N/a: Sim, eu estou de volta. Sim, essa é uma fic nova. Rá!

Como estamos? Como foram as férias? As minhas foram.. *suspira* Maravilhosas. A terra da Rainha é linda demais, um sonho! E é tudo que eu posso dizer.

Fic nova no pedaço, mas apenas 3 capítulos. Seria uma one-shot, mas eu escrevo demais, então, né, 3 capítulos para vocês se deliciarem.

Obrigada a Line Lins, minha sis amada que mesmo doentinha betou essa primeira parte pra mim.

Deem boas vindas à Isabella ladra Swan. Vocês ainda vão ouvir muito sobre ela. ;)

Divirtam-se!


I told you, I was trouble

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"O Massacre dos Inocentes, de Peter Paul Rubens. Uma verdadeira obra-prima." disse a voz mergulhada em um orgulho faminto.

"É tão... intimidante. E linda." suspirou ela em um timbre doce, sereno, sem nunca desviar os olhos do quadro gigantesco pendurado com imponência na enorme parede cor de vinho.

"É também uma raridade." a voz orgulhosa sibilou. "E me custou nada mais, nada menos do que 80 milhões de dólares." fez questão de acrescentar em um sussurro que fez a pele macia arrepiar. Um sorriso lascivo pintou os lábios grosseiros, que pousaram sem o menor pudor no topo da nuca alva exposta, beijando-a de leve.

"Muitos pagariam o dobro, ou quem sabe o triplo para ter essa obra de Rubens." finalmente desviou o olhar da pintura a óleo valiosa, virando para sorrir em direção ao homem que a segurava pela cintura de forma possessiva. "Estou errada?"

"Pelo contrário, você nunca esteve tão certa." ele retribuiu o sorriso amplamente. "Acontece que nesse jogo, o dinheiro nem sempre é o primordial para conseguir o que se quer. Você precisa ser esperto. Ter bons contatos. Especialmente bons contatos."

"Como você conseguiu adquiri-lo?" os olhos da morena brilharam em curiosidade e admiração cega e isso fez com que o ego do homem inflasse como um velho balão de gás.

Oh, caríssima, você sabe como me conquistar...

"Não foi tão fácil quanto parece." ele soltou uma risada que tentou soar modesta, mas não passou de um ato falho. "Eu precisei literalmente rodar o mundo para ter essa beleza em minha coleção. E como todo colecionador é um viciado incurável, eu não sosseguei enquanto não a tive para mim."

"Imagino que tenha ido a muitos leilões até finalmente comprá-la..."

"Não sou o tipo de colecionador que adquire suas peças em leilões, minha cara. Sou um tanto quanto impaciente e quando eu decido uma peça que tenho em mente para minha coleção, aciono meus contatos e eles fazem o serviço para mim."

"Assim, tão simples?" ela rebateu, bebericando tranquilamente o champanhe fino que espumava na taça de cristal.

"Nem sempre é tão simples. E isso é justamente o que mais me dá prazer. A caça pela obra rara. A expectativa de ter o que eu quero ao meu alcance. E quando consigo, ah... não existe sensação melhor do que essa. A do triunfo." A voz voltou a emergir em uma soberba quase doentia.

"Qual peça tem em mente agora? Renoir? Van Gogh? Picasso?" ela questionou calmamente, remexendo na gravata italiana que adornava o pescoço engelhado do homem.

"Klimt." Exótico. Raro. Um desafio que já ocupava sua mente há quase um mês. Ele queria o Retrato de Adele Bloch-Bauer de Gustav Klimt e não descansaria até que o conseguisse.

E ele sempre conseguia o que queria no fim das contas.

"Um desafio e tanto. Suponho que no Natal terei que solicitar a Anna que chame o decorador para reformular o espaço da galeria, já que teremos uma nova obra."

"Ainda não é hora de ocupar sua linda cabecinha com isso." ele murmurou, curvando-se de leve para depositar um beijo na boca pequena que parecia feita de veludo à luz da penumbra. "Por enquanto, concentre-se em me preparar uma nova dose de uísque. Tive um dia difícil hoje, necessito relaxar."

"Vou cuidar bem de você, querido. Eu prometo." a doçura subserviente do timbre rouco pareceu excitar o velho homem e ele desabou na poltrona de couro para melhor observar o corpo curvilíneo caminhando em sua direção com um balançar suave de pernas e quadris. Deus, ela sabia como deixá-lo maluco!

