Inesquecível

Autora: Thaís Potter Malfoy

Shipper: Draco/Hermione, Harry/Pansy.

Classificação: M, conteúdo adulto, NC17.

Spoiler: Livros 1-5. Fics "Inesperado" e "Inacabado", antecedentes a esta.

Resumo: Depois de Hermione afastar Draco, ele decidiu conquistá-la, de uma vez por todas. O único problema: ela não quer vê-lo nem pintado de ouro. A única solução: conquistá-la num baile de máscaras, sem revelar quem ele é... Que a sedução comece!


N/A: Olá, leitores lindos! Primeiramente, desculpas pela demora infinita. E, mais uma vez, dedico a parte final desta trilogia para minha amiga Camila (MalfoyLady, aqui).

N/A2: Dividi em duas partes apenas para não ficar muito longo. Boa leitura!

PARTE I

A aula de Transfiguração com a Corvinal não podia ser mais longa. Draco já não escutava a voz irritante da professora animaga; tinha outras preocupações em sua mente. Assim que o horário daquela aula terminasse, o loiro teria que correr para alcançar a sala de Aritmancia a tempo de esbarrar com Hermione. Ele sabia que escutaria alguns insultos – justamente como tinha escutado nos últimos três dias – e que Hermione não falaria com ele por mais de cinco minutos, mas ele não podia desistir agora. Malfoys não desistem do que querem.

Draco havia dado um tempo para a grifinória teimosa clarear a própria mente. Após o incidente nos vestiários de Quadribol, ele a deixara em paz, como ela pedira, por mais que uma semana inteira. Longos dias. Resolveu atender ao pedido dela porque resolveu que já era suficiente para a morena ter que agüentar todos os rumores que circulavam na escola sobre o que tinha acontecido nos vestiários de Quadribol. Ele já ouvira tantas versões diferentes que tinha perdido as contas.

Mas já bastava. Draco decidira e, na segunda-feira, ele tinha começado a agir. Decidira-se por uma estratégia que jamais falhara. Toda vez que ele queria conquistar uma garota um pouquinho difícil, bastava começar a acompanhá-la pelos corredores, carregar os livros para ela, dizer algumas palavras doces e a garota seria sua. Um único dia costumava ser o suficiente para que ele conseguisse levar a garota para a cama, e depois abandoná-la. Com Hermione, entretanto, ele não tinha esperanças de conseguir tão facilmente. Ele sabia que teria que fazer certo esforço, mas a recompensa era promissora. Ele poderia ter Hermione Granger para si, e Draco queria aquilo mais do que qualquer outra coisa ultimamente.

As palavras dela o haviam marcado muito. Por que ela diria que corria o risco de se apaixonar se realmente o odiasse? Draco estava convencido de que o único motivo pelo qual ela cogitava a possibilidade era porque ela já sentia, de fato, algo por ele, mesmo que ainda não fosse paixão. Durante os últimos dias, Draco estava cada vez mais envolvido pela idéia de fazer Hermione sua. Sua cabeça parecia se deixar levar por pensamentos sobre cabelos castanhos cacheados, uma leve lembrança de um cheiro de jasmim e um jeito de sorrir que o fazia querer que o sorriso fosse destinado a ele. Queria merecê-lo. Queria que a dona do sorriso achasse que ele merecia, ao menos. Havia algo tão ruim assim em querer que Hermione se apaixonasse? E, para que isso acontece, ele tinha que prosseguir com seu plano tecnicamente infalível.

Obviamente, teve que enfrentar a inquisição sonserina quando voltou ao Salão Comunal de sua Casa, mas valia cada segundo. Draco descobriu que estava se divertindo enquanto conquistava Hermione. E, embora ela parecesse disciplinadamente relutante em aceitar sua companhia, Granger estava mexida por sua presença, era notável. Saber disso o deixava feliz. Sua felicidade era algo que ele prezava, portanto Draco queria continuar a caça com Granger. A única coisa que o impedia agora mesmo era o maldito horário da aula de Transfiguração que não acabava nunca.

Quando finalmente o sinal tocou e a sala estava dispensada, o material de Draco já estava bem guardado dentro da sua mochila, a qual ele logo jogou nas costas e saiu apressado. A Grifinória estava na aula de Feitiços, mas ele sabia muito bem que Hermione era uma das poucas alunas que estava na aula de Aritmancia. Desse modo, não foi difícil localizar a morena na Torre Leste, descendo as escadas em caracol. Quando ela pisou no ultimo degrau, deparou-se com a imagem de Draco encostado de lado à parede, mirando-a com um sorriso doce. Ela pareceu deter-se por um segundo, mas logo retomou sua caminhada para os dormitórios.

