N/A: Em primeiro lugar, me desculpem. Eu sei que demorei mais tempo do que imaginava para postar esse capítulo, mas eu tive meus motivos. Um deles foi devido ao projeto da one-shot oculta que eu e muitas autoras do fandom estão participando. Meu plot estava me enlouquecendo eu não estava conseguindo me concentrar em outra coisa que não fosse isso. Por causa desse pequeno problema, eu não consegui sequer pegar o arquivo de ITYIWT para digitar. Mil desculpas.

Mas como quem é vivo, sempre aparece, aqui estou eu, com um capítulo enorme e cheio de coisas novas para vocês se deliciarem! Portanto, preparem-se!

Um big obrigada à minha sis, Line Lins, que além de ser minha irmã gêmea perdida dos confins de Pernambuco, é uma beta maravilhosa, que fica me xingando pelo celular quando eu escrevo certas cenas baseadas nos gifs e vídeos que ela me manda. Vocês vão entender do que eu estou falando no fim desse capítulo!

Falando nisso, caso alguém não entenda o título dele, aqui vai a explicação; o trecho também é da música da Amy e a tradução é a seguinte: "Você me arrasa como Roger Moore". Roger Moore, a titulo de curiosidade, é um personagem de uma antiga série policial inglesa. O personagem era um agente secreto e é um clássico da tv da Inglaterra.

Recadinhos dados, fiquem com o capítulo.

E ah, muito, muito, muito, muito obrigada por tantas reviews e elogios! Sem vocês isso aqui não seria nadinha.

Divirtam-se, mwah!


You tear me down like Roger Moore

#

A fumaça que escapava dos lábios de Edward era tão cinzenta quanto as nuvens pesadas de chuva que encobriam o céu da cidade naquela manhã fria de outono. Não passava das seis, mas ele simplesmente não conseguia pregar os olhos; sua mente estava inquieta, trabalhando a níveis torturantes e ele podia jurar que a qualquer momento sua cabeça iria explodir.

Exaustivamente, ele se pegava tentando recolher as lembranças do dia anterior, como se temesse esquecer algum pequeno fato que poderia fazer a diferença, entretanto, seus pensamentos insistiam em traí-lo, embrulhando o cérebro em um manto de imagens cujo tema principal era somente um: Isabella Swan.

Aquela mulher o tirava do sério como nenhuma outra pessoa jamais fizera; ela o enlouquecia e despertava em Edward o que havia de pior dentro dele.

Ele sentia vontade de derrubá-la, nocautear aquela prepotência que mantinha o queixo sempre empinado e os olhos firmes da morena brilhando lividamente; desejava domá-la com tanta força que nem ele próprio era capaz de entender. A sensação que tomava conta de seu corpo quando Isabella Swan surgia à sua frente era algo espantoso.

Na noite anterior não havia sido diferente. A mulher pequena e tempestuosa o enervara, graças ao seu gênio difícil e altivo, porém, no fundo Edward sabia que ela estava cavando sua própria cova e quase se enterrou nela, não fosse por ele.

Sim, ele a salvara. Não porque deveria. Não porque queria. Mas sim porque aquela era a única forma que ele tinha de laçar Isabella Swan e colocar a si mesmo no topo da batalha que eles travavam desde o primeiro segundo em que se viram.

Antipatia à primeira vista. E um desejo fulminante que literalmente o fez perder a cabeça.

Isabella Swan, Isabella Swan, Isabella... mas que droga! Ele precisava mais do que nunca se concentrar na sua missão de roubar o Klimt e se ver livre de uma vez por todas da presença perturbadora e da maldita insolência daquela mulher.

A pergunta é: ele realmente queria isso?

Imediatamente sentiu seu cérebro lhe pregando mais uma peça, como um diabinho atentado espezinhando sua sanidade, jorrando uma leva de imagens da morena espetacular.

Seus olhos nunca perdendo a conexão com os dele, enquanto ele – como um animal – invadia o corpo sinuoso, revelando gemidos e aquela vontade urgente de ser arremessado contra um fogo alto demais. Isabella era macia, suave e tinha uma falsa delicadeza que era sua maior artimanha – e que deixou Edward a ponto de sufocar de tanta excitação. Com ela nada poderia ser cuidadoso ou comedido.

Ela gostava da rudeza. Dos movimentos bruscos. Dos lábios se chocando contra os seus sem pedir permissão, extorquindo-lhe beijos impiedosos e grunhidos forçados contra a língua que era tão esperta quanto afiada.

Aquela mulher era um furacão. Por onde suas mãos passavam, arruinavam absolutamente tudo que estava em seus caminhos.

E Edward adorava isso.

Com o timming perfeito, Isabella surgiu à sua frente – pronta para varrer para longe todo e qualquer delírio que ele estava tendo à luz fria da manhã. O corpo magro que escondia curvas perigosas agora se movia sem pressa em sua direção; ela mancava ligeiramente e tinha pequenos pontos roxos manchando a pele clarinha de suas coxas, ele pôde notar de imediato, porém os olhos ariscos permaneciam os mesmos. Espertos. Ferozes. Matadores.

Perigosa.

Ele precisava relembrar ao seu cérebro o quanto Isabella Swan era nociva aos seus planos.

"E então, Masen," ela anunciou estancando à sua frente, as costas apoiadas no parapeito gelado da sacada. "Acho que você me deve algumas explicações sobre ontem. Por que não me conta como bancou o herói e me salvou?" a camisa fina que Isabella vestia mal cobria as pernas delgadas e ele tragou com mais vontade o cigarro ao ter um breve vislumbre da faixa que ela usava na coxa com a faca russa. Sexy demais.

"Bom dia para você também, Isabella..." ele cantarolou, enterrando o filtro do cigarro no cinzeiro ao seu lado. "E não, eu não devo explicação alguma a você. Salvei sua vida, isso já não basta? Você deveria me agradecer por isso."

"Tenho certeza de que o agradeci suficientemente bem ontem à noite." ela rebateu cortante. Os olhos de mogno estavam mais uma vez segurando os dele, duelando naquela fria batalha tão típica de ambos. "Mas você não vai me enrolar, Masen. Tirou-me daquela merda de lugar por interesse e eu exijo saber como fez isso."

"Digamos que eu estava na hora e lugar certos. Contente-se com isso."

"Como conheceu Caius?" Isabella perguntou, ignorando o que Edward havia acabado de dizer.

"Exatamente como você. Por favor, Isabella, somos ladrões e Caius é um homem rico e inescrupuloso para quem nós dois já trabalhamos. Fim da história." ele zombou, quebrando o contato visual ao voltar para dentro do quarto. Não se espantou quando ela o seguiu. "Pensei que você fosse mais esperta."