Tão jovem. Tão doce. Tão macia. Tão habilidosa.

Sua pequena boneca de porcelana tinha rosto de anjo, mas olhos famintos como os de um demônio. E sempre cumpria tudo aquilo que prometia; isso o fascinava de uma forma inexplicável. Fazia-o enlouquecer apenas utilizando a experiência das mãos gentis e os lábios carmins.

Quando o sangue ferveu em seu corpo cansado e ele foi acometido por uma onda de prazer indescritível, notou que os olhos de seu anjo estavam suaves e brilhavam uma inocência quase pueril. Ah, ela era realmente uma deusa encarnada, digna da criação do mais talentoso dos pintores.

Sentiu vontade de guardar para sempre a imagem à sua frente. A da pele muito alva reluzindo à luz das velas espalhadas pelo quarto, salpicada pelo suor do esforço que ela fizera para lhe satisfazer, e do rosto de ninfa que agora exibia o sorriso de covinhas mais divino que ele já havia visto na vida.

Nem Da Vinci seria capaz de criar algo tão perfeito e belo como aquela mulher. E saber que ela era apenas dele proporcionava uma sensação quase tão boa quanto ao êxtase que ela havia lhe dado minutos atrás.

Ah, o que mais ele poderia querer na vida?

O Klimt, claro. Mas isso poderia esperar até o dia seguinte.

Naquela noite, ele só queria apreciar a obra-prima que repousava languidamente na cama enorme, olhando-o de forma doce, enquanto o corpo miúdo profanava o tipo de obscenidade que ele tanto adorava.

[...]

Ela não fez questão de ter pressa. Pelo contrário, quase nunca deixava que a ansiedade passasse perto de seu corpo, muito menos de sua mente.

Abriu o closet enorme e retirou o vestido que havia escolhido previamente para a ocasião. Terminou de fechar o zíper do decote no momento em que se equilibrou nos saltos finíssimos dos sapatos de sua grife italiana favorita. Sorriu satisfeita e puxou o casaco arrumado com cuidado sobre o braço da poltrona, caminhando a passos curtos em direção à porta e a fechando com um ruído quase inaudível. O homem gordo e velho que dormia esparramado na cama sequer percebeu que a morena pequena não estava mais ao seu lado.

Descendo às escadas com a calma de um monge, ela calçou as luvas de couro e prendeu os cabelos em um coque desarrumado, antes de seguir em direção ao parque de diversões do homem que ela tranquilamente chamava de marido. A galeria de arte de Aro Volturi ficava localizada no subsolo da mansão ostensiva na costa da Sardenha, onde eles moravam desde que haviam se casado. Fora uma cerimônia simples, até bonita, ela diria, não fosse pela idade avançada do homem em contraste com a jovialidade e beleza de sua noiva.

Ah, como foram tempos difíceis aqueles. Ela muitas vezes chegou a pensar que não conseguiria. Mas conseguiu. Como sempre.

Decidiu afastar os devaneios sobre os primeiros dias como senhora Volturi e passou a se concentrar em digitar o código que desativava o sistema de segurança que protegia o bem mais precioso de seu marido: a galeria de peças raras dos maiores pintores do mundo. Qualquer curador sentiria inveja e mataria quem quer que fosse para ter a honra de por os pés naquele lugar.

E lá estava ela, avançando com a graça de um cisne pelo salão de mármore polido da caverna recheada de quadros e esculturas tão famosas, quanto valiosas.

Parou em frente a mais nova peça da coleção de seu marido e lentamente permitiu que um sorriso escorresse por seus lábios, antecipando a graça do que estava prestes a acontecer.

O quão irônico era aquela cena?

Dez meses atrás, ela colocara as mãos na tela rara, após uma noite de trabalho árduo para conseguir entrar naquela maldita galeria em Moscou. Mas o risco que correra havia valido a pena, visto que ela lucrara quase dois milhões de dólares com o negócio.

Ela sabia muito bem que estava arriscando sua vida para pôr as mãos no quadro pela segunda vez e era por isso que ela havia aceitado a missão.

Pelo perigo. Pela adrenalina que o medo causava em seu corpo.

E pelo gosto da vitória que se instalaria em sua boca com os milhões a mais que estariam em sua conta assim que concluísse o negócio.

Quantos milhões a mais mesmo?

