N/A: Muita gente quando receber o update desse capítulo vai se perguntar que milagre é esse! É isso mesmo que vocês estão vendo, gente, não é uma alucinação, é capítulo novinho em folha de TMHTF! *dancinha feliz*

Sim, eu sei que demorei muito para atualizar a fic. Vocês devem estar se perguntando o que aconteceu para passar tanto tempo sem update de TMHTF. Eu explico: foram 45 dias fora do Brasil, e a minha volta foi resumida a festa e logo depois pequenos problemas pessoais que me fizeram simplesmente perder a capacidade de escrever uma linha sequer. Eu tive uma crise de inspiração que não me permitiu escrever do jeito que eu queria. Assim, não adiantava que eu viesse aqui com um capítulo ruim só para atualizar a fic. Não seria eu e não seria justo com a fic e nem com quem a lê.

Explicações à parte, vamo falar de coisa boa (e não é a Iogurteira Top Therm): capítulo novo para vocês e recheado com tudo que a gente mais gosta, fofura e excesso de glicose no sangue.

Preparadas?

Obrigada a minha sis Line Lins, que betou esse capítulo e encheu meu ser de viadagem com suas palavras sempre tão fofas 3 Love you, sis. Brigada a Laisa, pre reader que me ajuda muito lendo e me dando um feedback quanto ao nível de fofurice de Bella e Edward.

Sem mais, eis o capítulo de TMHTF.

Eu realmente senti falta de vocês. :)


Capítulo 16 – Teach me how to feel

EPOV

Naquela tarde de sábado no lago, Bella e eu finalmente deixamos para trás todos os receios que nos cercaram por dias. Ela em momento algum recuou ou assumiu a posição defensiva que usara durante toda a semana após o baile e eu não poderia ser mais grato por isso. Nós conversamos e eu vez ou outra fazia questão de provocá-la com alguma piada idiota só para ouvir o som de seu riso infantil ecoando pelo silêncio da lagoa, sendo propagado pelo vento até se perder por entre as árvores e os paredões rochosos que nos cercavam, uma espécie de abrigo exclusivo.

O sol já estava sumindo no horizonte quando nós enfim cruzamos a esquina íngreme que nos levava de volta à sua casa. Caminhamos lado a lado sem conversar, apenas escutando o chapinhar das patas de Max nas poças formadas pela chuva de mais cedo; o som de sua respiração pesada fazia Bella sorrir. E eu poderia ficar ali, ouvindo aquele riso suave tilintando em meus ouvidos pelo resto dos meus dias.

Quando Max tentou desviar em direção ao jardim de uma das casas, provavelmente avistando alguma possível presa para uma de suas brincadeiras de morder, Bella levou um susto e imediatamente juntou sua mão na minha.

Minha reação ao seu gesto foi tão natural quanto o ato de respirar; não foi nada difícil encontrar o encaixe entre nossos dedos.

De início eu pensei que ela fosse recusar meu toque, porém quando sua mão aceitou de bom grado a maneira como eu a segurava e ela sorrateiramente deslizou os dedos pelos meus, eu tive a constatação de que estava fazendo a coisa certa. E perceber isso fez despertar um riso absurdamente idiota que parecia ter sido grudado com cola instantânea em meu rosto.

Nós seguimos pela rua deserta, atravessando a cortina úmida da neblina intensa que cobria a cidade como um véu, de mãos dadas, e de vez em quando eu arriscava um olhar para Bella só para verificar se a cor rosada que tanto me encantava permanecia pincelando suas bochechas. Às vezes ela me flagrava encarando-a descaradamente e quando isso acontecia, o rubor em sua face ficava mais intenso, tal qual a agitação fervorosa no topo de meu estômago.

E por um curto espaço de tempo, nossos olhares se cruzavam e cada vez que isso acontecia, eu sentia o peso que antes comprimia meus ombros sumindo gradativamente, ao ponto de me fazer esquecer que um dia estivera ali, cedendo espaço para uma onda de alegria que se espalhava por meu corpo inteiro e provocava em minha boca uma vontade imensa de sorrir.

[...]

A segunda-feira finalmente havia chegado e a ansiedade que me acompanhara durante todo o fim de semana estava prestes a transbordar. Minha mente nunca estivera tão inquieta como naqueles dois dias e – por maior que fosse o meu esforço para me distrair – invariavelmente meus pensamentos eram guiados em direção a uma única pessoa: Bella.

Tudo nela parecia subitamente fascinante aos meus olhos; o modo como sorria – tímido à primeira vista e que pouco a pouco tomava conta do rosto de coração ao ponto de quase rasgá-lo ao meio, fazia todo meu corpo reagir e eu logo me via retribuindo da mesma forma, idiota e abobalhado.

Aliás, Bella tinha a incrível capacidade de me deixar sem palavras, reações ou atos premeditados. Bastava que eu estivesse em sua companhia para abrir mão da previsibilidade e passar a agir como um cego no meio da escuridão. A sensação de frio na barriga que seu olhar me causava cada vez que encontrava o meu era assustadoramente maravilhosa. E, conforme os dias passavam, eu só desejava permanecer experimentando tudo aquilo que um simples gesto seu ocasionava em mim.

Durante o caminho para a escola naquela manhã, eu permaneci calado, entretanto não conseguia parar quieto – ora remexendo como um louco nos botões do rádio, trocando de estação a cada meio segundo, - ora bufando uma irritação que não me pertencia e que me fazia lembrar de Max com fome.

Não foi difícil para meu pai perceber que algo estava acontecendo e eu não fiquei nem um pouco surpreso quando ele me questionou se eu estava com algum problema, já que – conforme nos aproximávamos da escola – eu ficava visivelmente mais ansioso. Tentando despistá-lo, eu repeti – pela milionésima vez – que só estava daquele jeito por causa do excesso de matérias que precisava estudar naquele semestre.

"Tenho novidades," Carlisle comentou, assim que recaímos na nossa típica rotina de falta de assuntos para conversar. "seu avô virá a Forks passar algumas semanas conosco." meu rosto iluminou de imediato e eu girei o corpo para fitar meu pai com uma expressão cética.