"Está se achando o fodão dessa história toda, não é? Oh, como você é bobo, Masen." Isabella sorriu e se aproximou, dedilhando a gola da camisa escura que ele vestia. "O que foi, ficou com tanto medo de me perder que saiu correndo para me salvar como um príncipe idiota dos contos de fadas? Isso é tão típico de você!" ela ironizou e ele foi obrigado a rir de forma debochada.

"Alguém aqui tem que bancar o leal em prol do sucesso dessa merda de missão, não é mesmo?" rebateu ele arqueando uma sobrancelha de maneira provocante.

"Absolutamente! E eu acho que você deveria comprar sua vaga no Paraíso quando tudo isso terminar." ela retrucou certeira como uma flecha. "Vamos deixar algumas coisas claras por aqui, Masen. Primeiro, eu não preciso da porra da sua ajuda para resolver meus próprios problemas. Posso muito bem cuidar de mim mesma, portanto, não se intrometa."

"Sempre tão educada..."

"Segundo, eu não roubei ou tentei passar a perna em você, apenas achei que precisava me inteirar um pouco mais sobre Tanya e a merda daquele quadro."

"Claro." Edward zombou com um sorriso enviesado e canalha. O olhar altivo que ela sustentava no rosto perfeito serviu para mandar para longe a paciência que ele ainda permitia ter dentro de si. "Foda-se, Isabella, você e eu sabemos que esse foi seu objetivo desde que descobriu que teria que trabalhar comigo nessa porcaria de caso. Você sempre quis me ferrar! E não negue, porque eu sei que você entregou a porra do pen drive para os capangas do Caius."

"Você é patético." ela sibilou rindo. "Acha mesmo que eu apanharia daquele velho caquético sem revidar nem um pouquinho? Oh, querido Masen, você definitivamente não me conhece."

Ele ficou calado, apenas observando Isabella puxar sua mão esquerda e apertá-la contra o Iphone até senti-lo seguro entre seus dedos. Quando ele não fez menção de se mexer, ela se equilibrou nas pontas dos pés e aplicou dois selinhos em seu queixo barbudo, sorrindo com ingenuidade barata.

"Todos os arquivos sobre Tanya e o quadro estão aí, pode ficar com o celular quanto tempo precisar." disse abanando os cílios espessos de um jeito doce. Ela parecia tão meiga, tão delicada. "Deixe-me contar um segredinho: não foi nada difícil alterar esses documentos. Alguns números embaralhados, palavras trocadas e voilá, estavam prontos. Não se preocupe, James e Laurent vão ficar bastante tempo ocupados, tentando descobrir mais sobre o Klimt. E essa vai ser a nossa chance de colocar as mãos nele e terminar de uma vez por todas com essa palhaçada de missão."

Ela havia conseguido de novo. Surpreendê-lo. Deixá-lo sem palavras e totalmente boquiaberto.

Aquela mulher era um demônio. E agora, mais do que nunca, deveria ser mantida ao seu lado no jogo.

Ela era sua maior adversária no momento e era sua obrigação manter toda atenção voltada para cada passo que Isabella daria a partir de agora.

"Nunca questione o meu compromisso ou a minha lealdade em uma missão, Masen." ela apontou, olhando-o com firmeza. Havia um fio de raiva escorrendo de suas palavras através dos lábios ainda machucados. "Carlisle nos contratou para conseguirmos a droga daquele quadro e assim nós o faremos." ele sentiu vontade de rir.

Tão convincente...

"Até que enfim estamos de acordo em algo." Edward sibilou com um leve toque de ironia na voz e Isabella riu antes de tomar os lábios dele em um rápido selinho.

Ainda com a boca parcialmente colada a dele, ela sussurrou:

"Só mais duas coisinhas: eu transei com você porque quis." o timbre estava mais rouco do que o normal e isso provocou um leve arrepio que se alastrou pela coluna dele. "E ah, eu definitivamente não recebo ordens. De ninguém. A menos que eu queira." e dizendo isso, Isabella encerrou a conversa, retornando pelo caminho que a levava ao seu quarto, imprimindo em Edward uma vontade imensa de sorrir.

"Ah, minha linda Isabella, então pode apostar que você vai querer." ele falou para si mesmo, sorrindo torto enquanto a observava bater a porta atrás das costas, ignorando-o. "Ou eu não me chamo Edward Masen."

[...]

Ele não confiava nela.

Desde o primeiro instante em que ouvira o nome de Isabella Swan ser mencionado em uma conversa que tivera com Carlisle, Edward soube que ela significava problema. A mulher de aparência frágil tinha um extraordinário poder de conseguir tudo aquilo que queria apenas com um olhar e meia dúzia de palavras doces.

Na manhã do dia anterior, assim que descobriu que tanto Isabella quanto o pen drive que continha informações sobre Tanya Denali e seu almejado Klimt haviam desaparecido, Edward irrompeu hotel afora – cego de raiva por ter se deixado enganar por um par de pernas quentes como o inferno. Varreu Nova York à procura da morena pequena e arisca, a ira por ela aumentando a cada segundo que sua caçada falhava.

Quem ela pensava que era ao ludibriá-lo daquele jeito?

Edward iria esganar aquele pescoço esguio assim que pusesse as mãos em Isabella. Ele nunca sentira tanto ódio por alguém quanto naquele momento; sabia que quando a encontrasse – e ele iria encontrá-la nem que para isso tivesse que ir ao Inferno – não seria capaz de se controlar.

Isabella não fazia ideia da fera que havia despertado nele.

Passava das 6 da tarde quando ele recebeu o telefonema de James, um pseudo-ladrão com o cérebro do tamanho de uma ervilha, informando que Isabella estava no escritório de Caius e que o mesmo – um velho italiano colecionador de quadros raros – requisitava sua presença em uma reunião.

Então ela estava bancando a coringa naquela droga de caso. Mas que merda, como ele não havia percebido isso antes?

Coringa era o apelido que um ladrão ganhava quando trabalhava para mais de um colecionador em uma missão. Como a carta especial de um baralho, um coringa poderia dar o poder de ganho para um jogador, dependendo do momento em que fosse utilizado. Na prática, aquele intitulado dessa forma se encarregava de roubar um quadro de alto valor no mercado de obras de artes e o entregava ao comprador que oferecesse a maior recompensa.

Como eu não percebi isso nela?, ele repetia a si mesmo, ardendo de ira e por ter sido tão estúpido.

Estava mais do que óbvio que Isabella nunca seria fiel àquela missão, cujo quadro mais valioso e cobiçado pelos maiores colecionadores do mundo estava em vista. Carlisle deveria ter percebido que a morena não era de total confiança e por isso o contratara, esperando que ele virasse o jogo e usasse as habilidades dela a seu favor, porém – como todo homem cego e ignorante – Edward se deixou ceder pela sedução eficiente da morena e agora estava ferrado.

