Noelle olhou para o relógio em seu pulso e suspirou aliviada ao constatar que não estava atrasada como pensava, já que falta pouco para chegar à sua nova escola. Não demorou para que avistasse ao longe o letreiro contendo o nome da escola "Seishun Gakuen", abriu um sorriso e tratou logo de apressar os passos, não queria chegar atrasada na cerimônia de abertura do ano letivo.

Chegando perto da entrada ficou admirada com o tamanho e a beleza da escola, estava contente por ter conseguido entrar ali, já que foi nesse lugar que seus pais haviam se conhecido. Vendo que vários alunos começavam a caminhar para o mesmo local, entendeu que era lá que aconteceria a cerimônia, então sem mais delongas, ela começou a caminhar juntamente com os outros alunos.

X

– Até que fim abertura acabou não agüentava mais ficar de pé. – disse Noelle se esticando, porém quando ela foi baixar os braços não percebeu que havia alguém ao seu lado e acabou por acertar a mesma.

– Oh...sinto muito, eu não vi que você estava aqui. – se voltou para a pessoa ao seu lado e percebeu que havia batido em um garoto e constatou que ele também deveria ser um aluno do primeiro ano, já que possui a mesma altura que ela, mas o que intrigou a mesma foi o fato dele estar com os olhos fechados.

– Não tudo bem. Porém tenha mais cuidado na próxima vez. – disse o garoto com um sorriso no rosto, Noelle teve a impressão de que aquele sorriso era irônico, porém preferiu deixar quieto isso.

– Não é por nada não, mas porque você fica de olhos fechados? – perguntou a garota intrigada com aquele fato, sabia que se não perguntasse, iria acabar ficando com aquilo na cabeça. – Oh você é cego? Desculpe-me, eu não sabia, eu sinto muito. – Noelle pedia desculpas sem parar e estava completamente envergonha com toda a situação.

O garoto não pode deixar de rir, tanto pela curiosidade dela, como pela suposição da mesma e também do modo de como ela estava pedindo desculpas exageradamente. – olha tudo bem, eu não sou cego. Então não há motivo para pedir desculpa. – ele falava entre os risos. – Ah isso é segredo, mas eu sou Syusuke Fuji, muito prazer.

–Eu sou Noelle Maeda, um prazer conhecê-lo Fuji. – ela abriu um sorriso logo em seguida. –Ahh, você sabe onde ficam as salas dos primeiros anos?

– Sei sim e estava indo pra lá agora, então vamos juntos? – ele olhou para a garota que concordou com a cabeça.

Os dois começaram a caminhar até o prédio que possui as salas de aulas de todos os anos, no meio do caminho uma garota de cabelos azulados os parou para perguntar se sabiam onde ficavam o corredor que continha as salas do primeiro ano. Fuji disse que ela podia ir junto e já que estavam indo para lá.

– Eu me chamo Saori Sasaki.

– Muito prazer Sasaki, eu Sou Noelle Maeda e esse é Syusuke Fuji. – Noelle apontava para o garoto ao seu lado que acenou cabeça num cumprimento.

Do mesmo modo que Noelle havia ficado intrigada pelo fato do garoto ficar com os olhos fechado Saori também ficou, porém ela preferiu não comentar nada. Feito as apresentações os três voltaram a caminhar até o corredor dos primeiros anos, eles conversavam animadamente entre si, e Noelle descobriu que tanto Fuji como Saori queriam entrar no clube de Tênis, porém quando foi perguntado em que grupo ela iria entrar, ela ficou em silencio, pois nem ela sabia em que clube iria freqüentar durante o tempo que estudaria ali na Seigaku, ela respondeu que ainda não sabia e os dois falaram para ela entrar no clube de tênis, porém ela disse que não, já que não era boa em esporte, talvez fosse entrar no clube de jardinagem.

Finalmente haviam chegado à ala dos primeiros anos, a primeira a ficar foi Saori já que sua turma era ao lado da escada, logo depois foi Fuji que era ao lado da sala de Saori. Noelle respirou fundo ao chegar à porta da sua sala e olhou para sua mão aonde continha o numero da sua sala, para ter certeza que era ali mesmo, ela entrou e percebeu que estava meio que vazio, havia apenas uns três alunos, dois estavam sentados no fundo e um estava sentado na primeira carteira ao lado carteira que ficava perto da janela. Ela sorriu estava contente que ninguém havia sentado na janela, era o local que ela mais gostava e então jogou seu material em cima da carteira e sentou e ficou a olhar para os alunos que estavam andando lá fora.

