Emma Morley estava sozinha em sua cama. Com os olhos embaçados, olhou atentamente ao seu redor enquanto colocava suas mãos em seus joelhos, abraçando-os.

"Por favor, me ligue. Por favor...", pensou.

No ambiente desajeitado e nada espaçoso, havia um forte odor de nachos; o que, consequentemente, lhe fez lembrar de Ian. Fechando os olhos, desejou desesperadamente que estivesse em outro lugar – em outro lugar não. Com alguém.

"Minha vida é uma droga. Uma perfeita droga.", voltou a pensar.

As coisas não andavam muito bem para Emma. Depois de se mudar de Londres para um apartamento ainda menor em Paris, as coisas começaram a se complicar. Primeiro, havia perdido o contato com os seus antigos amigos – e isso, de uma maneira catastrófica, a fez se sentir ainda mais solitária. Os seus dias eram uma mistura de solidão, recheadas com música e várias leituras de livros que ela devorava com cada vez mais rapidez, devido a sua falta do que fazer. Fora isso tudo, ela ainda estava ainda mais longe de sua mãe e é claro, de Dexter.

"Eu realmente preciso desabafar e acho que não vou mais..."

Lágrimas correram pelo seu rosto. Soluçando, fungou com firmeza enquanto segurava com ainda mais força os seus joelhos, e rolava na cama de uma maneira preocupante.

Será que sua vida poderia piorar?

De uma maneira estranha, ela estava fazendo o que sempre sonhou em fazer: estudar Letras. Mas isso não a fazia mais feliz do que era antigamente. Do que adiantava ter conseguido o que sempre quis se isso lhe deixou totalmente "falida" emocionalmente? Sozinha, sem ter com quem conversar nem desabafar, agora era como se a falta que sentia de Dexter aumentasse ainda mais – se é que isso seria possível.

Os minutos se prolongavam e o choro amuado de Emma não parou. Assim, desistiu de lutar contra a infelicidade e se entregou completamente á aqueles sentimentos... ela estava vazia. Oca.

"Você precisa reagir querida. É como matar um leão por dia", dissera sua mãe.

"Não matei o meu leão hoje. Saí muda, entrei calada.", pensou, já voltando a chorar desesperadamente.

É. Às vezes a vida lhe prega peças – e ás vezes o que você mais deseja acaba se transformando num terrível pesadelo.