N/A: Oi! Como estão? Sim, isso é uma fic nova. Era pra ter sido postada em 12 de março, como um presentinho de aniversário pra minha amiga e beta Cella, mas não rolou.

Quero agradecer a GabyStew por aceitar betar, e a Carol Venancio por ser minha pré-reader. (L)

E já vou adiantando as respostas pras perguntas de vocês:

- Por quê está escrevendo fic nova ao invés de terminar Mais Uma Vez, sua idiota? R: Porque estava em um bloqueio de escritora. Sério. Acontece, e é de dar agonia não conseguir sair do lugar. :(

- Tá, mas se está com bloqueio, como conseguiu escrever essa fic? R: Acontece também. Eu precisei dar um tempo do drama pra esfriar a cabeça com algo mais leve e poder voltar pra MUV renovada.

- Quantos capítulos Into the Light terá? R: Uns 20, mais ou menos. Postados aos sábados.

- O que significa o título? R: Algo como "[Ir] Para a luz/clarão". O título, na verdade, é parte da música Blackbird, dos Beatles. Pra essa história, fiz uma interpretação meio ao pé da letra, e em breve vocês entenderão o motivo e as associações do enredo com a mesma.

"Blackbird singing in the dead of night,
Take these broken wings and learn to fly
All your life,
You were only waiting for this moment to arise
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night"

x-x-x

"Pássaro negro que cantas no morrer da noite
Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar
A vida toda
Você só estava esperando esse momento chegar
Voe, pássaro negro, voe
Para o clarão da escura noite"


Capítulo 1: Blackbird

A porta dos fundos do famoso High Dive, o bar pintado de laranja avermelhado onde Bella trabalhava há 6 meses, ficava em um beco de asfalto irregular. As duas irmãs adentraram aquela porta como se fossem fugitivas, sorrateiramente, olhando para os lados.

Ali, nas noites de terça a sábado, Bella era bartender, garçonete e muitas vezes, também, faxineira - embora sua gerente, Rose, preferisse chamar esse último cargo de "auxiliar de manutenção".

Hoje, além de tudo, Bella ocupava o posto de babá de sua irmã mais nova, Bree. Ainda não conseguia acreditar que sua mãe havia dado essa mancada com ela, mas tinha que aceitar. Afinal, não podia reclamar do trabalho de sua mãe.

Seu amigo Emmett, um dos quatro seguranças grandalhões do local, havia aceitado a loucura de ajudar Bella a encobrir uma garotinha de 10 anos num local proibido para menores de 21. Rose também concordara, mas só porque desde que conheceu Bella, havia criado uma simpatia incomum pela jovem, e recentemente, também criara um afeto com a pirralha Bree. Seu único pedido era que a criança ficasse bem escondida, longe dos clientes que pudessem denunciar o bar por corrupção de menores ou coisa pior. Se desse alguma merda, a gerente não iria querer estar por perto.

- Droga, Bella, você realmente trouxe sua irmã. - Emmett resmungou ao recepcioná-las na porta.

- O quê? Achou que eu estava brincando? - Inquiriu Bella, tratando de encaminhar-se para o backstage que ficava escondido do salão, o qual estava sendo arrumado para a noite.

- Achei! Você é toda metida a comediante, sempre vem com umas piadinhas pra cima de mim. - respondeu, seguindo as duas.

- Até parece que você não me conhece.

Por seu comando, as três figuras pararam em frente a um curto corredor. Bella virou-se para a irmã.

- Bree, este é o Emmett. Ele vai cuidar de você hoje.

- Ei, não vou cuidar coisa nenh-

- Ele vai estar na porta daquele camarim a noite toda. - ela interrompeu o amigo resmungão. - Se precisar de qualquer coisa, é só chamá-lo. Dentro da sua mochila tem sanduíches e refrigerante, que você pode colocar no frigobar. Lá dentro também tem um banheiro. Pode ligar pro meu celular quando quiser. Está bem?

A jovem estava até um pouco sem fôlego, após tantas recomendações à irmãzinha. Bree rolou os olhos. Bella era sua pessoa preferida no mundo todo, mas podia ser meio chata às vezes. Um problema de gente grande.

- Já que não tenho escolha, né. Tudo bem. - Deu de ombros.

- Ótimo. Seja uma boa menina, e não saia de lá, por favor, ouviu? Você já sabe o porquê.

