O LIMITE DO CAOS

Sinopse: Bella Swan foge de Forks para Nova York para reconstruir sua vida, mas com o tempo, ela tímida e calada verá como o seu mundo se converteria em uma total loucura quando se encontrar presa pela obsessão de quem menos acredita, o misterioso Edward Cullen.

Disclaimer: A fanfic pertence à sachita1212 que me autorizou a tradução, Twilight e os seus personagens pertencem a Stephenie Meyer, e a mim somente a tradução.


Capítulo 9 – O Senhor da Dor

As semanas posteriores haviam sido para Edward e Bella um verdadeiro inferno. O inferno do desejo para Bella e o inferno da desolação e da desesperança para Edward.

Durante todas essas semanas Bella havia sonhado com ele, com sua boca, com seus dedos tocando seus mamilos, com a dureza do seu corpo quente contra ela. Isso era o desejo? Perguntava-se por que com James nunca, nunca foi assim!

Agora, depois de três anos, já sabia com certeza porque não foi capaz de dormir com ele, este não havia produzido a fome voraz e sem controle que Edward Cullen lhe produzia, e maldição, o odiava com todas as forças, ele não tinha direito! Não o tinha! Invadir suas noites de semelhante maneira. Esse homem insuportável e lindo a tinha fora de controle.

Nas noites em meio à loucura de desejo, pensou em seduzi-lo, soltar seu cabelo, tirar seu disfarce e sem mais nem menos, entrar no escritório e gritar pegue-me, foda-me contra o chão. Deus isso não era digno de uma estudante de literatura, semelhantes palavras tão vulgares, mas isso era o que ele lhe produzia. Queria mordê-lo, agarrar seu cabelo, beijá-lo desesperadamente por todo seu corpo, fazer coisas que em sua vida nunca se tivesse imaginado fazer com um homem. A meia-irmã e sua ninfa tinham uma libido muito pornográfica. Viu-se em frente a sua roupa dizendo que colocasse para implorar a esse homem que terminasse o que tinha começado em Las Vegas. Sim, seduzi-lo! Atacá-lo! Colocar seus saltos com a ponta em seu peito e lhe dizer mostre-me o que pode fazer.

As palavras de James, frígida, mosca morta, retumbavam em seus ouvidos, ela nunca seria mulher para um homem como Edward Cullen, não, não, não era. Ele estava acostumado com outras mulheres, mais bonitas, mais sofisticadas... mais experientes. Tonta, tonta Bella, o que pode uma virgem oferecer a um homem como esse? Medos? Inseguranças? Incômodo? E ela pensando em seduzi-lo. Sim, esta bem, tinha mais teorias que qualquer mulher no mundo sobre sexo, desde os livros mais terríveis e obscenos até as teorias, religiões e específicos estudos científicos realizados, havia lido tudo, e então? O que faria ela ao ver um pênis ereto de um homem em frente a ela? Não de qualquer homem, o de Edward Cullen que devia ser o mais bonito, potente e impressionante do mundo, ela o sentiu.

Naquele dia terrível, viu James nu em frente a ela, mas o nojo e o medo de toda a situação lhe haviam distorcido seu conceito, mas agora? Deus! Até o imaginava com ele em sua boca. Menina você tem que ir a missa! Confessar ou fazer qualquer coisa para tirar semelhantes desejos, não é são, não é ele nunca se fixaria em você, nunca, nunca. Enfrentava esse homem com seus complexos, com seus medos, com sua falta de jeito, sou muito fraca, sou muito reta, não sou loira, não sei nada... sou estúpida, sem dúvidas se ele pedisse que ela se ajoelhasse e fosse sua escrava, demônios, ela o faria, a deus e a meia-irmã se arrastariam até ele e seriam felizes cumprindo seu papel de absolutas submissas em frente aquele deus. Mas então, o que aconteceria depois? Sim, ela o amaria, o amaria até perder a cabeça, ela era esse tipo de mulher, Renée por que não me fez uma cínica? Deveria me deitar com cada homem e simplesmente deixá-lo sem nem sequer um bilhete de despedida. Mas ela não era assim, era muito sentimental, idealista, amorosa e sexual para permitir que aquele que penetrava seu corpo, não fosse única com ela, não só em seu corpo senão em espírito.

Então a meia-irmã, maldita, fez a pergunta, e se ele quer? Se o príncipe deseja lhe colocar contra a parede, fazer com que esqueça o mundo malditas palavras o que faria Isabella Marie Swan? Esperar um anel de casamento? Todo um cenário? A música de Strauss como trilha sonora? Acorda! Desejaria deixar de lado poder provar um pouco do céu somente para cumprir seus desejos românticos de mulher do século XIX? Eles, esses homens não são para você, mas uma noite, uma noite com ele dentro de si será a maneira de levantar o dedo em atitude desafiadora e gritar a todas essas mulher que parecem tê-lo 'Ele foi meu, sim, amem-o, adorem-no, casem-se com ele, tenham filhos perfeitos e loiros para mostrá-los como um marco perfeito, mas uma noite ele foi meu e em algum momento em um milionésimo de segundo da sua existência ele saberá que eu, meia-irmã, simples, sem direito a sonhar o amei mais do que qualquer uma e ele me deu tanto prazer que eu quis morrer, sem dúvidas me deu a vida... uma noite eu fui à rainha do paraíso'. Bella merda deixa a metáfora! Somente o fato dele te tocar será suficiente razão para aguentar os anos de solidão que te esperam, ele, nu, como lembrança para a velhice, sorrirá maliciosamente lembrando como gemeu com ele, o beijou e entregou-se a ele, amor? Não, ele nunca lhe dará isso, sua vontade iria se opor a pesar seu espirito literal, sua rebeldia herdada de Renée, lutaria contra ele, se submetia a sua beleza e seu pau divino, mas de uma maneira ou outra, ainda que te custe deixar seus sonhos para trás, seus livros de amores quentes, você, Isabella Swan, lutaria até o final com todas as suas forças para não amá-lo, a alma de Edward Cullen, se é que ele tem, somente pertence à outra que levara o vestido azul céu e dançará com lindos sapatos de cristal... seu amor, o Santo Graal não é para você, só te resta sonhar com seu corpo carnal e perfeito.

Mas ele não apareceu em uma semana e a febre de Bella não diminuiu, mas o fato de que sua presença não a transtornava, fez com que a reflexão e autocontrole tomasse o relevo da loucura.

"Agora não Swan."

"Pegue um avião para New York, eu preciso ficar em Las Vegas, é urgente para mim." "Mas Senhor Cullen tem uma reunião de negócios com Stendall em dois dias e o jantar com os donos da companhia Jet-land um dia depois."

"Por acaso não me escutou, Swan? Não vou, vá você com meu irmão, diga que estou cansado, doente ou morto se quiser, mas não vou para New York."

Havia-lhe gritado com aquela boca louca que a havia beijado um dia antes, ela quis dar um soco nele e depois beijá-lo. Deus não quero ser grosseira! Não sou! Mas é um filho da puta, quero bater nele, mata-lo e beijá-lo, estou completamente louca.

A família Cullen estava muito preocupada, toda a companhia estava se perguntando, onde estava o todo poderoso? Em quatro anos de trabalho, ele nunca havia faltado um dia, com exceção quando viajava a outros lugares. Emmett se encarregou de dizer que seu irmão estava tomando umas férias. A preocupação na cara do enorme irmão era digna de pena... Ama o seu irmão, o muito idiota não merece isso.

Encarregou-se de ir à reunião com os donos da Jet-Land, Emmett era tão bom quanto Edward, mas lhe faltava à qualidade canibal que seu irmão mais velho tinha. Emmett era muito ingênuo e dado mais a conversa divertida do que aos negócios de alto nível, mas nada podia negar que todos se sentiam mais à vontade com ele.

Na reunião da Jet-Land, não só estavam os donos da companhia, mas as mulheres deles também, as secretárias e vários advogados. Falavam sobre uma fusão, mas na verdade o que buscavam era comprá-la, essa era a verdadeira intenção se Edward Cullen, não gostava de compartilhar o poder com ninguém. O negócio era por tantos milhões de dólares que Bella não podia nem contar quantos zeros isso tinha.

Emmett levou sua muito estonteante esposa, esse era seu método de distração, todos babavam vendo Rosalie Cullen enquanto que ele com seu sorriso de menino conseguia o que desejava. Enquanto que Bella anotava, bebia Coca-Cola e presenciava como os homens de poder jogavam com o mundo.

Estava no banheiro de damas, Bella não deveria tomar tanta Coca-Cola, logo escutou uma conversa entre várias mulheres e o tema era Edward Cullen, não queria escutar, mas o fez, graças a Deus ainda estava dentro da cabine.