Completamente fodido.

Como um jato, ele cruzou a ilha de Manhattan em direção ao afastado bairro do Queens, sem ter a mínima noção do que diabo estava acontecendo. Ele só tinha uma certeza: a de que Isabella estava bastante encrencada.

Que Deus a protegesse da raiva que ele sentia dela naquele momento.

Edward constatou o que suspeitara assim que cruzou o escritório escuro de Caius e percebeu que o velho homem de aparência esquisita estava segurando o pen drive com as informações sobre Tanya Denali em uma das mãos muito engelhadas. Foi aí que notou que havia algo estranho naquele lugar; virou-se e seus olhos encontraram Isabella jogada em um canto como um saco de ossos. Estava desacordada e amarrada em uma posição dolorida até para o mais flexível dos contorcionistas.

Edward descobriu que Isabella – em seu ímpeto feroz – recusara-se a informar ao velho colecionador quem também havia contratado seus serviços no roubo do Klimt, deixando o homem muito irritado. Caius exigira saber quem era seu concorrente na disputa pelo Retrato de Adele Bloch-Bauer, entretanto, a morena – desempenhando seu papel de coringa com perfeição – selara seus lábios e não pronunciara uma palavra que denunciasse quem tinha a convocado para esse caso.

Como resultado de sua malcriação, ela recebera um castigo, que acabou se transformando em uma tortura, visto que ela mesma havia pedido por isso em forma de provocações afiadas. Tanto Caius, quanto seus capangas sabiam que Edward estava trabalhando em conjunto com Isabella naquela missão. Não foi difícil encontrá-lo e trazê-lo ao encontro de sua parceira de língua cortante.

"A vadia que você chama de parceira não quis me dizer para quem e por quanto vocês estão trabalhando no caso do Klimt." Caius explicou de maneira tranquila para Edward, lançando um olhar de desprezo em direção ao corpo inconsciente de Isabella.

"E por que isso interessa tanto a você?" Edward respondeu, tomando cuidado para manter a voz em um timbre seguro.

"Muito simples: qualquer que seja o valor que ofereceram a você eu estou disposto a dobrá-lo. Pago o preço que for para ter esse quadro em minhas mãos."

"Uma proposta tentadora..." ele murmurou, surpreso ao ouvir a risada grosseira de Caius.

Se Isabella poderia bancar a agente dupla, então, bem, ele também poderia. E eles veriam quem no final sairia vencedor naquele duelo.

"Sou um homem muito generoso quando quero, Masen. Uma pena que sua amiguinha aqui não soube aproveitar a chance de tirar vantagem de um belo negócio."

"Digamos que eu aceite esse seu acordo, quanto vou lucrar?"

"Faça seu preço, Masen." Caius disparou rapidamente. "Você é esperto e nenhum dos imbecis que trabalham para mim terão capacidade de roubar o Klimt. Portanto, eu estou abandonando o campo de batalha, desde que você me traga o que eu quero. E eu quero a porra daquele quadro!"

"E se eu não concordar?"

"Muito fácil." Caius respirou fundo, correndo os olhos pelo rosto machucado de Isabella. "A mocinha ali morre. E então, Masen, temos um acordo?"

[...]

Edward estava tão concentrado recuperando a pasta de documentos sobre Tanya Denali do celular de Isabella, que só se deu conta de que a morena estava ao seu lado quando sentiu os dedos pequenos empurrando a tampa de seu laptop, quase esmagando suas mãos.

"Temos que ir" ela afirmou calmamente, encarando-o com firmeza.

"Posso saber para onde, minha querida?" ele perguntou, analisando-a de forma descarada.

Isabella ficava... diferente quando encarnava Sarah, sua personagem na missão; o vestido de cor clara e corte clássico a deixava com um ar romântico que parecia fazer um par perfeito com o rosto de coração. Os hematomas próximos ao seu olho direito haviam sido cuidadosamente escondidos pela maquiagem cara, assim como o pequeno corte nos lábios – que estavam tingidos de uma cor vermelha bastante intensa. As joias que adornavam seu colo e orelhas eram pequenas e nem um pouco extravagantes, do tipo que alguém como Tanya Denali usaria. A peruca ruiva estava solta e caía sobre os ombros femininos de um jeito nada artificial.

Isabella Swan sabia como se disfarçar e ainda assim parecer o mais natural possível. Ela tinha vários tipos e faces. E Edward estava cada vez mais fascinado por todos eles.

Até onde aquela mulher seria capaz de ir por uma missão?

Ele sabia; ela iria até o fim do mundo, desde que isso significasse que no final, a ganhadora seria ela. E agora – sabendo de real faceta de Isabella – Edward iria utilizá-la a seu favor.

Eles veriam quem afinal levaria o quadro e a tão ansiada recompensa para casa.

"Tanya acabou de ligar, convidando Sarah e Eric para um almoço no Village. É a sua chance de passar um tempo com a nossa menina." ela murmurou, sorrindo doce para ele.

Não esperou por uma resposta de Edward. Afastou-se, já pegando a bolsa e se dirigindo para a saída do quarto. Ele apenas soltou uma risada de incredulidade diante da insolência da morena, porém decidiu que daria uma trégua àquela guerrinha idiota de ambos. Tinham assuntos mais importantes a tratar agora. A loira ingênua dona do Klimt era um deles.

"Tanya sugeriu que talvez após o almoço pudéssemos ir ao museu, visitar a sala especial de Renoir." ela contou sem encará-lo, virando-se graciosamente para apertar o botão do térreo assim que eles entraram no elevador. "Aproxime-se dela, desestruture-a. Faça-a comer na sua mão." Isabella pediu em um timbre açucarado. Seus olhos atrevidos estavam escondidos pelos óculos escuros de grife e a deixavam ainda mais arrogante e perigosa.

"Acho que posso fazer isso." Edward rebateu com ironia, sorrindo enviesado da maneira altiva como Isabella se comportava. Ela nunca perderia aquele ar de soberba, era algo inerente à sua alma.

Quando estavam próximos do térreo, Isabella dobrou o corpo com calma sobre o painel eletrônico, pressionando a tecla de travamento do elevador. Virou-se para Edward e soltou:

"Não pense que nossa conversa sobre como você heroicamente me tirou do escritório de Caius está encerrada. Eu exijo saber o que você estava fazendo lá." a maneira como ela falara apenas o fez erguer uma sobrancelha de um jeito petulante.

"E ainda assim eu não ganho nem ao menos um 'muito obrigado' em troca do que fiz?" ele cutucou e ela lhe lançou um sorriso feroz.

