MadaSakuTobiSaku em quatro shots.

Classificação etária geral: M

Romance/Drama/Angst

Fandom: Naruto

Shipper: Tobi&Saku&Mada

Disclaimer: Naruto não me pertence.

Autora: Korinara

Trad/Adaptacao: Kahli hime

Betagem: Pimentinha

Do Original de mesmo título

Sinopse: Uma série de rumores sobre um sobrevivente da antiga organização criminosa Akatsuki guiam Haruno Sakura até certo local. Uma chuva ácida e um poder invisível, agora, a impede de partir. E o "monstro" reaparece...

Dedicatória: Pra Bela =)


N/T: Essa fic foi escrita em 2007. Todas as infos que a autora pode recolher do manga/anime são referentes a esse período.

3N/T: Eu precisei adaptar (bastante) essa fanfic. Relembro que minhas traduções são sempre livres.

4N/T: Lembrem-se que: Tobi/Madara aqui, nessa fanfic, compartilham o mesmo "Ser". Essa coisa de Tobi ser Obito não ocorre em Skin & Bones.

5N/T: Tobi/Madara vivera sozinho, isolado durante anos nesse antigo "covil" da Akatsuki. Essa é uma das características mais preponderantes para o 'desenrolar' da fanfic. O fato dele sentir-se só durante tanto tempo e de finalmente ter encontrado uma companhia—feminina—faz TODA a diferença para explicar tanto as ações dele, quanto as de Madara e também as de Sakura. A questão do isolamento é muito forte e significativa para o "entendimento" e "convencimento" de que o enredo poderia ter eventualmente acontecido num cenário hipotético, ok.


Anteriormente...

Depois de ve-la partir, Tobi sentou-se no centro da casa vazia.

O mobiliário, tapeçarias, tapetes, pratos e lâmpadas jogados por toda parte.

Não havia nada mais inteiro, apenas o piso, as paredes e o teto, e, ocasionalmente, uma mosca chamaria sua atenção ao passar por ele.

Sentou-se, enrolado como uma bola, joelhos dobrados contra o peito e rosto enterrado nas mãos.

Madara de repente gritou dentro de si, com raiva, frustrado por Tobi tê-la deixado ir.

Você nunca vai tê-la de volta. Ela te odeia.

E ele sabia disso.

Você vai morrer aqui, sozinho.

Ele sabia disso também.

Você não tem mais nada, nenhum propósito para viver.

E ele sabia disso também.

— Eu te odeio! – gritou, levantando-se ainda ofegante. — Eu te odeio! – E pôs-se a arranhar o próprio rosto, provocando lesões profundas, com o sangue escorrendo pela face e pescoço. — Saia, saia, saia! Deixe-me sozinho, Madara!

Mas Madara não disse sequer uma palavra.


Então, Tobi atirou-se contra uma parede, fazendo o lustre acima tremer e começar a ruir na parte frágil do teto de gesso. — Deixe-me sozinho! Saia!

E jogou-se contra a parede novamente, o ombro dessa vez batendo com mais força, e mais uma vez o lustre balançou, ruindo ainda mais a parte pela qual se mantinha presa ao teto. — Olhe o que você fez!

E lançou-se novamente. — Ela me odeia agora! Porque você não pode me deixar ser feliz?

E mais uma vez.

O lustre jazia pendurado apenas por um fio e a peça rangeu ameaçadoramente.

— Por que está fazendo isso comigo? – resmungou, atirando-se contra a parede pela última vez.


O lustre veio abaixo e, com seus sentidos shinobi em transe, o golpe foi simplesmente inevitável.

Quando o enorme lustre ruiu-se ao chão, Tobi despedaçou-se da mesma forma.

. . .

.


Skin and Bones

Pele e ossos

Parte final


Sakura havia estado fora da Vila por mais de seis meses. Então, quando voltara à Konoha, supunha que não deveria ser tão presunçosa a ponto de esperar uma recepção calorosa. Teria gostado de ter seus amigos correndo em sua direção, abraçando-a, e que Tsunade expressasse grande alívio por sua aprendiz estar de volta.

Em vez disso, foi recebida por uma Vila que estava exatamente a mesma coisa desde quando partira em missão. Seu apartamento era o mesmo, um pouco empoeirado e com mal cheiro de comida apodrecendo na geladeira. Além disso, estava escuro, frio e tão, tão vazio...

Bem, esperar uma recepção calorosa talvez fosse um pouco demais.