"Hermione!" ele a chamou, desencostando da parede para segui-la. Duas passadas e ele estava ombro a ombro com a grifinória. "Onde está sua educação, bruxa?" Hermione olhou para ele um pouco ofendida, mas nada disse. Apenas continuou colocando um pé à frente do outro e voltou o rosto para o chão. "Ah, não faz assim... Eu estou tentando ser amigável." Ele resmungou. "Deixe-me carregar sua bolsa?"

Hermione parou de andar. "Oh, então agora você está sendo bonzinho! Como foi com a Susan Bones? E a Daphne Greengrass? E a Stella Smith?... Quer que eu continue a lista?"

Draco parou de andar e deu dois passos para trás, parando exatamente em frente à Hermione. O sorriso dele voltou. Ele tinha bons motivos para sorrir e comemorar. Para começar, a morena tinha falado com ele, o que era de longe melhor do que o silêncio que ela tinha mantido por três longos dias, a não ser pelos insultos. Segundo, ela sabia exatamente com quais garotas ele tinha flertado, o que significava que ela o observava, mesmo antes de se envolver com ele. Para terminar, a voz dela tinha uma mistura deliciosa de ciúme e confusão. Como ele poderia não sorrir?

"Vamos aproveitar que o corredor está vazio para esclarecer o que anda acontecendo..." Hermione mudou o tom de voz para um mais firme. "Sua memória tem validade curta? Eu pensei que tinha te dito para não me procurar mais."

"Pois eu acho que somos muito parecidos, Hermione." Ele continuou sorrindo. "Eu sou muito teimoso. Você não manda em mim e eu gosto de fazer as coisas do meu jeito." Ele declarou, sabendo que com aquela frase ele estaria dizendo a ela que ela era, também, teimosa, auto-suficiente e orgulhosa.

"Oh, entendi" Hermione disse, simplesmente, depois de um curto silêncio. "Eu deveria ter te pedido para ficar me seguindo pelo castelo! Só assim você faria exatamente o contrário e me deixaria em paz."

"Não, você não entendeu." Ele balançou a cabeça, mantendo o sorriso. "Não estou atrás de você para te contrariar. Estou aqui porque eu realmente quero estar. Com você."

"Eu juro que não entendo, Malfoy. Você me teve. O que mais pode querer? Quer me humilhar perante toda a escola? Como se os rumores sobre nós dois que eu ando aguentando já não fossem suficientes... Eu já ouvi dizerem até que na verdade estávamos fazendo um ménage a trois com Blaise Zabini nos vestiários, mas ninguém o viu porque ele lançou um feitiço desilusório em si mesmo!"

"Sério?" Draco espantou-se. "Eu já ouvi piores... Mas isso não vem ao caso, Hermione. Podemos conversar?"

"Não temos nada para conversar! O que mais você quer, Malfoy?"

"Que você pare de ser tão moralista e aceite logo ficar comigo outra vez. Eu realmente me diverti com você, Granger... Foi tão surpreendente pra mim quanto foi pra você" Draco disse. "Assim como você me odiava, eu também te odiava. Por que eu posso deixar isso de lado e você não?"

"Por que eu não tenho um órgão sexual que fala mais alto do que o meu cérebro" ela retrucou. "Eu penso nas consequências, Malfoy".

"Eu penso nas consequências, que incluem horas e horas de sexo fantástico, sem termos que nos esconder por aí. Eu não quero te esconder... E não tem nada a ver com te humilhar, obviamente" Draco disse, pensando que talvez fosse aquilo que faltasse para que a insegura Hermione Granger o aceitasse, por fim. Parece que estava enganado.

"Oh, obviamente" desdenhou a morena, ironicamente. "Este seu comportamento, me seguindo pelo castelo, o mesmo tratamento que você deu a todas as suas outras conquistas, realmente me faz achar que eu sou diferente pra você, e não apenas mais uma." Ela revirou os olhos. "Estou cansada. E estou educadamente te pedindo para me deixar em paz."

"Eu não pretendo fazer isso. Não até você pelo menos admitir que está louca para transar comigo de novo." Ele insistiu ainda mais. "Vamos, Hermione, não refreie seus instintos, seus desejos. Venha comigo, sim?"

"E dizendo isso você acha que eu vou topar?" ela deu um sorriso desacreditado. "Nesse momento, você é a última pessoa que eu quero ver, Malfoy. Você me desviou de quem eu sou, e eu não gosto nada disso." Hermione finalizou, com palavras honestas. Talvez ela realmente quisesse que ele se afastasse. Mas então, Draco teve uma idéia.