- Sabe por que ele não veio? Eu o queria ver de perto.

- Não, ele é um homem misterioso.

- É verdade o que dizem dele?

- O que?

- O homem é um mito.

- Sim, mas é mais frio que o polo norte.

- Dizem que em outros departamentos não é assim – as mulheres riram maliciosamente.

- Se diz que é capaz de te fazer cantar o hino nacional na cama.

Deus, eu tenho que escutar isso?

- Também que tem certos gostos particulares, vocês sabem meninas, coisas pervertidas, o chamam de O SENHOR DA DOR.

O senhor da dor?

- Eu não seria contra que esse homem fizesse certas coisas comigo.

- Não fale essas coisas, Samantha, é se meter com coisas que você não conhece, ele é um homem cruel, dorme com as mulheres e não liga para elas e se tem uma mulher por mais de três meses a trata como se fosse um pano de cozinha. Ele não faz amor, ele fode forte, duro e sem coração.

- Quem necessita de romance quando um homem é assim? Uma amiga me disse que ele tem "a maior artilharia de toda a cidade".

Do que estão falando? Artilharia? Oh não, estão falando do seu...?

- E sabe utilizar, segundo parece.

- Pois tudo e completamente, eu não queria estar no lugar da sua mulher da vez, eu escutei de varias mulheres, que ele desfruta da adoração para que depois as destroce, garotas, Edward Cullen pode ser um adônis, mas é muito, tem que ter coração de pedra ou simplesmente ser absolutamente indiferente diante dele.

Sim, indiferente como uma pedra, indiferente como uma pedra.

Sim, três semanas depois o dragão da torre apareceu, sombrio, magro e silencioso. Mas nada diminuía a beleza, ainda mais com essa aparência que dava a imagem de um guerreiro que atravessou uma grande batalha. O que aconteceu? Está doente? O que aconteceu?

~x~

Havia levantado sobressaltado da sua cama, estava nervoso e todo seu corpo doía, era como se tivesse estado exposto há horas e horas de exercício, seus músculos pareciam vitimas de um grande esforço.

O dia anterior foi detestável, odiava Las Vegas com todo seu coração, ela toda o lembrava de suas épocas de degeneração e excesso, mas não podia evitar; interessava-lhe participar em tudo relacionado à tecnologia. Ainda que ultimamente seu ânimo estivesse no chão, não se alimentava bem e não dormia bem também, já não queria dormir, ela havia ido embora dos seus sonhos dormir era decepcionante, por tanto cada noite era uma luta para se manter acordado, lia como louco, ficava na internet, se exercitava, bebia, via televisão, CNN; mas nunca escutava música, escutá-la era muito doloroso para ele. Se auto impôs não escutá-la, não queria lembrar-se desse tempo em que a musica era tudo para ele. Seu piano era sua alma, mas nem isso lhe restava. Não levou um livro, não queria navegar na internet, o álcool o chamava, tinha terror de voltar ao alcoolismo, ele era alguém com uma personalidade viciante, o sabia, havia lutado para não continuar nas drogas, o havia jurado por ela, uns anos atrás, mas era difícil não cair. Saiu do seu quarto, ao menos sua secretária estava dois andares a baixo, não imaginava a Swan saindo para se divertir naquela cidade, ela era uma mulher na qual a diversão não se encaixava... Desconhece o conceito.

Fechou os olhos, beliscou a ponte do seu nariz, logo que uma imagem o golpeou como uma bomba, uma mulher de cabelo escuro, beijando-o como nunca havia beijado em sua vida, lambeu os lábios e sentiu o sabor doce e lindo, era ela, lutou contra a memoria dela que ia embora, "você é lindo" sua voz, essa era a sua voz! Dizia-lhe que era lindo, fala por Deus, fala, "não é bom ser o patrão?" Estou louco! Sonhei com ela de novo? Então por que parece ser tão real? Tenho o sabor dos seus lábios em minha boca. Fechou suas mãos e a sensação dela em suas mãos apareceu toquei seu cabelo um formigamento toquei seus seios! São lindos, sua pele era tão suave, sua língua brincando com a dele. Era tão delicioso, tão sexy, tão violento, estou duro, tenho uma ereção que poderia quebrar um prato. Merda, ela morde os lábios! Quero beijá-los de novo! Edward levantou da cama de uma vez, as imagens vinham uma atrás da outra, "Às vezes me cansa que todos acham que sou boa, eu tenho meus mundos obscuros, fantasmas, monstros rondando a minha cabeça." Ela disse isso, ela lhe disse, estiveram conversando. Por que tinha que beber como um idiota? Uma sensação elétrica o atravessou com uma força que o fez desfalecer. O sentiu? Seu nome? Seu nome! Merda Cullen! Seu nome! Foi até o banheiro e jogou água fria na cara, mas o cheiro dela continuou, seus beijos, tinham sabor do céu e ela era tão sensual e o tocava, o tocava e seu toque queimava, "bebê, sua boca é um pecado, não posso imaginar como será todo o seu corpo, acho que vou gozar, quero te fazer gozar tão forte que vai até esquecer do mundo" sim, ele havia dito isso, em meio à nuvem de vodka ele lhe disse, caralho! E ela respondeu "Onde você quer a minha boca baby?" "Em mim, sobre mim, ao redor de mim." As palavras o deixaram tonto, suas pernas fraquejaram e deu um soco nas portas do banheiro, de novo a viu seminua, é linda, senhor, é linda e ia ser minha, é linda, seus mamilos são como lilás, sua pele é veludo, vejo, vejo seu umbigo pequeno e reto, acho que vou gozar agora mesmo, lembrou como sua boca o atacou de maneira frenética, sua língua fez uma dança com a sua, estavam tendo sexo brutal com a boca. Oh merda, merda, vou gozar, um maldito orgasmo e o teve, doloroso, potente. Caiu no banheiro. Não sabia se estava louco, mas estava feliz, pela primeira vez em anos estava feliz. Ela é real Cullen, é real e está lá fora... esperando você.

Entrou debaixo do chuveiro com roupa. Tinha que tirar a evidência da sua tremenda excitação, ficou nu tão rápido como pode, se ensaboou, passou shampoo. Puta merda Cullen, parece uma menina antes do baile de formatura, o que vai dizer quando a vir? Hey, estou te esperando a minha vida toda, estou louco por você, te conheço dos meus sonhos, quero te beijar de novo, te tocar, quer fazer amor comigo? Sim, agora, prometo não te deixar ir, vou te sequestrar e te darei o mundo se quiser, por favor bebê, por favor. Oh não morda a boca, eu morro. O que lhe digo? Será que gosta de flores? De chocolate? Cullen está muito intoxicado nessa história de conquistar uma mulher, talvez lhe compre uma joia, ou um carro. Não! Vai assustá-la. O que lhe digo? Diabos! Olá sou Edward Cullen e sou mais rico que Deus. Menos! O que lhe digo? E se tem namorado? O mato! Ela é minha! E se não gosta de mim? Não, esse beijo não é sintoma de alguém que não gosta, e se fingiu? Por que não ficou comigo? Senhor! Eu teria morrido ao encontrá-la nua ao meu lado! Não, não posso fazer amor bêbado! É muito vulgar! Quero estar completamente consciente quando ela for minha, toda... quero tocá-la por todas as partes, beijá-la em todas as partes, sentir o cheiro dela, lambê-la, chupá-la, penetrá-la. Deus, isso! Quero ver sua expressão quando a penetre, sublime! Quero descer meu olhar e ver quando sejamos um só. Bebê, olhe, somos você e eu! Diabos vou gozar de novo.

Olhou-se no espelho de novo, quase corta o rosto tentando fazer a barba, seu cabelo diabos não tenho tempo para isso agora, pegou sua mala. O que eu coloco? Olhe para você, Cullen! Uma garota, definitivamente uma garota. Passou perfume e saiu do seu quarto, sim corria, minha mulher está me esperando.

Por onde começo? Onde?

O hotel era muito grande, era como buscar agulha no palheiro. Que horas são? Nove da manhã, e será que está dormindo? E se não está hospedada nesse hotel? Não, não, não, merda! Deve tomar café e se o faz no seu quarto? Tantas perguntas. Quem poderia ajudar? Foi ao restaurante do hotel e esperou, a sua cabeça doía terrivelmente, tenho que reconhecê-la, tenho que fazê-lo, não voltarei a beber na minha vida de merda, por culpa do álcool ela vai escapar de mim, é isso! O bar... correu até o bar do hotel, sempre estava aberto.

