O LIMITE DO CAOS

Sinopse: Bella Swan foge de Forks para Nova York para reconstruir sua vida, mas com o tempo, ela tímida e calada verá como o seu mundo se converteria em uma total loucura quando se encontrar presa pela obsessão de quem menos acredita, o misterioso Edward Cullen.

Disclaimer: A fanfic pertence à sachita1212 que me autorizou a tradução, Twilight e os seus personagens pertencem a Stephenie Meyer, e a mim somente a tradução.


Capítulo 7 – Um Gatinho Triste Na Cidade

Socorro, era o grito interior e desesperado de Bella naquele supermercado. Olhou para os lados para ver se podia fugir, mas não, a única porta do lugar estava muito longe e o enorme e musculoso corpo daquele homem lhe evitava qualquer possibilidade de fuga. Foi assim que recorreu a única possibilidade viável para ela: levantou a cabeça, fingiu insolência e coragem para assim poder enfrentar seu passado.

- Como você está Laurent? Você está vivo?

- Como você vê sim, pensei que nunca voltaríamos a te ver por aqui.

- Surpresas da vida Larry.

- Sabe que odeio que me chamem assim, Laurent, meu nome é Laurent. Ainda continua achando que é melhor que todos?

- Eu nunca me achei melhor que ninguém Laurent, e você sabe.

- James está na cadeira, você sabia? Claro que sabe, por isso estava tão tranquila caminhando na cidade, depois daquela noite, não voltamos a te ver.

- O que queria? Que saísse para que algum de vocês voltasse a me machucar? Deixa-me ir, não direi nada, guardei o segredo durante anos, eu não direi nada.

Mas Bella via um Laurent diferente, já não tinha o cabelo longo tipo rastafári e estava mais gordo, sua voz era diferente igual a sua roupa, já não tinha a imagem de marginal que assustava a todo mundo. Ele baixou a cabeça e olhou para o chão.

- Depois daquela noite Bella, tudo foi diferente para nós, quando saiu correndo, um pouco de seu sangue estava no chão, eu via aquilo e entre as nuvens da heroína só vi seu sangue no chão, eu não queria te machucar, era só que James em m maldito manipulador e eu pensei que aquela noite você ia se unir a festa.

- Festa de James? Vocês pretendiam que eu consumisse e que fizesse sexo com ele, e Victoria? O que ela fazia lá naquela noite? Oh sim eu me lembro... – logo a imagem de uma Victoria nua que se deleitava em frente a ela foi suficiente para fazê-la vomitar.

- Você sabe que eles tinham uma relação doentia, mas ela, sempre foi assim.

- Então o que ele fazia comigo?

- Não, você era diferente, ele sabia, ele sabe, você era a única coisa pura que ele tinha em sua vida, mas nunca se sentiu bom o suficiente, para ele, para todos era mais fácil se arrastar a nosso mundo que ele seguir o seu, ele precisava te humilhar e controlar, de uma maneira retorcida, era seu modo de dizer que te amava, desculpe Bella, realmente eu sinto muito, quando te vi, senti muito medo, queria intimidar, assustar você, durante esses anos ele achou que você voltaria para colocar na cadeia.

- Você merece e sabe.

- Eu sei Bella, eu sei... pode não acreditar, mas eu te salvei, quando saiu correndo, ele foi atrás de você e o teria conseguido, mas eu lhe detive, seu sangue no chão foi demais para mim, se James tivesse te alcançado, teria te violado, esse era seu desejo, mas eu o parei e ele me bateu, enquanto Victoria ria, de uma maneira ou outra, você ter escapado para ela foi o pior.

- Eu não queria ver o que vi Laurent, foi nojento – as lágrimas de Bella começaram a sair de maneira tímida, o senhor Barnes intuiu algo e perguntou.

- Está tudo bem Bella?

Laurent a olhou com olhos suplicantes.

- Tudo bem, senhor Barnes – limpou as lágrimas – estou falando com um velho amigo – Barnes a olhou com desconfiança, mas depois deu de ombros para sentar-se de novo perto da caixa registradora.

- Obrigado Bella, não mereço isso, o que fizemos foi estúpido e malvado, a cada noite me lembro de como – Laurent ficou em silêncio – eu, eu...

- Não diga nada, nada vai apagar o que passou.

- Se ele tivesse abusado de você, eu não teria me perdoado... deixei a droga sabe? Agora tenho uma esposa e um bebê, uma menina.

