MadaSakuTobiSaku em três ou quatro shots.

Classificação etária geral: M

(Mas essa primeira parte pode ser considerada T-rated)

Romance/Drama/outros

Fandom: Naruto

Shipper: Tobi&Saku&Mada

Disclaimer: Naruto não me pertence.

Autora: Korinara

Do Original de mesmo título

Sinopse: Uma série de rumores sobre um sobrevivente da antiga organização criminosa Akatsuki guiam Haruno Sakura até certo local. Uma chuva ácida e um poder invisível, agora, a impede de partir. E o "monstro" reaparece...

Dedicatória: Nah, pra Belita, obviously! Ela é uma flor, me ajuda a betar uma tonelada de material e ainda compreende esse "fogo intenso" por busca de personas pra "shippar" com a nossa heroína favorita Saku-chan =D


N/T: Essa fic foi escrita em 2007. Todas as infos que a autora pode recolher do manga/anime são referentes a esse período.

2N/T: A fic é contada em terceira pessoa, mas ora do referencial de Tobi, ora do de Madara, ora do de Sakura. Há uma diferença palpável dos referenciais de Tobi e de Madara. Atentem para tal, ok.

3N/T: Eu precisei adaptar (bastante) essa fanfic. Logo, coisas do tipo, versos, canções de ninar, cenas de ação, serão contadas a partir da minha perspectiva, ok. Tive que "abrasileirar" bastante certas passagens, para tornar tudo inteligível e bem encaixadinho, certo.

4N/T: Relembro que minhas traduções são sempre livres. Tenham isso em mente quando lerem quaisquer de meus trabalhos. Essa é uma info importante ok ;D


Skin & Bones

Parte I


Observava atentamente uma mosca subindo pela vidro da janela.

Não estava chovendo, o que era incomum.

Um dos muitos Compostos da Akatsuki localizados em território neutro— não que fossem do tipo que seguiam regras— era o local onde Tobi agora mantinha residência fixa, dentro dos muros de pedra gotejantes e cheios de umidade, sobre o chão frio que parecia congelar-lhe no inverno, em um local que parecia-lhe aflorar todo resquicio de lembranças que ainda podia evocar.

Não havia muito que ainda podia se lembrar e isso significava que ele não sabia para onde ir.

Ele ansiava por estabilidade e estruturas familiares, e foi por isso que permaneceu aqui. Não importava o fato de que a Akatsuki já havia partido há muito tempo, lutando uma batalha perdida contra Konohagakure, contra dois dos três lendários Sannin, que Konan havia sido vencida e que Pein havia partilhado de seu destino pouco tempo depois, suas habilidades e capacidades surpreendentes não foram o suficiente para conquistar a vitória. Não importava o fato que ele havia sido o único a sobreviver e que uma ponta de instinto lhe dizia que devia escapar enquanto podia, uma força invisível tentava mover suas pernas e arrastá-lo a correr tão rápido quanto pudesse dali.

Mas talvez pudesse viver assim para sempre, pensou, olhos treinados e vidrados mais uma vez na mosca.


Abandonara a máscara no primeiro ano de confinamento neste lugar, jogando-a ao chão, pisando forte sobre ela, pegando-a e estraçalhando-a contra a parede e pela qual teve as mãos cortadas e sangrando, mas ele não se importava com isso. Porque este sangue não era por alguém ou por qualquer outra causa.

Ele gostava de cuidar das coisas. Gostava de que lhe cuidassem também.

Talvez por isso sentia falta da organização que lhe tratava como um cão. Pode ter sido um animal de estimação, mas ainda assim era um membro da família. Eles podiam ter-lhe dado apenas sobras de comida, mas ainda assim Tobi se recusava a morder a mão que o alimentara.

Madara agitou-se dentro de si e aquela sensação de formigamento familiar vinda de suas entranhas estava de volta, percorrendo-lhe a garganta e o peito e ao longo da espinha, até que finalmente se fixara como um cobertor grosso e úmido sobre seu crânio.

