N/A: Bom, como eu já avisei no tópico que deixei aqui no último update da fanfic e no grupo do Facebook (se você ainda é minha leitora, ou é leitora nova, e ainda não está nesse grupo, o link está no meu perfil) isso aqui é uma repostagem com revisões de TMHTF. Haverá elementos novos, cenas extras em cada capítulo, e o prólogo não vai fugir à essa regra. Se você já leu a fanfic, se está com saudades, te convido a me acompanhar nesse recomeço de jornada. Se você é nova por aqui, sinta-se bem vinda!

Decidi não apagar nenhum capítulo da fanfic, apenas tirá-los do ar para então substitui-los gradativamente a partir de agora. Há muitas reviews especiais que vocês, leitoras queridas, me deixaram até hoje e eu seria muito cruel comigo mesma e com vocês se as apagasse. Se você já comentou logada nos capítulos passados, mas está relendo a fanfic agora, podem deixar reviews anônimas me contando o que estão achando desse novo começo de TMTHF.

Espero que gostem. Eu estou feliz e assustada por estar de volta. Me contem nas reviews o que acharam de tudo isso.

Sem mais delongas, o prólogo revisado e estendido de Teach me how to fly.


Disclaimer: Bella e Edward pertencem à Dona Stephenie Sumida-Vou-Viver-De-Renda-Pra-Sempre Meyer, eu apenas os tomo emprestado pra brincar. Mas quero deixar claro que a Bellinha dos tsurus é toda minha!

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Prólogo

Life of the Bird – The Cinematic Orchestra*

Há uma lenda bastante popular no Japão que conta que aquele a fazer mil tsurus* terá um desejo realizado.

Tendo isso em mente, a menina de olhos muito brilhantes dobrava com atenção os pedaços de papeis coloridos espalhados em cima da cama dura de hospital, carregando no rosto de coração uma expressão determinada. A mãe – preocupada com o silêncio da filha – sugeriu que a garota largasse os origamis por um tempo e descansasse um pouco; o dia fora desgastante e ela não conseguia entender como alguém tão debilitado fisicamente ainda tinha forças para se manter acordada após uma maratona de visitas às mais variadas salas de exame.

De fato a criatura franzina transpirava exaustão, no entanto, parecia que seus dedos haviam ganhado vida própria de uma hora pra outra, pois ela não conseguia parar de dobrar os papeis até transformá-los em uma figura que lembrava a de um pássaro de asas abertas. Internamente, ela desejava ser uma daquelas aves que havia criado e assim poderia voar para onde quisesse.

E eram tantos os lugares pelos quais queria passar...

As pálpebras azuladas devido à palidez crônica pesavam e deixavam a visão de chocolate turva; seu corpo estafado gritava por repouso, mas a mente estava obstinada a continuar a tarefa de dobradura. Faltava tão pouco, ela não podia se dar ao luxo de parar justamente quando chegava à reta final. Porém, seus olhos não aguentaram e cederam à pressão da inconsciência no exato momento em que ela terminava de fazer seu milésimo tsuru.

Um desejo seu seria realizado.

Ela não fazia ideia de que – não muito longe dali – um garoto de olhar triste e ombros caídos tentava assimilar o pesadelo em que havia sido arremessado da maneira mais abrupta e cruel que poderia existir. Seus pés de repente pareciam ter perdido o chão, fazendo-o andar sem rumo pelo corredor tumultuado da emergência hospitalar.

Os ouvidos zumbiam e conferiam ao seu cérebro aturdido uma dor que percorria seu corpo inteiro em pequenas frações de segundos. Era como queimar vivo e ser congelado, tudo ao mesmo tempo, sem chances de escapatória.

Por que comigo? – ele se perguntou, agoniado, em buscas de respostas que pudessem aplacar a escuridão em que se encontrava. Por que Deus estava fazendo aquilo com ele? Com ela, com sua família?

Deus...

Diante de seu olhar assombrado, Deus não passava de um grande menino mau que parecia se divertir com o sofrimento das pessoas. Ele deveria estar adorando assistir a agonia que o menino de cabelos ruivos desordenados estava sentindo naquele momento.

Confuso, amedrontado e se achando a pessoa mais inútil da face da Terra, ele desabou no piso frio e enterrou o rosto entre as mãos trêmulas, soltando uma ladainha que alternava momentos de revolta e clemência.

