N/T: Ok, galerinha, o cpt tao esperado pelas adoradoras kakasaku :D

Devo dizer que... hmmmm... esta bemmmm legal.

Deliciem-se ;)


Por Silvershine

Trad/Apadtacao por K Hime

Betada por Bela21

Presente para Anju hime

The Window

A janela

Blurred Lines

Parte II


Quando se levantou pela manhã, estava cheia de energia, eufórica e pronta para tudo o que o treino tivesse a oferecer (só que quando acordou eram três horas antes do início do treino) Então, encheu as três horas restantes com o cabelo, longos minutos de desnecessária escovação, e regar algumas plantas em sua jardineira na janela.

Bem, não era como se a Sra. Uno já não estivesse encharcada de toda a chuva da noite passada.

O céu resmungou num cinza claro quando Sakura finalmente seguiu caminho para os campos de treinamento. Borboletas invadiram-lhe o estômago, aumentando em número a cada passo, e quando finalmente chegou ao ponto de encontro designado, ela não sabia se estava aliviada ou não pelo fato dele ainda não ter chegado.

Mas a kunoichi escondeu bem sua frustração. Enquanto esperava, encostada na mesma árvore em que ele tinha chegado nela no dia anterior, o único sinal exterior de seu nervosismo era o bater rápido do dedo indicador direito contra o cotovelo esquerdo.

Kakashi estava apenas quinze minutos atrasado.

Sua chegada foi marcada por um estrondo baixo do trovão que reverberou através do solo, aproximando-se, cabeça baixa e mãos enterradas profundamente nos bolsos. Sob a luz cinzenta, suas madeixas pareciam ainda mais cinzas do que o habitual.

- Bom dia. - Disse firmemente, quando ele chegara próximo o suficiente para ouvir.

Ele a fitou e então para o céu. - Eu já vi melhores.

Então seu olhar pousou sobre a moça, como se dissesse que ela era "melhor".

- E-então o que faremos hoje? - Perguntou apressada a fim de sair de tal situação embaraçosa. Quanto mais rápido eles conseguissem este feito, melhor chance ela teria de voltar para casa sem embaraçar-se como ontem.

- Mais alguns genjutsus, eu acho. - respondeu suavemente. - Eu tenho um legal, fácil e prático que acho que você vai gostar.

- Sério? Qual?

Seu olhar plissou e depois em um flash de selos da mão que eram incrivelmente rápidos de seguir, ele desapareceu. Sakura pulou e olhou em volta. E se ele tivesse feito uma técnica rápida demais para seus olhos captarem? Se o tivesse, ela estaria com problemas. Kakashi era muito rápido para ser apanhado pelos –

- Oof!

O chão veio imediatamente de encontro a si, e com os braços atrás das costas, a moça não tinha sequer uma chance de amortecer a queda. Pousou no chão com um peso considerável sobre si.

- Bloco Sensorial. - ela ouviu sua voz arrastada murmurar num tom profundo em seu ouvido, muito perto de si. - Os truques genjutsus são para dois de seus sentidos - Sua visão e audição. Você acha que eu desapareci quando na verdade tudo que fiz foi andar para trás de você.

- Um aviso teria sido bom. – Despejou em cima dele.

- Mas onde estaria a graça nisso? - respondeu ele. - De qualquer forma, o genjutsu termina no momento em que a terra ataca seu adversário. Mas, para pessoas como você, que só precisam de um golpe para acabar com uma briga, ele será uma tática muito útil para ganhar a vantagem rápida que você necessita para o exame.

Ele estava certo. Seria uma tática muito útil, mas, francamente, tudo o que Sakura poderia contemplar naquele momento era exatamente o quão perto seu corpo estava pressionado contra a dela.

- Pronta pra aprender?

- Hm? - Aquilo era o interior da coxa dele encostada em sua nádega?

Kakashi ficou de pé e ofereceu-lhe uma mão. - Vamos. - disse, e Sakura tirou a poeira da roupa no processo. - Há quatro selos, o rato, o cavalo, o dragão e o pássaro...

Precisou de várias tentativas antes que pudesse realizar a sequencia de selos de uma forma rápida o suficiente para satisfazer seu sensei. Claramente ela nunca iria combinar com o seu tipo de velocidade, mas seu oponente não seria quase tão avançado como ele, tão "satisfatório", que no caso de Kakashi significava tão "excelente" quanto a outra pessoa.

E depois ela tinha conseguido fazer os selos, que era apenas uma questão de descobrir a combinação certa de chakra e foco. As primeiras vezes dela falharam. Às vezes passara invisível para ele, mas ainda podia ser ouvida, e às vezes ele se fazia de surdo, mas ainda podia ver sua forma, e ainda vê-la quando mandava a língua para ele por criticar sua falta de concentração.