Não, ela nunca relevava o preço de seu serviço. Não enquanto seu trabalho ainda não estivesse totalmente concluído.

Pura superstição de sua parte, ela admitia.

Os dedos longos cobertos pelas luvas de couro agiram rapidamente no painel eletrônico de mais um sistema de segurança e ela suspirou cansada. Às vezes seu trabalho era tão fácil que tirava um pouco da graça de fazê-lo. Quer dizer, o quão patético era desarmar um sistema de proteção cuja senha era a combinação da data de seu aniversário e de seu casamento?

Seria pedir demais por um pouquinho de perigo?

Sem pressa, ela desprendeu a tela pintada a óleo da moldura revestida com lâminas de ouro e cuidadosamente a dobrou, colocando-a em um tubo para evitar qualquer dano. Era muito boa no que fazia e nunca havia danificado nenhuma peça em suas missões.

Com cuidado, voltou a acionar o sistema de segurança antes de seguir seu caminho em direção à saída da galeria, carregando dentro do casaco "O Massacre dos Inocentes" de Rubens. Consultou o relógio e soltou a respiração de forma aborrecida; seu voo para Genebra sairia em pouco mais de uma hora.

Ela precisava parar de divagar em suas missões e agir mais objetivamente. Não havia perigo algum para distraí-la, por que ainda insistia em caçá-lo?

Adrenalina. Ela sentia falta de ter a sensação de frio no estômago corroendo-a por dentro durante seu trabalho.

"Quem sabe da próxima vez, Swan?" disse para si mesma ao escapar da mansão silenciosa sem fazer qualquer esforço.

Talvez sua nova missão fosse na Rússia. Ou quem sabe em Nova York?

Sorriu por dentro, sentindo uma camada de arrepios tocando-lhe a pele.

Ela precisava de lugares realmente perigosos, sua abstinência de adrenalina estava a ponto de enlouquecê-la.

Enquanto dirigia pela estradinha de terra que dava acesso à mansão em que morara por um curto espaço de seis meses, ela formava um plano decisivo em sua mente astuta.

Nada de facilidade da próxima vez. Ela queria uma missão de verdade, algo que a fizesse sentir medo e revirar o cérebro em busca de solução.

Sem perigo, sem negócio fechado.

Essa seria sua regra a partir de agora.

[...]

"Eu não acredito que você não aceitou a proposta de Riley, Bella!" à sua frente, Jacob Black, seu amigo de longa data, a fitava de forma repreensiva, ao mesmo tempo em que silenciosamente questionava sua sanidade.

Talvez ela tivesse mesmo ficado louca ao recusar três milhões de dólares. Mas o dinheiro chegaria tão fácil em suas mãos. Quase tão fácil quanto seu último trabalho.

E ela estava cansada de facilidades. Ainda sentia falta do perigo crepitando em suas veias.

"Não valia a pena, Jake." limitou-se a dar de ombros, desinteressada. "Além disso, você não deveria me repreender e sim, agradecer. Você hoje é um homem três milhões de dólares mais rico." ele riu antes de virar um grande gole de cerveja garganta abaixo.

"Obrigado, generosa Isabella. Não há palavras para descrever minha gratidão por seu gesto tão benevolente."

"Cala a boca, cachorro!" foi a vez dela de sorrir, puxando a cerveja das mãos do moreno sentado à sua frente, em busca de um alívio para aplacar a secura de seus lábios.

"Você anda tão rabugenta ultimamente, Bella. Seu último caso foi um sucesso, todo mundo comenta o quanto você é boa no que faz. Sempre tão eficiente e perspicaz. A melhor de todas." fez uma careta diante do comentário do amigo.

"Nenhuma nota nos jornais, Jake. Sequer uma notinha de rodapé na porra de um jornal de quinta eu consegui." o moreno riu diante da revolta da baixinha de olhos de águia. "Ah, qual é?! Um quadro avaliado em 80 milhões de dólares some da merda de uma galeria de um dos colecionadores mais famosos da Itália e eu não consigo nem a droga de uma linha em um jornal qualquer comentando o caso?"

"Ouvi dizer que Aro pagou mais alguns milhões para abafar o caso."

"E colocou a polícia na minha cola, eu sei disso também."

"Metade da máfia italiana está à sua procura e você está preocupada com a merda de uma notícia em um jornal. Que porra é essa que você anda fumando, Isabella?" Jacob perguntou encarando-a de forma espantada.

