Capítulo 19

A primavera tinha dado lugar ao verão, e o sol brilhava alto no céu. Em junho chegou uma mensagem de Edimburgo; a rainha María tinha dado a luz a seu filho James, mas não havia tempo para celebrá-lo em Dunridge.

Uma guerra terrivelmente cruel persistia entre Edward MacArthur e Murdoc Menzies. Uma das vítimas era a atividade das mulheres. Para grande frustração de Isabella, não estava permitida sair das muralhas do castelo, e sentia que o jardim se fechava sufocadoramente sobre ela.

Uma manhã de princípios de julho, Sheena viu como Isabella caminhava para os estábulos com passo decidido.

- Bella - chamou-a, correndo para alcançá-la - Aonde vai?

- Vou montar até o lago – respondeu Isabella -, Você gostaria de me acompanhar?

- Ao lago?

- Foi o que disse.

- Mas o conde nos proibiu...

- O conde é um asno – espetou Isabella -, Nego-me a ser uma prisioneira em minha própria casa. Vem ou não? - Isabella se voltou, e Sheena a seguiu até as desertas cavalariças. Selaram seus próprios cavalos, montaram e se encaminharam para a porta exterior.

Inesperadamente, seu caminho para a liberdade foi bloqueado. Edward, Jasper e um grupo de soldados MacArthur enchiam o portal. Tinham estado fora inspecionando os danos causados por Menzies na noite anterior.

- Aonde acham que vão? - grunhiu Edward, segurando as rédeas do cavalo de Isabella.

- Sua petição de que permaneçamos dentro dos muros do castelo é absurda - disse-lhe sua esposa.

- Não é uma petição, é uma ordem.

- Não sou sua prisioneira.

- É minha esposa e me obedecerá.

Desafiando-o, Isabella puxou as rédeas, mas Edward as segurou com firmeza entre seus punhos de aço. Os olhos escuros do guerreiro lutaram numa silenciosa batalha com o penetrante olhar esmeralda de Isabella.

- Desmonte e volte a pé - ordenou o conde, lançando um olhar cáustico, Isabella desmontou e se afastou com passo majestoso.

Os olhos de Edward se dirigiram a sua cunhada.

- Você também, lady Sheena.

Sheena deu uma olhada a Jasper, o qual, com o sorriso mais irritante nos lábios, olhou para outro lado como se não a conhecesse. Cheia de humilhação, Sheena desmontou e seguiu Isabella.

- Está proibido que as damas saiam do castelo! - gritou Edward aos sentinelas -. Façam o que acharem oportuno para impedi-las.

- Teimoso! - murmurava Isabella entre os dentes quando Sheena a alcançou.

- E meu marido nem sequer me defendeu – queixou-se Sheena.

- Escaparei deste decrépito montão de pedras embora tenha que escalar os muros - jurou Isabella.

- E não necessitaremos de seus cavalos - adicionou Sheena -. Podemos sair andando.

- Se conheço bem Edward, já deve ter ordenado a seus homens que não nos deixe sair.

- Poderíamos escapulir pela porta falsa – sugeriu Sheena.

Isabella lhe dedicou um radiante sorriso.

- Você é mais ardilosa que eu.

Sheena sorriu.

- Obrigado.

- Quando Glenda estiver tomando suas lições com o padre Kaplan – disse Isabella -, encontraremo-nos no outro lado da porta. Estaremos de volta antes de que advirtam que nós partimos.

Quando Rosalie saía do grande salão aquela tarde, observou como Isabella desaparecia pelo outro extremo do corredor e voltou para espiá-la. Bella percorreu o jardim com o olhar e saiu precipitadamente pela porta. Perplexa, Rosalie foi atrás dela.

Uma vez fora, Isabella deslizou furtivamente por detrás de um lance de arbustos e correu para a parte posterior do jardim, onde se escondeu detrás de uma árvore. Um momento depois, saiu de seu esconderijo e cruzou como um raio a porta traseira do jardim.

Rosalie chegou bem a tempo de ver como Isabella desaparecia pela porta falsa. Em nome de Deus, que diabos estava fazendo a inglesa? A curiosidade se apoderou da viúva de Emmet, e abriu a portinhola. Uma mão apareceu de repente e a arrastou para o outro lado.

- Que demônios está fazendo? - inquiriu Isabella.

- Poderia fazer a mesma pergunta - replicou Rosalie, elevando o nariz no ar. Inspecionou Isabella e Sheena, e dirigiu um depreciativo olhar a Sly -. Vou dizer a Edward.