Em torno da sexta tentativa, ela estava começando a acreditar que estava finalmente pegando o jeito para a coisa. Mesmo que Kakashi balançasse a cabeça dizendo-lhe para parar no meio do caminho e começar tudo de novo, porque ele ainda podia vê-la, mas ela sabia que ele estava pegando no seu pé só porque ela estava melhorando a cada tentativa.

Na décima primeira tentativa Kakashi finalmente perdeu a noção de que Sakura estava ali. Ela o circulou algumas vezes, sorrindo para si mesma enquanto ele olhou ao redor vagamente, completamente cego e surdo de sua presença. Ele não pareceu notar quando ela acenou com a mão na cara dele, e ele nem sequer reagiu ostensivamente quando ela pegou sua bolsa de kunai - uma ação que normalmente resultaria em um pulso (semi) quebrado por se atrever a chegar perto de seu precioso Icha Icha.

Por um momento a ideia de ser capaz de jogá-lo ao chão entreteu seus pensamentos. Ela seria gentil e simplesmente o jogaria de costas no chão e se sentaria nele e depois arrancaria suas roupas e montaria nele como um...

Ela tinha ficado assim por muito tempo, a mão de Kakashi estendeu em sua direção, esbarrou na saboneteira feminina e depois pousou em seu ombro. O genjutsu morreu na hora e Sakura encontrou seu olhar com os olhos verdes espantados. - Você me percebeu... - Suspirou.

- Só porque eu tenho um ótimo senso para odores.

Sakura não se lembrou de usar desodorante naquela manhã.

- Eu acho que você tem o jeito pra coisa. - disse alegremente, liberando seu ombro e recuando para criar uma distância entre eles. - Então o que é que você me deve? Quatro favores, não é?

- Três. - uma vez que o terceiro ninjutsu que ele tentou ensiná-la tinha sido um fracasso. - Mas você disse que se eu lhe ajudasse com o seu doujutsu, estaria valendo.

- Ah, eu disse, não foi? - ele falou suavemente, ficando pensativo. - Mas antes disso, eu prometi te ensinar um último genjutsu.

Ela assentiu, ansiosa.

- Mas... este é um muito sério, um jutsu ranking A que vou mostrar pra você. Vai ser difícil de pegar, mesmo para alguém com talento natural de controle de chakra como você e a única maneira de fazê-la ser capaz de compreender os mecanismos envolvidos é se passar por isso em primeira mão. Você entende?

Ele estava falando sério, como de costume, mas Sakura detectou uma preocupação acima do normal em seu tom de voz. - O que ele faz?

Suas mãos mergulharam nos bolsos novamente e ele jogou o peso para um pé. - O jutsu que eu vou mostrar pra você é aquele que vai te atingir em seu maior medo que mora no fundo de seu inconsciente e que ira confrontá-la. Se você está com um medo de determinada coisa, isso vai te deixar oscilando em um precipício. Se você tem medo de seus amigos se machucarem, você verá suas mortes.

Sakura se lembrou de algo de muito tempo atrás. - Não foi isso o que você usou em mim durante o primeiro teste do sino? – perguntou desconfiada.

Ele balançou a cabeça. - Não. Aquilo foi uma visão que eu selecionei pra você a partir do que eu sabia de você. Eu vi que você gostava excessivamente do Sasuke, então peguei essa informação e fiz uma visão dele sofrendo na sua frente. A diferença para este jutsu é que você não precisa conhecer seu inimigo a fim de usar seu próprio medo contra ele. Se eu tivesse usado o genjustu de hoje em você durante o teste dos guizos, você teria visto algo muito pior do que aqueles leves arranhões que o Sasuke teve naquela ilusão.

- Arranhões? – Ela rosnou. - Você o massacrou! E eu tinha apenas doze anos!

Ele fez um gesto distraído. - A questão é que este é um jutsu de alta classe por uma razão. Raramente falha e pode incapacitar seu oponente completamente, dependendo de quão forte seja seu medo, independentemente de quão poderosos seu oponente seja. Você poderia usá-lo contra Sasuke e reduzi-lo a uma poça de lágrimas em meros segundos se quisesse.

Ela olhou para ele ofendida. – Eu não quero.

- Mas você entende o poder deste jutsu, certo? Eu não iria ensinar isso a você se não achasse que conseguiria aprender. E acredito que você pode conseguir antes da hora do jantar.

- Quer apostar? - Ela revirou os olhos. Aprender um jutsu Rank A em seis horas? Ela era boa, mas não era tão boa assim.

Ele encolheu os ombros. - Seria uma aposta injusta. - Então jogou o peso de volta para ambas as pernas e inclinou-se para ficar em frente a ela. - Eu vou mostrar agora, ok? Você está pronta?

Para enfrentar seu maior medo? Será que alguém no mundo estaria pronto pra isso!

