O seguinte capítulo contém:

- Humor fail

- Clichêrismo

- Personagens OOC

- Palavrões

- Futebol (?)

- E tudo que a mente retardada de CaahT39C tem direito.

Disclaimer: The Call da diva Regina Spektor não me pertence.

"Assim que vê-lo

Teu coração palpitará

E tudo que planejaste para aquela noite

Tornará-se apenas uma mancha em tua mente."


A falsa Jasmin fora cuidadosa desde o início. Assim que avistou uma menina com o mesmo vestido que o dela, fez de tudo para evitar olhares de pessoas aleatórias.

Quando chegou perto de seu destino, ela viu que Jasmin e Ian não estavam sozinhos. Franziu o cenho na hora: aquela cena não era exatamente como ela havia planejado para "raptar" Jasmin.

Então, ela percebeu que o modo em que ia "raptar" Jasmin seria muito melhor naquelas circunstâncias, ao em vez do que fora planejado por ela. Nenhum dos meninos conseguia vê-la e, se a falsa Jasmin conseguisse, ninguém notaria a troca nem veria um corpo de menina estendido no chão, porque essa era a hora que Hamilton entraria em cena.

O plano era infalível. A falsa Jasmin fora cuidadosa desde o início, não é mesmo? Porém... Por que não parecia cuidadosa agora?

Ela gostaria de poder repeli-lo de sua boca, parar a dança, tirar a máscara – qualquer coisa. Ela só não aguentava mais a sua parte do plano. Queria poder sumir, fugir do amontoado de pessoas a sua volta.

A falsa Jasmin odiava, com todas as forças de seu ser, multidões. Era como se todos estivessem olhando para ela, só esperando-a fazer algo errado e pagar um grande mico. Claro que esse medo já era menor do que quando ela tinha quatorze anos. Na época, ela preferia se esconder em uma pedra que enfrentar multidões.

– Ian... – a voz era fraca, outrora uma voz convencida prevalecia. O que tinha acontecido? Será que ela havia se esquecido de o pequeno detalhe de imitar a voz de Jasmin? – E-Eu tenho algo para te contar.

Ian franziu o cenho mais uma vez. Jasmin, a Jasmin que ele conhecia, nunca gaguejou em toda a sua vida.

– Sim? – ele perguntou quando a girou em seu próprio eixo.

A falsa Jasmin parou bruscamente a dança e encarou Ian nos olhos, tentando mostrar o que ela realmente era.

– Olhe para mim.

Ian levantou uma sobrancelha e analisou o corpo de Jasmin de baixo para cima. Não conseguia ver nada de errado. Olhou mais uma vez e então arregalou os olhos. Percorreu o corpo de Jasmin mais uma vez, porém rapidamente, como se ele enfim tivesse notado algo diferente. Ele parou nos olhos dela e deixou apenas uma pequena palavra escapar de sua boca, totalmente incrédulo:

Amy?

A falsa Jasmin – agora revelada como Amy – abriu um sorriso triste.

– Pois é, Ian. Amy.

Ian paralisou no lugar e encarou a bela máscara de Amy mais uma vez. Se aquela realmente fosse a Amy... Ele queria tirar a máscara da menina naquele instante.

– Mas como? Eu achei que fosse...

– A Jasmin? – a Cahill riu. – A explicação é longa. Muito longa.

Ian involuntariamente sorriu, como se ver Amy e saber que a tinha beijado fosse a melhor coisa do mundo.

– Você poderia me contar a história depois, quem sabe?

Amy estava preste a responder quando percebeu que uma pessoa cutucou-a no ombro, então automaticamente virou-se. Infelizmente, ela só conseguiu ver um punho vindo em direção ao seu rosto e ter tempo de fechar os olhos.


(Alguns minutos antes)

Jasmin acordou com uma tremenda dor de cabeça e em um cômodo escuro. Mal conseguia se lembrar do por que dela estar ali. Onde estava Ian? Por que ela ainda tinha suas roupas se estava em um quarto escuro?

As pessoas irão dizem-lhe que não são dignas de seus encantos. É mentira, elas querem que você encante-as para depois roubarem sua liberdade.

Então ela lembrou. Não de tudo, mas de pequenos trechos daquela noite: a busca pelo par, o aparecimento repentino de Casper e, por fim, um envenenamento. Antes de desmaiar, ela viu que quem a envenenou usava um vestido parecido – para não dizer idêntico – ao dela. Imediatamente seu rosto mudou de agonizado para raivoso. Ela queria infernizar a vida de quem tinha feito isso com ela.

Encontrou a porta do cômodo no meio da escuridão e, ao sair, percebeu que estava dentro de um armário de limpeza. Arg, essas pessoas não tem criatividade. Digeriu ao salão e procurou Ian ou a impostora, como uma louca. Gritava por Ian, mas a música que estava tocando não permitia ninguém, nem o próprio Ian, de ouvir os seus chamados.