Havia três garçons no balcão, algum deles tem que saber.

- Olá – quis ser amável, estava em disposição de ser amável pelo resto da sua vida.

- Olá – disse uma mulher de cabelo vermelho longo, ela o olhava embelezada, Edward não tinha tempo para isso – Em que posso servir?

- Eu estive aqui à noite, vocês me atenderam?

- Não senhor, os atendentes da parte da noite são diferentes, eles chegam às seis da tarde. Mas eu posso ajudar no que deseje.

- Não, eu preciso de quem me serviu à noite.

- É impossível senhor, são quatro pessoas e eles não estão.

- Tem o telefone deles?

- Sim senhor, mas não posso dar seus números, é proibido.

- Pago cinco mil dólares para que me dê os malditos números agora, e melhor, ligue você e lhes ofereça a mesma quantidade de dinheiro se eles vierem falar comigo.

A mulher estava assustada, o homem claramente ainda tinha os rastros de álcool e não estava em sã consciência. Ele imediatamente entendeu as duvidas da garota, tirou sua carteira e colocou um bolo de notas em frente a ela.

- Olhe, não sou um assassino – louco, um obsessivo, psicopata talvez – só quero fazer uma pergunta, só uma pergunta – apontou para o dinheiro – tem muito mais se quiser, mas preciso dessa informação.

A mulher hesitou, era muito dinheiro, olhou para o homem dos pés a cabeça, tudo nele gritava dinheiro e muito. Olhou para os lados, se aproximou e sussurrou no seu ouvido.

- Espere.

Pegou o dinheiro, tirou seu celular para ligar, foi quase uma hora enquanto Edward esperava, uma mensagem em seu blackberry, da sua secretária Senhor Cullen, o esperam tem mais de meia hora, eu não sei o que dizer.

Merda!

Mandou uma mensagem, Diga a eles que não vou, hoje não e não me ligue Swan, e tampouco quero mensagens.

Em uma hora apareceram as quatro pessoas com caras de transtornados e cansados, o turno terminava às cinco da manhã, mas a promessa de dinheiro não era de nada mal.

Na espera, tinha tirado vinte mil dólares no caixa e colocou sobre a mesa, não esperou que nenhum dos garçons sentassem.

- Quem me atendeu ontem à noite? E não mintam, sei quando as pessoas mentem – nos anos de negociações difíceis havia aprendido a ler a mente das pessoas quando se tratava de dinheiro – Darei a cada um o dinheiro, mas quero que me respondam, quem me atendeu?

- Eu – disse um garoto de uns vinte e três anos.

- Que horas?

- Eram algo como nove ou dez da noite, você se sentou em um canto isolado – sim, o garoto claramente se lembrava dele, este lhe havia dado uma boa gorjeta pelo local mais isolado do bar.

- Eu estava com mais alguém.

- Não, não no começo.

Aleluia.

- Depois o vi com uma garota. Você a atendeu Neil, a morena.

Neil estava mais interessado no dinheiro sobre a mesa do que na conversa em si.

- Oh sim, a dos sapatos vermelhos, uma garota chegou aqui, sentou e tomou algo que não me lembro, depois você se aproximou e ela sentou com você na mesa.

- Como ela era?

- Por favor amigo, nesse bar entram milhares de pessoas em uma noite, só sei que era uma garota morena, de cabelo longo e sapatos muito caros.

- O que aconteceu depois?

- Não sei, ela ia embora, você estava muito bêbado e ela o levou quase que nas costas, ela pagou a conta.

- O que? – sorriu, nunca ninguém pagou nada por ele – o que mais aconteceu?

- Repito, não sabemos, aqui entra pessoas, se embebeda, consegue uma garota e vai embora, isso é tudo, nós não nos fixamos.

- Alguns de vocês já a tinha visto?

- Nunca, parecia uma garota de cidade pequena, nem sequer bebia, tentou e quase se afoga.

Claro que a minha bebê não bebe.

- Sabem como posso conseguir informação? Quem sabe ela seja uma hóspede.

- Olhe amigo, essa informação é confidencial, só a policia pode fazer isso, as câmeras de segurança dessa área estavam desativadas ontem porque houve um curto circuito, nós não sabemos mais.

Edward levantou deixando o dinheiro sobre a mesa.

Estava desesperado, alguém tinha que ter visto ela, às onze da manhã ligava para os gerentes do hotel para que lhe dessem informação, mas todos negaram, ele poderia ser Edward megapoderoso Cullen, mas isso estava fora da lei, não se arriscariam em um processo de milhões de dólares, seus clientes sempre estavam protegidos com completa discrição.

Demônios, demônios, tenho que pensar, como a encontro?

Foi até o quarto do hotel e ali estava sua muito desesperante secretária, esperando-o, parecia nervosa, abaixava a cabeça e evitava o olhar do seu chefe, Deus essa mulher, por acaso alguém não pode dizer a ela para se vestir um pouco melhor? Que roupa horrível.

Bella havia encontrado a roupa mais feia de todas no seu guarda-roupa de secretária, uma blusa preta e uma saia marrom com os sapatos de velha com joanetes; agradeceu por seus óculos feios e grossos que cobriam seu rosto, devia colocar todo seu empenho em se esconder, se encurvou e cruzou os braços.

- Te esperaram durante duas horas, senhor – até sua voz mudava.

- Não dou à mínima, cancele tudo Swan.

- Mas é muito importante.

- Agora não Swan, pegue um avião para New York, eu preciso ficar em Las Vegas, é urgente para mim.

- Mas Senhor Cullen tem uma reunião de negócios com Stendall em dois dias e o jantar com os donos da companhia Jet-Land um dia depois.

- Por acaso não me escutou, Swan? Não vou, vá você com meu irmão, diga que estou cansado, doente ou morto se quiser, mas não vou para New York.

Isabella apertou os punhos de frustração, o viu desaparecer por trás da porta do quarto. Idiota, nesse momento eu deveria estar fazendo meu trabalho sobre "Longe da multidão" e não perdendo o tempo com essa coisa... não pense em sua boca, Bella, em sua língua, em suas mãos, diabos! Você deve ir dormir.

Sua secretária foi embora, não lhe importava, nada lhe importava, não via nada mais, não via nada, só tinha visão para o objeto da sua obsessão.

Por dois dias não a tinha encontrado, parava no bar, só tomava água, mas ela não aparecia, caminhava por todo o hotel de cima a baixo e voltava, e repetia a mesma rotina, horas e horas, não comia, quase não dormia. Pode existir alguém mais patético e estupido? Perguntava-se, como ele um homem que fez de si mesmo uma imagem de cínico e cruel podia estar nesse poço sem fundo?

Durante dez anos, de maneira sistemática, com a força de um animal e com a vontade de um deus, fez com que todos, todos girassem ao redor do seu controle, nada podia se mover sem que ele autorizasse, ele devia saber de tudo, até as intenções ocultas de cada pessoa devia conhece-las. Por mais que lutou, isso fez seu coração e sua alma se tornarem uma rocha, ao menos para todos aqueles que o rodeavam. Ele era duro e frio como gelo, não sentia nada, ao menos não queria sentir nada, somente estava apegado a sua família e a Cathy, o resto lhe importava uma merda, não tinha compaixão, não compaixão por ele, era sua maneira metódica de se castigar e de que ninguém o voltasse a machucar. O mundo era uma merda total e assim devia ser tratado, sem duvidas, agora sabia que tudo havia sido em vão, era um tonto desejando poesia em sua vida, estava faminto por tudo; seu férreo controle do mundo foi para o limite, uma noite, um beijo e tudo havia explodido ao seu redor.

No quarto dia sua família começou a ligar, em só um dia recebeu vinte chamadas, mensagens de texto. Não queria que ninguém o incomodasse, assim desligou seu blackberry e pediu à recepção que não lhe mandasse nenhuma ligação.

No sexo dia, um dos gerentes bateu na sua porta.

- Senhor Cullen, você está bem? Seu pai ligou pessoalmente, sua família está preocupada, precisa de algo?

- Não. Deixe-me em paz, diga ao meu pai – que não se meta, que não o quero aqui, não lhe importa, não lhe importa – que estou bem.