Sakura respirou fundo algumas vezes e ajeitou os ombros, lembrando-se que tudo o que viria a seguir não seria real. Mas o que ela veria? Do que ela estava com mais medo ultimamente? Naruto morrendo? Sasuke morrendo? A Kyuubi se libertar? Orochimaru tomar Sasuke? Konoha sendo destruída?

Algo acontecer com Kakashi...?

Fosse o que fosse, ela tinha que ser forte. Ela não queria ser reduzida a uma poça de lágrimas e muito menos na frente de Kakashi. Então, ela se preparou... embora não tivesse ideia se que estava preparada para isso.

- Ok. - disse. – Faça!

Quase com relutância, Kakashi trouxe as mãos para executar os selos - devagar o suficiente para que ela fosse capaz de acompanhar e memorizar, embora ela tivesse perdido a conta por volta do décimo terceiro selo. E, enquanto observava a realização do último selo e ouvia Kakashi murmurar as palavras do jutsu, o mundo ao seu redor lentamente começou a dissolver-se, explodindo no vento como areia do deserto, até que só houvesse escuridão.

Sakura ficou imóvel, tensa, mas alerta. Era este o seu medo? De trevas? Ela tinha, secretamente, medo do escuro, sem nem sequer perceber? Ela não se sentia particularmente assustada, mas...

Havia algo a mais na escuridão consigo. Sakura não conseguia ouvi-lo, não poderia vê-lo, mas ela sabia que algo estava lá, circulando-a. Ocasionalmente, ela pensou ter visto algo se movendo pelo canto do olho, mas quando se virou para enfrentá-lo, a imagem tinha simplesmente evaporado no ar.

Um pouco de medo brotou dentro de si, mas ela apertou o cerco sobre seu sentido crescente de pânico. Não é real, disse a si mesma. Seja o que for, ele não pode me ferir. É apenas uma ilusão.

Só porque eu não posso te tocar, não significa que não posso te machucar.

Sakura levantou a cabeça de súbito e olhou ao redor. - Quem está aí?

Ninguém... ninguém...

Sakura não podia ter certeza se fora mesmo sua audição. A voz indefinida passou pela sua cabeça, mais como imagens do que palavras faladas. Outros sons vieram aos seus ouvidos e outras vozes - jovens e velhas, masculina e feminina - falando rajadas curtas de linhas, nada palpável, ainda.

Eu queria aquele cavalo!

É tudo uma questão de gosto.

Você não pode ver o que fez com ele?

Hahahaha!

Bzzzt!

Não traga essa coisa aqui, você vai espalhar lama por todo o chão.

VADIA!

Sakura balançou a cabeça em alarme. Não parecia que esses sons e vozes estavam vindo de algum lugar, a não ser de sua própria mente. Isso deveria acontecer? Ela sentiu como se estivesse ficando louca...

Fechando os olhos, Sakura correu as mãos sobre sua cabeça. - Eu não gosto disso. - disse ela em voz alta, mais para abafar os sons estranhos. Ela não estava muito assustada, mas se sentia incomodada o suficiente para juntar as mãos e desfazer o genjutsu. - Kai!

Isso não vai funcionar aqui...

Quando Sakura abriu os olhos, ainda estava mergulhada em trevas. Ela tentou parar o jutsu novamente, mas tudo o que ouviu foi um riso em resposta. Pânico, que ela estava tentando admiravelmente manter longe de si até então, estava começando a alcançá-la. Ela não estava mais sob controle.

Não é real - repetiu para si mesma - Isso não é real e Kakashi vai acabar com essa porcaria a qualquer momento.

Mas seus pensamentos pareciam tão vagos e abstratos como os outros pensamentos dentro de sua mente. Sua voz fora perdida em um mar de outras vozes, e ela estava começando a se perguntar qual era a sua própria.

- Kakashi-sensei, eu realmente não gosto disso. Você pode parar isso agora!

Ele não pode te ouvir.

Sim, ele pode. Ele...

Ele não está ouvindo. Nenhum deles pode te ouvir. Não a você.

Pode dizer o que diabos você quer, eu sei que você não é real.

Isto é tão real quanto você o fizer real. Estes são os seus próprios pensamentos e medos, afinal. Eles são reais.

Eu não tenho medo.

Seu futuro já está determinado. Você já escolheu e podemos ver isso. Bem aqui na sua cabeça. No seu medo...

Eu não estou ouvindo...

Você quer ver? O seu futuro?

Vá embora!

Nós não podemos. Nós somos parte de você. Sempre estivemos aqui, com você. Este lugar nos libertou. E nós temos algo para lhe mostrar...

Você é apenas uma ilusão.

Este lugar é a ilusão, mas nós... somos tão reais quanto você.