"Quer dizer que... Se qualquer outro garoto dissesse que gostaria de passar mais tempo com você, você o levaria a sério? Só está desdenhando por que sou eu?" ele perguntou, analisando o campo por onde andava.

Ela respirou impaciente. "É exatamente isso. Qualquer outro garoto poderia talvez merecer minha atenção. Você, no momento, não merece."

"Por que eu te desviei de quem você é?" ele perguntou, confirmando. "Ou então..." ele sorriu maliciosamente. "Eu só despertei um lado seu que você não conhecia tão bem."

Ela revirou os olhos. "Sim, meu lado negro. Eu não gosto desse lado. Pretendo nunca mais encontrá-lo."

"Então você consegue enxergar que..." ele deu um passo à frente. "Você não está com raiva de mim. Não de verdade."

"Ah não?" ela riu, se divertindo com ironia. Ela cruzou os braços esperando que ele completasse a frase, dizendo os porquês.

"Não" ele disse, simplesmente. "Você está brava com você mesma. Não consegue aceitar uma coisa que está sentindo e que faz parte de você."

Ela o encarou, incrédula. "O que você quer fazer nos NIEMs?" a morena perguntou, de repente. Draco ergueu as sobrancelhas, sem entender. Logo, a morena sorriu mais abertamente e soltou: "Espero que não tenha escolhido psicologia bruxa. Você não é nada bom nisso".

Com isso, ela o deixou sozinho no corredor afastado, sem palavras. O que não queria dizer que seu cérebro não estivesse a pleno vapor. Seu plano estava se encaixando.

DMHG-DMHG-DMHG

"Draco Malfoy!" a voz fina de Pansy saiu mais alto do que ela pretendia. Ou talvez ela quisesse mesmo constrangê-lo, fazer todos no Salão Comunal da Sonserina prestar atenção a eles.

"O que estou te pedindo não é nada extraordinário, Pans" Draco retrucou baixinho. Aos poucos, os olhares dos outros sonserinos foram se desviando deles e o loiro pôde continuar a persuadir a amiga a ajudá-lo. "Ou será que você não consegue convencer seu namorado? Eu nunca pensei que você deixaria o Potter comandar a relação." Draco provocou, sabendo que o ego da sonserina era muito semelhante ao seu próprio e um empurrãozinho poderia ajudar.

"Não se trata de quem comanda a relação, Draco, e não pense que eu não sei o que você está tentando fazer aqui" ela torceu o nariz. "Eu posso convencer o Harry de qualquer coisa e não preciso provar para você nem para ninguém."

"Mas Pansy! Lembre todas as coisas que já fizemos um pelo outro. Somos amigos ou não?" ele soltou, fazendo um biquinho que sabia ser a perdição de todas as garotas (e até de alguns garotos) de Hogwarts. Pansy fechou os olhos e respirou profundamente.

"Draco, amado" ela disse, olhando novamente para ele. "Dar uma festa no Salão Comunal da Grifinória pode ser algo inédito. Do jeito que eles são um bando de frígidos, duvido que alguma vez tenham ao menos adquirido cerveja amanteigada para comemorar uma vitória no Quadribol."

"Não é minha culpa se eles não sabem se divertir" Draco continuou sustentando sua argumentação. "Mas nós podemos ensiná-los, o que acha?"

"Parece uma encrenca, e das grandes, Draquinho." Ela voltou a torcer o nariz.

"Primeiro, não me chame assim" foi a vez dele de fazer careta. "Segundo, essa pode ser sua chance de planejar uma festa que jamais será esquecida. Eu sei o quanto você gosta de promover eventos sociais."

"É, gosto" ela murmurou, absorta em pensamentos. E então Draco soube que tinha conseguido. Pansy seria sua aliada.

"Mas é muito importante que a festa seja à fantasia, Pans." Ele reafirmou o que já tinha pedido a ela antes... Que ela organizasse uma festa no Salão Comunal da Grifinória; uma festa à fantasia, para que ele pudesse entrar lá sem ser chutado para fora por nenhum grifinório intrometido.

"Essa parte eu entendi bem, Draco." Ela disse, saindo de seu transe temporário. "Entendi bem também que você quer entrar lá para tentar seduzir a Granger."

"Não há como te esconder nada, há?" ele sorriu, satisfeito. No entanto, Pansy não sorriu de volta.

Ao contrário – ela cruzou os braços. "Não sei o que a Granger tem que te prendeu desse jeito. Aliás, tenho sérias dúvidas se isso não tem a ver com o Harry... Ele está com a sua melhor-amiga, então você quer a dele? Você não seria tão infantil, seria, Draco?"