"Jake, eu já escapei duas vezes da máfia russa, então acho que posso me livrar de meia dúzia de carcamanos imbecis."

"Só toma cuidado com seu próximo caso, ok? Tente não procurar uma encrenca desnecessária." ela suspirou diante das palavras do amigo e empurrou de volta a cerveja que pertencia a ele.

"Deixe-me perguntar uma coisa, Jacob: há quantos anos somos amigos?" ele franziu o cenho diante da questão e Isabella o notou fazendo alguns cálculos mentais.

"Dez? Onze anos?"

"Doze anos, Jacob." Bella o corrigiu sorrindo gentil. "E você já deveria saber, convivendo há doze anos comigo, que eu tudo que mais faço na vida é procurar por encrenca."

"Tem muita gente na sua cola, Bella. Você tem muitos inimigos espalhados pelo mundo inteiro."

"Qual ladra não tem, Jacob? Não se preocupe comigo. Eu sei me cuidar muito bem."

"Qual sua próxima missão?"

"Segredo." Ela lhe deu uma piscadela e levantou-se da mesa do pequeno pub localizado em um bairro bem central de Madrid, lançando ao amigo um sorriso doce.

"Vai me dar notícias ou vai sumir como da última vez?"

"The New York Times." ela abaixou-se para beijar o rosto moreno do amigo, ainda com o riso meio ingênuo dançando em seus lábios. "Sugiro que você faça a assinatura do jornal o quanto antes. Garanto a você que ele lhe dará notícias minhas diariamente."

E com a graça que pertencia somente a ela, Jacob observou Isabella desaparecendo no meio da multidão pelas ruas abarrotadas de Madrid.

[...]

Os saltos finíssimos dos Louboutins que ela calçava riscavam o chão de linóleo do salão, ao mesmo tempo em que anunciavam sua presença; seus lábios se retorceram em um riso suave assim que os olhos encontraram a figura conhecida, sentada em uma poltrona de couro caramelo.

"Isabella Swan, que prazer em revê-la."

"Como vai, Carlisle?" ela retribuiu o cumprimento do homem polidamente. Ele fez um gesto apontando para que sentasse em uma cadeira à sua frente e ela, de forma obediente, aceitou.

"Sei que você não gosta de muitos rodeios, por isso serei direto: tenho uma missão para você."

Isabella sentiu um fio de arrepios transitando pela linha de sua coluna lentamente. Carlisle Cullen era o dono de uma das maiores galerias de arte de Nova York, além de curador do Museu de Arte da cidade. Era também um colecionador de obras raras. E o chefe da quadrilha que arquitetava os maiores roubos de peças de arte do mundo, a qual, Isabella fazia parte. Ela não gostava daquela palavra, quadrilha, soava como se o grupo para o qual trabalhava não passasse de um bando de ladrões comuns.

E eles podiam ser tudo, menos comuns.

"Seu último marido deve ter comentado algo sobre o Retrato de Adele Bloch-Bauer, de Klimt, não?" Carlisle questionou, a trazendo de volta ao presente.

"Vagamente. Tudo o que sei era que Aro estava a ponto de enlouquecer em busca desse quadro."

"Todos nós, minha querida. Essa peça vale nada mais, nada menos do que 300 milhões de dólares."

"Isso está começando a soar interessante."

"Imaginei que você gostaria de saber um pouco mais sobre esse caso. Mas alerto a você de que não será fácil." Carlisle se levantou e deu as costas para Isabella, observando a manhã chuvosa daquela segunda-feira. Seu escritório ficava localizado em um prédio luxuoso na quinta avenida em Nova York e possuía uma vista privilegiada da cidade. "Essa é a corrida do ano. Muito dinheiro está envolvido e muita gente está atrás do mesmo objetivo que o nosso."

"Mas você sabe que eu posso conseguir essa peça sem fazer muito esforço, não sabe?" o timbre determinado de Isabella fez Carlisle sorrir de satisfação.

"Não tenho dúvida alguma de sua competência, Bella. Mas essa é realmente uma missão muito arriscada. E perigosa."

"Minhas duas palavras favoritas. Me dê esse caso, Carlisle, eu prometo que nós vamos vencer, exatamente como todas as outras vezes."

"O caso é seu, minha querida." ele afirmou, fazendo-a sorrir de alegria. "Uísque?" perguntou ao se aproximar do mini bar localizado no canto esquerdo de sua ampla sala iluminada com requinte.