Então Isabella tirou uma adaga do cinturão de sua saia e o apontou para o nariz da loira.

- Você vem conosco.

- Isso – acrescentou Sheena - Não arruinará nossa oportunidade de desfrutar de alguns momentos de prazer.

- Aonde vão? - perguntou Rosalie.

- Ao lago, e logo retornamos - respondeu Sheena.

- Muito bem. Irei com vocês.

- E fique com a boca fechada ou nos agarrarão – advertiu Isabella.

Atravessaram o bosque em silêncio e chegaram à borda do lago Awe sem serem descobertas. As três mulheres e a raposa passeavam sem pressa, desfrutando do formoso dia de verão.

Ao ouvir, Sheena percebeu instintivamente o retumbar de cascos de cavalos. Voltou-se e viu como Sly, com o lombo arrepiado, gemia e logo entrava como um raio no bosque.

- Corram! - gritou Sheena, apressando-se para a espessura atrás da raposa.

Isabella voltou-se e viu os homens que cavalgavam para elas. Vestiam os tartans brancos e negros dos Menzies! Quando se dispunha a seguir Sheena, viu que Rosalie, presa pelo pânico, corria borda abaixo.

- Não! - chiou a condessa, perseguindo-a -. Corra para o bosque!

Um braço rodeou a cintura de Isabella como um gancho, e a levantou do chão.

- Solte-me, bastardo! - gritou a moça, lutando contra aquele homem.

O punho do Menzies foi dar na cara de Isabella, e as resistências da condessa cessaram.

A escuridão tinha apagado a última fresta de luz malva no céu do oeste quando os Menzies e suas reféns chegaram ao castelo de Weem. Sentada diante de seu raptor no cavalo, Isabella se sentiu apanhada em meio de um pesadelo que se repetia. A mandíbula palpitante de dor era seu único laço com a realidade. Voltando em si lentamente, deu uma olhada a Antonia enquanto se detinham em frente ao castelo de Weem. A loira tremia de medo.

Os guerreiros desmontaram, e o raptor de Isabella a desceu do cavalo com tal brutalidade que quase caiu no chão. Trincando os dentes, a moça grunhiu ameaçadoramente, mas o tipo se limitou a rir, pois era como se uma pulga o estivesse desafiando. Agarrando-a pelo braço, o homem a arrastou ao interior do castelo, e Isabella soube que as marcas durariam várias semanas. Rosalie ia diante de seu raptor, e detrás seguiam o resto dos guerreiros Menzies.

O grande salão de Weem estava muito concorrido para o jantar. Isabella foi conduzida através da habitação até a mesa principal, onde reconheceu Murdac Menzies imediatamente.

- Boa tarde, senhoras – saudou Menzies. Logo lhes dedicou um frio sorriso -. Bem-vindas a minha casa.

Comovida por sua difícil situação, Antonia permaneceu estranhamente calada, mas Isabella se mostrou desafiante. Depois de tudo, tinha escapado de suas garras no estreito de Mull, por que não ia fazer o mesmo em Weem? Isabella deu uma desdenhosa olhada ao salão.

- Este é o seu ninho - disse com desprezo, desafiando com seus cintilantes olhos verdes.

Menzies jogou a cabeça para trás e rompeu em sonoras gargalhadas, mas em seus negros olhos de serpente não se refletia nenhuma fresta de bom humor. Levantou-se e rodeou a mesa para elevar-se sobre elas, ameaçando às duas mulheres tão somente com sua estatura.

- É um prazer vê-la de novo, condessa. - Uma de suas garras acariciou a machucada bochecha de Isabella -. Peço desculpas por qualquer mal que meus homens tenham causado – disse Murdac agradavelmente. Logo dirigiu o olhar para Antonia e perguntou - Quem é sua acompanhante?

- Lady Rosalie – respondeu Isabella -, minha cunhada viúva.

Tomando a mão de Rosalie na sua, Murdac a elevou até seus lábios em um gesto de cortesia, e elogiou:

- Se soubesse que uma mulher tão bonita como você vivia em Dunridge, a teria raptado faz muito tempo. - Rosalie o olhou fixamente, sem fala -. De fato – continuou -, sou um homem excepcionalmente afortunado ao ter duas visitantes tão bonitas.

- Teria muitas mais – repôs Isabella com ousadia -, se tivesse homens suficientes para bater todo o condado e as raptar.

