Venus andou de um lado para o outro, sentou, levantou, mexeu na penteadeira da princesa, organizou gavetas, abriu e fechou a janela, passou pela enfeitada porta com cortinas delicadas e brancas saiu para a varanda onde manteve os olhos fixos no planeta azul. A impaciência a corroia. Sentia-se na pele de Mars de tão nervoso que passava e cada minuto sem vislumbrar Serenity ao longe a faziam querer voltar a Terra com a mesma ferocidade de horas antes.

A loira sabia exatamente como seria quando chegasse o momento em que a princesa lunar pisaria naquele quarto, primeiramente a linda - e desmiolada - princesinha rodopiaria sem ao menos se dar conta da presença da Senshi ali e depois suspiraria e olharia para Terra, sonharia e depois iria se virar e encontrar a guardiã pra então fechar a cara e começar a se defender e chorar desesperadamente, um jeito bem "Serenity" de lidar com as coisas. Então, antes de lidar com choro e, provavelmente, algumas palavras rudes, Venus pensou no que falar, ou ao menos tentou. Uma parte de si queria ajudar a amiga e queria continuar indo a Terra, já a outra queria ajudar sua princesa e mantê-la longe daquele lugar, mas teria de ter argumentos muito bons e um deles seria transformar Endymion num verdadeiro monstro, o que era impossível para tão graciosa realeza terrestre, uma vez que ele era um poço de gentileza e educação.

– Venus, Venus, Venus... - Colocou a mão na cabeça fazendo um gesto negativo para si. - Olha onde você foi se meter.

– Diria que onde seu nariz não foi chamado. - Dizia a voz masculina em total tom de deboche.

– Mas o quê? - A loira virou-se bruscamente encontrando aquele homem familiar.

– Olá! - Acenou.

– Tudo bem, vou contar até dez e você faz questão de sumir, Kunzite! - O calor subiu até seu peito e virou-se tentando não acreditar que ele estaria ali. - Não basta me perseguir até na Terra, virá me importunar aqui também?

– Belas ameaças, senhorita. - O prateado rodopiou atrás a cutucando com o cetro que havia deixado no quarto. - Mas creio eu que sem isso não pode fazer muita coisa contra mim.

Venus sentiu o cetro gelado encontrar o ombro, mas a raiva foi maior, muito maior. A mulher segurou o cetro tão rápido que em questão de segundos já prendia o Shitennou na parede com o cetro contra o peito, a maior vontade que tinha naquele momento, era de estourar sua cabeça com um Crescent Beam.

– General, é melhor que tenha uma desculpa plausível para estar aqui. - Os olhos azuis faiscavam.

– Prometo que se continuar me segurando dessa forma, não poderei lhe responder. - Manteve o olhar malicioso, sentido-a afrouxar o cetro contra a parede. - Excelente, agora posso ao menos respirar.

– Desembucha. - Resmungou.

– Só vim pedir desculpas pela minha atitude mais cedo. - Sorriu. - E, além disso, não é só você que tem alguém para proteger aqui, certo?

– Cale a boca! - Venus deixou as asas eretas, como um gato quando se arrepia.

– Isso não foi a resposta para minha pergunta, mas veja bem Venus: Nós dois temos interesses em comum. Eu protejo meu príncipe, você protege a sua princesa, precisamos trabalhar juntos se quisermos que os dois não entrem em algum tipo de problema. Eu sei tanto quanto você que isso é uma loucura ou você realmente acha que eu, no início, sempre fui a favor e estive sempre ao lado de Endymion?

– O que quer dizer com isso? - Venus suspirou abaixando as asas e o cetro, mantendo uma posição fora de guarda.

– Quando começaram a se encontrar iam para qualquer lugar, no meio da floresta, principalmente. Quando descobri aconselhei-o a terminar essa loucura, mas as fugas eram freqüentes e longas. Os membros da Shitennou, inclusive eu, tentamos impedi-lo, mas víamos que era inútil, uma tentativa vã de separá-los não surtiria efeito, iriam continuar se vendo a qualquer custo.

