N/A: Eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar.

Demorei, eu sei. Mas devo confessar que esse capítulo foi um dos mais difíceis de serem escritos e logo vocês irão entender o por quê disso. Doeu escrevê-lo.

Como estão todas? Feliz Ano Novo De Novo. Espero que 2013 seja maravilhoso, para todas nós!

Obrigada ao carinho, ao amor e a paciência que vocês tem comigo e com essa fic. Sério, vocês são as melhores!

Agradecimento especial à minha sister mais que amada e idolatrada, Line Lins, que betou e surtou com minhas crianças enquanto lia esse capítulo. Sis, obrigada por existir na minha vida. Eu te amo! S2

Chega de enrolação e vamos ao que interessa, o capítulo! Não me batam, eu imploro e aguentem firme até o final. Preparem os lencinhos, porque provavelmente vocês irão precisar.

Capítulo TODO dedicadinho à minha querida e amada leitora, Luh Andrade, que tem um amor tão lindo e doce por essas minhas crianças e pelas besteiras que escrevo. Feliz Aniversário novamente, meu bem, tudo de bom e mais um pouco para você! O capítulo é inteirinho dedicado a você!

Ok, agradecimentos e avisos dados, divirtam-se!

Ps: não me matem! :)


Capítulo 17 – Teach me how to ask

BPOV

Os desenhos pendurados junto à cama balançavam ao ritmo suave da brisa gelada que penetrava em meu quarto através da janela entreaberta; sorri, ainda sonolenta, ao passar os olhos por cada página colorida pendendo no ar por conta dos prendedores de roupas que os amarravam ao varal de barbante esticado de uma parede a outra, me detendo em uma imagem específica.

O menino ruivo sentado na beira de um lago, tendo a companhia silenciosa de seu cachorro enorme e brincalhão surgiam com precisão agora que o traço do desenho estava completo; a paisagem que os cercava era de tirar o fôlego e convidava minha mente a vagar pelas lembranças contidas naquele lugar. O cheiro do orvalho grudado na grama que impregnava no nariz a cada passo dado, a lagoa escura e cheia de restos de troncos e galhos de árvores, os paredões das montanhas que reverberavam quando o vento os tocava... E os lábios suaves pousando sobre os meus, vagarosa e receosamente, fazendo meu coração disparar dentro do peito.

Com um suspiro, eu saltei de minha cama, proibindo meu cérebro de embarcar naquela onda de memórias que só fazia o sangue correr com mais força em minhas veias e a pele viver em um constante arrepio.

Levemente atordoada, olhei o despertador sobre a cômoda ao lado de minha cama, temendo estar atrasada para a escola; meu rosto se retorceu em uma pequena careta de alívio quando eu notei que na verdade havia acordado um pouco mais cedo do que realmente necessitava.

Senti de imediato a preguiça me abater e voltei a deitar, aproveitando os minutos extras que tinha para permanecer ali, envolta em meu cobertor quentinho e no travesseiro fofo que eu agora abraçava, apoiando o queixo em sua maciez. Fiquei um bom tempo observando a chuva fina que banhava minha janela, desfazendo pouco a pouco os finos cristais de gelo que se formaram nos galhos das árvores durante a madrugada.

O inverno naquela região do condado não era rigoroso a ponto de encher as ruas de caos, com nevascas que duravam dias e a neve atolando tudo que encontrava pela frente. A estação mais fria do ano em Forks se resumia a mais chuvas e finas camadas de gelo que deixavam o chão escorregadio e as árvores com folhas petrificadas pelo ar congelante da noite.

O ondular constante das folhas de meus desenhos penduradas no ar tomaram mais uma vez minha atenção e eu as fitei por longos segundos, analisando o trabalho que eu mesma tivera para reproduzir cada uma das imagens.

Minha boca se retorceu em um riso bobo quando estiquei apenas metade do corpo e puxei com cuidado uma das folhas, a que continha meu desenho favorito, repousando-a em meu colo. Corri as pontas dos dedos sobre o papel, sentindo ainda a textura aveludada dos traços dos lápis que usei para colorir a imagem. Era hora de entregá-la àquele que havia me inspirado e que também era o responsável por deixar meu coração em constante ritmo acelerado ao menor sinal de sua presença.

Debrucei-me sobre a escrivaninha do outro de minha cama, abrindo uma das gavetas em busca dos envelopes de papel de seda que colecionava. Guardei a folha com cuidado dentro da embalagem fina e delicada, arrematando o embrulho com uma fita de veludo azul escura. Deixei o presente de Natal atrasado de Edward sobre minha cama bagunçada e rumei para o banheiro, assim que percebi que já era hora de me arrumar para ir à escola.

Vesti-me sem pressa, levando um tempo extra para abotoar a blusa que havia escolhido para usar naquele dia. A luz fria da manhã encheu o quarto com sua luminosidade tímida e meus olhos repousaram com cuidado na pequena fenda entreaberta de minha roupa. O início da cicatriz rosada que seguia em uma linha levemente sinuosa até o começo de minha barriga chamou minha atenção e eu precisei tomar um pouco de fôlego ao constatar que estava sem ar.

Ali estava ela, a prova concreta de que minha vida havia mudado para sempre, eternizada em minha pele como tatuagem. Toquei com cuidado a textura em um suave alto relevo em meu peito, relembrando todos os caminhos que precisei percorrer para chegar até onde estava agora, sã e salva. Por mais que os dias passassem e me mostrassem que havia uma nova vida pronta me esperando, eu ainda não conseguia acreditar que estava livre da clausura de meu quarto de hospital.

Eu podia respirar livremente agora. Fazer exatamente tudo aquilo que sempre sonhei e nunca pude. O quão sortuda esse fato me faz ser? Muitas pessoas que possuíam o mesmo problema que eu, mal tinham chances de sonhar um dia em ver a cura. Quantas perderam as esperanças e sofreram a frustração de saber que nunca mais seriam livres novamente?

O pensamento me fez estremecer, apressando meus dedos a fecharem de uma vez por todas a blusa, escondendo a marca viva de minha cirurgia.

Desci às escadas de forma apressada, empurrando no meio do caminho o presente de Edward dentro da mochila, sentindo a estranha e desesperada necessidade de encontrar seus olhos muito verdes aguardando pelos meus.

[...]

Como era de se esperar, a rua de casa estava coberta de finas crostas de gelo e poças de lama. Minha mãe, sempre tão exagerada, me fez trocar as botas por meu par de galochas de joaninhas, reforçando que eu ficaria mais segura usando calçados próprios para o clima do dia. Tentou me enfiar em mais um casaco, mas eu me desvencilhei, informando que já estava agasalhada o suficiente para sair.

"Mas, querida, e se o tempo esfriar durante o dia?" ela ainda tentou argumentar, quando estávamos na porta de casa.

"Mãe, eu estou bem protegida, ok? Além disso, sempre levo um casaco extra na mochila, caso o tempo mude." apontei para minha bolsa, suspirando alto. "Não se preocupe, eu estou bem."

"Só não quero que pegue um resfriado, meu amor." senti seus lábios macios tocando a pele de minha testa. "Falando nisso, tomou seu coquetel e as vitaminas após o café?" balancei a cabeça, controlando a vontade de revirar os olhos diante da exagerada preocupação de Renée.