Bella não sabia o que dizer, esse homem a tinha feio mal, ela acreditou que era seu amigo, mas não foi assim, a protegeu? Talvez, evitou que James fosse atrás dela, não sabia. Merecia perdão? Talvez, nada naquela noite saiu impune daquele lugar, sua vida mudou, a de James piorou, a de Laurent foi repensada e Victoria?

- Victoria?

- Nada foi igual com eles depois disso Bella, essa noite ela o perdeu para sempre, mas ainda continua atrás dele, igualmente podre, só sei que não voltou a tocá-la.

- Não entendo.

- Ele seguiu obcecado com você, você não entende de uma maneira ou outra, ter fugido dele o enlouqueceu ainda mais, continua obcecado, de uma maneira retorcida, continua te amando.

- Isso não é amor.

- Para ele sim, Bella deixe-me te dar um conselho, não volte para Forks, sua família o vai tirar da prisão, sempre o faz e se volta, terminará o que não fez esta noite, cada dia está pior.

Deus, até quando terei que estar fugindo? Meu pai? Minha cidade? Meu passado? Tudo, terei que deixar tudo por medo.

~xXx~

Ao deixar Laurent no supermercado, Bella queria correr de novo para New York, as palavras do homem a assustaram, ele continua obcecado contigo, por quê? Por que essa obsessão com ela? A relação com James foi um namoro de dois adolescentes que tentava encontrar seu caminho no mundo.

Ela o conheceu em uma festa da escola quando ele fumava um cigarro escondido na quadra de basquete e ela se escondia de Tyler para que não insistisse em dançar com ela. Sua atitude de cachorrinho abatido lhe irritava "Deus, talvez eu quero violência e inconscientemente a encontrei, Tyler era um bom garoto, algo tedioso, mas era um bom garoto, ele teria me levado ao cinema e teriam suado as mãos antes de segurá-las, quem sabe teria pedido permissão para um beijo e teria perdido permissão ao Charlie para me levar ao baile, mas não, eu e minha natureza romântica, queria o James, sem conhece-lo ainda". Tinha o cabelo loiro e solto, seus olhos azuis cintilavam na escuridão, enquanto o cigarro se apoiava sensualmente em sua boca. "Olha Swan, pequeno cisne bonito, esse Tyler tem você em sua mira, não me diga que se esconde dele? Menina perversa." O som de sua voz, sua atitude rebelde, suas quartas apertadas, todo nele era o tipo do sonho unido de uma menina de dezesseis anos.

Ele era tão perigoso e provocador que imediatamente se apaixonou dele, não, não se apaixonou, ele incitou sua natureza selvagem e transgressora, o DNA de sua mãe falou nela, por que não? Todas as meninas de Forks morriam por ele, todas suspiravam quando ele passeava em seu Porche preto. Foi tão fácil atraí-lo, bateu seus cílios, o desafiava com suas palavras, o fazia rir. Ela o beijou primeiro, soltava seu cabelo e dançava em frente a ele, atraiu o zorro para a armadilha, ela se sentiu poderosa. Mas se deu conta que toda aquela sedução não foi nada além de uma farsa, quando viu que o tinha a seus pés, simplesmente se assustou. O quis e muito, mas pouco a pouco, ela foi se afastando e não percebeu. Ele era um rebelde de tatuagem e de piercing, mas nada mais, odiava seus livros e sua música, não terminou seus estudos e sempre andava metido em problemas, brigas e droga. Quando soube que o consumia, ela tentou ajuda-lo, mas sempre dizia 'não seja tonta Bella, eu controlo isso, eu posso deixar quando quiser', mas não foi assim e os dias passavam e ele estava pior. Então ela dispensou o sexo, sentia que dormir com James lhe traria um nível de compromisso e intimidade que ele utilizaria contra ela. Tyler teria namorado comigo, para quando eu estivesse preparada para esse tempo, flores e chocolates. Depois apreciou Victoria e tudo foi pior, como uma bola de neve que se deslizava por uma montanha até converter-se em uma avalanche que ela não foi capaz de evitar.

Chegou em sua casa e encontrou seu pai e como sempre, lhe escondeu o que tinha acontecido. Sentia-se terrivelmente culpada, seu pai era seu amigo e ela sempre mentia.

Naquela noite de Natal tratou de ser a filha de seu pai, comeram, beberam um copo de vinho, conversaram até as altas horas da noite e entregaram seus presentes.

- Bella é lindo.

- Você gostou pai?

- Sim, eu não tenho palavras.

- Com ele vai pescar deliciosos peixes, você verá.