"Vô Anthony? Eu não acredito! Quando ele vai chegar? A vovó também vai vir? Onde eles vão ficar? Não diga que eles irão para um hotel como da outra vez!" como uma enxurrada, as palavras começaram a vazar de minha boca sem que eu tivesse controle e isso acabou provocando uma gargalhada em Carlisle.

"Você está parecendo um moleque de sete anos falando desse jeito." disse, me fazendo bufar. "Seu avô deve chegar na semana que vem, mas virá sozinho, já que Elizabeth prefere ficar em casa com Irina. Você sabia que sua tia está no país de férias com o marido? Enfim, Anthony ficará conosco em casa, embora tenha insistido que ainda prefere aquele hotel em Port Angeles." completou, suspirando sem graça e eu me remexi no banco do passageiro de um jeito agoniado, desviando o olhar para a estrada molhada à nossa frente.

"O vovô sabe... hm... sobre... você sabe..." não foi necessário completar a frase, visto que desconforto de meu pai foi indício suficiente para que notasse que ele sabia que eu estava me referindo à situação de Esme.

"Vagamente. Eu... achei melhor contar a ele pessoalmente."

"Claro, er... é melhor assim." mais uma vez a ausência de palavras circulando pelo ar.

"Eu irei vê-la hoje à tarde, tenho apenas alguns pacientes para atender pela manhã e terei o resto do dia livre e..." sua voz murchou antes mesmo que ele conseguisse terminar seu raciocínio. Era difícil ter que admitir que conforme os dias passavam, Carlisle e eu nos tornávamos dois estranhos habitando a mesma casa.

"Tenho que ir agora, pai, até mais." informei assim que ele estacionou na porta da escola, saltando do carro sem esperar que ele me dissesse alguma coisa. Já estava no meio do caminho que dava acesso ao prédio principal da Forks High School, quando ouvi o som dos pneus do Jeep de Carlisle riscando o chão molhado com fúria.

Atravessei o estacionamento apressado, por causa da chuva que repentinamente havia se transformado em uma tempestade, tomando cuidado para não esbarrar nos outros alunos que também fugiam dos grossos pingos d'água que agora desabavam sem controle. Cheguei ao prédio de minha primeira aula encharcado dos pés a cabeça e precisei tirar o casaco pesado que vestia, em um vão esforço de tentar me secar.

O relógio indicava que faltava cerca de meia hora para o início da aula quando cruzei o corredor em direção à biblioteca. Imediatamente avistei a figura pequena sentada na última cadeira de uma fileira vazia, a face de coração escondida pela massa amarronzada cheia de cachos; o sorriso que brotou em minha boca chegava a ser cômico de tão bobo que era.

Lentamente me aproximei, percebendo que ela ainda não havia notado minha presença, visto que sua cabeça permanecia baixa e seus olhos fixos em um pedaço de papel colorido que dobrava repetidas vezes, em uma velocidade assustadora. Aos poucos, a pequena folha ganhava forma, até se transformar em uma espécie de ave de asas abertas; assim que completou a última dobradura, Bella suspirou e deixou o pequeno pássaro cor de vinho sobre a pilha de cadernos dispostos na cadeira desocupada ao seu lado.

"Wow" soltei sem perceber, finalmente tirando-a do transe em que se encontrava. Seu olhar subiu em direção ao meu rosto e eu avistei a mancha vermelha brotando em suas bochechas de um jeito adorável, fazendo meu coração disparar sem eu perceber.

"Nunca lhe disseram que é feio bisbilhotar as pessoas?" ela sibilou, muito corada, franzindo o nariz como se quisesse me informar de que estava aborrecida, mas tudo que conseguiu foi me deixar ainda mais fascinado. "Você me assustou!" completou em um sussurro como se estivesse confessando um segredo.

"Desculpa, eu não queria fazer isso." respondi, sentando ao seu lado, observando com uma felicidade idiota o fato de Bella não fazer qualquer menção de se afastar. "Eu ia chamar você, mas notei que estava muito concentrada fazendo isso." apontei para a ave de papel sobre seus livros e ela meneou a cabeça com um meio sorriso tímido.

"Isso é um tsuru." explicou, provavelmente notando o vinco enorme de dúvida em minha testa. "É um origami em formato de um pássaro. Lembra uma cegonha, viu?" apontou para o objeto que agora repousava em suas mãos. "Eu aprendi a fazer com uma enfermeira quando morava no hospital." continuou em sua voz suave, mas eu não pude deixar de sentir um incômodo calafrio percorrendo minha espinha ao imaginá-la vivendo por um longo período dentro de uma ala médica.

O quão difícil havia sido sua vida antes da mudança para Forks? Antes de... droga, eu tinha tanta curiosidade de saber mais sobre ela, mas a dor espetando meu peito à simples menção daquilo que a havia trazido até aqui me impedia de prosseguir.

Era sufocante não poder colocar para fora tudo o que eu sentia por puro medo.

Entretanto, não houve necessidade para que eu questionasse mais sobre ela, Bella saciava minha curiosidade da forma mais natural possível, tagarelando distraída enquanto seus dedos finos iniciavam outra série de dobraduras em um papel azulado.

"Era divertido, sabia?" perguntou retoricamente, conversando mais com si mesma do que comigo. "Kim e eu passávamos horas fazendo origamis. Meus dedos quase sempre ficavam dormentes e ainda assim eu me recusava a parar. Acho que fiquei meio obcecada pela lenda dos tsurus." Bella disse entortando os lábios de maneira singela.

"Qual lenda?" inquiri, os olhos grudados na forma como os dedos pequenos da garota se moviam sobre a folha de papel.

"Ah, é uma lenda muito conhecida no Japão. Tsuru é uma ave sagrada do Oriente que vive durante mil anos. Os antigos contam que aquele que fizer mil tsurus de papel tem a honra de ter um desejo realizado." murmurou baixinho, sem desviar a atenção do trabalho que suas mãos exerciam na confecção do origami em formato de ave.