Não era como se a entidade ou fantasma ou o que quer que fosse dentro de si estivesse completamente sob o controle de seu corpo, oh não, Tobi provavelmente não sentia dessa forma, mas ainda assim aquilo era impecavelmente forte, tanto física como mentalmente. Ele poderia afastar o "demônio" se realmente quisesse —embora, é claro, por um curto período de tempo— mas geralmente estava mais inclinado a deixar Madara ... guiá-lo.


Madara, Tobi chegara à conclusão, era um gênio militar.

Comandava e era prático e rigoroso além de qualquer medida, instruindo Tobi a dizer tal coisa ou trilhar tal caminho ou fazer tal, certificando-se de que nenhuma de suas ações desviassem do que fosse mais apropriado. Ele não tinha idéia do porquê Madara o havia escolhido para invadir seu Ser, nem como se livrar dele ou até mesmo de quem ele era realmente, além de alguém que possuia uma estátua gigante no Vale do Fim.

Isso também não significava que Tobi o queria expulsar.

Madara mantinha o corpo físico de Tobi vivo.

Tobi mantinha o estado mental de Madara são.

Era um relacionamento de via de mão dupla, uma coexistência simbiótica, um exemplo clássico de um parasita e seu hospedeiro. A co-dependência, o apego, a brevidade total investida um ao outro.

Em suma, Tobi não sabia mais como viver sem Madara.

Ele havia sido uma presença tão frequente por tanto tempo que Tobi já havia esquecido como obter por si só as coisas mais simples para se viver.


O homem pode ter sido um shinobi incrível e um nukenin anteriormente, todas as peculiaridades de sua personalidade e trejeitos esquisitos à parte, mas agora ambos eram completamente dependentes um do outro. Cada chute e soco e pirueta era uma cortesia, muito apreciada, de Madara, antes um gênio, agora apenas a sombra de um ninja brilhante.

Realmente, Tobi não passava de um receptáculo para ele.

E aceitara de bom grado.


Passos quebram sua trilha de pensamento, tirando-o de forma abrupta de seus devaneios e Madara agitou-se novamente dentro de si, ansioso, esperando por algo, querendo algo. Apesar de uma entidade imaterial, ainda assim, exercia uma influencia imensa sobre seu receptáculo. E nesse exato momento ele estava dizendo Vá! Vá ver o que é. Va encontrá-los! Encontre os intrusos!

Ele só não podia falar. Apenas influenciar.

E então Tobi foi.

E assim veio o monstro.

.

.


Ela tinha ouvido rumores sobre um antigo prédio de reunioes da Akatsuki.

Situado na fronteira entre territórios neutros do país do Som e do Trovão, não era o principal local de operação, mas ainda assim uma base sólida e importante.

O local era grande, com cerca de 40.000 metros quadrados ou mais, um pátio enorme, provavelmente usado para treinamento e vários muros de concreto cercando a propriedade.

Tinha mais de dez quartos, duas cozinhas — uma no andar de cima e uma no térreo— cinco banheiros, três casas e outra adicional, do tamanho de um pequeno apartamento, usada para comportar uma variedade de objetos ambíguos e armas. Sempre que a Akatsuki retornava, tudo o que fora coletado era guardado ali, enquanto seus sentinelas— cuja saúde mental era duvidosa, provavelmente haviam passado por algum processo de lavagem cerebral ou algo do tipo— guardavam tais pertences.

Nunca ninguém havia tomado o caminho que supostamente levava até aquele lugar.

O que era verdade, Sakura logo se daria conta disso...


O local inabitado era imenso e cercado por caminhos em um looping interminável e provavelmente seus arredores estavam repletos de armadilhas mortais.

As mesmas que já havia visto, aprendido e pelas quais conseguiria passar.

E os rumores que havia ouvido dos aldeães eram do tipo:


A Akatsuki ainda prosperava, embora apenas sob esse Complexo.


Um grande monstro que se desenvolveu do mal e ódio de um dos membros de tal organização agora vivia lá, alimentando-se de almas que partiram para a sua vida após a morte e passavam muito perto do local.


Arroaceiros que ousaram vandalizar o interior do local acabaram por irar as almas dos mortos da organização, provocando a ira de seus fantasmas e assim, inevitavelmente assassinando tais arroaceiros.


O fantasma do líder, Pein, o "Deus", ainda assombra o andar superior e, por vezes, se você chegar perto o suficiente da parede de concreto, consegue ouvir a chuva caindo mesmo que o dia esteja perfeitamente ensolarado.


