N/Lu: Aleluia! Aleluia! Aleluia! Isso realmente é uma atualização.

Capítulo 4

(Tradução: Ingrid Andrade)

Sequei minhas lágrimas com as costas da minha mão e tentei regularizar o ritmo da minha respiração, os soluços haviam me deixado soluçando e ofegando vergonhosamente. Coloquei-me de pé uma vez tropeçando, já que estava sentada no chão, nos braços de Edward, enquanto ele acariciava as minhas costas fazendo círculos para tentar me acalmar. Afastei-me dois passos dele e suspirei...

—Obrigada — sussurrei com voz nasal.

Edward se levantou e aproximou-se de mim de novo, levantando sua mão lentamente secou uma lágrima que estava a ponto de cair dependurada no meu queixo e sorriu.

—Não tem que agradecer — sussurrou sem deixar de olhar nos meus olhos.

Desviei o olhar envergonhada, mais ainda continuava sem entender o que era que tinha esse homem, que me fazia reagir assim diante dele.

—Com relação à Maria... —suspirou — sei que você está com raiva, e com muita razão, mas contar a Jasper não te ajudará em nada.

—O que quer dizer? — perguntei confusa.

—Maria é... —hesitou— como direi para que você me entenda? — perguntou a si mesmo.

—Manipuladora? — acrescentei uma sobrancelha levantada.

—Sim... —Edward sorriu— é muito manipuladora, vejo que sabe reconhecer as pessoas.

—Já... —murmurei sem vontade— Por que não posso dizer nada a Jasper?

Edward hesitou por uns instantes e finalmente bufou.

—Acho que ele poderá entende-lo... —murmurou—Maria faz com ele o que quer, o tem comendo na palma da sua mão. Se amanhã lhe disser que as vacas voam, ele então apenas perguntaria "A que altura o fazem?" Se você acusar a Maria, ela lhe daria a volta de modo que você seria a malvada do filme e ela a vítima. Apenas tente ignorá-la, sei que não será fácil porque passa metade da sua vida trancada aqui, mas acredite em mim quando te digo que é a melhor opção.

Fiquei em silêncio ouvindo suas palavras, tinham sentido, Maria se via dominante, Nettie era apenas um fantoche em suas mãos, fazia o que ela queria e quando queria, poderia apostar que lhe pedia a autorização para respirar. Mas eu não era capaz de entender como alguém como Jasper, com a personalidade que refletia, seu equilíbrio e sua integridade, com seus princípios... Por que deixou se arrastar assim por ela? Era óbvio que o que essa mulher sentia pelo meu irmão era puro interesse, o queria tanto quanto os parasitas querem um cão, mas Jasper estava tão cego que era capaz de crer sem fazer perguntas.

Confiança cega...

Lembro-me de ler em muitas das revistas que Renee tinha na nossa casa em Phoenix, nunca pensei que isso pudesse existir, acreditar em alguém cegamente me parecia pessoas com pouca personalidade... O que confirmava que minha primeira impressão sobre Jasper parecia errônea, mas nunca pensei que alguém fosse tão manipulável e com tão pouca integridade para se deixar ser guiado por outra pessoa sem mais e com os olhos fechados.

Esse caráter não se parecia em nada com o que Jasper demonstrava, ele aparentava ter habilidade de liderança, capaz de tomar as rédeas de qualquer situação sem se quer se descabelar. Mas quando se tratava de Maria, perdia sua personalidade e passava a ser um brinquedo a mais em suas mãos.

—Vá descansar... — Edward sussurrou tirando-me dos meus pensamentos — tome um banho relaxante como disse mais cedo e vá para cama. Realmente tem sido um longo dia para você.

—Irei — murmurei atordoada enquanto estava pendurava em seu olhar.

—Boa noite... — sussurrou sorrindo torto, fazendo que meus joelhos tremessem.

—Boa noite — meus lábios se moveram, mas não estou certa de que realmente saiu algum som deles.

—Aliás... — parou girando quando caminhava em direção à saída — Não se defenda de Maria, sei que será difícil, mas isso irá beneficiar mais ela do que você.

—Vou me lembrar — eu disse enquanto o via desaparecer do outro lado da porta.