"Você me insulta, Pansy" Draco fez-se de ofendido. "Eu não tenho esse tipo de consideração pelo Potter há anos, por mais que a implicância permaneça."

"Então você realmente gosta dela?" Pansy espantou-se. "Nunca te vi assim por ninguém... Eu tentei durante anos te fazer me amar e não cheguei nem perto!"

"Eu te amo, Pans. E nosso amor é do tipo que não acaba, diferente do que eu sinto pela Granger. Aliás, nem sei se isso pode ser chamado de sentimento. É mais uma... vontade. Muito aflorada."

Pansy ergueu o nariz no ar, se fazendo de difícil. "Não ama a Granger, hã? E me ama?"

Ele rolou os olhos antes de levantar do sofá e abraçá-la contra a poltrona que ela estava sentada. Em seguida, melou as bochechas dela com beijos bem dados, o que a fez empurrá-lo para longe e limpar a saliva de suas faces. Entretanto, ela não conseguiu esconder o sorriso ao encará-lo outra vez.

"Tudo bem, Draco. Eu vou te ajudar."

E o sonserino comemorou em silêncio.

DMHG-DMHG-DMHG

O dia da festa havia chegado. Era um sábado de inverno, portanto quem quer que tivesse escolhido fantasias muito abertas ou decotadas, teria se arrependido amargamente. Uma névoa envolvia o castelo e gelo fino se depositava nas janelas, inclusive na Torre da Grifinória. Nada disso, porém, impediu a festa de estar perfeita.

Pansy pensara em cada absoluto detalhe. Ela enfeitara a sala espaçosa com panos brancos e dourados, dando um ar antigo e sofisticado ao ambiente. Todo o vermelho tinha sumido, dando lugar a uma sala neutra, pois o propósito da festa era a diminuição da rivalidade entre as casas. Ou pelo menos era o que a sonserina tinha dito à diretora da Grifinória para convencê-la a permitir o evento. Mesmo assim, a permissão apenas fora dada aos alunos dos sexto e sétimo anos. Numa luz mais positiva, pelo menos haveria um pouco de cerveja amanteigada garantida pela lealdade de Dobby, o Elfo, a Harry. Era bom contar com favores de alguém da cozinha.

Convencer Harry tinha sido a parte mais fácil. O garoto de ouro da grifinória tinha muitos desejos reprimidos, e Pansy estava descobrindo e satisfazendo um a um. Recentemente, soubera de um dos desejos mais escondidos de Harry. Portanto, para convencê-lo a ajudá-la a dar a festa, bastou prometer a ele tornar aquele desejo realidade no dia do baile... E voilá. O apanhador da Grifinória tinha caído direitinho. Pansy sentiu-se com poder sobre o moreno, guardando a informação para o futuro. Agora, no entanto, tudo o que tinha que se preocupar era com sua fantasia, que devia ser a mais perfeita da noite. Ela iria como Nina, uma princesa bruxa de um antigo conto-de-fadas, bem popular entre os sangues-puros. Princesa Nina tinha como par o vampiro Ivan, que seria Harry esta noite. Par mais perfeito não haveria, embora Pansy soubesse que a menina Weasley, ainda enciumada, tinha causado uma cena na loja de fantasias demandando a mesma fantasia que Pansy. Garotinha patética.

Dando um ultimo toque com a varinha sobre seu vestido medieval, de modo a ajustá-lo perfeitamente à sua silhueta, Pansy tomou uma respiração nervosa e se dirigiu para o corredor das masmorras, onde Harry já deveria estar a esperando. Pediu a Merlin para que Draco não estragasse tudo o que ela planejara com tanta dedicação.

DMHG-DMHG-DMHG

Draco apreciou-se no espelho. Tinha a mania de se achar muito mais bonito que os outros garotos de Hogwarts, mas esta noite havia se superado. As vestes azuis com detalhes em champagne e prateado davam brilho aos seus olhos e combinavam com seus novos cabelos escuros. Sim, tinha executado um feitiço de mudança de voz e usado uma poção para mudar a cor dos cabelos, para que nem Hermione nem ninguém pudessem reconhecê-lo, ainda por cima usando uma máscara. O fato era que agora tinha os cabelos castanho-escuros (e não era que a cor o deixava com o rosto igualmente impecável e invejável?).

Tinha escolhido se fantasiar de Nicholas, o vilão do conto-de-fadas de Nina e Ivan. Nicholas era o primo de Nina, que estava prometido a ela antes da jovem conhecer Ivan, e era o causador das intrigas na história. Nada poderia encaixar-se melhor com o perfil de Draco do que este personagem em particular. Sem mencionar a ironia do destino, pois Draco descobrira há pouco que Nina e Ivan seriam Pansy e Harry. Que triângulo.