"Boa garota. Tenha um bom dia na aula, meu anjo." disse enquanto alisava meus cabelos com carinho, empurrando algumas mechas rebeldes para trás de minha orelha.

"Obrigada, mãe. Até mais tarde."

"Até mais, meus amores!" sibilou Renée após dar um beijo cálido em meu pai.

"Eu sei, eu sei, preciso admitir que ela está impossível hoje." Charlie comentou, lendo meus pensamentos, assim que nós entramos em sua viatura. "Sua mãe me acordou às 5 da manhã para que eu colocasse as correntes nos pneus do carro, porque ouviu no rádio ontem a noite que as estradas estariam escorregadias hoje, por causa do gelo."

"Ainda bem que eu não sou a única vítima dela." esbocei um riso sem graça, virando o rosto em direção à janela para apreciar a visão da estrada cercada por paredões de árvores que nos seguiam durante todo o percurso. Tudo era tão... verde. Não que eu não gostasse, ou não achasse bonito, mas às vezes eu sentia que havia me mudado para um planeta alienígena.

"E então, Bells, como vão as coisas na escola?" meu pai perguntou casualmente, sem desviar a atenção dos quilômetros de asfalto molhado que nos esperava pela frente.

"Hum... bem, eu acho. Tenho uma pilha de deveres de casa e ainda não consegui arrumar um jeito de gostar de Biologia. É tão, argh, complicado!" ele riu quando minha voz saiu transtornada pela indignação. Olhou-me de relance e seu riso aumentou ao notar que eu mantinha o rosto franzido em uma careta aborrecida.

"Isso é normal, princesa, há sempre uma disciplina na escola que você vai odiar e achar a pior matéria do mundo. Assim como há aquela que você adora e que os assuntos são entendidos com mais clareza."

"Literatura. Nossa, pai, é tão simples e fácil. Queria poder dizer o mesmo de Biologia. E Álgebra. Ungh!"

"Não sou muito bom em Biologia, devo confessar, mas posso te dar uma forcinha em Álgebra, o que acha? Podemos estudar hoje, depois do jantar, se você quiser."

"Hum.. obrigada, pai, mas Edward já está me ajudando com as matérias de Biologia e de Álgebra também." murmurei naturalmente, distraída com o calorzinho gostoso que corria pelo interior do carro graças ao aquecedor pequeno.

"Ah, claro, Edward." algo na maneira como Charlie pronunciara o nome dele chamou minha atenção e eu o encarei, confusa.

"O que foi?" perguntei e recebi como reposta uma negativa de cabeça de meu pai.

"Nada, princesa." ele tratou de se apressar em dizer, mas eu não caí em sua desculpa furada. Charlie era como eu, um péssimo mentiroso. "Só estava pensando... como... como estão as coisas entre você e o Edward?"

"Bem..." falei reticente, não entendendo onde meu pai queria chegar com essa conversa estranha.

"Ah!" ele soltou e ficou em silêncio por alguns minutos, concentrado na estrada que estava mesmo fácil para se deslizar naquela manhã. "Você e ele... bem, não aconteceu mais nada entre vocês dois depois do que houve no, hum, no baile?" minhas mãos ficaram subitamente suadas e eu senti minhas bochechas arderem diante da pergunta. Charlie notou meu constrangimento e deixou claro que eu poderia não falar, se não quisesse, mas, por Deus, ele era meu pai e aquele que eu compartilhava meus segredos desde que me entendia por gente.

"Edward... bem, ele... me beijou. Na lagoa. Algumas semanas atrás." eu soltei, arfante, enterrando os dedos nas alças de minha mochila, que estava sobre meu colo.

Charlie pigarreou alto e eu notei que seu rosto ganhou uma coloração levemente avermelhada após minha confissão.

"Oh... então quer dizer que, hum, isso significa que.. bem, agora você e Edward estão, hum, namorando ou algo assim?" ele demorou uma eternidade para completar a frase e eu soltei um pequeno riso nervoso.

"Não, pai. Edward e eu somos... amigos. Apenas amigos." por que diabos minha resposta saíra com uma pontinha amarga na voz daquele jeito?

"Ah, sim, apenas amigos... por enquanto." Charlie retrucou e eu voltei a encará-lo, confusa, não entendendo o que ele havia falado.

"O que disse, pai?"

"Hum? Ah, disse que há gelo em tudo quanto é canto. Foi isso." ele murmurou, de olhos atentos na estrada. Algo em seu meio sorriso me deixara em alerta, porém eu estava preocupada demais com o fato de que aquela simples conversa com meu pai deixou meu coração apertado dentro do peito.

O restante do caminho até a escola foi feito em silêncio, com Charlie concentrado na pista deslizante onde passávamos enquanto eu deixava minha mente vagar para o local que havia retratado no desenho que estava cuidadosamente guardado dentro de minha mochila, relembrando a maneira como o garoto de cabelos ruivos e olhar da cor do mar me fazia sorrir e transformava o que era complicado em algo simples, como o vento que soprava do lado de fora e agitava as folhas geladas das árvores que passavam diante dos meus olhos como um borrão esverdeado.

[...]

Charlie demorou quase dez minutos a mais do que o costume para fazer o caminho até a Forks High School, mas apesar disso, ao chegar à escola, encontrei-a praticamente vazia. Não havia muitos carros no estacionamento e os corredores do campus estavam desertos. Despedi-me de meu pai com um rápido aceno e resolvi ir à biblioteca para matar o tempo que ainda restava até o início das aulas.

Ao dobrar em dos longos e, agora, silenciosos corredores, avistei um grupo de alunos reunidos, rindo de forma debochada; de imediato senti um ligeiro temor perpassar meu corpo e tratei de respirar fundo, reconhecendo os rostos que quase sempre sopravam insultos e piadinhas quando nos encontrávamos por um infeliz acaso nos intervalos das aulas. Lauren e Tanya estavam lá, com sorrisos rasgados nos rostos e olhares que não tinham nada de amistosos.

Decidi seguir meu caminho, já esperando pelas palavras maldosas surgindo às minhas costas, porém elas não vieram. Estava quase agradecendo a Deus por eles terem me ignorado, porém levei um susto que deixou um grito preso na garganta ao notar uma das garotas do grupo me impedindo de dar um passo a frente.

Era Lauren, a mesma menina que me perseguia gratuitamente desde o segundo em que pus os pés naquela escola.

"Ora, ora, se não é a estranha da FHS. Onde está seu novo amiguinho, cansou de andar com um alienígena como você?" ela despejou de forma ferina, lançando um olhar de desdém em minha direção. Atrás delas, Tanya, três garotas e dois rapazes riram como hienas ao redor de sua presa.

Tentei recuar e sair dali o mais rápido que pudesse, porém a loira que interceptava meu caminho me segurou pela alça da mochila, cortando meu plano de fuga.

"Hey, onde pensa que vai? Estou falando com você, por que não me responde? Será que é tão burra assim que não sabe falar?"

"M-me solta!" resmunguei com um arfar alto, pedindo baixinho para que alguém passasse e me tirasse daquela situação constrangedora.