Batendo furiosamente o pé, finalmente viu um vestido igual ao seu rodopiando pela pista de dança. Automaticamente encheu o pulmão de ar e caminhou até o "casal" que dançava. O par da menina era o dela! Audácia!

De repente, o casal parou de dançou. Aquela era a sua chance. Começou a caminhar mais rápido e ficou atrás da menina. Cutucou-a no ombro direito e, assim que ela virou-se, projetou um soco na cara de... Jasmin arregalou os olhos furiosamente. Amy Cahill? POR QUE SEMPRE AMY CAHILL?

– VADIA! – ela gritou para a menina que estava deitada no chão devido ao susto e o soco.

Ian recorreu ao socorro da menina e nem teve tempo de presenciar a cena. Jasmin, a verdadeira Jasmin, gritando lindas palavras para Amy, Amy caída no chão, semi-consciente, os convidados começando a se assustar – aquilo deveria ser um baile de paz, por Madeleine! – e Sinead, Hamilton, Dan, Natalie e, surpreendentemente, Jonah, chegando correndo, passando o círculo que uma multidão de curiosos fazia.

– Ah não...

– Droga!

– Eu avisei-

– Avisou nada, Hamilton!

Jasmin virou-se em direção das vozes e arregalou os olhos mais ainda. Ian olhou para cima, totalmente confuso. Sinead apresentava uma cara de culpada, assim como Hamilton.

O que está acontecendo aqui? – Jasmin sibilou. – Por que ela está usando o mesmo vestido – e provavelmente máscara – que eu?

Dan, assim como Natalie, olhou para os pés. Eles não queriam revelar nada. As pessoas em volta começavam a cochichar coisas imaginárias sobre o que estava acontecendo. Jasmin encarou Sinead completamente levada pela raiva.

– Expliquem-se. AGORA! – ela gritou.

Sinead engoliu a seco. Ela teria que explicar? Olhou em busca de ajuda para Hamilton, mas este só disse não com a cabeça. Suspirou e virou-se para Jasmin novamente.

– Quer explicações? Pois bem, terá. – ela olhou para a multidão que estava cochichando mais alto atrás. – CALEM-SE AGORA!

Todos ficaram quietos enquanto Amy recompunha-se aos poucos.

– Estão vendo como os vestidos das duas garotas na minha frente são idênticos? Jasmin é uma Madrigal fingindo não ser Cahill, Amy... Bem, acho que todos sabem quem ela é.

Jasmin foi pega de surpresa. Somente Amy Cahill e Dan sabiam que ela fingia não ser Cahill.

Ian ouvia tudo isto encarando Amy, esperando alguma reação vindo dela. Ela só estava de cabeça baixa, completamente envergonhada, como se estivesse guardando um terrível segredo e agora ele estava sendo exposto para o mundo inteiro.

– Há quatro meses, Amy Cahill descobriu que Jasmin Chase estava apaixonada por um-

– SINEAD STARLING, NÃO CONTINUE ESTA FRASE! – Jasmin gritou em pânico e tentou chegar perto para estrangulá-la. Jonah, que observava atentamente Jasmin porque sabia que isso mais cedo ou mais tarde aconteceria, colocou-se a frente da namorada e somente balançou a cabeça para a Chase, jogando um olhar assassino para ela.

Jasmin manteve-se no lugar.

– Desculpe, cara prima, mas eu preciso continuar para que todos entendam. Jasmin Chase estava apaixonada por um Vesper. – houve cochichos na multidão e todos os olhares estavam sobre Jasmin. – Esse Vesper chamava-se Casper... – Sinead hesitou um pouco e olhou triste para os irmãos Kabra. – Kabra. Casper Kabra.

Ian não conseguiu acreditar em seus ouvidos.


– MAS O QUE? KABRA? CASPER KABRA? – Natalie entrou em desespero. – COMO ASSIM "KABRA"? O PAPAI NÃO TEM IRMÃOS! NEM O VOVÔ!

Ian olhou para frente vagamente. Algo nele dizia que Isabel já tinha indiretamente dito que eles tinham outro irmão, mas ele não esperava por isso. Não agora. Natalie não precisava saber.

De repente, enquanto Natalie estava em completa perplexidade, um menino saiu da multidão e colocou-se do lado de Sinead. Ele retirou a máscara e todos conseguiram ver que ele apresentava olhos âmbar, assim como Ian e Natalie.

– Creio que esteja se referindo a mim, Starling. – o menino falou para Sinead.

Sinead virou-se assustada na direção de Casper e, ao perceber quem era, fechou a mão em um punho.