- Você gostou do seu presente? É um pouco tarde, mas espero que seja de enorme utilidade, nunca pude dar um bom computador na época da escola, e levou essa carcaça velha para New York, toda uma universitária precisa de um notebook de última geração, além do mais tem uma webcam para que você e eu conversemos e possamos nos ver mais.

- Me fascina Charlie, é lindo.

- E prático, tudo o que a nova secretaria da presidência de Edward Cullen precisa, ele é tão intimidante como dizer?

- É papai.

- Te trata bem? Porque se não é assim, diga-me e eu o jogo do último andar do seu arranha-céu.

- É seco e rabugento, mas nada mais – Além de ser um perfeito idiota e egocêntrico.

~xXx~

Edward fugiu das celebrações da sua família como sempre o fazia, sempre dizia que tinha uma viagem, um negócio ou alguma outra coisa, mas jamais assistia. Mandava presentes caros para casa um, carros, joias, passagens para lugares exóticos, mas não se apresentava a nenhum. Isso partia o coração de Esme que a cada ano implorava para que ele voltasse a ser o menino feliz e carinhoso que tocava para ela Natal Branco no piano. Ninguém sabia que muitas vezes se escondia em uma cabana fora da cidade onde só se embebedava para não estar consciente de que lá fora havia talvez um mundo feliz do qual ele não era parte.

De volta ao trabalho em 3 de janeiro de 2009

No elevador da presidência, estava seu perfume perturbador e maravilhoso como sempre, mas Bella tinha prometido a si mesma que jamais Edward Cullen voltaria a intimidá-la, não iria tremer por ele como menina inocente, não seria nunca a grotesca meia-irmã esperando o prometido baile. Seria uma máquina ao seu lado, responderia com simples monossílabos, seria seca e prepotente como ele, certamente essa era a relação que ele esperava de todos os seus empregados, quanto menos intimidade com todos, mais à vontade estaria.

Não havia nada, só ela e ele no escritório, sua voz ressoou por trás do intercomunicador chamando a Cathy.

- Ela não chegou ainda senhor Cullen.

- Swan? Venha aqui.

Ela chegou com café recém feito. Não disse nem bom dia, não perguntou por nada, simplesmente a levou com seu trabalho, em ordens, em e-mails com arquivos, em uma hora metida em seu escritório ela estava a ponto de explodir, mas nunca teve da parte de ambos um sim ou um não. Só era trabalho e mais trabalho. Na hora chegaram os demais e Cathy a salvou daquele ogro insolente. Às dez da manhã, apareceu uma mulher vestida de modo estonteante com uma roupa que certamente valia a metade do salário de seis meses de todas ali.

- Por favor, diga ao Edward que estou aqui.

- Da parte de quem?

- Tania Denali, a advogada da firma de arquitetos Solomon.

No momento que ela entrou no escritório do chefe, todas ficaram olhando, tinha um cabelo loiro avermelhado que contrastava com uns olhos azuis e um corpo de modelo de passarela. Quando Bella entrou de novo no escritório de Edward a viu sentada na muito elegante mesa dele, com atitude de fêmea a espreita. Pela primeira vez viu como aquele homem sorria, está flertando com ela, sua voz era diferente, falava com Tania como e tivesse a intimidade de velhos amigos ou amantes. Ele parecia desfrutar do flerte descarado daquela mulher, certamente está acostumado que todas as mulheres morram por ele, mas era fascinante ver como ele caminhava, estúpido pavão real. A mulher ficou olhando-o, mas ela sorriu ao provar o café.

- Wow que delícia de café, nunca provei um melhor, obrigada. Como é o seu nome?

- Isabella Swan.

- Como faz para aguentar esse homem? É insuportável.

Bella sorriu com timidez, a mulher era simpática e bonita. Tania de maneira descarada agarrou um punhado do cabelo rebelde de Edward e disse.

- Ele é um animal difícil.

De uma maneira quase imperceptível, Bella notou um desagrado no rosto dele, coisa que a mulher também notou. Ela saiu da mesa e ficou séria, parecia frustrada por algo, então sua atitude de advogada apareceu.

- Então Edward já está pronto para o negócio com as pessoas do Brasil?

- Não, ainda não.

- O projeto começará no final de outubro, mas você sabe que o processo é longo, meus clientes estão desesperados por sua aprovação.

- Sabe que odeio que me pressionem.

- Não é pressão Edward, é um negócio que está aumentando, eles querem que você saiba que se as coisas continuam assim, buscarão outro sócio.