Salve-a, por favor! Se Você existe mesmo e tem todo o poder que acho que tem, não deixe que nada de ruim aconteça. Não me faça acreditar que Você pode ser tão cruel assim com alguém como ela. – implorou, sem alternativa a não ser se entregar ao ato de rezar sem saber bem o porquê de estar fazendo aquilo.

Sua cabeça estava tão confusa e ele tinha quase certeza de que sucumbiria à loucura a qualquer momento. Ele só queria que tudo aquilo tivesse um final feliz para que todos de sua família pudessem voltar à realidade de suas vidas comuns.

Entretanto, isso não aconteceu. O jovem de olhar sempre tão vivo de repente sentiu que esmaecia por dentro. Era como se alguém houvesse desligado algo dentro dele. Algo que o mantinha acordado, consciente do mundo ao seu redor. Precisou encarar a dor estampada no rosto dos pais quando o médico lhes dera a notícia da qual tanto temia. Seu corpo inteiro tremeu e ele desejou que o chão abrisse sob seus pés e o engolisse de uma vez só.

O que seria dele agora que a pessoa que mais amava no mundo se fora para sempre?

O rapaz de cabelos cor de cobre não poderia imaginar, mas naquele exato momento sua vida passava por uma transformação lenta e silenciosa, regida pelo palpitar de um coração vigoroso que agora era conduzido ao seu mais novo lar.

Quando a garota magricela acordou, encontrou o sorriso largo da mãe lhe dando bom dia e pôde sentir o cheiro de esperança rondando sua cama ainda coberta pelos pássaros de papel que ela havia criado na noite anterior. Rolou os olhos em direção ao lado de fora do quarto e encontrou o brilho do sol manso banhando as asas azuis de um tsuru caído na borda da janela. A risada que borbulhou em sua garganta era a mais pura definição de felicidade.

Seu pedido fora atendido.

Fitou mais uma vez o passarinho inanimado e piscou para empurrar de volta as lágrimas que vazavam sem controle. A ave de papel foi jogada de leve pela força do vento tímido que entrava pela fresta da janela e ela ouviu o convite sussurrado em seu ouvido:

Pronta pra voar comigo?

Sim, voar era tudo que ela mais desejava na vida.

[…]

*tsuru: espécie de cegonha feita através da técnica da dobradura de papel oriental, ou origami, como é mais conhecida.

* Life of the Bird – The Cinematic Orchestra: youtube (ponto) com (barra) watch?v=c-G5opHpKtI


Quando peguei novamente TMHTF para ler, há alguns meses atrás, eu senti que o prólogo era focado 90% em torno da Bella e isso me incomodou. Vou explicar o porquê. Minha ideia original era mostrar a transformação que o acidente que matou a Alice faria nas vidas da Bella e do Edward. Foi por isso que eu acrescentei um pouco mais nesse inicio de fanfic sobre a reação do Edward ao que tinha acontecido à irmã dele. Ainda terá mais momentos ligados a esse fato no decorrer da fic, vocês sabem disso, mas eu achei que essa ligeira mudança no prólogo precisava ser feita, assim como algumas outras mudanças que vocês vão começar a conferir na quinta-feira, quando eu repostar o primeiro capítulo. Já falei isso no aviso que dei, mas acho que é sempre bom reiterar: as mudanças são apenas para a melhoria da fic, nada vai ser drasticamente mudado a ponto dos personagens terem suas essências alteradas. Se você, leitora, decidir esperar pelos capítulos inéditos da fic e não os ler os antigos revisados, não tem problema. Mas seria legal, até para chegar com a cabeça fresquinha para quando eu for postar os novos.

Eu vou fazer o possível para postar o primeiro capítulo revisado antes de quinta, mas a priori fica marcada a postagem para quinta mesmo, ok?

Me contem o que acharam do prólogo ligeiramente alterado.

Curiosidade: eu acrescentei essa música ao prólogo porque sempre escrevi TMHTF ouvindo-a, além de outras instrumentais, inclusive várias da The Cinematic Orchestra. Fiquei me perguntando por qual motivo não tinha colocado essa música no prólogo, já que eu escrevi esse começo da fanfic, ouvindo-a como uma louca alguns anos atrás. Enfim, nunca é tarde para consertar os errinhos, certo?

Falei demais, confesso que estava com muitas, mas muitas saudades de escrever N/A's hahaha

A gente se vê e obrigada por tantas mensagens que recebi aqui, no grupo do facebook, por PM, enfim, obrigada de verdade. Se eu voltei, foi pq vocês me pediram.

Até quinta,

beijo, beijo

Cella.