– Não sabia que um Vesper nojento estava na festa.

Casper abriu um sorriso brincalhão.

– Oh, minha querida, quando tempo, não é mesmo? – ele olhou para Natalie – que só estava a alguns centímetros na frente dele – e para Ian. Casper percebeu o olhar confuso de ambos.

Ao perceber o que a namorada iria fazer, Jonah segurou a mão fechada em punho dela e cochichou algo em seu ouvido, e assim Sinead somente deixou o seu olhar assassino em cima de Casper.

Praticamente todas as pessoas já estavam extremamente confusas encarando a cena toda, inclusive Dan, que só sabia parte da história, apesar de ser o irmão da mais envolvida de todos.

Amy levantou-se com a ajuda de Ian e encarou Jasmin.

– Você sabia que ele era um Vesper quando começou a namorá-lo, Chase. E também que era um Kabra.

Jasmin olhou para Amy com nojo.

– Isso não te impediu de fazer o que fez, queridinha da Grace.

– Já te falei mil vezes, Jasmin, eu não era a queridinha da Grace! – Amy sibilou. – E depois de eu ter feito aquilo, desejei não tê-lo, porque você era uma amiga muito querida minha.

Jasmin riu diabolicamente e retornou o seu olhar para Casper. Ela deveria sentir raiva dele, mas o que ela só queria no momento era beijá-lo.

– Querem saber por que ele é um Kabra? Isabel Kabra era uma Vesper – todos congelaram no lugar, menos os envolvidos. – E não foi muito cuidadosa ao trair o marido dela, certo?

Casper fechou a mão em punho e tentou fazer de tudo para não xingar Jasmin.

– M-Mãe traiu o p-papai? – a voz de Natalie era fraca, como se ela fosse desabar a qualquer momento. Dan envolveu os ombros da Kabra, para tentar reconfortá-la.

Ian agora estava de pé e encarando Casper com pena. Ele sabia que o sentimento de filho renegado de Isabel Kabra não era muito agradável.

– Sim, Natalie, Isabel traiu Vikram com um primo Vesper dela. Tente aceitar, irmã. – a voz saiu fria como a de um Lucian. Infelizmente, Ian parecia usar ainda duas máscaras.

– Ela deve ter dado uma rapidinha no banheiro do quartel-general com o pai do Casper. – Dan tentou quebrar o gelo.

Todos os olhares foram para Dan, fazendo Natalie dar outro tapa no rosto dele.

– ABUSADO!

Amy rolou os olhos. E esse era Dan.

A cena toda estava completamente confusa. Casper era um Kabra – ou seja, irmão de Ian e Natalie. Amy estava usando um vestido igual o de Jasmin – o que tornava as coisas mais confusas. Hamilton encarava o espaço, como se tivesse culpa de algo. Jonah ainda segurava a mão da namorada, e esta ainda olhava Casper com um olhar mortal.

Não era bem assim que Amy imaginou o fim do plano.


Apesar de toda a confusão, a festa ainda acontecia. Então, normalmente, a música de fundo outrora lento, foi mudada, e passou para uma música não muito conhecida, mas maravilhosa. The Call, de Regina Spektor.

"It started out as a feeling
Which then grew into a hope
Which then turned into a quiet thought
Which then turned into a quiet word"

– Posso explicar? – Amy perguntou para a multidão de curiosos.

Todos assentiram a cabeça e encararam Jasmin.

"And then that word grew louder and louder
'Til it was a battle cry

I'll come back
When you call me
No need to say goodbye"

– Há quatro meses – como Sinead disse – eu descobri que Jasmin Chase estava apaixonada por um Vesper. Eu não queria que ela fosse para o lado negro da força, se é que me entendem. Ela era uma amiga muito querida minha, e não queria perdê-la. – Amy decidiu não olhar para Jasmin e manteve a cabeça baixa. – Seu nome era Casper Kabra-Vesper, e eu decidi contar ao Fiske o que estava acontecendo.

"Ele disse que precisa avisar Jasmin o que esse amor representava para toda a família Cahill, porque ele não sabia quais eram as intenções verdadeiras de Casper, já que ele era um Vesper e muito bom com enganações. Como Jasmin não quis ouvi-lo, ele tomou uma medida drástica: impediu por cinco meses a ida de Jasmin para fora do quartel-general Madrigal, onde era a sua casa e da irmã, Jady Chase. Porém, Jasmin ficou extremamente irritada ao descobrir que eu fui à acusadora dela, mas nunca se perguntou das minhas intenções para tal."