Perguntava-se se primeiro deveria deixar um bilhete na casa de sua senhoria e, em seguida, ir diretamente à torre da Hokage, e dizer a Tsunade – ou a qualquer um que fosse –, informações sobre Tobi.

Ele a traiu, sim. Manteve-a presa por meses e, supostamente, tirado vantagem dela, mas...

Balançou a cabeça. Se lágrimas pudessem servir como prova, então, ele já havia sofrido o suficiente. Ela o deixou. E estava certa de que ele não viria procurá-la.

Explicou a Tsunade exatamente o que acontecera, e a Hokage não ficou nada surpresa.

— Emboscada? Como assim?

— Eu fui sequestrada.

— Por quem?

— Shinobi inimigo. Eles não tinham Hitai-ate.

— O que eles queriam?

— Me roubarar e tentaram me estuprar.

— Mas você está bem.

— Claro.

Coisas como essa aconteciam muitas vezes no mundo ninja.

Ela pegou seu contracheque, o que foi suficiente para ter novamente a luz e o gás religado. A proprietária pagou as taxas de água e lixo, para que ela não precisasse se preocupar com isso, mas Sakura teve que explicar pessoalmente o que lhe tinha acontecido. Na esperança da mulher ter piedade de si e, assim, não decidir despejá-la.

Quando voltou para seu apartamento, tomou um pouco de água porque estava completamente exaurida depois desta pequena aventura. Tomando um segundo copo, pegou uma pílula, redonda e branca, de dentro de uma gaveta próxima, que, certamente, impediria uma indesejada gravidez.

Sentou-se sozinha em seu apartamento, escuro e fedorento, ficando lá por horas, fingindo que sua maior preocupação agora era quando diabos a luz voltaria. Entretanto, a única coisa em sua mente era um homem com olhos castanhos, de um comportamento pueril e com uma dupla personalidade bastante evidente.

OO O

Quando Tobi acordou, o lustre ainda estava esmagando suas costelas e sua cabeça latejava muito. Os dedos das mãos e pés estavam um pouco dormentes também, e ele se perguntou se isso tinha alguma coisa a ver com o ferimento na cabeça.

Empurrou o lustre e os vidros quebrados para longe de si, na tentativa de remover parte do metal retorcido, gemendo com o esforço. E caiu no chão novamente, tentando a todo esforço pôr-se sobre os próprios pés.

Assim que o fez, uma onda esmagadora, uma náusea tremenda tomou conta de si, e ele vomitou. A magnitude da dor foi tão grande que o shinobi esvaziara tudo o que tinha no estômago. E mais uma vez. E depois de tossir e vomitar praticamente bílis, o processo tornou a acontecer, uma vez ou outra.

Conseguiu, com muito esforço, tatear ao longo das paredes até a cozinha, onde imediatamente jogou água fria sobre o rosto. Mas isso não o ajudou em nada, e ele se inclinou mais uma vez, vomitando o próprio corpo.

Ele abominava Madara, recriminava a Akatsuki, amaldiçoava Sakura e condenava a si mesmo acima de tudo. Era sua culpa por ser fraco, por ser muito confiante e permitir que Madara se alimentasse de si por tanto tempo. O espírito do Outro era como um tumor agora, agarrando-se a si com toda a sua força e se recusava a partir. Ele podia sentir aquela presença esgueirando-lhe a espinha e batendo na parte traseira de seu crânio, permeando-lhe os sentidos, velando seus pensamentos.

E ele odiava isso.

E depois de um último suspiro (de onde não saíra mais vômito), Tobi se endireitou, segurando-se na pia da cozinha para não cair. Quando as pernas pararam de ameaçar-lhe a uma queda iminente, disse a seus pés para levá-lo, droga! – antes que lhe quebrasse todos os ossos – até a porta da frente. Abriu-a e deu um passo para fora, esgueirando-se à varanda, ao longo quintal, e, finalmente, avistar o caminho da floresta.

Ele ainda podia ver as pegadas de Sakura sobre o solo úmido, porém, logo quando estava começando a segui-las, sentiu-se mais enjoado a cada segundo, como se estivesse prestes a ter um colapso. Flocos de neve começaram a cair.

Ele sentiu Madara agitar-se dentro de si e então notou como se alguém tivesse agarrado sua espinha e ameaçado enlaçá-la até o umbigo. Inclinou-se seguramente contra um tronco de uma árvore, a fim de ter um apoio, ofegando e segurando forte o estômago.

