Capítulo XII

Isabella despertou com a desagradável sensação de um tapa bem aplicado, como uma criança travessa. Sobressaltada, sentou se e viu-se cara a cara com Edward. Precisou de alguns segundos para sua mente se desanuviar dos efeitos do sono.

— Levante-se, esposa, e vá preparar meu banho. Preciso sair cedo hoje.

— Não entendi — ela respondeu arrogante.

— Não adianta implorar, mulher, pois não permitirei que fique por aí, à toa. Prepare a água para meu banho.

— Mas esse é o dever de um escudeiro!

— Não tenho escudeiro. Não preciso de um, pois tenho uma esposa.

Ela estava chocada. Ignorando-a, ele começou se despir. Quando Isabella viu sua intenção de ficar nu, saltou da cama. Vestiu depressa uma roupa e apressou-se para a cozinha a fim de buscar água.

Uma criada acendeu o fogo, mas Isabella assegurou-lhe de que não era necessário, sorrindo ante o pensamento do banho gelado que ela ia oferecer Levou com dificuldade o balde para cima, espirrando líquido para todos os lados e sobre si mesma.

Cambaleando dentro do quarto, avistou Edward sentado junto à lareira com uma peça de linho sobre o colo. Estava inspecionando as amarras de couro de seu cinto, indiferente ao choque de Isabella ao vê-lo naquele estado. Ficou paralisada junto à soleira da porta, respirando com dificuldade à vista do peito robusto revelado a seu olhar. Os músculos dos braços se flexionavam do modo mais fascinante enquanto ele trabalhava o nó, testando sua resistência.

— Derrame a água na bacia e seja rápida — ele ordenou, rabujento. — Não posso perder a manhã inteira à sua espera.

Aterrorizada pela possibilidade de ele se levantar e jogar o tecido para longe, Isabella apressou-se a obedecer e sair do quarto.

— Não vai sair de minha presença até eu lhe dar permissão! — ele trovejou ao vê-la junto à porta. — Lembre-se disso no futuro e lhe poupará uma lição dolorida de obediência conjugal.

Ela cerrou os dentes até machucar o lábio inferior ao se voltar do portal. Fingindo estar ocupada ajeitando o quarto, tomou cuidado para ficar de costas todo o tempo. Ouvia o barulho da água enquanto ele se lavava, depois o som suave do linho sendo esfregado sobre a pele para secá-la. Foi assaltada por imagens intrusas dele esfregando o tecido sobre seu corpo: os ombros largos que ela avistara, os braços musculosos e as pernas longas e fortes.

A voz dele próxima de seu ouvido a fez sobressaltar.

— Muito revigorante, esposa. Como sabia que prefiro uma temperatura fria para meu ritual matutino? E excelente você me conseguir agradar tão bem.

Ela rangeu os dentes ante a observação insidiosa.

— Já terminou?

— Pode se voltar, meu amor — ele anunciou sarcástico. — Acho que minha aparência não pode provocar ofensa.

Estava vestido. Ela o fitou como se achasse que lhe faltava algo.

— Oh, milorde, não está me ofendendo.

Indiferente, ele brincou com um cacho dos cabelos da moça. Ela precisou de todo seu autocontrole para não desviar a cabeça da mão dele.

— Tenha cuidado, Isabella, pois amanhã posso querer que você me ajude no banho — ele declarou. Sorriu ante a expressão consternada dela, virou-se para sair do quarto. Na porta, Edward a chamou.

— Está vindo, meu amor?

Suspirando de desgosto, ela o seguiu. Entraram no salão em silêncio e sentaram-se em seus lugares.

Durante sua refeição, Edward ordenou a Isabella para lhe escolher as carnes e os petiscos que lhe eram oferecidos em grandes bandejas apresentadas pelos criados. Estava ressentida por precisar servi-lo em público. Era posição de um criado ou de um escudeiro servir ao amo, ou do homem servir a mulher como forma de distinção. Obrigá-la a desempenhar aquele dever servil era uma maneira de humilhá-la diante dos outros.