Mas não, não estava bem, estava absoluta e completamente demente, podia varrer toda a cidade, toda e ela não estaria ali. Chegou à conclusão de que o que havia acontecido essa noite era em parte imaginação e alucinação. Estava tão desesperado para fazer seu desejo virar realidade que sua mente pregou uma peça a garota só falou comigo e foi embora, isso é tudo... não houve nada, não houve beijo, nem toque, a eletricidade sentida não foi real, ela não foi real, só existiu na sua cabeça de bêbado, seu cheiro estava diluindo de novo, sua voz também. Porra! E se não era ela? Se só estou tentando me agarrar em bolhas de sabão? Fiz a ilusão, olho para cada mulher e tento ver em cada rosto, o rosto que seja para mim e finalmente chego a uma garota qualquer e eu me apego a ela. Eu sei, sei que se essa mulher fosse para mim, nesse momento estaria esquentando minha cama, ela estaria preocupada comigo.

- Senhor Cullen.

- Porra, já disse que não quero que me incomode.

- É sua secretaria pessoal, precisava falar com você. Disse que é urgente.

- Por acaso não me ouviu? Não quero ser incomodado por ninguém e muito menos por minha secretária – maldição.

Com dez dias estando em Las Vegas, todo o hotel estava alarmado, fazia dois dias que Edward Cullen não dava sinais de vida em seu quarto. Quando seu pai ligou, o gerente alarmado informou sobre o que estava acontecendo, ninguém respondia, ninguém o havia visto sair dali.

- Derrube a porta se necessário – Carlisle estava assustado por este comportamento. Deus, não, não, que não seja como ela. Deus, não... meu menino não.

Esme estava histérica.

- Vou atrás do meu filho – fez as malas, ligou para Alice que estava no Texas visitando seus sogros – Alice seu irmão precisa de nós, não vou deixar meu menino sozinho.

- Mamãe, por que com Edward tudo é difícil?

- Ele não era assim querida, não era.

- Até quando?

- Não sei, não sei, por favor, ele está trancado no quarto de hotel, eu conheço essa atitude, aos dezessete anos fez o mesmo, tenho um mau pressentimento, por favor viaje para Las Vegas, vamos nos encontrar lá.

Todos estavam assustados, o encontraram deitado na cama, quase inconsciente, logo chamaram os paramédicos e o levaram para o hospital. A família pediu que não contassem isso para ninguém, com o risco de processo.

Carlisle fez todos os ajustes para leva-los em um avião especial para New York. Estava desidratado, a ponto de uma infecção e com uma febre de mais de trinta e oito graus.

- O que aconteceu com ele? – Emmett estava preocupado, seu irmão era seu ídolo, desde criança havia sido o melhor jogador de baseball na escola, o melhor estudante, lhe havia ensinado a rebater, dançar, a dirigir, a conquistar uma garota, seu primeiro encontro foi providenciado por ele. Agora esse homem de ferro estava ali, cheio de soro, deitado em um hospital. Emmett não era nenhum bobo, sabia que seu irmão era alguém turbulento e violento, sendo um adolescente o viu se transformar em alguém perigoso, chegava em casa golpeado e sangrando. Carlisle se trancava com ele e as discussões se tornavam muito fortes. Esme tentou com todas suas forças afastar seus filhos menores dessas discussões, por isso nunca Alice e ele tiveram muita consciência do que acontecia, mas ambos sabiam que era algo terrível. De um momento a outro desapareceu, e quando o voltou a ver era o mesmo ser selvagem, mas com uma fachada de cinismo e indiferença que lhe assustava. Para Emmett ele continuava sendo seu herói, mas se dava conta de que o que Edward menos queria era sentir que seu irmão "urso" o asfixiava, por tanto seguiu admirando desde a sombra e sempre se protegendo com seu senso de humor, só Rosalie sabia o que lhe preocupava e odiava às vezes a displicência com o que o odioso bastardo tratava seu irmão, ainda que ela também via como seu cunhado era um animal diferente.

Não abriu a boca nesses dias e sua família decidiu deixa-lo assim, sabiam que ele não diria nada, todos estavam aliviados que estivesse melhor, ao menos por agora. Esme insistiu em que fosse para sua casa, mas Edward disse que não, que Carmen sua governanta cuidaria dele.

- Mas ela não é sua mãe, eu sou.

- Por favor mãe, tenho vinte e oito anos, além do mais, não foi uma operação de peito aberto, só foi uma infecção.

- Deus Edward, estava a ponto da inanição.

- Não foi nada.

Emmett chegou com todos os documentos das três semanas que ele havia estado fora.

- A senhorita Swan foi de grande ajuda.

- Aham – disse indiferente.

- Não, ela é uma mulher fantástica, sempre disposta, muito inteligente e com um grande senso de humor.

- Case com ela, tenha filhos chatos e feios.

- Não é engraçado irmão, ao menos deveria reconhecer que ela é boa, Cathy conseguiu o melhor para você.

- O que acha que devo fazer? Premia-la por fazer bom trabalho?

- É bom escutar que se é apreciado, Edward – o disse mais por ele do que por qualquer um – a garota é boa, lhe dê uma oportunidade.

Mas Edward não escutou, não escutava nada, estava fechado diante o mundo. O mundo me odeia, eu sei, devo pagar meus pecados, idiota, acredita que tem alguma oportunidade?

~x~

O aniversário de vinte e dois anos de Bella foi amargo, todo esse dia trouxe memórias de pessoas que amava e haviam ido embora.

- Cathy sinto saudade dele, sinto falta do Tom, da minha mãe, de Phil, de você, estou muito sozinha – Bella soluçava por telefone.

- Eles estão contigo Bella, todos eles, só fechar os olhos e olhá-los, eles te amam.

Nessa noite havia chorado como uma boba, fingiu em frente a Charlie que lhe cantou feliz aniversário pela webcam e lhe mostrou um pequeno bolo, que comeria em honra a sua Bells – Meu amor te mandei um presente, não é muito, mas é algo bonito.

Charlie havia lhe enviado uma pequena caixa de música, como o toque de Elisa de Beethoven, isso foi pior, estava cheia de melancolia e solidão. Não quis dizer a Peter sobre seu aniversário, certamente a atordoaria com seu vamos Isa, vamos Isa.

Stella a convidou para almoço, com todo o medo do mundo subiu até a torre da presidência, para falar com Bella. Não queria ver seu chefe que diziam que estava pior do que nunca, mas não teve sorte, quando abraçava a sua amiga, desejando-lhe feliz aniversário sentiu o olhar de água do ogro por trás das suas costas.

- Nossa Swan, é seu aniversário? – Quantos anos? Quarenta? – Não pretende celebrar hoje?

- Não senhor, na verdade é domingo, mas Stella vai viajar para New Jersey, então.

- Não me deve explicações, te espero em uma hora.

- Sim senhor.

Ângela e Stella ficaram olhando-o.

- A cada dia ele está mais odioso.

- Desde que voltou de Las Vegas está pior, como você está?

- Bem.

Bella não disse nada, ele era parte dessa melancolia, ainda tinha a sensação da sua boca e dos seus dedos fantasmas em seu peito.

Nos dias seguintes depois que ele havia voltado, pareciam como se estivessem embebidos em uma calma pesada e obscura. As conversas eram monossilábicas, apáticas e burocráticas. Bella tinha a segurança que em 2010 ela já não trabalharia ali. Maldita, maldita boca.

~x~

Finalmente o negócio Black-Cullen havia valor legal, esse era o grande negócio corporativo dos últimos anos; todos estavam felizes menos os "Príncipes Herdeiros". Ter que compartilhar o espaço era muito, até os dois viverem em New York era muito, agora ter que estar em reuniões de ambas às empresas estava mais além do controle.

- Ambos – Carlisle apontou para os dois, quando assinaram o contrato – vão se comportar como adultos.

Edward e Jacob se olharam e lançaram fogo com os olhos.

Idiota, pensou um.

Maldito, pensou outro.

Na torre Cullen ia se celebrar a fusão, convidaram jornalistas, amigos de ambas as empresas, família e os empregados mais próximos de ambas as corporações. Bella detestava estar ali, se sentia como peixe fora d'água. Todos falavam da reação dos donos do editorial Aro-Volturi quem iam atrás dos escombros da Black Editoriais; a intenção de investimento não era algo que nenhum deles esperava.

Quase todos celebravam e conversavam animadamente, menos os dois chefes que pareciam dois boxeadores que se encaravam dos cantos de um quadrilátero.

Bella fugia de tudo isso, sua presença era meramente diplomática, mas nada mais, eram oito da noite e estava desejando ir para sua casa, alimentar Darcy, tomar um bom banho e ler. Fazia quase um mês que descobriu o terraço do enorme arranha-céus, ali estava o heliporto da companhia. Escapuliu-se e subiu. A panorâmica da cidade era impressionante, toda New York em pleno era linda, majestosa e intimidante. Fazia frio e ela gostava disso, o vento lhe dava a sensação de liberdade que tanto ansiava. Quando o dragão bonito estava mais insuportável e a claustrofobia lhe atacava, subia, respirava e se enchia do vento gelado, esse tinha o efeito de limpar sua nostalgia.