Vomitou novamente, mas desta vez não foi nada além de água. E quando pensou que era seguro começar a andar, a sensação estava lá, e pior que da última vez. Sangue e parte do que estava em seu estômago foi a arremessado ao chão novamente.

Ele quase caiu, porém agarrou a árvore quando seus joelhos colidiram fortemente ao chão. Fitou à frente, através da folhagem praticamente cedendo lugar à neve. Flocos de neve já estavam cobrindo as pegadas de Sakura. E nisso, ele quase podia vê-la correr, fugindo de si e do demônio dentro dele, partindo para o lugar que chamava de lar.

Ele não poderia seguir seus passos até lá, mas droga, iria ao menos tentar. Ele não tinha nada mais pelo qual viver.

E assim, esgueirou-se de árvore em árvore, ocasionalmente vomitando um pouco de sangue e sua própria saliva, até que a neve tornara-se forte demais e o chão estivesse completamente coberto de um manto branco espesso.

O homem amaldiçoou depois de soltar um suspiro longo e exasperado. Ele estava suando apesar do frio. Mãos e pernas trêmulas. Sua visão tornando-se um enorme borrão, mas ainda assim continuara o caminho em uma direção que nem mesmo conhecia.

Não se passara mais de dez segundos quando desmaiou, caindo de lado sobre o cobertor macio de neve. Parecia encaixar-se perfeitamente contra a curva de seu pescoço nu e braços, e ele pensou em dormir ali. Entretanto isso acarretaria perder Sakura para sempre, nunca mais vê-la novamente, e ela se foi, e tal pensamento o fez querer continuar.

Ele se arrastou pela neve por um tempo, agarrando-se aos montes de neve, rochas e raízes de árvores saindo do chão, até que seus braços não tinham mais forças.

Parecia que as únicas coisas que funcionavam em seu corpo eram os pulmões e o coração, e mesmo estes estavam perto de desistir.

Ele rolou de costas, flocos de neve pousavam sobre seus cílios e bochechas, tocavam-lhe suavemente as pontas de seu cabelo, lábios, e depois disso, a sombra de alguém assustadoramente familiar apareceu bem na sua frente.

Ele fechou os olhos.

OO O

Era o dia seguinte, quando tudo realmente voltara ao normal para Haruno Sakura.

Problemas triviais haviam sido resolvidos com a sua senhoria, Tsunade tinha tratado o incidente como se fosse nada, sua luz e água haviam sido religadas, a geladeira estava limpa e abastecida, e seu apartamento parecia o que era antes.

Ela havia conversado com Naruto e Ino, que tinham procurado por ela desde a primeira semana de seu desaparecimento. Os três haviam saído para comer ramén, onde conversaram sobre o tempo em que passara no cativeiro. Ela teve que inventar uma história palpável para encobrir a realidade por de trás disso tudo, é claro, e quando terminou, Naruto havia prometido matar os cretinos que lhe fizeram isso e Ino zombou com um tom arrogante. — Você deveria ter chutado os traseiros deles, Testão.

. . .

Sakura deixou-se cair confortavelmente no sofá, tomando um gole de refrigerante gelado. Tudo voltou ao normal. Ela só esperava Tobi estivesse bem.

Era quase que assustador, realmente. O complexo onde ele estava não ficava muito longe daquela vila em que Sakura passara uns dias, e a tal Vila não ficava longe de Konohagakure.

Uma batida na porta dragou-a de seus pensamentos.

Seu coração bateu mais rápido do que deveria. Não era Tobi, claro. Ele não teria deixado aquela Vila. Ainda assim, ela atendeu a porta com cautela, aliviada quando tudo o que vira não passara de um simples mensageiro.

— Boa noite, Haruno-san. – disse, inclinando-se levemente.

Sakura o fitou.

— Eu tenho uma mensagem para você. – disse, e com uns selos simples de mão, fez um pergaminho aparecer de repente e entregou a ela. — É de uma Vila rural ao leste.

— Obrigada. – respondeu, e ele partiu enquanto a porta se fechava.

Colocou o pergaminho sobre a mesinha de centro e sentou-se no sofá em frente a ela.

Sakura deve ter fitado o papel por cerca de uma hora antes que finalmente o abrisse.

Era algo simples, na verdade, rabiscado às pressas em uma caligrafia quase que pueril, cheia de erros gramaticais.