Estava penosamente consciente dos olhares curiosos que suscitava nos que estavam reunidos no salão. Em desafio, ela derrubava a comida desajeitadamente e se esforçava para respingar vinho sobre ele. Molho e pedaços de comida foram atirados sobre a túnica antes imaculada. Edward limitou-se a um breve olhar de escárnio diante do jogo que ela realizava, mas limpou as manchas sem fazer comentário algum.

Ao terminarem a refeição, ele se levantou e deixou o recinto sem a cortesia de se despedir. Era uma ofensa aquela exibição pública de escárnio. Fingindo não se importar, Isabella saiu apressada, com a intenção de encontrar Alice. Logo deparou-se com a ama em uma saleta ao lado da cozinha, preparando cataplasmas com ervas e gordura. Quando Isabella entrou, a velha ama apenas a fitou rapidamente e retornou a seus afazeres sem pronunciar palavra.

— Bom dia — cumprimentou Isabella. Alice a olhou injuriada.

— Milady.

— O que está fazendo? — ela indagou, tentando diminuir a tensão entre ambas. — Que tipo de cataplasma está fazendo?

— É para curar a doença de um aldeão, nada mais. Não é importante.

— Deve ser importante, pois a ocupa noite e dia. —Isabella comentou com uma alfinetada que não passou despercebida a Alice. A ama levantou a cabeça.

— Acha que a tenho negligenciado, menina?

Sentindo-se aviltada por Edward Cullen e espicaçada pela falta de consolo da ama, Isabella rebateu:

— Abandonada seria a verdade.

— E de que se queixa que eu não tenha feito?

— Não me fez companhia, para começar! — ela exclamou.

— E o que acha que posso fazer por você? Acha que uma mulher velha como eu pode ajudá-la agora? Está casada, seu caminho está determinado. Não precisa de alguém como eu.

Os olhos de Isabella se estreitaram com suspeita.

— Cullen a proibiu de se aproximar de mim?

— Não — Alice negou. — O barão não me perturbou. Não faria tal coisa. Não tem nada em comum com James. — Diante do olhar de aborrecimento de Isabella, ela acrescentou: — Deve se esforçar mais, Isabella. É dever de uma esposa concordar com seu marido.

— Bah!

Os olhos de Alice se estreitaram.

— Você o expulsou ontem à noite? — perguntou depressa.

— Não, não fiz isso. Ele... — Como poderia explicar? — Disse-lhe que eu me entregaria.

— Ah. — Alice parecia satisfeita. Mas logo começou a suspeitar de algo. — E como se sente hoje? Precisa de algo para a dor? E o sangramento, já parou?

— Ah, sim, a dor me perturba. Mas não se preocupe com isso.

— Você nunca mentiu bem, Isabella! — A ama se zangou. — Ele não se deitou com você!

— Ele não me quis!

Alice indignou-se novamente.

— É outra mentira. Há semanas o homem faz de tudo para não olhar para você, com medo de suas reações. É tão cega que não enxerga como o atormenta?

— Ele queria...mais do que eu podia lhe dar.

— Deve dar a seu marido tudo o que ele quiser, é seu dever se entregar. — Alice se deteve, refletindo por um momento. — O que ele lhe pediu?

— Para eu admitir que o desejava. — Pronto, Isabella pensou. Com certeza Alice iria compreender que não podia fazer aquilo.

— Ah, criança... — Ela deu uma risada. — É tão jovem e orgulhosa. Seria assim tão difícil contar a verdade? — Diante do olhar surpreso de Isabella, a mulher negou com um gesto de cabeça. — Você tem um belo marido, viril, que a deseja. Esqueça os antigos ressentimentos, Isabella, e entregue-se a ele.

— Não posso!

— Sua mãe e eu erramos ao sermos tão indulgentes com você. Nossa intenção era a de amar e passar nosso conhecimento a você, pois era uma criança meiga, inteligente e encantadora. Mas vejo que ficou estragada com tantos mimos.

Lágrimas caíam dos olhos infelizes. As palavras que ouvia eram uma agressão.

— Não queira ser paparicada agora — continuou Alice —, pois não é mais uma criança e foi tratada assim por tempo demasiado. É hora de se tornar uma mulher. É esposa e um dia será mãe. Está na hora de crescer, Isabella.

Havia verdade naquelas palavras, mas eram insuportáveis a seus ouvidos. Muda de dor e indignação, Isabella virou-se e saiu.