- Diga para as suas pessoas que não me pressionem, melhor sócio que eu não vão encontrar, mas antes devo olhar os prós e os contras de me envolver em um negócio de hotéis, você é um tubarão, querida.

- Mas não me deixa afundar o dente, Edward.

Bella estava incomodada, a última frase foi uma alusão sexual claramente feita, ele piscou para ela.

- Tania, primeiro deve provar os meus.

- Bella se sufocou e quis sair dali correndo.

- Isabella, pode me trazer mais café? – a ruiva sorriu e a olhou com olhos curiosos.

Não! Ela não estava ali para ser a que levava e trazia café, e muito menos para suas estúpidas amantes, mas não teve outro remédio.

Durante uma hora Tania Denali esteve ali, finalmente saiu do escritório, com uma expressão de frustração.

- Ela está atrás dele a mais de três anos e não conseguiu nada – disse Cathy – é desesperador ver uma mulher que roga por um homem, é humilhante.

Ele não é indiferente Cathy, devia vê-lo flertando com ela.

Poucos minutos depois Bella foi chamada no escritório.

- Swan, eu quero que ligue para a melhor floricultura da cidade.

- Senhor?

- É o que ouviu, peça o mais caro buquê de flores e mande para o escritório de Tanya Denali.

- Sim Senhor.

- Ah e coloquei algo bonito na nota.

O que? Agora também devo escrever bilhetes de amor.

- O que escrevo Senhor?

- Você deve saber Swan, algo... qualquer coisa.

Foi assim que Bella se viu pedindo as malditas flores e mandando dizer no cartão:

Para alguém bonita e inteligente, que sempre sabe como me fazer rir... Edward

O que mais poderia escrever? "Hey querida, não coloque calcinha essa noite"... não, que situação tão grotesca e absurda, esse será o meu trabalho? Agendar até seus encontros de sexo.

Mas dias depois foi pior, no escritório dele chegou um lindo pacote, em uma sacola Versace, era um lindo vestido que parecia bordado em cristal, com um enorme decote vertiginoso na parte de trás e na frente, um só movimento em falso e a que o levava usando ficaria com os seios ao ar. Ele lhe ordenou que o empacotasse, era para advogada e em um pequeno bilhete dizia coloque-o para esse noite, nada de roupa intima.

Oh Cathy, que errada você está, parece que o tubarão agarrou a presa. Deus, como odeio esse trabalho!

O tempo fluía na cidade de uma forma ou de outra, todos pareciam ter uma vida, menos Bella, para ela o tempo havia parado em um navegar monótono, se escondia dia a dia em livros, em seu disfarce de secretária, em seu silêncio.

Via todos viver sua vida, Cathy e Thomas tentaram tirá-la de seu isolamento, mas não conseguiram. Ángela tinha namorado novo, um garoto chamado Ben, do qual falava o tempo todo, Peter e seu senso de humor a faziam rir, mas nunca foi capaz de fazê-la sair em um sábado à noite. Ela apenas se refugiava em seu apartamento onde se sentia afastada do mundo e a salvo. Às vezes sentia nostalgia de ter uma vida normal de uma menina dessa idade, mas se sentia presa de uma maneira que era impossível escapar. Seu amor próprio estava ferido, se sentia renegada do mundo, da juventude. Nunca acreditou que fosse uma mulher feia ou pouco atraente, sua mãe se encarregou de fazê-la ver o quão bonita que era, um dia a colocou em frente ao espelho quando começou a difícil etapa da adolescência "Viu baby? Você é belíssima, não tem porque ser loira, alta ou voluptuosa, essas são belezas evidentes, o que vê é o que há, por outro lado olhe para você, está cheia de mistério, seu cabelo é lindo, muitas matariam por ter esse volume e forma, sua pele é de porcelana, tem o pescoço e o porte de bailarina de balé, é pura baby, é difícil ter essa qualidade, há algo de beleza inalcançável em você, é uma fada." Bella levou essas palavras para Forks e durante sua época de escola, sempre foi a menina linda da escola, ainda que jamais quis participar no tonto grupo de meninas populares, tipo preparatória. Isso a fez mais popular e como sua mãe disse mais inalcançável, tinha uma qualidade exótica que todas queriam rivalizar. Quem sabe foi sua arma para conquistar James: sua qualidade de distância, mais agora estava afastada de tudo, até do simples fato de desfrutar de si mesma. Toda sua volúpia foi lançada em seus livros, seus escritos e os sapatos. Em menos de quatro meses havia comprado mais de cinco pares deles, os sapatos simbolizavam esse espírito sensual que James havia arrancado completamente com as suas palavras estúpida mosca morta, você não é nada Bella, nada, as palavras cuspidas enquanto ela fugia no bosque.

