Tudo começou há dois meses, quando eu terminei a Faculdade, me mudei pra Seattle e comecei a ensinar Literatura, eu gostei do emprego, eu sempre quis ensinar, achei um apartamento morável, e ainda fiz exercício de graça por quase um mês, já que depois que eu me mudei os elevadores quebraram e eu tive que subir sete lances de escada andando. Mas apesar disso, eu gosto do lugar, tem uma boa localização e se não fosse pelo cansaço de ter que subir as escadas, e se me jogar no sofá não fosse uma prioridade quando eu fechava a porta, eu nunca teria visto ele. E esse hábito, não, hobby, não teria se tornado parte da minha vida.

Agora todos os dias, quando eu chego do trabalho, eu tomo um banho, pego um livro e uma caneca de café e vou para a poltrona perto da janela, por que eu sei que a qualquer momento ele vai chegar. O apartamento dele fica no último andar de um prédio ao lado do meu, um prédio infinitamente mais chique que o meu, o que me faz questionar o que diabos ele está fazendo ali, mas isso não importa agora, onde eu estava? Ah sim, o último andar, na primeira vez foi um acidente, eu só estava tentando recuperar o fôlego depois da subida, mas depois de cinco minutos eu tive que tentar pegar o fôlego por um motivo totalmente diferente.

Por que depois de cinco minutos eu vi uma luz acendendo no prédio da frente, num apartamento alguns metros abaixo do meu, apartamento que por sinal é pelo menos cinco vezes o tamanho do meu e com a maioria das paredes de vidro. A princípio eu não vi muito já que ele estava coberto dos pés a cabeça. Ele usava um sobretudo escuro, cachecol, luvas de couro e um chapéu "Neal Caffrey quem"?. Ele era alto e mesmo com toda aquela roupa eu podia dizer que ele era esbelto, não dava pra ver o resto, mas até aquele momento eu estava gostando.

A primeira peça que ele tirou foi o chapéu, e eu pude ver seus cabelos que mesmo àquela distancia pareciam brilhar como fogo, depois as luvas que revelaram mãos com dedos longos, dedos de pianista, e eram mesmo já que do outro lado da sala tinha um piano, um lindo piano por sinal. Então o sobretudo, e eu não sei dizer se ele parecia mais sexy, com ou sem ele, por que por baixo ele usava um terno de três peças cinza com uma gravata tão vermelha quanto sangue. Ele tirou o paletó enquanto andava em direção ao que devia ser o quarto, eu supus, quando voltou já estava sem o colete e gravata, e desabotoando a camisa e acendeu a lareira.

Eu lembro de ter pensado naquela hora que eu não devia estar olhando um estranho tirar a roupa, mas aí eu pensei, quer saber? Dane-se uma mulher precisa de diversão de vez em quando, e já que eu nunca usava outros sentidos pra isso, eu bem que podia usar a minha visão. Enquanto eu tinha esse debate interno ele sumiu de novo, demorou um pouco mais pra aparecer dessa vez, quando ele voltou ele estava com uma caixa de primeiros socorros na mão, e sentou no balcão da cozinha, eu tive que me esticar bastante pra ver onde ele estava dessa vez. Ele estava com a camisa totalmente aberta e tirando ela com um pouco de dificuldade, ele parecia ter o ombro machucado, isso explicava a caixa de primeiros socorros.

Eu queria poder dizer que essa foi a primeira coisa que eu vi quando ele tirou a camisa, mas seria uma mentira, por que eu acho que fiquei babando um pouco só com a visão das costas dele, mas então eu vi a ferida no ombro dele, e mesmo de longe parecia séria, mas isso não foi o que realmente me surpreendeu, mas sim as fitas de couro em seus ombros e costas, por que eu sabia o que eram aquelas fitas, meu pai era policial afinal de contas e eu sabia o que era um coldre, mas aquelas em seus lados não eram armas de um policial, pra que um policiais precisariam de silenciadores?