"E por acaso algum desejo seu já foi atendido?" perguntei meio aéreo, totalmente concentrado na maneira ágil como Bella dava vida a um simples pedaço de papel com apenas meia dúzia de dobraduras. Demorei alguns segundos para notar que os dedos pequenos de repente passaram a apertar a folha colorida com uma força desnecessária.

Ergui o rosto para fitá-la e percebi que seus olhos estavam ainda mais brilhantes do que de costume; logo pude constatar que o motivo eram as gotas de lágrimas que começavam a cercar o canto das orbes amendoadas. Meu cenho franziu e eu vi Bella arquejar um suspiro alto antes de jogar o origami não terminado na pilha de livros ao seu lado.

"O que houve?" questionei inocente e isso pareceu afetá-la ainda mais, pois os lábios muito vermelhos entortaram de um jeito contrariado, como se Bella estivesse sentindo dor.

"V-você pode achar isso uma tremenda besteira, mas, b-bem, sempre acreditei que fora o meu desejo concedido que me trouxe até aqui, Edward." ela enfim sibilou, baixando a cabeça como se sentisse vergonha de suas palavras; o arrepio que tremulou em meu corpo me deixou incapaz de falar nada por alguns minutos que pareceram horas, tamanho o silêncio que subitamente nos enforcava.

"E-eu... Bem, na noite em que... aconteceu, sofri uma de minhas piores crises desde que descobri que tinha cardiomiopatia. Não aguentava mais viver daquele jeito, acordando e enxergando o mundo apenas através da janela do meu quarto naquele hospital. Eu queria sair, Edward. Me sentir livre uma vez na vida, sabe? Como as pessoas faziam nos filmes que meu pai e eu costumávamos assistir no fim da tarde." suas palavras eram tão suaves a ponto de se perderem em meio aos suspiros que ela deixava escapar sem notar.

"Eu odiava quando isso acontecia. Quando passava a questionar os motivos que me levaram a ser diferente do resto do mundo. Por que eu? Por que meus pais? Doía vê-los tão amarrados àquilo quanto eu, sem poder ir a lugar algum. Sempre atrelados às minhas necessidades."

Minha garganta estava travada a ponto de me sufocar e – por mais que eu sentisse vontade de dizer algo, de implorar para que Bella não dissesse mais nenhuma só vírgula, eu sabia que era hora de ouvir sua história, por mais doloroso que fosse, para mim e, principalmente, para ela.

"Não queria mais ver meus pais sofrendo diante da estagnação do meu estado de saúde. Minhas chances de conseguir um transplante estavam cada vez mais distantes; eu queria apenas ir para casa e fingir por pelo menos um instante que eu era uma pessoa normal novamente." ouvi seus lábios se retorcerem em um sorriso inseguro, mas não tive coragem de arriscar encarar a face de coração, tamanho o medo que eu sentia de que ela encontrasse a dor estampada em meu rosto. Permaneci calado, em um sinal silencioso para que ela prosseguisse.

"Eu precisava me agarrar em algo. Qualquer coisa que me fizesse ter esperanças, já que me sentia perdida no meio de minha própria revolta. Foi então que eu passei a dobrar os tsurus obcessivamente." Bella se permitiu emitir um guincho que eu supus ser apenas um sorriso forçado. "A partir do momento em que comecei, não consegui mais parar. Minha mente estava obstinada a fazer os mil origamis de papel, mesmo que isso fosse a última coisa que eu faria em minha vida."

"Mamãe achou que eu estava insana e passando por algum processo de depressão, mas era exatamente o contrário. Eu me sentia viva novamente enquanto montava os tsurus. Até eu sofrer uma considerável piora em meu estado de saúde, justamente quando estava prestes a terminar o milésimo origami." observei mudo como ela apertou os dedos no encosto da cadeira, provavelmente revivendo os momentos sofridos pelos quais havia passado.

Ela era tão forte. E eu me sentia cada vez mais fraco.

"Ainda não acredito que meu desejo se tornou realidade." sua mão caiu inerte sobre o origami em seu colo e ela acariciou com as pontas dos dedos as asas delicadas do ser inanimado.

"Edward," Bella chamou insegura, me fazendo despertar de um transe. Minha cabeça ergueu-se com uma rapidez brutal e eu busquei seu olhar, que estava tão assustado quanto o meu. Ainda não sabia como processar o rumo íngreme que uma conversa aparentemente banal havia tomado. Como nós tínhamos vindo parar nesse assunto? "e-eu sei que tudo isso tem sido tão duro para você quanto é para mim, quer dizer, é claro que para você é infinitamente mais difícil enfrentar toda essa situação e ainda estar aqui, ao meu lado, mas quero que você saiba que se eu pudesse, nada disso teria acontecido à sua família." suspirou para talvez tentar controlar o tremor que estrangulava sua voz fragilizada. "Juro por Deus que eu desejaria nunca ter entrado na sua vida dessa maneira."

Quantos de nós um dia questionaram o motivo real por trás de um acontecimento ruim em nossas vidas? Quantas vezes nos pegamos amaldiçoando os pequenos truques que alguém muito acima de nós prega, como um moleque levado em busca de diversão em dias de tédio?

Sentado naquele corredor silencioso, ao lado da garota magricela de olhos que abrigavam o mundo, eu percebi o óbvio; tudo acontece por uma razão e não cabe a mim ou qualquer outro questionar os caminhos para que algo ocorresse em nossas vidas. Era apenas uma questão de aceitar aquilo que ela nos dá, por mais doloroso e sofrido que seja encarar essa nova realidade.

Sentindo um alívio nunca antes experimentado nos últimos tempos, eu virei o corpo em direção à menina de aparente fragilidade, mas extrema bravura e coragem que, sutilmente, foi tomando um espaço em minha vida que eu agora tinha certeza de que seria exclusivo e permanentemente seu; o olhar dela estava muito temeroso e os cristais de lágrimas pendiam nos cantos, como se dançassem sobre uma corda bamba.