~xXx~

Eu estava deitada na cama olhando o teto fixamente. Levava quatro dias naquela casa, quatro dias que haviam me conhecido um pouco e que me pareciam eternos, quatro dias em que havia me sentido bem e mal às vezes. Faltavam apenas dez minutos para que o despertador soasse, hoje era meu primeiro dia em uma nova escola.

Na noite anterior havia me sentado e falado com Jasper, já que havia deixado sozinha a sua fantástica namorada para passar à tarde de domingo comigo e nos conhecermos melhor. Eu havia insistido com Jasper que eu não precisava ir para escola, meu primeiro argumento foi que só estaria um mês com ele, não precisava me inscrever para ir poucos dias, mas ao ver seu rosto decepcionado optei por lhe propor a estudar a distância e me apresentaria apenas quando houvesse testes, mas também não funcionou. Ele insistia que eu tinha que ter uma adolescência o mais normal possível apesar das circunstâncias, já que havia perdido meus pais, pelo menos deveria desfrutar do pouco tempo que restava para ser jovem e me divertir antes de ter a responsabilidade da minha própria vida sobre os ombros.

E nesse momento estava esperando que o maldito despertador tocasse para começar um novo dia... Um dia que já começou ruim. Uma nevasca havia coberto as ruas na noite anterior e o irritante carrinho de retirar neve, havia me acordado minutos antes. Quando decidiu deixar o caminho livre para que pudéssemos sair de casa... Obrigada! Pensei com ironia.

Depois de alguns minutos bufando sem perceber, a última coisa que eu nada queria era frequentar uma escola nova, com companheiros novos e sendo o centro de todos os olhares. Mesmo que fosse uma escola tão grande como as de Phoenix, ninguém notaria a minha presença e seria apenas uma sombra a mais na parede.

Umas batidas na porta me tiraram dos meus pensamentos, murmurei algo e a porta se abriu lentamente deixando que a cabeça de Jasper aparecesse na pequena fresta.

—Bom dia — sussurrou com um sorriso.

Embora eu quisesse evita-lo, porque meu humor não estava nada de acordo com ele, não pude fazer nada e meus lábios se esticaram formando outro sorriso tão grande como o seu, Jasper era capaz de fazer eu me sentir bem apenas com a sua presença, apenas vê-lo sorrir sem motivo aparente me tranquilizava.

—Posso entrar? — perguntou em um sussurro.

Sentei-me na cama e acenei para que entrasse. Ele fez isso com tranquilidade, como tudo que sempre fazia, e entrou no quarto sentando-se nos pés da cama ainda sem apagar aquele sorriso.

—Tenho algo para você, para ir à escola hoje — disse.

Franzi o cenho confusa.

—Já compramos todo o necessário para escola no sábado — murmurei sem entender.

—Não tudo... — seus lábios se curvaram em um rosnado estranho, parecia entre nervoso e envergonhado.

—O que se passa? — perguntei alerta.

—Toma — me estendeu uma bolsa e a peguei com minhas mãos tremendo. Quando vi o que havia em seu interior meus olhos se arregalaram e estou certa de que meu rosto perdeu toda a cor.

—Uniforme? — perguntei em um sussurro.

—Desculpa... Não me lembrei de dizer quando te falei da escola.

—Seu esquecimento foi casual ou intencional? — perguntei em um grunhido.

—Totalmente casual - embora ele dissesse com certeza pude apreciar que não me dizia a verdade completa.

Bufei...

—Está bem — murmurei —, vou pegar essa coisa sem protestar.

—Edward e Alice compraram na última hora, na esperança de que seja do seu tamanho — acrescentou.

—Edward e Alice? — perguntei, ao que ele assentiu — Quem é Alice?

—Alice é minha assistente — explicou e nesse momento me lembrei de quando disse que me acompanharia nas compras quando Edward se ofereceu —, então parece que Alice gosta de ir às compras e está muito irritada com Edward e comigo quando não a avisamos no outro dia.

Um pequeno sorriso tocou meus lábios quando me lembrei da tarde de compras que compartilhei com Edward e embora naquele momento não fosse nada bom, agora guardava uma boa recordação dele.