- Blá, blá, blá, já sei de tudo. - Bree rolou os olhos e começou a enumerar o que ouvira mais cedo. - Não posso falar com ninguém sem ser você, Emmett ou Rosalie porque pode ter gente ruim aqui, porque pode ter policial à faisana, porque-

Emmett, de repente, soltou uma gargalhada de trovão ecoando no silêncio do corredor.

- É à paisana, baixinha. É assim que se fala.

Bree fechou o rosto, envergonhada pela gafe, mas principalmente intimidada pelo cara de roupas pretas e pescoço cuja circunferência devia ultrapassar a de suas finas coxas infantis. O tal do Emmett deu um longo suspiro antes de inclinar-se em sua direção, e ela instintivamente recuou para trás.

- Ei, garota, não tem problema errar. Eu também sempre falo besteiras. Sabe como é. - Ele não levava o menor jeito com crianças.

- Ok. - ela respondeu em voz baixa.

Emmett virou-se para Bella.

- Ela não é tão saidinha quanto você, né?

Bella sacudiu a cabeça, rindo.

- Não, seu bobão. Bree fala pelos cotovelos quando estamos em casa. É só que você é estranho, ela fica tímida.

- Posso ir agora? - a menina interrompeu. Seu rosto transparecia decepção, e Bella sentiu-se momentaneamente culpada.

- Ei, não fica chateada comigo, tá? - Pediu com delicadeza. - Nem com a mamãe também, você sabe como essa grana extra é importante pra gente.

- É, eu sei. - Bree respondeu. Virou as costas sem se despedir, e trancou-se na droga do camarim onde ficaria presa pelas próximas horas.

E Bree realmente sabia. Ela havia crescido ouvindo desculpas pelas ausências da mãe e, embora quisesse que sua família fosse como a de suas colegas de classe, ela tinha consciência de que isso jamais seria possível. Desde que o patriarca, Charlie Swan, morrera de um ataque cardíaco há 6 anos, a vida das três mulheres mudara completamente.

Era por isso que Bella, nesse momento, começava a organizar copos e garrafas sobre um balcão de um bar, ao invés de estar terminando uma faculdade, como grande parte de seus amigos. Era por isso que Renee Swan precisara deixar sua filha caçula com a irmã mais velha para poder ir até o outro lado da cidade lecionar na faculdade comunitária no turno da noite. É tudo por você, Bree. Você vai ter o melhor futuro que possamos te dar, elas diziam vez ou outra.

Bree não sabia exatamente como se sentir diante a isso.

É claro que estava grata, mas a ideia de guardar dinheiro para que ela pudesse entrar na faculdade lhe parecia absurda quando havia outras coisas mais urgentes e importantes para tratar agora. Como por exemplo, a reforma do seu quarto. Ela não era mais a menininha de 5 anos que havia se mudado para a casa onde moravam desde a morte de seu pai. Ela queria rosa nas paredes ao invés do azul bebê atual, mas tudo bem, ela podia esperar mais um pouco. Com 13 anos já poderia trabalhar como babá, assim como sua irmã fez um dia, e ela também teria seu próprio dinheiro.

Enquanto isso, iria ficar esperando o tempo passar no camarim vazio em que a puseram. Sentou-se no sofá marrom encardido e jogou a mochila para o lado. Fitou o ambiente por alguns segundos. Era meio empoeirado e cheio de coisas velhas e escuras. O ar condicionado estava ligado, mas havia um terrível cheiro de mofo. Em poucos minutos ela começaria a tossir por conta de sua alergia à poeira, e talvez isso a salvasse de ter que ficar escondida.

Entretanto, o lado do anjinho em sua cabeça queria muito ser uma boa garota e não se rebelar. Então ao invés de bater o pé e reclamar por estar ali, ela decidiu ser compreensiva e paciente. Acomodou-se no sofá, tirou o tênis branco acinzentado e ligou seu mp3. Iria se perder em músicas pelas próximas horas e seu mundo ficaria mais feliz naquele curto período de tempo.

x-x-x

Já passava das nove da noite quando Edward Cullen conseguiu, enfim, chegar ao High Dive. Precisou dirigir correndo para o centro de Seattle depois de ficar preso na mesma vaga por 40 minutos. É claro que ele xingou até a terceira geração daqueles motoristas imbecis que haviam feito um sanduiche com seu carro.

Tudo havia dado errado hoje. Ele derrubou café quente em sua mão pela manhã, esqueceu de buscar suas roupas na lavanderia pela tarde, e agora vestia roupas sujas da semana passada. Estava com medo de qual outro infortúnio poderia acontecer nessa noite.