"T-talvez... essa não tenha sido uma maneira muito comum para se conhecer sua melhor amiga," murmurei, observando os olhos de chocolate da menina de rosto de porcelana crescerem a ponto de se tornarem gigantescos para alguém tão pequeno. "mas foi a maneira que a vida achou de nos aproximar. Eu acho que isso acontece de vez em quando com algumas pessoas." completei batendo as pontas de meu tênis de forma distraída.

"V-você... e-eu... sou s-sua m-melhor a-amiga?" a voz fina tremia tanto que por muito pouco não se transformou em um pequeno murmúrio incompreensível. O jeito receoso com que ela perguntara fez cócegas em meus lábios e eu não consegui esconder uma risada.

Bella era muito mais do que uma simples amiga; ela era literalmente como uma luz no meio do caos que se tornaram meus dias nos últimos tempos.

"Nunca lhe disseram? Caramba, acho que esqueci de mencionar isso, que cabeça a minha." falei em tom de brincadeira, no intuito de afastar o clima pesado, empurrando seu dedo mindinho com a ponta do meu. "Você é a minha melhor amiga, Bella." sussurrei, subitamente me dando conta do quão verdadeiras eram aquelas palavras. Era assim que eu via aquela menina de ar delicado que escondia uma bravura dentro de si que seria capaz de enfrentar o mundo para ter uma chance de viver.

Ela havia me ensinado tanto sem que nenhum de nós percebesse e eu já não conseguia sentir raiva ou temor por tê-la ao meu lado.

"Você..." ela tossiu de leve e evitou me fitar diretamente nos olhos, talvez por conta da bola avermelhada que coloria suas bochechas de uma forma encantadora. "você é meu melhor amigo também, Edward."

E de repente eu estava ali, com um riso insano no rosto, enorme a ponto de doer minha mandíbula devido ao esforço que meus lábios faziam por estarem tão absurdamente esticados.

"E-eu só quero que você saiba que s-sinto muito. Por sua irmã. Por sua família. Por tudo." Bella fez questão de dizer em seu típico jeito afoito que a fazia quase sempre tropeçar nas palavras, quando meu riso murchou e suas bochechas já não mais abrigavam a cor rosada que me deixava constantemente distraído.

"Eu sei disso." garanti encontrando uma forma de embolar meus dedos nos seus; fiquei contente ao notar que ela aceitou meu toque de bom grado. "Sabe, Bella, eu preciso confessar algo a você." murmurei me virando para encará-la. Seu olhar estava mais amplo do que nunca e eu ainda podia ver as gotinhas salgadas perambulando por ali.

Respirando fundo, prossegui:

"Logo no início de tudo isso, eu não conseguia sentir nada por você além de muita raiva. Você era a prova mais concreta de que minha irmã tinha partido e, o pior, era também aquela que me recordava, involuntariamente, de que eu havia sido o culpado por isso." disse em meio a uma lufada alta, observando alguns filetes de lágrimas finalmente deslizando pelo rosto miúdo. "Mas conforme os dias iam passando e a vontade de ficar ao seu lado só aumentava, embora eu lutasse contra isso – e acredite, lutei muito para me manter o mais distante possível - percebi que ninguém é culpado do que aconteceu, muito menos você."

Acariciei o dorso de sua mão que estava entrelaçada à minha e respirei fundo, secando com meus dedos livres o choro que molhava seu rosto frágil; arrisquei um sorriso gentil que ela me devolveu de uma forma receosa.

"Você tem sido, de longe, a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos, Bella."disparei, encostando nossas testas de uma forma que meu nariz arranhasse a pontinha do seu. O riso que ela me deu em troca foi o bastante para fazer desaparecer de vez o peso de meus ombros.

E então tudo que eu mais queria era voltar a provar dos lábios de Bella, sentir seu suspiro contente tocando a ponta da minha língua enquanto eu deixava minha boca descobrir a doçura da sua.

O sinal anunciando o começo do primeiro tempo das aulas do dia interrompeu o devaneio que minha mente criara e eu fui obrigado a me afastar; meus dedos, entretanto, pareciam ter sido colados aos dela, e eu sorri como um moleque levado quando ela não fez menção de desentrelaçar nossas mãos.

"Qual sua próxima aula?" perguntei observando-a empurrar os tsurus dentro da mochila e jogá-la de qualquer jeito nos ombros pequenos, só para nosso segundo seguinte revirar os olhos de tédio quando eu puxei a bolsa enorme para carregá-la.

"História, no prédio 2."

"Boa sorte. Tenho dois tempos de Física e um de Inglês me esperando."

"Urgh, quem precisa de sorte por aqui é você." ela retrucou fazendo uma careta engraçada enquanto tentava pegar de volta sua mochila, sem obter sucesso.

"Você tá maluca? Aguento até três tempos de Física se isso me deixar livre da srta. Morrissen. As aulas dela são terrivelmente entediantes." meu comentário a fez soltar uma pequena risada naquele timbre infantil que fazia cócegas em minha pele.

"Definitivamente você é louco. Quem seria insano a ponto de trocar um tempo de História por dois de Física?"

"Hey, não esqueça de que você é apenas a novata aqui. Lembre-me de pedir sua opinião no fim do semestre, quando você estiver enlouquecida com as aulas da srta. Morrissen." brinquei assim que cruzamos a fachada do prédio 2, onde ela teria sua primeira aula do dia.

Alguns alunos, ao passarem do nosso lado, exibiam em seus rostos expressões de surpresa e choque, e quase sempre cochichavam entre si, provavelmente algo sobre Bella e eu estarmos de mãos dadas, mas isso pareceu não afetá-la, da mesma forma como não incomodava a mim também.

[...]

Assim que o sinal do intervalo tocou, eu segui em direção ao refeitório – que àquela hora do dia estava entupido de alunos famintos, por comida e conversa fiada. Os assuntos nas mesas eram os mais variados, mas basicamente tinham em comum o meu nome e o de Bella; alguns deles eram desinteressados e venenosos, enquanto outros eram apenas corriqueiros, como se falar de mim e da garota nova fosse o mesmo que comentar sobre o tempo.

