximar como uma pessoa normal? Talvez tentar algo inédito como 'bom dia'?"

"E desde quando você me conhece por ser normal?" Ele riu ainda no chão.

"Até mais, Kaito." Sakura se virou pra ir embora.

"Sakura, espera!"

A garota parou e se voltou pra ele. "O que você quer de mim?"

"Já disse: conversar! Você não fala comigo no hospital porque está sempre ocupada, e não pode sair comigo porque o Uchiha não iria gostar. Simplesmente me cortou da sua vida – achei que fôssemos amigos!"

Sakura sentiu uma pontada de culpa. Kaito estava certo – eles eram amigos e ela vinha ignorando ele. Não queria machucá-lo, mas tinha bons motivos pra tanto. Ainda assim, levando tudo em consideração, devia a ele ao menos uma explicação sincera.

"Kaito, eu sinto muito. Nós somos amigos, mas Sasuke..." ela ajoelhou diante dele para olhá-lo nos olhos. "A readaptação já está sendo difícil pra ele – não quero dar nenhuma razão a mais pra ele se estressar."

Se sentando no chão, o shinobi apoiou os braços sobre os joelhos dobrados. "E eu sou motivo de estresse? Pra não incomodá-lo você não pode mais ter amigos?"

"Não. Eu não posso mais ser sua amiga. É diferente com você, Kaito. Nós dois temos uma história."

"Ah, é isso? O Uchiha se sente ameaçado por você ser amiga de um ex? Que coisa ridícula, Sakura!"

"Sasuke não tem nada a ver com isso. É uma decisão minha!"

"Então você está sendo ridícula! A única razão que você teria pra me evitar é se ainda sentir algo por mim. É isso? Está com medo do que ainda existe entre nós, não? Tem medo que seu namorado perceba?"

"Agora quem está sendo ridículo é você, Kaito. Não sinto nada além de amizade por você."

"Então tem medo que eu ainda sinta algo por você... Acha que eu não te esqueci e que vou brigar com seu namoradinho pra ter você de volta."

Sakura ajeitou sua postura com um certo desconforto no rosto. "Por favor, acha que sou uma das suas enfermeiras? Não tenho a pretensão de acreditar numa coisa dessas."

"Pois devia."

"Kaito, pára com isso..." ela murmurou incapaz de encará-lo.

Ele soltou uma risada auto depreciativa. "Tem razão, eu sou ridículo... Mas eu ainda te amo."

O coração de Sakura se contorceu diante das palavras.

Ele riu diante da expressão da garota. "Relaxa, não estou te pedindo nada, Saki." Ele pegou uma das mãos da médica pela da ponta dos dedos, brincando com eles como se fossem um bibelô delicado. Notou com desgosto como o dedinho da mão esquerda ficava levemente torto pra fora agora, uma seqüela mínima do encontro com Danzou, porém permanente.

"Mas quem você quer enganar? Te conheço melhor que ninguém, sei o que está fazendo – tá me afastando justamente porque sabe o quanto ainda te amo, quer me poupar de te ver com outro sujeito. Não é isso?"

"Pára de falar isso, Kaito."

"O quê? Que eu te amo? Mas é verdade, e sou homem suficiente pra assumir isso mesmo não podendo ter você. Fui homem suficiente pra engolir quando terminou comigo. Mas só aceitei aquilo porque tinha certeza que você merecia ficar com alguém que você amasse de verdade, mas aquele-" ele correu a mão pelos cabelos, "aquele traidor não te merece, Sakura."

"Você não conhece Sasuke! Não sabe o que ele passou! Não se atreva a julgá-lo, Kaito!"

"Não, não conheço o Uchiha, mas sei muito mais do que você imagina do passado dele. Sem contar que tenho algo que você não tem: perspectiva. Você está tão envolvida que não consegue ver as coisas claramente. Mas eu vejo! Eu vejo os fatos – vejo você presa em Oto, você sendo quase violentada, e por muito pouco quase morta. Isso sem contar presa e torturada. E tudo é culpa daquele desgraçado!"