Ao concluir que sua fantasia estava perfeita e ele, quase irreconhecível, Draco colocou sua máscara. Deu seu melhor sorriso e pensou em sua conquista. Hermione seria sua hoje.

Enquanto caminhava para a Torre da Grifinória, Draco repassou seu plano. Tinha convencido Pansy a dar a festa. Todos estavam fantasiados. Ele não deveria ter problemas para reconhecer Hermione, pois conhecia o corpo dela melhor do que qualquer um que estivesse presente no Salão. Agora, bastava seduzir a morena sem revelar quem era e, então, levá-la para um lugar mais reservado para dar o bote – que não poderia ser de forma violenta e muito menos que ferisse os sentimentos da grifinória, já que Draco planejava tê-la novamente quantas vezes quisesse, num tipo de compromisso sem compromisso. Portanto, as coisas estavam encaminhadas.

Ele sorriu novamente e percebeu que já estava à porta do retrato da Mulher-Gorda. Hoje uma senha não era preciso e ela o deixou adentrar após confirmar que ele estava no sétimo ano. Draco suspirou aliviado ao botar os pés no lugar, como se tivesse duvidado que conseguisse. Porém, quando o fez, viu todos os olhares femininos voltando-se para ele. O lugar estava surpreendentemente lotado, quase sufocante. Logo, garotos enciumados pela atenção que Draco chamara também voltaram o olhar para ele. Draco encarou cada uma das garotas, apreensivo de que fosse ser reconhecido por suas admiradoras, mas ficou satisfeito ao escutar um "Quem é esse pedaço de mau caminho?" vindo de uma garota do sexto ano com quem, inclusive, Draco já dormira. Se ela não o reconhecera, estava seguro. Passado o susto, voltou a notar o quanto o cômodo estava abarrotado de gente.

Talvez ele estivesse com problemas. Como acharia Hermione com tanta gente? Para piorar, ele não sabia qual seria a fantasia que a morena estaria usando, pois Pansy era incompetente demais para descobrir. Longe de sentir-se derrotado, o loiro foi até a mesa de comes e bebes e agarrou uma taça de vinho clandestino. Pelo menos uma coisa decente Pansy fora capaz de fazer na festa: conseguir bebidas. Draco bebeu de um gole só e logo percebeu que uma garota de cabelos escuros parara ao seu lado, sorrindo e o estudando.

"Nicholas?" a garota perguntou, querendo saber qual era a fantasia de Draco.

"Sim" ele respondeu, ríspido. Pegou outra taça de vinho.

"Parece apreensivo, meu senhor" a garota continuou, e sua fala fez Draco prestar atenção a ela, percebendo que a garota estava vestida de Catherine, a mulher com quem Nicholas se casava no final do conto de fadas. Ele queria que a garota fosse Hermione, mas ele sabia que a morena jamais falaria diretamente com um garoto, e sim esperaria pelo garoto se aproximar dela.

"Esperava encontrar uma pessoa muito importante esta noite" ele admitiu, sob o pretexto de que a garota não sabia quem ele era, portanto ele poderia ser franco. "Mas não sei qual é a fantasia dela."

A garota mordeu os lábios. "Bem... Você é o rapaz mais bonito da festa." Ela começou, instigando-o. "Faz sentido que você fique com a garota mais bonita da festa, para formarem o casal perfeito." Enquanto dizia isso, a garota sorriu ainda mais, esperançosa de que Draco achasse que ela era a garota mais bonita.

Neste momento, no entanto, os olhares de todos se voltaram para o quadro da Mulher-Gorda, que se abrira e permitia a passagem de uma nova convidada. Conforme os contornos da pessoa que entrava foram se desenhando com maior perfeição, formou-se um burburinho. Com toda a certeza, aquela garota parada à porta era a coisa mais linda que Hogwarts já tinha visto – Ela trajava um elegante vestido azul-ciano que se abria numa saia rodada trabalhada com bordado branco. Seu cabelo formava uma onda de cachos que desciam e cobriam seus ombros, desnudos do vestido. Às suas costas, estava um par de asas transparentes, o que deixou claro que ela era uma fada. A máscara dela era também azul. Aparentemente, ninguém sabia quem era a garota misteriosa, mas uma mancha sob o ombro esquerdo dela a denunciou. Draco sabia exatamente quem ela era, pois ele tinha beijado e sugado aquela mancha incansáveis vezes.

Era Hermione. Sua Hermione.