"Naquele meio tempo, Jady foi a uma festa, onde encontrou Hamilton Holt e se apaixonou por ele. Estava tão feliz que foi logo contar a irmã, porém esta não queria ouvir. Aliás, quando ela ouvia alguém? Jady nunca gostou muito da irmã, e estava decidida há muito tempo em dar uma lição de moral nela. Eu, por instinto, me senti culpada por tudo e tentei pedir desculpas a Jasmin. Nem preciso dizer se ela ouviu ou não."

"Just because everything's changing
Doesn't mean it's never
Been this way before"

"Eu me irritei. Decidi que a Jasmin merecia de uma abertura de olhos mais cedo ou mais tarde. Naquele mesmo dia, Jady Chase ligou para mim dizendo que a irmã precisava de ajuda. Então, decidimos que a partir da próxima vez que Jasmin fizesse alguma besteira, bolaríamos um plano."

"Jasmin até poderia ser inteligente, mas não percebia o olhar cada vez mais de nojo da irmã. Então ela mal notou quando tudo começou. O plano, quero dizer. A besteira que ela fez foi... Bem. Foi começar a namorar Ian Kabra, o irmão de seu antigo namorado."

Todos os olhares foram para Ian, e este olhou para Jasmin com raiva. Ele realmente acreditava que ela gostava dele, mas agora tudo parecia ser questionável.

Amy engoliu a seco.

– Ian, sinto muito te dizer que você foi... Usado. – ela disse olhando para o Kabra com pena. – Jasmin queria vingança pelo o que eu fiz com ela.

"All you can do is try to know
Who your friends are
As you head off to the war"

A frase de Amy poderia ser interpretada muito bem, se a pessoa quisesse prestar atenção. Ian notou, e abriu um pequeno sorriso.

– Por que eu? – ele perguntou. Se fosse realmente o que ele pensasse que fosse...

"Pick a star on the dark horizon
And follow the light

You'll come back
When it's over
No need to say good bye"

Amy arregalou os olhos e sentiu um leve coramento surgindo em suas bochechas.

– Erm... Assim...

– Porque eu li o diário dela. - Jasmin falou. - E no diário dela tava dizendo qu-

– CALADA. – a voz irritada de Amy assustou todos da festa. Amy raramente se irritava – somente com o irmão, mas isso não contava. – Deixe-me continuar ou todos vão pensar outras coisas sobre você.

Jasmin olhou Amy com um olhar assassino, porém obedeceu.

– Jasmin até que foi esperta em namorar o Kabra, devo dizer. Ela acreditava que tinha achado meu recente diário. – Amy respirou fundo. – Na verdade, ela tinha encontrado um diário antigo, feito quando eu tinha dezesseis anos e ainda... Ainda gostava do Ian.

"Now we're back to the beginning
It's just a feeling and no one knows yet
But just because they can't feel it too
Doesn't mean that you have to forget"

- Mas isso só faz dois anos. - Ian não teve como impedir das palavras saírem de sua boca. O tom em que ele disse parecia uma súplica, algo que ainda tinha solução. Como se... Ela ainda podia gostar dele, mesmo depois desse tempo todo.

De repente, seu coração deu uma pequena parada. Ele olhou para o perfil de Amy, buscando algum sinal de esperança. Ela encarava a multidão, e não ele, talvez por coincidência, talvez porque realmente não queria ver a reação do Kabra. Porém, ela notou o olhar de Ian em seu rosto, e teve que virá-lo.

– Muito de ruim pode acontecer em dois anos, Ian. Achei que você, de todas as pessoas, soubesse disso. – Amy referia-se quando ambos tinham quatorze e, de uma hora para outra, a mãe de Ian foi presa.

Ian engoliu a seco. Realmente, não havia esperanças. Como ele pôde sequer pensar nisso? De repente, outra enxurrada de palavras saiu de sua boca.

– Realmente, eu, de todas as pessoas, sei bem como é isso. Porém, eu pergunto: o que aconteceu com aquela menina da gagueira que me amava?

"Let your memories grow stronger and stronger
'Til they're before your eyes

You'll come back
When they call you
No need to say good bye"

Amy encarou Ian com um olhar assassino.

Cresceu. – ela sibilou friamente. – Cresceu e aprendeu que existem pessoas piores que babacas metidos nesse mundo.

Ian colocou as mãos na cintura, completamente ofendido. (N/A: GAYZISMO MUCH?)

– Eu não sou um babaca metido! – ele retrucou para Amy.

Ela somente rolou os olhos.

– Que seja.

– Olha aqui, Cahill-

– Tem como os pombinhos pararem de discutir e a Amy terminar de contar a merda da história? – Hamilton perguntou irritado. Ele adorava brigas, mas aquele não era o momento exato para brigar.

Ambos bufaram na palavra pombinhos, mas decidiram que entre atrair a raiva de um Tomas continuando a brigar ou simplesmente parar de discutir e obedecê-lo, era melhor não irritar um Tomas.