"Puro, por favor." Bella respondeu, finalmente levantando-se. Sentia-se ansiosa, louca para começar mais um caso, que prometia ser o mais arriscado de sua vida. Ela mal via a hora de iniciá-lo. "Quando começarei?"

"Ainda hoje." Carlisle disse, entregando-lhe o copo com a bebida que ela pedira. "Assim que Edward chegar." Ela só se deu conta de que tinha derrubado metade do uísque em seu vestido quando sentiu o líquido escorrendo por suas pernas.

"E-edward? Edward Masen?" sua voz soou estranha até para seus próprios ouvidos. "Você só pode estar brincando comigo, Carlisle!"

"Eu disse que essa era uma missão importante, Isabella. Os melhores estão à caça desse maldito quadro e eu pretendo tê-lo em minhas mãos muito em breve. Portanto, quero os melhores trabalhando para mim."

"Você está me ofendendo desse jeito, Carlisle. Sabe muito bem que posso cuidar dessa missão sozinha." Bella redarguiu aborrecida, jogando o copo de uísque de qualquer jeito sobre o tampo da mesa de madeira bem trabalhada.

"Você já me deu provas do que é capaz de fazer, minha querida. Mas esse caso requer muito mais cuidado do que você possa imaginar. Além disso, Edward é tão esperto quanto você. Tenho certeza de que farão uma bela dupla. Não tenho dúvidas de que o Klimt estará nesse escritório em menos tempo possível."

Bella abriu a boca para retrucar, porém foi calada pelo som dos passos firmes do ser mais irritante da face da Terra. Lançou seu melhor olhar aborrecido em direção ao homem que agora cruzava o escritório de Carlisle carregando no rosto um sorriso arrogante que a fazia fervilhar de raiva por dentro. Ele a fitou de forma breve, mas nada discreta, deixando claro que estava se divertindo ao vê-la claramente desgostosa com a nova notícia.

Canalha maldito!

"Carlisle," ele sibilou, estendendo a mão para cumprimentar o outro homem. "Isabella..." sorriu, abaixando-se para beijá-la no rosto de forma íntima. Sentiu vontade de socá-lo, mas apenas enterrou as unhas nas palmas como uma tentativa frustrada de se acalmar. Sem conseguir esconder seu desgosto diante da presença de Edward, Bella voltou a se sentar na cadeira, soltando um suspiro aborrecido.

"E então, quando vamos começar o show?" ao ouvir o tom animado de Edward, Bella quis gritar de agonia.

Ela havia pedido por um pouco de adrenalina em seu próximo caso, só não contava com a dose extra de irritação que havia ganhado em troca.

[...]

"Vamos lá, me diga seu preço para cair fora dessa missão. Eu o pago." a morena baixinha rosnou, os olhos flamejando de raiva.

Ao primeiro olhar, Isabella Swan aparentava ser uma mulher frágil e doce; tinha as feições lindamente delicadas. Rosto de coração, pele muito branca e aveludada, nariz afilado e pequeno, uma boca desenhada e miúda. Mas bastava fitá-la com um pouco mais de atenção para entender que ela era o típico lobo em pele de cordeiro.

Os enormes olhos amarronzados eram capazes de matar com apenas um piscar dos cílios espessos; e os lábios de um sorriso ingênuo poderiam destilar a mais longa ladainha de palavrões que deixaria o mais bruto dos marinheiros zonzo. Aquela mulher sabia agir como um anjo quando deveria, assim como mostrava suas garras de demônio no segundo seguinte. Ela era um perigo sobre saltos.

E ele adorava esse tipo de perigo.

"Minha linda Isabella, você sabe tão bem quanto eu que isso aqui não é apenas pelo dinheiro. Eu quero vencer essa merda de jogo. E sei que você também quer." Edward respondeu, bebericando o excelente vinho francês que havia escolhido para acompanhar seu jantar com Isabella.

"Muito bem, já que você não quer facilitar, vamos às regras." ela rebateu, desafiadora.

"Desde quando temos regras, minha querida?" Edward questionou debochado, recebendo como resposta um olhar frio de desprezo de Isabella.

"Em primeiro lugar, eu não recebo ordens. Em hipótese alguma, portanto nem ouse." respondeu afiada, fitando-o com firmeza. "Segundo, nunca tente ferrar comigo, ouviu bem? Se eu sonhar que você está tentando me passar a perna, eu juro que te caço até no inferno se for preciso. E terceiro: eu não sou sua querida."