A garota que puxara conversa com ele ainda esperava uma resposta, aparentemente. E Draco ficou satisfeito em dá-la. "Eu devo mesmo estar com a garota mais linda da festa, do castelo, de todo o Reino Unido. Com licença, preciso me apresentar a ela." Dito isto, ele saiu sem ao menos olhar para trás e ver a reação humilhada da garota esnobe. Tudo o que ele via era Hermione.

Em seu caminho até ela, deu um jeito de pegar duas taças de vinho branco (esta seria sua terceira, mas ele não ligava para a embriaguez). Ao procurar Hermione novamente com os olhos, descobriu que a garota tinha caminhado alguns passos, deslocando-se para o lado menos conturbado e cheio do Salão. Draco sorriu, mas logo se refreou – sabia que todos reconheceriam seu sorriso. Teria de se controlar. Assim, ele pôs-se à frente de sua morena tentando parecer angelical e oferecendo a ela uma das taças de vinho. Hermione não pareceu encabulada como ele acreditou que ela ficaria. Pelo contrário, ela aceitou a oferta com um sorriso meigo.

"Brindemos ao destino?" ele sugeriu, completamente maravilhado.

"Destino?" Hermione hesitou. Draco sabia que era seus feitiços de mudança de voz o motivo pelo qual Hermione ainda falava com ele: não o tinha reconhecido.

"Destino, sim." Ele continuou. "A garota mais bonita do castelo. O garoto mais bonito do castelo. É só somar. Puro destino." Hermione sorriu de forma quase maliciosa. Não acreditava que ela comprara aquela cantada tão clichê. De fato, eles até pareciam um casal... Eram definitivamente os mais bonitos ali e estavam vestindo um tom muito similar de azul. "Você me aceita?" Draco convidou-a.

"Somente se você disser que Nicholas é apenas sua fantasia, e não sua verdadeira identidade." A morena brincou. Draco ficou ainda mais empolgado... Hermione, mesmo nascida trouxa, era brilhante o bastante para conhecer a cultura dos sangues-puros, como aquele conto-de-fadas. Ela sabia que Nicholas, seu personagem, era o vilão da história. Entretanto, Draco não podia afirmar que não se parecia com ele em alguns aspectos. Para ela, e por ela, portanto, ele mentiria.

"Fique tranqüila... Eu não sou um príncipe de três mil anos. Sou apenas um jovem que está no seu dia de sorte." Ele respondeu, embora houvesse momentos em que ele não sabia como estava processando a conversa; Hermione era simplesmente de tirar o fôlego.

"Quer dançar, Nicholas?" Hermione o surpreendeu com o convite.

"Seria você a responder essa pergunta se tivesse me dado a chance de fazê-la." Ele replicou, mas estendeu a mão para a morena. "Como devo chamá-la? Em quem se inspirou para obter sua fantasia?"

"Minha inspiração veio das fadas imaginadas pelos trouxas... Nós sabemos que as verdadeiras fadas não são tão agradáveis e não dariam uma boa fantasia" Ela disse e fez com que Draco se lembrasse imediatamente das fadas-mordentes que uma vez infestaram seu quarto na Mansão Malfoy.

"Tem razão. Que tal então me dizer seu verdadeiro nome?" ele quis testar para ver se a morena estava disposta a revelar-se. No fundo, esperava que ela não o fizesse, pois isto o obrigaria a se revelar também; incogitável.

"Que tal mantermos o mistério?"

Ele concordou com a cabeça ao mesmo tempo em que Hermione colocou a mão delicada em seu ombro. Em seguida, ele começou a guiá-la pela música, igual a muitos casais que também dançavam na área reservada para isso no fundo do Salão. Draco não pôde evitar descer sua mão na cintura da grifinória durante a dança, de modo que a sustentasse bem na base de seu tronco enquanto rodopiavam. Nos primeiros momentos, Hermione olhou ao redor, examinando o lugar.

"Pansy fez maravilhas" Ela comentou "Feitiços para ampliar o cômodo, para trazer comida e bebida diretamente da cozinha...".

Draco não perdeu a oportunidade. "Então... Você é da Grifinória? Se já conhece o Salão...".

Ela ficou sem reação alguns segundos e seu corpo perdeu o movimento, deixando para Draco o cargo de literalmente carregá-la para que continuassem a dança.

"Acho que me entreguei, não é?" ela riu, pois era só o que restava fazer. "Para ficarmos quites, que tal me dizer qual é sua casa?" Draco tremeu. Mas que mal podia ter? A festa era para unificar as Casas, afinal.

"Sonserina" ele disse, desviando o olhar. Se tivesse continuado a encará-la, veria um sorriso discreto. "Você não tem um problema com isso, tem?".