A gangue local rival bane visitantes indesejados do Complexo, enquanto trabalham afim de reviver no interior e, eventualmente, reconstruir o exterior do mesmo para seu uso próprio.


E, finalmente, o rumor que parecia mais plausível para Sakura e, portanto, a assustava além da medida, era que havia um membro sobrevivente da Akatsuki e que este ainda se mantinha escondido lá dentro, saindo apenas quando o cobertor da escuridão da noite lhe permitia, apenas para caçar ou roubar comida das vendinhas vizinhas.

Ela reuniu relatos de testemunhas do caso e o que encontrou apontava para a conclusão lógica de que talvez, apenas talvez, alguém realmente tivesse sobrevivido.


- Eu só o vejo à noite. - uma mulher do vilarejo disse trêmula; e a esposa do comerciante local murmurou novamente. - Ele nunca incomodou ninguém, só vem atrás de comida e água e leva tudo de volta em um saco.

- Deus sabe que eu o vi! - um homem mais velho choramingou, jogando as mãos para alto para dar enfase a seu relato. - Tentou roubar minha ovelha. - e fez um "Não se preocupe" gesticulando com as mãos. - Eu cheguei bem a tempo e essa coisa não vai mais incomodar a minha cidade!

- Eu o vi uma vez, senhorita, - um menino que passava disse com olhos arregalados. - Eu estava perdido e ele veio me ajudar.

E Sakura ficou muito intrigada com isso. - E como ele te ajudou?

O menino virou-se e apontou um escovão espesso em direção ao bosque escuro e imponente, que cercava o vilarejo como a sombra de uma nuvem. - Fui procurar um lugar melhor pra pegar água, mas me perdi quando ficou escuro. Ele veio como se fosse do nada e não me incomodou, senhorita. Ele só me disse para segui-lo e quando eu fiz, de repente já estava de volta ao vilarejo.

- Você o viu depois disso?

- Não, senhorita. Ele é um ladrão, afinal de contas.


E assim começou sua busca por detalhes físicos. Ela queria saber em que estava se metendo.

- Oh, bem … - a mulher do moço da vendinha disse com um ligeiro blush no rosto. - Ele é muito jovem, se bem me lembro. E também muito alto. Cerca de um metro e oitenta, talvez. Tem o cabelo escuro e olhos bem escuros.

- O demônio? Tem mais de seis metros de altura! E olhos brilhantes e escuros! E músculos tão sólidos e fortes quanto os postes que você pode ver logo ali!

- Estava escuro, senhorita, então eu não me lembro muito bem, mas acho que ele tinha o cabelo castanho ou preto. Não cheguei a ver os olhos dele. Mas ele era muito alto.

- E como é a voz dele? - O menino foi o único que o tinha ouvido falar, supostamente.

- Profunda, senhorita. Mas de bom coração. - O menino sorriu um pouco depois. - Ele foi muito gentil, senhorita. Espero que você não planeje macucá-lo.

.

.


E fechando o portão da sede Akatsuki atrás de si, depois de coletar todas essas informações, Sakura percebeu que ainda não tinha quase nada.

Pelo que tinha ouvido falar de dois dos três moradores, ele era em grande parte, inofensivo, quando não provocado. E tinha cabelos escuros e olhos escuros, que, aparentemente, reduzia-o a ... possívelvemente seis dos Akatsuki. E, bem, ela não tinha certeza de quem estava ou não morto ainda...

Lutando contra sua primeira inclinação de puxar uma kunai para sua própria defesa, apenas segurou um pouco mais firmemente a capa de chuva azul em torno de si mesma.

Ela não tinha ouvido falar de qualquer chuva nem do tempo nublado antes de entrar ali, e também não vira nenhuma aparição fantasmagórica nos andares superiores através das janelas empoeiradas, não ouviu nenhum grito desumano de um monstro qualquer, nem fantasmas irados da organização, nem membros de gangue rondando pelo pátio ou arredores.

E antes que pudesse sequer pensar em relembrar a si mesma de que o suposto sobrevivente Akatsuki ainda não havia sido encontrado, ouviu o rangido do assoalho soar acima de si.