A voz ficou subitamente fora de sua cabeça, em algum lugar atrás de si, mas quando Sakura virou para enfrentá-la, uma mão forte pegou o braço dela e forçou-a a ficar de joelhos com um grito. O enlace era mais forte do que qualquer coisa que já havia sentido antes, como se a pessoa acima de si tivesse a intenção de segurá-la a beira de esmagar seus ossos. Ela olhou para cima, mas a escuridão parecia entortar seu corpo e esconder a pessoa por completo.

Mas era definitivamente uma mulher.

Você é patética... você nos envergonha...

Sakura sibilou quando o aperto ficou insuportável e suas articulações rangeram. - Deixe-me ir...

Somente quando você ver onde está indo. Onde você está nos levando.

Imagens e sensações agrediram sua mente, e Sakura foi, subitamente, tomada por uma miséria angustiante que quase roubou todo o ar de seus pulmões. Ela podia ver, como se fossem memórias, passando por seus olhos como um filme desconexo, que rebobinava para trás e para frente. Ela podia ver a si mesma - sentindo-se - sozinha, sentada em uma sala de estar sozinha com a TV ligada e um chocolate quente em cima da mesinha. Excesso de peso, linhas esticadas ao longo dos cantos da boca e olhos, fotos de antigos colegas de equipe na parede para as quais era muito doloroso olhar, e uma foto de sua família no peitoril da janela para a qual ela olhava todas as noites. De um marido que não voltava para casa na maioria das noites e de crianças que não podiam suportar vê-la.

Ela era odiada. Odiada por todos que amava. Todos pelos quais tinha dado sua vida. Ela tinha escolhido muito cedo pelo homem errado, perdeu sua carreira. Seus amigos perderam contato ou morreram. E ela estava sozinha.

Sentar e assistir televisão... era tão normal. A partir de uma perspectiva externa era apenas uma noite tranquila. Por dentro, Sakura podia sentir o desespero. Toda a dor e mágoa. Todos os pensamentos que a assaltavam pareciam vir com mais potência... Eu não gosto mais de viver.

- Não! Não, não sou eu! - Sakura gritou. - Isso está tudo errado!

Tal mãe, tal filha... você está repetindo os mesmos erros.

- Isso não sou eu, não é real. - Sakura gritou. Mas as lágrimas rolando pelo seu rosto pareciam bem reais. E a miséria e a depressão que ainda permaneciam das "memórias", pareciam muito mais reais ainda.

A figura lançou seu braço e Sakura deixou-se cair no chão, enrolando-se em torno de si mesma e seu braço dolorido. - Não é real, chega. Vá embora. Você não está comigo. Você não é real. Você não é real.

A mão suave tocou suas costas. – Sakura...

Graças a deus.

Ela tomou um momento para limpar cuidadosamente os olhos com os dedos antes de se sentar e visualizar o seu professor agachado à sua frente. Ela sentia como se não o tivesse visto em um ano ou mais e, ao mesmo tempo, sentia uma mistura de gratidão por ele tê-la tirado do jutsu, mas o culpava pela miséria persistente que o jutsu tinha lhe induzido. O resultado a deixou com um pouco mais de lágrimas nos olhos. - Sensei...- sussurrou numa voz vacilante.

- Você está bem? - Ele perguntou em um tom baixo em evidente preocupação.

Ela começou a acenar, mas depois seu rosto ficou angustiado e ela balançou a cabeça. – Não. - e se afastou. - Foi horrível!

- O que você viu?

- Eu estava gorda e velha e tinha rugas... Kakashi-sensei, foi horrível!

Kakashi a fitou. - Você estava gorda e velha...? - repetiu inexpressivamente. Por alguma razão, ele parecia pensar que aquilo foi um pouco superficial.

- Não, foi terrível. Eu queria me matar. - Disse ela, tentando fazê-lo entender.

- Entendo. - Mas ele ainda não entendia muito bem.

Sakura queria explicar mais, mas ela simplesmente não podia. Era muito pessoal. Ela não queria que ele soubesse que de todas as coisas que temia no mundo era envelhecer e morrer sozinha, sem amor, tendo perdido tudo o que era valioso para si por causa de uma série de erros estúpidos que já estava começando a cometer.

Eu não vou acabar assim, prometeu a si mesma ali, naquele lugar. Eu não vou acabar como a minha mãe. De agora em diante farei o que quero fazer... não o que acho que deveria fazer. Eu não vou cometer mais os mesmos erros.

Kakashi colocou a mão em seu ombro, deslizou-a levemente e depois a retirou, então a rosada se viu sentindo falta daquele calor. - É um choque desagradável, não é? Confrontar um medo assim? Normalmente, o pior medo que você tem é o que tenta esconder e ignorar. Torna ainda mais perturbador quando tem que enfrentá-lo cara a cara.

- Alguém usou isso em você, não é? - sussurrou. - Foi assim que você copiou.