Ele deveria estar no bar há pelo menos 1 hora para a passagem de som da Blackbird. Os caras já haviam ligado umas 5 vezes, e estavam nervosos. Além disso, Rose iria arrancar suas bolas fora quando o visse tão atrasado e, consequentemente, atrapalhando toda sua rigorosa agenda para o funcionamento do bar.

De qualquer forma, Edward não queria fazer feio. Seria a primeira vez que se apresentaria no bar de sua amiga Rose, depois de tantos convites seus. A Blackbird, em seus 10 anos de estrada, já tinha feito diversos shows no High Dive, mas aquele seria o primeiro com Edward na formação. Ele era o novato na banda, tocava com eles há apenas 8 meses. Além disso, sentia-se em um ótimo momento da carreira, à vontade com o estilo musical e parceria com seus colegas de grupo, e não queria estragar o bom relacionamento que construíra com os caras.

Ele passou pela entrada principal, onde uma meia dúzia de clientes já ocupava mesas do salão, indo direto ao camarim. Agradeceu aos céus por não ter sinal de Rosalie ali. No corredor da saleta onde sua banda estava, deu de cara com um segurança do tamanho de um armário. E isso porque o cara estava sentado.

- Boa noite. Qual das duas? - perguntou Edward gesticulando para as portas naquele corredor. O homem levantou-se, e o olhou de cima a baixo, especulando-o.

- Boa noite. Você é quem mesmo?

- Edward Cullen. Integrante da Blackbird.

- Claro. - o segurança debochou, de braços cruzados, mas apontou um dedo. - Aquela ali. Ande logo.

- O-obrigado. - Edward entrou no camarim barulhento, perturbado pela atitude do segurança lá fora. Sentiu todos os pares de olhos voltarem-se para ele.

- Boa noite, pessoal.

- Você está atrasado, cara! - gritou Ben, o baixista que era, de longe, o mais disciplinado do grupo. Isso para não dizer chato.

- Não me diga? - zombou. - Me desculpe, está bem? Eu tive um dia péssimo hoje. Não foi minha culpa, já expliquei no telefone.

- Que seja. Vá e se apronte, temos que fazer essa checagem de som logo.

Em questão de minutos, eles estavam no pequeno palco que ficava ao lado do balcão do bar. Testaram os sons de seus instrumentos, microfones, fios e ajustaram o áudio. Ensaiaram três músicas apenas, devido a falta de tempo, mas tudo correu bem. Ou quase tudo. Edward precisou trocar uma corda de sua guitarra, uma Fender Stratocaster¹ preta - coisa que ele não fazia há meses, mas sequer sentiu-se surpreso. O destino hoje já havia lhe provado que ele acordara com o pé esquerdo mesmo, então só o que podia fazer era esperar a hora de ir para casa e terminar esse dia de merda.

- E aí, pessoal, vocês querem beber alguma coisa? Rose avisou que é por conta da casa. - Edward estava de costas sobre o palco quando ouviu a voz feminina falar durante a pausa. Ele sequer importou-se em virar-se. Só queria conseguir trocar sua corda quebrada, mas a queimadura de café em sua mão começava a doer. Ele xingou baixo. Em seguida, ouviu os quatro colegas de banda fazerem seus pedidos.

- Quero água, por favor.

- Uma Guinness!

- Opa. Se é de graça, quero um whisky. Sem gelo.

- Uma água, também. E outra Guinness.

- E você aí, não vai querer nada? - A pessoa o cutucou no ombro, e Edward virou-se irritado.

A imagem que viu o fez olhar duas vezes. Ele tinha toda a pretensão de descontar sua raiva na garçonete que enchia seu saco, mas não conseguiu.

A garota tinha enormes olhos castanhos arrumados num rosto adorável. Ele não sabia explicar porque sentiu-se repentinamente cativado, mas queria olhar para ela por mais tempo. Era estranho. O cabelo estava preso num coque frouxo e a pele muito branca da nuca saltava a seus olhos. Ele precisava saber o nome dela.

- Só uma água, por favor. - Pediu, tentando não dar muita bola, apesar de tudo.

- Ok. Já volto. Fiquem à vontade.

O olhar de Edward acompanhou a moça, até esquecendo-se da guitarra em suas mãos. Ele a observou preparar as bebidas por trás do balcão, trabalhando com destreza e rapidez. Seus lábios sussurravam alguma coisa, como se falasse sozinha ou cantasse, deixando o rapaz intrigado. Ele desejou poder estar perto para ouvir.