Seu primeiro instinto foi o de esquivar-se da trilha de poeira que caiu do andar de cima e então, Sakura correu silenciosamente através da sala, sua figura parecia apenas um borrão durante algo parecido com o tempo de um segundo ou menos, até que voltasse novamente à sua forma sólida e estática, inclinando-se levemente contra a parede oposta.

E pos-se a escutar por um tempo, ciente de que a parte de trás de seu casaco estava provavelmente suja agora. Facilmente poderia dizer que ninguém havia espanado ou limpo este lugar há anos.

Já havia se passado cinco ou seis anos desde a queda inevitável da Akatsuki ... então ... isso acarretara cinco ou seis anos de poeira e sujeira em sua roupa favorita?

Que ótimo.


Os passos não continuaram, então ela aproximou-se da janela, automaticamente mascarando seu chakra. "Você precisa de férias" Tsunade lhe havia dito. "Não tem necessidade de trabalhar essa semana. Basta tirar uma folga, faça isso. Apenas faça isso. Está me ouvindo?"

Claro, não fora culpa dela ter acabado encontrando toda essa coisa inesperada.

Não havia praticamente nada para se fazer na Vila, então Sakura decidiu sair em um agradável passeio por lugares mais externos aos bosques. E encontrou uma trilha que parecia um pouco batida e desgastada e não muito utilizada.

E definitivamente notou o porquê do caminho ser menos utilizado pelos viajantes.

Era uma sequencia de caminhos entrelaçados que desembocavam em infinitas direções, então Sakura finalmente teve a necessidade de memorizar o caminho certo pelo qual havia percorrido até agora. E durante todo esse tempo, praticamente não chegara a notar quão tarde havia ficado e quão cansada estava.

Então, recomeçou a trilhar seu caminho de volta ao vilarejo (algo do tipo trabalho de detetive, buscando traços e pistas o tempo inteiro). E, eventualmente, uma de suas pistas mais palpáveis a levaram a uma evidência fisica de algo: Uma base Akatsuki há anos desativada, no coração dos emaranhados de caminhos do vale, há muito abandonada e esquecida.

As armadilhas e selos já desativados, mas ainda assim não deixavam de lado essa atmosfera sombria e assustadora que rondava o local.


Fitou a escada ironicamente.

Talvez Tsunade estivesse certa. Ela estava aqui de férias, bem... mais ou menos, então não deveria tratá-las como tal? Ela só tinha uma kunai e uns poucos utensilios ninja consigo, de qualquer maneira, e só usaria se cruzasse com um possivel membro Akatsuki restante...

Ah. Teria muita sorte se chegasse a cruzar o caminho de Itachi e Kisame, por exemplo.


Tomando folego silencioso e profundo, pos-se a subir as escadas, uma mão deslizando sobre o corrimão. Não conseguiria entrar inconspicua, mas tentaria o maximo possivel.

Quando finalmente atingiu o topo da escada, o andar de cima cumprimentou-a com uma camada ainda mais espessa de poeira e várias peças de mobiliário esfarrapados e quebrados, cobertos com teias de aranha ou um plastico eventual.

O local não era grande ou especial, mas do tipo prático... Havia algumas mesas e cadeiras, mas não muito mais que isso.

.

.


Um visitante.

Era um visitante—uma garota, nada mais nada menos.

De cabelos róseos, com imensa força e agilidade e inteligência e a capacidade de esmagá-lo com apenas um movimento de seu dedo.

A mesma garota de cabeleira rosea e ninja médica, com perfeito controle de chakra, a mesma dos contos de Deidara, sobre como Sasori havia sido morto por uma garota e a baa-baa Chiyo e sua centena de bonecos—

Lembranças, lembranças, lembranças dolorosas que nem mesmo eram suas.

A morte de Deidara. A imensa explosão, o rapaz montado em cobras, cuja expressão era tão fria como o inverno mais rigoroso que já vira. Uchiha, tinha os mesmo olhos de Madara, Uchiha, o que Tobi não era, Uchiha. Como os olhos de Madara. O Sharingan.