Ele balançou a cabeça lentamente.

- O que você viu? - perguntou.

- Pessoas. - disse com indiferença. - Todas as pessoas que estão sob minha responsabilidade e que deveria proteger... morrendo enquanto eu fico impotente assistindo. E isso é real, não é? Mesmo quando você sabe que é apenas uma ilusão. Nesse momento é real pra você e é suficiente pra assustar e te envelhecer alguns anos.

Sakura olhou para o chão e tremeu sensivelmente. Ela ainda não se sentia muito bem.

- Mas é um jutsu útil e já me serviu algumas vezes. - disse ele. - E eu tenho certeza que vai te servir também.

- Eu não... - Sakura começou.

Kakashi piscou. - O quê?

- Eu não quero saber desse jutsu, sensei. - murmurou. - Sinto muito, mas não acho que poderia usá-lo em alguém... então eu não sei qual utilidade teria em aprendê-lo. Parece cruel.

Quando tudo que ela teve como resposta foi o silêncio, ela trouxe seu olhar ao encontro dele com uma careta de desculpa. - Sinto muito. - Disse novamente.

- Não, tudo bem, eu só estava pensando... - ele meditou. - Se você está realmente com tanto medo de ficar velha, poderia subornar a Hokage pra te ensinar seu jutsu de anti-envelhecimento.

Sakura suspirou. - Não é o medo de ficar velha que me assusta...

Ele balançou a cabeça, confuso. - Então é o que?

Permanecer ajoelhada estava começando a doer os joelhos, então Sakura inclinou-se um pouco para o lado para sentar no chão com um joelho próximo ao peito, braços enrolados em torno dele. – O problema não era que eu estava velha... é que eu não gostava de quem eu era. Você sabe?

Kakashi não disse nada por um momento, aparentemente pensando sobre o que ela acabara de dizer. Então, ele deu de ombros e saiu de sua posição de cócoras para se sentar no chão na frente dela, como se tentasse espelhar a ação da moça, exceto é claro, soltando um grunhido suave que revelava que ele não era tão flexível quanto ela. Apoiando os cotovelos sobre os joelhos, ele fez um gesto para ela continuar.

Sakura sentiu um pouco como se um holofote tivesse aparecido no céu, tenebrosamente cinza, para colocar um feixe luminoso sobre si. O que ele estava esperando? Um discurso? Algum tipo de confissões do coração? Ela não queria falar sobre isso. - Isso realmente não importa. - ela disse evasivamente. - Não é tanto o medo e sim uma preocupação.

Kakashi olhou para ela.

- Quero dizer... todo mundo fica um pouco preocupado com o futuro, certo? Isso é normal, não é?

A Cabeça de Kakashi inclinou para o lado, sobrancelha arqueada.

- É só que sinto como se tivesse cometido tantos erros ultimamente. Eu não consigo fazer nada direito. Eu acho que estou fazendo a coisa certa, mas então não é... e tudo dá errado. E é como minha mãe. Eu sinto que estou começando a ficar como ela.

- O que te faz pensar isso? - Kakashi perguntou.

Sakura revirou os olhos. - Sou muito parecida com ela pra conseguir ser qualquer coisa diferente disso.

- Mas você não é nada como ela. - Kakashi disse sem rodeios. - Ela é esquisita, maçante e negligente. E você é... bem, você não é assim.

- Ela não foi sempre assim. - insistiu. - É exatamente isso, ela fez as escolhas erradas. Ela se casou com o homem errado e então teve um filho e acabou presa num casamento sem amor. Quando ela era mais jovem, ela era mais como eu. Mas é como se 16 anos de casamento apenas... tivessem sugado a vida dela. Ela não se importa com mais nada. E eu não quero acabar assim...

- Você não vai. - disse simplesmente.

Ele não entendeu. Sakura não tinha certeza se havia palavras suficientes no mundo para fazê-lo entender. Ele não sabia o que era para ela - ter que viver com julgamento prejudicado em relação ao sexo oposto. Era muito claro que ele conhecia todos os meandros das mulheres, e ele não precisa se preocupar inadvertidamente em se contentar com a mulher errada, engravidar e perder tudo o que ele tinha trabalhado tão duro para conseguir.

Ele nunca iria entender o que era ser uma mulher Haruno, com um coração focalizado no amor e romance, mas com uma atração magnética para o extremo oposto.

Sakura não sabia mais o que dizer, então ela não disse nada, olhando feio para seus dedos pálidos entrelaçados sobre seu joelho.

Uma mão quente deslizou sobre a dela. - Sakura... o que quer que você viu no genjutsu, não era real. Não importa o quão real pode parecer, ele não pode mostrar o seu futuro. Você deve saber melhor do que ninguém que o destino de ninguém é gravado numa pedra. Você não precisa se preocupar.