"Acho que já lhe dei muito mais do que um mero 'muito obrigada' ontem à noite." ela respondeu sedutora e virou-se de modo que eles ficassem frente a frente. Inclinou-se e deixou que sua boca pairasse a centímetros da orelha esquerda dele. Então sussurrou: "Por enquanto considere isso como uma pausa nesse assunto. Nossa menina é mais importante do que nunca agora. Ah, e um aviso: não tente tratá-la como fez comigo, ok? Eu gosto das coisas de um jeito mais, hm, selvagem, mas tenho quase certeza de que Tanya prefere algo romântico e doce. Seja o príncipe encantado da loirinha; ela irá adorar." se afastou dando uma piscadela matreira e ele sentiu um terrível impulso de imprensá-la contra a parede e lhe mostrar o quê apenas um sibilar de meias palavras naquele seu timbre rouco eram capazes de fazer com ele.

Isabella Swan seria seu fim, ele pensou, enquanto a observava sair do elevador rebolando suavemente os quadris arredondados, claramente o provocando, e plantando em sua mente imagens que tiveram a incrível capacidade de chocá-lo tamanho erotismo estampado nelas.

Sim, ela definitivamente o arruinaria, se ele assim permitisse.

Mas ele não permitiria.

[...]

Sarah Johnson observava de maneira terna seu amado marido enquanto o ouvia discorrer sobre a vida e a obra de Renoir, seu pintor favorito desde que ela tinha apenas cinco anos. Ao seu lado, sua mais nova amiga, Tanya Denali, parecia tão encantada quanto a própria Sarah, escutando com total atenção as palavras firmes e convictas de Eric.

Tanya tentava a todo segundo impedir que seu coração acelerasse tão explicitamente, porém aquela era uma tarefa difícil, visto que bastava que os olhos de um verde exagerado de Eric pousassem sobre os seus para que ela sentisse uma espécie de frenesi que corria em seu corpo feito pólvora.

O que estava acontecendo com ela? Aquele era o marido de sua amiga e nunca deveria ser olhado de uma forma que não fosse essa. Entretanto durante o almoço que eles partilharam, Tanya não conseguiu evitar imaginar como seria ter um homem como Eric ao seu lado, tão sexy e inteligente.

Ele não estava ajudando a sustentar a sanidade de seus pensamentos, sorrindo abertamente para ela daquele jeito. Será que Sarah não percebia a aura sedutora que seu marido derramava sobre as pessoas? Ou isso só estava acontecendo com ela?

Talvez houvesse atingido um nível de carência crítico que a fazia fantasiar com um homem casado. Oh Céus, ela precisava manter a cabeça longe do poder sensual que Eric possuía, caso contrário, estaria com sérios problemas.

Arrependeu-se de imediato ao sugerir que eles três fossem ao museu visitar a sala especial dedicada a Renoir.

"Tanya, acho que não contei a você que Eric trabalhou no mesmo projeto que nossos pais sobre Pierre-Auguste, quando morou em Paris antes de nos conhecermos." Sarah informou orgulhosa, deitando a cabeça nos ombros do marido, lançando um sorriso meigo para a loira.

Ela sentiu de pronto um golpe em seu estômago por estar agindo como uma leviana por não ser capaz de tirar o marido da amiga de seus pensamentos.

"Você vai amar fazer esse tour pela galeria ao lado de Eric, não existe melhor companhia do que ele quando se visita a sala de Renoir." Sarah continuou, se voltando para o marido. "Querido, por que não acompanha Tanya até lá? Preciso fazer uma ligação para saber se aquela pintora chilena respondeu ao nosso convite de expor suas obras aqui em Nova York." ao ouvir a amiga, Tanya notou que estava sem ar.

Oh, Deus, por tudo que é mais sagrado, não me deixe a sós com esse homem!

"Claro, minha querida, será um prazer." Eric sibilou, beijando o rosto aveludado da esposa, lançando um breve, mas intenso olhar em direção à loira, que àquela altura estava trêmula de nervosismo. "Podemos ir?" ele perguntou depois de sussurrar algo no ouvido de Sarah e se afastar. Seu braço estava estendido de forma cavalheira e Tanya hesitou dois segundos antes de encaixar seu próprio braço no dele.

Sarah já seguia para o lado oposto da galeria, apressada com o celular grudado à orelha e Tanya fechou os olhos, emitindo uma prece para que ela fosse resistente o suficiente e não cedesse às armadilhas que sua mente estava formando para que ela caísse na tentação denominada Eric.

Ela só não fazia ideia de quanto tempo seria capaz de suportar.

[...]

Tanya não sabia que tinha tanta força de vontade dentro de si.

Durante metade da tarde que ela passara ao lado de Eric, sentira – não apenas uma vez, mas várias – uma necessidade explícita de se jogar nos braços do ruivo de beleza e inteligência singulares. A cada palavra que escapulia dos lábios finos do homem, ela notava suas pernas bambas e as mãos suando. Vez ou outra, enquanto eles caminhavam lado a lado pelo enorme salão adornado pelo incrível trabalho de Renoir, a loira percebia a mão firme de Eric gentilmente tocando suas costas, em um gesto despretensioso, mas que era capaz de fazer seu coração galopar tal qual um cavalo selvagem.

Eles conversaram não só sobre o artista do qual ambos dividiam uma adoração encantada, como também discutiram sobre a arte moderna e os tão desejados projetos que Tanya cultivava e que não via a hora de colocar em prática. Ao contrário de Demetri, seu ex-marido, Eric a escutava e parecia genuinamente interessado no que ela dizia.

Por que ele era tão absurdamente sexy e por que a encarava daquela forma, como se quisesse invadir sua alma?

"O-obrigada tarde pela encantadora, Eric. U-uma pena que Sarah precisou voltar para a galeria mais cedo. Mas foi, hm, ótimo ter sua companhia na visita à exposição de Pierre-Auguste." Tanya gaguejou tímida, vasculhando a bolsa à procura das chaves de seu apartamento.

Eric havia a convencido – assim que eles saíram do MoMA – de dispensar o motorista à sua disposição, alegando que fazia questão de deixá-la em casa. Encantada com a gentileza do ruivo, ela não pensou duas vezes em recusar o carro particular e aceitar pegar um táxi com Eric na porta do museu.

Eles passaram metade do trajeto até Tribeca em uma conversa descontraída sobre arte moderna e contemporânea, revelando suas maiores apostas na nova geração de artistas. Discordaram em alguns nomes, mas no geral tinham opiniões bastante semelhantes. A cada segundo passado ao lado de Eric, Tanya se sentia mais e mais maravilhada pela sabedoria nata e pelo charme lascivo do homem.

Era difícil esconder, até dela própria, sua clara atração pelo marido de sua amiga.