Naquela noite, durante o jantar, Isabella tomou todo o cuidado para se controlar. Não provocou Edward Cullen, procurou não servir a comida desajeitadamente em seu prato, muito menos derramou vinho ao completar o cálice.

— Sua jovem esposa está estranhamente calada esta noite, Edward. Será que assustou a pobrezinha e a levou a esse silêncio nada natural? — questionou Jacob.

Edward também havia observado a diferença.

— Ah, é verdade, ela está se comportando de modo mais apropriado — ele concordou. — Não faz desafios hostis, nem insultos. Eu mesmo não sei como agir sem sua constante oposição.

Sentindo uma satisfação particular diante da exibição de obediência de Isabella, escapou-lhe o desagrado de Jacob. — Ela parece de certo modo... abatida — comentou o viking.

— Isso é bom — disse o amigo —, pois era demasiado teimosa. Essa atitude só demonstra como uma mulher voluntariosa necessita de uma mão firme para guiá-la. Assim, aprenderá como deve agir uma esposa adequada.

— E o que sabe você sobre comportamento apropriado de uma esposa? — Jacob escarneceu. — Sua mãe nada fez para honrá-lo, sir. E guarde esta expressão de desprezo para quem não o conheça.

Edward não mudou seu semblante.

— Tem razão, minha mãe não me mostrou como uma boa esposa deveria agir. Ao contrário, ensinou-me como uma esposa não deveria agir. E pretendo usar as duras lições que aprendi com ela. Não tolerarei exibições de orgulho, acessos de petulância e vaidade.

— Com todo o devido respeito, Edward, não observei nem uma dessas qualidades em sua esposa — repreendeu Jacob com suavidade.

— Nem assistirá — garantiu Edward sombrio.

Ainda entristecida pelo confronto com Alice, Isabella não conseguia disfarçar sua tristeza.

Em nada ajudava o fato de cada movimento de Edward fazê-la querer fugir. A presença dele a abrasava com um calor mágico. Não conseguia afastar o olhar de suas mãos, grandes e bronzeadas, com dedos longos, calejados e rijos. Sua mente traiçoeira os imaginava explorando sua pele, como ocorrera na noite anterior, quentes e possessivos. Ela estremeceu, forçando-se a desviar o olhar para o infinito.

E se a tocasse outra vez com aquelas mãos, poderia negar-se a ele?

Enlouqueceria se não tivesse algo em que pensar durante dois meses a não ser nas mãos de Edward, ela concluiu. Talvez devesse trabalhar para conseguir algo para os pobres da aldeia. Cullen parecia interessado em que seu povo se sentisse feliz. Quem sabe ele se tornasse mais agradável.

— Faça o que quiser — Edward replicou quando ela pediu. Erguendo-se, ele murmurou algo para Jacob e saiu. Isabella o fitou e depois deu de ombros. Quem poderia compreendê-lo?

Após alguns momentos, um jovem criado, muito nervoso, aproximou-se.

— Seu senhor ordena que espere por ele em seu quarto — o jovem informou, tenso.

Ela foi invadida por raiva e vergonha. Para seu profundo embaraço, vários sorrisos sarcásticos indicavam que todos estavam a par de sua humilhação.

— Diga a milorde que irei daqui a pouco — murmurou.

O jovem parecia desconfortável.

— Milady, ele instruiu-me para conduzi-la o mais breve possível.

— Mas estou ocupada e não desejo retirar-me agora.

— Nosso novo barão necessita de você, lady — uma donzela brincou. — Seu apetite por alimento já foi atendido. Agora ele procura satisfazer o outro.

A mulher riu do próprio comentário de mau gosto. Edward seria capaz de vir ele próprio buscá-la se recusasse.

Isabella reuniu o que restava de sua dignidade e ergueu-se com um movimento suave. Levantando o queixo, seguiu o rapaz para o quarto do senhor.


Resposta de Review

Thais

III sem problemas, Boa Sorte no projeto. A Bells é osso duro de mais. Já mandei o livo. Atualizei rápido neh? Estou de molho em casa, operei 2 cisos (dentes) Ai 5 dias em casa. bjoos

II Oque será que Edzinho que com bells no quarto?

Taty xD