"Direta." Edward limitou-se a dizer, a face atraente nunca perdendo o sorriso sacana que fazia Isabella fervilhar de raiva internamente. "Carlisle me disse que você era uma pessoa agradável, só não sabia que era tanto assim." Ele notou que o rosto de coração de Isabella estava prestes a explodir de ira. "Não se preocupe, eu sou fiel aos meus negócios. Enquanto esse caso durar, você tem minha lealdade, querida." acrescentou de propósito, apenas para irritá-la.

Ele gostava do tom rosado que a pele de pêssego ganhava quando Isabella estava com raiva.

"Carlisle pediu para que eu a entregasse isso." trocou de assunto rapidamente, para acalmar o ânimo furioso de Isabella e estendeu-lhe uma pasta preta. "É um dossiê da família Denali. Algo como o tempo em que o Klimt pertence à família, assim como o histórico deles como colecionadores de arte. Nada muito interessante, mas possivelmente muito útil."

Isabella puxou a pasta com força e ergueu-se em um salto, dando as costas para Edward sem pronunciar uma vírgula sequer. Desapareceu do restaurante em um átimo, deixando para trás os vestígios de seu ódio e o cheiro inconfundível de seu perfume.

"De nada, minha querida." Edward retrucou sorrindo e bebeu um longo gole do vinho raro. E caro.

Isabella Swan era o seu tipo favorito de problema. E ele não via a hora de ir um pouco mais fundo naquela encrenca.

[...]

"O nome dela é Tanya Denali. 27 anos, formada em Arte pela Universidade de Oxford. Recém-separada e burra o suficiente para se casar com um viciado em jogo que quase a deixou na miséria. Uma presa extremamente fácil para você." Isabella falou em um tom carregado de ironia e jogou um envelope cor de areia sobre a mesa onde Edward calmamente trabalhava em seu notebook. Ele desviou os olhos da tela do computador e abriu o envelope, retirando as fotos de uma loira pouco atraente. Magra demais. Peituda demais. E, pelas palavras de Isabella, burra demais.

Não teria graça nenhuma.

"Conseguiu alguma outra informação sobre o restante da família?" ele perguntou, observando Isabella sentar-se na ponta do sofá de couro no lado oposto da antessala.

"Pouca coisa. Eles são influentes na Inglaterra e o quadro está na família desde o início dos anos 50. Ninguém sabe como ele foi parar nas mãos dos Denali e agora, a convite do Prefeito da cidade, eles concederam o empréstimo da peça para a exposição inspirada na obra de Klimt. Ficará no MoMA¹ por pouco mais de duas semanas."

"Um tempo razoável. Conhece o esquema de segurança do museu?" ele perguntou sério e ela o respondeu com uma risada alta.

"Carlisle nunca lhe disse nada a meu respeito, Edward? Fui eu quem ajudou a planejar a atualização do sistema de segurança do museu. Conheço cada código e cada pequeno feixe de laser que protege aquele lugar como a palma de minha mão."

"Astuta. Carlisle sempre me disse que você era a melhor, mas acho que a subestimei demais." ele disse e Isabella revirou os olhos, de maneira entediada.

"A peça chega ao país na semana que vem. Podemos interceptá-la no saguão do aeroporto, se quiser."

"Seria a opção mais racional, porém, que diversão teríamos? A brincadeira acabaria tão facilmente e eu não teria a chance de demonstrar o quanto sou bom no que faço."

"Pouco me importa se você é bom ou não, desde que faça seu trabalho e não atrapalhe o meu. Mas concordo que estaríamos agindo muito rapidamente e não haveria a menor graça. Dessa forma, sugiro que bolemos um plano."

"Minha querida, eu já tenho um." Edward caminhou em direção à Isabella e parou à sua frente. "Se importa?" perguntou apontando para o espaço vazio no sofá onde ela estava sentada.

"Vá em frente."

"Confia em mim, Isabella?" Edward questionou, puxando o Ipad que estava guardado dentro de sua pasta de couro italiano.

"Nem um pouco." Ela respondeu e isso o fez sorrir. "Mas estou disposta a ouvi-lo. Me surpreenda, Masen."

"Como quiser, minha querida."

[...]

"Mas que porra é essa que você está fazendo, Masen?!" Isabella rosnou ultrajada em um fio de voz, afastando o rosto de Edward quando ele tentou mais uma vez fisgar seus lábios em um beijo faminto.