"Venha para a nossa Vila. Há um homem aqui que quer te ver. Ele precisa de você..."

Era o que dizia, embora em termos muito menos eloquentes.

"Por favor, venha. Esse homem está doente. Achamos que ele está morrendo."

Sakura sequer pensou duas vezes. Colocou o casaco nos ombros e partiu.

OO O

Ele pensou que tivesse morrido. Morrera, foi para o céu, talvez, mas então... No céu teria uma Sakura, ou pelo menos a chance de esquecê-la. Aqui era um lugar onde sua presença ainda estava fresca em sua mente, seu cheiro, sua pele, a sensação da pele dela, tudo. E isso era uma tortura terrível.

Ele tentou se sentar, mas algo ou alguém o empurrou de volta para baixo. Então, em vez disso, tentou abrir os olhos, e todas as sensações voltaram novamente. Ele estava deitado no chão com um pesado cobertor quente de lã cobrindo-o dos pés à cabeça. O cheiro distante de algum guisado de carne pairava por todo o local, e ele podia ver cerca de três ou mais pares de olhos espiando sua figura.

— É a besta... – alguém sussurrou na parte traseira da sala. — Tenham cuidado! Ele pode ser perigoso.

A pessoa diretamente a sua frente, um menino pequeno, o mesmo menino que tinha visto há muito tempo e que o tinha ajudado a sair da floresta, silenciou a mulher atrás de si. — Ele não é isso. Ele é apenas um homem. — E assim, o menino havia pagado sua dívida, salvando Tobi. Lembrou-se de sua sombra vividamente agora e o olhar preocupado em seu rosto enquanto cuidava de si.

— Nós te demos remédio e água, também mudamos a sua roupa. As roupas em que te encontramos estão penduradas lá fora para secar.

Ele olhou fixamente a mulher que acabara de falar isso. Por alguma razão, sentiu-se estranho. Vazio. Não emocionalmente vazio, mas como se alguém tivesse escavado suas entranhas.

— E enviamos um pergaminho para uma ninja medica – disse outra pessoa agora. —, a mais próxima que encontramos é o uma kunoichi de Konohagakure. Ela é legal. Tenho certeza de que virá te ver.

Seu estômago contorceu-se e roncou assim que se pôs na posição sentada, desta vez, ninguém tentou forçá-lo a se deitar.

— Coma um pouco de guisado. – disse uma mulher, e ele avidamente concordou.

Já estava em sua segunda tigela no momento em que o menino começou a interrogá-lo.

— Então você mora naquela mansão?

Ele balançou a cabeça.

— Tudo é só pra você?

Tobi encolheu os ombros.

— Você não se sente solitário?

Um aceno de cabeça.

— Sinto muito...

Outro encolher de ombros.

Terminou seu ensopado em tempo recorde e optou por se deitar novamente, rezando para que a comida permanecesse no estômago. Ele estava roncando ameaçadoramente de novo, mas não tanto como da última vez.

Uma mulher idosa abriu caminho entre as pessoas no local e se ajoelhou na frente dele. — Você está uma costela quebrada, meu jovem. Talvez seja por isso que ficou doente. Saberemos com certeza quando a médica chegar.

Tobi ergueu os olhos para fitar o teto da cabana antiga, franzindo a testa. — Sinto muito.

—... Pelo o quê? – perguntou a velha, e o menino ao lado dela começou a espantar os visitantes indesejados da cabana, espalhando boatos dele "ter uma doença contagiosa".

— Por roubar comida, às vezes. – admitiu e então esperou receber uma bronca da mulher. Talvez eles simplesmente o atirassem para fora de casa e o deixaria morrer na neve.

Mas, surpreendentemente, a mulher apenas riu. — Você não tem do que se desculpar. Afinal, faz parte da nossa Vila tanto como qualquer outra pessoa.

Viu-a mergulhar um pano numa bacia de água quente e colocou-o em sua testa. Sentiu uma sensação boa, agradável, e então a mulher moveu o pano da testa para o pescoço. — Você está com muita febre. Deveria pensar duas vezes da próxima vez, antes decidir tirar um cochilo na neve, mocinho.

Depois de conseguir esvaziar a cabana, o menino correu para junto do shinobi e perguntou. — Então, qual é o seu nome, senhor?

— Tobi. – sussurrou, e então começou a tremer.