Tentei desconectar minha mente das centenas de vozes me seguindo como fantasmas perturbadores e me dirigi à fila da lanchonete, sentindo minha barriga roncando conforme minha vez de fazer o pedido se aproximava. Dei uma rápida olhada pelas mesas dispostas em linhas pelo grande salão do refeitório, em busca de Bella, porém não a encontrei em local algum. Talvez ela estivesse escolhido almoçar escondida na biblioteca, pensei, enquanto comprava meu almoço, duas fatias de pizza e uma garrafa de refrigerante, decidindo ir atrás da menina pequena ao sentir a estranha necessidade de vê-la novamente.

Quando estava prestes a sair do refeitório, avistei-a do lado de fora, no pátio anexo à cantina da escola; estava completamente alheia ao restante dos alunos, mordiscando um pequeno sanduíche ao mesmo tempo em que rabiscava alguma coisa em seu caderno de desenhos. Notando a urgência dentro de mim, vi-me caminhando até ela, mordendo o canto da boca para esconder um riso que eu nem sabia por que insistia em surgir toda vez que estava perto de Bella.

"Hey!" anunciei assim que me aproximei, sendo recebido por um olhar assustado e um rubor tão forte a ponto de deixar a pele pálida em chamas. "Posso?" acrescentei apontando para o lugar vazio na mesa que ela ocupava.

"Oi! C-claro, hum... p-pode sentar." Bella respondeu sem jeito e um pouco atrapalhada, tentando colocar de volta os lápis de cor no estojo laranja que a acompanhava como um amigo fiel. "Oh, não, droga!" ela rosnou aborrecida, quando sua pressa acabou atrapalhando-a e deixou cair o caderno no chão, espalhando diversas folhas avulsas debaixo da mesa.

"Deixa que eu pego para você-"

"Não!" ela praticamente gritou, afetada, porém minha reação foi instintiva e logo me vi abaixando para recolher os papeis que Bella deixara soltos, tentando organizá-los em uma pilha enquanto passava os olhos distraidamente pelos desenhos retratados em cada uma delas.

Inscrições orientais, templos japoneses e cerejeiras floridas eram algumas das imagens que ela havia retratado em sua arte e eu não pude deixar de notar o quão talentosa ela era. Estava quase devolvendo as folhas para Bella quando uma figura chamou minha atenção. O lugar reproduzido pelas linhas finas de seu traço perfeito era completamente conhecido para mim; montanhas que riscavam o céu, nuvens de veludo e um lago escuro. Sentados sobre a grama verde escura estavam um menino de cabelos bagunçados e seu cachorro muito folgado, perdidos no silêncio e na paz daquele local.

"Não, não, não, argh, droga!" Bella grunhiu e só então notei que ela tinha o rosto enfiado entre as mãos pequenas; suas orelhas e o pescoço estavam cheio de placas vermelhas, um sinal claro de que algo a incomodava. Questionei a mim mesmo o que seria. "Você não podia ver isso!" ela prosseguiu, como se tivesse lido meus pensamentos.

"Por que não?" voltei a fitar o desenho bem acabado, admirado com a capacidade dela ter retratado o meu lugar favorito com tantos detalhes. Eu jurava que poderia sentir o cheiro do orvalho fresco correndo no ar se continuasse admirando aquela paisagem.

"Porque está horrível!" Bella respondeu, tomando as folhas de volta e escondendo-as dentro do caderno já muito gasto. Empurrou a franja comprida demais para longe de seus olhos e fungou. "E além disso, era para ser uma surpresa, argh!"

"Surpresa?" retruquei abismado, deixando-a ainda mais ruborizada. Ela desviou o olhar do meu e passou a devotar sua atenção aos botões de seu casaco entreaberto.

"E-eu... não dei a você nenhum presente de Natal, então decidi desenhá-lo com Max no lago, porque você disse que lá era o seu lugar favorito e... urgh, foi só uma ideia boba, eu sei, é que na hora parecia legal e- droga, como eu sou idiota!"

Quase ri de seu jeito nervoso, mas estava alegre demais perante a simples imagem de Bella riscando linhas e círculos, eternizando detalhes que muitos normalmente deixariam passar despercebidos com facilidade. A percepção fez meu estômago levitar.

"Eu adorei." sibilei simplesmente, fazendo-a me encarar com os olhos de chocolate totalmente arregalados.

"Você o quê?"

"Disse que adorei, Bella. Sem dúvidas esse foi um dos melhores presentes de Natal que já ganhei na vida." completei sorrindo, ganhando em reposta um olhar desconcertado. "Posso vê-lo de novo?"

"Não." ela decretou, menos afetada. "A-ainda não está finalizado." acrescentou, passando o dedo sobre as linhas em alto relevo de seu caderno.

"Ok. Será que posso ver seus outros desenhos?" sugeri e ela novamente voltou a me encarar com certa desconfiança. "Por favor?" pedi, exagerando em minha expressão pidona. Ela enfim deixou escapar aquele riso cintilante que tanto eu adorava e cedeu, voltando a me entregar as folhas com aquilo que ela chamava de rabiscos, mas que eu apenas conseguia definir como obras de arte.

"Obrigado." falei de repente após algum tempo em silêncio, enquanto devorávamos nosso almoço e eu devotava minha atenção aos desenhos de Bella, admirado com seu talento nato.

"Pelo quê?" ela inquiriu parecendo confusa, os dedos pequenos segurando a garrafa de suco com um pouco mais de força do que a necessária.

Eu sentia vontade de agradecê-la pela forma como ela me fazia sentir mais leve, por manter aquele estúpido riso costurado em minha boca, por apagar de minha mente – ainda que por algumas horas – os problemas maçantes que eu encontrava todo santo dia assim que colocava os pés em casa... Mas acima de tudo, era grato por ela me deixar ser um pouco do garoto que um dia fora e que – por conta de todos os acontecimentos do último ano – eu me obrigara a esquecer.