Kaito não transpareceu o mínimo de embaraço diante do fato de estar implicitamente admitindo ter acessado arquivos confidenciais, sem contar ter invadido a privacidade dela. Sakura também não parecia querer se dar ao trabalho de repreendê-lo por isso. Suas energias estavam mais focadas em defender Sasuke dessas acusações injustas.

"Cala a boca! Nada disso foi culpa do Sasuke. Ele me protegeu. Se não fosse por ele eu podia estar morta agora."

"É? Antes de se envolver com ele você não precisava proteção desse tipo de coisa. Por causa dele sua cabeça está a prêmio e você nem pode mais sair em missões. Vai negar isso também?"

Sakura travou a mandíbula e engoliu a raiva que estava sentindo. "Minha cabeça está a prêmio por causa de um sádico da Akatsuki. E Sasuke é tão vítima dele quanto eu. Se você soubesse metade do que ele passou na vida-"

"Não me venha com essa. Todo shinobi tem suas tragédias," Kaito cortou, "mas isso não justifica nada. No fim das contas só interessa as conseqüências das escolhas que fazemos. E aquele sujeito faz escolhas muito perigosas Sakura, e independente das boas intenções dele, você vai acabar sofrendo as conseqüências junto com ele. Você pode até me odiar, mas isso eu não vou permitir."

Sakura suspirou fundo, levando uma mão a testa, exausta com a discussão. "Nada disso é escolha sua, Kaito. É a minha vida – minha e do Sasuke." Sakura encarou Kaito com um olhar que ele nunca havia visto.

O shinobi teve uma mal pressentimento diante daquela expressão – podia ver tristeza e resignação naqueles olhos verdes, mas também determinação. Ele ficou surpreso quando ela o envolveu num abraço afetuoso, do tipo que não dividiam há muito tempo.

Não soube precisar quanto tempo ficaram ali abraçados, apenas se permitiu aproveitar o calor do corpo dela e a textura dos cachos rosados que há tempos não tocava. Quando ela começou a se afastar, teve o ímpeto de segurá-la contra si pra prolongar aquele contato, mas congelou quando sentiu lábios macios tocando seu rosto. Foi um contato rápido e sutil, mas que lhe causou borboletas no estômago.

Ela colou o rosto no dele e tocou os lábios próximo ao ouvido dele, como se contasse um segredo. "Eu nunca, nunca vou te odiar, Kaito," fez uma longa pausa. "Mas se você prejudicar Sasuke eu nunca vou te perdoar."

Ele permitiu que ela se desvencilhasse de seus braços sem dizer uma única palavra. "Por favor... não me procura mais," sussurrou antes de desaparecer pela porta.

O ANBU ficou sozinho na sala enquanto ela escapava de sua vida. Compreendeu as palavras dela. Não o odiava, provavelmente até ainda sentisse algo por ele, mas não queria que interferisse mais em sua vida.

Não conseguiu sufocar esse sentimento de vazio em seu peito, mas logo a raiva se sobrepôs.

Não! Ela poderia socá-lo e gritar todas as injúrias – não ficaria longe enquanto Uchiha Sasuke estivesse perto dela. Kaito estava certo que aquele sujeito estava fadado a trilhar um caminho sombrio. E se Sakura insistisse em trilhar esse mesmo caminho, ele estaria lá pra vigiar cada passo e protegê-la.

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Eles travaram olhares com a ponta dos narizes quase se tocando, o único som que podiam ouvir eram suas pulsações e as respirações ofegantes que se misturavam. Sakura perdeu parte da concentração no que faziam quando uma gota de suor escorreu da testa de Sasuke e ao longo de seu nariz, vindo a pingar em sua bochecha, se misturando com a transpiração de seu próprio rosto.

Em mais um movimento violento, ela se contorceu tentando girá-los e inverter a posição dos corpos, mas Sasuke resistiu, mantendo suas pernas firmemente entrelaçadas nas dela. Ele continuava a segurar os pulsos dela contra o chão com firmeza, e independente do quanto Sakura se contorcesse, não conseguia se mover nem um milímetro.