- Vejo que a viagem a tornou irritável - observou Murdac -. Possivelmente vocês gostariam de descansar um momento antes do jantar.

- O que eu gostaria de é voltar para Dunridge.

- Isso é impossível no momento. Não sairão de Weem até que devolvam a minha irmã.

Isabella estalou a língua e falou.

- Seriam capaz de separar o que Deus uniu?

- O que quer dizer?

- Sheena se casou com Jasper MacArthur – informou -. E devo acrescentar que por sua própria vontade. Se não acredita, pergunte a seus homens. Eles dirão que Sheena fugiu ao reconhecê-los.

Os olhos de Murdac se dirigiram para seus homens, os quais assentiram com a cabeça e afastaram o olhar.

- Enquanto falamos – prosseguiu Isabella com valentia -, meu marido e seus homens já devem estar a caminho. Fracassarão, igual à vez anterior.

- A vez anterior? - repetiu Murdac, desconcertado.

- Não se faça de inocente comigo – espetou Isabella -. Seguindo suas ordens, abandonaram-me nessa rocha do estreito de Mull para que morresse. Desgraçadamente para você, consegui escapar.

- Seu marido deve ter muitos inimigos – soprou Murdac -. Eu não fui o mandante desse plano. - Olhou Isabella de cima a baixo, examinando seus encantos, e disse com um insinuante sorriso - Me ocorrem coisas melhores para fazer com uma mulher bonita. Leve-as.

Isabella e Rosalie foram encerradas em um dos dormitórios do andar superior. Enquanto Rosalie permanecia sentada na borda da cama com o olhar perdido, Isabella ia e vinha pelo quarto com nervosismo.

Cruzou o aposento, e deu meia volta e voltou sobre seus passos. «Como podemos escapar? – perguntava-se, com a mente tão agitada como seu corpo -. Já sei! Esconderei-me detrás da porta e atacarei à próxima pessoa que entrar... Não, isso não funcionaria. Depois teríamos que abrir caminho lutando para sair daqui» O olhar de Isabella caiu sobre Rosalie. Não obteria nenhuma ajuda dela. Se ao menos o primo Magnus estivesse por ali, em uma de suas missões.

Uma chave girou na fechadura, e um momento depois, a porta se abriu. Entrou uma criada de meia idade, com um balde de água fumegante. Levava duas toalhas penduradas no ombro.

A mulher deixou o balde e as toalhas sobre a mesa e se voltou para olhar às jovens.

- O conde pensou que vocês gostariam de se lavar antes do jantar – explicou.

Isabella lhe dirigiu um frio olhar. Assustada por aqueles olhos verdes cheios de ódio, a mulher se benzeu e se retirou a toda pressa, fechando a porta com chave atrás de si.

Compreendendo que a fuga era impossível, Isabella suspirou e se rendeu a sua fadiga. Sentou-se na cama e fechou os olhos, mas a idéia de escapar persistiu.

Rosalie se levantou de repente, cruzou o quarto até a mesa e lavou a cara. Quando terminou com seu asseio, em lugar de voltar para mesmo lugar, começou a passear pelo aposento.

Ao voltar sobre seus passos, o olhar de Rosalie se fixou em Isabella, e de repente sua mente começou a maquinar. « Menzies é um homem solteiro, e eu não careço de certos atrativos. Poderia persuadir de que se desfizesse da inglesa. Se Edward perder, eu me casarei com Murdoc e serei a condessa de Meinnich; mas se Edward ganhar, estará livre para me fazer sua condessa. De um modo ou outro, sairei ganhando.» Rosalie se deteve junto à cama.

- O que tem a dizer em sua defesa, estúpida porca inglesa?

- Vejo que se recuperou – comentou Isabella secamente.

- Isto é sua culpa.

- Culpa minha? - Os verdes olhos de Isabella se arregalaram.

- Se não tivesse desobedecido Edward, não estaríamos aqui.

- Não me culpe - Isabella ficou em pé em frente a sua cunhada -. Se não me tivesse seguido, não estaria aqui; e se não tivesse deslocado praia abaixo como uma louca, eu tampouco estaria aqui. Bruxa intrometida e estúpida!

O ímpeto da bofetada de Rosalie fez com que Isabella cambaleasse, mas a condessa lhe devolveu a cortesia imediatamente.

- Senhoras! - Murdac Menzies estava parado contra o marco da porta -. A violência acaba com sua feminilidade. Vim para as acompanhar para jantar - acrescentou amavelmente, passeando-se pelo quarto - Têm melhor aspecto, lady Rosalie.