Bella sem perceber me deixava ser um Edward que por muito tempo eu jurava ter perdido para a dor e o remorso.

Eu tinha tanto a dizer àquela garota de incrível docilidade e força, porém me limitei a responder um agradecimento sem graça.

"Obrigado novamente pelo desenho. Eu adorei, de verdade, Bella." soei babaca e ela me presenteou com um pouco mais de bochechas coradas.

Ainda pensei em dizer tudo aquilo que ela despertava em mim com um simples olhar, porém o tom rosado dançando em seu rosto me distraíra, mantendo-me calado.

As bochechas coradas de uma certa menina de olhos de chocolate ultimamente haviam se tornado o meu tipo de distração favorita.

[...]

À medida que os dias passavam, uma sensação diferente de paz varria para longe o peso do remorso que eu jurava que nunca sairia de mim. Pela primeira vez em mais de um ano estava conseguindo dormir noites inteiras sem que fosse tomado por pesadelos que insistiam em revirar meu cérebro do avesso com imagens de vidro explodindo em meu rosto e o som de pneus arranhando o chão de asfalto molhado em uma madrugada que durante muito tempo eu implorei para esquecer.

Raras foram as vezes em que eu acordei no meio da noite com o rosto desfalecido e manchado de sangue de Alice invadindo minha mente, um duro lembrete que provava que eu nunca seria capaz de varrer para longe o que acontecera naquele fatídico dia.

Era um fato que jamais apagaria de minha memória, porém só caberia a mim escolher se queria passar o resto dos meus dias remoendo uma dor que me comeria vivo por dentro ou aceitar a realidade dos fatos de uma vez por todas.

Dizer que seria fácil simplesmente extinguir todo o sofrimento que deixara minha família em pedaços era mentir para mim mesmo, entretanto cutucar uma ferida aberta para me punir seria muito pior. Eu sabia que o ferimento nunca cicatrizaria, entretanto isso não significava que ele precisava ficar para sempre em carne viva.

Ainda não conseguia retirar de mim totalmente a culpa por aquela dor excruciante ter destruído emocionalmente tantas pessoas, mas aprendi que deveria dar tempo ao tempo e que um dia, talvez em um futuro distante, eu seria capaz de superar tudo; bem, ao menos tentaria fazer isso.

As coisas em minha família passaram de muito ruins para um estado de estagnação latente. A cada novo dia, eu via Carlisle se transformar em uma pessoa fria e distante, alheio a tudo que estivesse fora de seus próprios problemas. Desde a internação de Esme na clínica psiquiátrica, meu pai mergulhou de cabeça em seu trabalho, dedicando-se em tempo integral ao hospital. Nós mal trocávamos uma dúzia de palavras, nos comunicávamos basicamente por meio de telefonemas de curta duração e bilhetes grudados na geladeira, esses me avisando que ele não voltaria para o jantar e que eu poderia pedir pizza.

Quase todas as manhãs eu colocava para fora as caixas da pizzaria no lixo, relembrando que a noite anterior havia sido mais uma que eu passara sozinho.

Não me importava de ficar só por longos períodos, pois isso significava que não precisava encarar os resmungos de Carlisle por nenhum motivo aparente, provavelmente guiado pelo estresse ao qual se submetera nos últimos meses. Todas as vezes em que meu pai estava em casa, eu era espancado verbalmente por sua língua ferina e rancorosa, que destilava uma ladainha de palavras tão cortantes a ponto de atingir o fundo da minha alma.

Às vezes me perguntava por que diabos permanecia ali, ouvindo-o dizer coisas horríveis sobre momentos tão dolorosos. Nem eu sabia a resposta, eu apenas aguentava calado, extravasando a dor cruel que aquilo me causava em forma de grossas lágrimas que quase sempre ficavam grudadas em meu rosto devido ao frio da noite escura.

Quase sempre após os sermões amargurados de Carlisle, eu saía de casa, ignorando a temperatura incomodamente gelada; nada me importava, afinal, desde que pudesse esvaziar meu peito do ardor dolorido que meia dúzia de palavras e um punhado de frustração causavam em mim. Max e sua companhia silenciosa eram os únicos que presenciavam o jeito como eu sucumbia àquele sofrimento que eu sabia não ser somente meu, mas que de algum modo foi arremessado contra a janela e atirado sem piedade em cima de mim.

Alice costumava dizer que eu tinha uma mania idiota de tentar carregar o mundo nas costas, como se fosse um dos super-heróis dos quadrinhos que colecionava na infância. Estava sempre me espezinhando ao resmungar coisas como "Não leve a vida tão a sério, Edward" ou "Você deveria parar de ser certinho demais, maninho, é chato!".

Quem diria que uma menina tão infantil e mimada um dia poderia me ensinar algo. No fim das contas, Alice estava certa, eu era tão correto que muitas vezes simplesmente aceitei o peso da culpa como sendo unicamente minha, resignado talvez por não querer que Carlisle e Esme sofressem mais do que o necessário.

E tudo isso para quê? Bastava olhar ao redor para entender que minha família estava em pedaços, destruída de uma maneira que eu não tinha certeza de que teria qualquer chance de ser recuperada no futuro. Minha mãe estava longe, trancafiada em uma prisão que sua mente traiçoeira armara para ela própria; e meu pai, sempre tão acostumado a ter o controle das coisas em sua mão, estava cada dia mais sem rumo, sendo arrastado pela correnteza de uma vida problemática, onde a melhor opção era simplesmente varrer aquilo que o afligia para debaixo do tapete e fingir que nada estava acontecendo.

Mas estava. Eu podia notar em seu rosto as marcas que a dor causava nele; expressão quase sempre petrificada, olhar vazio e olheiras profundas. Carlisle estava se afundando no mesmo barco que Esme. E eu não sabia o que fazer para resgatá-los de si mesmos.