- Olá.

Bella saltou, olhou para trás. Jacob Black a olhava divertido.

- Está fugindo, senhorita Swan?

- Não, não estou fugindo – era uma garota pega em uma travessura.

- Eu não te culparia boneca, todos somos uns chatos, principalmente esse chefe que você tem.

- Você não gosta dele?

- Não, não gosto dele, na verdade não o suporto, como você suporta?

- É meu trabalho, só isso, não me interessa ser sua amiga.

- Isso é bom, ele não é bom amigo, eu sei.

Jacob pegou uma carteira de cigarros.

- Não me diga que vai colocar essa expressão de horror que todos nesse país colocam por fumar um cigarro, senhorita Swan, como é o seu primeiro nome?

- Isabella, me chamam de Bella e não, não me incomoda que você fume.

- Não é um hábito em mim, o faço para liberar a tensão, uma carteira dura um mês. Você quer? Vamos, diga que sim, por trás dessa cara de menina boa eu sinto que tem uma garota rebelde.

Bella sorriu, estava ruborizada, mordeu a boca, anarquia Bella, anarquia, ali embaixo, está esse megalomaníaco obsessivo por controle, fuma e deixa a ponta em seu lindo e caro arranha-céus.

- Caramba! Dê-me um.

- Essa é a minha garota – piscou para ela – diga-me uma coisa, Bella, o que faz para se rebelar contra o mundo?

- Nada, sou uma boa menina.

- Sim, é, eu sei, mas... não sei, você faz grafite nas ruas?

- Não, isso já passou da moda.

- Deixe-me ver, protesta em frente aos consulados ou em frente ao governo?

- Tampouco.

- É membro do PETA e na semana da moda, joga lixo em todas essas atrizes que usam peles de animais.

- Não, mas eu gostaria.

- Arranha os carros caros? Porque pode começar com os carros desse idiota do seu chefe, ele tem obsessão por eles. Isso te tenta?

- Não, não faço nada disso.

- Vamos Bella "Emito meus alarmes pelos tetos desse mundo" – disse com voz potente.

- Wait Whitman, nossa Jacob.

- Não, você estuda literatura? Só um estudante de literatura conhece isso, isso é ser rebelde irmã, eu estudei em Yale e você?

- NYU.

- Você é rebelde menina, nessa época amar os livros é rebeldia pura. Em mim era natural, dono de uma editora, mas e você, o que faz nessa loucura? Trabalhando com... isso.

Bella aspirou seu cigarro.

- É uma longa história... depois te conto, vamos Jacob, você também tem cara de ser um rebelde, conte-me.

- A época de rebeldia passou faz muitos anos Bella, eu pertencia a uma turma, nos chamávamos "Homens Lobo", não é bobo? – disse de maneira sombria. – Mas ainda tenho minha moto, uma Harley Davidson, uma Fat Boy.

- É boa, pessoalmente gosto mais de uma Road King.

Jacob a olhou extasiado.

- Jesus, você é perfeita, uma garota que conhece motos, é fantástico! Sabe dirigir uma?

- Aham.

- Deusa, trabalhe para mim Bella, renuncia esse trabalho e trabalhe para mim, minha pobre secretária é uma mulher chata, não tenho com quem falar.

- Não é fácil Jacob, além do mais, perdoe-me, mas isso soa como uma maneira de irritar o idiota.

- Claro que sim, que se foda... não, Bella, sério, uma editora é perfeita para você, já leu "Entre a luz e os fantasmas"?

- Claro, é um livro maravilhoso.

- Eu sou o editor de John Stuart.

- De verdade? É... é incrível.

- Sim.

- Wow Jacob, dizem que ele é o próximo Hemingway.

- Ele é. Vamos Bella pense, você e eu, livros, motos, cigarros rebeldes – ele piscou para ela, brincalhão.

- Eu vou pensar Jacob, de verdade.

~x~

Uma noite invadido pela melancolia, se viu em frente a um papel. Quando era um garoto sentava-se em frente ao piano e escrevia canções. Compôs uma para Esme e para Alice no seu aniversário, adorava compor, brincar com as notas, era tão fácil e divertido. Pensava naquela época, onde o único que desejava era ser um concertista e um grande músico, disso não restava nada. Mas estranhamente precisava escrever algo, precisava da purificação da música, ao menos das palavras.

Eram três da manhã e as palavras começaram a se desenhar em uma folha de papel:

Perdido entre sombras

Procuro-te sonambulo e louco

Olho a minha janela e a neve

Cai em uma cidade indiferente e rígida

Procuro-te e o ruído da rua

Obscurece seu nome,

Onde você está? Onde você se esconde?

Flor dos meus sonhos,

Emerge do nada e preenche o espaço

Com seu perfume e seus murmúrios de fada.

Abro os olhos e creio estar te tocando

E não é nada... só silêncio... nada.

Faminto e cansado

Consumo-me nesse fogo,

Só me resta o horizonte,

Vazio com sua ausência que desconheço,

Mas que tanto sentia falta.

Tenho mil palavras para você,

Quero inventar uma nova linguagem,

Para descobrir-te,

Novas caricias para tocar,

Beijos novos para provar...

Mas você não existe

Você escapa como água entre meus dedos.

Como o som do eco no vento.

Prisioneiro de uma lembrança e uma sombra,

Lembrança sem memória,

Sombra iludida, sem alma e sem corpo.

Toca-me invisível e tremo,

Toda minha vida atrás de você... é pressentimento.

Ausência do que não me tocou,

Sensação do que não tive,

Gestos que não desfrutei,

Corpo meu, que não apreciei,

Busco-te perdido entre sombras

E tudo se afunda em silêncio

Isso era tudo, tudo o que lhe contava, palavras que ficavam guardadas na boca.

Depois que chegou de Las Vegas se propôs a não se atormentar mais, esse inferno de três semanas o deixou cansado e doente. Saiu do hospital e voltou ao trabalho e fez honra ao seu maldito apelido A MÁQUINA. Toda sua concentração, sua raiva e sua fome estiveram ao serviço de fazer dinheiro. Sua amargura descontou em todos, principalmente com suas secretárias.

Bella havia ido durante uma hora na impressão e marketing por uns slides para a conferência do dia seguinte, quando voltou para o escritório estava toda uma confusão. Lauren passava batom compulsivamente nos lábios e tremia, depois de um ano de trabalho Bella sabia que era sintoma de que ela estava nervosa, Ângela não estava por nenhuma parte.

- O que aconteceu?

- Esse idiota, está maluco, gritou com a Ângela e comigo.

- Por quê?

- Contas que perdeu, arquivos de contratos, a pobre Ângela estava tão nervosa que a teleconferência se desconectou e a maldita Internet... não sei. Ela está chorando no banheiro.

Bella chegou ao banheiro e a pobre garota estava no chão, se debulhando em lágrimas.

- Bella eu juro que o odeio... quase me fez implorar para não ser demitida, é humilhante, não foi minha culpa, foi ele que confundiu tudo, eu, eu tentei ajudar e me disse que eu era inútil, não quero voltar pra lá, está insuportável, não o aguento. Que direito ele tem? Acha que é o dono do mundo? Sinto-me como uma barata.

Anarquia, rebeldia, somos selvagens querida, isso é o que somos.

- Levante-se Ângela, é hora de alguém dizer a ele que é um idiota.

- O que você vai fazer Bella?

- Dizer a esse filho da puta as suas verdades.

Nunca havia dito uma má palavra em sua vida, ao menos não em voz alta, mas nesse momento era seu mantra de força, igual ao somos guerreiros e selvagens.

- Vai te demitir.

- Pouco me importa.

- Deus Bella, quem é você?

- Isabella Swan, filha de Renée.

Arregaçou sua blusa e fechou suas pequenas mãozinhas em um punho doloroso, caminhou forte e abriu a porta do sacrossanto lugar do todo poderoso estúpido.

Ele ficou a olhando de cima a baixo como se fosse uma incomoda mosca.

- Eu não lhe chamei, Swan.

- Com que direito você grita assim com a Ângela?

Edward fez uma careta zombeteira, colocou seu cotovelo no seu escritório e disse:

- Nossa, parece que já foram fazer fofoca, o que eu digo aos meus empregados é coisa que não lhe interessa.

- Seus empregados, mas não seus escravos, imbecil, arrogante – logo viu a imagem da sua mãe, que lhe sorria é isso ai baby.

- Controle sua boca, Swan.