- Obrigado, senhor - respondeu sorridente.

Menzies se voltou para Isabella e disse:

- Já deveria ter se lavado, condessa.

- Decidi esperar e jantar com meu marido – respondeu -. Chegará a qualquer momento.

Murdac riu asperamente e advertiu:

- Morrerá de fome antes que o conde de Dunridge ponha um pé no castelo de Weem.

- Nesse caso – bufou Isabella como uma gatinha zangada -, você e eu compartilharemos uma prato de pão no inferno.

O bom humor de Murdac se desvaneceu, e a cicatriz de sua bochecha empalideceu de raiva. Lutando contra o impulso de submetê-la com uma bofetada, olhou severamente Isabella.

- Faça o que quiser – disse Menzies friamente.

Logo se dirigiu a Rosalie com um sorriso e lhe ofereceu o braço

- Acompanham-me para jantar?

Devolvendo o sorriso, Rosalie aceitou o braço de Murdac e juntos abandonaram a habitação.

- Rosalie! - gritou Isabella, golpeando a porta -. Maldita traidora!

Lábios ansiosos desceram sobre a boca de Isabella, cobrindo-a com premente intensidade.

- Edward... -sussurrou a moça.

Despertando lentamente, pensou que se tratasse de um sonho, mas aquela pressão carnuda sobre sua boca persistia. Abriu os olhos de repente e a alagou uma repugnância. Murdac Menzies a estava beijando!

Sorrindo maliciosamente com a horrorizada expressão de Isabella, Menzies acariciou sua bochecha com um dedo. Quando esse dedo percorreu seus lábios, a moça lhe deu uma dentada.

- Pequena bruxa! - rugiu Murdac, afastando-se dela.

Isabella foi até o outro lado da cama e se afastou caminhando para trás. A mesa impediu que pudesse retroceder mais.

Com expressão inflexível, Murdac ficou em pé. Os raios de sol que entravam pela janela dançavam por detrás dele, e Isabella se deu conta de que já era de dia. Acrescentando um insulto mais a sua ofensa, Isabella limpou a boca com a manga da blusa. Grunhindo do fundo de sua garganta, Murdac avançou ameaçadoramente.

- Fique longe - advertiu-lhe a condessa -, ou me matarei. Então já não terá nenhuma refém.

- Esqueceu de lady Rosalie?

- A meu marido não importará se fica com ela; de fato, estará-lhe fazendo um favor.

- Que estranho – observou Murdac -. Rosali se empenha em me persuadir de que a mate.

- Onde está? - perguntou Isabella -. O que fez com ela?

- Passamos uma deliciosa, mas exaustiva noite em meu dormitório. Ela continua ainda na cama. - Murdac riu ao ver a expressão de Isabella -. Por que surpreende tanto, querida? Estava totalmente disposta a abrir as pernas, mas eu não a matei depois, como fez seu falecido sogro com minha tia.

- O que disse?

- Suponho que saiba como começou a inimizade entre os dois clãs. Black Jack raptou, violou e assassinou a minha tia.

- Asqueroso embusteiro!

- Acredite no que quiser – disse Murdoc encolhendo os ombros -. O que pensa fazer para continuar viva?

Isabella sentiu um nó no estômago, mas sua voz permaneceu alta e firme.

- Toque-me e te matarei - ameaçou.

- Olhe como tremo – burlou Menzies. Sorrindo com a ameaça de Isabella, avançou alguns passos mais.

Sem afastar os olhos dele, ela apalpou a suas costas, procurando às cegas na mesa algo que lhe servisse como arma. Em um rápido movimento, agarrou o balde de água e o lançou em seu agressor.

- Para sua sorte – disse Murdac, esquivando o ataque -, adoro as mulheres com gênio. Sua rendição final é muito mais doce. - Caminhando para a porta, adicionou - Deixarei-a em paz... por enquanto.

Resmungando sobre a impulsividade das mulheres, Murdac avançou pelo salão até a mesa principal. Logo se sentou e examinou seu dedo ferido. Um grupo de seus homens que estavam sentados perto da mesa, achavam-se imersos em uma conversa sobre caça.

«Uma caçada de lebres», pensou Murdac, com o rosto iluminado por um ardiloso sorriso. Então ordenou a duas criadas que trouxessem suas convidadas ao salão.

Alguns momentos depois, Isabella entrou acompanhada na grande sala e foi conduzida até a mesa principal.