Jasper se desculpou dizendo que tinha que tomar café da manhã e saiu deixando-me sozinha. Tomei um banho e coloquei o uniforme, era uma saia azul-marinho, bem acima do joelho, o que confirmava que a mão de Edward teve algo a ver com isso. Uma blusa branca e uma gravata vermelha, acompanhado por uma jaqueta da mesma cor da saia. Quando me vi no espelho completamente vestida bufei mais uma vez. Só me faltavam à meia-calça e os sapatos de salto agulha para ser a fantasia erótica de qualquer pervertido.

Deixei meu cabelo solto e coloquei um sapato baixo para remover da minha cabeça todo pensamento que tivesse a ver com fantasias de pervertidos. Não era melhor que no primeiro dia de aula eu odiasse por completo o meu uniforme porque chama muita atenção do sexo masculino.

Quando fui para a cozinha Jasper estava lendo o jornal da manhã enquanto saboreava lentamente uma xícara de chá. Sentei-me ao lado dele e Sue, com seu sorriso permanente, me serviu uma xícara de café e um par de torradas. Comi meu café da manhã em silêncio até que Jasper deixou o jornal de lado e suspirou.

—Em dez minutos nós iremos — disse sem me olhar.

—Você vem comigo? — perguntei surpreendida.

—Sim, o senhor Wert, o diretor da escola, precisava que eu assine um par de documentos, então te acompanharei em seu primeiro dia — explicou... E eu bufei de novo — Sei que não é confortável, mas não é como se fosse seu pai que te acompanha, apenas sou seu irmão mais velho... E não sou tão mais velho, não faz nem dez anos que deixei essa escola.

—Você foi para esta escola? — perguntei enquanto esmigalhava uma torrada entre meus dedos.

—Sim... E se não fosse pelos Hale que doaram muito dinheiro, teriam me expulsado de lá na primeira semana — confessou em risadas — Mas não quero passar o mesmo com você — disse repentinamente sério — em Forks se comportava bem, ou assim me disse seu antigo diretor, e espero que aqui seja igual.

—Farei tudo o possível — isso não implicava nenhuma promessa... Certo?

Não sabia o que iria encontrar nessa escola de meninos ricos, esperava que eu não precisasse me comportar mal para poder sobreviver no meio de toda essa gente, mas não hesitaria um segundo antes de fazê-lo para poder sair ilesa de qualquer situação em que me envolvesse.

Após o café da manhã subimos naquela Mercedes preta do primeiro dia, o motorista dirigiu pelas diferentes ruas de Chicago, e embora me esforçasse para aprender o caminho, sempre acabava me perdendo e não sabia exatamente onde estava.

O carro parou na frente de um edifício enorme, de aspecto antigo, mas parecia especialmente cuidado. Na porta principal havia uma grande escadaria onde tinha vários estudantes sentados, e atrás das escadas, grandes portas de vidro sobre onde havia um enorme cartaz onde se podia ler o nome da escola "Roosevelt". Um calafrio apenas percorreu as minhas costas, apenas por imaginar o que me esperava atrás dessas portas.

Jasper saiu do carro e esperou que eu também o fizesse, enquanto estava com os meus pés sobre o pavimento de paralelepípedo vários olhares se voltaram em minha direção, pelo que me agradeci por deixar o cabelo solto e assim poder me esconder atrás dele para que ninguém visse o corar que cobria minhas bochechas agora.

Jasper subiu as escadas e eu o segui em completo silêncio, de tempos em tempos voltava seu olhar para trás, para comprovar que o seguia e respondia com um sorriso quando nossos olhares se encontraram. Chegamos ao escritório do diretor, onde uma secretária de idade avançada, estava sentada atrás de uma mesa enquanto revisava alguns papéis que havia sobre esta.

—Oh! Senhor Swan — disse com entusiasmo enquanto nos viu — Que alegria vê-lo por aqui de novo.

—Olá senhora Cope, gostaria de dizer o contrário, mas você está tal e qual me recordava — disse Jasper com seu sorriso tranquilizador.

—Isso é um elogio ou um insulto? — perguntou a mulher com cenho franzido.

—Um elogio, claro — Jasper esclareceu — eu seria incapaz de faltar com respeito, senhora Cope.

—Não há necessidade de me persuadir com seu palavreado — ela reclamou — permaneço sendo mais velha que você.

—Eu quem o diga — disse Jasper sob sua respiração.