"You'll come back
When they call you
No need to say good bye"

– Enfim. Jasmin começou a namorar Ian com o intuito de... O que? Vingança? Ah, claro. – ela mostrou uma careta para Jasmin. – Como se você namorar o Kabra fosse me afetar em alguma coisa.

Dessa vez, Jasmin não poderia fazer nada além de sorrir.

– Amy, acho que você sabe como eu dei um soco na sua cara. Você estava desistindo do plano porque não aguentava mais o Ian beijá-la pensando que era eu. – um dos cantos de sua boca foi para cima maliciosamente.

– Não era nada disso que estava acontecendo! Eu simplesmente não aguentaria mais cinco segundos com uma cobra tocando nos meus lábios.

– Mentira que você estava adorando e com uma expressão sonhadora.

Amy bufou e virou de novo para Ian. Este se encontrava com seu sorriso maroto, o que fez Amy irritar-se mais ainda.

– Repita isso que você levará mais que um soco no rosto.

– Não resistirá aos meus charmes e vai me beijar como bônus, amor?

– Você está pedindo para morrer. – Amy disse entre dentes. – Como de retardado apaixonado-

Apaixonado? – ele perguntou em perplexão. – Aplaude gente, foi uma piada.

– Você vai para babaca metido? Em menos de cinco segundos!

– Isso se chama bipolarismo. – Sinead comentou. – Mas você também está bipolar, Amy, você fica toda emo quando vai falar do plano e é só o Kabra fazer um comentário que você passa para professora que não deu para o namorado no dia anterior!

– Starling... Você também? – Amy colocou a mão no rosto, tentando esconder o coramento surgindo sem motivo em suas bochechas. Talvez porque ela se imaginou a professora na situação e, como namorado, a pessoa que estava irritando-a profundamente naquele momento.

– Só estou sendo realista.

– Ser realista é perceber que vocês só ficam enrolando para contar a droga da história! Eu hein, povo maluco. – um ser anônimo da multidão pronunciou. – Termina logo, que vai passar Botafogo na televisão hoje!

– Botafogo? – Hamilton perguntou confuso. – Você tá falando daquele time do Brasil?

– É esse mesmo, garoto esperto!

Hamilton se exaltou e nem parecia querer ouvir a história ou que a mesma existia.

– Você viu o último jogo? Que vergonha que os botafoguenses estão sentido. Botafogo jogou tão mal, mas tão mal...

– Né?

– Olha só: se vocês vão ficar falando de futebol brasileiro aqui na festa, retirem-se, por favor! Ninguém aguenta papo de Tomas, por Katherine! – Sinead gritou para os dois, porque simplesmente odiava quando os Tomas se exaltavam.

– Eita, pelo jeito alguém entrou naquela época do mês... – o ser anônimo da multidão falou.

Sinead vasculhou da onde veio a voz e preparou o seu pior olhar – até soco – para ele.

– MOSTRA A CARA, SEU BABACA! MOSTRA PARA APANHAR.


– Então... – Natalie tentou retomar o rumo da conversa. – Vamos fingir que aquilo simplesmente não aconteceu.

– Pois é. – Amy vasculhou a sala apreensiva. – Sinead tem um gênio forte. Não quero nem saber o estado do pobre homem depois daquilo.

– E ainda era uma festa da paz! – Dan comentou. – Supostamente não deveria ter brigas.

– Coloca supostamente nisso. – Ian sentou no sofá. – A gente está se escondendo ou algo do gênero?

Amy olhou para a porta mais uma vez. Ian estava certoeles estavam escondendo-se de todos, inclusive Jasmin e Casper.

Após Sinead ter agredido, digamos assim, o pobre homem que a acusou de estar em uma época específica do mês, Jonah correu até ela e tentou acalmá-la. Era impossível. Jasmin aproveitou a oportunidade e pegou na mão de Casper, saindo desesperada da festa. Ela não queria mais ser envergonhada pelos seus erros. Antes de literalmente sair, arriscou olhar mais uma vez para o dedo indicador na mão esquerda. A cruz vermelha ainda estava lá, irradiando o seu ódio para o corpo todo.

Depois de tudo isso, Amy só conseguia ver pequenos borrões do fim da festa: a música parando repentinamente, os convidados saindo assustados pela raiva de Sinead, mesas sendo fechadas, faxineiras arrumando o salão. Em outras palavras, o baile que supostamente seria para promover a paz, promoveu traições, discórdia e violência.

– Conveniente, não acha? – Amy retrucou ironicamente ao pensar na palavra fiasco para definir o baile.

– O que é conveniente, Amy querida? Nós nos escondermos do mundo?

A Cahill olhou de soslaio para Ian.