- Traidora. - sussurrou quando Rosalie se deteve seu lado.

- Prestem atenção – pediu Murdac a seus homens. Logo se levantou e rodeou a mesa para perto de suas prisioneiras. Sorrindo maliciosamente, inclinou a cabeça -. Bom dia, senhoras.

Rosalie lhe devolveu o sorriso, mas o olhar de Isabella era mais frio que uma tempestade de neve das terras altas.

- Vou organizar uma caçada de lebres para o prazer e entretenimento de meus homens e, é obvio, de minha própria pessoa – anunciou Murdac -. Nós seremos os caçadores e vocês, minhas queridas damas, as lebres.

- M-Mas... - tentou protestar Rosalie.

A mão de Murdac lhe descarregou uma bofetada. Rosalie caiu em cima de Isabella, a qual a ajudou a recuperar o equilíbrio.

- E se nos negamos? - desafiou Isabella.

- Não faça essa pergunta – repôs Menzies -, a não ser que esteja preparada para ouvir a resposta.

- Bem, e se nos negamos?

- Não valorize só a parte negativa. Considere a caçada como sua oportunidade de escapar.

- Vai nos matar? - perguntou Isabella.

- Oh, moça! Deve acreditar que minha alma é incrivelmente perversa! - exclamou Murdac, fingindo consternação. Olhou-a de cima a baixo com insolência, e acrescentou - A mulher foi criada para dar prazer ao homem, não para ser assassinada.

Isabella elevou uma sobrancelha.

- Então, vai nos violar?

Um amplo sorriso de Menzies foi a resposta a aquela pergunta.

- Edward te fará em pedaços – sentenciou Isabella com desprezo -. Esquartejará seu asqueroso corpo pedaço a pedaço.

- Já é suficiente! - espetou Menzies -. Tirem os vestidos.

- Por favor... - suplicou Rosalie, com a cara alagada em lágrimas.

Murdac tirou sua adaga e a ameaçou, roçando o pescoço da loira com sua afiada ponta.

- Fique de boca fechada e dispa-se - ordenou.

Com mãos trêmulas, Rosalie desabotoou a saia e a deixou cair ao chão. Logo tirou a blusa por cima da cabeça e permaneceu de pé, com apenas sua camisa. Os homens enlouqueceram e começaram a gritar e assobiar, golpeando as mesas com as mãos.

- Agora os sapatos e as meias – ordenou Murdac.

Quando ela obedeceu, Menzies lançou-a em direção a um grupo de homens, que formaram redemoinhos freneticamente para agarrá-la. Murdac riu com crueldade. Seus olhos se voltaram para Isabella.

- Sua vez, condessa.

- Vá ao inferno, bode!

Murdac deu um tapa em Isabella que a levou ao chão. Da abertura de seus lábios brotaram algumas gotas de sangue.

- Não compreendo como MacArthur suporta você e a sua língua - disse bruscamente -, mas eu não sou tão bonachão. - Fez um gesto às duas criadas.

A cabeça de Isabella girava vertiginosamente. Esforçou-se para levantar-se, e em um instante as mulheres a tinham despido de sua saia, blusa, sapatos e meias. Isabella ficou ali de pé, vestida só com sua camisa.

Murdac a devorou com o olhar e, incapaz de resistir, beliscou um de seus seios.

- Têm trinta minutos de vantagem - disse, assinalando a porta do salão -. Depois sairemos atrás de vocês.

- Vamos – exortou Isabella, mas o intenso medo tinha Rosalie cravada no chão. Agarrando a sua cunhada pela mão, Isabella a tirou do salão.

- Façam o que quiserem com a loira – disse Murdac a seus homens -, mas a ruiva é minha. Quem o esquecer é homem morto.

Quando puseram o pé no pátio, Isabella arrepiou-se os pêlos dos braços. «Maldição!», exclamou para seu interior. Era verão, mas fazia muito frio para correr semi-nua pelo bosque.

Isabella inspecionou Rosalie com o olhar e soube que sua consentida cunhada seria um fardo para ela. Compreendeu desalentada que teriam muita sorte se antes de meia hora conseguissem sair das proximidades mais próximas do castelo.

Arrastando Rosalie detrás de si, Brigette avançou energicamente pelo pátio exterior e se encaminhou para o portal. Alertados pelo conde, os sentinelas deixaram passar às duas mulheres.