Poucos minutos depois, a bartender retornou com os pedidos, e Edward fez de tudo para conseguir voltar ao que fazia antes.

- Obrigado. - ele sorriu quando a moça lhe entregou, por último, sua garrafa de água.

- Não há de quê. - disse com suavidade. - Se vocês quiserem pedir alguma comida, é só dizer, que nós levaremos até o camarim.

- Depois veremos isso. - falou Alec, o vocalista. - Vamos passar a última música?

E então passaram. Enquanto tocavam um blues rock original da Blackbird, Edward estava com a cabeça longe, a poucos metros dali, pensando em alguma forma de saber mais sobre aquela garota. Volta e meia ele lançava olhares a ela, que estava atrás do balcão e retribuíu com ar de mistério quando percebeu o olhar de Edward. Ele não sabia como proceder. Estava ali a trabalho, assim como a moça. Teria que esperar até a casa noturna fechar para tentar se aproximar; isso se tivesse a sorte de que ela fosse querer qualquer conversa com ele.

E sorte, definitivamente, era um elemento ausente em sua vida hoje.

Os rapazes retornaram ao camarim, esperando serem chamados para começarem o show. Comeram todos os petiscos que tinham direito e consumiram ainda mais cervejas. Riram e falavam alto em papos sobre mulheres e músicas que haviam descoberto recentemente. Alguns fumavam, mas eram todos caretas, o que fazia a conversa ficar muito mais interessante. Era um típico dia no camarim da Blackbird.

Porém, do outro lado da parede, estava uma garotinha impaciente.

Bree já havia desistido de ouvir música em seu mp3 há muito tempo. Seu relógio de pulso dizia que já era tarde o suficiente para que ela tivesse sono, mas agora nem mesmo conseguia adormecer no sofá. Também, pudera, com tanto barulho que aquele pessoal fazia no outro camarim, era impossível ter paz. Ela se perguntou se todas as bandas eram assim, e teria ficado curiosa em ir até lá ver como era, se eles não estivessem lhe irritando tanto.

Sentou-se de supetão, pois havia decidido o que faria.

Ela não conseguiria dormir ali, Bella estava louca se achava que essa ideia poderia dar certo. Tentou ligar para irmã, forjando uma tremenda dor de cabeça, mas o celular não era antendido. Decidiu, então, esperar mais 10 minutos, até pelo menos 22h30 para que saísse e fosse procurar Bella para... alguma coisa. Qualquer coisa. Ela só precisava sair daquele camarim bolorento.

Nem 4 minutos precisaram ser aguardados para que Bree ouvisse a música alta sendo desligada, e em seguida passos e vozes masculinas atravessando o corredor. Levantou-se depressa e colou o ouvido na porta para ter certeza de que a maldita banda estava indo embora. Sorriu vitoriosa quando constatou que sim.

Bree sabia que estaria quebrando regras de sua irmã, mas agora já não tinha volta. Havia começado a sentir aquela inexplicável agonia em suas pernas: um comichão para sair andando, correr muito, como às vezes tinha durante madrugadas de sono ruim.

Cuidadosamente, ela abriu a porta de seu cativeiro. O mala do Emmett não estava em lugar nenhum, e ela conseguiu sair sem ser notada. Em sua frente, porém, estava o corredor sem luz por onde ela viera com a irmã, e foi ali que parou amedrontada. Sim, era ridículo ter 10 anos e ainda ter tanto medo do escuro, mas Bree sabia que precisava vencer isso agora. Respirou fundo, deu um passo e fechou os olhos ao andar com pressa, rezando para não tropeçar e, Deus a livre, encontrar um fantasma.

Ela ouviu o burburinho e a música do DJ vindas do salão do bar, e abriu os olhos, conseguindo avistar sua irmã de longe. Em pé no balcão, fazendo malabares com uma garrafa de bebida, estava Bella, já vestida com sua roupa de trabalho.

Bree estava muito perto de alcançar o final do corredor quando um vulto extremamente pesado e alto cruzou seu caminho. Seu susto foi enorme. Ela deu um berro e só conseguiu entender o que tinha acontecido quando sentiu seu bumbum se chocar contra o chão.

- Merda! - o homem exclamou ao quase tropeçar em uma tralha no meio do caminho, antes de perceber que era só uma garotinha - Quer dizer, droga. Você está bem?

