Objetivo

Não havia mais ninguém com ela.

Eu lembro como eu a conheci, totalmente sem idéia do que ela poderia vir a ser. Ela é a menina que eu procurava por tanto tempo. Naquele dia de verão, em que ela estava de férias, nos encontramos em frente ao grande oceano azul cintilante. Ela parecia um anjo, jurava que ela tinha asas. Ela quase podia voar alto no céu.

Misuzu... A gentileza dela era algo que eu nunca tinha visto antes, era tão clara quanto seus cabelos, nenhuma malícia transparecia em seus sorrisos. Ela era ingênua e inocente. Sinto-me culpado por tê-la tratado mal na primeira vez em que nos encontramos. Que bom que ela foi persistente e teimosa a ponto de ficar me seguindo o tempo todo. Quem diria que ela era a menina que eu procurava incessantemente.

"No outro lado desse céu, existe uma garota com asas."

É engraçado como o destino pode ser cruel com as pessoas mais bondosas. Não posso acreditar no fim que Misuzu levou, depois de viver a vida sozinha e triste. É como se ela não tivesse ninguém, antes de eu aparecer. Ela se apegou a mim, como se não existisse mais ninguém. Nem sua própria mãe - que não era sua mãe de verdade, mas tinha a função de cuidar dela – nem ela estava lá para lhe fazer companhia. Misuzu estava sempre sozinha.

Apenas continue sorrindo.

Quando eu fui "embora", logo me arrependi, pois descobri que minha felicidade era apenas ficar ao seu lado, por isso continuei. Ela... Ela sabe, ela sabe disso. Eu estou sempre junto dela, onde quer que ela vá. Vou encontrá-la pelo imenso céu.

Agora ela se foi, seu objetivo foi cumprido. Todo esse sofrimento um dia será recompensado, Misuzu. Enquanto as lágrimas de sua mãe caiam em seu rosto, ela voava de volta à imensidão que rodeia todos os planetas, a fim de recomeçar o ciclo que foi tão dolorido a passar.

Eu... fiz o meu melhor, por isso, é o bastante, certo?

Misuzu não é mais Misuzu. Agora ela é a garota com asas. E eu vou abrir as minhas para encontrá-la no azul infinito. Afinal, eu a encontrei na terra, posso a encontrar no céu também, guardando a memória das estrelas.

Não vou deixá-la sozinha de novo.