O LIMITE DO CAOS

Sinopse: Bella Swan foge de Forks para Nova York para reconstruir sua vida, mas com o tempo, ela tímida e calada verá como o seu mundo se converteria em uma total loucura quando se encontrar presa pela obsessão de quem menos acredita, o misterioso Edward Cullen.

Disclaimer: A fanfic pertence à sachita1212 que me autorizou a tradução, Twilight e os seus personagens pertencem a Stephenie Meyer, e a mim somente a tradução.


Capítulo 6 – Sonhos e Premonições

- O que você quer dizer professor Hoffman é que as escritoras como Austen, as irmãs Bronte ou Emily Dickinson devem sua escrita a uma frustração sexual?

- Eu não quis dizer isso senhorita Swan.

- Sim, sim o disse, você tacitamente argumenta que os personagens como Rochester, Darcy, Heathcliff ou os poemas que elas escreveram só nasceram de mulheres que não tinham conhecido o sexo, portanto toda a sua frustração foram colocadas em suas palavras.

- Não, o que eu quis dizer é que elas escreveram personagens que nasceram do ideal, homens rudes, arrogantes, malvados, isso é produto de uma época de repressão sexual.

- Não entendo, quer dizer que as mulheres podem escrever histórias de amor violentas quando elas não provaram o amor violento? Ou escrevemos desejando a violência?

- Você não podia negar que Heathcliff não é o homem ideal para nenhuma mulher.

- Quem sabe, mas quem quer ler um romance onde os personagens sejam o sonho de um escritor de superação pessoal? O amor é paixão e fogo, contradição, eu não quero ler um romance onde os personagens saibam de tudo e sejam bons e nobres, que parecem que não tem uma gota de incerteza em seu corpo.

- Mas é um ideal romântico senhorita Swan, um ideal que não tem nada a ver com o amor real.

- O que é o amor real? Além do mais, volto e repito que é literatura.

- Essas mulheres falam de amores doentes, muitos deles conduzem a autodestruição.

- Não, falam dos amores que são capazes de transcender o tempo e a morte. Sua argumentação durante toda essa aula tem sido o discurso quase freudiano, que fala que uma mulher só deseja sexo, que é incompleta se um homem não a penetra, e que aquelas que não têm um pênis dentro das suas vaginas tem uma melancolia que descarregam em alucinações frenéticas de homens violentos.

Toda a turma estava calada, parecia que o vento tinha parado naquela sala, vendo como a tímida senhorita Swan brigava cara a cara com o prepotente senhor Hoffman, um arrogante chauvinista que achava que as escritoras eram umas loucas histéricas.

Todas as garotas da sala o odiavam, mas nenhuma tinha sido capaz de desafiá-lo. Isabella continuou.

- Agora Professor, falemos do século XX, Margarite Duras, Simone de Beauvior, então o que são? Também as vai desqualificar, sem falar em Margarite Yourcenar que era homossexual, talvez ela sim seja do seu gosto.

- Senhorita Swan! Você é grosseira e impertinente.

- O que professor? Quem sabe eu seja uma louca histérica ou quem sabe seja uma frustrada sexualmente que argumento com seu estupido discurso porque não tenho um homem que me penetre selvagemente e que me enche de filhos, talvez tenha nostalgia desses tempos onde às mulheres eram somente decorações sem valor, oh desculpe Senhor Hoffman, épocas como essa deram escritoras loucas e dementes que foram capazes de incendiar o mundo.

Os estudantes do segundo ano de literatura inglesa soltaram um som de aprovação, o idiota precisava de uma boa surra. O homem estava furioso, não podia ameaça-la com expulsão já que a universidade vinha fazendo um acompanhamento por assedio e roubo intelectual, qual seria seu argumento contra a senhoria Swan? A maldita era a estudante mais inteligente que ele havia tido em anos e era detestável.

- A aula terminou – Hoffman recolheu seus livros, saiu como a alma que leva o diabo e deixou todos atônitos. Ninguém se atreveu a falar com Bella, todos sabiam que era inteligente e precoce, mas diabos, a garota tinha espirito rebelde e selvagem e isso dava medo.