Sakura olhou para a mão masculina. Ela gostava da sensação de como seus longos dedos eram calejados e ásperos. Suas luvas eram velhas e desgastadas, e o protetor de metal na parte de trás estava arranhado, produto de incontáveis missões e confrontos contra inimigos. Ele tinha visto ação muito mais do que ela, em todas as áreas da vida. Talvez ela pudesse simplesmente confiar em sua experiência?

- Isto não é sobre o seu gosto terrível por homens, não é? - Perguntou ele.

Sakura olhou para outro lado, corando furiosamente quando apertou a mão dele sobre seu joelho deslizou novamente de uma maneira que demonstrava uma afetuosa persuasão. – Não. - Mentiu.

- Porque isso é apenas má sorte. Isso não significa que haja algo de errado com você.

- Eu nunca disse que achava que havia algo errado comigo. - Negou.

- Eu lembro que você disse. Algumas noites atrás? Algo sobre o lixo sendo destinado ao lixo e a ter bebês lixo ou algo assim? Eu assumo que por 'lixo' você parecia dizer que se sentia sem valor e abaixo da média.

O rosto de Sakura ainda parecia muito quente para um dia tão frio. - Eu estava bêbada.

- Quando estamos bêbados nossas inibições são reduzidas, e o que sai de nossas bocas tende a ser todas as verdades que normalmente mantemos presas dentro de nós mesmos. Eu acho que você se sente... inferior, devido à maneira como você foi tratada no passado, e você ainda não teve outras experiência para ter um parâmetro.

- Eu tenho muita experiência. - disse sombriamente. - Chega de qualquer maneira. Eu não sou uma virgem ingênua que cora por qualquer coisa. - Embora o calor em suas bochechas discordasse de suas palavras.

- Não. - disse ele de forma compreensiva. - Mas pelo que entendi, você nunca teve um orgasmo.

Ele disse aquilo tão francamente que ela não sabia o que dizer por um momento. A mão apoiada no joelho de repente parecia queimar, assim como seu olhar. Sakura olhou para ele, como um coelho ameaçado por um tigre. Por falta de coisa melhor para dizer, ela murmurou. - Eu tive orgasmos...

- Bem, sim. - disse ele, impaciente. - Todo mundo se masturba...

- Sensei! – gritou mortificada. A mão deixou seu joelho. - Isso é... você não pode simplesmente... sensei!

- Você não vai negar que faz isso, não é? - Perguntou sem rodeios, sem se impressionar.

Ela queria, mas algumas mentiras eram muito óbvias. - Então? Você está dizendo que também faz?

- De qualquer forma, - disse ele, indiscretamente contornando a questão. - como eu disse, todo mundo se masturba. A diferença aqui é que você nunca teve um orgasmo durante o sexo. Certo?

Sakura olhou diretamente para o chão. - E? - disse sombriamente. - Pois é, eu sou frígida. Eu já sabia disso, obrigada.

- Não. - disse ele de forma breve, levantando a mão para trazer o queixo feminino para cima de maneira a fazê-la fitá-lo no olho, como se estivesse repreendendo-a. - Eu conheço você, Sakura, e sei que não há nada de frígida em você. Há uma paixão aqui dentro. - disse tocando um dedo no peito da moça. - Que ninguém conseguiu despertar ainda. Isso não é culpa sua. Você só precisa de alguém que saiba como fazê-lo.

E a única pessoa que ela podia pensar que saberia como fazer isso... era ele. Mas isso era completamente insano. Talvez se ela procurasse mais por aí iria ver que havia outros homens que eram igualmente capazes de "encontrar sua paixão escondida", mas nenhum deles podia olhá-la nos olhos e vê-la da maneira que Kakashi o fazia. Ela teve certeza, naquele instante, que ele era a única pessoa no mundo que a conhecia melhor do que ela conhecia a si mesma.

- Você poderia...? - Ela começou suavemente.

A mão de Kakashi caiu. - O quê? - Perguntou.

A garganta de Sakura paralisou. Ela estava sendo uma idiota, pedindo o impossível. - Nada... E-eu acho que deveria ir.

- Mas você não me pagou meu favor ainda. - Ele ressaltou.

- Você pode testar seu jutsu em mim outra hora, sensei. - disse, levantando-se. - Eu não acho que agora seja um bom momento.

Ela se virou para ir embora, mas se viu batendo no peito rígido que pertencia a um certo professor. Para um homem tão preguiçoso, sua velocidade a surpreendeu. - Na verdade, acho que agora é um momento muito bom. - Comentou.

- Sensei. - Disse ela em advertência, olhando para todos os lugares, menos para ele.

- Sakura. - disse ele num tom condescendente. - Olhe pra mim.