A mulher retirou o pano de sua pele novamente. — A médica estará aqui muito em breve, Tobi. – assegurou. — Nosso mensageiro saiu há algumas horas.

— Ela é muito boa – comentou o menino, sentado ao lado dele. — Ela deixou seu nome com a gente quando nos visitou há algum tempo no caso de que precisássemos dela.

E então...

Uma figura coberta por um longo casacão surgiu pela porta.

A respiração de Tobi engatou dolorosamente na garganta. Mas ele atribuiu isso a sua costela quebrada.

A figura bufou e puxou o capuz da cabeça. E lá estava ela: uma cabeça de cabelos rosados, um rosto corado bonito, e olhos verdes que pareciam olhar para qualquer lugar, menos para ele.

Da mesma forma, Tobi desviou sua atenção para a parede oposta.

— Recebi sua mensagem. – Sakura disse, fitando a velha. — É este o paciente?

A mulher se moveu para o lado, e Sakura se ajoelhou diante de Tobi, primeiro sentindo a temperatura na testa masculina e, em seguida, retirando o cobertor de seu corpo.

Ele sentiu um contorcer familiar e indesejado, um desejo profundo surgindo em suas entranhas, uma sensação que vagava de suas mãos até o peito, pescoço e clavícula. Algo urgente que parecia querer dominá-lo. Mas desta vez... Não era Madara. Desta vez, era o efeito de uma luz esverdeada e calorosa, cujo brilho não impedira de ver o rubor na face da mulher que o estava curando agora.

Ela avaliou seu estado imediatamente, identificando o problema antes mesmo que a velha lhe dissesse os sintomas. E assim pôs-se a trabalhar, consertando ossos e tecidos, o que fez Tobi tremer com uma leve dor que sentira no processo...

Ok, foi uma dor enorme. Mesmo o brilho do chakra verde reconfortante não conseguia acalmá-lo, e ele ficou tenso, cerrando os dentes, sufocando um grunhido.

Depois de alguns momentos fitando-o, e sua costela recém-curada, ela finalmente falou.

— Vocês poderiam nos deixar a sós por um momento? – perguntou a kunoichi.

A velha balançou a cabeça, já fazendo caminho para fora do quarto. — Se precisar de alguma coisa, por favor, não hesite em pedir.

— Eu não vou precisar, obrigada.

Assim que a porta se fechou, Sakura enviou uma carranca horrorosa para Tobi.

Tobi engoliu em seco. — E-eu...

— O que você fez? – rosnou, com os olhos se estreitando ainda mais.

Ele ficou boquiaberto por um segundo. — Eu... O quê? E-eu.. não... foi só...

— Você fez isso de propósito? – indagou exigente, apontando para a costela masculina. — Você é um homem tão, tão BAKA.

Apesar de seus insultos, ele podia ver que ela estava à beira do choro. Talvez não do tipo histericamente e com soluços, mas as lágrimas estavam lá, brotando nos cantos dos olhos verdes.

— N-não, claro que não. – defendeu-se. Os punhos cerrando sobre os lençóis, o desejo de tocá-la para confirmar se ela era real, que realmente estava aqui, e não que ele não estava sonhando, era quase insuportável, mas ele não achava que ele poderia suportar mais outra rejeição. Já havia se machucado o suficiente. — Por que eu faria isso? – acrescentou calmamente como se numa reflexão tardia.

Ela bufou e balançou a cabeça, murmurando. — Por que você faria alguma coisa, não faria?

Seus polegares esfregado o tecido felpudo debaixo de si, e ele tentou afastar de sua mente a dor que sentira durante o processo de cura de seu osso quebrado e a dor que estava sentindo por ela estar aqui, que era provavelmente a última vez que ele iria vê-la, e o quanto ele queria que ela ficasse. Ou talvez ele pudesse ir com ela. De qualquer maneira, ele não queria ficar sozinho novamente. Não queria que ela o deixasse.

. . .

Menos de dez minutos depois, Tobi se absteve de soltar um gemido de dor e estendeu a mão para pegar a dela, ela estava terminando o processo de cura, seu chakra verde deixara uma sensação de frescor em sua pele.

Ela se levantou, e estreitou os olhos verdes fitando o corpo masculino e o trabalho que já havia feito. E com um aceno de cabeça determinado, puxou o capuz sobre a cabeça, pôs o casacão e partiu.