"Olhem só, pessoal, ela sabe falar!" Lauren provocou, arrancando mais alguns risos do grupinho de idiotas que a seguia. O que havia de engraçado em humilhar as pessoas daquela forma? "Por um momento achei que você fosse muda ou mentalmente perturbada, mas vejo que é apenas mal educada. Onde aprendeu esses modos, estranha, com seu amiguinho doente?"

"Me solta, Lauren! Me solta agora!" rosnei tentando imprimir meu tom mais raivoso, que saiu mais parecido com um miado de súplica; fiz força com o braço, na intenção de tirar os dedos pegajosos da loira de cima de mim, mas não obtive sucesso. Ela estava praticamente com a mão grudada na alça de minha bolsa.

"Você sabe meu nome? Oh meu Deus, talvez um alien como você seja muito mais esperto que imaginava." seus olhos desviaram dos meus e recaíram sobre o caderno de desenhos que eu segurava com força junto ao peito, como um escudo. "O que é isso, estranha?"

"Não toca nele!" adverti a Lauren, quando ela fez menção de puxar o caderno para si. Porém ela não era do tipo de pessoa que desistia tão facilmente.

"Me dá isso aqui, ET!"

"Não, aí não tem nada que interesse a você!"

"Oh, você consegue falar mais de duas palavras, que chocante, alien! Me dá esse maldito caderno... AGORA!" a loira maldosa gritou a última palavra com triunfo, pois havia conseguido arrancar o objeto de minhas mãos.

Bufei de raiva ao vê-la folheando o caderno de forma violenta, um sorriso cruel crescendo em seu rosto soberbo à medida que os olhos brilhantes passeavam pelas dezenas de folhas cheias de imagens que eu havia rabiscado desde que me mudara de Forks.

"Aw, a estranhazinha gosta de brincar de desenhar. Isso é tão... patético." disse, para logo em seguida arrancar uma folha desenhada, me fazendo soltar um gemido sofrido que arranhou minha garganta. Tentei avançar para tomar o caderno das mãos daquela bruxa adolescente, mas fui impedida pelos dois garotos que a acompanhavam.

"Pessoas como você nunca deveriam se misturar com gente como nós. Quem disse que poderia vir estudar em uma escola normal se você não é normal, estranha?" Lauren perguntou sem me encarar, concentrada demais em puxar e lançar ao vento meus desenhos, espalhando-os pelo chão sujo do corredor.

"Não, não, por favor, não faz isso!" implorei trêmula, sentindo os olhos ardendo de frustração. "Devolve o meu caderno, Lauren, você não tem o direito de fazer isso!"

"Vou facilitar as coisas para você, Isabella, A Estranha. Volta para o planeta de onde você veio, sua ET. Aqui não é lugar para você!" Lauren disparou, terminando de arrancar a última folha de meu caderno e jogando-o no chão de qualquer jeito.

Logo em seguida notei que os garotos não mais me seguravam e desabei no piso imundo, não me importando em ficar de joelhos para recuperar meus desenhos. Meus dedos tremiam enquanto eu puxava as folhas amassadas para junto de mim, formando um bolo de papel sujo e rasgado.

Lauren, cruel e arisca, entendeu meu gesto como mais uma oportunidade para completar seu showzinho de horror e não perdeu tempo de humilhar um pouco mais.

"Ops!" disse ao chutar meu caderno para longe, quando eu fiz menção de pegá-lo. Engatinhei até onde o objeto havia parado, respirando fundo para não engasgar com o choro ao perceber uma das amigas da loira afastando o caderno de mim com os pés.

"Você é divertida, estranha. Podemos fazer isso para sempre?" ela ironizou, empurrando o caderno novamente para longe de mim, aproveitando para pisar em algumas folhas que cruzaram seu caminho. Meu peito doeu e eu senti a cabeça começar a latejar por conta do choro contido.

"Parem, p-por favor." implorei em um fio de voz, já sem forças para lutar contra a humilhação. Talvez eu devesse apenas ficar parada ali no meio e esperar que eles cansassem daquela brincadeirinha nada engraçada.

"Vamos lá, ET, está ficando engraçado!" Tanya incitou, batendo palminhas no ar enquanto sacudia o caderno com os pés bem diante dos meus olhos.

Mas eu estava sem vontade sequer para implorar; só queria que alguém me acordasse e dissesse que tudo aquilo não passava de um pesadelo. Por que isso estava acontecendo? O que eu havia feito de tão grave para provocar tamanha raiva insensata das pessoas? Talvez eles tivessem razão, eu não pertencia àquele lugar, pois nunca entenderia como aqueles garotos e garotas podiam achar divertido fazer mal uns aos outros.

Meus olhos estavam turvos devido ao choro prendia com o pouco de autocontrole que ainda restava em mim; podia jurar que meu coração iria perfurar a pele tamanho o vigor de suas batidas causadas pela dor da humilhação e injustiça que estava sofrendo.

Alguém me leva para casa. Por favor, tirem daqui, eu só quero ir para casa.

"Que merda é essa que está acontecendo aqui?" a voz de Emmett McCarty me tirou do transe e eu ergui os olhos para fitá-lo, rezando para que ele pudesse ser aquele que iria me ajudar.

Eu não aguentaria mais um segundo caso ele se juntasse ao grupo de Lauren para me atormentar.

"Bella? Oh meu Deus, você está bem?" foi a vez de Rosalie surgir em meu campo visual, me fitando com notável preocupação. Ajudou-me a levantar e afagou meus braços com carinho, provavelmente notando a palidez latente que pintava meu rosto.

"Até quando vocês vão achar que esse tipo de brincadeira é engraçada, hein? É cruel tratar as pessoas desse jeito!" Rose rosnou, me abraçando com gentileza.

"Está tudo bem, Bells?" Emmett perguntou de maneira gentil e eu entortei o nariz com medo de desabar no choro assim que abrisse a boca para falar.

"Meus.. d-desenhos, p-por favor..." balbuciei em uma voz retorcida e suspirei alto, tentando engolir as lágrimas e os soluços traidores que insistiam em saltitar para fora.

"Estão todos aqui, não se preocupe." ele murmurou tentando me tranquilizar, guardando os papéis, agora totalmente amarrotados, de volta no caderno sujo de poeira.

"Olhem só para isso, a Santa Rosalie ajudando a estranha da escola. Que tocante!"

"Cala a boca, Lauren! Já chega, eu não quero mais ouvir sua voz e nem olhar para sua cara. Some daqui, agora!"

"Ela é quem deveria sumir da merda dessa escola!" Lauren retrucou apontando o dedo em minha direção. Involuntariamente eu encolhi os olhos, voltando a abraçar meu caderno como se ele fosse um escudo.

"O que ela fez para você, me diz?"

"Essa garota não pertence a isso aqui, não percebe? Ela é estranha, nunca frequentou uma escola regular e ainda por cima agora é amiga de um garoto que matou a própria irmã." de alguma forma, as palavras de Lauren me atingiram como um golpe de faca bem no centro da barriga. Senti meu rosto empalidecer e as pernas fraquejarem, a ponto de quase me derrubarem no chão. Se Rosalie não estivesse me segurando certamente já estaria de cara no piso frio e encardido.

"Some daqui, Lauren! Sumam todos daqui agora! E fiquem sabendo que vou contar o que houve ao diretor!"