Reprimi um sorriso e me dediquei a olhar meus sapatos evitando que a pobre mulher visse que meu irmão estava brincando com ela e eu ainda por cima, sorrindo,obrigada... Não seria o melhor modo de começar o meu primeiro dia nesta escola.

—O que te traz aqui? — perguntou de novo aquela mulher colocando o óculos na ponta do seu nariz.

—Isabella, minha irmã, começa hoje suas aulas — explicou.

—Oh sim... vi o sobrenome, mas não havia relacionado com você, senhor Swan. Aqui tem o horário de suas aulas, um mapa da escola e seu passe — disse aquela mulher estendendo-me vários papéis — espero não vê-la tanto por aqui como vi seu preguiçoso irmão — piscou um olho para mim e sorri timidamente — Já pode ir às suas aulas senhorita Swan, que tenha um bom primeiro dia.

Olhei Jasper assustada... Agora vou enfrentar o desconhecido sozinha?

—Venho te buscar logo — sorriu e me deu um aperto no me braço em forma de apoio.

Portanto apenas sorri e assenti. Virei-me e olhei meu mapa, comecei a andar em direção a minha sala, que estava em outro edifício e na ala leste. Andei tentando não tropeçar em nada, passei alguns alunos que se viraram para mim, e inclusive podia escutá-los murmurando coisas sobre quem eu era e o que fazia ali. Finalmente cheguei ao edifício e entrei nele. Passei o mesmo de novo, olhares, múrmuros... Mesmo que Chicago fosse uma grande cidade me salvando de ser o centro das atenções, com certeza eu era tão diferente de todos esses meninos ricos que por isso me olhavam mais do que costume.

Por fim encontrei minha classe e quando entrei nela, um homem olhava atentamente uns papéis enquanto todos ao seu redor riam e comentavam entre os diferentes alunos que ali haviam, me aproximei dele um pouco envergonhada e lhe estendi o passe de classes, ele assinou, limpou a garganta e depois de me apresentar na frente de toda classe, causando que todos permanecessem em silêncio e olhando-me fixamente, me fez sentar em uma das últimas fileiras. Algo que agradeci, pelo menos não me olhariam tão descaradamente como estavam fazendo neste momento.

Sentei-me no meu lugar e me afundei na cadeira enquanto escutava as diferentes explicações sobre o tema de literatura do qual o professor, o senhor Barner... Ou ao menos colocou isso na sua mesa, onde descansava uma placa enorme com o seu nome. Esse detalhe me fez enrugar o nariz... Onde eu havia me metido? As placas identificativas nas mesas saiam das más séries de televisão e apenas quando se tratava de juízes, detetives ou inspetores... Que tipo de escola era essa?

Bufei e enterrei meu nariz no meu livro, o que fosse que esse professor com ares de detetive privado estava dizendo sobre Shakespeare com certeza eu já sabia, era um dos meus escritores favoritos, portanto quaisquer dados sobre ele, eu sabia de cor.

—Olá — sussurrou uma voz feminina ao meu lado.

Levantei a cabeça do livro e a primeira coisa que vi foram seus olhos azuis penetrantes, me perdi um momento neles, já que eram profundos e muito expressivos, mas em seguida acordei do meu atordoamento e tentei perceber mais com quem eu falava. Era uma menina que parecia ser um pouco mais alta que eu e se não era, seus saltos enormes alcançariam. Tinha um corpo estupendo e bem torneado, sua saia, embora parecesse incrível, era ainda menor que a minha, e sua blusa branca agarrou sua cintura como se fosse uma segunda pele. Continuando com meu escrutínio cheguei ao seu rosto, onde um sorriso perfeito emoldurava com uns lábios vermelhos e cheios me dando as boas vindas num rosto perfeito, que dava apenas inveja. Tudo isso acompanhado de perfeitos cachos loiros avermelhados fazendo daquela menina uma modelo de passarela.

—Olá — disse um pouco intimidada.

—Você é nova? — perguntou ainda em um sussurro.

De frente a essa pergunta tive que me esforçar para não revirar os olhos pelo óbvio.

—Ok, sim... Você é nova... Como sou estúpida — ela mesma revirou os olhos, o que me fez sorrir — Quero dizer... Você é algo de Jasper Swan?

—Conhece Jasper? — Perguntei surpresa.