Um choque de pânico invadiu Tobi em ondas, e ele se sentou, praticamente jogando o cobertor para longe. Ele estava vestindo apenas calças e uma fina camada de bandagens sobre um dos ferimentos particularmente profundos na lateral esquerda da parte inferior de seu estômago. Ele não se importou com a dor que sentira com a ação. O que importava era que Sakura o estava deixando novamente, levando tudo o que era precioso para si.

Com os ossos completamente curados, e se sentindo mais revitalizado do que havia sentido durante aquela semana, ele tropeçou em meio a montes de neve, protegendo os olhos e tremendo muito enquanto procurava por qualquer sinal dela. Ela provavelmente correra tão rápido que já poderia ter chegado em casa nesse momento, Tobi percebeu tal com tristeza no olhar. Ele sabia que ela morava em Konohagakure, então sua vontade era de procurá-la lá, mas de qualquer maneira isso não seria possível. Duvidou muito que Konohagakure sequer iria deixá-lo passar pelos portões principais da Vila.

Ainda assim, pôs-se no caminho em direção a Vila, tropeçou vez ou outra em pedras escondidas nos montes de neve pelo caminho.

E então, o que quer que tenha sido aquilo que pegara seu braço, o fez cair feio no chão, de cara na neve.

Gemendo de frio e com o nariz sangrando, ele podia sentir aquela presença se aproximar. Ele ficou de joelhos e, em seguida, de pé, olhando para trás para ver o que lhe agarrara. Ele não conseguia ver muito bem, porém, uma figura apareceu embaçada em sua linha de visão.

— Tobi!

Mais uma vez, aquela coisa que tinha lhe puxado pelo braço o deteve.

Ele piscou e olhou para o seu captor. A mão envolta em luvas pretas segurou seu braço, uma pelagem espessa e macia roçou em sua pele, e um capuz jazia obscurecendo os cabelos rosados dela.

Então, aqueles olhos verdes, puseram-se a fitar diretamente os dele, com uma mescla de confusão e descrença.

— Onde você pensa que está indo? – Sakura perguntou, puxando-o para baixo de um toldo próximo de uma cabana velha, que jazia no meio do caminho.

Ele piscou algumas vezes, tropeçando nas próprias palavras algumas vezes, num gaguejar fraco. — Eu estava... p-procurando por... Konohagakure...

— O que tem Konohagakure? – Sakura perguntou, balançando a cabeça e franzindo a testa. — Do que você está falando?

— Tobi foi... ele ... Eu estava procurando por você! – finalmente cedeu, jogando as mãos ao ar em frustração. — Você partiu primeiro e depois eu fiquei doente. Então o lustre caiu em cima de mim e eu não queria, mas depois eu pensei que tinha te visto de novo. Mas eu não vi e alguém me levou para aquela vila. E você está aqui de novo, mas então você quis partir de novo e Tobi não pode deixar você ir embora de novo!

Levantou da neve, ainda ofegante, e os tremores podiam ser notados por todo o corpo masculino.

Sakura retirou o próprio casaco, soltando um tsk no processo. Colocou-o sobre os ombros masculinos, e seu calor ainda podia ser sentido no tecido.

— Venha. – disse ela, sorrindo tristemente. — Eu voltei por você, não voltei? É óbvio que já havia me decidido.

— Eu posso... você não vai... sobre a chuva ácida... não foi culpa minha...

Sakura balançou a cabeça e fez um sinal para ele se abaixar sob o toldo, e assim ele o fez.

— Olha. – disse, falando tão baixo para que nenhum dos outros moradores daquela Vila a pudesse ouvir. — Eu entendo o que você fez. Eu... Bem, pensei muito sobre isso, e eu entendo. Você viveu naquela base durante anos, completamente sozinho. Eu não posso imaginar quão terrivelmente isso deve ter afetado você.

Ele sentiu as lágrimas começarem a brotar nos cantos dos olhos, e tentou engoli-las com raiva. Uma caiu e ele interiormente amaldiçoou-se, trazendo a mão ao rosto para limpá-la rapidamente antes que Sakura pudesse notar.

Mas, é claro que ela notou. E então ela começou a chorar também.

— Eu fiz uma coisa terrível com você, Tobi, mas estava tão furiosa... – admitiu, puxando-o para um abraço. E ele cedeu em gratidão, envolvendo os braços em volta dela, enquanto ela se pressionava forte contra seu peito. — Ainda assim, acha que vivendo com você por quase meio ano, eu não aprenderia a perdoar?