– Do mundo o caramba: de Jasmin. Não quero nem saber o que aconteceria se eu terminasse de falar tudo o que estava acontecendo.

Dan trocou olhares com Amy. Ele queria, mais do que todos, saber o que levou aquilo tudo.

– Talvez pudesse falar agora, já que nada irá impedi-la.

Amy forçou a cabeça para o lado, gesticulando a presença do Kabra – que eliminaria a possibilidade de alguém não impedi-la.

– Ah, qual é. – Ian notou o gesto. – Eu ficarei quietinho, juro!

– Sei... – Amy rolou os olhos. Quieto e Ian não podem ser usados na mesma frase, só no caso de mandá-lo calar a boca. – Espero mesmo.

Ian deu uma olhada de baixo para cima em Amy, que ainda usava o vestido idêntico de Jasmin – ou seja, parecia uma vadia. Ele não acreditava que Amy teve que usar isso para fingir ser Jasmin, ou que seu plano dependia do uso de tal vestido para ser feito com sucesso. A única coisa que o Kabra não podia negar era o quanto o vestido fazia Amy ficar mais bonita, mais até do que ela já era...

O que eu estou pensando? Jasmin é maravilhosa e a palavra com "g" nego a sequer pensá-la, de tamanha audácia que essa palavra emite. Amy é... Bem, ela é...

– Adorável. – Ian sussurrou para si mesmo.

Lá estava à maldita palavra que sempre saía de sua boca ao pensar o que Amy era. Ian negava-se a acreditar na possibilidade de ter sentimentos pela Cahill. Afinal, ele ainda tinha que manter a sua classe e charme.

Amy levantou uma sobrancelha e finalmente olhou para a cara do Kabra. Era possível que essa palavra sempre saía em momentos errados?

– Ian... Antes de eu retomar a explicação, pode me tirar uma dúvida?

Apesar de estar um pouco confuso, Ian assentiu.

– Quantas vezes você já disse adorável na sua vida?

O Kabra engoliu a seco. Por motivos desconhecidos, ele não queria responder aquela pergunta. Não naquele momento, em que Natalie estava ouvindo e registrando tudo para chantagens futuras.

– Não sei... Cinco vezes, talvez?

– Em todas elas, estava pensando em algo em especial? – Amy não sabia o porquê daquilo agora, mas era algo que a dominava por dentro, e ela necessitava saciar a sua curiosidade.

– Acho que sim. Por quê?

– No que estava pensando?

Ian olhou para a face de Amy e piscou uma, duas, três vezes, sem saber exatamente da onde surgiu e no que daria aquela conversa.

– Sei lá Amy! No que você acha que eu estava pensando?

Ambos nem perceberam quando, lentamente, Hamilton fez um sinal para Dan e Natalie e estes saíram do cômodo, deixando Ian e Amy completamente sozinhos.


– Ninguém, em toda a minha vida, fica dizendo adorável aqui e acolá como se fosse algo tão banal quanto bom dia.

– Pelo o que eu saiba, eu só disse duas vezes adorável na sua presença: na Coreia e agora.

Amy abriu um sorriso. Ele ainda não sabia da gravação.

– Agora? – Amy pôde ver a cara de Ian cair em desespero ao perceber o que tinha dito. – E só duas vezes? Acho que são três, hein?

– Três? Não, não. Duas, tenho certeza.

– E é aí que eu explico o resto do plano, porque eu sei que você falou três vezes adorável, apesar de eu não ter estado presente, eu sei que foi para mim. – o tom de Amy parecia levemente com o que Ian usava normalmente. – Eu sei que, qualquer momento em que você pensa em mim, seu olho direito treme involuntariamente.

Algumas pessoas podiam pensar que, pelo tom de voz que Amy utilizava, ela queria aproveitar-se de Ian por alguma razão. Na verdade, Amy só utilizou aquele tom de voz porque queria mostrar para Ian que não só os Lucian sabem brincar com os sentimentos e ações da pessoa, utilizando um tom influenciador. Seria mentira se eu não comentasse o fato que Ian parecia tentado a olhar para os lábios rosados de Amy e não querer beijá-la novamente. Tudo por causa do tom, dos gestos e do jeito que ela falou aquilo.

– Como você sabe disso? – Ian precisava eliminar uma voz agonizante na sua cabeça dizendo para beijá-la. Ele precisava controlar as suas ações. – Ninguém sabe disso.

Amy abriu um sorriso malicioso e aproximou-se da onde Ian estava sentado no cômodo. Inclinou-se perto dos lábios do Kabra, deixando apenas alguns centímetros para o encontro destes.

– Jasmin estava gravando aquela ceninha que muitos podem considerar pornográfica, e mandou para mim.

