There's a black hole in your eyes

Zathura não me pertence. /sigh

A sala, ou o que ainda havia sobrado dela, encontrava-se silenciosa; a miríade de estrelas infiltrava sua luz pela casa. O Astronauta mastigava ruidosamente, afinal escapar do ataque de zorgons abria o apetite. Walter o fitava sem expressão, vendo o resto dos suprimentos acabar de vez. O Astronauta sentiu que era observado e retribuiu o olhar. O ruído da mastigação e deglutição pareceu aumentar. Walter sentia-se incomodado com a intensidade daqueles olhos — que pareciam brilhar como as estrelas lá fora e puxá-lo para o centro de suas pupilas. E ele não entendia o apelo.

—Você quer me dizer alguma coisa? — perguntou, incapaz de resistir por mais tempo. O Astronauta abocanhou o último bocado de bacon sem deixar de encará-lo. Os segundos pareceram eternos antes que ele engolisse, um desejo mudo em sua face.

Tanta coisa. — respondeu, e Walter sentiu um frio estranho, pegajoso, no ventre. O Astronauta inclinou-se em sua direção, ao que ele instintivamente recuou um pouco. —E você, Walter, você tem alguma coisa para me dizer?

A mão do Astronauta parou em seu peito, e seu coração disparou; um misto de repúdio e atração parou na boca de seu estômago, como se o Astronauta fosse os dois pólos de um ímã. Walter finalmente cedeu. Semicerrou as pálpebras e fitou o chão. Uma infinidade de palavras e sentimentos não declamados se misturaram à poeira do espaço, como parecia acontecer desde que ele viera do espaço para ajudá-los.

—Eu... eu não sei.


Elas estão dentro dos meus olhos/Da minha boca, dos meus ombros/Se quiser ouvir/É fácil perceber

(As Palavras — Vanessa da Mata)


N/A: Hm, isso foi meio selfcest, mas eu gostei.