- Eu não sei vocês – disse um dos soldados lambendo-se com antecipação -, mas assim que passe o conde, penso me unir à caçada.

- E a defesa de Weem? – perguntou em de seus companheiros -. Se Dunridge atacar enquanto...

- Ao diabo a defesa de Weem - espetou o primeiro -. Se o conde estivesse preocupado pelos MacArthur não ofereceria às garotas.

- Estou de acordo - interveio um terceiro -. por que íamos perdemos a diversão?

- E eu nunca o fiz com uma dama de alta linhagem - disse o segundo soldado -. E tenho muita vontade de averiguar como é.

- O conde não nos matará por ter abandonado nossos postos - sustentou o primeiro.

- Então, está decidido - concluiu o terceiro -. Iremos todos.

Aterrorizada, Rosalie se deteve justo do outro lado das portas do castelo e se negou a mover-se; Retrocedendo alguns passos, Isabella a exortou a avançar.

- Não posso - soluçou Rosalie.

Agarrando sua cunhada pelos ombros, Isabella a sacudiu com rudeza e lhe deu uma bofetada na bochecha umedecida pelas lágrimas.

- Escute-me – grunhiu -, quer que esses canalhas asquerosos ponham a mão em cima de você?

Rosalie arregalou os olhos e sacudiu sua loira cabeça energicamente.

- Entraremos no bosque por ali – disse Isabella -. Uma vez que estejamos fora de sua vista, voltaremos sobre nossos passos e nos esconderemos na outra beira do lago.

- Que lago?

- Há um lago detrás de Weem – explicou Isabella -. Vi pela janela. Quando escurecer abandonarão a caça, e então nos encaminharemos para Dunridge.

- Mas morreremos congeladas - choramingou Rosalie.

- É idiota ou o que? - espetou Isabella -. Acaso acha que Edward não estará já a caminho daqui? Encontraremo-nos com ele muito antes de morrer congeladas. Vamos.

Com Isabella como à cabeça, as duas se encaminharam precipitadamente para o bosque que havia ao sul de Weem. Uma vez fora da vista dos guardas, abandonaram o atalho e entraram na densa espessura de árvores. De vez em quando Isabella olhava para trás para comprovar que Rosalie a seguia. Nada acostumada à atividade física, a beleza das terras altas se cansava com rapidez, e não demorou para sentir uma intensa dor no quadril.

- Bella! - gritou Rosalie quando deu um tropeção e caiu.

Isabella retrocedeu até ela. Que outra coisa podia fazer? Deixar para trás Rosalie?

- Está bem? - perguntou.

As lágrimas alagavam os olhos da Rosalie.

- Torci o tornozelo, e me dói muitíssimo o quadril.

Isabella a ajudou a levantar-se.

- Ponha seu braço ao redor de meu ombro.

- Não o conseguirei - lamentou-se Rosalie -. Por que não se salva?

Tentada pela idéia de fazer justamente isso, Isabella vacilou, com o olhar cravado nos olhos de sua cunhada. Rosalie carecia de escrúpulos e acreditava que todo mundo era como ela. Sem dúvida a viúva de Emmet a teria abandonado muito antes se os papéis estivessem invertidos.

- E então?

- Cale-se – bufou Isabella.

- Por que não me deixa?

- Para que seu fantasma retorne para me atormentar o resto de meus dias? Não, obrigado.

Um grito potente e selvagem se ouviu na distância. As duas mulheres ficaram rígidas, dominadas por um medo que lhes atendia as vísceras.

- Os cães do inferno nos farejaram – observou Isabella com gesto irônico -. Não podem ter passados trinta minutos. Esse bastardo está fazendo armadilhas!

- As portas estão abertas, e não vejo nenhum sentinela – disse Jasper -. Acha que será uma armadilha?

Edward encolheu os ombros, com expressão sombria. - Armadilha ou não, vou entrar.

Os MacArthur tinham chegado ao castelo de Weem e, ocultos pelos densos arvoredos, separaram-se em dois grupos. Edward e Jasper foram à frente da tropa principal, que se dirigia pelo bosque para a entrada de Weem. Dugie e Jamie encabeçavam um grupo menor que tinha rodeado o castelo para localizar a porta falsa.

- Dugie já deve ter chegado a seu posto – disse Jasper.

Edward assentiu.

- Desta vez Menzies não terá escapatória. A única coisa que sinto é não poder matá-lo duas vezes.