- E-estou. - Bree olhou para cima e viu, contra a luz, um cara com uma barba e um cabelo esquisito. - Você não é um fantasma, é?

- O quê? - ele riu esticando uma mão para levantá-la.

- Você não é um fantasma. Ufa, ainda bem. - Bree acabou constatando ao sentir o odor do homem que lhe ajudou. Ela sabia que fantasmas não tinham cheiro de nada, e aquele cara fedia a cigarro - uma coisa que ela odiava. Era o cheiro que sentia em Bella pela tarde quando chegava da escola, mesmo que a irmã sempre lavasse os cabelos ao chegar em casa.

- E você é uma criança, não devia estar aqui. Está perdida?

O rapaz parecia confuso, e Bree continuava assustada. Bella iria matá-la se soubesse que estava falando com estranhos. Ela sacudiu a cabeça.

- O que foi? O gato mordeu sua língua? - Perguntou o moço, cruzando os braços.

- Dã, eu não tenho cinco anos. - ela rolou os olhos.

- Hã?

- Essa piadinha que você fez, a gente só faz pra criancinha.

O jovem sorriu. Suprimiu uma gargalhada, na realidade, mas resolveu não enfurecer a pré-adolescente.

- Está bem. Então, você quer ajuda? Aliás, de onde você veio, hein? Isso é o backstage, só membros da banda podem entrar aqui.

Ela arregalou os olhos, meio desconfiada. O cara poderia estar mentindo, mas se fosse verdade, finalmente conhecer alguém de uma banda real era irado. Mesmo que tal banda tivesse a enchido o saco mais cedo.

- Você é da banda?

- Sou. - Ele olhou para trás por um instante, avistando o palco.

Algumas pessoas começavam a olhar em sua direção e logo iriam estranhar o fato de ele estar em pé num corredor escuro com uma criança. Isso poderia ser mais do que estranho. Edward abaixou-se para olhar melhor a menina, encobrindo a visão dos outros.

- Olha, eu preciso ir pegar uma coisa que eu esqueci no camarim, mas tenho que voltar logo porque vamos começar o show daqui a pouco. Tem gente demais no bar hoje e não acho que seria legal você sair por aí sozinha. Me diz o que está fazendo aqui? - perguntou, pensando "coopere, criança, por favor".

- Eu sei muito bem me virar sozinha, tá? É só que eu tive que vir pro trabalho com minha irmã hoje, mas ficar lá dentro estava um saco. Minha irmã é aquela ali, e eu vou pedir pra ir embora. - respondeu apontando para a bartender de longos cabelos castanhos que remexia os quadris ao som da música hip hop.

O rapaz olhou para onde ela indicara, e rapidamente voltou a encarar o rosto infantil da menina de cabelos muito mais ondulados e mais negros que o da jovem bartender.

- Você é irmã dela? - perguntou com desconfiança.

- Sou, ué.

- Eu sou Edward. - ele falou, estendendo uma mão. Ela teve um pouco de medo, mas sacudiu a mãozona do moço de cabelo e nome esquisitos.

- Eu sou Bree. Brianna Mae Swan. - pronunciou com orgulho.

Edward sorriu de leve. - Ok, Bree Swan. Vamos fazer uma coisa? Eu te ajudo a chegar até sua irmã sem que seja notada e sem fazer muito alarde, pode ser?

Bree assentiu. Ela só queria chegar ao seu destino, de qualquer forma.

Edward hesitou em pegar a mão da garotinha. Se havia uma coisa que ele não fazia ideia era como tratar crianças. Olhou ao redor antes de decidir que colocaria Bree grudada a seu lado para rodear a pista de dança do bar.

Andando com ela pelas sombras, ganhou alguns olhares dos que esbarravam nos dois e de algumas pessoas que estavam em mesas próximas, mas nada de mais. Ele só esperava que não houvesse nenhum policial disfarçado, como já acontecera em outros bares onde sua banda tocara.

- Pronto. - falou chegando a porta da bancada do bar principal, o qual tampava a criança baixinha completamente.

Esperou até que Mike e Lauren, os outros atendentes do bar, estivessem longe para conseguir abrir a portinha de passagem na bancada. Bree se abaixou, esgueirando-se até entrar, e escondeu-se sentando no cantinho do grande e escuro espaço que era o bar do clube noturno. Estava um pouco sujo ali, mas ela já tinha estado em locais piores. Além disso, a sensação de estar participando de uma missão secreta lhe parecia excitante.