Já à beira de um ataque de pânico e dolorosamente auto-consciente de uma de suas mais proeminentes características físicas— graças a Madara— Tobi procurou desesperadamente por algo para cobrir-se. Ele tinha que falar com ela, é claro, porque não podia evitar um confronto na atual situação, mas ainda assim queria manter sua identidade em segredo, se possível.

E desejara muito, muito mesmo não ter quebrado sua máscara anos atrás.

Mas ela provavelmente o reconheceria, com máscara ou sem.

Um alibi, Tobi! Arranje um álibi! Quem é você? O que está fazendo aqui?

Um vagabundo, senhorita. Apenas um pobre vagabundo sem lugar algum para ir. Seria demais pedir por um abrigo?


Assim que viu a mão dela vir passar pelo corrimão, Tobi pegou um lençol sujo e envolveu-o em torno de sua cabeça como um capuz, o pano fora capaz de obscurecer seus olhos e rosto e feições.

Apoiou-se na parede oposta, mantendo o lençol firmemente com um nó sobre sua garganta.

A garota—mulher, porque ela era uma mulher— tinha por volta de seus vinte e poucos anos, assim como ele—aproximou-se cautelosamente e aparentemente desmascarou seu próprio chakra. E então ele a sentiu e aquilo foi maravilhoso e terrível ao mesmo tempo, como se um sopro de ar puro e um balde de água gelada fossem despejados em seus pulmões. Não sentia o chakra de outra pessoa, especialmente de outro shinobi praticamente em pé de igualdade consigo, há muito tempo. Anos, talvez.


- ... Quem é você? - perguntou. Rígida. Forte. Dominadora.

Ele tinha esquecido seu nome.

Qual era seu nome mesmo?

Tremeu.

- Quem é você? - ela perguntou novamente, desta vez com mais força.

- Tobi, - respondeu, e guinchou um pouco da parede e imediatamente amaldiçoou a si mesmo. Ele nunca foi muito bom em situações de alta pressão.

Automaticamente notou a reviravolta de expressões pairando no rosto feminino: surpresa, confusão, temor.

- Tobi da Akatsuki, - Soltou sob sua respiração, dando um passo para trás.

Ele balançou a cabeça levemente.

- Tobi ... o parceiro de D-deidara. Aquele com Sharingan.

Outro aceno de cabeça.

E Tobi realmente não esperava que logo em seguida ela fosse desmaiar ao chão.

.

.


Ele não sabia o que dera em si mesmo— talvez fossem suas tendencias inatas cavalheirescas, ou talvez fosse algo que Madara estivesse tramando—mas Tobi acabou pegando a moça no colo, pondo-a com cuidado em sua própria cama; na qual também sentara agora.

Remexia as mãos nervosamente, esfregando dedo contra dedo, abrindo e fechando os punhos a cada minuto. Ele esperou pacientemente, porque queria estar lá quando ela acordasse. Queria ter certeza de que ela não faria nada imprevisivel também.

E ainda assim, ele não sabia... o porquê disso.

Talvez só estivesse sozinho por muito tempo.


Eventualmente, a kunoichi se moveu, mas apenas para enrolar os cobertores mais firmes sobre os ombros. E Tobi tomou isso como um pedido silencioso por mais cobertores, então saiu do quarto para buscar outro.

Ela ainda dormia tranqüilamente quando ele voltou, então estendeu mais uma coberta sobre ela, tão delicadamente quanto podia.

E esperou por mais uma hora ou algo assim, e ainda assim ela parecia adormecida.

Ele não fez qualquer movimento para despertá-la, embora a influência de Madara certamente o tentasse a fazê-lo. Então, simplesmente se sentou na cadeira ao lado da cama, tentando ignorar a chuva lá fora, esperando que ela, ao menos, virasse o rosto em sua direção e assim pudesse ficar ali, somente fitando-lhe.


Ela não fez quaisquer movimentos e manteve sua expressão calma e pacífica; expressoes de calmaria que Tobi tanto ansiara por ver nos últimos cinco anos ou mais. Ela respirava calmamente, seu peito subia e descia e subia e descia numa dança rítmica que praticamente induzia Tobi a cantar para ela.

E ... assim o fez.

- Nana, nenem... - começou, surpreso com o quão sua voz falhava e quão baixo seu tom soara. - Do meu coração...