"O prazer foi todo meu, Tanya." ele sibilou em um timbre baixo que arrepiou os cabelos da nuca da loira, deixando-a de boca seca. "Não é todo dia que eu tenho a oportunidade de passar a tarde ao lado de uma mulher tão linda e inteligente como você." ela teve praticamente certeza de que seu coração havia desviado o curso de suas batidas.

"Oh, m-muito, hm, obrigada, Eric." ela murmurou em ligeira incoerência e ele sorriu torto, passando as mãos pelos cabelos bagunçados de uma forma sexy demais.

"Bom, eu tenho que ir agora. Nos vemos na sexta, certo?" perguntou Eric, ainda sustentando aquele riso deslumbrante nos lábios. Tanya precisava se lembrar de como respirar; sentia-se patética agindo como uma adolescente às voltas de sua primeira crush.

"Sim, é, claro, no vernissage. Sim, nos vemos, é claro." Ela balançou a cabeça rapidamente e soltou o ar em uma lufada. "Até sexta, Eric."

"Até lá, Tanya." ela congelou quando o notou muito próximo de si, inclinando o rosto para o seu e deixando um beijo cálido a poucos centímetros dos lábios trêmulos. "Tenha uma ótima noite." Ele completou usando uma voz sussurrante e ela jurou que seus joelhos derreteriam.

"V-você também." conseguiu dizer quando Eric já estava na calçada, a poucos passos do táxi que o esperava.

Quanto de sua força de vontade para resistir ainda restava dentro de si?

Quase nada, ela completou mentalmente com um suspiro alto, embora soubesse que a possibilidade de não se deixar levar pela onda sedutora que emanava de Eric já não existia mais.

[...]

Edward mal havia cruzado a porta da enorme suíte de hotel quando se deparou com uma imagem que o deixara ligeiramente perturbado. No canto oposto, Isabella estava debruçada sobre a mesa de vidro, a mão pequena rabiscando algo em uma folha de papel do tamanho de uma cartolina. Os olhos de chocolate não desviaram um segundo sequer a atenção e Edward se permitiu analisar aquela mulher sem culpa.

Pernas cobertas por meias de seda cor de vinho, pés equilibrados com cuidado em sapatos de salto prata, saia envelope que envolvia seus quadris com perfeição; usava uma blusa creme, que estava enfiada dentro da saia, deixando a cintura fina ainda mais marcada.

Bella sedutora. Sabia como enlouquecê-lo sem esforço.

"Ciao, Bella mia" ele gracejou ao se aproximar, ganhando um olhar intenso das íris espelhadas. Não havia palavras para descrever o quão depravadas eram as orbes de chocolate.

Isabella tinha um olhar devasso que em muitas vezes encantava e constrangia ao mesmo tempo.

"Como foi o encontro com a nossa menina?" ela perguntou, voltando sua concentração ao trabalho que estava fazendo na folha de papel riscada com palavras e desenhos incompreensíveis.

"Proveitoso." Edward sorriu canalha. "Tanya parecia uma menininha de 15 anos toda vez que a fitava com um pouco mais de atenção. Sem contar que arfava e gaguejava cada vez que eu a tocava." foi a vez de Isabella rir, aprovando o que ele dissera.

"Isso é ótimo. Acha que ela suspeitou de algo sobre minha saída?"

Edward negou com a cabeça.

"Isabella, estou dizendo que aquela mulher não conseguia manter qualquer tipo de comunicação sem tropeçar nas palavras e você está preocupada com o fato de ela ter notado seu sumiço? Sinceramente, minha querida, nossa menina agradeceu aos céus por Sarah tê-la deixado sozinha com Eric."

"Pobre garotinha, tão ingênua..." Isabella ronronou sorridente. O grunhido baixo que escapou do fundo de sua garganta deixou Edward em súbito alerta. Ela está fazendo de novo, seduzindo-o aparentemente sem querer.

Fique esperto, não se deixe cair nesse truque outra vez.

Mantenha o controle, Masen, seu cérebro rosnou.

"Tenho novidades. Descobri onde a maldita armadilha que o velho Denali implantou no Klimt está localizada."

Edward sorriu, já esperando ouvir aquela notícia dos lábios quentes de Isabella.

Enquanto eles seguiam em direção ao restaurante onde almoçariam com Tanya, mais cedo naquele mesmo dia, discutiram o próximo passo que dariam na missão. Edward se incumbiria de manter os olhos da loira dona do quadro longe de Isabella, enquanto a morena se encarregaria de fazer uma rápida análise na obra, que estava sendo exposta no museu de arte de Nova York.

"Procure por falhas na moldura do Klimt." Ele sussurrara brevemente no ouvido de Isabella quando estavam no corredor principal do museu, seguindo em direção ao salão de exposição da arte de Renoir.

"Eu sei exatamente o que fazer, Masen." Isabella retrucou baixinho, rindo para Tanya com extrema meiguice. "Cuide bem da nossa menina."

"Não conte com isso, minha querida." Ele devolveu rindo e ela abriu um enorme sorriso antes de se afastar e pedir licença para atender uma ligação que nunca havia existido.

Deixou que Edward conduzisse Tanya em direção ao salão em homenagem ao pintor francês para então seguir rumo à sala principal do museu, onde o Klimt estava exposto.

Isabella não precisou de muito tempo para encontrar a pequena armadilha de segurança que existia na obra de enorme valor. Ela conhecia muito bem aquele tipo de artefato; era chinês e feito com uma ampola mínima cheia de uma tinta natural extraída de uma orquídea que só existia no Oriente. Caso a pecinha de vidro finíssimo fosse quebrada, grande parte da tela seria manchada pelo pigmento de cor azulada, o que faria com que o quadro perdesse seu valor de mercado.

Seria preciso anos de trabalho de restauradores para extinguir todo e qualquer resquício da tinta, caso a armadilha fosse acionada. Agora como roubar o quadro do museu, sem que o sistema artesanal de segurança fosse triscado?

Isabella sabia a resposta, pois já havia desativado uma armadilha daquela há anos atrás, quando ainda morava com sua família no interior da França. Seria fácil se livrar daquele pequeno problema. Tão simples que a deixava desapontada pela falta de perigo que ela tanto adorava.

"O avô de nossa menina espertamente instalou uma espécie de ratoeira na parte superior do quadro, entre a moldura e a tela." Isabella comentou, dispersando o pequeno devaneio de sua mente. "É uma armadilha chinesa, composta por um vidro cheio de tinta natural de uma flor rara e um arame pequeno atrelado à moldura. No momento em que você tenta separar a tela do molde, o arame que está amarrado ao vidro o quebra e a tinta escorre pela pintura, manchando-a. É tão patético quanto grotesco." Ela desdenhou, puxando o papel que estava rabiscando e o estendeu para Edward.