Após vinte minutos de esforços infrutíferos, ela decidiu jogar a toalha. "Ok, eu desisto," ela bufou com desdém.

Com um discreto sorriso triunfante, Sasuke rolou de cima dela e se deitou na grama ao seu lado, esticando os membros pra estimular a circulação de volta ao normal após forçá-los pra segurar Sakura contra o chão. "Se você fosse menos teimosa, podíamos ter terminado isso vinte minutos atrás."

"Se eu pudesse usar chakra eu teria acabado com você trinta minutos atrás," ela retrucou enquanto massageava os próprios pulsos.

Ele deu outro de seus sorrisos irresistíveis. "Talvez, mas não teria sido uma luta muito justa, não?" Ele argumentou enquanto exibia os supressores de chakra em seus pulsos.

Sakura mordeu a língua, incapaz de discordar completamente, e preferiu não argumentar que Sasuke talvez fosse bem capaz de vencê-la se lutasse a sério mesmo que ela usasse chakra. Bom, se tudo corresse bem, em algumas semanas Sasuke estaria livre desse empecilho e eles poderiam treinar a toda capacidade.

Já podia imaginar o tamanho a destruição – mal podia esperar.

Sasuke era carinhoso e protetor, mas no campo de treinamento não perdoava.

Sakura tinha orgulho em ser uma das melhores kunoichis de sua geração, e sempre enfrentou seus colegas homens de igual para igual. Mas tinha que admitir a surpresa inicial quando Sasuke a acertou com toda a força na primeira vez que treinaram. Mas isto apenas porque até aquele momento ele sempre havia sido um adversário relutante, sempre evitando machucá-la. Mas com aquele primeiro golpe Sasuke quis deixar claro que não ia facilitar nem um pouco pra Sakura. Se ela desse qualquer brecha, ele iria derrubá-la.

Então, após se recobrar de um soco que a deixou vendo estrelas, Sakura sorriu.

Este foi provavelmente o maior elogio que Sasuke poderia lhe fazer como kunoichi – ele estava reconhecendo suas habilidades.

No íntimo, Sakura sempre se ressentiu do modo como Sasuke e Naruto lutavam até a última gota de chakra entre si, mas pareciam se segurar quando praticavam com ela, como se ela não fosse uma adversária altura, incapaz de ser levada a sério. Ver Sasuke a atacando com a mesma ferocidade que dispensava às lutas com Naruto a deixou quase tão contente quanto o dia em que o ele se declarou pra ela.

Não podia negar que relacionamentos entre shinobis eram bem estranhos.

Após algum tempo, Sakura percebeu algo sobre esses treinamentos. Sasuke sempre procurava lhe ensinar algo novo, sempre tentava forçá-la até o limite. Havia um senso de propósito. Logo ela se deu conta do que ele estava fazendo. Estava preparando Sakura para quando tivessem que enfrentar a Akatsuki. Afinal, não era uma questão de se, mas sim de onde e quando.

Sasuke sabia que quanto mais duro fosse com Sakura durante os treinamentos, mais preparada ela estaria para as batalhas reais. Isso não queria dizer que não se sentisse mal com cada ferimento que lhe infligia. O fato de a médica poder curar-se não diminuía o desgosto de vê-la toda arrebentada após cada luta entre eles. Mas Sasuke engolia esse sentimento dizendo pra si mesmo que era para seu próprio bem. O fato de ele acabar tão estropiado quanto Sakura ajudava a amenizar a culpa... geralmente.

Lembrou-se como seu estômago congelou quando se deu conta que havia quebrado o braço da garota num golpe mais violento durante uma luta. Sasuke quis interromper o treinamento, mas Sakura consertou o ferimento num piscar de olhos, como se não fosse nada. Diante da expressão de culpa no rosto dele, riu, perguntando se devia quebrar o braço dele pra fazê-lo se sentir melhor.

Mais e mais, Sasuke estava aprendendo a não subestimá-la e nem a tratá-la como se fosse de porcelana. Da mesma forma, Sakura estava aprendendo que não precisava proteger Sasuke emocionalmente como se ele fosse desmoronar diante da primeira dificuldade. Estavam aprendendo a confiar um no outro, e esta era uma relação melhor do que qualquer coisa que qualquer um dos dois já havia sonhado – eram companheiros em todos os sentidos.

