Ian Kabra estava completamente entendiado. Ele era Lucian, isso era óbvio, mas ainda assim a aula de Geografia era completamente monótona! Por que saber de relevo? Só não bastava saber que ele morava em Londres?

Ian odiava Geografia. Odiava a sua escola. Odiava os seus colegas. Odiava a sua vida.

Esse pensamento fez o Kabra tremer. Como ele podia odiar a sua vida? O que tinha acontecido com ele? Há meses atrás, ele nem chegaria a considerar esse pensamento: ele tinha tudo. Tinha dinheiro, poder, e o amor de todas as meninas que passavam por ele. Ele considerava sua vida como maravilhosa e bastante magnífica.

Então a sua mãe foi presa. Isso detonou-o por dentro, completamente. Ele conseguia ouvir Natalie - a irmã mais durona - chorar todas as noites por causa da mãe.

Isabel não merece uma lágrima sequer vinda de Natalie.

- Ian Kabra, poderia, por favor, responder a pergunta? - o professor - o Sr. Cala-a-boca-ou-toma-detenção - chamou a atenção de Ian.

Pergunta? Ele fez uma pergunta? Ian pensou apreensivo. Ele sempre fora um aluno exemplar, mas a sua cabeça estava em outro lugar esses dias.

- Poderia, por obséquio, repetir a pergunta? Acho que não compreendi muito bem. - Ian respondeu calmamente. Sua máscara Lucian.

O professor sorriu amarelo e repetiu a pergunta:

- Qual é o rio mais extenso do Reino Unido?

Ian xingou baixinho a maldita pergunta e tentou lembrar-se:

- Creio que é o Rio Fâmisa, senhor.

Ian ouviu algumas meninas suspirarem levemente e comentarem: "Como ele é inteligente!", e rolou os olhos. Baba-ovos.

O professor riu sarcasticamente e encarou o Kabra com olhos brincalhões. Ian percebeu uma onda de calor vindo em seu rosto. Ele tinha errado?

- Ah, Ian... Errou em uma letra: Tâmisa. E eu pensando que você conhecia a hidrografia... Que decepção.

Ian ouviu quando algumas meninas sussurraram: "Oh, que pena. Mesmo assim, continua sexy".

Isso não melhora a minha auto-estima.

Ian encarou as próprias mãos, confuso. O que estava acontecendo? Quando as meninas flertavam com ele e o elogiavam de várias maneiras, ele sempre abria um sorriso brilhante e totalmente irresistível. Por que não o fazia agora?

- Muito bem, classe. - o professor retomou a aula, após a pequena cena. - Tenho um anúncio.

Ian ajeitou-se na cadeira. Precisava continuar com a postura superior dos pobres ao seu redor.

- Um trabalho internacional neste exato momento está sendo feito nos Estados Unidos, em Nova York. - algumas pessoas levantaram uma sobrancelha. - E iremos fazer parte dele, como o trabalho do 3º bimestre de vocês.

Vários alunos viraram para o lado e comentaram sobre a proposta do professor, o que fez o professor pedir silêncio para prosseguir com a explicação.

- Todos vocês receberão agora uma espécie de carta dos nossos amigos americanos, convidando a pessoa que receber a conversar semanalmente - o momento em que vocês estregarão a réplica para mim. Vou destribuir agora as cartas. - o professor abriu sua maleta que continha em torno de vinte folhas - algumas rasgadas ou amassadas - e começou a destribuir pelos alunos. - Lembrem-se: para isto funcionar, não podem assinar com o próprio nome, e sim com um pseudônimo, assim como os americanos fizeram.

Ian fez uma careta assim que viu uma folha do colega ao lado cheia de restos de café. Arg, americanos. Ele não esperava muito do estado da sua folha, quando percebeu como foram tratadas o resto. Porém, quando o professor entregou a dele, a folha estava em perfeitas condições e com uma letra magnífica - bastante diferente das cartas dos outros.

Tratou de lê-la.

"Olá amigo britânico,

Ao me deparar com a ideia de ter um amigo do outro lado do mundo, espero ser a mais amigável possível.

Bem, já que não posso escrever meu verdadeiro nome, pode me chamar de Julieta. Sempre achei o nome lindo e pretendo usá-lo em todas as futuras cartas.

Primeiro deixe-me conhecê-lo melhor. Quais são os seus esportes favoritos? Tipos de música? Gosta de ler? Quais livros você já leu?

Enfim, fale sobre você. Não sou muito boa de assunto.

Com carinho,

Julieta."

Ian sorriu. Sua remetente era uma garota. Aquilo poderia ser... Interessante em vários aspectos.

"Olá Julieta,

Pode chamar-me de Romeu, por dedicatória da peça "Romeu e Julieta" que creio que você conhece.

Também não sou bom em puxar assunto com uma menina-

Totalmente mentira. Ian sabia como encantar e fazer as meninas comerem em sua mão.

- então prefiro responder as suas perguntas.

Meus esportes preferidos são Pólo e Rúgbi - espero que não os ache um tanto indelicados. Adoro música clássica, acho-a bastante acalmante. Adoro ler, e meus livros preferidos são todos os clássicos que você pode imaginar: Hamlet, O Natal de Poirot, Romeu e Julieta (um tanto óbvio), Ilíada, Odisseia, Édipo Rei, Orgulho e Preconceito, entre muitos outros.

Agora fale-me sobre você. Gosta de ler também? Quais livros você aconselharia para uma pessoa como eu?

Espero ancioso pela sua resposta,

Romeu."

Ian abriu um sorriso malicioso quando viu o resultado da carta.

Julieta, tente resistir aos charmes de seu Romeu.

Levantou-se e foi até a mesa do professor, estendendo a carta.

- Mas já? - o professor perguntou surpreso.

Ian deu um sorriso brilhante.

- Acho que me empolguei demais.

Então o professor pegou a réplica dispensou Ian. Dentro de si, Ian aguardava mesmo ansiosamente a réplica de sua Julieta. Ele sentia que algo bom iria acontecer.

Ou seria só uma impressão?


^^ Eu tive essa ideia hoje na aula de Português e acho que ela vai ficar bem legal.

Enfim, não esperem muito o outro capítulo porque eu ainda tenho Recordações para atualizar.

Com amor,

~CaahT39C

P.S.: essa fanfic não terá nada a ver com o filme Cartas Para Julieta, mas acho que vocês entenderam porque se chama assim.