- Não me dá vontade, já aguentei sua grosseria, sua insolência, sua megalomania, sua crença de que pode manipular as pessoas como se fossem bonecos, por acaso não sabe que são pessoas? Oh claro, porque você não é.

Edward levantou com todo seu poder de quase dois metros de altura, caminhou até ela, ele vai me matar.

- Quem é você? Quem é você? Que vem aqui e grita assim comigo, Swan.

- Vamos, não seja hipócrita, diga, eu sei qual é o apelido que tem para mim, Patinho Feio Swan.

A careta arrogante voltou a aparecer em seu rosto.

- Pensa que vou me desculpar.

- Não, não me interessa as suas desculpas, ao menos não comigo Edward imbecil Cullen.

O rosto do homem se transformou em fúria.

- Olhe – disse Bella com atitude desafiadora – ao menos você sente algo, senhor todo poderoso, aposto que nunca ninguém foi capaz de gritar na sua cara assim, pois olhe para mim esse patinho feio, gato molhado e insignificante o vai fazer, você não é nada sem esse poder, sem todo esse seu maldito dinheiro, sem seus carros de milhares de dólares, sem seu sobrenome, se esconde nesse escritório para que ninguém veja o solitário e patético que você é.

- Saia do meu escritório, você está demitida.

Bella soltou uma gargalhada.

- Não é necessário Senhor Cullen, eu me demito – sua mãe saltava, a meia-irmã a olhava assombrava e sua ninfa estava vestida de Joana d'Arc.

Chegou até a porta e volto a olhá-lo, uma última vez, olhe o estúpido príncipe que me beijou como se na verdade fosse morrer se eu não o fazia, mas ele a olhava com nojo e o único que lhe ocorreu fazer para completar seu ato de absoluta rebeldia era levantar seu dedo do meio e insultá-lo com o que o gesto grosseiro significava.

- Fora! – ele rugiu.

- É um prazer.

Saiu dali, pegou suas coisas, sem olhar o que levava e se despediu.

- Adeus meninas, foi um prazer trabalhar com as duas, inclusive com você Lauren.

As duas mulheres a olhavam atônicas.

- O que você fez Bella?

- Fiz o que tinha que fazer Angie e não sabe o quão livre me sinto – se aproximou da sua colega de trabalho e lhe deu um beijo na bochecha – vamos continuar sendo amigas Angie, não se preocupe, eu vou te ligar para tomarmos um café e vamos ao cinema, o que acha?

- Oh Bella, é tudo minha culpa.

- Não chore amiga, faz muito tempo que queria me demitir, eu vou embora, antes que ele saia e corte a minha cabeça e jogue do terraço... adeus e sorte.

Entrou no elevador, não o privado e saiu do arranha-céus. Lá fora em pleno meio-dia, olhou para cima e pensou eu também me rebelo contra os deuses, quem disse que não podia? Olhe para mim Edward Cullen, sou imune a sua beleza. Mas mentia, não, ela não era.

Ainda assim chegou ao seu apartamento, abriu as janelas, beijou seu lindo gato que a recebeu com um miado fofo e fumou dois cigarros enquanto escutava Welcome to the Jungle.

~x~

Havia jurado a si mesmo que não voltaria a beber nunca mais em sua vida, mas já não tinha nada a perder, nessa noite de sexta-feira queria jogar todas as promessas no lixo, entre elas seu estupido celibato.

Saiu do seu apartamento e pegou seu Volvo que por efeitos práticos, dos seus carros era o que menos chamava atenção. Faria o que sempre fazia, ir a um clube mais asqueroso de toda a cidade e começar a caçada.

Chegou e sentou no bar, buscava uma mulher, qualquer uma, não importava quem fosse, como fosse, deixaria de sonhar com unicórnios. É hora de crescer Cullen, como foi que essa mulher te chamou ontem? Patético!? Durante todo o dia na quinta-feira as palavras de Swan lhe havia ressoado nos ouvidos, como se atreveu? Era inconcebível que esse ser insignificante tivesse sido capaz de dizer semelhantes coisas, todas eram verdades. Ele sabia, não tinha porque escutá-las de outra pessoa, já que ele as gritava todo o tempo a si mesmo. Merda! Teria que buscar outra secretária, se não fosse uma tortura para Cathy voltar, ele mandaria buscá-la.

Meia hora depois de estar ali, já havia bebido mais de cinco doses de vodka e um de whisky, nem sequer considerava que tinha que dirigir, continuou bebendo e somente lembrava das palavras de Swan em sua cabeça, patético.

Viu uma mulher com uns jeans colados ao seu corpo, que usava uma blusa vermelha e umas botas da mesma cor, ela dançava com outra pessoa, seu cabelo longo e escuro, sua forma se movendo lhe trouxe a lembrança do seu delírio de Las Vegas. Levantou-se cambaleando da sua cadeira e foi até ela. A agarrou pelo braço com força e ela gritou de dor.

- Bruto.

- Dança comigo – a puxou para ele de maneira brusca.

- Não, idiota. Quem pensa que é? Está bêbado.

- Não seja fresca garota, sou Edward Cullen o rei do Mundo – patético rei de nada, colocou aos mãos na sua bunda, depois de quase uma garrafa de vodka, toda sua coerência tinha ido para o caralho. A garota tentou se soltar, mas Edward foi mais forte. Um homem quase da sua altura se aproximou e gritou:

- Deixe a garota, puto bêbado.

Ele ficou olhando-o.

- E o que? Você vai me bater? Você?

- Se não deixar a garota, sim.

- Tente – sem pensar duas vezes, o homem lançou um soco na cara e o derrubou no chão. Edward em meio à embriaguez lembrou das suas épocas brigas em Amsterdam e levantou como um touro a ponto de investir, não ficará um maldito osso inteiro em seu rosto.

A briga começou e todos começaram a correr e gritar. Os sons de punhos soavam por todo o bar, enquanto um dos seguranças do bar tentava separá-los, não queriam chamar a policia, já haviam tido o suficiente com ela por vender bebida para menores de idade, além do mais, conheciam Edward Cullen e sabiam que algum escândalo relacionado a ele e todos sofreriam as consequências, mas a briga a cada segundo ficava pior, então tiveram que chamar mais três homens para deter a briga. Foi difícil deter esse leão violento que parecia desfrutar da briga. Enquanto que os homens o agarravam pelos braços, o outro aproveitou e o golpeou tão forte que o deixou inconsciente.

- Maldição. O matou.

- Não, é um animal muito duro, olha como ficou o outro cara, este com uns curativos ficará bem, mas o outro precisará de cirurgia plástica.

- O que faremos com ele?

- Vai acordar em breve, está machucado, não podemos chamar a policia, é o Edward Cullen acabará com o clube só movendo seu dedo mindinho.

Olharam em sua jaqueta e encontraram sua carteira, as chaves do carro e seu blackberry.

- Olhe algum número que podemos ligar.

O homem olhou a agenda e viu uma quantidade de nomes, só haviam nomes sem sobrenomes, malditos bêbados estúpidos! Sempre que acontecia isso, ligavam para os números, os quais ninguém atendia ou as pessoas não se importavam com o estado do sujeito, logo encontrou algo SECRETÁRIA PESSOAL 91743866654.

- Olha, encontrei esse número.

- Ligue.

Durante esses dois dias Isabella havia repassado seu dia, não precisava muito do trabalho era a verdade, durante esses três anos de trabalho havia economizado. O dinheiro de Phil havia quase duplicado graças a vários investimentos que Tom lhe havia aconselhado a fazer, não tinha porque trabalhar, se dedicaria ao seu estudo, na sua tese de graduação, para sair, para ler mais, para dormir melhor e fazer exercício. Queria entrar no curso de algo, de pintura, alguma coisa. Pensou na oferta de trabalho de Jacob Black, era uma ideia tentadora, na verdade, ao menos trabalharia com alguém que poderia falar e em algo que realmente se interessava, sim, pensaria nisso.

Ângela a havia ligado horas depois dizendo que o dragão estava soltando fogo, que ordenou instantaneamente conseguir sua liquidação e que entregasse o mais rápido possível todos os papeis do escritório. A garota estava entristecida, lhe assustava ficar sozinha por uns dias com aquele homem, rezava para que a nova secretária fosse alguém com quem ela pudesse ligar, até mesmo a Lauren estava assustada.

- Vou na segunda-feira e entregarei tudo, não se preocupe, esses dias eu quero desfrutar do fato de que me liberei da Cullen C.O.

Eram apenas papéis, chaves pessoais, cartões, o computador da empresa e o blackberry.