"Você é uma tremenda puxa-saco, Rosalie!" Lauren cuspiu.

"SUMAM. DAQUI. AGORA!" Rose esbravejou, lívida de raiva. Algo em seu timbre irado afastou os abutres, que fizeram o caminho contrário ao nosso, rindo alto e cochichando algo que eu agradeci aos céus por não ser capaz de compreender.

"Meu Deus, você está pálida!" a loira que me segurava sibilou, voltando a usar seu tom suave. Tocou em meu rosto frio como um bloco de gelo.

"Acho que é melhor levá-la à enfermaria. Ela está parecendo um fantasma." Emmett sugeriu e eu travei no meio do caminho.

"Não, eu q-quero... ficar sozinha."

"Bella, você não está bem. Talvez seja melhor irmos à enfermaria e-"

"Bella?" uma voz rouca e que constantemente causava reações ao meu corpo tocou meus ouvidos, ao mesmo tempo curiosa e preocupada. Arrisquei fitar o dono daquele timbre de soslaio e avistei uma pequena ruga começando a surgir no vão entre suas sobrancelhas.

Pela primeira vez naquele dia, eu senti uma onda de alívio neutralizando o tremor e o pânico que corriam em minhas veias.

"O que houve?" Edward perguntou e eu voltei a baixar a cabeça, balançando-a de forma negativa, em falso desprendimento.

"Lauren e a sua turminha aprontaram novamente. Eles... ela tomou o caderno de Bella e arrancou todas as folhas. Nós a encontramos caída no chão, enquanto eles zombavam dela." Rosalie explicou, provocando um enorme rubor de constrangimento em minha face.

"Merda! Eu vou... eu vou matá-la!" Edward murmurou, dando um soco na parede, o que acabou me assustando ainda mais. Encarei-o chocada e Emmett surgiu ao seu lado, pedindo para que ele tivesse calma.

"Como você quer que eu tenha calma, Emmett? Bella não fez nada a essas garotas, por que elas insistem em persegui-la?!"

"Isso vai ser resolvido, Edward, vou fazer uma queixa formal ao diretor da escola e Lauren e os amigos serão suspensos!" Rosalie informou.

"Ainda não basta para mim." ele respondeu seco, mas tentou se conter, provavelmente notando meu estado de choque, parada feito um poste no meio do corredor.

"Você está bem?" perguntou se aproximando com cautela, as mãos fechadas em punho como se temesse que eu fugisse caso ele fizesse algum movimento em falso.

"E-eu... só quero sair daqui." consegui murmurar, engolindo audivelmente.

"Você deveria ir à enfermaria, Bella. Ainda está muito pálida." Rosalie insistiu e eu neguei com a cabeça.

"V-vou ficar bem, Rose." disse, sentindo novamente a onda de choro tentar me invadir, forçando a barreira que formei em minha garganta com cada vez mais vontade. "Muito, hum, obrigada."

"Obrigado por ajudá-la, Rose. Emmett." Edward murmurou de maneira sincera e começou a se afastar quando notou que eu tropecei para longe dali.

"Fique bem, Bella." ainda ouvi Rosalie sibilar, porém não fiz questão de responder, já que estava prestes a ter uma crise de choro. Eu estava cega pelas lágrimas e quase não acreditei que havia sido capaz de encontrar o caminho até a biblioteca.

Os passos de Edward atrás de mim eram apressados, urgentes.

Passei pela entrada como um jato, ignorando o cumprimento amistoso de Eve; perambulei meio zonza pelos corredores e parei no penúltimo, escuro e silencioso, arfando como se tivesse corrido uma maratona inteira. Meu corpo inteiro estava dolorido, eu me sentia como se houvesse levado uma surra.

Palavras doíam tanto quanto palmadas. Machucavam a mente e, principalmente, a alma. Havia alguma coisa em minha garganta, um bolo que crescia a cada segundo e que ameaçava me sufocar. Eu queria gritar, até perder a voz se fosse preciso para aplacar o buraco que devorava meu peito com fome.

"Bella" ouvi Edward chamar em um sussurro às minhas costas e mordi os lábios com força, encarcerando um gemido incomodado que arriscava escapar. "Por favor, olha para mim."

Breathe - He is We*

Algo em seu timbre – talvez o pedido desesperado que entrelaçava suas palavras – fez com que meus joelhos fraquejassem; a barreira que impedia o choro de vazar rompeu de uma vez só e sem esperar por uma permissão, eu girei nos calcanhares e corri para seus braços, que, para minha surpresa, me rodearam com a gentileza e o carinho do qual tanto necessitava.

E foi então que libertei toda a raiva, tristeza, frustração e medo que contive com bravura dentro de mim durante aquele episódio que eu gostaria de apagar de minha mente. Chorei alto, um dolorido protesto de meu corpo a tudo que vivera injustamente, sufocando os soluços que emergiam de minha garganta no peito de Edward, que me segurava como se não existissem nada nem ninguém no mundo além de mim.

Por que doía tanto? Por que precisava ferir tanto daquele jeito?

"Shh, Bella, está tudo bem agora. Estou aqui, vai ficar tudo bem. Eu prometo." Edward sibilou quando meus soluços foram diminuindo conforme o choro cessava. Seus lábios roçaram de leve em minha testa, enquanto seus dedos arrastavam-se em minhas costas, em um carinho acalentador que contribuía para que eu me acalmasse.

"Isso... nunca vai acabar, Edward. Eu vou ser para sempre a estranha dessa escola, a garota que não deveria estar aqui por ser considerada diferente." despejei quando fui capaz de murmurar algo coerente, fugando alto e limpando as lágrimas com as costas das mãos.

"Bella, olha para mim e escuta-"

"Não!" interrompi-o, erguendo o rosto para fitá-lo. "Você não vê que isso tudo vai continuar até que eu desista? Bem, eu desisto! Não sou como as garotas dessa escola e nunca serei. Para quê insistir em algo que não vai nos levar a lugar algum? Eu cansei."

"Realmente você não chega nem perto de ser igual a qualquer garota dessa escola, Bella." ele disparou e por um segundo eu engoli seco, sentindo a mágoa voltar a preencher meu coração. Por Deus, não! Não iria aguentar mais nenhuma humilhação, ainda mais da parte de Edward.

Meu corpo estava rígido e eu já começava a me afastar, porém, ele segurou meu rosto com ambas as mãos quando me notou recuar e emparelhou nossos olhos, buscando minha atenção com aquele tom de verde assustador que brilhava em suas íris de forma hipnotizante. Seu polegar acariciou minhas bochechas, limpando um filete de lágrimas que eu voltei a derramar sem perceber e ele me lançou um meio sorriso que deixou meu coração bambo dentro do peito.

"Sabe por que eu disse isso? Porque você é muito mais do que qualquer garota idiota dessa porcaria de escola. É a menina mais doce, meiga e engraçada que eu já conheci. E a mais linda também." Edward sussurrou a última frase e de repente seus olhos recaíram sobre meus lábios secos e trêmulos.

Suspirei fundo ao sentir seus dedos tocando de leve a pele enrugada de minha boca e engoli um soluço; àquela altura, as batidas de meu coração reverberavam de maneira obscena em meus ouvidos.