Deitado na grama, Sasuke abriu os olhos e virou a cabeça pra ver que Sakura havia tirado a bota e estava massageando a panturrilha. Ficou satisfeito ao notar que nada parecia quebrado, provavelmente apenas uma câimbra.

Sem cerimônias, se sentou perto dela e puxou gentilmente seu pé, assumindo a tarefa de massagear o músculo da perna. Sakura deu um sorriso agradecido e se inclinou pra trás, apoiando os cotovelos na grama e fechando os olhos pra aproveitar o sol da tarde. Permaneceram num silêncio confortável aproveitando a brisa que os refrescava após o exercício intenso.

"Sabe o que seria perfeito agora, Sasuke-kun?" Sakura cortou o silêncio.

"Hn?"

"Um bom banho de imersão pra relaxar os músculos."

"Esse é o seu modo de se convidar pra usar meu ôfuro?"

"Exatamente," ela respondeu com um sorriso maroto.

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Sakura andava de um lado para o outro da cozinha de Sasuke preparando o jantar. Era a regra - o perdedor sempre cozinha. Ou paga pelo jantar, dependendo do caso. Não que ela se importasse. A cozinha de Sasuke era tão grande e bem equipada que era quase uma diversão cozinhar aqui.

Ela já havia tomado seu banho de ôfuro e agora preparava a refeição enquanto ele tomava seu banho. Esperava conseguir ter tudo pronto antes que ele terminasse, mas logo pôde senti-lo se aproximando pelo corredor. Sem olhar na direção da porta onde ele estava parado, Sakura apenas avisou 'mais cinco minutos', enquanto cortava a cebolinha para a sopa de missô.

Na porta da cozinha, Sasuke permanecia reclinado contra o batente admirando a cena. Sakura havia pego emprestado uma de suas camisas de botão enquanto as roupas dela secavam do lado de fora. A peça era grande o suficiente pra cobri-la até o meio das coxas, mas por outro lado a obrigou a dobrar as mangas pra que pudesse executar as tarefas na cozinha. As mechas róseas estavam presas num coque bagunçado pra não atrapalhar enquanto ela se concentrava em preparar a refeição.

A presença dela em sua casa era algo tão natural que Sasuke não pôde resistir o sorriso que invadiu seu rosto.

Sentindo os olhos sobre ela, Sakura se virou e inclinou a cabeça de lado do mesmo modo que fazem os cachorrinhos. "O que foi Sasuke-kun?"

"Estou imaginando se foi boa idéia deixar você cozinhar," provocou com o sorriso ainda estampado no rosto.

"Se preferir podemos jantar fora. Tenho certeza que Naruto e Sai vão adorar sair com a gente," rebateu num tom adocicado, imediatamente arrancando o sorriso do rosto de Sasuke. "Touché," ele murmurou antes de se virar pra botar a mesa.

Após um jantar tranqüilo, resolveram disputar uma partida de shogi no chão da varanda enquanto as roupas ainda secavam.

"... e Naruto falou em marcar um treinamento com Juugo e Suigetsu. Mas eu tenho plantão o resto da semana." Sakura continuava falando enquanto analisava o tabuleiro. Sasuke estava surpreso – e um pouco irritado – com a habilidade dela em conversar sobre outros assuntos enquanto vencia a segunda partida consecutiva.

Avançando com seu cavalo, ela anunciou, "Cheque!" e ouviu Sasuke soltar um grunhido mal-humorado. Rindo, ela voltou os olhos para o céu, notando a lua alta no céu estrelado. Logo precisaria ir pra casa. Mordendo o lábio, imaginou que seria um bom momento pra abordar o assunto que vinha cutucando sua mente desde aquela manhã.

"Sabe," começou hesitante, "passei no escritório da Hokage hoje."

Sasuke lhe lançou um breve olhar antes de retornar a atenção ao tabuleiro. "Hn."

"Ela me contou algo muito interessante."