Não soube quanto tempo ficou olhando para a fora, só quando começou a ouvir a voz da sua professora que pedia silencio para dar inicio a aula.E ficou contente de saber que a primeira aula seria de inglês, era a matéria que mais gostava. Mas o que a pegou de surpresa foi quando a professora mandou todo mundo sentar em dupla para que pudéssemos traduzir um trecho de uma historia. Ela olhou em volta e percebeu que todos já haviam formados a dupla, menos ela e o garoto do seu lado, respirou fundo e o cutucou com o lápis. O garoto olhou para ela intrigado pela atitude da mesma.

– Ei, vamos fazer juntos ? – O garoto arqueou a sobrancelha pela pergunta dela, parecia que estava pensando na proposta dela, e isso estava começando a irritar a garota que tentava a todo custo manter um sorriso na face.

– Tudo bem. – respondeu depois de alguns segundos que pareceram longos para a garota.

Ele empurrou a carteira até o dela e pediram para a professora entregar o papel do trecho da historia, feito isso, ambos começaram a traduzir, o garoto ficou surpreso ao ver a facilidade que a garota tinha de falar e traduzir.

– Você é muito boa com o inglês. – disse voltando sua atenção para a garota e percebeu que ela não era feia, seu nariz arrebitado e os lábios carnudos junto com a cor de sua pele branca faziam com que ela parecia um anjo, seus cabelos castanhos que estavam presos num coque mal feito faziam com que parecia mais ainda, mas o que realmente chamou atenção do garoto foi a cor dos olhos dela, que eram de azul puxado para o violeta.

– Obrigada, é porque eu vive cinco anos nos estados unidos. – ela respondeu abrindo um sorriso sem, tirar os olhos do papel, sendo assim não percebeu que o garoto estava a olhando atentamente. – Nossa, já ia me esquecendo, sou Noelle Maeda, prazer. – voltando sua atenção para o rapaz e notou que ele a olhava fixamente, suas bochechas começava a ficar numa coloração rosada, sim, ela estava ficando envergonhado com o olhar intenso do mesmo, que no instante desviou olhar para o papel na carteira, o que Noelle não notou foi que ele também havia ficado envergonhado pelo fato dela ter notado que ele estava admirando-a.

– Kunimitsu Tezuka. – ele disse depois de alguns segundos em silencio.

Noelle preferiu não falar mais nada e voltou sua atenção novamente para a tradução. Assim se passou a aula de inglês, sendo que os dois foram os únicos que conseguiram traduzir o trecho da historia, o que surpreendeu a professora. A próxima aula seria de química, o que fez Noelle fechar a cara, odiava qualquer matéria que tinha que resolver problemas com conta, era péssima em matéria assim. Ela olhou para Tezuka e viu que o mesmo estava atento a cada explicação do professor, o que a surpreendeu. Noelle olhou mais atentamente e constatou que Tezuka ficava muito bonito quando estava assim, sério prestando toda atenção no professor, seus olhos castanhos que estavam fixos em cada movimento e rabisco na lousa, o modo de como mordia seu lábio inferior e ajeitava óculos quando não entendi o que o professor falava e a maneira de como seu cabelo castanho balançava quando a brisa passava pela janela.

Tezuka estava começando sentir que tinha alguém olhando fixamente e isso o estava incomodando e por uma fração de segundo olhou pelo canto do olho e percebeu que a garota com quem havia feito parceria na aula de inglês, estava olhando atentamente para ele, fez com que seu cérebro trabalhasse para se lembrar de como ela chamava, "Isso Noelle Maeda" um sorriso de canto surgiu no seu lábio ao conseguir se lembrar do nome da garota, porém o mesmo sorriso desapareceu quando a voz do professor chegou ao seu ouvido, fazendo com que voltasse a prestar atenção nele.

Balançando a cabeça Noelle direcionou seus olhos para a janela e de imediato soube que algum terceiro ano estava praticando educação física agora, porém nenhum garoto ali chamou sua atenção, seus olhos foram dos rapazes do terceiro para uma arvore de cerejeira que estava começando a florescer. Um sorriso bobo brotou em seus lábios ao se lembrar que a primavera estava chegando só faltava apenas uma semana.

