N/A : Para Ella Tavares que me incentivou a escrever essa fic. AU da terceira temporada de Supernatural.

Coisas Humanas

Capítulo Um

Ruby já sabia que ia ser assim, grande parte do seu plano com Lilith era que os outros demônios a considerassem uma traidora, que a perseguissem e atacassem, isso a ajudaria a ganhar a confiança dos Winchester, mas ao ser atacada por oito demônios aquela noite ela não conseguia se sentir um pouco irritada quanto a esse aspecto de sua vida, ela era boa lutando mas não era estúpida ,e apesar de estar disposta a ser uma mártir não o faria por uma idiotice, e naquele caso correr e se esconder era a melhor estratégia.

Ela resolveu se esconder em uma igreja que tinha passado em frente algumas horas antes, o último lugar em que se esperaria que um demônio estivesse. Fazia algumas boas décadas que não entrava em uma, tais locais não eram assustadores ou algo do gênero mas mesmo assim se sentia um tanto desconfortável estando ali.

O lugar não estava vazio, havia uma garota de cabelos ruivos sentada em um dos bancos da frente lendo um livro fino demais para ser a bíblia e tão concentrada nesse que nem a notou chegar. Ruby se sentou na última fileira e começou a inspecionar o seu corpo, a luta antes de escapar tinha sido ruim para ela, havia cortes sobre a sua pele e sangue já seco grudado em sua roupa e nas pontas de seus longos cabelos loiros, e nenhum sinal da alma da habitante original daquele corpo presente, ela não se sente triste quanto a isso apenas um pouco melancólica, apenas mais uma afirmação que o que estava tentando convencer os Winchester nunca poderia vir ser a verdade, para demônios simplesmente poderem existir nesse mundo eles tinham que destruir a vida de outros. Ainda há parte de uma lâmina em suas costas, quando ela tira um pequeno gemido de dor escapa de seus lábios chamando atenção da jovem que estava sentada no banco da frente ser puxada de sua leitura para olhar com curiosidade de onde aquele som veio, a reação que ocorre depois é inesperada, os olhos dela se arregalam, o sangue parece correr de sua face e ela grita com absoluto horror, e as únicas palavras que consegue ouvir são desconexas, "atrás", "rosto", Ruby pensa em quebrar o pescoço dela, mas a reação era tão incomum que a deixa sem reação. Ela para de gritar, respira fundo, ela dá passos largos em direção a Ruby ficando apenas há um metro de distância longe dela, as suas mãos ainda estão tremendo mas pelo tom de voz que usa em seguida é óbvio que está tentando parecer que não está com medo :

"Porque há uma escuridão atrás de seu rosto ?"

Ela pode ver. Agora tudo faz sentido. A sua alma distorcida depois de séculos de tortura no inferno, se nos seus tempos de humana também tivesse contemplado uma face como aquela ela também gritaria, ela não consegue evitar que uma pequena expressão de agonia que tal pensamento lhe causara transparecer em sua face, e vê a expressão da garota a sua frente mudar de medo para um tanto com pena e ligeiramente embaraçada.

"Você está sangrando" a garota diz antes que Ruby pudesse responder a sua primeira pergunta.

"Brilhante poder de observação"

Ela respirou fundo irritada com o tom sarcástico de Ruby.

"Tem um kit de primeiros socorros nos fundos da igreja ,eu posso fazer curativos" ela diz já a puxando pela mão para frente sem qualquer hesitação.

"Eu não preciso, eu me curo sozinha"

"Acredite em mim, você precisa"

XXX

Ruby olha para o band-aid com desenhos das Meninas Superpoderosas e depois para a garota que a tinha levado para o cômodo no fundo da igreja.

"Sinto muito mas é o único que eu tenho" ela diz sorrindo com satisfação após colocar o curativo com desenhos de meninas fofas voando sobre o corte na testa de Ruby.

"A expressão em seu rosto não é a de alguém que sente muito"

Ela não responde, só sorri de novo enquanto vai em direção ao armário pegar um pano para molhar e limpar o sangue seco.

"Como você sabe onde todas as coisas estão ?"

"Meu pai é pastor aqui. Eu praticamente cresci nesse lugar"

Ruby não tem a mínima idéia sobre o que a jovem a sua frente é, os monstros, os filhos de Eve eram variados e tinham muitas habilidades diferentes, mas nunca tinha ouvido falar de um que pudesse ver a face verdadeira de demônios. Aquela era uma característica preocupante em qualquer situação mas principalmente nos tempos que estavam por vir.

Ela passa com delicadeza o pano sobre o rosto de Ruby.

"Qual o seu nome ?"

"Ruby"

"Ruby de que ?"

"Apenas Ruby"

"Okay apenas Ruby, meu nome é Anna. Anna Milton."

Obrigada por ler, reviews são sempre apreciadas. Capítulo 2 em breve.