Sasuke continuou focado no jogo de shogi, o que irritou a médica. Ela bufou, "quando você estava planejando me contar?"

Não precisava que ela especificasse o assunto – só poderia estar falando do cancelamento de sua vigilância.

"Logo."

"Logo quando?" ela perguntou, um pouco irritada.

"Depois de acertar algumas coisas."

"Nossa, será que dá pra ser mais críptico?" O sarcasmo na voz da garota era marcante.

Finalmente levantando o olhar do tabuleiro, Sasuke a encarou com uma expressão contemplativa. Após um momento afastou tabuleiro no chão entre eles para o lado. Ela franziu a testa diante da reação séria para uma pergunta tão simples.

"Eu visitei seus pais ontem."

A mudança abrupta de assunto passou despercebida quando ela registrou as palavras, arregalando os olhos. "O quê?"

"Eu visitei se-"

"Eu escutei! O que eu quero saber é por quê!" Sakura estava um pouco transtornada imaginando o encontro. Levando-se em conta as coisas que seus pais disseram sobre Sasuke a última vez que ela conversou – discutiu – com eles, o confronto não deve ter sido nada agradável para o moreno.

"Sakura-"

Sem dar oportunidade para que Sasuke se explicasse, Sakura continuou a falar exaltada. "Sasuke, eu já te expliquei. Eles são civis – não entendem a situação! O que eles te disseram? Não. Esquece. Não precisa me dizer, posso até imaginar."

"Sakura..."

"Meu pai é um insensível! Um insensível! Ele sempre fala sem pensar,"

"Sakura."

"E minha mãe – por favor. Como alguém pode criticar outra pessoa baseada em boatos? Ela realmente acredita mais nas conversas do mercado do que na própria filha? Eu juro-"

"SAKURA!"

Isso interrompeu o monólogo exaltado da rosada e conseguiu sua atenção. Apesar de ter levantado a voz, Sasuke continuava com sua expressão calma e impassível. "Como eu dizia, eu visitei seus pais."

Sakura abriu a boca pra dizer algo, mas o olhar de Sasuke a advertiu a não interrompê-lo. "Achei que estivessem preocupados com você diante dos rumores – nada mais justo que me conhecessem pessoalmente."

Sasuke preferiu não comentar que o casal não se mostrou disposto a conversar a princípio. Mas nada que uma boa dose de educação e perseverança não pudesse remediar. "Seus pais me receberam bem." Ignorando o olhar incrédulo da namorada, ele continuou. "Após uma conversa, pareceram satisfeitos com minha visita. E pediram que fôssemos visitá-los."

Sakura continuou encarando Sasuke com um olhar incrédulo. "Quando você diz satisfeitos..."

"Acho que as exatas palavras de sua mãe foram que a filha dela era uma garota de sorte por encontrar alguém como eu."

Ainda que Sasuke tivesse um sorriso zombeteiro no rosto, ela podia ver que ele falava sério. Isso realmente soava como algo que sua mãe diria, mas jamais imaginou que ela diria a Sasuke. Não depois do que ouviu sua mãe dizer sobre ele quando ainda nem o conhecia.

Antes que ela pudesse retrucar, entretanto, a expressão de Sasuke se tornou mais séria.

"Sakura, não quero ser motivo de desavença com seus pais. Você havia dito que sabe o que importante de verdade. Família é importante."

Tão logo ouviu aquilo, ela se lembrou que Sasuke havia perdido todos seus familiares – não apenas seus pais, como o irmão responsável por essa tragédia. Sob essa perspectiva, ela devia parecer um monstro, desdenhando de algo tão precioso, algo que Sasuke jamais teria de volta.

"Sasuke, eu amo meus pais... mas eu precisava de um tempo."

"Já faz quase cinco meses que você se mudou."

'Cinco meses.'

Já fazia cinco meses que não falava com os pais. No começo Sakura realmente estava furiosa com as coisas que eles haviam dito, mas depois de algum tempo a raiva passou. Depois disso foi a teimosia e o orgulho que não permitiam que fosse vê-los. No final não sabia como consertar a relação, tinha medo que seus pais a rejeitassem depois de tudo. Ela ainda não aceitava as palavras deles, mas detestava as coisas como estavam.