A sensação que eu tinha era de estar andando em círculos, preso em um labirinto que parecia nunca ter um fim.

O céu parecia literalmente prestes a desabar sob minha cabeça, em uma tempestade comum naquela época do ano em Forks, no entanto eu permaneci onde estava, sentado junto ao meio fio de uma rua silenciosa e escura, a cabeça afundada entre os joelhos e o peito comprimido por uma dor que não queria cessar.

Eu queria chorar e gritar, pedir ajuda ao primeiro que surgisse à minha frente, implorar para que alguém – qualquer pessoa no mundo – arrancasse aquela sensação incômoda que atingia meu coração sempre que meu cérebro fazia o favor de rememorar as palavras embebidas em raiva e frustração de Carlisle.

Me sentia como um peixe fora da água, lutando para sobreviver em mundo que parecia não mais me pertencer.

"Alie... e-eu sinto sua falta." murmurei junto a um soluço que pulou da minha garganta, afundando o rosto em meus joelhos dobrados, no exato momento em que senti a cabeça de Max batendo pesado ao meu lado, como se ele tentasse de alguma maneira me consolar. Abracei-o pelo pescoço e deixei que minhas lágrimas salgassem seus pelos, pouco me importando em estar chorando como uma criança perdida no meio da rua.

Eu me sentia exatamente assim.

Não sei por quanto tempo permaneci sentado na calçada da rua com Max, porém tomei um susto quando escutei o barulho de latas de lixo sendo abertas. Me virei a tempo de ver uma figura surgindo junto a um fio de luz projetada pela porta da casa aberta e só então me dei conta de onde estava.

A casa amarela e seu pequeno jardim com um caminho de paralelepípedos nunca me pareceu tão familiar.

Zonzo com a constatação de que estivera o tempo inteiro sentado em frente à casa de Bella, levantei em um jato e quase tropecei em minhas próprias pernas bambas. O que estava acontecendo comigo afinal? Por que eu tinha vindo parar justamente naquele lugar?

Meu susto acabou agitando Max e ele passou a latir alto para a sombra próxima às latas de lixo. Eu me virei para fugir dali, porém no meio do caminho dei de cara com Charlie que de início me fitou desconfiado, para logo em seguida me encarar de forma amistosa, certamente me reconhecendo.

"Edward, filho, está tudo bem?" perguntou o homem de voz de trovão, muito mais preocupado do que aborrecido, me fazendo sentir como um completo idiota.

Eu precisava sair dali o mais rápido possível.

"B-boa noite, Chefe Swan, e-eu não queria, e-eu não... me desculpe por incomodar, e-eu-" por mais que tentasse soar coerente, as palavras simplesmente haviam corrido para longe de mim naquele momento. "E-eu tenho que ir agora." consegui enfim sibilar, segurando com força na guia de Max, que ainda estava agitado ao meu lado.

"Charlie, querido, Billy está no telefone e quer falar com você... Edward, é você?" Renée surgiu na porta no segundo em que tentava me esquivar de qualquer constrangimento e eu sabia que não teria mais como escapar de uma possível conversa desnecessária.

"E-eu tenho que ir agora, está meio tarde. Me perdoe se eu o assustei, Chefe Swan, não foi minha intenção e-"

"Eu não sei o que está acontecendo, mas não posso deixar que você volte sozinho, Edward." Renée cortou minha evasiva, me fitando com preocupação estampada em seu rosto gentil. "Já é tarde e, além disso, a tempestade está prestes a cair. Charlie vai levar você para casa, mas antes vamos tomar um chocolate quente para espantar esse frio. Vamos, entre, você está tremendo, querido." ela decretou e eu fiquei sem reação alguma para tentar retrucar.

Aborrecido comigo mesmo, eu segui pelo caminho de paralelepípedos, segurando Max com firmeza junto de mim.

Eu não deveria estar ali, por que havia achado de sentar justamente em frente à casa dos Swan? Como será que Bella iria agir quando me visse invadindo sua sala àquela hora da noite?

Minha pergunta foi respondida no segundo em que pus os pés no tapete quentinho da casa pequena, mas muito aconchegante. Max soltou um grunhido de satisfação, provavelmente adorando o clima quente do interior, e isso chamou a atenção de Bella, que estava sentada no sofá, com uma xícara colorida entre as mãos.

Estava usando um pijama de ovelhas e os cabelos presos em duas longas tranças escorriam por seus ombros. Assim que seu olhar cruzou o meu, o típico tom avermelhado tocou a pele de seu rosto, iluminando-o.

Ela nunca me pareceu tão adorável quanto naquele momento.

"Ande, Edward, vá sentar ao lado de Bella enquanto eu vou buscar uma xícara de chocolate para você. ICarly acabou de começar!" comentou Renée casualmente, arrastando Charlie junto consigo em direção à cozinha.

Totalmente envergonhado, eu fiz o que a senhora Swan sugerira e sentei na poltrona oposta a de Bella. Havia um desconforto pairando no ar e eu não sabia o que fazer para dissipá-lo.

Sem outra alternativa, e odiando o silêncio instalado com a minha chegada, eu disparei:

"M-me desculpe, eu não queria aparecer assim de repente na sua casa, acontece que estava passando por aqui e seu pai acabou me vendo e aí sua mãe disse que estava muito tarde para que eu voltasse para casa sozinho e-" engoli o fôlego de forma nervosa, tentando explicar para Bella o quanto eu não desejava incomodá-la com minha visita indesejada.

"Mamãe está certa, já é tarde, você não pode voltar para casa a pé no meio da noite. Viu a tempestade que está quase caindo?" ela respondeu, acarinhando a cabeça peluda de Max, que havia saltado no sofá assim que reconheceu Bella. Não havia limites para aquele cachorro tão folgado.

"E-eu só não queria que você ficasse com raiva de me ver entrar assim, em sua casa. Sem ser convidado." confessei meio sem jeito, passando as mãos pelos cabelos de forma nervosa.