—É um dos advogados da empresa do meu pai... — explicou — O que ele é seu?

—É meu irmão — contei — Você é...?

—Uuh desculpa — suas bochechas se tornaram rosas — Sou Tanya Denali, te daria um aperto de mão, mas o osso duro do Barner me jogaria no corredor, então prefiro não fazê-lo.

—Senhorita Denali... Se não entendeu algo que estou explicando é o suficiente para me perguntar — o professor nos interrompeu — não atrapalhe seus outros companheiros com conversas enquanto eles tentam aprender.

—Sinto muito — ela sussurrou olhando para baixo fingindo estar envergonhada, sim fingindo, já que tinha um enorme sorriso e piscou um olho quando o senhor Barner não olhava.

Tanya permaneceu o resto da aula em silêncio, tentei traçar um plano para me livrar dessa escola, não queria estar rodeada de meninos ricos, embora Tanya não houvesse me dado uma má impressão, eu preferia não ter nada a ver com toda essa turma.

Quando o sinal tocou indicando o final da aula, juntei minhas coisas e me levantei, não se passaram mais de quatro segundos quando tinha a minha frente quatro meninas olhando-me com uma cara de que queriam me morder e arrancar um pedaço para levar para casa como um troféu, quase podia imagina-las correndo pelo corredor gritando "Tenho uma orelha da novata!". Coloquei minha melhor cara de blefe e as esquivei indo para porta, Tanya se colocou ao meu lado e riu sem fingimento.

—Apenas pelo que acabou de fazer, já gosto de você — disse feliz.

—O que eu fiz? — perguntei confusa.

—Lauren, Jessica, Angela e outra que não sei como se chama... — levantou um dedo de cada vez — posso dizer que são quatro mosqueperras*. Tiram tudo o que leva calças, menino ou não — acrescentou em sua respiração — o que acabam de fazer é uma manobra de recrutamento que você evitou como uma campeã, acaba de entrar em sua lista negra.

*Mosqueperras = Mosqueteiras + Cadelas.

—O que quer dizer? Agora essas quatro vão me perseguir ou algo assim? — perguntei parando abruptamente no meio do corredor, ótimo! Meu primeiro dia e já havia ganhado quatro inimigas... Bufei.

—Algo assim — sorriu e agarrou-se ao meu braço, foi aí que percebi que era alguns centímetros mais baixa, como suspeitava, mas era graças aos seus saltos — Que aula você tem agora?

Olhei o meu horário.

—Trigonometria — murmurei em um grunhido, eu odiava essa matéria.

—A senhora Bethany nos espera... — murmurou enquanto puxou meu braço forçando-me a caminhar ao longo do corredor — E quanto às mosqueperras, não se preocupe, apenas tem que saber deixa-las com a boca fechada e algo que me diz que você é alguém que sabe o que dizer para deixar alguém sem palavras.

Entramos nas aulas seguintes e posteriores, Tanya estava estranhamente em quase todas as minhas aulas, exceto a de ginástica, que teria no dia seguinte, mas ela comprovou olhando meu horário. Durante todas as aulas tive que suportar o olhar interrogativo das quatro... Mosqueperras? Mas não me intimidou, além de que apenas me importunou, era como o alerta constante de um mosquito cercando teu ouvido.

Na hora do almoço nos sentamos juntas, com sua irmã Irina que era praticamente uma cópia sua, mas seu cabelo era muito mais loiro, quase branco. As duas me disseram que tinha origem dinamarquesa, e que tinham morado em Chicago toda sua vida. Ambas tinham namorado, Demetri e Felix, dois italianos que eram primos e que tinham vindo viver na cidade apenas uns meses atrás. As duas estavam apaixonadíssimas por seus namorados e me convidaram para sair com os quatro em uma ocasião, algo que recusei educadamente por medo de fazer mal a terceiros... ou quintetos nesse caso.

A hora da saída das aulas, quase não podia acreditar, procurei meu armário entre as centenas que haviam no longo corredor, deixei algumas coisas que eu não precisava dentro dele e me apressei para sair dali antes do possível. Queria chegar na minha casa, bom, a casa de Jasper, tomar um longo banho e esquecer este dia, não que foi ruim, mas preferia estar presa entre os lençóis da cama enquanto lia um bom livro.