"Você é linda, Bella." repetiu baixinho, causando arrepios involuntários em minha pele.

Seu nariz encontrou o meu em um carinho suave, temeroso. Nossas respirações se cruzaram e eu logo percebi seu toque lançando ondas de alívio e paz para cada canto do meu corpo. Quando seus lábios cobriram os meus, soltei a respiração de uma vez só, rendida e emocionada. Lágrimas de conforto ainda escorreram por meu rosto, salgando o beijo inocente e foi a minha vez de segurá-lo como se não existisse mais nada no mundo além dele.

Sua boca mal se movia sobre a minha e eu podia jurar que passamos uma eternidade apenas com os lábios colados, experimentando a doce sensação que aquilo causava. Era tudo tão delicado, desde a maneira como seu polegar brincava com a curva de minhas bochechas coradas até o jeito como um de seus braços me rodeava, formando uma prisão segura e aconchegante.

"Oh meu Deus!" ouvi alguém murmurar ao longe, quebrando a aura mágica que nos cercava. Afastei-me atordoada, apoiando as mãos no peito de Edward para voltar a me estabilizar.

Eve nos fitava com ao mesmo tempo embaraçada e consternada. Seus olhos passearam por mim e subiram até Edward e ela lançou um sorriso compreensivo.

"Me desculpe, eu não queria... Bom, é que eu vi como você passou pela entrada bastante alterada, Bella, e achei melhor verificar se estava tudo, hum, bem." ela retrucou sem graça, passando as mãos pelos cabelos de maneira desconfortável.

"Vai ficar tudo bem agora, obrigado por se preocupar." Edward disse e eu escondi o rosto em seu peito, um pouco envergonhada.

"Não foi nada. É, hum, só não posso permitir que vocês fiquem aqui durante o período de aula. Lamento, são as regras."

"Claro, já estávamos de saída. Vamos?" fitou-me e eu mordi os lábios em relutância.

"Eu... não quero ir para aula. Não agora." falei ainda com a voz um pouco embargada. Minha confissão pareceu ter tocado Eve, que me encarou compreensivamente.

"Ok, eu não costumo fazer isso, mas vou abrir uma exceção. Podem ficar por aqui, desde que em silêncio. Matar aula de vez em quando faz bem." Eve riu e me lançou uma piscadela cúmplice.

"Obrigada, Eve." sorri tímida e ela acenou gentilmente antes de voltar ao seu posto na bancada em frente à porta frontal da biblioteca.

Edward escolheu a mesa mais distante da fileira de lugares disponíveis para leitura e nós sentamos, dessa vez um ao lado do outro. Pegou minha mochila e colocou-a na cadeira à nossa frente, enquanto observava o que restara de caderno de desenhos. Mais calma, agrupei as folhas amassadas, passando as palmas das mãos na tentativa de desamarrotá-las; em certo momento, ele segurou meu pulso com extrema delicadeza e passou a fazer o serviço de desdobrar meus desenhos, me dando um riso ingênuo e acolhedor.

Não dissemos uma palavra sequer pelo resto do tempo que ficamos naquela biblioteca, muito mais concentrados na tarefa de recuperar minhas folhas com desenhos, absortas demais na sensação estranhamente familiar que aquilo nos proporcionava. De vez em quando eu arriscava uma olhadela em sua direção e ele me devolvia com um sorriso gentil nos lábios finos.

Foi naquele momento que eu percebi não me importava mais com Lauren e suas amigas maldosas, ou qualquer outra pessoa daquela escola, pois eles não sabiam quem eu era, nem ao menos se deram ao trabalho de me conhecer. Quem verdadeiramente importava para mim era aquele garoto ruivo e de olhar perdido, que de uma forma que eu não conseguia compreender, ganhava vida quando encontrava o meu. Eu sabia agora que tudo ficaria bem, como Edward havia prometido há poucos minutos atrás.

Eu iria ficar bem, pois o tinha ao meu lado.

[...]

Rosalie cumpriu o que havia prometido e denunciara Lauren e os amigos ao diretor da escola; todos eles foram suspensos por alguns pares de dias. Apesar disso, eu não me sentia feliz ou aliviada, diferentemente de meus pais, que acharam essa a atitude mais correta para acabar de vez com aquele fatídico caso.

Como era de se esperar, Renée foi a quem mais reagiu com o fato de eu ter sofrido bullying na escola outra vez. Participou de conversas com a direção da escola, discutiu com Charlie e chegou mesmo a cogitar a ideia de uma nova mudança para outro lugar longe de Forks. Aquilo era tentador, eu não podia negar, mas ao mesmo tempo, bastava que eu cogitasse a possibilidade de ir para longe daquela cidade verde ao extremo, já sentia uma espetada no peito que me dizia que me só me dava a certeza de que eu não poderia ir embora dali. Não agora.

Diante de meus problemas escolares, fora sugerido aos meus pais que procurassem apoio psicológico para me ajudar a atravessar por aquela fase difícil de minha vida. Claro que recusei de todas as formas frequentar um consultório psiquiátrico. Não era eu quem precisava de tratamento e sim quem gastava tempo e energia para fazer maldades às pessoas inocentes.

Minha mãe ainda tentou insistir em me levar para algumas conversas com especialistas, mas meu pai – visualizando um provável confronto entre mim e Renée – interviu, me fazendo agradecer aos Céus por tê-lo sempre ao meu lado, para me ajudar nas horas mais difíceis.

"Sua mãe só quer o seu bem, minha princesa. E ela não vai medir esforços para que isso aconteça." Charlie me disse certa noite, quando nós estávamos deitados no chão de meu quarto observando a luz fina da lua entrando pelas fretas de minha janela entreaberta.

"Eu sei, pai. Queria apenas que mamãe entendesse que eu vou ficarei muito melhor se ela parasse de insistir em me trancafiar em um consultório psiquiátrico como se eu fosse uma pessoa mentalmente perturbada." suspirei, cruzando os braços atrás da cabeça para melhor analisar os pontinhos brilhantes que dançavam no céu de veludo azul escuro.

"Bella, querida, a mamãe pode entrar?" Renée interrompeu minha pequena conversa com meu pai e surgiu no quarto carregado de penumbra, me fitando com um brilho arrependido no olhar. "Será que há um espacinho vago para mim aí nesse chão?" ela perguntou receosa e eu apenas sorri, abrindo os braços como sempre fazia quando era apenas uma menininha de seis anos.

Meu pai abriu um riso largo assim que Renée abriu caminho e se colocou ao meu lado, passando um dos braços ao redor de minha cintura. Plantou um beijo em minha têmpora e sussurrou um pedido de desculpas sincero; foi a minha vez de abraçá-la com força, sentindo as batidas de seu coração ecoando em meu ouvido quando deitei minha cabeça em seu peito aconchegante.

"Você é o meu bem mais precioso, meu anjo. E eu não suporto a ideia de ver você sofrendo novamente." a voz sempre suave de minha mãe escapou embargada e eu apertei ainda mais meus braços em sua cintura.

"Eu amo você, mãe. Me desculpe."

