Do Contra virou adulto – parte final

AVISO: a cabeça do Do Contra é muito complexa para nós meros mortais, então foi feita uma versão simplificada onde a maioria das coisas NÃO estará ao contrário.

Muita coisa tinha mudado nesses anos. Muitos amigos se distanciaram e perderam o contato com a gente, as crianças cresceram e a mais triste e trágica novidade foi a morte de Fernanda.

Nimbus ficou simplesmente desolado, Jake era muito novo quando Fernanda morreu então ele não sofreu do mesmo jeito do pai. Levou um bom tempo até ele se recuperar e ele nunca nós contou como a minha cunhada tinha morrido, eu também não o pressionei. Nimbus sempre tinha sido muito apegado às pessoas que ele amava, quando acontecia uma coisa dessas ele ficava muito abalado e quieto. Eu sabia que se perguntasse ele não me contaria e se fecharia ainda mais. Jake e Rony o ajudaram muito nesse tempo. As crianças eram as únicas que conseguiam fazê-lo sorrir, especialmente Jake.

Depois de ter se recuperado da perda Nimbus voltou a ser como era. Até ensinou a Jake aquele irritante truque de puxar as pessoas da cartola. O menino achou o máximo e depois que aprendeu ficou puxando Rony dia sim, dia não. E era eu que tinha que ir buscá-la depois.

Falando em Rony, ela era uma menina muito sapeca. Sempre inventava alguma coisa nova, e ainda puxava Jake para o mau caminho. Não tenho nenhuma vergonha de dizer que eu também entrava no meio, mas o que vocês queriam que eu fizesse? Não era todo o dia que a gente podia voltar a ser criança e tramar um montão de peças em cima dos monstros e da sua esposa. E além do mais, era muito melhor para Rony e Jake se eles aprontassem sob a supervisão de um adulto "responsável".

Aqueles dois pestinhas eram cheios de imaginação, sempre inventavam uma brincadeira nova. Eu ainda lembro quando Rony quis brincar de castelo. Eu era o dragão, Jake era o mago, ela era o cavaleiro e Angel era a princesa. A história era bem simples, a princesa tinha sido seqüestrada pelo mago, que a trancou em uma torre bem alta (nesse caso uma árvore) onde ela era guardada por um terrível dragão. O cavaleiro tinha que salvá-la antes do almoço e matar o mago.

Aquela foi uma das brincadeiras mais elaboradas e detalhadas que ela tinha inventado aquele mês. Angel tinha feito pra Rony uma malha feita de anéis de lata de refrigerante. Jake ganhou um chapéu pontudo e uma capa feita com um lençol de bolinhas e minha roupa de dragão foi um monte de caixas empilhadas. Foi mais uma espécie de teatrinho e o povo do cemitério se sentou a nossa volta e assistiu tudo.

No final Rony me derrotou com um balde de água e teve uma cena bem emocionante com Jake, ele acabou morrendo com uma espada de papel. Angel desceu da árvore bem teatralmente e abraçou Rony antes de perguntar:

-E agora corajoso cavaleiro, o que nós faremos?

-Bela princesa, o seu príncipe não sou eu.

Jake levantou a cabeça para narrar:

-Foi então que o corajoso cavaleiro tirou do bolso um brigadeiro mágico e o jogou na boca do terrível dragão. Este se transformou num príncipe encharcado e o cavaleiro o levou até a princesa.

Essa é a minha parte favorita:

-Esse é o seu príncipe bela princesa. – Rony disse me empurrando para frente de Angel, eu a abracei e as duas sorriram, eu pude ouvir alguém chorando de emoção na platéia (provavelmente a Dona Morte).

-Muito obrigada nobre cavaleiro. Mas o que será de você?

-Quando vocês se casarem vocês podem me adotar e vamos ser felizes para sempre.

Jake continuou a narrar:

-O cavaleiro tirou do bolso outro brigadeiro e o deu para o mágico. Ele ressuscitou e fez as pazes com todo mundo. O príncipe e a princesa se casaram e como combinado adotaram o cavaleiro, os três viveram felizes para sempre.

-E o mago? – alguém da platéia perguntou.

-Ele foi passar umas férias na Jamaica e mandou um postal.

Todos explodiram em aplausos e todos nós fizemos uma reverência.

Pois é... Rony era cheia de ideias maravilhosas.

Como todo mundo já sabe eu trabalhava na escola e fiquei super feliz quando chegou a hora de Rony começar a estudar, sempre ia ver ela no trabalho e ia ser eu que ia levá-la e trazê-la de volta pra casa. Angel estava tão acostumada de ficar em casa com Rony que quase teve uma crise de choro quando soltou a mão dela na porta da sala de aula.

Jake não entrou na mesma escola, mas isso não afastou os dois. Rony não fez muitos amigos na escola, mas não era culpa dela. Ela só era diferente demais pro gosto das outras crianças.

Eu gostava de pensar que se os filhos do resto da turma estivessem lá as coisas seriam diferentes, mas não dava pra saber com certeza. Cascão tinha casado com uma mulher inglesa e os dois moravam na Europa, eu não sabia se eles voltariam um dia. Mônica e Magali também se afastaram, se mudaram para partes diferentes da cidade e até Xaveco tinha se distanciado. Todos estavam longe e nem se conheciam mais, eu estava começando a me preocupar com Rony.