Ian arregalou os olhos. Amy sabia daquilo? Ele sabia do que Jasmin era capaz, mas ser tão infantil ao ponto de gravar uma coisa daquelas. Ela até mandou para Amy! Queria bem saber a reação dela ao assistir... Involuntariamente, Ian deu uma pequena risada. Só depois se lembrou da garota que estava quase roçando os lábios dela nos dele.

Imediatamente, como se aquela voz irritante em sua cabeça tivesse conseguido o controle de seu corpo, ele levantou uma das mãos na nuca de Amy e puxou-a para o espaço entre eles finalmente fechar.

Não era bem assim que Amy tinha planejado terminar a explicação para Ian.


Do outro lado – a porta do cômodo onde Amy e Ian encontravam-se estava fechada –, Dan pediu para Natalie olhar na frestinha da fechadura e ver quando Amy terminasse a explicação para que estes pudessem entrar novamente. Hamilton tinha ido embora – provavelmente uma desculpa para ver Jady mais uma vez.

– E então? – Dan perguntou impaciente. – Acabou?

– Se você ficar perguntando de cinco em cinco segundos se acabou, eu vou parar de tentar ouvir o que ela diz! – Natalie sussurrou furiosa para o Cahill. – E não, não acabou. Ela está falando de um jeito meio estranho agora...

Dan decidiu que curiosidade matava o gato, mas ele estava pouco se lixando se mataria-o.

– Minha vez, Natalie! Quero ver... – ele tentou puxar Natalie para fora do alcance da fechadura e olhar por si próprio, porém Natalie sabia que Dan faria isso mais cedo ou mais tarde e tinha se preparado para impedi-lo.

O que ocasionou foi um empurrão para a direita e para a esquerda por parte dos dois e nenhum deles conseguindo ver pela fechadura muito bem, até que a imagem da mão de Ian na nuca de Amy paralisou a pessoa do momento na fechadura – talvez Dan – e pediu para outra parar e olhar. Assim que ambas souberam o que estava acontecendo, arregalaram os olhos e encararam a face da outra.

– Então né... – Dan disse constrangido, como se ver um beijo fosse algo incomum. – Seu irmão e a Amy...

– Por favor, isso era tão óbvio! Estava na cara que ele só namorava Jasmin porque ela parecia com a sua irmã.

Dan franziu o cenho.

– Estava mesmo?

Natalie rolou os olhos e bufou. Como Dan era tão lerdo às vezes?

– Sim, estava. E isso também está na cara... – ela apontou para os lábios e sorriu maliciosamente. – Acho que isso você já encarou muitas vezes hoje, e sabe bem onde está.

Dan riu baixinho e encarou os lábios de Natalie mais uma vez.

– Não acredito que vou dizer isso... Mas concordo com você, Natalie.

Não foi preciso muito tempo até o espaço de ambos também se fechasse.


– Você só pode estar zoando com a minha cara. – Casper falou irritado. – Como assim você gravou aquela cena ridícula e mandou para a Amy? O que você esperava que acontecesse, Jasmin?

Jasmin perdeu a sua fala. De repente, o plano que ela tinha pensado e achado perfeito havia virado um plano bobo e infantil.

– Eu não sei, Casper! Sinceramente, não sei. Eu achava que ela ainda gostava do Kabra por causa do diário e-

– Nem sequer teve a inteligência de ver a data? – Casper perguntou tediosamente. Algo parecia errado em seu tom – ele nunca havia falado daquele jeito com Jasmin.

Jasmin ofendeu-se com o tom.

– Não tinha data, Casper querido.

Isso fez Casper pigarrear. Ele percebeu que estava sendo duro com Jasmin, mas não sabia o porquê daquilo. Na sua cabeça, uma voz dizia que Jasmin merecia: ela era uma vadia oferecida – o que não era uma das piores ofensas para definir Jasmin. Porém, outra voz dizia que há alguns meses atrás – quando a verdadeira Jasmin existia naquela menina –, Jasmin era doce e bonita. Não faria mal a uma mosca.

– Jasmin, pode me explicar uma coisa?

Jasmin suspirou. Parecia que Casper percebera o erro que estava cometendo ao falar daquele modo com uma deusa.

– Claro. O que quiser.

– Depois de você ter mandado a fita para Amy... O que aconteceu?

Ela olhou para o dedo indicador da mão esquerda e mostrou o símbolo para Casper. Uma pequena cruz vermelha logo abaixo da unha postiça. Casper levantou uma sobrancelha.