Uma rápida olhada na folha que Isabella o entregara foi o suficiente para que ele entendesse exatamente como funcionava a pequena peça que o avô de Tanya Denali havia deixado escondida em seu tão adorado Klimt. Parecia simples e complexa ao mesmo tempo.

"Sabe como desarmá-la?" ele questionou sério e Isabella lhe respondeu com um sorriso manso e convicto.

"De olhos fechados." ela sibilou, apoiando os quadris na ponta da mesa, dando a Edward a perfeita visão das pernas delineadas e sedutoras, escondidas pelo tecido fino das meias que ela usava.

Muito, muito perigosa.

"Quando?"

"Na sexta, durante o vernissage. Quando todos os olhos presentes na galeria estiverem voltados para o Klimt." Ela sorriu ao vê-lo erguendo uma sobrancelha de descrença. "Não vê, Masen? Será o crime perfeito!"

Sim, seria realmente um golpe de mestre. E ele mal via a hora de presenciar o grand finale daquela missão.

"Agora que tudo está sendo encaminhando para um desfecho favorável para nós, temos outro assunto a tratar, não é mesmo?" ela retomou, olhando-o de maneira intensa, rindo manso. "Como você me tirou da merda do escritório de Caius, Masen?" ele respirou fundo, incomodado com o tom mandão de Isabella.

Precisava pensar rápido e afastar a mente da morena daquele assunto. Edward não queria que ela ousasse desconfiar de que ele sabia de todos os seus planos.

"Muito simples, minha querida. Caius descobriu que você e eu estávamos juntos nessa missão e mandou que aqueles vermes idiotas viessem atrás de mim, achando que eu tinha algo mais que pudessem ajudá-los com o roubo do Klimt." Edward murmurou sem encará-la, dirigindo-se ao mini bar para se servir de uma dose de uísque. Ele estava desesperado por um pouco de álcool riscando suas veias. "Quando Caius se convenceu de que você já havia dado o que tínhamos, me jogou em uma ruela na porra daquele bairro, com você sangrando e descordada. O que diabos você disse para o velho que o deixou tão irritado?"

"Caius é um filho da puta que não aceita ser contrariado. Queria a todo custo descobrir quem havia nos contratado para essa missão e eu simplesmente o mandei ser um pouco menos retardado e encontrasse essa informação por seus próprios meios." Isabella rebateu, seguindo Edward e lhe agradecendo com um menear de cabeça quando ele lhe serviu da mesma bebida que estava tomando.

"Acha mesmo que Caius não desconfia de que você tenha entregado a ele um pen drive com informações adulteradas?" Edward questionou fitando-a enquanto bebericava seu uísque.

"Masen, eu não sou uma amadora. Sei muito bem como eliminar meus adversários quando quero. Basta esperar pela hora e momento mais propícios." ela sibilou.

Isabella Swan não valia um centavo. Não passava de uma ladra vadia que não media esforços para conseguir o que queria e estava – desde o primeiro segundo daquela merda de missão – agindo como um maldito coringa, usando ele para obter êxito em seus planos. E ainda assim Edward a desejava de modo desesperador.

Era necessidade aquilo que ele sentia pelo corpo e pela pele de Isabella. Uma ânsia tão grande que ele nunca seria capaz de resistir.

Ela expunha o que havia de mais horrendo dentro dele. E ele não ligava a mínima para isso.

"Qual o seu jogo, Isabella?" ele perguntou, os olhos enlaçados às curvas precisas que o enlouqueciam com o menor dos movimentos. Ela sorriu em triunfo quando as íris de Edward enfim cruzaram com as suas, após uma explícita análise dele em cada centímetro de seu corpo pecaminoso.

"Exatamente o mesmo que o seu." ela murmurou naquele timbre de veludo que era como música para os seus ouvidos. "Eu finjo que sou burra o suficiente para acreditar nessa história ridícula que acabou de inventar e você finge que acredita que me convenceu. Assim ficamos bem e terminamos de uma vez com essa droga de missão. De acordo?"

Ele não fez questão de responder. Apenas ficou observando-a caminhar pela sala silenciosa de forma tranquila, o copo com a bebida escura em uma das mãos enquanto a outra massageava as costas macias e desenhadas, hipnotizando-o.

Provocadora maldita...

"Eu tenho que confessar uma coisa: há muito tempo não me sentia tão animada com uma missão. Ontem, enquanto deixava aquele velho acabado me bater, eu só conseguia pensar em como eu sentia falta de estar em perigo de verdade. Acredite em mim, Masen, às vezes ser boa demais nesse jogo é entediante." ela comentou sem encará-lo, parada em frente à janela enquanto contemplava a vista esplêndida da cidade lá fora.

"Está me dizendo que você fez aquilo de propósito? Provocou Caius por que quis apanhar?" Edward tossiu incrédulo, sentando-se no encosto do sofá; recebeu um olhar deliberante que lhe deu a confirmação daquilo que já sabia: Isabella era maluca. Sádica. Perversa. E incrivelmente sexy.

"Eu apenas fiz com que ele achasse que estava no controle absoluto e que conseguiria tudo o que quisesse." ela respondeu, deixando seu copo agora vazio sobre a mesinha de centro antes de se aproximar de Edward. As mãos pequenas tocaram de leve cada lado dos ombros dele, aplicando uma leve massagem nos músculos enrijecidos. "Aquilo não foi nada comparado ao que eu vou fazer com ele. Como eu disse, Caius acha que tem o domínio da situação nas mãos e já se julga um vencedor por ter – aparentemente – nos derrubado. O quão hilário será quando, no dia seguinte ao vernissage, aquele decrépito descobrir que o Klimt foi roubado e sumiu das vistas de todos?" ela gargalhou baixinho. "Eu mal posso esperar por isso."

Ele a segurou com firmeza pelo pulso, quando sentiu uma das mãos sorrateiras escorregando tranquilamente em direção ao peito firme. Ergueu o rosto e encarou os olhos de farpas com intensidade, um sorriso zombeteiro pincelando seus lábios.

"Cuidado ao brincar com o fogo, minha querida. Você pode se queimar." As palavras de Edward pareceram atiçar o humor felino de Isabella, pois em resposta ela deixou que um riso largo jorrasse através da boca entreaberta.

Toxic – Yael Naïm

"Nunca lhe disse que é esse é o meu jogo favorito, Masen?" ela enfim sibilou, inclinando o rosto em direção ao dele, de modo que os narizes de ambos estivessem emparelhados, dando aos olhos a chance de gladiarem daquele jeito que eles tanto adoravam. "Eu adoro me queimar." Ela soprou, fazendo a boca de Edward aguar ao sentir o cheiro do hálito doce de Isabella entranhando em sua pele como veneno. Não teve tempo de raciocinar, estava desesperado para tomar aquela mulher bandida para si, e quando se deu conta, uma de suas mãos já estava enrolada à nuca da morena, mantendo-a firme no lugar.