- Fica quietinha aí. - Edward disse.

Os dois esperaram pacientemente até que Bella descesse do balcão onde fazia seus malabares de garrafas ao som de uma música. Uma salva de palmas e assovios tomou conta do lugar, e logo eles a viram se afastar para lavar as mãos numa pia.

- Vai! - Bree deu um sussurro meio berrado.

Edward andou até onde Bella estava.

- Ei, você!

- Estou ocupada. - Respondeu ela sem virar-se.

- Eu preciso falar com você!

Bella lavava copos de tequila freneticamente, e balançou a cabeça, irritadiça. Devia estar achando que ele era algum cliente chato. Edward tentou novamente.

- É uma coisa séria!

- Lauren! - ela deu uma cotovelada na colega que cortava limões ao seu lado. - Atende o cara aí.

A loira olhou para trás e abriu um sorriso ao ver Edward. Voltou-se para a amiga.

- Bella, é o guitarrista. Fala com ele.

A morena inclinou-se para dizer qualquer coisa à colega, e ambas riram. Edward já estava ficando apreensivo com a criança que ficara largada a poucos metros deles. Será que ninguém a notara ainda?

De repente, Bella virou-se com um sorriso brilhante.

- O que deseja?

Edward não conseguiu evitar ficar mais uma vez encantado por ela, ainda mais agora podendo colocar um nome naquele sorriso. Também não conseguiu evitar olhar para o seu decote, mesmo que por um milésimo de segundo. Em sua defesa, o colo da moça estava bem na sua cara e o pegou de surpresa. Ele sorriu de volta, para disfarçar seus olhares roubados.

- Eu achei alguém aqui. Sua irmã, Bree. - falou, vendo o rosto de Bella transformar-se. Seus olhos se arregalaram como o da garotinha há poucos minutos.

- Merda! Onde ela está?

- Calma, tá tudo bem. - ele respondeu, aproximando-se dela sobre o balcão para conseguir falar mais baixo. - Bree está ali no canto. Achei melhor deixá-la escondida para não atrair atenção. Ela disse que ficou entediada e quer ir pra casa.

Edward afastou-se assim que Bella saiu andando até onde Bree estava. Ele a seguiu, logo ouvindo a pequena levar um sermão da irmã mais velha.

- Assim você não me ajuda, Bree. Poxa! Você já ficou esse tempo todo, não pode esperar mais um pouco? Faltam só 2 horas pra gente ir.

- Mas eu quero ir agora. Estou cansada! Que saco.

- Não dá. Eu não posso. Por favor, seja compreensível.

Bree estava com o maior bico de choro. Bella bufou e levantou-se de onde estava. Ela deu um sorriso amarelado para Edward.

- Desculpe por isso. Ela só está numa fase meio difícil...

Edward coçou a cabeça um instante. - Olhe, ela não é sua irmã? Você sendo maior de 21 anos, não é a responsável legal por ela? Pode dizer que autorizou Bree a entrar no bar, se der algum problema.

Bella soltou uma risada alta.

- Como se eu precisasse de mais problemas na minha vida! E não, tecnicamente, não posso ser responsável por ela. Tenho quase 22, mas a responsável é minha mãe. Perante a lei eu sou apenas irmã.

- Ok... Tenho uma ideia. Por que não deixa Bree atrás do palco? Assim ninguém vai vê-la.

Bella mordeu o interior da boca, franzindo o cenho.

- Eu não sei, é arriscado.

- O nosso equipamento é grande, nós somos altos, e ali atrás é escuro. Chame Emmett para dar uma força.

- Até que nã...espere aí, onde está o Em? - ela virou-se para Bree, que ainda sentava no chão. - Como você conseguiu sair de lá?

- Aquele monstrengo não estava na cadeira no corredor. Foi fácil. - A garotinha deu de ombros.

- Imbecil. Estava bom demais pra ser verdade. - Bella xingou baixo para si mesma, mas logo decidiu-se. - Está bem, deixe-a atrás do palco. Eu vou ligar pra esse inútil do Emmett, e providenciar uma cadeira.

- Ótimo. - Edward falou.

- Irado! - gritou Bree animada com a proposta.

- Certo. Obrigada. Como é seu nome mesmo?

- Edward Cullen. - Ele ofereceu uma mão.

- Eu sou a Bella. - Sacudiu a mão dele, dizendo o apelido que bastava em seu trabalho.

- Bella Swan. - ele complementou com um sorriso sorrateiro.