— Você não precisa. – disse ele, afundando o seu nariz em seus cabelos rosados. Tinha o cheiro da fumaça da chaminé da casa daquela velha. — Você não tem que perdoar Tobi.

Ela se afastou um pouco dele e sorriu. — Não, eu não tenho que te perdoar... Mas eu vou.

Ele esperava que Madara viesse à tona naquele momento, e uma linha tênue de terror fez suas entranhas contorcer-se. Contudo não houve a tentativa insistente no fundo de sua mente, não havia comichões enervantes percorrendo sua espinha. Havia apenas uma vibração em seu peito e seu estômago fazendo leves piruetas, como se fossem borboletas voando.

Ou Madara havia partido ou estava apenas adormecido, e Tobi sinceramente esperava que fosse a primeira opção. Tobi estava apaixonado por Sakura, assim como Madara, e as intenções de Madara eram, aparentemente, muito mais maléficas do que as que Tobi poderia sequer imaginar.

. . .

Sakura e Tobi deram adeus aos moradores, agradecendo-lhes, e se oferecendo a pagar-lhes por tudo o que fizeram a eles, no entanto, em vez disso, a mulher idosa entregara uma panela de ensopado para o casal com um sorriso no rosto. Tobi não tinha ideia para onde estava indo, ele só sabia que Sakura tinha dito que ele viria junto.

E, realmente, quais eram suas outras opções? Voltar para o complexo da Akatsuki, o lugar deserto, vazio e solitário? Não, provavelmente não. Viver naquela Vila pelo resto de sua vida? Bem, aquilo soava apropriado, mas a vida não significaria nada sem estar com Sakura, e ele não tinha certeza de que ele estava pronto para isso.

Ela o conduziu através da floresta coberta de neve, e ele podia sentir o cheiro da civilização antes mesmo que chegassem aos portões de Konohagakure.

Ele começou a caminhar lentamente, fitando ao redor à distância. E virou-se para fitar Sakura. — É neste luga...

Fora cortado quando ela o empurrou contra uma árvore e trouxe sua boca à dele, lábios se movendo freneticamente em seu próprio ritmo, acariciando-o, e sua língua, ocasionalmente, vinha à tona para tomá-lo para si.

Ele estava confuso, mas seguiu-a em sua demonstração de carinho, segurando-a pela cintura enquanto ela roçava os quadris contra os seus próprios.

Ele apenas se afastou o suficiente para conectar sua bochecha a dela, sua respiração ofegante pairando ao pé da orelha feminina, escondendo a face corada na gola do casaco.

— Tobi. – disse num suspiro, de ar quente e palavras suaves. — Eu não sei como, mas você me fez te amar.

E lá estava ele, confuso novamente. — E-eu sinto... sinto muito. – ele e sua gagueira, mas ao menos não estava mais referindo a si próprio em terceira pessoa. Era mais como um hábito de quando ficava nervoso do que qualquer outra coisa, sempre em que estava ansioso ou sua mente se sentia confusa, ele se referia a si mesmo em terceira pessoa. A Akatsuki odiava isso e, pelo que percebera, isso também causava aborrecimento em Sakura, ao menos no inicio, mas não havia muito o que pudesse fazer para contornar tal. Talvez um dia esse tique nervoso acabasse eventualmente.

Seus lábios se moveram sobre o pé do ouvido masculino, abruptamente dragando-o de seus pensamentos, e ele prendeu a respiração, enrijecido e inquieto, tudo ao mesmo tempo.

— E-eu... – começou, mas não conseguiu terminar a frase. Então, tentou novamente. — Eu-eu-eu-eu...

Ela riu, e aquilo foi incrível.

— M-mas você me fez te amar também. – disse ele, apertando os dedos em sua camisa quando ela se afastou, a fim de beijar-lhe o maxilar.

Ela sorriu contra sua pele. — Ótimo. Eu quero que isso dure bastante.

Ele não tinha certeza se ela referia sobre a relação inevitável entre ambos ou ao sexo que ela fortemente estava incitando ao abrir o casaco que ele trajava, e realizar movimentos muito eróticos em partes muito intimas sua. Mas percebeu que poderia encontrar uma forma de ter a ambos durante muito tempo.

OO O

Não era só porque ela queria desesperadamente fazer sexo com Tobi naquele momento. Claro, isso era bom, sempre foi bom enquanto ela estava com ele, mas ela não tinha feito isso simplesmente porque seus hormônios estavam a mil por hora.