Foda-se que ela não tinha caráter. Foda-se que ela não passava de uma ladra traíra. Foda-se, foda-se, foda-se!

Ele a queria. E a teria novamente.

Era uma questão de necessidade.

As íris verdes pareciam a ponto de cuspir fogo ao lançarem longos olhares que se alternavam entre a boca provocante e o chocolate intenso das orbes de Isabella; eles ficaram assim tempo suficiente para desestruturar as respirações de ambos, transformando-as em arquejos forçados. A morena então deslizou as mãos pelas pernas de Edward lentamente e selaram o ataque cravando as unhas bem feitas em cada lado das coxas firmes do ruivo, fazendo-o emitir um rosnado abafado.

"Do meu jeito." ela sussurrou sorrindo torto, antes de literalmente abocanhar os lábios de Edward em um beijo faminto. A mão que segurava a nuca de Isabella desceu pelo rosto de anjo e Edward apertou o queixo delicado, interrompendo a ação da boca sequiosa.

"Do seu jeito." ele assegurou e sem esperar por uma resposta da morena, Edward a puxou pelo pulso e empurrou o corpo magro contra a mesa de vidro. Ela gemeu alto quando sentiu o rosto arranhando a transparência fria, mas logo em seguida arfou excitada. "Foi você quem pediu, minha querida. Vamos fazer exatamente como você gosta." Edward completou, encaixando os quadris nos de Isabella, enquanto calmamente aplicava pequenas mordidas na orelha direita dela, passando a língua bem devagar pelo caminho que seus dentes faziam.

"Você gosta assim, minha querida?" ele questionou, sugando a ponta da orelha de Isabella com vontade; ela ronronou manhosa e ele sorriu, deixando que as mãos rastreassem os quadris que agora estavam empinados e perfeitamente acomodados entre suas pernas.

"Mais forte." Isabella implorou, os olhos cerrados enquanto ela desfrutava do prazer que as mãos de Edward lhe davam ao acariciar a parte interna de suas coxas, ainda cobertas pela meias de seda que ela vestia.

"Ah, minha querida, você realmente não deveria ter dito isso." ele sussurrou abafado em seu ouvido e em seguida espalmou a mão em um dos lados dos quadris redondos de Isabella. O barulho estalado soou como música para os ouvidos dela.

A morena então esfregou a testa contra o vidro gelado da mesa respirando fundo e com força; serpenteou corpo sedutor até que deitasse as costas contra o peito de Edward. Ele não perdeu tempo e puxou o rosto de Isabella, agora vermelho e suado, para junto do seu, esmagando os lábios pequenos com um beijo nada casto.

Língua contra língua. Dentes afiados que pareciam querer arrancar pedaços ao mordiscar as bocas sem piedade. E o som das respirações entrecortadas pelo desejo que consumia ambos em fogo brando.

Edward e Isabella eram como dois barris de pólvora, prestes a explodir.

Sem perder tempo, ele se livrou dos lábios inchados dela, deslizando a boca pela curva do pescoço longo, passando pelos ombros até chegar à nuca exposta graças ao coque frouxo que sustentava os cabelos compridos. Permitiu-se lamber cada canto da pele macia, alternando entre pequenos beijos e chupadas que se transformariam em manchas avermelhadas na manhã seguinte.

Ele a marcaria sem piedade.

Os dedos apressados de Edward logo se livraram da blusa clássica que Isabella usava, puxando com rudeza os botões traseiros da roupa falsamente comportada. Ela arqueou as costas e lhe lançou uma rápida olhada por cima dos ombros, um sorriso provocador servindo como atiçador do tesão que ele sentia.

Deus, o que era aquela mulher além da sedução encarnada?

Descontrolado, Edward enterrou os dedos nos cabelos presos dela, puxando-os com força, libertando-os em forma de uma cascata cor de avelã. Um som estranho escapou do fundo da garganta da morena, algo como um grito de dor e um gemido de satisfação.

Ela gostava de ser tratada daquela forma. Sem gentileza ou suavidade.

Isabella no fundo desejava ser domada no sexo.

Que grande ironia era aquela!

Com uma calma que ele não sabia de onde surgira, Edward enrolou os cabelos de Isabella em sua mão direita, como se estivesse segurando as rédeas de um cavalo brabo. Deu um leve puxão nos fios e sentiu os quadris da morena rebolando suavemente em direção aos seus, atiçando sua evidente excitação.

O gemido que ambos partilharam ressoou pelo quarto como o barulho de um trovão.

"Vire-se, Isabella!" Edward ordenou desenrolando os fios dos cabelos de Isabella do seu punho contraído. Observou satisfeito quando ela fez o que ele exigira, empurrando o corpo para cima da mesa, abrindo as pernas de forma convidativa.

Os olhos de mogno estavam semicerrados de desejo e Isabella mordiscava os lábios finos com tanta força que os sentia ultrassensíveis.

Sem dizer uma palavra, Edward se livrou da saia que a vestia, aproveitando para desaparecer com a calcinha de grife que não escondia quase nada do sexo úmido de Isabella. O corpo dela agora estava coberto apenas pelo sutiã delicado e as meias de seda.

"Vem" Isabella chamou em uma voz transformada pelo tesão, erguendo os quadris em um convite explícito a Edward.

Ele sorriu enviesado e segurou-a pela nuca, forçando-a a encará-lo friamente nos olhos.

"Ainda não, minha querida." ele sussurrou e desceu os lábios em linha reta por todo o corpo de Isabella. "Você não pediu que fosse à sua maneira? Então, eu vou ter o prazer de foder você de todas as formas possíveis." E dizendo isso, Edward enterrou a boca sedenta no sexo molhado de Isabella, arrancando um grito descontrolado da garganta seca dela.

"Ungh!" ela protestou, as mãos enfiadas nos cabelos dele, arrastando as unhas pelo couro cabeludo enquanto sentia a língua quente invadindo-a de forma deliciosa. "Assim..." ela sussurrou dobrando o corpo a tempo de vê-lo mordiscar seu ponto mais sensível para logo sem seguida lambê-lo com gosto.

Sua cabeça rodou e ela abandonou as costas sobre o vidro da mesa, zonza de prazer.

"Hum..." ele grunhiu ainda com a boca ocupada em seu sexo e Isabella fechou os olhos com força, sentindo a língua e os lábios de Edward trabalhando com destreza em lugares de seu corpo que nem ela mesma sabia que existiam. "Você é deliciosa, minha querida. Perfeita..."