- Eu já tinha dito meu nome antes? Como você sab...? - a moça começou a dizer, mas olhou a menina ridiculamente escondida em seu local de trabalho. - É claro. Bree adora dizer o nome inteiro. Nunca vi criança mais cheia de si. Metida!

- Chata! - Bree retrucou. Edward sorriu com a implicância fraternal das duas.

- Eu tenho que ir agora, antes que Alec tenha um troço de impaciência. Está a um passo de chamar meu nome pelo microfone.

- Sim, claro. Vá. Eu me viro com Bree. Bom show. - ela sorriu, sentindo uma pontada em seu estômago quando o sorriso que recebeu de seu novo amigo Edward prolongou-se por alguns segundos a mais do que ela esperava, até ele sair de sua frente.

Ele podia ser considerado um novo amigo, não podia? Ele a tinha ajudado com sua irmã, e é claro que estava interessado nela. Era impossível não notar tantas olhadelas em seu decote daquele jeito, além da forma óbvia como Edward havia a observado enquanto ensaiava mais cedo. Normalmente, Bella teria ficado furiosa com a audácia clichê de dar em cima das bartenders. Mas aquele cara era diferente, ela sentia.

Depois de cinco minutos, Bella finalmente conseguiu achar Emmett, após equilibrar seu celular no ombro enquanto atendia aos pedidos de bebidas no balcão. Seu velho amigo desculpou-se muito, prometendo que não iria mais decepcioná-la. Os dois arranjaram um jeito de colocar Bree atrás do palco em segurança e discrição. A baixinha divertiu-se demais com o show, enquanto Bella ralou para acompanhar o ritmo da frequência no bar.

Vez ou outra, Edward lançava-lhe olhares que para ela pareciam furtivos, mas era difícil flertar com sua mão fedendo a limão e seus pés doendo por conta de um salto alto apertado.

- E aí? - Lauren chegou a seu lado quando a Blackbird tocava a última música, uma melodia lenta. Um estranho momento de paz se abatera no clube noturno lotado. Todos pareciam em transe.

- O quê? - Bella perguntou.

- O cara está caidinho por você, Bella. Vai deixar passar essa chance?

- Você fala como se eu fosse uma encalhada. - ela bufou uma risada.

- Ah, qual é. Ele é gato, parece interessante, e você é solteira. Quebre essa regra ridícula sua de não sair com frequentadores do bar e vá se divertir.

- Ele parece mesmo interessante. E é guitarrista... - refletiu absorta, olhando para o que Edward fazia no palco.

- Pois é, eu só digo uma coisa: dedos. Dedos habilidosos!

Bella riu da colega, sacudindo a cabeça. Lauren saiu de perto, deixando-a sozinha com seus pensamentos.

- Me pergunto como seria cantar com ele. - falou baixinho.

Ela permitiu que sua mente imaginasse diversos cenários em que ela estaria ao seu lado sobre aquele palco, ou outro qualquer. Os dois parecendo verdadeiros deuses. O público os ovacionando. E no final, um beijo entre eles selando o amor e sua arte...

- Hey, você! Olhe pra cá gatinha, me dê uma cerveja. - alguém a chamava por perto.

Seu sonho despertado se diluiu rapidamente. A realidade a interrompia em forma de voz grosseira de homem, e ela sentiu-se tola por deixar-se sonhar tão alto. Bella sabia que era na terra que ela pertencia, e não havia saída.

A vida real era o aqui e o agora. Nada iria mudar com seus sonhos.

Após o show, Edward retornou ao camarim com sua banda, levando Bree consigo, com autorização de Bella. A noite passou como passavam todas as outras para a bartender do High Dive². Sua chefe, Rose, finalmente resolveu dar as caras ao fazer sua verificação rotineira do salão 1h30 da manhã.

Meia hora mais tarde, Bella, Lauren e Mike arrumavam o bar. O local já havia expulsado seu último cliente alcoolizado, e as luzes estavam acesas. O pessoal da banda havia decidido, enfim, ir embora, e Bella viu, logo na frente da comitiva, Edward vir andando carregando uma Bree adormecida em seus braços. Ele conversava animadamente com Rosalie ao seu lado, embora caminhasse com dificuldade, já que sua irmãzinha não era mais tão leve assim.

Bella revirou os olhos para a cena, porém sorriu, sentindo mais daquela coisa estranha em seu interior.