"Desculpar você? Pelo quê, minha querida? Deus, você não fez absolutamente nada do qual precise pedir desculpas!" Renée murmurou, me dando um beijo estalado no alto da cabeça. "Você é tudo que eu tenho nesse mundo, Bella. Por você, eu seria capaz de dar minha vida se isso a mantivesse bem e feliz. Eu te amo, meu anjo."

Voltei a deitar a cabeça no peito de minha mãe e ela enroscou os dedos em meus cabelos, fazendo pequenos carinhos com suas mãos delicadas. Charlie envolveu a nós duas com seu abraço desengonçado, mas muito protetor e ficamos assim pelo resto da noite, observando as estrelas e a lua lá fora brilhando no céu.

Pequenos flocos de neve logo começaram a despencar, apenas pontinhos que dançavam no ar frio da noite e grudavam nas árvores carecas, transformando pouco a pouco toda a paisagem em um grande cobertor branco.

[...]

Todas as minhas lembranças relacionadas ao Valentine's day provinham dos tempos em que eu ainda ocupava um leito na ala de pediatria do hospital geral de Seattle; e ao contrário do que poderia parecer, não eram nem um pouco tristes ou sofridas.

Lembro muito bem de como o dia de São Valentim era comemorado; os enfermeiros enfeitavam os corredores com balões de gás em formato de coração e espalhavam bilhetinhos com palavras de amor e carinho em cada cama de todos os pacientes da ala. Kim e eu gostávamos de fazer tsurus coloridos para distribuir para as crianças da pediatria e eu amava ver no rosto de cada uma delas a felicidade estampada quando recebiam o pássaro animado rabiscado de frases esperançosas e revigorantes.

Charlie costumava preparar surpresas para mim e para Renée nesse dia em especial. Sempre me acordava com uma rosa branca e uma caixa de bombons de chocolate, os quais eu estava liberada pelos médicos para saborear por se tratar de uma ocasião atípica e importante. Passávamos o Valentine's day inteiro juntos, assistindo nossas séries favoritas na tv. No fim do dia, meu pai carinhosamente levava a mim e a mamãe para um jantar na cantina do hospital e eu mais uma vez estava liberada para comer doce e tomar um copo de refrigerante. Eu só tinha esse tipo de autorização para comer e beber porcarias três vezes no ano: no Natal, em meu aniversário e no dia de São Valentim.

Após o jantar com meus pais, eu voltava ao meu leito no fim do imenso corredor da ala de pediatria do hospital, ouvindo meu pai sussurrando a letra de "Little Child" dos Beatles e me rodopiando no ar de um jeito que me fazia rir alegremente.

Eram esses os momentos que me faziam adorar tanto o Valentine's day, principalmente quando Charlie me colocava sobre seus pés e me girava lentamente cantando a letra de uma de minhas canções favoritas de infância.

Naquela manhã fria e preguiçosa de Forks fui despertada pelo som de uma melodia mais do que conhecida que rapidamente içou um sorriso gigante em meus lábios. Tratei de espantar o sono e sentei na ponta de minha cama, cobrindo o rosto corado com as mãos ao notar Charlie ensaiando passos de dança pelo cômodo no mesmo compasso da canção conhecida dos Beatles.

"Little child, little child, little child, won't you dance with me? I'm so sad and lonely, baby take a chance with me…" meu pai cantarolou desafinado e eu gargalhei, sentindo as bochechas aquecidas ao notar seus passos desengonçados riscando o assoalho de meu quarto.

"Vamos lá, princesa, venha dançar comigo." papai pediu, estendendo a mão em minha direção. Sem pensar duas vezes, eu aceitei sua oferta e pulei em seus pés, rindo como a garotinha que eu sempre seria nos braços dele.

"When you're by my side you're the only one. Don't you run and hide just come on, come on. So come on, come on, come on…" cantei fora do tom seguindo meu pai e nós gargalhamos juntos enquanto dávamos pequenas voltas desordenadas por meu quarto ao som da música.

"Feliz dia de São Valentim, princesa." Charlie sorriu e beijou minha testa com carinho, pinicando minha pele com seu bigode espesso. Sorri e abracei-o com força, ganhando um afago desajeitado na cabeça do jeito que eu tanto adorava.

Como sempre, tomamos café juntos, as delícias de Renée enchendo meus olhos – e minha barriga – com um apetite fora do comum. Por se tratar de um sábado, nossos planos para o dia especial consistiam a passeios no parque e uma sessão de cinema no final da tarde. Charlie e eu pulamos na frente de minha mãe e começamos a discutir sobre qual filme iríamos assistir naquele dia.

Acabamos optando por uma comédia, que não faria nem eu e nem Renée chorar e nem meu pai morrer de tédio.

"Dá próxima vez eu juro que vou escolher o filme sozinha. Vocês sequer pediram minha opinião!" minha mãe protestou, se juntando à mesa para tomar café, após preparar uma rodada de waffles com geleia de morango. "Bella, meu bem, por que não convida Edward para ir conosco ao parque?" Renée sugeriu distraidamente e eu senti a comida descer arranhando garganta abaixo.

"Hum... acho que não seria uma boa ideia. Q-quer dizer, o avô de Edward está na cidade e, bem, ele tem passado seu tempo livre ficando com o sr. Cullen." eu informei, baixando os olhos para meu prato cheio melecado de geleia.

"Oh, claro, eu ouvi alguns comentários sobre o assunto. Você já o conheceu, querida?"

"N-não, mãe. O sr. Cullen chegou à cidade há apenas três dias e, bom, como Edward e eu não nos falamos desde o que houve na semana passada, eu ainda não conheci seu avô."

Não havia sido de propósito, apenas uma infeliz coincidência o afastamento natural que ocorreu entre mim e Edward após o incidente com Lauren. Eu fiquei ocupada demais tentando convencer meus pais, o diretor e a assistente social da escola de que estava bem e não precisava de qualquer auxílio para superar aquele trauma. Por sua vez, ele foi obrigado a faltar um dia de aula, para visitar a mãe na clínica onde ela estava internada.

Nos encontramos algumas vezes, além das aulas que tínhamos em comum, e ele me contara que seu avô chegaria naquela semana. Eu nunca o vi tão feliz quanto naquele dia, seus olhos brilhavam e um sorriso constante dançava em seus lábios. Após isso, eu apenas o encontrava durante as disciplinas que fazíamos juntos e trocávamos pouco mais do que meia dúzia de frases e piadinhas cúmplices que nos deixavam rindo como dois bobos.

Eu sentia uma tremenda falta de Edward e de sua presença constante ao meu lado, além do modo como ele me deixava segura e me transmitia paz. Muitas vezes cheguei a cogitar deixar algum tipo de mensagem em seu perfil no Facebook, porém era covarde demais e sequer tinha coragem de adicioná-lo como meu amigo na rede social, mesmo sabendo que ele já era meu amigo na vida real.

"Pronta para irmos, princesa?" Charlie chamou, me tirando do devaneio que eu quase sempre mergulhava quando o assunto em questão era Edward.

"C-claro, pai, eu vou escovar os dentes e tomar meus remédios. Volto em cinco minutos." disse, subindo as escadas correndo.

