Disclaimer:

Premissa Maior: Twilight pertence a Stephenie Meyer.

Premissa Menor: Eu não sou Stephenie Meyer.

Conclusão: Twilight não me pertence.


A placa dizia"Angela Weber – Psiquiatra". Respirou fundo e de cabeça mergulhou no mundo complicado daqueles que buscavam a si mesmos desvendar. A jovem mulher que a recebeu tinha um sorriso fácil e uma maneira pacienciosa, imediatamente deixando-a relaxada. Conversaram, não como uma médica e uma paciente, mas como duas velhas amigas. Isso era exatamente o que Bella necessitava, a recebida calorosa de alguém disposto a entender e ajudar, jamais julgar.

Lágrimas eram inevitáveis e elas vieram, mas eram calmas angústias de uma dor antiga e não a torrente de emoções de uma dor lancinante. Bella falou sobre seu pai e a dor que este lhe causara. Estava ciente que o transtorno do qual seu pai sofrera subjugava todos os demais aspectos de sua vida. Mas a dor da rejeição era a mesma, sendo seu pai são ou não, pois à época era uma mera criança que necessitava de amor, carinho e atenção.

Pensava ter superado seu passado e a seu pai ter perdoado, mas pouco a pouco percebeu quanta mágoa ainda havia em seu coração. A criança que um dia fora ainda chorava e implorava por atenção. Assim, a adulta ficava muito dependente em qualquer relação, se agarrando firmemente a qualquer um que adentrasse sua vida, seja um parceiro, seja um(a) amigo(a).

Foram verdades duras de enfrentar, pois em um mundo onde reina a lei dos mais fortes a fraqueza não é vantagem, à ela todos procuram rejeitar. Mas não há força na negação, a verdadeira vitória vem da superação de seus próprios medos. E Bella era suficientemente valente para de peito aberto abraçar a pequena chorosa que em seu peito sempre estava a murmurar.

Alguns dias, decidia-se a desistir e para sua terra de fantasias se retirar. Não queria ser uma mulher problemática, queria apenas ser feliz. Sentia-se frustrada com sua lerdeza, pois desejava suas questões rapidamente solucionar. Nesse mundo de fórmulas prontas não havia espaço para se poder demorar. Nesses dias, Angela era ainda mais amiga e suavemente explicava as nuances de seu tratamento. Convencida, Bella persistia até a próxima crise lhe alcançar.

Seguia com sua vida de pequenas vitórias profissionais, promoções impulsionadas pela sua recém conquistada auto-estima. Suas amigas fiéis semanalmente a ela se reuniam e juntas debatiam os méritos de mais nova moda. Eram conversas leves e por elas Bella ansiava, pois se sentia normal e despreocupada com suas amigas a se embebedar.

Todos os dias ia à academia, mas os olhos de Edward evitava. Às vezes ele ainda tentava dela se aproximar, Bella respondia educadamente, mas procurava desencorajar. Reconhecia que ainda não estava pronta para seu coração entregar. Ainda haviam muitas camadas protegendo sua alma e muitos comportamentos ditados por seu passado. Quem sabe um dia, se ele puder esperar...

Uma vez Alice tentou sobre seu primo perguntar, Bella respondeu honestamente explicando seus temores. Alice entendeu e abraçando sua amiga prometeu sua decisão apoiar. Dali em diante, todo dia a pequenina amiga ligava para Bella, buscando assegurar-se que ela estava bem. Era um gesto carinhoso recebido com sorrisos por uma mulher desacostumada de ser importante.

Foi uma caminhada cheia de altos e baixos, mas um dia, sem aviso, seu coração conseguiu perdoar o pai doente e a menina descontente que em seu íntimo continuava a se culpar. Aprendeu a amar todos os seus recantos e aceitar os seus defeitos. Não era mais uma mulher nervosa, ansiosa por agradar. Sua felicidade já não mais repousava nas mãos ingratas de um futuro inconstante que teimava em mudar. Ela era a fonte de sua própria força e sua felicidade estava em seu íntimo, não no mundo exterior que muito tinha a oferecer, mas jamais poderia a ela contentar.

Até que chegou o dia em que sua terapeuta-amiga lhe deu alta; já sabia lidar com seu passado e aprendera a ser controlar. Estava pronta para andar com as próprias pernas, ainda que primeiro tivesse que engatinhar. Naquela noite chamou as amigas e em uma boate foram festejar. Coincidentemente (ou não, afinal, Alice sempre será Alice), lá chegando deu de cara com um belo par de olhos verdes a lhe fitar. Seu rosto transformou-se em um sorriso e de seu antigo amigo decidiu se aproximar.

Sim, queria Edward em sua vida e em sua cama. Faria o melhor para seduzi-lo, mas no final das contas sua resposta não tinha mais o poder de afetá-la. Havia vencido o maior inimigo que poderia enfrentar, conquistou a si mesma e agora se sentia invencível já que o mundo não a podia mais derrubar. E foi por essa mulher confiante, de alma jubilante por quem Edward não pôde evitar se apaixonar.

Bella mudou seu destino, deixou para trás seu passado ambíguo e apossou-se das rédeas de seu destino. Tornou-se não a rainha de seus sonhos, mas a soberana de sua vida. Não conseguiu tudo o que queria, mas tudo o que precisava. Não abandonou seus sonhos, mas deixou de negligenciar sua realidade. Uma mulher que teve coragem de para dentro de si mesma olhar; aprendeu a se conhecer e a seus demônios derrotar. Não foi salva por um príncipe encantado, mas pela sua própria vontade de viver e lutar. Principalmente entendeu que beleza, dinheiro e o amor de um homem nunca seriam suficientes se não tivesse tido a coragem de a si mesma sobrepujar.

E para aqueles românticos que se perguntam como sua história de amor vai terminar, fiquem cientes que amor de verdade não tem fim. Não há nada mais terreno que imaginar que o amor é um seguimento de reta que poderá seu limite encontrar. O amor é um círculo sempre a se reinventar, sem começo e sem fim, desprovido de sentido a lhe orientar. Simplesmente se ama e se continua amando até o último bater de seu coração, pois o amor é o único bálsamo para a dor aliviar. E se depois dessa vida outro mundo existir, lá o amor continuará; além do espaço-tempo, sua alma gêmea persistirá a te esperar. E, um dia, serão reunidos para sua história continuar.