"Eu nunca ficaria com raiva de ter você na minha casa, Edward. Somos amigos, lembra?" perguntou preocupada, por um segundo os grandes olhos de chocolate se abrindo como se ela estivesse com medo de algo. "S-somos amigos, não somos?"

Senti vontade de sorrir diante de seu questionamento tão bobo. Como ela ainda poderia ter dúvidas do que era óbvio para mim?

Ela era a minha melhor amiga. A única pessoa na face da Terra que me fazia sentir vivo, que causava todos os tipos de reações diferentes. Alegria, paz, alívio e aquele calor suave que aos poucos ia se alastrando por minhas veias, até fazer o sangue ferver e o estômago gravitar.

"É claro que somos amigos, Bella." garanti, sendo recompensado por um meio sorriso que dançou nos lábios rosados de uma forma tão linda, que me fez rir também. "Então, esse é o famoso ICarly do qual você tanto fala?" instiguei, me sentindo muito mais confortável do que antes.

"Eu ainda não acredito que você nunca assistiu um episódio sequer." ela respondeu, bebericando seu chocolate enquanto brincava distraidamente com as orelhas de Max. Meu cachorro àquela altura já roncava alto no sofá.

"Essa é a Carly, a protagonista da série," Bella apontou para a menina morena no instante em que ela surgiu na tela. "E esses são Sam, Freddy e Spencer." continuou às apresentações, aproveitando para fazer um breve resumo sobre do quê se tratava o programa.

Permaneci sentado na poltrona por um tempo, prestando atenção à TV e rindo das risadas engraçadas que Bella soltava de vez em quando. Apenas quando Renée surgiu novamente na sala, me trazendo uma xícara de chocolate com marshmallows e Charlie se juntou a nós para assistir à série, foi que eu pulei para o lado de Bella, encontrando em seu olhar um brilho amistoso que me aquecia por dentro e agia como um bálsamo cicatrizante em minhas feridas.

"Quer ligar para o seu pai e avisar que já está indo para casa, Edward?" Renée sugeriu e eu engoli um marshmallow inteiro, fazendo minha garganta arranhar.

"E-eu... meu pai está de plantão essa noite. Não tem ninguém em casa." menti e afundei o rosto dentro da xícara de chocolate, temendo ser flagrado.

"Oh!" Renée pareceu temerosa, porém não insistiu em obter mais informações, me fazendo agradecer mentalmente por isso. Era melhor que Carlisle não soubesse onde eu estava, afinal, àquela hora ele deveria estar trancado em seu escritório, afundado em mais trabalho, sua válvula de escape para tudo.

"Charlie, quantas vezes eu já disse para você não cutucar o bolo desse jeito? Se quer uma fatia, retire-a e coma! Não fique esfarelando a comida como se fosse um rato!" Renée disparou de repente, levantando do sofá em um jato, olhando torto para o marido que estava na cozinha. Pediu desculpas para mim e avisou que assim que eu quisesse ir, bastava que eu a informasse. Agradeci sem jeito, voltando a tomar um gole curto de meu chocolate.

"Desculpe por isso." Bella soltou baixinho e eu me voltei para encará-la, sem entender.

"Por isso o quê?"

"Por meus pais. Eles parecem que brigam o tempo inteiro, mas é só o jeito deles. Mamãe simplesmente odeia certas coisas que meu pai faz, porém ele faz de propósito, apenas para atazaná-la." ela riu envergonhada.

"Seus pais são legais." comentei.

"Eu sei." ela respondeu me lançando um sorriso suave que logo se transformou em um escancarado esticar de lábios.

"O-o que foi?"

"Você está com bigode de chocolate. É engraçado." Bella comentou e eu imediatamente limpei minha boca com a manga de minha camisa, me sentindo um enorme panaca.

"Droga!" respondi, esfregando várias vezes o local para me certificar de que todos os vestígios da bebida açucarada foram limpos.

"Não é tão ruim." Bella retrucou, tomando um longo gole de seu chocolate. "Viu? É assim que se faz um verdadeiro bigode de chocolate." ela disse, abrindo um sorriso enorme, só evidenciando ainda mais a sujeira em seus lábios.

Não tive outra alternativa a não ser rir alto, fazendo-a também gargalhar aquele som tilintante que eu tanto adorava.

Passamos o resto da noite competindo da maneira mais idiota possível sobre quem fazia o melhor bigode de chocolate. Era claro que Bella havia ganhado com vários pontos de vantagem, afinal, eu não tinha um rosto de coração tão lindo quanto o dela.

Mal me lembrava do por quê de estar ali, porém estava adorando passar um tempo extra com a garota de rosto de anjo que despertava sensações que eu mal conseguia compreender, mas que pouco a pouco estavam tomando um espaço dentro de mim difícil de ser retomado.

[...]


Ai que eu não aguento a fofurice desses dois. Antes que alguém comece a me caçar com tochas e ancinhos, eu peço que aguardem até o próximo capítulo, que a meu ver é mais fofo de todos (depois do primeiro beijo, é claro). Se chama "Teach me how to ask" (algum palpite sobre o motivo do capítulo ser chamado assim?) e já começou a ser escrito, portanto, não vai demorar tanto assim para ser postado (15 dias, no máximo, eu juro!)

Muito obrigada por todo mundo que passava diariamente no meu twitter dizendo que sentia falta de mim e da fic, obrigada pelas reviews que eu recebi nesse período que fiquei sem postar, vocês não sabem o quanto isso me incentiva a continuar a escrever, mesmo que de vez em quando eu sinta raivinha pelo modo como escrevo (crise de autora, oi?)

Soltem o verbo nas reviews, podem comentar a vontade, me contar o que acharam do capítulo, porque isso vai fazer com que vocês ganhem um preview do amor do próximo capítulo, que eu digo, tá fofo demais! Vocês não vão se arrepender de esperar um pouquinho mais ;)

Obrigada desde já e me mostrem o amor de vocês, porque Bellinha, Edward, Max e eu estamos morrendo de saudades!

Até breve (muito em breve mesmo, eu prometo)!

Beijo, beijo,

Cella!