Edward tirou a espada e a elevou no ar para dar o sinal a seus homens. Logo esporeou seu cavalo. Empunhando suas espadas, os guerreiros MacArthur o seguiram. Ao abandonar o refúgio protetor da fortaleza, fizeram-se vulneráveis a um ataque com flechas, mas ninguém parecia defender o castelo de Weem.

Os MacArthur se aproximavam cada vez mais, e, entretanto tudo permanecia estranha e misteriosamente silencioso. Nem uma alma apareceu para enfrentá-los. Aquele castelo era uma fortaleza fantasma.

- Eu não gosto disso – sussurrou Jasper nervosamente quando chegavam à porta -. Algo está errado. Deixa que nossos homens entrem primeiro.

- Bella é minha esposa.

Com seu irmão a seu lado, Edwarde entrou no castelo. Não aconteceu nada. Enquanto avançavam pelo pátio, de repente algo passou como um raio entre seus cavalos.

- Sly! - exclamou Jasper em um audível sussurro.

Os lábios do Edward se esticaram em um sorriso.

- O patife nos seguiu.

Detendo seu cavalo, Edward percorreu o pátio interior com o olhar. Onde estava Menzies? E onde estavam Isabella e Rosalie?

O conde de Dunridge desmontou. Os guerreiros MacArthur imitaram, embora a contra gosto, pois não lhes cabia dúvida de que estavam a ponto de ser atacados. Sons furtivos os alertaram, mas não eram mais do que os homens de Dugie que rodeavam o castelo pela porta traseira.

- Não posso acreditar o que estou vendo – disse Dugie a Edward.

- Quer dizer o que não está vendo – corrigiu Jamie -. Este lugar me dá arrepios.

Ao ouvir aquelas palavras, mais de um guerreiro MacArthur se benzeu para maior segurança.

Com Edward à frente, entraram no vestíbulo principal de Weem. Sly, que tinha farejado um leve rastro de aroma familiar, passou correndo por diante deles e desapareceu por uma porta. Sabia que Isabella estava ali, em alguma parte.

- Uma besta selvagem! - chiou uma voz feminina.

Os MacArthur seguiram Sly e de repente se encontraram no grande salão. Estava deserto, à exceção de duas criadas e o mordomo do castelo, que exclamou:

- Um MacArthur!

- O MacArthur - grunhiu Edward, apontando-o com sua espada -. Onde está seu senhor?

-A-A-Aqui s-s-só há cr-criados -gaguejou o homem -. O conde está caçando.

- Caçando? - repetiu Edward, incrédulo -. Espera que acredite que saiu para caça e deixou Weem sem proteção?

- Juro que é verdade.

- Entregue-nos seus reféns - ordenou Edward.

- Eu não posso fazer isso.

Os olhos de Edward se entre fecharam ameaçadoramente. Deu uma olhada a Dugie e a Jamie, que agarraram o homem pelos braços.

- Cortem uma mão - ordenou Edward ferozmente.

- Olhem! - gritou Jasper, agachando-se junto a Sly. - Uma roupa feminina pendurava da boca da raposa.

Edward inspecionou a peça e se sentiu aliviado ao ver que não tinha rastros de sangue.

- Bella usava essa blusa - disse com uma expressão mais ameaçadora do que a de Menzies quando estava furioso. Acercando-se do mordomo, rosnou

- Eu mesmo a cortarei.

- Espere! - gritou o servente, com cara de horror -. As damas não estão aqui.

- Onde estão, então?

- Não o sei exatamente. O conde fez com que se despissem e saíssem do castelo. Está caçando-as para divertir-se.

- Assim é, senhor - confirmou uma das mulheres -. O conde disse a seus homens que poderiam ter às damas... já sabes a que me refiro. Seguramente os sentinelas também queriam participar e se uniram à participar da caçada.

Edward soltou uma maldição e saiu a toda pressa do salão, com Sly pisando-lhe os calcanhares. Os guerreiros MacArthur também lhe seguiram.

- Jamie - ordenou Eward, detendo-se no pátio – você e seus homens ficam aqui caso regressem. Edward pegou Sly em seus braços e, aproximando-lhe à cara, ordenou-lhe:

- Encontre Bella, Sly. Encontre Bella.

Sly saiu disparado de seus braços e cruzou o pátio como, uma flecha. Os MacArthur saltaram a seus cavalos e o seguiram.

