In der Hingabe meiner Sucht

(Na entrega de meus pecados,)

Mein Dasein und meine Kraft

(Minha existência e força)

Das Begehrte ist vergessen

(O cobiçado é esquecido)

Zurück bleibt nur das Verlangen

(O que resta é apenas o desejo)


Lucy terminou de limpar a bagunça com a ajuda de Ann e pedindo licença, foi para o quarto. Parou em frente à cômoda, e, depois de encarar o móvel por uns segundos, abriu a primeira gaveta e retirou do fundo uma caixa de madeira bastante elegante.

Sentou-se na cama de casal e acariciou a superfície distraidamente, recordando-se daquele maldito dia na Ilha das Tormentas. Não era a primeira vez que fazia esse ritual, e em nenhuma das vezes abriu a caixa. Ficava observando as formas gravadas na superfície, até que se cansava e guardava a caixa de volta.

Depois de tantos anos, ainda sentia uma pontada no estômago sempre que ele era mencionado. Lucy não gostava de mostrar a medalha às visitas por modéstia, ela não gostava porque havia ganhado a condecoração por ter matado um homem que deu a ela, mesmo por pouco tempo, tudo o que ela queria... Não via sentido em sentir-se feliz ou orgulhosa disso.

Existiu, desde então, o vazio. Aquela medalha era o destino zombando de Lucy.

Não é como se Lucy não amasse o marido. É claro que o amava, senão por que teria se casado com Fred?

Divagações tolas de uma velha tola, pensou Lucy, suspirando.

"Eu me lembro dele."

Lucy levantou os olhos. Não tinha ouvido os passos. Seu menino Jo, agora um homem, estava parado na porta. Olhava com uma expressão séria para a caixa em que Lucy mantinha a medalha. Ele sabia onde ela a guardava.

"Die Nadel. É tudo muito vago, claro, mas eu me lembro daquele dia."

Lucy voltou o rosto para a caixa. Ele nunca havia dito isso antes.

"Você era tão pequeno... Por que nunca me contou?"

Jo se sentou em silêncio ao lado da mãe.

"Não sei. Também nunca contei a Ann."

Lucy viu o filho esticar o braço e abrir a caixa.

"É bonita.", disse ele. Depois de uns segundos, tornou a falar. "Bem, mãe, vou deixá-la em paz. Só queria ver como estava, você saiu da sala com uma expressão estranha."

"Estou bem." – Lucy respondeu de imediato, com um tom de voz distraído.

Jo beijou a testa da mãe e saiu do quarto, fechando a porta, e Lucy voltou a mergulhar nas lembranças. Percebeu que ficava cada vez mais difícil lembrar-se do rosto de Henry, e amaldiçoou sua memória. Ela tirou a medalha de dentro da caixa e levantou um fundo falso. De lá, puxou uma antiga foto, de um jovem homem sorrindo, erguendo um troféu.

A foto, já bastante borrada, estava sujeita ao efeito do tempo como o rosto de Henry na memória de Lucy.

Mas ela nunca esqueceria de que por um dia amou Die Nadel.


Auf meinen Knien flehe ich um mehr

(De joelhos, eu imploro por mais.)

Bitte gib mir mehr

(Por favor me dê mais)

Mehr von deinem Geist

(Mais de sua mente)

Mehr von deinem Leben

(Mais da sua vida)

Jetzt und für alle Zeit und Ewigkeit

(Agora e para todo o tempo e a eternidade)

Gib mir mehr

(Dá-me mais)

Gib mir mehr

(Dá-me mais)

Ich brauche dich

(Eu preciso de você)

Ich liebe dich

(Eu te amo)

Vermächtnis Der Sonne – Lacrimosa


Notas: Fic aleatória de um fandom inexistente, mas a data de hoje é épica. Ouvi a música e a idéia da fic surgiu, eis o resultado. A propósito, a tradução da letra está sujeita a erros e o título significa O legado do Sol. Saudações a Willi. ;)