Ele esperou por qualquer evidência de que a moça fosse mexer-se ou acordar, e quando ela não deu quaisquer indícios de movimento, ele continuou. - Papai foi à roça e mamãe foi trabalhar...

Aquela era realmente a única música que conhecia.

Ele tinha uma memória tão ruim quando o assunto era sua infancia que ficou completamente surpreso ao lembrar disso. Um de seus pais ou talvez uma babá ou um irmão costumava cantar-lhe para faze-lo adormecer ou amenizar sua dor quando estava doente.

E pensando sobre o assunto, ele conseguia sim se lembrar de estar doente com muita frequência. - Papai foi à roça... - Alguém tinha mesmo lhe dito que ele não viveria por muito tempo. Ele era fraco. Não ha como escapar de uma tendência genética à doenças letais.

- … E mamãe foi trabalhar... - Uma das médicas lhe havia cantado essa canção de ninar uma noite, talvez quando a febre havia estado particularmente muito alta. E a partir de então, Tobi gravou a canção em sua mente. Os versos provavelmente não eram os mesmos, mas ainda assim...

- E mamãe foi... - Traços de memória lhe inundavam à mente nesse momento, e ele pôs a mão sobre a testa dela, tirando alguns fios róseos do caminho. Tirou uma, duas, tres vezes, e então pos-se a repetir o processo em um ritmo suave. - … foi trabalhar...

Seus dedos gradualmente deslizavam por cada fio de cabelo róseo, desfazendo alguns nós gentilmente quando eventualmente encontrou um ou dois. Ele deitou sua cabeça no travesseiro (o mesmo no qual ela repousava) e continuou a cantar, embora sua voz não passasse de um mero sussurro agora.

- Nana neném... - O leve acariciar evoluiu para um massagear, passeando seus dedos pelos fios com mais firmeza e o polegar deslizando casualmente em sua bochecha delicada. - .. Nana nenem—

- Tire as mãos de cima de mim. Agora.

Ele se afastou como se tivesse sido queimado pelas palavras dela.


Ela se sentou na cama, os cobertores caindo em torno de sua cintura, e imediatamente pos-se de pé.

Tobi se levantou da cadeira e acabou derrubando-a, lançando duas mãos de forma defensiva no ar. - Sinto muito! Tobi sente muito!

Uma ponta de realização apareceu em sua face, logo substituida por uma careta. - Nunca mais toque em mim.

Ele engoliu em seco e sussurrou numa voz suave. - Sinto muito...


Ambos encararam-se por alguns minutos e ele percebeu que ela estava respirando pesadamente. Ela estava assustada, algo lhe dizia isso. E muito, muito assustada, então agora sim era hora de tirar proveito disso.

Ele era solitário. Certo?

Madara residia dentro de si. Certo?

E Madara era excelente em genjutsu. Certo?

Sim.


- Gostaria de passar a noite aqui? - Ofereceu, afastando-se e gesticulando em direção à cama.

- Claro que não!

Ele fez uma careta. Já deveria ter esperado por isso. - Eu não vou te machucar. Está escuro lá fora. E chovendo.

Ele não queria colocá-la sob genjutsu, embora suas pálpebras de repente ficassem pesadas e as pontas dos dedos fervilhassem com chakra somente ao pensamento de faze-lo ( pensamento este de Madara). Genjutsu causaria-lhe inconsciencia ou a congelaria no lugar completamente, e ele não queria isso. Que uso teria um corpo praticamente inerte, afinal?

Seria bom para algumas coisas explícitas, coisas tais nas quais Tobi realmente não queria nem pensar ou nomear.


Então, optou pela melhor opção: blefar.

- Há um selo em torno do Composto.

- Que tipo de selo? - Retrucou a kunoichi, quase que num rosnando.

Ele não tremeu desta vez. - Que permite que os intrusos entrem, mas não saiam.

- E quanto a você? Como você consegue sair?

- Eu não sou um intruso, - respondeu calmamente. - O selo reconhece o chakra de Tobi.

E Sakura virou-se visivelmente fumegando. - E como isso serve de alguma coisa?