Enlouquecidos gritos de desatada luxúria masculina rasgaram o ar, e ao ouvi-los Rosalie choramingou como um animal ferido. «Viva a estratégia», pensou Isabella, cambaleando-se fatigada pelo esforço de suportar o peso da Rosalie. «Alguns passos mais», disse a si mesma sem dar-se conta de que se saísse a campo aberto, seriam mais vulneráveis.

- O lago,- disse Isabella, saindo do bosque.

Avançaram com dificuldade, angustiosamente devagar, para a beira, em busca de um lugar adequado onde esconder-se.

- Socorro!

Fortes mãos arrancaram Rosalie do lado de Isabella.

- Maldito bode! - vociferou Bella, como uma louca raivosa.

Agarrando o braço de Rosalie, puxou ela com todas suas forças e, quando isso fracassou, atacou ao homem ferozmente, mordendo, arranhando, chutando...

Como se Isabella fosse um mosquito, o homem a separou com um tapa, fazendo-a cair de bruços na erva. Decidida a salvar Rosalie, Isabella começou a levantar-se, mas se deteve quando seu olhar se cravou em um par de brilhantes olhos negros que se elevaram junto a sua cabeça.

- Permita-me, condessa. - A voz de Murdac gotejava um sarcástico desprezo.

Menzies se inclinou para obter seu troféu, mas em um rápido movimento Isabella lhe colocou os dedos nos olhos e rodou para um lado. Logo ficou em pé de um salto e pôs-se a correr.

Quando se recuperou, Murdac saiu atrás dela. Com seu chamejante cabelo formando redemoinhos, Isabella parecia uma assustada ninfa do bosque enquanto corria pela beira do lago. Dois passos atrás, Murdac estendeu o braço, agarrou sua vermelha cabeleira, e puxou-a violentamente. Isabella soltou um alarido de dor e cambaleou para trás.

- Vadia - grunhiu Murdac. Girou-a bruscamente e a esbofeteou com tanta fúria que a jogou no chão. Logo abriu a braguilha.

- Edward! - gritou Isabella, desesperada-se. De repente tudo obscureceu ao redor dela.

Ao perder a consciência, a condessa não viu a mortífera descarga de flechas MacArthur que atravessou o ar, procedente do bosque.

- Bella.

Alguém sussurrou seu nome. Ela abriu os olhos e viu o preocupado rosto de seu marido.

Edward sorriu aliviado e a estreitou entre seus braços em uma atitude protetora.

- Está ferida? - perguntou, quando sua esposa começou a chorar.

Agarrando-se a ele, Isabella negou com a cabeça, e apoiou-se contra seu peito, fechando os olhos.

De repente, algo úmido lambeu as salgadas lágrimas de suas bochechas.

- Sly! - exclamou Isabella, abrindo os olhos.

- Se por acaso não deste conta, irmão – disse Jasper junto a eles -, sua esposa está quase como Deus a trouxe para o mundo. - Com um sorriso nos lábios, ofereceu a seu irmão maior uma manta para cobri-la e se afastou.

- E Rosalie? - perguntou Isabella, com a cara vermelha de vergonha.

Edward negou com a cabeça.

- Recebeu uma flecha, mas não sofreu.

- E Menzies?

- Já não nos incomodará mais.

Edward a envolveu na manta e a levantou em seus braços. Seus olhos escuros cativaram os dela, e elevando uma sobrancelha perguntou:

-Vê o que ocorre quando não me obedece?

- Jamais voltarei a te desobedecer - jurou Isabella, rodeando o pescoço com os seus braços.

Os lábios do Edward esboçaram um sorriso.

- Sabe tão bem como eu, querida, que mentir é um pecado tão grande como a desobediência.


Alguém me explica essa vontade absurda que a Bella tem de ser estuprada ou morta? Cara mais vai ser pé frio e sortuda (já que sempre se tem o maridão Edward pra salva-la). E que bom que o Edward sabe que tem que ficar sempre de olho na esposa encrenqueira kkkkkkkkkk

Bem Gente este foi e último cap. de Destinada a Ele, espero que tenham gostado.

E gente muito obrigada por cada recadinho deixado aqui, tanto critica quanto elogios (eu particularmente prefiro eles hihihihih)... Ate agora a maioria quer fic de épica, enquanto não posto uma fic nova deem uma olhada em minhas outra fics... espero que sejam do agrado de vocês.

Sábado que vem tem o epilogo...

Gente este é o Sly, sempre me esquecia de postar um foto dele, mais esta ai... www(ponto)russobras(ponto)com(ponto)br/fauna/images/raposa_10(ponto)jpg

Ate sábado que vem.