– Esse símbolo é uma relíquia antiga da minha família – sempre que algum Chase declara vingança a um inimigo, ele desenha com alguma coisa vermelha – Casper estremeceu ao pensar em desenhar com sangue. – Uma cruz no dedo indicador da mão esquerda. Eu, em uma fita futura, mostrei esse símbolo para Amy. Há alguns anos atrás, eu tinha comentado com ela sobre isso, então ela sabia o que significava. Dois ou três dias antes da festa, eu recebi rosas com um cartão. Dentro desse cartão tinha um CD – achei aquilo um pouco estranho, mas resolvi ver.

"Achei que era seu, sabe? Por um instante, eu realmente pensei que fosse seu. Mas depois... Eu vi a minha irmã entrando em um restaurante. Ela estava usando um casaco com capuz, mas mesmo assim eu sabia que era ela. Você não cresce com alguém a toa, certo? Levantei a sobrancelha com uma pergunta: o que a minha irmã está fazendo ali? Então, eu vi o Holt. Arg, eu tenho nojo dos Holt. Parecem brutamontes. E a minha delicada irmã estava... Chorando! Eu fiquei enfurecida com o Holt – pensando que era algo que ele tinha dito. Aí eu ouvi somente uma frase da minha irmã: "B-Baile... N-N-Nós precisamos ir a-ao b-baile." No mesmo dia, Ian Kabra me convidou para o baile – queria me fazer de difícil, mas eu estava decidida que iria ir."

"Então, eu fui. Fiquei uns trinta minutos parada em uma pilastra, encarando com orgulho o símbolo da minha mão. Até que avistei Ian e bem... O resto você já sabe. A última coisa que eu lembro antes de desmaiar foi você e o Ian brigando. Depois eu senti um sussurro de alguém com uma voz parecidíssima com a minha e uma pontada nas costas. Puf, desmaiei. Quando eu acordei, eu estava em um armário de limpeza. Sim, um armário. De. Limpeza."

– Mas... Então foi isso? Isso tudo porque a Amy contou para o Fiske que você tinha se apaixonado por um Vesper – que por acaso sou eu – e ela tinha impedido você de me ver?

Involuntariamente, Jasmin corou.

– É, basicamente isso. Como eu desobedeci-o uma vez, fui mantida presa no QG dos Madrigais.

De repente, tudo fazia sentido na cabeça de Casper. Era por isso que ele nunca mais tinha visto Jasmin – ele acreditava que ela só estava usando-o. Era por isso que aquele convite do baile apareceu repentinamente no seu correio – com certeza, tinha sido Jasmin.

– Jasmin, estou sem palavras. – ele disse rindo e abraçou Jasmin pela cintura, erguendo-a no ar e fazendo ambos caírem na gargalhada.

Isso tudo no meio de uma floresta. Foi a primeira vez que Jasmin estava pouco se lixando para o estado de seu vestido.


Own, que coisa linda. Final feliz *-*

Ignorem o papo do futebol, por favor. Foi um desafio que eu tive que fazer G-G

Sabe de uma coisa? Eu odeio finais felizes. Principalmente quando a vilã – digamos assim – consegue fugir e ficar com o seu romance proibido. Fazer o que né? É a vida.

Não tenho criatividade suficiente para escrever algo nã- O-O Só um instante. Eu estou sozinha em casa e a porta se abriu. Consigo ouvir um salto alto subindo as escadas.

Tenho certeza absoluta que a minha mãe não foi trabalhar de salto al-

- Caah disconnects -


Caah virou-se assustada para a figura em pé na porta.

Mas o que... Que raios você está fazendo aqui? – ela perguntou com os olhos esbugalhados.

Porém, a pessoa não respondeu. Simplesmente levantou a mão esquerda e mostrou... O dedo indicador.

Nela, uma pequena cruz quase apagada – com resquícios de vermelho – brilhava. Talvez porque o raio de sol que vinha da janela tinha encontrado a cruz.

Caah engoliu a seco.

– Jasmin, o que você quer?

A Chase abriu um sorriso malicioso e tocou no cinto da calça. Caah seguiu o movimento. No cinto estava preso...

– Jasmin, o que você está fazendo na minha casa com uma faca? – a menina perguntou tolamente. Jasmin apresentava um olhar mortal para a Cahill, como se o sangue da própria fosse um ótimo aperitivo.

– Retire tudo o que você escreveu nesse documento estúpido do Word, ou... – ela riu maliciosamente. – Pense em faca, seu rosto e sangue.

Caah sorriu maliciosamente e viu Jasmin dar uma leve tremida. Ela sabia o poder daquele sorriso.

– Cara Jasmin, sinto-lhe dizer que acabo de passar tudo que escrevi para o arquivo do FanFiction. E estou preste a...

Jasmin arregalou os olhos e levantou a faca, virando a cabeça para o lado.

– Tem certeza que vai postá-lo? Absoluta, prima querida? – seu tom era de irritação.

A menina riu e apertou o botão Enter.

– Está feito, e não há nada que você possa fazer.