"Não tem o menor problema." Ela sorriu. "Se Harry Potter está com Pansy Parkinson, acho que todos podemos ser amigos e nos dar bem." Draco quase sorriu, mas segurou-se para não ser descoberto. Era difícil manter as aparências.

"Que bom" ele a deu segurança em sua fala. "Mas concentre-se nos movimentos, você não está fazendo sua parte" ele disse, referindo-se ao fato de que ela parecia uma boneca de pano que ele arrastava pelo Salão.

"Desculpe."

Alguns minutos de silêncio seguiram-se. A música, tocada por violoncelos e violinos enfeitiçados, demorou a acabar. Os dois permaneceram em meio aos outros casais, ainda tímidos, que também tinham tomado a iniciativa de ocupar a pista. Draco achou que viu Pansy e Potter de relance, mas não deu importância. Concentrou-se em seu próximo movimento, sem saber se era repentino convidar Hermione para um canto mais reservado. Resolveu então oferecê-la algo para comer.

"Que tal apanharmos uma daquelas tortilhas de abóbora?" ele sugeriu.

"Elas parecem muito boas." Hermione concordou, aceitando a mão de Draco para caminharem até as mesas de petiscos. "Cansou de dançar?"

"Não, eu... Gosto de dançar." Ele afirmou, servindo-se de um gole de cerveja amanteigada. Passou uma garrafa para Hermione. "Mas prefiro me concentrar totalmente em você... O que acha de sentarmos em algum canto mais reservado?" ele dirigiu-se a ela, mas passeou com os olhos pelo salão, à procura de um local igual ao mencionado.

"Apressado..." Hermione brincou, mas Draco soube que ela estava sendo hipócrita, porque ela pegou em sua mão, deixando as bebidas e aperitivos para trás, e o guiou até uma namoradeira charmosa sob a janela nevada. Sentaram-se de frente um para o outro. Draco não pôde deixar de sorrir. Nesse momento, os olhos de Hermione lampejaram em seu rosto e ela desviou o olhar. Ela própria sustentava um sorriso.

"Fale sobre você" Draco a incentivou a continuar a conversa. Estava um pouco incerto sobre como investir nela sem parecer Malfoy demais.

"Não há muito o que dizer" Hermione respondeu, observando o salão ao seu redor. "Já que quer um lugar mais reservado, que tal irmos lá pra fora, no corredor?"

Draco piscou várias vezes. Ela estava mesmo propondo que deixassem a festa? Ele imaginava que demoraria horas para conseguir convencê-la a fazer isso e, no entanto, fora ela a propor a idéia. Se não fosse pela mancha na pele que sabia ser de Hermione, ele se questionaria se pegara a garota certa para levar para o seu quarto.

"E o apressado sou eu..." ele retrucou, levantando-se com um sorriso. Esticou a mão numa reverência para que ela a tomasse, conforme ela fez em seguida. Deslizaram pelo salão, sendo observados atentamente por muitos olhares invejosos e sonhadores, até que a porta girasse lhes permitindo deixar o recinto.

O corredor gelado que os esperava estava deserto e muito silencioso, contrastando com o Salão da festa. O ambiente, porém, era agradável, com as janelas soterradas de neve e a bela paisagem da Floresta que elas exibiam, deixando tudo muito bem iluminado pelo luar claro. Tudo isso tornou a atmosfera mais séria, mais definitiva.

Hermione respirou profundamente e se virou para ele, sem soltar sua mão. O olhar dela, mesmo sob a máscara, era impactante. Draco estava ansioso, por não saber o que ele significava. Ao mesmo tempo, sentia que não desejava descobrir. Antes que ele pudesse pensar em mais nada, Hermione conduziu-o pela mão até a parede ao lado da janela, de modo que ela se recostou na pedra fria e trouxe Draco para sua frente. Isso o causou arrepios, tê-la tão perto e tão indefesa, quase em seus braços.

"Aposto que sei por que você está aqui esta noite" ela se pronunciou, com um sorriso fraco. Ao ouvir as palavras da morena, Draco gelou, e não era por causa do clima. "Você veio para este baile com a intenção de levar alguém com você para o seu quarto." Ela terminou, sem rodeios.

"E o que te faz pensar isso, fadinha atrevida?" Draco respondeu, depois de passada sua maior aflição. Manteria seu disfarce de bom moço até quando fosse possível. Sua meta era provar que podia ser diferente, afinal. "Você não sabe o que eu realmente quero. É claro que todo garoto pensa em ganhar uma noite com uma garota, mas meu objetivo aqui hoje não é só esse".