Ainda bem que Jéssica, a filha de Isa e Luca, era da mesma sala de Rony. As duas ficaram muito amigas e eu vi que Rony ia ficar bem. Ela não era aquele tipo de menina que gostava de ficar cercada por milhares de pessoas falsas, uma amiga de verdade era o bastante pra ela. E ela ainda tinha o Jake nos finais de semana.

Angel escreveu outro livro: "Criando mais uma idealista". Fez um sucesso maior que o primeiro. Nimbus nunca mais pensou em namorar, ele tinha se conformando com a morte de Fernanda, mas nunca ia conseguir substituí-la. Eu continuei dando aula e continuei de olho em Rony.

Eu e Angel tratamos de ensinar a ela tudo o que precisava saber (*tá na parte 1, pra quem não sabe) e ela continuou crescendo e se tornando uma pessoa maravilhosa e especial.

Com treze anos ela inventou de cortar os cabelos bem curto e Angel quase teve um treco. Eu achei que ficou bem legal, tinha estilo e personalidade, duas coisas que ela já tinha de sobra. Ela gostou tanto do novo penteado que nunca mais deixou os cabelos chegarem nos ombros. Foi nessa época também que Jéssica mudou de escola e Rony arranjou uma nova amiga chamada Regina.

Atualmente ela está linda, não é tão parecida com Angel como eu gostaria, mas isso não a deixa menos bonita. Pelo contrário, Angel sempre teve aquela beleza que se via de cara, tinha aquele jeito misterioso e enigmático que me deixava louquinho. Rony não é assim. Cada vez que se olha pra ela você uma coisa nova, uma coisa que a deixa mais bonita. Ela não é misteriosa, muito pelo contrário. Rony é um livro aberto, sempre sei quando ela está triste ou alegre, quando ela quer me contar alguma coisa e quando ela quer contar alguma coisa pra Angel e não quer que eu saiba (mulheres...).

Uma das coisas que eu mais gosto em Rony é o sorriso, porque quando ela sorri a gente também fica com vontade de sorrir, com uma sensação morna e aconchegante por dentro. Dá vontade de ficar o tempo todo perto dela. A outra coisa é a personalidade, ela não fala tudo ao contrário que nem eu, mas também não fala tudo igual aos outros. Ela tem um estilo próprio e alegre. Também tem um senso admirável de lealdade e justiça.

Por causa deles que ela foi expulsa do colégio.

Quando a diretora me chamou aquele dia eu pensei que ia levar outra bronca por montar a bateria na sala de aula, mas não. Eu entrei na sala e lá estavam Rony, Regina e Pedro, um ex-aluno meu. Pedro, coitado estava em estado lamentável.

-O que aconteceu? – eu perguntei me sentando.

-Verônica entrou numa briga de novo. – a diretora respondeu.

-De novo minha filha?

-A culpa não foi minha pai, o Pedro chamou a Regina de idiota e não quis pedir desculpas!

Pedro baixou a cara tentando esconder a vergonha e o olho roxo.

-Eu falei pra ela não fazer isso seu Do Contra, mas ela não me escutou. – Regina respondeu cheia de remorso.

-Que surpresa! – Rony nunca escutava ninguém, nem mesmo eu e Angel, quando o assunto era parecido com esse.

-Eu vou ligar para os seus pais Pedro e dizer que você está de suspensão, pode sair agora. – a diretora disse e Pedro saiu arrastando os pés. – Regina, você já me contou o que aconteceu então pode voltar pra aula.

Ela trocou um olhar cheio de remorso com Rony e saiu. A diretora se virou pra gente e Rony cruzou os braços.

-Já é a terceira vez que isso acontece Verônica e vocês dois conhecem as regras. – meu sangue gelou e Rony apertou os punhos com força. – sinto muito, mas isso quer dizer que você está expulsa.

-O quê? – perguntamos ao mesmo tempo.

-Não tem nada que a gente possa fazer? – eu perguntei me inclinando pra frente. – e se ela trabalhar de voluntária arrumando as salas que nem da última vez?

-Me desculpe Do Contra, mas eu tinha avisado que isso ia acontecer se ela brigasse de novo. Verônica não vai se salvar da expulsão só porque você trabalha aqui. – então ela se virou pra Rony. – eu sei que você tinha boas intenções Verônica, mas o fim não justifica os meios e essa escola não aprova atitudes violentas. Você é uma ótima aluna, mas não podemos permitir que você continue com esse comportamento, é por isso que você está indo embora.

Fomos embora e eu me recusei a olhar pra Rony durante o caminho inteiro. Ela não tentou conversar, sabia que eu estava decepcionado com ela. Mas eu e Angel entendemos depois, claro que ela ficou de castigo pelo resto do ano, mas no final até brinquei sobre isso dizendo:

-Eu avisei pra você Ratinha, que não era uma boa ideia ensinar pra Rony como dar um soco de direita.

As duas riram. Até que foi fácil escolher uma nova escola, Angel e Rony foram lá pra conhecer o lugar e não tinham nada pra reclamar. Por alguma razão Jake também saiu da antiga escola e foi matriculado ali e eles iam começar na próxima semana.

Eu só espero que os dois se dêem bem lá.

Acabou! Eu estava planejando fazer no mínimo sete partes, mas não ficou muito do jeito que eu esperava então eu resolvi acabar logo de uma vez. Eu espero que vocês tenham gostado e mais uma vez leiam "Os Filhos da Turma da Mônica", a história começa onde eu parei e tá muito boa.

E eu sei que eu esqueci alguns detalhes muito importantes, mas eles estão na fic da Bibi entre as Bis. outro motivo para ler a história dela.

Comentem!