Entrei em meu quarto e peguei o celular que estava jogado em cima da cama, digitando uma mensagem rápida, sem ao menos saber o que estava fazendo. Edward e eu havíamos trocado nossos números de telefone em um dia monótono de aula e passamos metade do tempo digitando e enviando sms um para o outro. Quase fomos pegos quando eu ri alto demais de uma piada que ele havia me mandado e nós encerramos nossa troca de mensagens de texto por ali.

E agora eu estava escrevendo qualquer coisa que pudesse enviar a ele para lhe informar de que fazia falta em minha vida.

Hey, como estão as coisas? Espero que bem. :) Acho que a gente se vê na segunda. Divirta-se com seu avô. Beijos, Bella. PS: eu sinto sua falta.

Antes que pudesse me arrepender do que estava fazendo, cliquei no botão de enviar e larguei o celular de volta na cama, saindo do quarto sem olhar para trás. Passei no banheiro, escovei os dentes e tomei meus remédios, voltando a correr enquanto descia as escadas.

Estava arfando ao chegar ao andar debaixo e precisei convencer minha mãe de que estava tudo bem e que não estava me sentindo mal. Nós saímos para o passeio no parque e eu tentei com todas as forças ignorar o impulso de dar meia volta e buscar o celular que ficou abandonado em minha cama, esperando por uma resposta de um certo garoto ruivo de cabelos amarrotados que vivia constantemente rondando meus sonhos.

[...]

Fora um dia divertido. O passeio no parque e a ida ao cinema haviam sido engraçadas e ao final do dia eu sentia minha barriga dolorida de tanto rir do jeito descoordenado de minha mãe e de sua interação com meu pai. Eles eram tão diferentes, mas ainda assim – de alguma forma – se completavam. Era lindo poder ver o amor de ambos tão vivo e forte a cada dia que passava.

"E então, as duas madames aceitam jantar fora comigo nessa noite especial?" Charlie perguntou assim que chegamos à nossa casa. "Fiz reserva no melhor restaurante da cidade!"

"Oh querido!" Renée exultou de felicidade, batendo palminhas no ar como uma criança feliz. Eu ri alto quando ela abraçou meu pai pelo pescoço e beijou-o no rosto com carinho.

"E então, minha criança? Não está feliz com a novidade?" perguntou Charlie.

"Hum... eu acho que vou recusar o convite essa noite, pai."

"Como, Bells?" ele insistiu confuso e eu franzi o nariz de forma cansada.

"Foi um dia maravilhoso e eu estou exausta, sabe. Prefiro ficar em casa, se não se importam."

"Bom," meu pai coçou a cabeça, um pouco surpreso com minha reação e eu notei o olhar tristonho de Renée. "vou ligar para o restaurante para ver se posso transferir nossa reserva para a semana que vem, quem sabe-"

"Não!" eu gritei, segurando-o pela manga de sua camisa quando ele já se preparava para pegar o telefone. "Eu tenho uma ideia melhor: por que você e a mamãe não vão jantar essa noite?"

"E deixar você sozinha, Bella?" minha mãe retrucou, quase ofendida.

"Mãe, escuta, eu não sou mais uma criancinha de seis anos. Posso muito bem sobreviver a algumas horas sozinha em casa em um sábado a noite. Além do mais, é Valentine's day, você e papai merecem uma comemoração especial. Por favor, vão ao jantar. Eu prometo que vou ficar bem."

"Você tem certeza?" Renée perguntou, segurando meu rosto entre as mãos e me fitando com atenção.

"Tenho seus celulares, juro por Deus que ligo se algo acontecer."

"Promete que vai ligar e não tentar resolver as coisas do seu jeito primeiro?"

"Mãe-" rolei os olhos e deixei os ombros caírem para frente, o que fez Charlie gargalhar e Renée dar um tapinha estalado em minha bunda.

"Anda, deixe de conversa mole e me ajude a arrumar algo para vestir! Não temos muito tempo." ela murmurou em meu ouvido e eu abri um amplo sorriso, seguindo-a animada rumo ao seu quarto.

Era deveras divertido ajudar minha mãe a se vestir para um jantar de dia dos namorados com meu pai; demos boas risadas enquanto eu a auxiliava na maquiagem, mesmo sabendo que não levava o menor jeito naquele assunto.

Passava das 6 da tarde quando nós descemos, encontrando Charlie já impaciente à nossa espera. Seu olhar brilhou como o de um menino apaixonado quando pousaram na figura de minha mãe e eu me senti como um pequeno cupido ao convencê-los a ter um momento apenas deles naquela noite.

Meus pais partiram logo em seguida, com mamãe gritando seus conselhos e me fazendo prometer pela milionésima vez que eu iria ficar ligar ao menor sinal de perigo. Fechei a porta atrás de mim, me certificando de girar a chave duas vezes, e subi de volta ao meu quarto.

Apenas naquele momento eu voltei a lembrar de meu celular, que permanecia pacientemente acomodado sobre minha colcha de cama. Trêmula, eu o peguei, sentindo as borboletas agitadas em meu estômago ao notar o alerta de nova mensagem brilhando no visor.

Eu também sinto sua falta, Bella. E mal posso esperar pela segunda. ~ Edward.

Meu coração batia aceleradamente e eu tinha o sorriso mais estúpido e bobo grudado no rosto. Reli a mensagem algumas dezenas de vezes, suspirando como uma idiota, sentindo uma alegria extrema com aquelas poucas palavras.

Ainda bêbada de felicidade, eu peguei meu novo caderno de desenhos que havia ganhado de Charlie há algumas noites atrás e sentei na borda de minha janela, analisando os raios solares laranja e púrpura se embrenhando pouco a pouco entre os galhos das árvores carecas e cobertas de gotas de orvalho. Fiquei algum tempo ali, rabiscando o movimento suave da madeira pontuda e a forma como as sombras acompanhavam o sol morrendo no horizonte.

Estava totalmente distraída e fui pega de surpresa quando notei uma figura apressada cruzando o caminho de paralelepípedos da entrada de minha casa. O cão enorme ao seu lado cheirava tudo que encontrava pela frente e foi amarrado em um tronco de árvore em frente à varanda, enquanto seu dono parecia travar uma batalha consigo mesmo, ora avançando, ora recuando um passo em direção à campainha.

"Edward..." eu sussurrei, imediatamente largando o caderno no chão e voando pelas escadas até térreo. Por pouco não tropecei em meus próprios pés, tamanha ansiedade que me corroía por dentro.

Abri a porta arfando e o encontrei igualmente ansioso. Seu olhar brincou com o meu por alguns segundos e eu notei a urgência crescendo em suas pupilas. Ao fundo, Max tentava roer a coleira que o prendia e eu não pude deixar de rir ao vê-lo ficar cada vez mais aborrecido por não conseguir se libertar.

"Oi!" Edward murmurou chamando novamente minha atenção. Sorri.

"O-oi!"

"Hum, me desculpe por aparecer assim de repente, Max e eu estávamos passeando e eu achei que seria legal passar aqui e te dar um oi e-"

"Oh..." fui tudo que consegui responder, quando suas palavras morreram no ar com um arfar alto.

Edward me fitou por alguns instantes no mais absoluto em silêncio e eu podia jurar que o vira abrindo e fechando a boca como se tentasse me dizer algo, mas não tinha coragem de fazê-lo.

