E aí Sogrão? – parte 1

Do Contra estava sentado na sua poltrona de sério, era lá que ele ficava quando corrigia as provas dos alunos. Ele estava tão ocupado desenhando X's e C's nas provas que nem notou Rony entrando na sala, muito mais estranha do que o normal (mas isso, claro, depende da sua definição de estranha).

-Papai? – ela chamou.

-Que foi Rony?

Só quando ergueu o rosto ele notou o quanto Rony parecia ansiosa. Claro que ele estranhou, mas como era o Do Contra continuou com a expressão bem calma. Aí tem coisa, ele pensou.

-Você se lembra do Manic?

-O filho da Mônica? Bem eu acho que a única vez que eu o vi foi no batizado dele. – ele riu com a lembrança de alguma coisa. – você se lembra Ratinha?

Rony pulou de susto quando viu a mãe atrás dela, mas o casal não pareceu notar. Angel riu junto e respondeu:

-Claro que eu lembro! Foi a primeira vez que eu fui expulsa de uma igreja.

Rony largou o nervosismo por um instante para ficar ligeiramente interessada naquela história.

-Como é que é? – ela perguntou.

-Nunca tente falar ao contrário numa igreja, garota. – Do Contra respondeu. - Só dá problema.

-Quase exorcizaram o seu pai.

Do Contra estava a ponto de contar aquela história com mais detalhes, mas Angel notou o quanto Rony estava ansiosa e logo tratou de trazer o marido de volta a realidade.

-Feioso, a Rony quer nos contar uma coisa. Esqueceu?

-Claro que sim! Esconda tudo e não nos conte nada, filhota! O que quê tem o Manic?

O nervosismo de Rony duplicou e ela fez uma coisa que assustou tanto a mãe quanto o pai: começou a gaguejar.

-B-bem... é q-que ele tá lá f-fora. Q-quer falar com o s-senhor.

Angel entendeu o que estava aconteceu em questão de segundos, afinal ela era a filha do Cupido, entendia dessas coisas. Mas pobre Do Contra, não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo. Claro que a expressão dele estava relaxada, como se ele estivesse numa praia, mas tanto Angel quanto Rony sabiam que aquela cara relaxada era a mesma coisa da pior careta de desconfiança do mundo.

Rony não conseguiu de evitar engolir em seco quando DC saiu da poltrona séria e foi para o sofá de adulto, outro sinal que aquilo não ia acabar bem. O sofá de adulto era o único lugar que DC evitava a todo custo quando estava de bem com a vida. Era lá que ele ia para enfrentar as piores notícias.

Angel se sentou do lado do marido e Rony foi buscar Manic, este estava no jardim conversando com o Frank e o Penadinho. Só aqueles dois estavam sendo gentis, o resto do povo do cemitério encarava Manic como se ele fosse exorcizar todo mundo ali.

Os dois entraram e, depois de Manic apertar a mão de DC e Angel, se sentaram no sofá de visitas, que ficava de frente pra eles.

Rony não parava de apertar os punhos de tão ansiosa, Manic notou aquilo e pegou a mão dela. Foi tão natural e inconsciente que até a ficha de Do Contra caiu. Ele arregalou os olhos, olhou de Rony para Manic e depois para Angel. Ela só confirmou com a cabeça e tudo ficou preto...

A próxima coisa que Do Contra vê são três rostos preocupados olhando pra ele, não precisava pensar muito pra saber que tinha desmaiado.

Levou cinco segundos para se recuperar e assim que parou de tremer começou a ter a conversa mais simpática com Manic, a cara dele estava tão amistosa e relaxada que tanto Rony quanto Angel souberam que tudo estava perdido. Aquela cara era a versão Do Contra do "O Grito", de Edvard Munch, ou talvez até pior.

-O que te traz aqui rapaz? – DC perguntou sorrindo.

-Eu e a Lony queríamos contar uma coisa pla vocês.

-E o que seria?

-Estamos namorando, papai. – Rony respondeu infeliz.

-Querida, isso é ótimo!

-Você tem certeza de que está bem Feioso? – Angel perguntou quando viu DC apertar os punhos tão forte que os nós dos dedos estavam completamente brancos.

-Eu estou ótimo. Era só isso que vocês queriam me dizer?

Manic e Rony trocaram um olhar e fizeram sim com a cabeça.

-Então fiquem aqui o quanto quiserem, não é como se eu não tivesse trabalho pra terminar.

Rony se levantou do sofá apresada e puxou Manic pra fora de casa. Angel fechou a cara, mas DC fingiu não ver.

-Isso foi muita grosseria, Feioso.

-Sinto muito, Ratinha. – cinco minutos de silêncio pesado. – dá pra acreditar? Nossa filha, nossa princesinha, está namorando! Não é uma beleza?

-Não é o fim do mundo.

-Claro que não!

-Você adoraria que a Rony fosse princesa de verdade, não é? – ela o abraçou compreensiva. - Só pra trancar ela numa daquelas torres.

-Exatamente, Ratinha! Eu não tenho o menor respeito pela liberdade da nossa filha, quem precisa de livre arbítrio quando se tem pais como nós?

-Não estou seguindo o seu raciocínio, querido. – ela se afastou para olhá-lo melhor.

-É a hora perfeita pra ela começar a namorar!

-Foi nessa idade que eu e você começamos a namorar...

-Agora eles vão se casar! QUE MARAVILHA!

*junto de Rony e Manic, longe de Do Contra, que está tendo um colapso*

Manic e Rony estavam no quintal, Rony estava tão desanimada que até o cabelo espetado estava pra baixo.

-Não foi tão luim. – ele disse tentando animá-la.

-Foi muito pior. – Manic não entendeu e ela teve que explicar. – se ele tivesse gostado de você ele teria sido bem desagradável. Ele é o Do Contra, esqueceu?

Manic pensou um pouco no assunto e depois falou derrotado:

-Por essa eu não espelava. – ele olhou pra Rony e viu o quanto ela ficou triste. Então ele a abraçou dizendo: - ele só plecisa de tempo pla se acostumar com a ideia.

-Você acha mesmo?

-Tenho celteza.

-Mas ele desmaiou!

-Foi por isso que ele desmaiou? Eu achava que a plessão dele tava baixa.

Funcionou, Rony riu e o abraçou de volta.

Os dois iam se beijar quando um grito de agonia saiu da casa, não precisava ser um gênio pra saber que era o Do Contra tendo o já mencionado colapso. Também foi nessa hora que a Dona Morte apareceu, sendo seguida pelos outros monstros do cemitério que não tinha ido com a cara de Manic.

-Rony, você esqueceu de nos apresentar o seu amigo.

-Ora Morte! Esse é o Manic-

-Eu sou o namolado dela.

A Dona Morte trocou um olhar com Zé Vampir do tipo "ela merecia melhor", mas Manic nem ligou. Se despediu de Rony e passou pelos monstros com o máximo de dignidade possível. Rony olhou Manic fazer a curva e desaparecer rua a fora, ela não queria ter que entrar em casa, sabia que não ia gostar do que ia ver lá dentro.

Continua...

Eu voltei a escrever sobre o Do Contra e Cia, não é legal?

Pois é, essa história é meio que uma continuação da história da Bibi entre as Bis e eu espero que vocês gostem.

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