Ela riu. "E o que você está procurando, então? Uma esposa?" Ela tornou a rir.

"Desdenhe o quanto quiser, fadinha." Ele fingiu perder a paciência, ao mesmo tempo confirmando a afirmação prévia dela.

"Você não pode estar falando sério. E espero que não esteja, porque senão não poderei te ajudar" Hermione disse. Ela deu um passo adiante, levando uma das mãos aos ombros dele. Ficou na ponta dos pés, seu rosto muito próximo do dele. "No entanto... Se me disser que se contenta com uma noite apenas, estarei feliz em te satisfazer".

Draco arregalou os olhos. Não era possível que aquela garota fosse Hermione. Ele sabia que ela não faria isso. Sabia, graças às fofocas de Pansy (que ficara sabendo por Potter), que Hermione tinha passado as duas ultimas semanas se condenando por ter se entregado à uma relação física sem significado, sem sentimento. A morena julgava estar em pecado por ceder aos desejos de seu corpo, provocados por seu pior inimigo, que tantas vezes a humilhara no passado. Esta mulher parada no corredor fantasiada de fada não podia ser sua Hermione.

"Está literalmente se oferecendo a mim?" ele quis confirmar, boquiaberto. Sua testa se enrugava; nunca estivera tão confuso. Se aquela era Hermione, por que ela agia assim?

"Estou" ela respondeu. Na seqüência, entrelaçou os dedos por detrás do pescoço do loiro, puxando o rosto dele para mais perto. "Desculpe estragar todo o processo de conquista, eu aposto que você deve ser muito bom... Mas nada disso é necessário. Antes de irmos para outro lugar, só tenho duas condições". Ele devia saber. Nenhuma garota se ofereceria de bandeja... Alguma coisa estaria escondida ali, em algum lugar.

"E quais são suas condições?" ele perguntou, com receio.

"Ambas nossas máscaras permanecerão." Ela comunicou. Draco ficou em silencio, assistindo-a molhar os lábios com a língua enquanto esperava que ela prosseguisse. "A segunda condição eu já disse... Só quero uma noite. Nada mais. Terá que prometer nunca tentar repetir o que faremos essa noite."

Há um mês, Draco consideraria esta proposta que estava recebendo como um presente de Merlin para abençoar sua vida. O que poderia ser melhor do que sexo caindo do céu, sem requerer nenhum esforço de sua parte e que não traria aborrecimentos futuros? Porém, o sonserino estava relutante. Não era assim que as coisas funcionavam. A única explicação era que, se aquela fosse Hermione – como ele acreditava piamente e seu corpo confirmava com a proximidade em que estava dela –, ela poderia muito bem estar tentando fazê-lo prometer não mais incomodá-la. Mas se esse fosse o caso... Se a morena estava disposta a passar mais uma noite com ele para depois ficar finalmente livre... Talvez ela estivesse séria quando dizia que não queria ele por perto. Deveria desistir da garota que ele mais quisera em toda sua vida? Não, ele não desistiria. Percebendo que não estava sendo de todo mentiroso, Draco tomou coragem para dizer o que disse em seguida:

"E se essa noite for a melhor que você já teve? Se o meu corpo for a única coisa em que você vai pensar por dias e dias? E se nossos corpos forem tão perfeitos juntos que nós saberemos que temos que ficar juntos?"

Ela apenas riu. "Você é engraçado. Mas eu já te disse que você pode pular o processo de conquista... E devo te avisar que sou vacinada contra a lábia de garotos como você".

"Por que não acredita em nada do que eu digo?" Draco passou a sofrer. Hermione, então, muito delicadamente, removeu as luvas brancas que cobriam seu antebraço completamente. Guardando-as na fita de seu vestido, ela então se destinou a cobrir cada lado da face de Draco com uma de suas mãos, de modo que era impossível que os olhos dele escapassem aos dela, ainda que por baixo da máscara.

"Porque você é um bobo que fica persistindo em conquistar algo que já tem. Já te disse que dormirei com você... Toda essa conversa é desnecessária. Já deveríamos estar fazendo algo mais interessante."

"Acontece que não é nada disso que eu quero!" ele segurou os braços dela com força, chacoalhando-a até que o olhar dela tivesse uma pontada de medo. "Quer dizer, é claro que eu quero te levar pro meu quarto e tê-la do jeito que eu venho imaginando... Mas eu passei dias planejando esse baile como uma forma de me aproximar de você. E agora você me diz que dormiria comigo a troco de nunca mais me ver outra vez? Droga, Hermione! Por que quer tanto me afastar?"

DMHG – DMHG – DMHG

Fim da primeira parte.