Todos dizem que com o tempo tudo passa. Com o tempo as feridas curam-se.

Bem isso é uma puta de uma mentira.

O meu nome é Haymich Abernaty e eu fui o vencedor do segundo Quarter Quell.

Eu tinha 16 anos quando fui chamado para o inferno. Naquele ano não eramos 24, eramos 48. 48 Criança que tinham de se matar até que uma saísse vencedora.
Eu fui o vencedor. Aquele que iria ficar com a glória e o dinheiro.

Mais uma puta de uma mentira.

Os jogos não acabam na arena. Oh não acabam nada.

Passado duas semana de sair dos jogos, o presidente Snow mandou matar as pessoas que eu amava. Tudo porque usei o campo de forças para ganhar.

Até aos 17 eu simplesmente trancava-me em casa, sem dormir, sem comer. Queria morrer. Mas encontrei o álcool. E descobri se estivesse bêbado não me lembrava. Não me lembrava da Maysilee, nem da morte dos outros todos.

Todos os anos era obrigado a treinar miúdos para morrer. Muitos deles nem duravam dois dias. E todos culpavam-me a mim. O Mentor bêbedo do distrito 12.

Eu não saio de casa pro várias razões, uma delas é que todas as ruas do distrito 12 trazem-me memórias. Mesmo bêbedo lembro-me da minha família. Se eu tivesse morrido nos Jogos eles ainda estavam vivos.

- Merda! – Gritei quando pisei uma garrafa de vidro partida. Não me lembro de a ter deixado ali. Hoje era o dia de escolher os novos tributos para a 74ª edição dos Hunger Games. Hoje era o dia que eu ia ver quais eram as crianças que iam morrer á mão da Capital. As crianças que iriam perder-se para sempre, as famílias que iam ficar destroçadas.

Então eu bebo mais. Mais do que sempre pois estou farto disto tudo. Estou farto de levar crianças á morte. Estou farto de ser um fantoche da capital.

- Haymitch! Levanta-te seu velho!

Olhei para a porta e vi a Effie Trinket, com a sua peruca de cor-de-rosa berrante.

- Só se me deres banho, querida! – Disse eu a gozar com a cara dela.

Ela mandou um grito horror e eu revirei os olhos.

Esta é a Effie para vocês.

- Este ano temos de trazer um vencedor, Haymitch!

Eu suspirei e lavei a cara.

- Devíamos fazer isso todos os anos, querida.

- Tenta pelo menos! –Ela pediu-me e virou-me para ela. – Desta vez tenta a serio…

Fiquei um tempo a olhar para ela e peguei numa garrafa.

- Tá.

Não disse mais nada e ela saio.

Ela não compreende que se eles sobreviverem tem a vida arruinada? Que se sobreviverem ou tem de viver como eu ou então tornar se um brinquedo da capital como o Finnick Odair?

Bebi um golo, e depois outro. E no final já iam 15 garrafas.

Mesmo com as 15 garrafas eu ainda ouvia os gritos dela. Ainda ouvia-a enquanto morria. E estava de volta a arena.

Não… Estou a contar-vos uma puta de uma mentira.

Tu nunca sais da arena uma vez que lá entras.