Desde que trabalhava com ele, tudo havia se tornado pior, não era tanto porque ele não a reconhecia, nem sequer tratava, senão por algo estranho e profundo que emanava dele. Não era o reconhecimento para sua pessoa do que ela necessitava, era o direito da ilusão de que ele se fixasse nela; não queria, era o direito de romance. Emily e Charlote Bronte e a mesma Jane Austen viviam da ilusão, isso as levou a escrever o que escreveram, mas Bella Swan não tinha isso. Esse homem arrogante desde seu trono de gelo lhe cortava as asas ou seus sonhos, com seus olhos verdes frios e distantes parecia dizer hey, não sonhe menina tonta, patinho feio, você não existe. O que a prendia naquele lugar? Podia conseguir outro trabalho, outro que não a levasse ao isolamento e a desilusão do mundo que esse trabalho o fazia, o que era? Quem sabe era a segurança que a monotonia lhe dava, sair para explorar o mundo, por que era tão difícil viver sua vida? Do que tinha medo? A resposta lhe falava implicitamente na memória de sua mãe: Selvagem, de uma maneira ou de outra ela sabia que era como o rio Nilo, em qualquer momento sairia do seu lugar e arrastaria todos com ela.

Essa consciência de seu poder foi o que fez que não dormisse com James, quem sabe se o tivesse feito, ele não teria sobrevivido a força de sua sexualidade vulcânica... ela tinha medo de si mesma.

~xXx~

A morte e sua possibilidade de mudança chegou em um dia de maio e se instalou em sua casa, em sua vida, em seu trabalho.

Era um sábado de maio...

Dormia, eram três da manhã, desde a sua sonolência, escutou o telefone tocar, levantou rapidamente como um raio da cama. Todos sabem que ligar a essa hora sempre são terríveis notícias, quando Renée morreu eram quatro da manhã quando lhe deram a notícia. Pegou o telefone.

- Olá.

Um som parecido com choro se escutava do outro lado.

- Alô, quem fala?

- Bella.

- Cathy? O que foi?

- Oh Bella, Bella, querida venha... por favor.

- O que aconteceu Cathy? Meu Deus, você está me assustando.

- Venha ao hospital.

Não, não, não.

- Tom?

- Oh Bella, ele levantou uma da manhã, me disse que tinha sede, ele nunca se levanta a essa hora, Bella, o ouvi se queixar... e depois um estrondo na cozinha, eu corri o mais rápido que pude, te juro Bella – a mulher chorava – eu corri até ele e não respirava, eu gritava para que não me abandonasse e ele o fez Bella... não tinha direito, maldito velho estúpido! Não tinha direito, o que vai ser de mim? Bella, quero morrer, quero morrer.

Bella escutava e chorava com Cathy no telefone oh Thomas! Ontem escutamos música enquanto esperava para que saíssemos juntos, me fez rir, você sempre me fazia rir, estava tão emocionado, me contou que finalmente tinha comprado as passagens para a India, lhes daria de surpresa para Cathy, oh Thomas, pelo amor de Deus, que só seja um sonho, não estou preparada, não ainda Thomas!

Tentou se acalmar.

- Em que hospital você está?

- No Presbiteriano, eles o colocaram no necrotério – a voz de Cathy se quebrou – no necrotério Bella, la faz tanto frio Bella, tanto frio... ele odeia o frio Bella.

- Já estou indo Cathy, eu vou arrumar tudo querida, não se preocupe, já estou indo.

Desligou o telefone. A dor era insuportável, se sentou no canto da cama e fez o gesto preciso de abraçar-se a si mesma para não quebrar, ficou ali aguentando a dor, retendo-o, mas não era possível, um som abafado saiu do mais profundo e um grito desgarrado saiu dela, e chorou por seu amigo, por seu companheiro, por seu protetor, por seu pai.

- Oh Thomas, não se vá ainda, por favor, por favor, por favor.

Encontrou Cathy sentada em uma cadeira feita um ovinho, daquela mulher elegante e bonita já não havia nada, ali só estava à mulher velha e só, uma mulher a qual a metade de sua vida havia sido arrancado. Levava suas mãos ao peito como símbolo inconsciente de que se o coração de Thomas Ford tinha morrido o dela também.