Bella saiu da sala, queria tomar um café, fazia mais de um ano queria fazer o que fez, Hoffman insultava a inteligência de todos. Parava em frente à turma como se fosse um deus onipotente com direito de aniquilar qualquer pensamento que não concordasse ao dele. Ela não era dessas mulheres feministas ao extremo, não, pois sempre acreditou que esse feminismo radical era um machismo invertido, mulheres que pareciam que o único que lhes faltava era um bigode, mas não permitiria que um idiota subestimasse o talento e o gênio de ninguém, quem achava que era? Já tinha o suficiente com o arrogante Cullen para aguentar outro tipo com complexo de supermacho.

Caminhou pelas escadas da NYU, quando viu que alguém a seguia.

- Nossa garota, você sim é valente – o garoto a abordou sem mas.

- O que?

- O que disse lá dentro, wow – era um garoto alto e moreno – me chamo Peter Sullivan.

Isabella corou, não estava acostumada que a abordassem dessa maneira.

- Isabella Swan – respondeu de maneira quase audível.

- Me fascinou, alguém devia lhe dar um chute no traseiro, perdoe meu francês, a esse idiota.

- Não foi nada.

- Nada menina? Foi fantástico, todos desejávamos fazer o mesmo há muito tempo, você é minha heroína, sério.

Bella sorriu com timidez, estava incomoda e apreensiva com o garoto, mas esse parecia não se dar conta de nada.

- Todos lá dentro acreditamos que você é bárbara, mas sempre foi tão calada que intimida a todos, mas deixe-me dizer que quando abre essa linda boca que tem, é incrível.

Bella quis ir para tomar seu café, não era boa nesse tipo de conversa onde ela era o centro da atenção. Peter era todo ruído e movimento.

- Te convido para tomar uma bebida, já é maior de idade? Não se importa com um café? Vamos Isabella! Eu não mordo.

- Tenho que madrugar.

- Não seja assim, comigo não tem perigo, não escutou que o melhor amigo de uma mulher é um gay? – Peter sorriu e lhe deu uma piscada travessa.

- Oh.

- Viu? Em você falta algo que eu gosto, assim que não tem perigo.

Foi assim que Bella se viu tomando café com a pessoa mais graciosa e aberta que ela já tinha conhecido em sua vida, em menos de meia hora ele lhe contou sua vida. Era um garoto rido filho de um general do exército que sonhava que seu filho fosse a academia militar, o susto da família se deu quando o garoto sim sonhava com ir ao exercito, mas não necessariamente para jogar com as armas dos soldados. Seu pai o expulsou de casa, para que poucos meses depois voltasse, já que sua mãe o ameaçou com divorcio e o escândalo. Peter contou que não sentia rancor do seu velho, pois esse havia tratado com muito esforço de compreendeu seu estilo de vida, o único que disse foi, não seja estilista, nem consultor de imagem, isso é demais para mim. Peter respondeu ao seu pai que não. Odeio os estereótipos Bella, sou o único homossexual que não vê o E! Entertainment.

- Conte-me, eu estive falando como um papagaio, e você?

- Eu?

- Vamos Isa, falou mais nessa aula do que nessa hora comigo, sou tão chato?

- Não, claro que não, Peter, é que não estou acostumada a falar com alguém da universidade.

- É hora de começar garota, ainda que na verdade tenha tontos ali, mas eu sou especial.

- Nossa, que ego você tem.

- Diga-me Isa, você é de New York? Não tem o sotaque daqui.

- Não, eu nasci em uma pequena cidade de Washington.

- E?

- Nada, não tenho uma vida espetacular, só vim aqui para estudar.

- E em se transformar na próxima Virginia Woolf, vamos Isa não seja chata, essa paixão que esconde é algo incrível, Emily Bronte, a tinha, aquela solteirona era temível não acha? Heatcliff tremendo animal – ambos soltaram uma gargalhada – você trabalha?

- Aham, é difícil se manter em New York.

- Onde trabalha?

- Na Cullen C.O.

- Não, grande companhia, o que faz ali?

- Sou secretária.

- Não me diga que secretária desse Adônis, Edward Cullen – o disse em tom de brincadeira, mas os olhos sérios de Bella a entregaram – Nãoooo, sério? Garota, nossa, esse cara é irreal. Como mantem a calcinha no seu lugar? O homem é um mito vivo, o vi várias vezes, uma vez no museu de arte na exposição de Chagal, te juro que ninguém viu as pinturas por estar olhando para ele, coisa deliciosa, depois de um concerto de piano, eu juro Isa, que se não soubesse que é asquerosamente heterossexual eu teria me lançado em cima dele... garota, você é uma caixa de surpresas. Edward. Cullen. – o nomeou como se fosse uma adolescente dizendo o nome de seu astro favorito.