- É sempre bom te rever, Edward. - Bella ouviu Rose terminar a conversa dos dois. Ela fingiu não prestar atenção, lustrando meticulosamente um talher com um pano. Não fazia a menor ideia de que os dois se conheciam e ficou curiosa.

- Apareça lá no apartamento. Consegui desempacotar a última caixa anteontem.

Rose riu zombeteira. - Depois de quase um ano! Preguiçoso do caralho.

- Shh, tenho uma criança aqui. - ele falou, e Bella não conteve o sorriso. E ainda por cima é fofo, ela pensou.

- Que seja. - Rose falou, batendo no balcão bem em frente a Bella. - Gata, eu sei que você já nos viu aqui. Vamos, Bella, deixe de ser workaholic. Amanhã você termina isso.

- Claro. - Bella sorriu sem graça.

Ela juntou suas coisas rapidamente. Vestiu seu casaco e despediu-se dos colegas de trabalho. Entretanto, quando foi acordar Bree, que agora estava sentada sobre Edward em uma cadeira, foi impedida.

- Está doida?

- O quê? Eu preciso acordá-la logo, senão vamos perder o metrô.

- Você realmente acha? - Edward riu alto antes de regular seu tom de voz. - Eu vou levá-las até em casa, e não aceito rejeição ao meu convite.

- Mas eu...

Ele ergueu-se da cadeira - fazendo um tremendo esforço com Bree no colo - mas ergueu-se.

- Vamos?

Bella olhou para o rosto que agora podia admirar bem devido a luz. Ele era incrivelmente belo. Se havia algo que Bella aprendera desde que começara a trabalhar ali, era não deixar-se jamais ser enganada pelas aparências. Mas Edward tinha algo de diferente.

Ela não conseguiu resistir à sinceridade que brilhava naqueles lindos olhos verdes que se revelaram com a claridade.

- Vamos.

Eles trocaram algumas palavras no caminho. Edward fez Bella rir com algumas besteiras que falou, e a jovem flertou de volta. Os dois faziam o outro sorrir. Já era suficiente para afirmar o interesse que surgia um pelo outro.

Assim que chegaram em frente à pequena casa amarela, ele estacionou para que Bree e Bella saltassem do carro. A garotinha havia acordado, e andara emburrada para entrar em seu lar, deixando os dois jovens para trás.

- Obrigada por nos trazer. Foi muito legal da sua parte. - Bella disse, debruçando-se sobre a janela aberta do carona, enquanto Edward só pensava "Não olhe pros peitos dela. Não olhe, não olhe".

- Não há de quê, Bella.

- Então... - ela mordeu o canto da bochecha, um traço que ele já havia decifrado: estava inquieta.

- O que foi?

- Me passa seu celular? - pediu avidamente.

- Isso é um assalto? - ele brincou, fazendo Bella soltar uma gargalhada, mas ditou o número para que ela gravasse em seu aparelho.

- Bom, podemos manter contato... Se você quiser.

- Eu quero. - ele respondeu rápido demais.

- Que bom. Eu também. - Bella sorriu meio sem jeito. - Eu te ligo.

- Vou ficar esperando. - falou ele cheio de esperanças na voz. - Boa noite, Bella.

- Boa noite.


N/A: Posto isso aqui com tremeliques de ansiedade. Nunca sei se vão gostar, e na verdade sempre acho que não vão. Primeiros capítulos meus são meio sem graça. Quero postar os próximos logo.

¹ Guitarra do Edward, a Fender Stratocaster - http:/ stringsreunited. com/images/black_strat. jpg

² O High Dive é um bar real em Seattle. Eles têm mesmo o esquema DJ-shows-bartenders fazendo firulas. - http:/ highdiveseattle. com/index. asp

Agora, (juro que as futuras N/As serão menores), faço minha homenagem(zinha) a dona Cella ES, que merece uma fic inteirinha dedicada a ela (com músicas que gosta, com temas que eu sei que curte, com coisas safaduxas), pois ela desde o início me incentivou a postar minhas besteirinhas. Sem seu entusiasmo com o que escrevo não teria tanta graça. E não é puxa-saquismo dela (ou meu), porque a gente não precisa disso. É tudo sincero e de coração. Obrigada por tudo, índia querida. (E ENGOLE O CHORO, PORRA, SEJA MACHO!)

Deixar review nesse momento de estreia é crucial pra uma autora. É assim que vamos saber se estamos agradando ou não. Portanto, comente o que achou! :)

Até quarta.

Beijos!