Eram onze da noite e ainda não tinha ido dormir, estava lendo O homem que foi quinta-feira de Chesterton sobre o misticismo em sua obra, para um de seus ensaios finais, a obra era maravilhosa e estranha, desfrutava escrever uma dissertação sobre esse. O som irritante a assustou, esse não era o seu celular, o que era? O blackberry! Quem estava ligando? Onde está? O encontrou jogado atrás do sofá com os papeis do seu antigo trabalho.

Edward Cullen ligando! Que merda? Não atendeu, mas trinta segundos depois o aparelho voltou a tocar, cheia de impaciência, atendeu:

- Olá.

- Olá, você é a assistente pessoal de Edward Cullen?

- Não, não sou mais – ia desligar.

- Por favor não desligue, ele está muito ferido, precisamos que venha.

Bella tremeu, ferido, não! Deus! Seu rosto! Sua tristeza! Sua solidão! As palavras e os gestos se repetiam em sua memória.

- O que aconteceu?

- Está bêbado, brigou com um homem no bar e está quase inconsciente, não sabemos para quem ligar, seu número é o que parece mais acessível.

Isso era o que ela estava tentando entender desse homem. Era isso! Seu desejo de destruição, por isso tinha essa expressão de fúria, buscava quem romper a cara.

- Onde está?

O homem deu o endereço; Bella pegou sua mochila, alguns dólares, mudou sua calça, uma blusa de lã cor lilás, seus tênis, nem sequer teve tempo de prender o cabelo em um coque e saiu correndo.

Pegou um táxi e chegou no lugar, teve medo, era espantoso.

- Sou a assistente pessoal de Edward Cullen.

O homem a ficou olhando, esperava uma mulher mais velha, não uma garotinha, além do mais, bastante bonita.

- Você uma menina.

- Olha, agora não tenho tempo, onde ele está?

- Lá dentro, já acordou, mas está muito mal, fala coisas incoerentes.

- Chamaram a policia?

- Não.

- Bom. Leve-me até onde ele está.

E ali estava, todo machucado, sangrando. Bella sentiu que algo se rompia dentro dela, era o mesmo garoto vulnerável de Las Vegas. Oh baby, por que esse desejo de destruição? Se não fosse um idiota completo que conheço, diria que é um cachorrinho desesperado para encontrar um lar.

Aproximou-se.

- Edward, você está bem?

Ele abriu seus belos olhos verdes e ficou olhando-a.

- Não, não, você outra vez? Vá embora! Você me machuca – tentou levantar, mas não pode, emitiu um pequeno gemido de dor, mas fechou a boca e moveu sua cabeça para o outro lado – quero ir para casa, leve-me... não sei onde estou.

- Seu carro está aqui, mas não posso dirigir, você pode?

- Não, não tenho carteira de motorista – era a primeira vez que percebia que precisava de uma carteira de motorista, vivia muito apaixonada pelo metro para pensar em tirar uma.

- Deve leva-lo para sua casa.

Merda, onde ele mora? Um ano com ele e nunca soube seu endereço, nunca quis me dar. E se ligo para sua mãe? Não! Seria terrível, o que faço?

- Chame um táxi, cuide do seu carro, certamente ele virá para busca-lo amanhã.

Os homens estava com algo de desconfiança.

- Meu nome é Isabella Swan, meu endereço é esse – os deu com seu número de celular – e se desconfiam até dou o número do meu seguro, eu sou sua secretária.

Os homens o levantaram, chamaram um táxi, um dos caras a acompanhou até seu apartamento e o deixou ali, sobre sua cama.

Deus, ele está na minha cama, estou louca?

Foi até sua caixa de primeiros-socorros e limpou as feridas, seu lindo rosto todo golpeado, isso não é justo, é digno de exposição. Voltou a se queijar.

- Shiii baby, está tudo bem, vou cuidar de você.

- Bebê, é você? Não é um sonho, um bobo e inútil sonho – arrastava as palavras.

Edward com suas poucas forças levantou, Bella não foi capaz contra ele.

- Quero dormir, preciso dormir.

Logo Bella viu como aquele homem foi tirando sua jaqueta e camiseta.

Doce menino Jesus! Ele vai ficar nu? Efetivamente começou a tirar a roupa em frente à Bella perfeito. Não olhe Bella! Não olhe! Quando tirou seus sapatos e começou a descer a calça, Bella saiu correndo, ouviu um leve estrondo em sua cama, se aproximou timidamente pensando que havia caído, mas não, era apenas o ruído dele deitando na cama dela, não estava nu. Graças a Deus, esse homem em sua cama, agradeceu a Cathy que insistiu que ela comprasse uma cama grande, porque senão esse homem não teria cabido. Dormia em posição fetal, estava intranquilo e em meio a embriagues se queixava de dor.

Bella pegou seus cobertores e o cobriu. Seu gato, Darcy, o olhava com gesto de ataque, não gostava nada desse estranho que ocupada quase toda a cama, pois ele já tinha garantido um espaço no canto dela todas as noites.

Bem Darcy, onde você e eu vamos dormir?

- Bem bebê, nos resta dormir no sofá, esperemos para ver como ele acorda amanhã.

~x~

Abriu os olhos, doía até respirar, levou uma das suas mãos à boca e gemeu. Que porra aconteceu? O único que lembra era de uma enorme garrafa de vodka na sua frente e de uma mulher dançando de botas vermelhas.

Ele sabia por experiência que aquela dor era produto de uma briga. Merda! Você brigou Cullen? Era o único que faltava, voltar a sua época de baderneiro idiota. Perfeito, além da cara o golpearam nas costas, patético. A dor era insuportável, olhou ao seu redor e em um salto levantou. Onde diabos estou? Era um pequeno quarto e acolhedor, com cortinas azul céu, uma pequena penteadeira estava no canto do quarto e na parede uma enorme fotografia de uma paisagem de bosque, além do mais tinha um cheiro delicioso.

Ainda não estava completamente sóbrio e a dor no estomago fez com que caísse na cama, enterrou seu nariz nos travesseiros e o cheiro delicioso o preencheu, era intoxicante e sem querer agarrou o travesseiro e aspirou novamente, estou no apartamento de uma mulher, diabos! Merda! Merda! Espero que tenha usado o maldito preservativo, mas ainda tinha sua boxer colocada e não tinha a sensação de sexo no seu corpo. Onde diabos está à mulher? Que não seja uma louca, que não peça meu telefone, maldição, odeio essa sensação de compromisso que vem depois de uma foda. Lentamente levantou-se novamente da cama, só pelo cheiro dos seus cobertores queria ficar ali o dia todo. Procurou sua roupa, colocar cada peça de roupa em seu corpo era uma tortura, mas finalmente conseguiu. Saiu do quarto, olhou o relógio, era oito da manhã, deu uma olhada no lugar, era lindo e muito limpo, logo olhou a imagem mais bonita que havia visto, uma menina dormindo feito um ovinho no sofá, com um gato enorme deitado em seu estômago. Aproximou-se lentamente, para vê-la, nossa se teve sexo com ela, teve sorte, que coisinha mais bonita. A garota tinha seu cabelo longo estendido sobre o sofá, um dos braços descansava sobre a parte superior da cabeça e o outro estava sobre sua barriga, estava descalça e seus pequenos pezinhos quase saiam do lugar onde dormia, uma força invisível o empurrou até ela, até quase tocar seu rosto. Deus, é ela a dona desse perfume. Respirou de novo, mas a dor fez com que gemesse, então o gato miou em atitude de briga e ela acordou como se movida por um raio, ela se levantou e os dois ficaram se olhando durante um segundo.

- Senhor Cullen.

- Quem é você? Que caralho eu faço aqui?

Está machucado, mas segue sento o mesmo idiota de sempre. Bella colocou seu rosto de tranquilidade e indiferença e respondeu com impaciência.

- Ontem me ligaram de um bar e me disseram que você estava inconsciente, bêbado e machucado, tive que ir.

- Como assim ligaram para você? Quem é você?

- Um ano trabalhando juntos e não me reconhece, sou Isabella Swan, até uns dois dias era sua secretária pessoal, ainda tem o número do telefone em seu blackberry.

Isabella. Quem diabos é Isabella? Essa mulher insuportável, não é uma menina, deve ter quarenta anos ou mais.

- Você não pode ser minha secretária, ela é-

- O que? Patinho Feio Swan.

- Você é um bebê.

Ela o olhou zombeteira.

- Uma saia feia, uns óculos grossos, um cabelo preso é suficiente para alguém que não quer ver e bom, para alguém que não quer ser visto, agora sente que vou preparar um café.

- Não, eu tenho que ir.

- Sente Cullen, ao menos um último café com sua secretária velha e feia.