Quando saí, lá fora, o vento frio de Chicago envolveu meus pelos, mas pelo menos não estava nevando de novo. Fechei meu casaco sobre o meu uniforme e uma rajada de vento gelado deslizou entre as minhas pernas cobertas por apenas a meia-calça, me fazendo estremecer. Os alunos estavam divididos em diferentes grupos conversando entre si, na distância pude ver Tanya abraçada com um cara enorme que me dava medo vê-la sozinha com ele, me despedi com a mão quando ela me olhou e respondeu minha saudação com uma semelhante.

Parei no final das escadas e escaneei o perímetro buscando a Mercedes preta de Jasper, mas não estava. Fechei meu casaco um pouco mais forte já que fazia muito frio e ao meu lado algumas meninas pararam em seco.

—Esse carro é de quem eu acho que é? — perguntou uma delas.

—Sim... — disse a outra com alegria evidente em sua voz — não poderia esquecer mesmo que quisesse. Esse banco traseiro me traz muitas boas recordações.

—Lauren, você é uma puta... Sabia? — perguntou outra voz, estridente demais para o meu gosto.

—Não tanto quanto você, Jess — respondeu a tal Lauren com desdém — Mas lhes garanto que ele ainda não esqueceu a brincadeira que fizemos em seu banco.

—Ele virá te buscar? — Perguntou uma quarta voz.

—Quem mais? Esta escola está cheia de perdedoras, apenas eu estou à altura de um Cullen.

Meu corpo se tencionou com este apelido e olhei por cima do meu ombro a menina que estava falando. Neste momento estava colocando seus super seios operados e desabotoando um botão da sua blusa deixando completamente a vista seu sutiã negro. Sua saia não era curta, aquilo apenas cobria um pouco mais que sua roupa íntima. Seu cabelo loiro platinado parecia de plástico e seus lábios, embora vermelhos como os de Tanya, pareciam de uma prostituta pela quantidade de colágeno que havia injetado. Meu nariz se enrugou com a imagem desta menina, não era nada atraente, ao vê-la me lembrei das bonecas infláveis que anunciavam nas televendas da madrugada. Não é que eu assistisse a esse tipo de programa de televisão, um dia adormeci no sofá em Forks e quando acordei estava passando um desses anúncios. Ela me olhou de cima a baixo e franziu o cenho. Depois subiu um pouco mais sua saia, algo que me parecia tecnicamente impossível e sorriu mostrando seus dentes.

Decidi ignorá-la e meu olhar vagou de novo pelo estacionamento, onde um Volvo prata muito familiar chamou a minha atenção, procurei o proprietário do veículo e o encontrei caminhando em minha direção com um sorriso torto que fez meus joelhos tremerem e não de frio precisamente. Por um momento me lembrei das palavras de Lauren, mais conhecida como "Amanda, a boneca inflável", e pensei que possivelmente Edward havia ido ali para vê-la. Embora eu acredite que seu gosto esteja muito acima da aparência física dessa menina, que tudo poderia ser, talvez debaixo dessas cinco camadas de maquiagem e suas inumeráveis operações estéticas havia uma pessoa com bom coração. Mas o pensamento de bom coração foi apaziguado quando um empurrão de Lauren me fez tropeçar para trás.

—Puta — eu assobiei entre dentes.

Suas três companheiras grunhiram... E me endireitei dedicando-lhes um olhar envenenado que fez as três engolirem em seco.

—Oh... Edie... Você veio me buscar? — a voz de Lauren me tirou dos meus pensamentos e meu olhar vagou para fulmina-la. Senti como meu estômago se contraiu e uma vozinha dentro da minha cabeça me pediu para saltar sobre ela e arrancar cada um dos seus cabelos de plástico.

Não sabia por que havia reagido assim, mas não podia nem imaginar essas mãos asquerosas tocando Edward, embora fosse apenas um toque inocente, mas não queria nem imaginar. Mas todos os meus instintos assassinos estavam em segundo plano quando Edward a esquivou com facilidade e veio até onde eu estava parando em frente a mim.

—Um dia difícil? — perguntou levantando uma sobrancelha.

Engoli toda a raiva acumulada contra as mosqueperras e forcei meu melhor sorriso, afinal ele não tinha culpa que todas as cadelas da cidade lhe atirassem em cima. Até esse momento não me havia dado conta de que o que para mim parecia extremamente atraente, as demais mulheres também podiam achar.