Na segunda-feira a notícia de que Thomas tinha morrido espalhou em toda a empresa, todo mundo amava o velho toupeira, todos estava de luto. No velório, Cathy parecia um zumbi, não falava com ninguém, Bella se encarregou de tudo o funeral. Se surpreendeu ao ver que cada um que o conhecia estava presente. A família Cullen inteira apareceu, veio em seus carros caros, mas nenhum realmente queria chamar atenção, lá fora estavam os fotógrafos que não perderam a oportunidade de tirar a foto, mas foi Edward Cullen que com sua voz de trovão quem mandou que todos se retirassem, ameaçando chamar a polícia e processar se algum maldito tirasse uma merda de foto. Ele esteve lá presente por horas, estava pendente de Cathy todo o tempo, igual o seu pai Carlisle. Ele era diferente fora de seu trono e de seu território, parecia quase amável.

- Você quer tomar alguma coisa Cathy? Eu trago café? Como algo, pelo amor de Deus – sua voz era diferente, era um menino doce quando era pequeno, sempre amável e atento, escutou a mulher dizer um dia, naquele momento de tormenta, ali estava aquele garoto oferecendo café, companhia e consolo.

Todos eles, toda essa família permaneceu ali quando quase todos tinham ido embora.

- Isabella sei que você se encarregou do funeral, te agradeço, Cathy foi minha secretaria durante anos, quando minha mãe morreu ela esteve ali, sempre esteve, é uma das minhas melhores amigas, eu e minha família te agradecemos – essas foram as palavras do patriarca.

- Obrigada senhor – respondeu ela de maneira tímida.

- Me chame de Carlisle – esse sorriu de maneira esplendorosa. Bella pensou se talvez seu filho tivesse aquele sorriso, nunca o viu sorrir de maneira franca.

O que mais lhe assustou foi a pequenina, Alice, que parecia curiosa sobre ela, não desgruou dela durante esse dia, perguntava coisas, coisas pequenas, sempre tentando guardar a proporção do momento, às vezes perguntava coisas pessoas, você mora sozinha em New York? Estuda? Que interessante! Como consegue lhe dar com o ogro do meu irmão?, mas Bella respondia com monossílabos, estava incomodada e a garota de maneira discreta percebeu, ao mesmo tempo não saiu de perto dela o dia todo.

Stella estava tao triste que foi difícil consolá-la, Thomas e ela eram bons amigos, estavam planejando uma grande festa para o Natal, ela lhe confessou que de alguma forma esteve apaixonada por Thomas, não de uma maneira mórbida e terrível Bella, você sabe, mas ele era encantador, era uma força da natureza, vou sentir falta dele Bella, o que será de nós sem ele? Bella ficou calada, sem Thomas nada seria igual, quem vai me proteger agora?

Edward mandou Cathy ir descansar, mas ela teimosamente voltou ao escritório.

- Bella, eu não quero voltar para casa, ontem acreditei ouvir sua voz cantarolando uma música, simplesmente não posso, ainda tenho a sensação do seu cabelo entre meus dedos Bella, toda a casa cheira a ele.

Mas o trabalho compulsivo não melhorou a dor, o deixou mais profundo. Bella via Cathy se consumir, perdeu mais de 4kg em menos de um mês, às vezes ia com a mesma roupa, e parecia não dormir. O luto era extenuante para todos nesse escritório; até mesmo a Lauren parecia sentir compaixão. Pouco a pouco Bella foi tomando cada uma das responsabilidades da secretária principal, até que fez todas. Edward ficava olhando para sua amiga e um sinal de preocupação se notava em seu rosto, nossa ele é humano.

Um dia chamo a mulher no escritório e ali ficou com ela por mais de uma hora, todas elas olhavam com expectativas para a porta, finalmente ela saiu, pegou todas as suas coisas e disse:

- É hora de ir embora.

- Não me diga que o maldito de demitiu?

- Não, Ángela, não me demitiu, só é hora de ir, é impossível trabalhar aqui, simplesmente não posso, não mais.

~xXx~

Cathy tinha uma irmã e uma sobrinha em Miami, elas tinham lhe convidado para estar com ela desde o funeral, mas a teimosia da mulher a fez rejeitar várias vezes, mas quando chegou a compreensão de que viver naquela casa, ir ao escritório ou mesmo New York eram insuportáveis; Cathy decidiu que era hora de ir embora.