– Onde pretende chegar com todo esse discurso apaixonado, general?

– Quero dizer-lhe que é melhor que ainda apóie a Princesa Serenity, ela ainda continuará com a teimosia com você ou sem, compreende?

– Acho que já sei disso há muito tempo. - Os olhos azuis da Senshi se viraram para o planeta Terra.


Havia rosas por todos os lugares naquela parte do jardim, de várias cores, vermelhas, amarelas, em um fraco tom de rosa chá e também cor-de-rosa e brancas, roxas, lilases. Era tantas rosas que fizeram Serenity segurar a fôlego por alguns segundos. Sabia que as rosas eram as flores favoritas do namorado, mas não pensava que ainda havia algum lugar no castelo que não conhecia, aquele era novo e lindo.

– Dimyon, Dymion, Dymion! - A linda moça rodopiava no meio do jardim deixando os cabelos prateados e o vestido esvoaçarem. - Venha ver isso!

– Acalme-se, minha linda, dessa forma vai tropeçar e cair. - O rapaz foi até a amada. - Gosta das flores, não é?

– São lindas, cheirosas e há de tantas cores! - Estendeu a mão para uma roseira vermelha. - E essas são a que eu mais gosto e... Ai!

– O que houve pequena? - Endimyon aproximou-se vendo o sangue escorrer pelo dedo anelar dela.

– Dói... - Fez biquinho, vendo-o atar sobre o dedo dela um pedaço da capa branca. - Rasgou sua...

– Você tem o poder de ser distraída em momentos tão inoportunos. - Interrompeu e riu.

– Hei! Não sou desastrada não! - Fez um olhar reprovador, mas totalmente brincalhão. - Dymion, que lugar é esse?

– O Jardim de Serenity. - Segurou as mãos dela entre as suas, ajoelhando diante dela. - Serenity, meu amor, esse jardim é para você, e poderá vir aqui quando quiser e me deixaria muito feliz se você... Eu gostaria de saber se... Se você... - O coração dele estava acelerado, mas ainda assim buscou coragem para puxar do bolso um lindo anel com uma grande pedra branca e estendeu até o dedo enfaixado da moça. - Serenity, casa comigo?

A princesa sentiu o rosto corar, uma mistura de felicidade e surpresa alojou-se em seu peito. O coração disparou e as palavras pareciam não conseguir se formar em sua boca, embora quisesse dizer o mais sonoro "sim", para que ouvissem de todos os cantos da via láctea apenas conseguiu balançar a cabeça em afirmação e chorar de alegria, jogando-se nos braços do noivo, sentindo os lábios dele encontrarem os seus rapidamente.

Logo ali alguém não estava feliz, não poderia estar, ela soluçou ao ouvir o pedido tão desajeitado e apaixonado do príncipe, o beijo tão profundo, os carinhos, tudo fizera Beryl chorar. Quando o príncipe pediu para ela cuidar pessoalmente dos preparativos daquele jardim não imaginava que seria para aquilo, vira desde o início a criação daquele jardim, orientava cada sacerdotisa de como cuidariam de cada flor e da disposição das cores, tudo pensado por ela para entregar com perfeição para aquele que tanto amava, para aquele que era somente seu, seu príncipe Endimyon. Correu, correu pelo castelo inteiro entrou em uma porta fechou-se na escuridão. Iluminou um pequeno candelabro, ali encontrando apenas um grande espelho, soluçava tentando conter, porém, não conseguia. Fitou o reflexo no espelho escuro.

– O que essa princesinha tem que eu não tenho? - Disse para o próprio reflexo. - Tenho longos cabelos, um corpo maravilhoso, meus olhos também são lindos, tenho a pele perfeita, quantos subordinados da shitennou quiseram a mim, mas não puderam porque eu sempre fui de Endimyon! Sempre! Sempre! Sempre! - Lágrimas teimosas rolaram. - Quem ela pensa que é para roubá-lo de mim?