"Você deveria parecer uma mulher apaixonada. Afinal, somos um casal que acabou de voltar da lua de mel no Japão." Edward apertou ainda mais o laço que seus braços formavam ao redor da cintura de Isabella, garantindo que ela não escaparia. "À propósito, minha querida, é Johnson e não Masen, lembra?"

"Foda-se!" ela respondeu aborrecida, mas passou as mãos pelo pescoço dele, sorrindo-lhe de maneira tranquila.

Eles estavam na porta do Museu de Arte Moderna de Nova York, desempenhando os papéis que começaram a ser desenhados há pouco mais de uma semana. Isabella ainda não conseguia entender como havia deixado Edward convencê-la a embarcar naquele plano idiota, mas já não tinha mais saída.

Era tarde demais para voltar atrás.

"Já disse que você fica linda falando palavrão, senhora Johnson? E com esses cabelos ruivos então... ah..." Edward a provocou, passando a ponta do nariz em seu pescoço de leve, causando-lhe um arrepio involuntário. "Continue assim, você está se saindo muito bem, minha querida."

Eles agora eram Eric e Sarah Johnson, um casal de colecionadores que havia emprestado duas obras pouco valiosas de Klimt, para a exposição baseada na vida artística do famoso pintor, em prol do incentivo à cultura e às artes na cidade Nova York. Como todos os colaboradores, foram convidados para o jantar de inauguração da exposição no museu de arte moderna.

O objetivo da noite era simples: uma curta e rápida aproximação a Tanya Denali, a chave para que o plano que tinham começado a por em prática alcançasse o êxito. Bella arriscaria uma amizade com a loira, mas seria Edward quem a conquistaria de vez.

"Nossa menina acabou de chegar." Bella retrucou sorrindo, apontando com os olhos para a mulher vestida em um traje dois números menores do que o adequado, usando uma maquiagem forte demais para seu tom de pele e um penteado deveras antiquado.

"Ungh!" Edward fez uma careta de desgosto e acabou arrancando uma gargalhada sincera de Isabella. "Tem certeza de que não quer fazer isso, senhora Johnson? Nossa menina pode ser chegada em algo mais exótico?"

"Adoraria, mas ela não faz meu tipo. Portanto, trate de agir, senhor Johnson." Isabella respondeu, ficando na ponta dos pés para beijar o rosto de Edward, porém no mesmo segundo, ele virou-se e os lábios de ambos encontraram-se de maneira não planejada.

Bella poderia jurar que sentira uma espécie de formigamento estranho na boca, como se ela estivesse momentaneamente anestesiada, porém não teve muito tempo para pensar no assunto, já que Edward agora seguia em direção à presa de sobrenome Denali.

Eu espero que você não estrague tudo, Masen.

Ela sabia que ele conseguiria o que haviam planejado, mas ainda assim se recusava a aceitar o fato de que ele era realmente bom naquilo que fazia.

E se dependesse dela, nunca admitiria aquilo.

[...]

Obras citadas no capítulo:

* O Massacre dos Inocentes - Peter Paul Rubens: imgs . obviousmag archives / uploads / 2007 / 2007082500 _ blog . uncovering . org _ 496 . preview-tm. jpg (retirem os espaços)

*Retrato de Adele Bloch-Bauer - Gustav Klimt: imgs . obviousmag archives / uploads / 2007 / 2007082500 _ blog . uncovering . org _ 494 . preview-tm . jpg

¹: MoMa – siga para The Museum of Modern Art (Museu de Arte Moderna de Nova York)


Curiosas? Suponho que sim.

Sim, os dois são ladrões de obras raras. Sim, essa Bella é bem diferente das que eu já escrevi, acostumem-se com isso. Edward idem. Teorias? Me deixem saber!

Essa é a primeira parte, a segunda estará disponível pra vocês na terça-feira. Ou antes, dependendo de como será a reação de vocês à essa primeira parte. Reviews são bem vindas e fazem bem à autora.

Spoiler do que vem por aí estará no email de quem deixar review. Quem deixar review anônima e quiser ganhar spoiler, basta deixar o email aqui que eu mando. Segue exemplo: nome (arroba) email (ponto) com (ponto) br

Digam o que acharam, estou ansiosa para saber a reação de vocês!

A gente se vê logo, logo!

Beijo, Cella.