– Senhorita Maeda, gostaria de saber o que de tão interessante lá fora? – uma voz surgiu ao pé do seu ouvido, o que fez com que a garota se assustasse e olhasse para o professor que estava ao seu lado olhando dela para os rapazes do terceiro.

Porém quando ia pedir desculpa por estar tão desligada da aula, o sinal anunciando que a aula havia acabado e que era hora do intervalo estava começando. Noelle suspirou aliviada vendo que o professor se afastava da sua mesa e ia para dele recolher seu material, arrumou suas coisas e se levantou, olhou de relance para o lugar de Tezuka e percebeu que o mesmo continuava ali e que estava lendo.

– Ei, Tezuka você não quer ir comigo na cantina? – ela disse ficando em frente ao garoto.

Tezuka levantou a cabeça do livro para olhar a garota sua frente, e soltou um suspiro que foi interpretado pela garota como se ela estivesse o incomodando, sendo assim, ela começou a caminhar para fora da sala, porém uma voz a chamou. – Espere Maeda. Irei com você. – ela parou bruscamente e esperou até que ele estive ao seu lado, para que pudesse ir até a cantina.

Durante o caminho foram poucas palavras trocadas entre eles, Noelle percebeu que Tezuka é um garoto calado e sério, e sabia que seria uma tarefa difícil ser amiga dele, ainda mais ela que não tem tanta facilidade assim de falar com as outras pessoas, mas pelo menos tinha que tentar.

Chegando à cantina, uma fila enorme se estendeu a frente dos dois alunos do primeiro ano, Noelle suspirou aquilo iria demorar demais, e sua barriga estava começando a roncar de fome, mas para sua sorte, bem lá no meio se encontrava Fuji. Abriu um sorriso enorme e puxou Tezuka junto consigo até o garoto de olhos fechado que ao ver a garota deu seu sorriso costumeiro.

–Ei, Fuji você poderia me comprar um suco de morango e um salgado? – ela fazia beicinho e olhava com os olhos brilhando que fez o garoto dar um suspiro e balançar a cabeça positivamente. – E você Tezuka? – ela se voltou para Tezuka que balançou a cabeça negativamente. – Você não quer nada? Tem certeza. – ela perguntou de novo ele respondeu que não e saiu daquele tumulto, Noelle apenas viu o garoto se afastar, voltou sua atenção para Fuji que apenas estava olhando para os dois quietos, ela entregou o dinheiro e saiu de lá e foi atrás de Tezuka que estava encostado com os olhos fechados. – Está tudo bem, Tezuka?

– Sim. – foi a única palavra que ele disse e aquilo meio que frustou Noelle, já que estava fazendo o possível para ter um conversa agradável e animada com o mesmo.

– então, Tezuka, em que clube você ira entrar? –Tezuka abriu os olhos quando ouviu a pergunta da garota e percebeu que a mesma olhava com certa admiração para as flores que estavam começando a nascer ali perto da janela.

– Eu irei para o clube de tênis e você? – respondeu finalmente depois de ficar quieto olhando para a garota.

– Oh vejo, Fuji e Sasaki também iram entrar no clube, me falaram para entrar também. Porém não sou a melhor pessoa para esporte, acho que vou entrar para o clube de jardinagem. – disse voltando sua atenção para o garoto, seu sorriso havia se alargado depois de perceber que estava começando a ter uma conversa com o mesmo. – Fuji é aquele... – porém não pode continuar, pois uma voz soou atrás da mesma.

– Aqui esta Maeda. Não quero parecer curioso, mas eu ouvi você pronunciando meu nome, sobre o que era. – disse Fuji entortando a cabeça. Noelle ignorando a pergunta de Fuji pegou seu salgado e suco e sentou na beirada da janela e começou a devorar seu salgado. Tezuka e Fuji trocaram olhar antes de ambos suspirarem.

– Sou Syusuke Fuji. – Fuji estendeu a mão para Tezuka, que olhou para mão e depois para os olhos fechados do mesmo, arqueou uma sobrancelha, porém aperto a mão de Fuji que abriu um sorriso.

– Sou Kunimitsu Tezuka.

Logo depois de se apresentarem, o sinal tocou anunciando que o intervalo havia acabo, Noelle que ainda não havia acabado de comer, olhou para os dois rapazes a sua frente e depois para o salgado, fez isso varias vezes. "Que sabe" quando pensou nisso enfio o restantes do salgado na boca, lambeu as pontas do dedo e logo depois abriu o suco e bebeu tudo num gole. Os dois garotos olharam aquilo perplexo, já que não era normal garota fazer aquele tipo de coisa, porém preferiram deixar isso de lado.