—Não imagina... — murmurei começando a caminhar em direção ao seu carro — por isso suponho que... Jasper não virá.

—Supôs bem... Ele mandou o garoto dos recados porque está em uma reunião importante — Edward respondeu.

Passamos ao lado de Lauren, que havia sido paralisada olhando com a boca aberta e forcei a mim mesma não parar na frente dela e empurrar seu queixo para ser fechado.

—Podemos fazer uma parada antes de ir aonde quer que estejamos indo? — perguntei olhando-o de soslaio.

—Claro... Apenas me diga onde e serei teu motorista — sorriu com arrogância o que me fez piscar atordoada.

—Veja, eu queria um...

—Issie! — alguém gritou me interrompendo. Olho para minha esquerda e Lauren me olhava com um sorriso forçado enquanto enrolava uma mecha de seu cabelo em um dos dedos — Não me disse se amanhã será minha parceira em educação física... — seus lábios fizeram um beicinho e me lembrei das mulheres Mursi, aquelas africanas que colocam um prato em seu lábio inferior. A quantidade de colágeno que havia usado no seu, havia sido o suficiente para encher um dos seios de Pamela Anderson*.

*Pamela Anderson é uma atriz e modelo canadense que fazia a série Malibu e tem os seios siliconados, enormes..

Olhei para ela com uma sobrancelha levantada e querendo dar um soco em seu queixo para ver se assim seus lábios inchados explodiam e faziam deles um pouco mais naturais, mas apenas me limitei a bufar e continuar caminhando sem prestar a mínima atenção nela.

—Issie? — Edward perguntou dando dois passos longos para se acomodar ao meu ritmo. — Se não estou errado, você fez uma nova amiga — não me passou despercebido o tom zombeteiro em sua voz... E apenas revirei os olhos.

—A melhor de todas... Você não percebeu? — perguntei com ironia.

—Espero que nem todas as meninas sejam como Mallory — estremeceu.

—Quem é Mallory? — perguntei olhando para ele interrogativamente.

—Sua melhor amiga... Issie — sorriu.

—Mallory é seu sobrenome? — voltei a perguntar.

—Que mal amiga você é... Não sabe o sobrenome da sua melhor amiga? — reprimi a necessidade de revirar os olhos.

—Você a conhece melhor que eu... E ela conhece seu banco perfeitamente, ao menos o banco de trás — adicionei ocultando um gesto de desgosto.

—Ela disse isso? — perguntou entre risadas — Se fosse sua irmã mais velha que dissesse, poderia acreditar, mas ela... — bufou — não costumo me enrolar com meninas.

Meu humor caiu em um golpe depois dessas palavras, não quis mostrar, por isso coloquei minha melhor cara de blefe de novo e olhei seus olhos rezando para manter a compostura.

—Vamos? — nesse momento me dei conta que estava segurando a porta do Volvo para eu entrar e o fiz depois de um rápido aceno de cabeça.

—Onde queria que eu te levasse antes de ir à Cullen&Swan? — perguntou sentando atrás do volante.

—Estou com vontade de sorvete... — disse em um sussurro — mas talvez seja muito infantil para você, senhor Cullen — lhe dei um olhar frio.

Sua boca se abriu e fechou algumas vezes até que a buzina do carro que estava atrás de nós o despertou de seu torpor. O semáforo que tínhamos parado ficou verde e nós não percebemos.

—Iremos ao Ghirardelli, a melhor sorveteria de Chicago... — disse em um murmuro sem tirar os olhos da estrada — sou um viciado em sorvete de morangos — o olhei de soslaio no momento que sacudia a cabeça em um gesto de incredulidade e ele piscou um olho para mim divertido, fazendo minhas bochechas se colorirem em um gesto instintivo.


N/T: Amém. Isso não é alucinação, realmente foi atualizada. Tenham fé. Pode demorar, mas todas as outras também serão.
Agradeço a ajuda da Ingrid, que agora dividirá minhas traduções. Valeu, sua linda!.Lu.

PS: Houve uma menina que se ofereceu para me ajudar nessa tradução, mas foi como anônima, não tive como entrar em contato. Se vc ainda estiver por aí, PM me.