Quando ela não o fez, ele pegou seu queixo entre seus dedos, de novo, e ela descobriu que não tinha escolha, a não ser olhá-lo nos olhos.

E o sharingan.

- Apenas relaxe... Eu não vou te machucar. - Murmurou.

Ela sabia disso. Porque ela sabia exatamente o que ele planejava fazer. Ela deveria ter se afastado e, em seguida, lembrado de suas respectivas posições, mas em vez disso, decidiu bancar a muda e fingir que não percebera nada. Fingir que ela não esperava a onda de calor que tomou conta de seu corpo como uma maré suave, correndo de seus dedos das mãos para os dedos dos pés e indo pousar diretamente entre suas pernas.

Mas mesmo que ela esperasse, não fazia a sensação menos chocante. Era apenas seu olho. Ele não a iria tocar, salvo o dedo sob o queixo para segurar seu olhar no lugar. As sensações pareciam vir do nada, sem piedade alguma, intensas e sem misericórdia. A respiração de Sakura escapou em um suspiro enquanto os joelhos quase se dobraram e as suas coxas começaram a ter espasmos. Não havia razão para esse prazer. Nenhuma âncora. Os dedos de Sakura se atrapalharam ao tentar pegar o colete de Kakashi, desesperada por algo para se segurar.

Mas isso é errado!

Ela queria ficar presa ali em seu olhar, deixar continuar aquele prazer até que explodisse com um grito. E, talvez, entrasse em colapso contra ele no fim... mas e depois?

- N-Não...o que está fazendo? - Ofegou, fechando os olhos e afastando-se para longe dele por um efeito de pura força de vontade. Ele não estava segurando-a ali, então ela não encontrou qualquer resistência. Mas ela se viu desejando que ele tentasse detê-la e, por um momento, sentou esparramada no chão ofegante com a excitação frustrada e estava com raiva dele tê-la deixado ir tão facilmente.

- Sakura. - Ele suspirou o nome dela, mas não havia um pingo de remorso ou arrependimento em seu tom. Apenas uma suave exasperação.

Sakura resolveu partir logo em seguida. - Estou indo pra casa. - E quando chegasse ela tomaria o banho mais longo de sua vida. Ela ficou trêmula ao ficar de pé mais uma vez, e começou a ir embora.

- Você pode continuar fingindo se quiser. - disse ele por trás dela. - É pelo bem da sua consciência que não estou te dando uma escolha. Se você está muito envergonhada de seus próprios desejos para admitir o que você...

- Não, eu não estou com vergonha de nada! - retrucou, dando as costas ele. - Você é um pervertido, isso é tudo! Você é um canalha mulherengo com gostos imorais...

- E é exatamente por isso que está interessada. Porque você acha que eu sou o cara perfeito para o que está procurando... e melhor ainda, você acha que eu sou fácil.

- Você é fácil. – Zombou

- Bem, sim. - disse, baixando a cabeça em diversão. - Mas, embora eu possa incitar leves quebras de limites, eu não vou ultrapassá-los. Você sabia exatamente o que o jutsu que eu queria testar em você era, uma vez que eu mencionei que era um doujutsu, mas você não se opôs até agora. Eu só estou dando a você o que você está consentindo, Sakura, se você percebeu ou não. Mas se você está esperando por mim para fazer um movimento real, para que você possa continuar a sentir como uma vítima indefesa de um homem mais velho e que esta perversão não seja um passo seu e sim meu, então você vai esperar por muito tempo.

Hatake Kakashi era realmente o homem mais irritante e repulsivo da terra.

- Eu não estou esperando nada. - disse ela com firmeza. - Estou indo para casa.

- Se isso é o que quer...

Não era, mas ela não teve coragem de admitir qualquer coisa diferente daquilo...

Mas isso iria mudar.

Foi muito fácil para Kakashi perder a noção do tempo, especialmente ao ler Icha Icha Tactics. No momento em que ele chegou em seu apartamento, ele pegou seu livro favorito e rapidamente mergulhou na história... e quando ele finalmente conseguiu erguer-se de volta ao mundo real, deparou-se com um céu escuro, diferente do cinza pálido que tinha visto de fora da sua janela quando ele entrou pela porta. A chuva veio em ondas, encharcando a sua janela.

Olhando para o relógio em sua parede, ele se lembrou do encontro com Ayame. Ele tinha acabado com tempo o suficiente para um banho rápido e, talvez, um lanche leve, e então, possivelmente, ele teria ainda cerca de cinco minutos de atraso?

Enquanto estava se despindo no banheiro, avistou-se no espelho e viu-se olhando para a maravilha que era o insondável sharingan do Obito. Será que Obito iria usar o Sharingan da maneira que ele tinha feito naquela tarde?

Provavelmente não, conhecendo Obito. Sem dúvida, se ele ainda estivesse vivo, era exatamente o tipo de coisa que ele estaria fazendo com esse sharingan diariamente.