"B-bom, é isso, eu tenho que ir agora." ele disse de repente, se afastando. Encarei-o confusa, não entendendo nada daquela visita inesperada e tão breve.

"Edward... está tudo bem?" chamei-o preocupada e isso o fez parar e se voltar para mim novamente.

"Bella, e-eu.. Bem, o que eu queria dizer era que.." ouvi-o bufar irritadiço e passar as mãos nos cabelos com raiva. Deu um passo à frente de modo que nossos olhos voltassem a ficar emparelhados. "Ok, eu vou dizer isso logo de uma vez. Bella, nós... não podemos mais ser amigos. Eu não aguento mais."

Era como se eu tivesse levado um tapa certeiro no rosto. Senti o sangue sumir de minhas bochechas e os lábios começarem a tremular com força. Engoli seco para tentar ser o mais corajosa possível para enfrentar mais uma decepção. A maior de todas.

O que o havia feito mudar de ideia? Em um instante ele estava ali, ao meu lado, prometendo que tudo iria ficar bem e agora simplesmente estava dizendo que não aguentava mais ser meu amigo.

Eu não conseguia entender.

"E-eu... bom, e-eu prometo que não falarei mais com você na escola. Vai ser como se eu nunca tivesse existido, Edward." murmurei visivelmente magoada. "Se era só isso que você tinha para me dizer, eu preciso ir agora. Com licença."

"O quê? Não, Bella, não é nada disso!" me segurou pelo pulso e fechou a porta atrás de mim, de modo que não tivesse como escapar, já que ele estava à minha frente.

"Então é o quê, Edward? Você acabou de me dizer que não aguenta mais ser meu amigo e-"

"Bella, me escuta!" pediu, tocando em meu rosto de maneira gentil. Tentei recuar, mas ele passou a ponta do polegar em minhas bochechas, fazendo-as corar e me deixar minha pele arrepiada. "Eu não paro de pensar em você um minuto sequer. Estou começando a acreditar que enlouqueci, porque tudo que faço invariavelmente me leva a você."

Prendi a respiração ao ouvi-lo dizer aquelas palavras e baixei a cabeça, fitando meus próprios pés. Senti seus dedos deslizando por meu queixo e me obrigando a erguê-lo, para que assim eu voltasse a olhá-lo. Um sorriso torto brotou em seus lábios e eu notei meus joelhos fraquejarem de leve.

"Quando disse que não podemos mais ser amigos é porque eu não suporto a ideia de ser apenas isso, Bella. Eu quero mais." ele sussurrou, devolvendo uma mecha de meu cabelo para trás de minha orelha, sorrindo de maneira receosa. "Eu quero mais disso," voltou a tocar em minhas bochechas, deixando um rastro de calor por onde suas digitais passavam. "Mais disso," seu nariz tocou o meu de leve, em um carinho suave e delicado. "E principalmente, eu quero mais disso aqui." E ele calou um gemido de rendição ao tomar meus lábios com os seus.

Ele me beijava com tanta ternura que eu precisei enviar avisos constantes ao meu cérebro para informar a mim mesma de que aquilo estava mesmo acontecendo e que não era mais um sonho. Mas a forma como sua boca se moldava perfeitamente à minha tratava de me assegurar de que era tudo a mais pura realidade.

Quando nossos lábios se separaram, de maneira relutante, Edward me abraçou com força e afagou meus cabelos, roçando a boca vez ou outra em minha testa, gentil e delicadamente.

Arrisquei fitá-lo e notei um gigantesco riso brilhando em seu rosto, que me fez sorrir em resposta. Ele me deu um rápido beijo na bochecha e escorregou novamente os lábios para junto dos meus, sugando o restinho de ar que ainda havia em meus pulmões.

"Quer namorar comigo, Bella?" ele perguntou, a boca parcialmente grudada na minha, enquanto nós partilhávamos uma risada alegre.

"Como?" rebati temendo ter ouvido errado.

My Girl - The Temptations*

"Eu não posso mais ser seu amigo. Já disse, quero muito mais do que isso." apertou minhas mãos nas suas e acariciou as palmas distraidamente. "Então, eu repito: quer namorar comigo?"

Eu o encarei por alguns segundos no mais absoluto silêncio, ao mesmo atordoada e maravilhada com o momento. Por fim, puxei seu rosto para junto do meu, com nossas mãos ainda unidas, e voltei a beijá-lo, roçando nossos lábios seguidas vezes até fazer cócegas.

Ele gargalhou e eu o acompanhei, sentindo meus pés prestes a criarem asinhas e flutuarem no ar pesado da noite que começava a cair.

"Sim."

"Sim, o quê?" ele perguntou, me atiçando, e eu revirei os olhos, fazendo rir alto. Eu amava o som de sua risada e poderia escutá-la para sempre.

"Sim, eu quero ser sua namorada." falei baixinho e ele apontou para os ouvidos, como se não tivesse entendido.

"Me desculpe, eu não ouvi o que você disse, pode repetir mais alto dessa vez?"

"Sim, eu quero ser sua namorada!" gritei e logo em seguida senti meu corpo ser içado no ar. "Oh, meu Deus, você vai me deixar cair!" murmurei apavorada, apertando os dedos em seus ombros com força.

"Nunca. Eu nunca vou deixar você cair, Bella." ele sibilou, voltando a me beijar, com mais vontade dessa vez, porém mantendo o ritmo doce de sempre. Me rodopiou várias vezes e cada vez que fazia isso, eu emitia pequenos gritinhos que subiam pelo ar e sumiam por entre os galhos das árvores do jardim.

E ali estava eu, nos braços do garoto que mexia com cada pequeno pedaço de minha pele e literalmente me fazia voar.

[...]


Guardem as tochas, ancinhos e os bonequinhos de vodu, porque vocês não precisam mais disso. Viu como tudo ficou bem no final? Awwww, Bellinha e Edward são oficialmente namorados *soltando fogos de artifícios ao som de Teenage Dream*

Agora vamos falar de coisa séria. O bullying que Bella sofreu infelizmente não é algo que fica apenas na imaginação da autora maluca aqui. Acontece todo o santo dia, a cada hora. Quem aqui não conhece um caso ou quem sabe até já passou por uma situação como a da Bella? É importante saber que não se deve nunca calar e acatar esse tipo de humilhação. É preciso falar, para que as pessoas como a Lauren e os amigos sejam punidos pelo que fizeram! Quem se cala acaba sendo conivente com esse tipo de atitude repugnante.

Se alguém aqui já sofreu ou está sofrendo com casos de bullying ou conhece alguém, se caso se sentirem à vontade, usem as reviews para se expressarem. O espaço é todo de vocês!

Bom, agora me contem o que acharam? Quero saber tudo!

Quanto mais reviews, mais rápido um novo capítulo chega para vocês. Me empolguem me dizendo o que acharam que eu volto aqui rapidinho!

É isso, a gente se vê. Fiquem com Max, Edward e Bellinha em sua fofura extrema.

Até mais,

beijo, beijo,

Cella!

ps: todos os links das músicas em negrito nesse capítulo estão no tumblr da fic: teachmehowtobelieve (ponto) tumblr (ponto) com

Vale a pena ouvi-las enquanto leem o capítulo :*