Se soubesse que o cara é odioso, malvado, grosseiro, orgulhoso e sim, que diabos, lindo.

~xxx~

No dia de ação de graças toda a família Cullen se reunia na enorme mansão fora da cidade. Todos, com exceção de Edward, sorriam. Como sempre se sentia fora do lugar, sua mãe trabalhava para fazer da sua estadia cômoda e que os atritos com seu pai não fossem tão evidentes em frente aos demais. Emmett estava ocupado com o jogo de futebol, Alice tentava arrastar Jasper ao desfile em Manhattan, enquanto Esme e Rosalie preparavam o peru e todas as tradições que a data pedia. Carlisle tratava de manter uma conversa com seu filho, mas esse desviava de maneira diplomática, respondia com monossílabos ou simplesmente desviava a conversa até algo relacionado aos negócios.

Às vezes se permitia olhar pelo canto dos olhos os seus irmãos que estavam abraçados com seus cônjuges, não podia evitar a inveja e o incomodo que sentia somente se afastava de todos e assumia uma máscara de superioridade e indiferença com a que todos se acostumaram.

Mas havia algo que não podia evitar: Alice vibrando ao seu redor, o surpreendia com beijinhos na bochecha, um doce ou um abraço carinhoso, ele sorria "viu Edward... sorrir não te machuca." Alice não podia evitar sentir que por trás dessa fachada de gelo se ocultava algo que ela não podia definir, estava cansada de que seus pais e Edward lhe escondessem as coisas, todos, incluindo seu marido gostavam de trata-la como uma bonequinha de cristal e não tinha algo mais distante do que isso. Edward. Um homem triste que sempre se perdia olhando por trás das grandes janelas da casa e do escritório, ele acreditava que a enganava, mas ela sabia que seu irmão se ressentia por sua solidão e isolamento.

Ela se aproximou sorrindo, há mais de duas horas estava morrendo para perguntar. Edward a sentiu atrás de suas costas.

- Vamos Alice, pergunte, você está me deixando tonto, com sua espreita sobre mim.

Ela deu uns saltinhos, quem diria que essa garota de um metro e cinquenta e cinco centímetros era irmã desse par de gigantes? Todos seus namorados tinham se assustado em frente a esses dois guarda-costas, até mesmo Jasper que era tão alto como Edward.

Só eles sabiam que a garota os poderia derrubar com um só biquinho.

- Você já a conheceu?

- O que?

- Você já a conheceu?

- Por Deus, Alice, pare de falar tão misteriosamente.

- Você sabe Edward, eu posso ver o futuro, não zombe de mim, é verdade, eu vi Rosalie e Jasper chegarem a nossas vidas.

Edward a olhou com ternura, sua irmã estava convencida de que tinha o dom da clarividência, ele nunca se atreveu a contradizê-la.

- Diga Alice, pequena bruxa, o que você viu? – cruzou seus braços para escutar.

- Oh Edward, faz um mês que a vi.

- A viu?

- Não vi bem o seu rosto, mas estava ali com você, atrás de você, te abraçava e beijava, ela era... era, não sei, mas você estava tão feliz irmão, como eu nunca tinha visto, parecia que dependia dela até para respirar, era lindo, me senti tão feliz por você, faz uma semana que voltei a vê-la e sempre, sempre estava atrás de você, é estranho, eu pensei que já a tinha conhecido.

"Quem dera fosse assim, a preciso agora, estou cansado Alice, queria que fosse verdade, mas isso não é para mim."

- Não, não conheci ninguém Alice.

- Mas o fará Edward, o fará, estou certa, querido, ela está lá fora esperando, você verá.