De qualquer maneira, tinha valido a pena, só para ver o corar charmoso de bochechas, e a forma como a sua boca caiu aberta como que se parasse na metade de um suspiro. Se ela não se lembrava de sua sensibilidade - a sensibilidade maldita - ele a teria conduzido a descoberta durante todo o caminho; trazido para a beira do precipício e várias e várias vezes para ouvi-la gemer ao experimentar o mais puro prazer carnal.

Ele teria sido a primeira e única pessoa a vê-la assim...

Sua masculinidade se contraiu com o pensamento e ele estremeceu. – Desce. - Ameaçou, antes de entrar sob o jato do chuveiro.

Mas talvez ele estivesse errado em oferecer isso? Sakura certamente estava necessitada desesperadamente de uma experiência sexual que não a deixasse se sentindo tão inútil, mas talvez ele não fosse o cara a dar-lhe isso. Ele advertiu-se diante das linhas da ética entre professor e aluna, mas ultimamente ele estava achando difícil se importar com isso. Ela precisava de ajuda, e ele estava pronto e disposto a fornecê-la, e às vezes parecia tão simples assim. X e Y, masculino e feminino.

Se as coisas fossem assim tão simples...

Kakashi suspirou. Yep. Havia um milhão e uma razões pelas quais foder sua própria aluna seria uma ideia muito ruim, e não precisa ser um gênio para descobrir a principal delas – que ela era sua aluna. O currículo de um Jounin era abrangente, mas isso era só uma bobagem.

No entanto, ela não era mais uma criança. Ela cometeu alguns erros de julgamento e agora ela precisava da ajuda de seu superior para guiá-la de volta a um caminho correto da vida e...

Oh, seu homem doente.

Ele precisava parar de ler Icha Icha.

Kakashi desligou o chuveiro com um piscar de olhos e enxugou-se rapidamente. Quando ele saiu do banheiro, verificou o relógio novamente. Dez minutos de atraso para o encontro com Ayame. Ele estava conseguindo em bom tempo!

Meio vestido, ele fez um parada rápida na cozinha para pegar uma laranja em seu caminho para recolher sua camisa e o colete. Mas assim que ele tirou sua terceira fatia, uma batida leve soou em sua porta. Kakashi fez uma pausa e olhou em volta confuso. Ele não costumava receber visitas tarde da noite, a menos que fosse algum de seus vizinhos chegando para se queixar sobre algo. Seu chuveiro por vezes vazava, então talvez o Sr. Tetsuyo pudesse ter descido as escada para falar sobre isso?

Quando a batida soou outra vez, ele decidiu atender. De forma alguma qualquer um de seus vizinhos batiam à porta de maneira tão respeitosa (cautelosa) quanto essa. Só podia ser uma pessoa.

Kakashi abriu a porta e encostou-se no madeiramento, olhando para a garota de cabelo rosa em pé diante de si. Mastigando lentamente, ele olhou para ela de cima a baixo. Não havia uma parte dela que não estivesse encharcada. Quanto tempo ela tinha estado na chuva?

Ele esperou que ela falasse, mas ela parecia nem sequer reconhecer que fora ele que atendeu a porta. Ela estava juntando coragem para fazer alguma coisa, ele podia sentir isso, então ele simplesmente esperou o tempo dela e esperou.

O queixo levantou primeiro, depois os olhos, e ela tremeu um pouco por causa do frio ou dos nervos no exato instante em que, silenciosamente, o fitou por baixo dos cílios.

Em seguida, os lábios macios se separaram e ela exalou um suspiro suave.

E em uma voz muito tênue, tão, tão fraca, ela disse: - Por favor, faça amor comigo.

. . Continua . .


N/T:

Ok, outra parte tensissima para terminar cpt.

Mas cara, a culpa nao e minha *APANHA* ahahah

..

Meninas, eu quero saber:

1) O que acharam do cpt como um todo?

2) Os medos da Saku-chan sao tensos, vcs se imaginariam em tal posicao?

3) Nahhhhh, o que acharam do treinamento com kaka-lindao-sensei?

4) Deus, que coisa de parte foi essa onde a fic foi acabar! Vcs nao vao querer me matar por isso... certo?

*APANHA*

...

Flores, pra deixa-las muito mais feliz ainda nesse domingo, postarei outra kakasaku, tambem da Silveshine, chamada "Ninfa".

Nem preciso dizer que e M-rated, ne?

Que e tao, mas tao sexy que vai fazer a mente das senhoritas explodir tamanha tensao, ne?

Entao, convido a todas a passear por la. *tenho certeza que irao curtir ;D*

..

Agora, flores, deixo-as com leituras bem gostosas de final de semana. (nos vemos ainda antes do natal ;)

Bjitos.

Hime.