Todo o dia é a mesma coisa, e sinceramente será assim por toda minha vida. E eu estou muito bem assim, isolada de todos que um dia poderão me fazer sofrer. E qual é o grande motivo para a Alice Avilla virar essa pessoa desprezível, simples...? A porcaria chamada amor. Por que esse sentimento existe? Para nos fazer ir às nuvens e logo depois cair no buraco mais profundo? Só não entendo o porquê das pessoas ficarem tão felizes em estarem apaixonadas se sabem que irão cair um dia, menos dia. Eu aprendi isso de uma forma nada boa, mas pelo menos aprendi antes que fosse pior. Pior? Como?

Eu poderia ter tido ataques de loucura, poderia estar internada em clínicas ou até mesmo poderia ter tentado matar a quem me fez sofrer. Porém eu fiz a coisa certa, afastei-me de todas as pessoas do mundo e vivo a vida inútil que tenho.
Amigos? Nunca tive, e se tive foram amigos que apenas se importavam pelo meu bem material. Eu e minha mãe mudamos de cidade pela quinta vez em dois anos, talvez ela faça isso para se livrar das mágoas que atormentam o seu coração, mas prevejo que daqui alguns meses nos mudaremos novamente. E como eu não tenho ninguém para me despedir e nada para deixar para trás, isso não faz a mínima importância para mim.
Como sempre mudo de cidade, mudo de escola também e não suporto todos aqueles olhares sob mim. O que será que eu tenho demais?
Gostaria que as pessoas olhassem para os seus próprios narizes e me deixassem em paz no meu canto, mas isso parece um pouco impossível.

— Tchau Mãe. — abri a porta do carro, mas a ouvi gritar meu nome, voltei até o banco do carona — O que é? — Te amo minha filha... Se cuide. — Me abraçou e eu apenas revirei os olhos, odiava todo esse sentimentalismo que minha mãe tinha, era asqueroso.