Nessa noite, nessa maldita noite voltou a sonhar com ela, não o fazia desde que tinha dezessete anos, e Jéssica chegou a sua vida. Durante muito tempo acreditou que ela era a mulher dos seus sonhos de menino na puberdade que havia começado a experimentar o sexo na idade que deveria estar jogando bola com seu irmão Emmett, mas anos depois soube que ela não era Jessica, o cheiro era diferente, indefinível, sua pele era mais suave e sua voz falava suavemente no ouvido. Sentia o ronronar em sua orelha "sim meu amor assim, eu gosto assim" ela respirava em sua bochecha e sentia suas mãos percorrendo seu peito "você, você dentro de mim, mais, mais... tão dentro de mim... sim, sim meu amor, lento, lento". Podia senti-la toda ao redor dele, era delicioso, quente, úmido e apertado. "Edward, eu te amo, beije-me" sua boca, sua língua, seu sabor, o sabor da sua boca, "morda-me, quero sua boca em mim, sua língua dentro de mim". Era uma tortura deliciosa, estava dentro dela, se movia com ela e queria morrer nela, a escutava gemer "forte bebê, mais, mais fundo, eu te amo, mais, mais". Deus sentia suas pernas o prendendo, enroscada nele como se quisesse não deixa-lo ir, sentiu seu peso e seus beijos que lhe percorriam o peito, como se movia em círculos enquanto eram um, o deixando louco. Edward convulsionava em sua cama, "que não seja um sonho, por favor, por favor, fique um pouco mais, só um pouco mais". A umidade da língua o percorria e chegou ali, todo seu comprimento ardia, "por favor, faça bebê, faça para mim, tudo para mim" "o que quiser minha vida, é tudo para você." Era tudo tão lindo, tão quente, toda sua boca sobre ele, percorrendo, jogando com ele, chupando, lambendo. "Seus sons, adoro seus sons, minha vida, grita para mim, sou sua, meu amor, sua, completamente". E de novo seus lábios nele, era insuportável, queria demorar, um pouco, um pouco, retardar essa sensação, sentir-se em casa, mas o movimento dela era voraz e enlouquecedor, "bebê, bebê, eu... eu... oh senhor, isso é... é..." o orgasmo explodiu como uma bomba em seu ventre. Edward acordou, estava assustado pelo fato de ter o melhor orgasmo que tinha tido em sua vida, seu sêmen havia molhado os lençóis e ainda matinha a ereção. Se pudesse voltar ao sonho.

Em estado de vigília, o perfume da mulher se perdia, a sensação de suas mãos sobre ele se afastavam, cada momento com ela no sonho parecia se perder entre a névoa, sua voz, seu peso, suas palavras, um ligeiro eu te amo era como um eco que se afastava. Ali estava ela de novo, o sonho, aquele que teve há muito tempo, mas agora era diferente, era mais preciso em detalhes, por tanto mais agoniante, erótico e esmagador; E se Alice tinha razão? Se ela estava esperando-o? Onde está? Onde está? Eu quero você agora, espere por mim, se está ai fora espere por mim, espere por mm, espere por mim...

Merda, era como uma garota chorona, desde quando se havia transformado em um maricas de merda? "Você é um idiota, deixa de acreditar em contos estúpidos, Edward Cullen, o que precisava é uma boa foda, se masturbar dessa maneira que secava seu cérebro, precisava de uma boceta bonita e suave". Sentou na cama, estava nu, odiava dormir com algo em cima, olhou seu celular, tudo se resolveria apertando apenas um número.

Jenifer William

Susan Green

Rachel Martin.

Diane Cooper

Samantha Thompson

Jane Martin

Diabos, a lista continuava e continuava muitas delas não tinha visto em anos, logo a voz de Irina gritando "você vai voltar, você vai voltar" ressoou como um maldito tambor, "nunca, maldita puta, não voltou voltar a me sentir assim". Jogou seu celular para um lado, ainda que a abstinência sexual fosse uma coisa fodidamente dolorosa, frustrante, a masturbação solitária e melancólica, era melhor que passar de vagina em vagina sentindo um nojo quase suicida. Merda, e se volto para essa época onde eu era um idiota romântico? Acreditando nessas merdas de amor eterno, em seus braços feitos só para mim, em uma boca que só me beije, em uma boceta doce que só existia para mim. Cullen não tenha esperanças, para você não há nada disso, nada, para você só existe: foder e sair... mas eu quero, eu quero, não transar, não foder, eu quero fazer amor. Você está se escutando Cullen? Fazer amor! Que completo e total cretino você se transformou, quem diz isso em pleno século XXI? Tem vinte e sete anos, é um homem, não uma menininha idiota, cuja cor favorita é rosa, então o que quer? Se masturbar até que fique com calos? "Ela está esperando por você Edward... você vai ver" E se decidisse ter fé em Alice? No dia que ia encontrar com Jasper, ela o viu, nesse dia colocou um lindo vestido branco e disse "Vou sair, meu destino me espera". Alice era melodramática e exagerada, mas seis meses depois anunciava a todos que se casaria com seu destino, e ao mesmo tempo anunciou a Emmett que ele seguiria para o matrimonio, pois junto com Jasper vinha sua irmã Rosalie, e efetivamente um ano depois Emmett caminhava até o altar com o sorriso mais ridículo e emocionado de todos.

