Só uma pequena nota se alguém for ler essa maluquice: Peyton baseado sempre no eterno e único, Liam Neeson. Thanks.


Capítulo 01 –

Peyton Westlake checava o cronômetro. Mais meia hora. Já havia comprado tudo o que precisava, pelo menos para seu gato. Há muito que não sentia prazer nem ao menos em comer. Viver era apenas algo inevitável, apesar de suicídio já lhe haver passado pela cabeça incontáveis vezes. Na verdade, a cada segundo.

Mas ele ainda contava com vinte e seis minutos para fingir que era alguém comum, como todos os cidadãos naquela tarde ensolarada de sábado.

Ele olhava para todos, com seus rostos comuns, suas vidas comuns e medíocres, por mais incomuns que pudessem ser... e os invejava. Daria qualquer coisa (se ainda possuísse algo) para ter sua vida de volta.

Tudo por um milagre.

Algo duro se chocando contra sua cabeça o fez despertar para a realidade. Ele viu uma garota de fones de ouvido, parecendo maluca, correndo esbaforida atrás de um cachorro minúsculo, esbarrando em todos com seu guarda-chuva rosa.

Então foi isso o que bateu em sua cabeça. Um guarda-chuva.

O cachorro corria alegremente para longe de sua dona e em direção ao fluxo intenso de carros. Ela gritava "Piper! Piper! Volte aqui! Piper!"

Deste jeito, os dois morreriam antes que o cronômetro de Peyton atingisse a marca dos quinze minutos. E só restavam alguns segundos para o fato.

Ele sabia o que fazer. Largou toda a comida de gato que carregava e se jogou no meio da rua, na esperança de salvar a garota, o cachorro e o guarda-chuva. Ela já estava com Piper no colo, abraçando o cachorro de olhos fechados e agachada, no momento em que uma caminhonete vinha buzinando, o motorista provavelmente irado e rápido demais para dar tempo de parar.

Peyton pulou em cima dos dois como um ninja vindo do espaço e os três saíram rolando violentamente pelo asfalto e para longe do tráfego. O cachorro uivava, a garota se ralava e Peyton se preocupava com sua pele sintética, tudo isso em questão de segundos enquanto os três rolavam em direção ao acostamento.

O guarda-chuva jazia no chão, imprestável. A caminhonete o destruíra e fora embora sem que o motorista sequer olhasse para trás.

Em questão de minutos uma multidão se aglomerou em volta dos três, impedindo que Peyton se desvencilhasse e desaparecesse como o fantasma inimigo do crime que era.

E só faltavam dez minutos.

- Vocês estão bem? Meu Deus, ela está viva? - Indagavam os curiosos.

A garota segurou o braço de Peyton e o pressionou como se não houvesse a amanhã.

Então, ele olhou nos olhos dela. E sem saber por quê, percebeu que a conhecia de algum lugar. Ele a conhecia de algum passado distante...

- Leve-me daqui... - ela sussurou entre dentes – Logo esse lugar vai estar cheio de repórteres.

- Não há nada para ver aqui! – Peyton gritou, autoritário, pegando a garota no colo e levando-a para longe dos olhares curiosos. – Ela está bem, foram só alguns arranhões.

- Você consegue andar? – ele perguntou, solícito, apesar de saber que agora, cada segundo contava em seu cronômetro...

- Sim obrigada... – ela disse, se colocando no chão. – Eu só estou preocupada com Piper. Vou levá-lo ao veterinário. Nós lhe devemos a vida. Qual seu nome?

Ela estava flertando com ele, e mesmo toda ralada ainda era exoticamente linda. Pálida, com aqueles cabelos loiros platinados e os olhos azul-piscina... Bem, definitivamente não era mulher para ele.

- Eu tenho muitos nomes, mas isso não importa. Fico feliz que esteja bem. Agora vá para casa, senhorita, sua família deve estar preocupada.

Ela sorriu, amável.

- Eu não tenho família. Piper é meu único amigo e agora, você. Meu nome é Jenny, Jenny Parker. Vamos tomar um café?

Cinco minutos. Nem pensar.

- Jenny, eu sinto muito, mas estou sem tempo. Até um dia.

E ele foi se afastando, mas Jenny gritou a plenos pulmões:

- Espere!

Ele voltou, pois ela realmente parecia desesperada. Nunca nenhuma garota o havia desejado assim tanto para um café. Se ela soubesse que seu rosto derreteria logo logo...

- Espere, por favor! Fique com meu telefone, pelo menos para conversarmos. Se não quer me dizer seu nome, tudo bem, eu respeito. Mas ligue-me, por favor. Eu... preciso vê-lo novamente, a todo custo. Não sei por quê, mas sinto que há algo que preciso lhe falar. E lhe peço que não divulgue meu número privado ou nome verdadeiro por aí. Só estou lhe contando isso porque sinto que você é confiável.

Peyton pegou o cartão e acariciou a cabeça do cachorro, para demonstrar um gesto de boa-vontade. Ele sabia que jamais ligaria. Mas sentiu afeição pela garota, afinal.

Ele ia jogar o cartão fora... Mas o nome que leu nele fez seu coração acelerar e a pele sintética quase queimou antes dos minutos finais.

Jenny Rooker

555-5677

Só podia ser ela... Jenny!

"Eu não tenho família. Piper é meu único amigo e agora, você. Meu nome é Jenny, Jenny Parker."

Então o que aconteceu com Angela, a mulher por quem ele suspirara durante os últimos oito anos? Então Jenny estava usando outro nome, para fugir da maldição que seu pai deixara... Maldito Peter Rooker...

E o rosto de Jenny... A pele realmente funcionou. Se ao menos o disquete não tivesse sido destruído!

Mas agora era tarde. E ele tinha uma decisão a tomar, enquanto andava em direção ao buraco de esgoto mais próximo para ir a seu laboratório.

E passou por uma banca de revista, abarrotada de fotos de Jenny. O rosto de Jenny, os cabelos sedosos, o corpo que as garotas da época se matavam para possuir...

E aquele rosto. O rosto que ele não permitiu que seu pai, Peter Rooker, destruísse.

Jenny, agora uma modelo viva da perfeição.

Ele só queria saber o que aconteceu com Angela. Por que Jenny estava sozinha. Será que sua vida era vazia como a dele, sendo suas vidas dois extremos?

Seriam só telefonemas inocentes. Ela nem precisaria saber seu nome. Ela nunca nem soube quem ele era.

A decisão estava tomada.