Stella e Bella lhe ajudaram a guarda tudo, cada uma das coisas daquele casamento foram guardadas nas caixas, o trabalho foi melancólico e doloroso.

- Vinte e quatro anos de felicidade Bella, estão dentro dessas caixas, não teve um dia que eu não o amasse Bella, os dias ruins ainda foram bons. Eu o incomodei com o maldito anel perdido e ele se sentiu tão culpado, eu devia ter lhe dito que me importava uma merda, nosso casamento não era um anel, devia dizer que o amava mais vezes, que me encantava estar com ele, que me fazia rir todo o tempo, que no primeiro dia que o vi fiquei sem ar – a mulher começou a chorar.

- Thomas sabia Cathy, ele sabia.

- Eu sei, mas às vezes é bom dizer as coisas, é bom escutar, Thomas me dizia o tempo todo, o tempo todo. Era um tonto romântico.

Bella sentou-se ao lado de Cathy e segurou suas mãos.

- Você foi abençoada por conhecê-lo, poucas pessoas nesse mundo conhece esse tipo de amor Cathy, poucas, escrevem livros e poemas sobre isso, mas na realidade quase ninguém conhece, você foi uma dessas poucas.

- Sim, é verdade, Bella quando conhecer esse tipo de amor–

- Não, eu não.

- Você vai, estou certa disso querida, você é alguém para ser adorada, Thomas sempre dizia, quando conhecer esse tipo de amor Bella, entregue-se a ele com cada fibra do seu corpo, que não fique espaço para nada mais, cada minuto, segundo será doloroso, mas amará cada momento desse, nunca será mais feliz e diga, grite, é o único que valerá a pena.

Cathy como presente lhe deixou toda sua coleção de música, coisa que fez Bella ter um ataque de choro em frente à mulher.

- Eu o amava, estou tão agradecia que Thomas esteve na minha vida Cathy, minha mãe sempre dizia que encontrar um amigo é talvez o mais difícil, mas se o fizer, tinha que segurar-se nele, e eo faço, eu o faço Cathy... "a morte não terá domínio", ele adorava Dylan Thomas, com que vou falar agora.

Antes de ir, Catherine Cope falou sobre Edward Cullen:

- Fui egoísta com você Bella, praticamente te obriguei a trabalhar comigo e sei que tem sido terrível para você, é sua decisão ficar com ele, se continuar ao seu lado, será sua assistente pessoal, para isso te preparei durante esses meses, mas não quero que fique contra sua vontade com ele; se o fizer será sua mão direita, vai comandar sua vida de uma maneira que ele desconhece, se algum dia Edward Cullen chegar a ser seu amigo, verá que é alguém muito complexo, muito difícil, mas incondicional a você, sempre contará com ele para tudo, será asfixiante, como amigo, exigente como chefe, exigente e autoritário, mas ao mesmo tempo em seus bons momentos poderá vislumbrar o garoto carinhoso e brincalhão, sabia que durante todo o mês veio quase todos os dias me ver? Até preparou sopa e chá para mim. Não é meu trabalho dizer que passa ou passou em sua vida, mas deve compreender que seu caráter às vezes de animal raivoso, tem uma boa razão de existir, tenha paciência, mas volto a repetir, não é sua obrigação, não é.

Ao se despedir de Cathy no aeroporto, esta lhe disse que as portas da sua casa em Miami sempre estariam abertas para ela, que podia chamar a qualquer hora e que sempre, sempre estará ali só para ela.

- Bella, você é uma luz, obrigada por tudo.

Nesse dia chovia em New York e Isabella Swan nunca tinha se sentia mais só na sua vida. Odiava sentir-se vulnerável e a ponto do choro, ela era forte, era pura vontade, mas nesse dia, esse dia tudo que a sustentava desmoronou. A chuva caia e ela caminhava pelo Central Park, viu a estátua de Romeu e Julieta em meio do parte e a olhou. Ambos estavam a ponto de um beijo, um beijo que parecia nunca chegar, um beijo que pressagia o desejo e a morte. Ficou olhando por um longo tempo, o sentimento era avassalador que sentiu como se tudo explodisse ao seu redor; logo escutou um som, um som triste e pequeno. Bella assustou-se, aquele pequenino som a chamava, era um gatinho, começou a procura-lo e ali estava, um gatinho bebê, todo molhado e faminto, era algo triste de ver.

- Olá bebê, você também está sozinho? Somos dois – o animalzinho ronronou e a olhou com os olhos medrosos – não se assuste pequeno, te levarei para casa, você vai gostar. Você gosta de leite? Aposto que sim.