Maldição, qual era a pressa? Tinha o maldito mundo aos seus pés, dinheiro e poder, o que queria? A metade dos homens do planeta daria a vida por ter o que ele tinha, queria fidelidade? Uma casa? Filhos? Merda e fraldas? Alguma vez há muitos anos, se viu nesse dilema e se sentiu feliz diante a possibilidade, depois tinha se tornado um bastardo cínico e cético sobre o amor, essa merda não existe. Trocaria sexo quente e sem compromisso por alguém que deveria dar explicações? Trocaria geografia de corpos diferentes por apenas uma? Trocaria transas violentas e perigosas por atos de ternura? "Vamos Cullen, você em encontros românticos, levando flores, vendo filmes estúpidos de garotas e comendo pipoca de manteiga em um domingo à tarde, é nojento, é idiota... é, oh sim, merda quero isso, já tive todo o tipo de merda na vida, sexo desde o mais arriscado até o mais nojento, vinte e sete com a experiência de oitenta, já não poderia voltar atrás, já não podia esperar um pouco, esperar por ela, esperar seu corpo, sua boca, sua língua, esperar, em algum lugar deve estar, seu perfume e seu sexo lindo, delicioso e quente, e se não é assim, que o puto diabo o levasse com ele."

~xxx~

New York no Natal era um espetáculo, a neve, as luzes, toda a 5° Avenida iluminada com lindas luzes coloridas, o espírito de Natal no máximo. Bella precisava fazer compras para seu pai e seus amigos. Para Stella uma bela bolsa, para Thomas a última recopilação de musica da Nina Simone, para Cathy um perfume, para Angela, ainda que não a conhecesse muito havia se transformado em uma boa companheira de trabalho, uma caixa de chocolates Godiva e para Charlie uma linda vara de pesca feita de uma bonita madeira e com um carretel de prata, ele ia amar. Todas essas compras fez com sua nova melhor amiga Peter, que era uma ótima companhia e conhecia as melhores lojas, além do mais sabia negociar como turco. Queria se dar esse gosto, o salário da Cullen C.O era maravilhoso, lhe sobrava para isso e muito mais, além do mais o bônus de Natal era realmente ridículo. Peter lhe disse uma mulher precisa ser mimada, acima de tudo, por ela mesma, esse foi um bom conselho. Nesse dia de compras Bella descobriu uma nova obsessão: sapatos, em uma das maiores lojas viu uns lindos Manolo Blahnik, de um fúcsia profundo, cheio de pequenas correias com uma belíssima flor no meio, era o mais bonito que ela havia visto. Ficou em frente à vitrine que os mostravam, eles a chamavam, compre-me, compre-me. Peter com um sorriso na boca disse:

- Compre, são lindos.

- Devem ser caríssimos.

- Vamos Bella, lhe dê esse prazer, se veste de maneira tão conservadora sempre, com toda essa seriedade de um pouco de cor a sua vida, além do mais pensa neles de maneira prática – um brilho de emoção brilhou em seus olhos escuros – quando tiver um namorado vai poder passear nua com eles e fazer amor selvagemente enquanto os enterra em suas costas, é sexy.

Bella não soube o que responder. Namorado? Estava tão longe disso em sua vida. Sexo? Não! Negava-se a sexualidade, isso não era para ela.

- O que? Não me diga que é uma santa, mas ainda que seja virgem.

O olhar de Bella lhe disse tudo. Deus! Odiava esse comentário terrível que dizia que uma mulher virgem da sua idade era um pecado. Peter percebeu e então deu um pequeno grito...

- De verdade Bella? Oh eu sinto muito, não, não por você ser virgem, pelo comentário, de verdade desculpe.

- Não se preocupe Peter.

- Você está esperando o Príncipe Encantado?

- Não, eu não acredito nisso Peter – não, não mais – o que acontece é...

- Bella não tem que me explicar nada, eu queria ter esperado pelo meu primeiro, o cara era um bruto, vamos Bella, compre os sapatos – mudou abruptamente o tema, pressentindo o incomodo que aquilo era para a garota – olhe para eles! Eles te chamam... Bella, Bella, Bella, escute.

Um sorriso brincalhão apareceu no rosto da garota.