Ela voltou os olhos para o namorado. Orgulhoso por natureza, Sasuke não tinha o hábito de perder tempo se explicando ou justificando seus atos para os outros. Não dava satisfações de seus assuntos pessoais nem mesmo a Hokage. Mas ainda assim se deu ao trabalho de ir atrás de seus pais, mesmo sabendo que não gostavam dele, para dar explicações sobre os rumores correndo pela aldeia.

E agora Sasuke estava lhe dando a oportunidade de reatar com seus pais.

Fez tudo isso por ela.

"É... talvez seja hora de visitar meus pais." Sakura sorriu. "Obrigada, Sasuke-kun."

O moreno acenou com a cabeça com um sorriso quase imperceptível.

De repente, Sakura se lembrou de como essa conversa havia iniciado, e franziu a testa. "Mas exatamente o que tudo isso tem a ver com você não me contar sobre sua condicional?"

"Eu queria acertar tudo antes de te contar."

"Acertar tudo o quê?"

"Eu queria pedir formalmente aos seus pais permissão pra assumirmos um compromisso."

"Compromisso? Você quer dizer...?"

Como se lesse a expressão no rosto dela, Sasuke se apressou em esclarecer. "Eu quero dizer compromisso. Sei que vamos passar o resto da vida juntos," Sasuke ficou satisfeito ao vê-la balançar a cabeça concordando, "mas ainda temos muito o que enfrentar."

Sakura sabia do que ele falava – sua readaptação em Konoha. Akatsuki. Madara.

"Eu sei que virei sua vida de ponta cabeça quando voltei, mas já tomei a decisão de não deixar que nada me afaste de você. Esse compromisso... é uma promessa. Que vamos enfrentar tudo isso juntos, e vencer, pra continuarmos juntos pra sempre. Nós somos um, Sakura."

As palavras de Sasuke tinham mais força que qualquer documento, qualquer cerimônia. Sakura soube naquele instante que suas vidas estavam irrevogavelmente entrelaçadas.

"Você virou minha vida de ponta cabeça sim," ela riu entre lágrimas, "mas não consigo imaginar ela sem você – você é minha vida."

Ela sentiu Sasuke beijar as trilhas úmidas em sua bochecha, seus olhos, sua testa, e envolvê-la num abraço forte.

Sakura o abraçou com igual fervor. Talvez isso fosse capaz de aliviar a pressão que parecia querer explodir seu peito.

Quando aquilo não foi suficiente, ela puxou Sasuke pelo pescoço e colou seus lábios nos dele de modo quase desesperado. Despejou todos os sentimentos naquele beijo, tentando apaziguar as batidas violentas do seu coração.

Sasuke foi pego de surpresa pela urgência daquele gesto, mas muito mais pelo modo como seu próprio corpo correspondia. Espalmou as mãos largas nas costas femininas, na altura da cintura e entre os ombros, pressionando cada centímetro de seus corpos juntos, querendo senti-la o mais perto de si possível.

Ele estava sentado no piso de madeira, de pernas cruzadas, e a esta altura Sakura já estava em seu colo, um joelho em cada lado de seu quadril. Ela inclinou o corpo pra trás de leve, tentando encontrar um ponto de equilíbrio confortável para ambos, e o torso de Sasuke seguiu o movimento, se recusando a perder o contato.

Quando a necessidade por oxigênio se tornou insuportável, Sakura interrompeu o beijo, jogando a cabeça pra trás tentando recuperar o fôlego. Mas Sasuke queria mais, e não se conteve ao atacar o pescoço da rosada com os lábios e língua. Ele começou com um ponto atrás da orelha que a deixou trêmula, descendo por seu colo até onde o primeiro botão da camisa permitiu.

Com os dedos enterrados nos cabelos negros, Sakura tentava se agarrar a sua sanidade, mas Sasuke não lhe consentiu um segundo sequer de pensamento coerente. Nenhum deles tinha uma noção clara do que estavam fazendo, se movendo apenas por instinto.