Edward sentou-se assustado, essa menina não pode ser a minha secretária, seu cabelo é diferente, seu rosto é diferente, seu corpo, até sua voz é diferente, não, ela não é a minha secretária. A olhava atordoado, olhou seus pezinhos com suas unhas pintadas de rosa. Merda, é bonita, até seus pés são bonitos, não, ela não é essa velha insuportável. A mesa estava cheia de livros, Bataille, História do Erotismo, um livro sobre filosofia da arte, livros de Jane Austen, Emma, Chesterton, O homem que foi quinta-feira, Thomas Hardy, Longe da Multidão, poesia inglesa, Keats, Donne e Blake. Que caralho? E na frente havia mais, uma pequena biblioteca cheia de livros de todos os tipos, e ali estavam umas fotos, Cathy e seu marido Thomas em uma delas, a de um homem segurando um peixe e de uma mulher muito bonita sorrindo para a câmera.

Bella tremia, mas não podia deixar que esse homem visse seu medo, se deu conta de que ele a observava de cima a baixo, não podia deixar de notar que tinha os lábios e um olho inchados, devia estar doendo como o inferno, foi até sua caixa de remédios e pegou uma pílula.

- Tome esse ibuprofeno, a dor vai se acalmar por umas horas, quando chegar em casa ligue para o Doutor Green, para que te receite algo melhor.

- Green?

- Seu médico, o médico da família, senhor Cullen.

Só sua secretária sabia disso.

Para acalmar seu nervosismo Bella colocou música, ele era pianista. O que colocar? Grieg, Mozart, Chopin, Liszt, certamente gostaria de Rachmaninov, foi até seu equipamento de som e colocou o concerto número dois, o favorito da sua mãe. A música começou a tocar e ele ficou com o corpo tenso. Merda, ele não gosta, é muito violento, correu para tirar.

- Não! Deixe, faz anos que não escutava.

O viu fechar os olhos, ele está na minha casa, em minha mesa, silencioso, escutando minha música, diabos, que ironia!

Serviu o café em silêncio, enquanto que ele escutava a música. Tomou o café, diabos, sim é a Swan, só ela sabe fazer este café.

Darcy miava, estava furioso e com ciúmes.

- Darcy, querido vem para a mamãe.

Mas o gato se agachou, estava eriçado e olhava com atitude de espreita o estranho que estava invadindo seu território. Bella sorriu, se fosse um homem me teria acorrentada.

- Vem baby, meu amor, vem, lindo, vou te dar comida, vem querido, baby, baby, mamãe te quer, vem.

Logo Edward ficou olhando, essa voz, a voz que durante muitos anos o havia chamado desde o outro lado do oceano, estava ali, falando no seu ouvido, era a mesma Baby, baby, meu amor, não! Algo o golpeou e o cheiro dela estava ali em sua casa, em seus lençóis, seu cabelo... as imagens de Las Vegas voltaram para ele com força de mil golpes. "Você gosta do seu trabalho?" "Algumas vezes, meu chefe é um idiota." Eu, sou eu, arrogante, megalomaníaco. "Você gosta da cidade?" "Me acostumei, as grandes cidade são assustadoras." "Eu sou como seu chefe, um idiota que pensa que é o dono do mundo." Ela estava tentando fazer seu gato sair, a escutou rir.

- Você é um menino mimado Darcy, meu amor, venha vou te dar sua comida – mas o gato se negou a sair, deu a volta e ficou pasmada, esse homem a olhava como se a fosse matar. A intimidou, seu olhar de animal, corou e de uma maneira involuntária começou a morder a boca.

"Não faça isso bebê, quando morde a boca e imediatamente quero beijá-la, são meus lábios que deveriam estar ai, mordendo você" Sua boca, sua pele, sua voz, seu cheiro. "Onde você quer a minha boca baby?" Bella o viu se levantar com a força de um tigre e lançou-se sobre ela, a agarrou pelo braço e a energia de novo saltou sobre eles. "Somos você e eu."

- O que aconteceu Senhor Cullen?

- É você. Você que me beijou em Las Vegas. Você! É você!

- Você está louco – Meu Deus ele lembrou, minta Bella, minta – eu jamais o beijei Senhor Cullen, jamais.

- Você está mentindo! Você e eu nos beijamos em meu quarto.

Jesus Cristo, o que faço? Nunca! Ele não pode saber, minta, Deus, minta.

- Não sei do que está falando Senhor Cullen, eu nunca o beijaria, só fui no seu quarto pela manhã para agendar esse dia e não voltamos a nos ver até o dia seguinte, quando você praticamente me fez sair da cidade.

- Não, você e eu, conversamos nessa noite, te contei coisas sobre a minha vida e você me respondeu, eu estava ali, estava bêbado, mas consciente, eu, eu, eu te salvei desse cara e conversamos e... e você me levou para meu quarto e nos beijamos e eu te toquei e... você foi embora.

- Você está louco, ainda está bêbado, eu não sai do meu quarto.

Diabos, por que mente? O que ganha com isso? Foi tão desagradável me beijar, Isabella? Deus, assim que se chama, Isabella.

- Nunca estive mais certo na minha vida.

A meia-irmã implorava para que confessasse, fale Bella, faça, diz que não dormiu bem durante dias pensando em sua boca, diga Bella, tonta... é o senhor da dor... ele não faz amor... ele fode forte e trata as mulheres como coisas inúteis. Respirou fundo, guardou seu desejo, deu um tabefe na idiota da meia-irmã por se comportar como histérica, e disse:

- Eu nunca te beijaria, você é indiferente para mim como uma pedra, está delirando, ou me confunde com uma mulher que não sou, assim que já tomou meu café, saia da minha casa, faz dois dias que eu renunciei o cargo de sua secretária, o de ontem foi um mero favor, mas já não tenho obrigações com você, por favor... saia, tenho que estudar... ah e leve o telefone da empresa, não quero ter nada a ver com ela, saia daqui.

Aquelas palavras foram como se sobre ele caísse um balde de água gelada. Deixe-me ficar, é você! Não estou louco, você cheia igual, fala igual, eu te pressenti desde criança.

- Não me escutou, senhor Cullen?

Edward, eu me chamo Edward.

Ela era fria e seca, seus olhos não diziam nada, eu sonhei com você toda a minha vida e sem dúvidas você não o fez, você não sonhou. Sorriu com tristeza, o efeito da pílula desaparecendo, enquanto a linda música de Rachmaninov soava com fúria me beijou, eu sei, mas não significou nada, nada, sou um idiota, um cretino. Afastou-se uns passos dela.

- Perdão por incomodar, Swan, me desculpo... obrigado por tudo, de verdade – caminhou até a porta, franziu a boca em seu gesto de resignação e arrogância, pegou o telefone, nada, um tonto e insignificante beijo – Adeus e de novo, obrigado.

E se foi.


N/A: Começamos, a caçada começa. Meninas, não pensem que meu Edward gatinho bebê vai se suavizar agora, não, não, não, vai ser pior, sexy e ciumento.

Ame-me ou deixe-me, deixar comentários é quase tão bom como se Edward Cullen te olhasse e dissesse que sonhou com você.


AGORA SIM! A fic começou, o Edward obcecado e louco... ah vocês vão amar, ou odiar. Eu amei, desde sempre haha adoro ele louco pela Bella e ela querendo "fugir" disso. Sinto o mesmo que a Bella, muitas vezes da vontade de socá-lo e beijá-lo depois.

Eu espero que não tenha nenhum erro no capítulo, eu levei um bom tempo para traduzir com calma, depois passei ontem o dia todo só revisando ela lentamente. Se passou alguma coisa, desculpe.

Como ja disse outras vezes, essa fic é complicada, aconselho que se não entendeu algo na primeira leitura, volte e releia o capítulo. Eu mesma ainda pego detalhes que perdi relendo algum capítulo dessa fic.

Vamos ver se eu consigo traduzir o próximo logo, ele é praticamente do mesmo tamanho desse, mas quero postar logo, vocês precisam ver o Edward louco haha

E por favor, comentem. Sei que demoro, mas se o faço é para trazer uma tradução de ótima qualidade, igual a fanfic original. O comentário de vocês mostra que valeu a pena as horas de esforço, a dor nos dedos e na coluna x)


Preview: Quem comentar vai ganhar uma preview, quem tem conta mandarei por PM (se não quiser a preview, é só avisar) e quem não tem deixa o email como no exemplo: edward(underline)cullen(arroba)fanfic(ponto)com, escrevendo os simbolos entre parênteses, porque se escrever normal o FF some com o email.

Beijos

xx