- Sim! Essa é a minha amiga e se não tem namorado ao menos o pode mostrar para esse chefe que você tem Edward cabelo sexy Cullen.

- Por Deus, esse homem só percebe a si mesmo Peter.

- Bom Bella, nada perde por tentar.

- Primeiro morta.

Mas na verdade é que fantasiava com esse homem que estava tornando tortuoso, o mês que levava trabalhando com ele, era uma experiência quase surreal e erótica, não o podia negar. Cada dia brindava seu rosto com indiferença e até um pouco de insolência para que ninguém pudesse ver o que este lhe fazia com seu corpo.

Senhoria Swan mais café.

Swan os papéis.

Swan, já enviou o correio?

Swan mande esse relatório para a auditoria.

Swan diga ao senhor Grant que não posso atender hoje.

Swan, Swan, Swan. Seu sobrenome parecia ser desgastado por ele, ainda que soasse bonito em sua voz, e se lhe dissesse:

Swan toque-me.

Swan beije-me.

Tonta, tonta Bella, os Príncipes Encantados não existem e se existissem Edward Cullen certamente não seria um deles.

~xxx~

Havia ligado para o Doutor Gerardy, para lhe perguntar se era seguro ir para Forks ver o seu pai.

- Ele está preso Bella.

- Preso?

- Está fora de controle, seus pais não sabem o que fazer com ele, faz uns dois meses, teve uma briga com um homem em um bar e o feriu de maneira terrível. Sua família está tentando a liberdade sob fiança, mas o juiz está alargando o processo, além do mais você sabe que ele tem uma longa ficha por consumo de entorpecentes.

- Pobre James – sentia pena por ele, haviam compartilhado uns anos juntos, seu primeiro beijo, seu primeiro baile, conversas sob a lua, uma boa piada, tudo era perfeito até que finalmente a droga o consumiu.

- Bella não sinta pena, ele não teve quando te feriu.

- Eu sei doutor, mas é inevitável.

- Você é tão boa como seu pai, então você pode vir para o Natal, ao menos é seguro.

- Sim, farei o possível.

- Seu velho vai ficar feliz.

Efetivamente quando disse a Charlie que iria esse não podia evitar ficar feliz.

- Te garanto papai que farei um delicioso jantar, só você e eu.

- Vai ser maravilhoso Bells, como nos velhos tempos.

~xxx~

A festa de Natal da Cullen C.O foi dias antes. Todos os trabalhadores da sede central se reuniram no enorme salão do arranha céu. Muita gente, Bella não conhecia nem a metade.

- Você está se divertindo linda?

- Thomas, é muita gente.

- Aham, como no ano passado você não veio à festa, não tinha visto a colmeia assim.

- Olhando todas essas pessoas é onde se vê todo o poder dessa família.

- Linda e não é nem a metade dos trabalhadores.

Logo todo o salão ficou em silencio quando entrou à família real, Bella só havia visto dois ou três membros dela. Todos aplaudiram ao vê-los, o fizeram mais pelo patriarca do que pelo herdeiro que se mostrava carrancudo e seco. Bella não podia tirar seus olhos dele, era o sol. Quando se permitia pensar assim dele, ela sentia uma opressão no seu coração, ela era a poeira no vento, ele era o universo.

Cathy se aproximou com uma taça de champanhe na mão e ofereceu a Bella.

- Olha querida, aquele homem, loiro, o mais velho é Carlisle Cullen, o homem mais doce do mundo.

- Ei, eu te ouvi Catherine Cope – a voz suave e zombeteira de Thomas ecoou atrás das suas costas.

- Não me deixou terminar meu amor, depois de você.

- Aham.

Ela o beijou na bochecha.

- A mulher de cabelos caramelo e vestido branco é a sua esposa Esme, uma mulher maravilhosa, muito discreta, a pequenina é Alice, um furacão de amor de toda a família, a princesa, o grandão...

- Emmett.

- Sim, e sua esposa, a loira, é Rosalie.

- Deus Cathy, ela é linda.

- Sim, cuidado com ela é terrível e franca, nunca gosta no começo, te disse "especial" e o outro loiro é Jasper, seu irmão, marido de Alice... bom e o menino de cabelos cor de cobre você já conhece, vem eu vou te apresentar a eles.

- Não, não Cathy pelo amor de Deus!

- Deve conhecê-los Bella – você vai me substituir, é seu dever, eles precisam de você.