Foi assim que o levou para seu apartamento e lhe deu de comer, em poucos minutos dormia calmo sobre o sofá como um bebê recém-nascido.

- Como vou te chamar? – um sorriso brincalhão apareceu em seu rosto – certamente Jane não vai se importar, não é verdade Darcy? Você gosta desse nome... Darcy.

~xXx~

"Estou ardendo, provo de você, sinto você no ar." "Você me sente baby?" "Sim, estou faminto, tão úmida" "Toca-me mais forte, mais fundo" "Sim, por favor" "Eu gosto assim, como eu gosto" "Merda bebê, é tão bom" "Você gosta do que vê?" "Diabos, sim" "Gosta do meu cheiro?" "Adoro" "Sou sua meu amor" "Goze para mim, eu preciso, quero escutar, vem por mim, agora! Não quero acabar primeiro" "Sim, sim, oh Deus, já vem... ohhh senhor, estou tão perto, amo você dentro de mim, para sempre, para sempre" "me dê meu amor, o quero, para sempre, para sempre, me diga seu nome, diga, diga, quero escutar" "eu... eu... ahhhhh, Edward você sabia, você sabe baby, eu vou morrer, oh sim, assim, meu nome é..." E novamente acordado, suando, odiava acordar, odiava, pois quando o fazia a voz, seu cheiro, seu gosto e seu toque iam embora. Os sonhos eram vorazes e a cada dia ficavam piores. Na última semana sonhou com ela todos os dias, nunca em sua vida se masturbou de maneira tão frenética, nem sequer quando era um garoto, vou ficar louco, maldição, acho que já estou.

~xXx~

Nessa manhã tomou posse de sua nova mesa, a de Catherine. Oficialmente era a secretária pessoal do senhor do castelo. Estou aqui, já não tenho como voltar atrás.

Ángela lhe deu ânimos, estava feliz por sua amiga, na tinha inveja ainda que em frente a todos ela merecia mais esse posto que qualquer um; ela não conseguiria aguentá-lo, em um dia a mataria de nervoso, enquanto Lauren sim guardava rancor, se queixou para Rosalie que de uma maneira muito direta lhe disse Por favor Lauren, você não é capaz de manejar uma calculadora, agora quer ser a secretária dele? Não sobreviveria nem meio minuto.

Ele chegou como sempre, tinha o cabelo molhado, e cheirava a sabonete e Shampoo, parecia cansado, mas tranquilo.

- Bom dia senhorita Swan.

- Bom dia senhor Cullen.

- Venha ao meu escritório e traga esse café que você prepara.

Bella entrou na cova daquele dragão, estava sentado em sua linda mesa, tinha os cotovelos apoiados nesse e as mãos cruzadas em frente ao seu rosto.

- Agora somos somente você e eu senhorita Swan, você e eu.

- Isso é o que parece senhor Cullen, só você e eu.


N/A: Meninas, ele e ela, isso vai ser interessante.

Foi um capítulo difícil de escrever, eu amava o Thomas e seu gosto pela música.

Darcy, gatinho, gatinho.

Oh sim, ama-me ou deixe-me, deixar comentário é quase tão bom como estar sozinha com Edward Cullen em sua torre de gelo.


Laurent faz parte de um passado e um trauma enorme na vida da Bella. Edward não é o único com problemas... Edward sozinho no Natal é tão triste, a vida dele é triste. E meu coração se parte com a morte do Thomas, eu gostava tanto dele. Pobre Cathy. Darcy é o gatinho mais fofo do Mundo, mas também será muito possessivo, vocês vão perceber... hehe E as coisas vão ficar mais interessantes agora. Só os dois, será que Bella vai deixar Edward vê-la em toda a sua beleza?

Peço que tenham paciência com o próximo capítulo, ele é MUITO importante na fic, também é onde começa os capítulos enormes da fic, ele tem 16 páginas e uns parágrafos grandes, vou tomar tempo para fazê-lo com calma, já que estou sem beta e não quero cometer erros graves de escrita. Tentarei postar em 15 dias, mas não tenho certeza.

Muito obrigada pelas reviews, vocês são lindas!


:PREVIEW:

Quem comentar vai ganhar uma preview, quem tem conta mandarei por PM (se não quiser a preview, é só avisar) e quem não tem deixa o email como no exemplo: edward(underline)cullen(arroba)fanfic(ponto)com, escrevendo os simbolos entre parênteses, porque se escrever normal o FF some com o email.

Beijos

xx