Ela o deixou porque se sentia incerta. Ela não sabia se Tsunade permitiria que Tobi se tornasse um cidadão de Konoha. Não tinha certeza se a alguém da Vila o iria reconhecê-lo como parte da Akatsuki.

Mas sabia que ele ficaria muito feliz em fingir que a Akatsuki nunca existira, que ele nunca tinha sido um criminoso.

Felizmente, Tsunade havia lhe permitiu cidadania. Sakura vibrou em alegria contando-lhe a decisão da Hokage.

Assim que estavam saindo do escritório dela, Sakura gritou em alegria e abraçou-o, lançando os braços ao redor do pescoço masculino e rindo como uma criança.

— Tobi pode ficar? – ele perguntou animadamente.

— Sim, sim. – ela respondeu. — Tobi pode ficar!

Ele a pegou e a jogou por cima do ombro, o que a fez gritar, rir e bater nas costas masculina com os punhos cerrados. Mas ele continuou triunfalmente seu caminho.

— Tobi! – ela riu. — O que você está fazendo?

— Tendo um encontro? – perguntou, segurando-a firme em seu enlace. — Eu nunca te levei a um. Sakura merece!

Ela não tinha certeza de onde viera essa sensação de borboletas voando no estômago, contudo, imaginava que fosse pela forma como ele disse tais palavras. Agora as coisas voltaram ao normal, porque sem Tobi, algo sempre iria ficar faltando. Ele tinha se tornado algo em sua vida, e sem o qual, não estava disposta a viver.

Desistindo de se soltar do enlace dele, ela descansou quietinha sobre o ombro masculino, tendo assim uma bela vista do bumbum dele. — Hmmm... Muito bonito. – murmurou com indiferença, e ele se encantou com o comentário um pouco ambíguo.

Ele a arrastou para comer ramén, enquanto as pessoas em volta os observavam. E as pessoas falavam, mas as pessoas sempre iriam falar. Porque ela tinha começado com Sasuke e Naruto e agora esse cara? E as pessoas riram, riram e riram mais, porém, assim estava tudo bem, porque as pessoas iriam rir dela de qualquer maneira.

Ela iria apresentá-lo à Naruto e Ino eventualmente, em seguida, a alguns de seus outros amigos, e esperaria que, desta vez, tudo daria certo entre ela e Tobi. Ela estava certa de que daria, mas mesmo se isso não acontecesse, estava tudo bem também. Ela seria feliz enquanto ele estivesse feliz, apenas fora estúpida demais para não ter percebido isso anteriormente.

OO O

Não havia muito que Tobi poderia dizer a mais. Ele estava feliz com Sakura e esperava que ela estivesse muito feliz com ele também. Não era estranho viver com ela em seu pequeno apartamento e não era estranho ser o cara novo do bairro. Pelo contrário, ele gostava bastante dessa privacidade, o fato de que ninguém sabia quem ele era.

E, apesar de toda a dor e sofrimento que Madara tinha imposto a si, apesar do falatório insistente em sua mente, que o deixara doente e a beira da morte, da febre, e da troca de personas, Tobi estava bem. E ele esperava que o fantasma do outro também estivesse, onde quer que esteja. Era um relacionamento de três vias, desde o início, e mesmo que um membro tivesse sido lançado para fora, parecia justo que esse membro recebesse algum tipo de redenção.

— Só não volte logo, tudo bem... – Tobi murmurou para ninguém em particular, puxando os cobertores por cima do ombro.

Sakura se virou para fitá-lo do seu lado da cama. — Huh?

Tobi balançou a cabeça. — Nada. – e levou a ponta do indicador ao nariz de Sakura muito delicadamente, e ela lhe deu uma careta fofa. — Eu estava apenas falando comigo mesmo.

. . .


Ah galera, e ai, o que acharam?

Uma fic bem diferente ne.

S&B e uma das minhas favoritas para o trio MadaSakuTobi (na epoca nem se cogitava essa coisa de obito e tal...)

Bem, flores, digam pra hime, curtiram?

Agora eu deixo um bjito pra Jan-Pimentinha, que foi uma fofa betando o escrito pra mim, Pra Fallacy-korinara, que escreveu essa coisa maravilhosa, pra belita que merece cada presente dado, e pra todas as leitoras fofas, cujo apoio me motiva muitoooo a estar sempre presente com novos escritos :

ARIGATOU :D

Hime ;D