Foi assim que Cathy a arrastou por todo o salão e a colocou em frente a todos eles. Merda, onde me escondo?

- Senhor lhe apresento a nova secretaria – Carlisle Cullen virou-se, um homem lindo que a olhava com olhos simpáticos. Com razão, todos são lindos, esse homem é um Adônis, se Peter estivesse aqui, gritaria.

- Isabella Swan, não é assim?

Ele sabia seu nome e nem a conhecia, coisa que o asno do seu filho apenas lembrava.

- Sim senhor.

- Cathy falou maravilhas sobre você, espero que tudo seja verdade, se tem a confiança dessa mulher, tem a minha. Já conhece o resto da família Isabella? Esme querida, venha, olhe ela é a nova secretária do Edward.

- Muito prazer, Esme Cullen.

Isabella não pode evitar fazer comparações, a mulher era uma beleza, mas não pode reconhecer nenhum rastro de seu filho nela, coisa que tinha com os outros filhos, por exemplo, as covinhas no rosto do grandão e os olhos caramelo da pequena.

Carlisle continuou.

- Esse é meu filho Emmett, ela é a nova secretária do seu irmão – o garoto sorriu, como se tivesse reconhecido ela daquele dia no elevador, lhe deu a mão e sacudiu Bella com força, ela sentiu como se seus ossos saíssem do lugar.

- Garota, você é frágil e delicada, melhor não dançar com você essa noite, posso te matar com um pisão – Emmett chamou sua mulher – Rosalie olha a nova vitima do meu irmão – se aproximou e lhe disse no seu ouvido – é uma dor na bunda, mas é um cara bom, como é o seu nome?

- Isabella – ela estava sufocada, toda essa apresentação, com todas essas pessoas impressionantes. Rosalie ficou olhando-a de cima a baixo.

- Como que trabalha com o sinistro doutor morte? Não sei se te admiro ou tenho pena.

Finalmente foi apresentada ao Jasper, irmão da loira assombrosa, estava de braços dados com sua esposa Alice, que ficou olhando-a de uma maneira estranha, Bella estava incomodada.

- Não te conheço de algum lugar?

- Não que eu saiba.

- Eu já te vi, mas não sei onde, há quanto tempo você trabalha aqui?

- Dois anos.

- Com Edward?

- Mais de um mês.

Alice olhou para seu irmão que estava encostado em uma parede, que bebia um gole de whisky e com o olhar dizia a todos que por nenhum motivo se aproximasse. Um sorriso malvado desenhou na boca da pequena irmã Cullen.

- Bom, vai ser interessante ter você por perto Isabella Swan, muito, mas muito interessante.

Bella se afastou de todos, tantas pessoas a intimidava, é irônico Bella, estuda literatura e não consegue falar, sou um desastre social. Pouco a pouco se foi distraindo da festa e se escondeu por trás das enormes cortinas. Ali de maneira libre e sem que ninguém visse, olhou aquele deus do gelo que só falava com sua família. Era tão frio e opressor que assustava, tão misterioso e obscuro que atraia, tão lindo até o irreal e tão distante que doía. Pouco a pouco como um gato silencioso se deslizou entre as cortinas até chegar a ele.

O escutou conversar com Jasper.

- Vamos amigo não é tão ruim.

- Você sabe que eu não quero estar aqui, a maioria deles me detestam, apenas vêm por Carlisle, todos vêm para homenageá-lo.

- Deixe-me dizer Edward que a culpa é sua.

- Obrigado amigo, é tudo o que eu precisava ouvir.

- Mas é a verdade, todos eles são boas pessoas.

- Não digo o contrário, mas eu não sou a alma da festa. Todo mundo sabe que eu sou quem manda, mas nada mais, e é isso o que quero ser.

- A figura de gelo no poder.

- Não, aquele que os mantem trabalhando.

Arrogante, quem acha que é? Indispensável? Ao menos se descesse um dia dessa nuvem, veria que cada uma dessas pessoas que trabalham com ele, são melhores seres humanos do que ele será algum dia.

- Bella!

- Shiii Angela.

- O que? De quem você está se escondendo? – Bella apontou – Olhe para ele, não fala com ninguém, somos pouca coisa para ele.

Escutou seu nome da boca do Jasper, estavam falando dela?

- Gostei da sua nova secretária, Alice por alguma razão esta fascinada com ela.