- Serve para dimunuir as suspeitas. - respondeu, pondo a cadeira de pé novamente e sentando-se na mesma - por ser completamente indefeso, exceto pelas armadilhas desativadas que o rodeiam. Porque se ainda assim todo emaranhado de caminho virem a falhar, então, ao menos, quem entra não pode sair e contar a ninguém sobre essa localização.

Viu-a cerrar e descerrar os punhos.

- Desative.

- Eu não posso.

- Por que não?

- Eu não sei como.

Sua mandíbula pressionou-se antes de soltar um grito exasperado e totalmente frustrado. E pos-se a caminhar de um lado para o outro. - Droga!

- Sinto muito.

- O caramba que sente! - Gritou, sacudindo os ombros. - Então me mostre! - E girou de volta para ele. - Mostre onde o selo começa!


Ele engoliu em seco.

Genjutsu, algo doce e animado sussurrou dentro de si. Genjutsu era a única maneira agora. Apenas por um momento. Só para fazê-la pensar que estava tocando uma parede de chuva ácida.

Genjutsu era a última opção.

Era Genjutsu ou a solidão novamente, o que Tobi iria escolher?

Ele levantou-se obedientemente e ofereceu-lhe a mão, que ela protamente se recusara a pegar.

Ele balançou a cabeça e caminhou para fora da porta e ela o seguiu. No final do corredor, descendo as escadas, caminhando através da sala em direção à porta da frente, onde a chuva caia em pingos pesados.

Ela o fitou, incrédula, e depois estendeu a mão.

- Não! - disse Tobi. - Ela vai queimar você. - E tentou seu melhor em faze-la olhar-lhe nos olhos. O Sharingan começou a girar, a essência de Madara encheu-lhe as pontas dos dedos, e aquilo foi quase que excitante, essa perda total de controle sobre si.


Ela fez exatamente como ele esperava, voltando seu olhar inerte para ele.

E então congelou completamente.

Madara manteve a ilusão em curso por tanto tempo quanto achasse necessário.

Eles— ele e Tobi— observavam Sakura sucumbir ao genjutsu, observaram sua carranca crescer e sua mão queimar sob o toque da chuva pela fresta da porta.

Sakura retirou a mão rapidamente, soltando um suspiro triste, segurando a palma da mão queimada contra o peito.

Madara parou o genjustu suavemente.

E Sakura caiu de joelhos ao chão.

.

.


E no caminho para o quarto no andar de cima, Tobi infelizmente queimou a parte superior da mão de uma Sakura inconsciente com a chama de uma vela, desculpando-se imediatamente em seguida, com uma voz rouca e, após isso, tudo ficou em total e pleno silêncio.


.

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Continua

.

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N/T:

Cara, não é por nada não, mas de boooa, essa fanfic T/M/S é a melhor fic que já li para o trio.

E olha que já li algumas (muitas) coisas.

No fim, acaba se caindo na mesma estrutura do ooc e aí, sabe como é né, "perde-se" muito de cada personagem...

Aí, quando eu conheci a fallacy (e seus escritos), cara, foi o céu. Porque a forma como a moça traça a personalidade de cada um deles (tensa e "kishimotesca") é incrível!

Eu adoro.

..

Quem quiser ler é sempre bem vindo.

Mas por favor, não esperem por algo super fluffy ou coisas do tipo. A fic tem seus "q" de "flufês" mas na maior parte do tempo é tensa. (Graças às "aparições" de Madara "dentro" de Tobi. Essas "aparições" tornam as cenas tensas, sombrias e de puro instinto—carnal *apanhaaa*).

Também há certos traços de angst. E drama.

E (evidentes) limes e lemons. *apanha mais uma vez*

..

Flores, eu estou com esses dois trabalhos quase prontos.

Devo definir datas de postagens em breve, ok.

Mas deve sair não tão tardiamente, afinal a média é de 4 shots pra ambas, né ;D

.

Bom, galera, pra quem me enviou pms e reviews recentes para Em Nove Dias (querendo me esganar hehe), digo:

Flores, estou postando ou amanhã ou sexta ou domingo. (Demorei pq.. bom, as coisas não sairam como imaginei aí sabe como é né..)

Mas dessa semana não passa, ok. *não me batam* hehe

...

Bom, meninas, vou indo,

bjitos

Hime.