O som da voz rouca de Edward, combinado com o cheiro erótico que exalava dos corpos suados, fez Isabella perder o juízo e passar a emitir gemidos que seus ouvidos não reconheciam.

Ela estava tão perto... tão, tão, perto...

"Edward..." ela ronronou suplicante, pela primeira vez o chamando pelo primeiro nome, sabendo que ele não daria a ela o que tanto queria. Não ainda.

"De costas, minha querida." ele sussurrou se afastando para se livrar das próprias roupas, observando com satisfação o jeito abandonado de Isabella. "Eu quero você de quatro pra mim."

Dos lábios inchados, ele pôde ouvir um palavrão sendo rosnado e sorriu como um menino levado, enquanto retirava a boxer preta que estava prestes a ser perfurada pelo membro duro que implorava por um pouco de alívio. Quando voltou a olhar Isabella, percebeu que ela estava de costas, os quadris muito brancos empinados na sua direção.

Pernas abertas, cabelos espalhados pelas costas lisas, rosto ligeiramente apontado para ele. Lábios apertados entre os dentes. Olhos parcialmente escondidos pelos ombros, tentando-o de um jeito que só Isabella era capaz de fazer.

Demônia.

Vagabunda.

Maravilhosa.

"Vadia maldita..." Edward sibilou e ganhou como resposta um sorriso cínico de Isabella, que o fez empurrar a cabeça dela contra o vidro, antes de ele tomá-la sem aviso prévio, invadindo-a sem gentileza alguma.

"Estou fazendo do seu jeito, minha querida?" ele perguntou ríspido, estocando o membro muito excitado contra o sexo de Isabella em um vai e vem desordenado, frenético.

"Mais forte" ela retrucou cortante e o surpreendeu ao puxar a mão dele de volta para junto de seus cabelos. "Eu quero muito mais forte, Masen."

"Como quiser, Bella..." ele balbuciou antes de puxar os fios amarronzados apenas para fazê-la arquear o corpo e rebolar sobre o sexo pulsante dele.

"Assim?"

"Mais...ungh...mais, mais, mais!" ela repetiu como uma ladainha, enquanto o sentia literalmente a fodendo como ela exigia. Seus quadris doíam por conta do choque da pélvis de Edward contra sua pele delicada e ela podia jurar que a faca que estava amarrada em sua coxa estava prestes a machucá-la severamente, mas nada disso parecia importar.

Só o que a interessava era o prazer que Edward estava lhe proporcionando. Um tipo de êxtase que ela não experimentava há tempos.

Isabella sabia que era questão de tempo para que Edward gozasse, tamanho a fúria que ele se movimentava dentro dela, como um animal faminto, por isso resolveu lançar mão de uma última carta que trazia escondida na manga e que o faria enlouquecer.

Quando o sentiu retesando os músculos dos quadris e diminuindo o ritmo com que ele a penetrava, Isabella empurrou ligeiramente o corpo para longe do dele, o que acabou os desconectando. Sem pressa, ela rolou para o lado e ergueu-se, um sorriso manso enfeitando o rosto de anjo.

Edward a encarava zonzo e terrivelmente frustrado, sentindo seu gozo prestes a explodir dentro de si. Precisava do calor do sexo de Isabella de volta, com urgência.

"Isabella..." ele chamou tentando puxá-la pela cintura, mas ela fez um gesto negativo com o dedo indicador, impedindo de se aproximar.

Como uma águia, ela plantou um selinho inocente nos lábios entreabertos de Edward e sussurrou:

"Como eu disse, eu quero tudo do meu jeito. E assim vai ser." e dizendo isso, ajoelhou-se e tomou o membro muito duro de Edward nas mãos, antes de literalmente engoli-lo com sua boca famigerada.

"Porra, Isabella, porra!" Edward gritou, enterrando os dedos na ponta da mesa, em busca de apoio, pois suas pernas estavam ligeiramente bambas devido ao ataque surpresa da morena. "Muito bom..."

Vadia! Maldita vadia e sua boca deliciosa!

Ele não conseguiu esperar muito, embora quisesse prolongar a imagem de Isabella o chupando e o fitando com olhos falsamente inocentes pelo resto da vida. Aquela mulher ainda iria levá-lo à insanidade.

Gozou com força na boca pequena, incapaz de controlar os próprios rosnados de satisfação que escapavam do fundo de sua garganta. Não deu a mínima para o fato de que estava forçando a boca de Isabella com violência contra seu membro, pois no fundo, ele sabia que ela estava adorando. Com uma calma exagerada, Isabella lambeu toda a extensão do sexo ainda rijo, engolindo cada gotinha do orgasmo de Edward. Seus olhos estavam serenos e ela tinha um sorriso macio nos lábios molhados, enquanto o sugava como se ele fosse seu doce favorito.

Quando decidiu que estava saciada, ela se afastou, subindo o rosto até que eles voltassem a estar cara a cara.

"Tenha uma boa noite, Masen." ela suspirou naquele timbre rouco que era capaz de – ao mesmo tempo irar e excitá-lo a níveis inexplicáveis. "Prometo que da próxima vez será do seu jeito. Portanto, me surpreenda." riu diante da pequena provocação da morena insaciável e apenas a observou caminhar a passos lentos em direção ao seu quarto.

"Do meu jeito." ele repetiu sorrindo insolente. "Ah, minha querida, você mal perde por esperar."

[...]

Toxic - Yael Naïm: www . youtube watch? v = ETh0Kfxk2BY *retirem os espaços para ouvir


Eeeer... pois é, né? Vou me abster de comentários sobre esses dois, deixo para que vocês façam isso. hahahahaha Só não me xinguem como fez a beta, ok? Sou tão boazinha...

Todo mundo recebeu seu preview do capítulo anterior? Sim? Não? Se caso a resposta seja não, me avisem que eu dou um jeito de mandar o próximo e fazer chegar. Podem deixar o email também, que assim eu envio o preview para quem deixar review sem ter conta no FF!

E aí, o que acharam? Bella está mesmo bancando a coringa? Edward está certo em desconfiar dela? Me deixem saber tudo!

Bom, assuntinho chato agora: o próximo capítulo só deve chegar após o dia 8/09. A explicação é simples: eu vou me dedicar totalmente a o/s oculta, porque todos que estão participando tem um prazo a cumprir. A boa notícia é que estão vindo novas histórias de dezenas de autoras que vão deixar vocês super ocupadas. E olha, gente, só tem coisa boa vindo por aí, eu garanto!

Então, é isso. Botem para fora tudo que vocês acham sobre a Rabiosa e esse Edward rawr. Tô doidinha para ler os comentários de vocês sobre esse capítulo.

A gente se vê,

beijo, beijo,

Cella.