– Você o quer? - O reflexo de Beryl mexeu-se independente, fazendo a ruiva se assustar e dar um passo para trás. - Mocinha, não tenha medo, apenas me responda: você o ama? Quer o príncipe para você?

– Quem é você? - Tremia, esquecendo-se completamente do choro.

– Sou a solução dos seus problemas, Beryl. - O reflexo sorriu mudando a aparência para a mulher de cabelos pretos. - Vamos, posso dar a você tudo o que quiser, basta fazer um pacto comigo, te darei poderes inimagináveis e quando tiver o cristal de prata poderá te transformar numa linda princesa lunar e ter o seu lindo Endimyon só para você.

– Endimyon... - Uma aura escura se formou em volta da sacerdotisa. - Meu?

– Seu e de nenhuma princesa da lua intrometida! - Neherenia estendeu a mão do outro lado do espelho. - Venha lindinha, te darei tudo.

Beryl se aproximou tocando a superfície do espelho e sentiu uma onda de choque percorrer seu corpo inteiro, em seguida uma dormência gostosa. Aquilo era poder, puro poder como jamais havia sentido antes. Balançou os dedos na frente de si vendo pequenos raios negros surgirem ali. A cabeça doeu e podia ouvir a voz gritando dentro de si. "Trará o cristal de prata para mim?" ecoava a voz em sua cabeça.

– Trarei. - Disse em voz alta fazendo o som reverberar na sala vazia. - Trarei o cristal de prata, teremos aos nossos pés a via láctea, seremos só uma Rainha, Endimyon reinará ao nosso lado. Nosso império será próspero e único! Tudo será nosso e não haverá Senshi ou Shitennou que irá nos deter, estamos a um passo e já sei com quais peões jogar.

Beryl abriu a porta e continuou caminhando normalmente pelos corredores do castelo como a mesma sacerdotisa e voltou aos jardins, teria de buscar a hora certa de agir.


Serenity voltou, e da mesma forma que Venus havia previsto antes, com rodopios e suspiros e a cara fechada ao vê-la e, é claro, o choro.

– Veio me repreender de novo Venus? - Uma lágrima correu. - Pois fique sabendo que eu não ligo e eu vou ficar com o Dimyon pra sempre você não pode me impedir! NUNCA!

– E não vou. - Cruzou os braços.

– Como você pode dizer is... - Serenity levou o dedo indicador à boca. - Como?

– Não vou te impedir, alteza. - Franziu o cenho quase não acreditando no que estava para falar. - Olhe... Serenity... Eu não sou só uma Senshi, sou sua amiga e você sabe disso. Eu quero mais do que tudo no mundo a sua felicidade, apenas isso. Meu maior medo, e das meninas, é que de um dia você se machuque e eu tive medo, muito medo. Mas eu vejo que te proibir de ir até lá seria pior, te proibir de ver alguém que você ama seria como proibir a mim ou qualquer outras das Senshis de ter você por perto. Eu não vou mais impedi-la de vê-lo.

– Ve-Venus... - Chorou e se pendurou no pescoço da loira. - Por favor, volte a ir comigo! Nós estamos noivos! Noivos!

Serenity exibiu o anel no dedo e a palavra "noivos" fez o estômago de Venus embrulhar. Sabia que há muito tempo o casal já fazia e vivia coisas de gente casada, poderia escoltá-la pelo resto da vida até a Terra para fazerem o que bem entenderem, mas pensar neles juntos como marido e mulher era demais. Empurrou a princesa com delicadeza forçando um sorriso e pedindo licença, dando a desculpa de um treinamento de formação qualquer. Fechou a porta atrás de si correndo para a saída da lua, Kunzite iria ter de explicar aquilo muito bem.


N/A: "Pq você postou dois capítulos hoje?"

Pq quero terminar de respostar a história logo HSAUhsuhsauhsuAHUSa...

Devo postar mais dois amanhã ou depois 3