- Alice acredita que todo mundo é fascinante, se interessa por alguém tão sem graça como Swan, patinho feio.

Angela escutou o comentário, a olhou sentindo vergonha alheia.

- Edward, ela parece ser uma boa garota.

- Não sei se é boa e na verdade não me importa, só quero que trabalhe que seja muda, o resto não me interessa, a senhorita Swan tem a graça de um gato molhado, pode ser que chegue a ser tão eficiente e discreta quanto a Cathy Cope, isso é o que eu quero e o único que espero.

Angela a arrastou para fora dali. Bella sorriu com tristeza. Swan patinho feio... a graça de um gato molhado poderia ser mais cruel?

- Maldito idiota, eu juro Bella, rezo para que algum dia alguém lhe de uma colherada do seu próprio remédio... quero vê-lo implorar, nesse dia sentarei para vê-lo e aplaudirei pelo show.

~xxx~

Bella chegou a Forks, um dia antes do Natal, seu pai a esperava com um enorme sorriso no aeroporto. Deu-lhe um abraço que quase a asfixiou.

- É bom te ver Bella.

- O mesmo papai.

- Foi uma longa viagem.

- Não importa. Tudo para te ver.

Essas eram as conversas com Charlie, simples e acolhedoras.

A casa era igual, se surpreendeu ao vê-la tão limpa, certamente seu pai pôs às mãos a obra e limpou para que ela não se sentisse culpada por deixa-lo sozinho por tanto tempo. Seu quarto, sentia falta dele! Seguia igual, estava em casa com seu velho e isso a fazia feliz.

- Papai, vou ao supermercado para comprar tudo o que preciso para o jantar. Quer que eu traga algo?

- Umas cervejas.

- Ok, nos vemos mais tarde.

Não pode evitar fazer comparações com New York, o supermercado era pequeno e o Senhor Barnes sempre atendia.

- Bella Swan, quanto tempo, onde esteve?

- Trabalhando senhor Barnes – evitava dizer onde vivia.

- Bom, fico feliz em vê-la.

- Obrigada. O mesmo.

Olhou a lista para o jantar: peru, milho, cranberries, legumes, vinho branco, cogumelos, oh e torta de abóbora, o preferido de Charlie.

- Nossa, nossa, nossa Isabella Swan, que prazer lhe ver.

Bella ficou paralisada. Deus, não! Essa voz, essa voz lhe lembrava daquele dia, quis gritar, mas não pode, virou e toda a violência daquele dia voltou a sua memória.

- Você!

- Eu, querida Bella, como você está?

Socorro!


N/A: Darcy é o personagem de Orgulho e Preconceito, sexy, sexy, sexy

Rochester é o personagem de Jane Eyre, misterioso.

Heatcliff é o personagem de O Morro dos Ventos Uivantes, tremendo animal.

Ame-me ou deixe-me, já sabem o que fazer... deixar um comentário é quase tão bom como saber que Edward Cullen sonha com você.


Mais um capítulo e mais um pouco do mistério do Edward para vocês. Ele é um solitário, deseja ter o amor que sonha, aquela que ele não sabe quem é. E o Peter apareceu, eu amo o Peter, ele é um dos melhores personagens dessa fic, essencial na vida da Bella e vai se tornar uma peça importante. Edward sendo cruel com esses apelidos que colocou na Bella, mas isso vai voltar e mordê-lo na bunda.

O próximo capítulo é bem triste, mas como a autora disse no original, é necessário. E eu devo postar daqui uns 10/15 dias.

Eu vi uns comentários no capítulo passado falando sobre o texto parecer confuso e culpando minha tradução. Esse capítulo eu traduzi com calma e revisei durante horas lendo linha por linha para nada ficar confuso devido a minha tradução, porém o texto dessa fic não é dos mais fáceis para ler, e eu amo isso. Eu gosto da escrita da Sachita, espero que com o tempo vocês se acostumem com a intensidade de OLDC.

Obrigada por todos os comentários, vocês são demais. Ficaria muito feliz em ver a fic chegar a 180 reviews antes do próximo, quem sabe eu não volto mais rápido hein? xD


Preview: Quem comentar vai ganhar uma preview, quem tem conta mandarei por PM (se não quiser a preview, é só avisar) e quem não tem deixa o email como no exemplo: edward(underline)cullen(arroba)fanfic(ponto)com, escrevendo os simbolos entre parênteses, porque se escrever normal o FF some com o email.

Beijos

xx