Uma mão escorregou pelo pescoço dele, correndo dedos delicados por dentro da gola da camisa, traçando a linha da clavícula, até pousar no peito delineado. A pele de Sasuke sob sua palma estava quente, e úmida de suor, e ela podia sentir seu coração batendo acelerado.

Quando ele mordiscou um ponto sensível na junção do pescoço e ombro, Sakura não conseguiu conter um gemido mais alto, nem o modo involuntário com que seu corpo estremeceu.

Sasuke sentiu um nó na base do estômago diante da reação feminina.

Involuntariamente ele pousou a mão direita sobre uma coxa nua. A sensação de pele na pele era tão viciante que não conseguia parar de tocá-la. Correu a ponta dos dedos até a barra da camisa numa carícia suave, deixando a pele arrepiada por onde passava, e, sem pensar, seguiu adiante. Seus dedos continuavam a traçar um caminho pelo quadril de Sakura, e apenas quando alcançaram a cintura sob a camisa, Sasuke foi atingido pelo primeiro pensamento coerente desde o primeiro toque entre eles.

Sakura não estava usando nada sob aquela camisa.

A descoberta fez aquele nó dentro de si se apertar de modo impossível, e o moreno se viu obrigado a interromper suas atividades pra tentar retomar um pouco de seu autocontrole. Ele pousou a testa no ombro da companheira e permaneceu imóvel, se concentrando em sua respiração.

Percebendo a atitude, Sakura, ainda ofegante, franziu a testa. "Sasuke?..."

Sasuke continuou a respirar de forma metódica, temendo o que acabaria fazendo caso se movesse. Ele sabia o que seu corpo queria que ele fizesse, mas naquele breve momento de lucidez, perguntou a si mesmo se deveria continuar. Imaginou o que Sakura estaria pensando.

Ele levantou a cabeça ao mesmo tempo em que ela virou o rosto em sua direção, e seus olhares se encontraram, narizes quase se tocando.

A expressão confusa no rosto da rosada logo se transformou em compreensão, e então num leve sorriso complacente. "Nós não estamos mais sendo vigiados."

"Não é isso, Sakura. Eu quero que você saiba... não foi por isso que eu pedi pra terminarem com a vigilância."

"Eu sei."

"Você não precisa-"

Sakura o interrompeu com um dedo sobre seus lábios. "Não precisa me explicar nada, Sasuke. Eu entendo," ela encostou sua testa na dele e fechou os olhos. "Eu quero isso. Muito. E se você quiser também, é só me pedir pra ficar aqui essa noite."

Aquelas palavras tão diretas o surpreenderam apenas por um segundo antes que ele fechasse seus olhos e inalasse o odor intoxicante dela. "Sakura?"

"Hn?"

"Fica comigo essa noite."

Ela sorriu, tocando de leve seus lábios sobre os dele num beijo suave.

"Pra sempre," ela sussurrou.

Nem Sasuke, nem Sakura percebeu as duas figuras que os observavam do outro lado do jardim da propriedade.


Ha! Cliffhanger pra vocês, rs.

Ainda não comecei nem a pensar no próximo capítulo, por isso estou aceitando sugestões. Eu tenho uma ou duas idéias pra "pôr no papel", mas não dá nem pro cheiro.

Como você perceberam, a questão sobre quem é ou não virgem ainda não foi respondida, e pra ser honesta, eu ainda não tenho a resposta. Quando eu comecei essa fic, eu tinha uma idéia de que Sakura não era (por isso coloquei o Kaito no passado dela), e o Sasuke era. Achei que ia ser uma mudança legal das fics que costumo ler. Mas depois de ler algumas reviews, fiquei na dúvida... Essa discussão não é gratuita, vai servir pra construir outras situações mais pra frente (eu acho), principalmente entre o Sasuke e o Kaito.

Também acho que a fic tá ficando meio melodramática. Tava pensando em colocar o time sete no próximo pra dar um toque de humor... sei lá.

Ai, tô no limbo das idéias!

Então galera... reviews por favor!

dai86