O restante das aulas foi tranqüilo, e chegou o momento que cada aluno do primeiro ano tinha que ir para o clube que haviam se inscrito, Noelle caminhavam animadamente até a estufa onde ocorriam as reuniões do clube de jardinagem, qual não foi a sua surpresa ao ver o local cheio de meninas, não entendi o porquê, mas ao adentrar no local entendeu o motivo de tantas meninas ali, o líder do clube de jardinagem, também era pra menos, o rapaz era muito belo, cada traço do seu rosto era perfeito, seu nariz pequeno mais perfeito, seus lábios carnudos, seus olhos verdes, sua pela bronzeada que entrava em contraste com seus cabelos também verdes que eram quase escondidos por uma boina marrom. Era aluno do terceiro ano, estranhou em ver que o líder era um rapaz já que meninos não curtem esses tipos de coisa, o primeiro pensamento que veio na mente de Noelle foi que ele era gay.

– Prazer garotas, eu sou Jade, líder do clube de jardinagem. Estou contente que a muitas meninas aqui, porém, espero que todas saibam cuidar das plantas e aquelas que não saibam mais querem aprender. Muito bem vindo ao clube de jardinagem. – disse Jade dando um sorriso que mostrava seus dentes brancos, o que fez muitas meninas suspirarem, menos Noelle que apenas revirou os olhos, algo que não passou despercebido pelo líder.

Alguns meses se passaram Noelle e Tezuka, haviam ficado mais próximos, ele já não agia mais sério e frio com ela e com Fuji, quem também ficou próximo, devido ao fato de fazerem parte do mesmo clube, já o clube de jardinagem havia diminuído o numero de participante para apenas cinco pessoas, tudo por causa da personalidade explosiva do líder e que apenas os cincos intrigantes conseguia agüentar.

Noelle estava carregando um vaso que por sinal não estava leve, ela tinha que levar até a quadra de tênis, quando chegou lá, seus olhos não podia acreditar no que estava vendo, Tezuka estava sendo jogado contra a grade e um aluno veterano esticava seu braço com a raquete em mão e batia no braço esquerdo de Tezuka, no mesmo instante Noelle largou o vaso no chão e correu até o garoto, não estava ligando se tinha invadido, porém o que aquele veterano fez era errado.

– O que você fez seu idiota? – gritou Noelle para o veterano que apenas se voltou e começou a caminhar em direção a ela, que sabia que iria levar uma raquetada do mesmo, fechou os olhos com força e esperou o contado da raquete em alguma parte do seu corpo. Porém estava demorando muito, abriu seus olhos e viu o capitão do clube de tênis parado em frente a ela.

– Todos cem volta na quadra. – esbravejou o capitão para todo mundo, que resmungaram, mas obedeceram a ordem do mesmo.

Noelle que já estava ao lado de Tezuka que pensava se brigava com ela por feito aquilo, ou se agradecia, porém a dor em seu braço esquerdo, fez com que se esquece disso tudo, temia que isso pudesse ser uma lesão grave.

Noelle que olhava atentamente para o garoto a sua frente, se preocupou mais ainda quando viu que ele estava fazendo um careta de dor. Colocou sua mão no local onde estava a mão dele e outra no ombro direito. Fazendo com que Tezuka a olhasse nos olhos e ele viu toda preocupação que os mesmo demonstravam e bem lá fundo, ele sabia não gostava de vê-la assim.

– Kunimitsu, você esta bem? – sua voz saiu aflita e cheia de preocupação.

– Estou bem. – ele disse por fim, enquanto se levantava com ajuda de Noelle.

Depois desse pequeno ocorrido, Tezuka estava querendo sair do clube, mas Noelle e o capitão do clube não deixaram, fizeram com que ele mudasse de idéia. Noelle disse a Tezuka que tinha que ir, pois tinha que terminar sua tarefa que o clube de jardinagem havia designado a ela. Tezuka ao ver a garota correndo até o vaso que tinha deixado no chão, sentiu um aperto estranho e desconhecido no lado esquerdo do peito, esfregou a mão no local, para ver se aliviava aquele dorzinha insurpotavel, achou estranho, mas preferiu ignorar.