Pela Manhã


I. Salem's Lot, bem como qualquer informação relacionada, pertence a Stephen King e associados. Logo, esta fanfic não possui fins lucrativos.

II. Final alternativo, shotacon, shounen-ai.

III. Ben Mears & Mark Petrie.


A cidade queimava como tocha. Suas labaredas erguiam-se como colunas para o céu e a fumaça enrodilhava contra o vento. O fogo, que começara com um estúpido cigarro jogado no foco do incêndio que dizimara a cidade em 51, agora havia se espalhado por toda a região oeste a partir do cemitério Harmony Hill.

As casas, durante o dia, eram devoradas passivamente pelas chamas.

À noite, os gritos começavam.

Ben estava sentado sobre a mesa dos Petrie com um dos pés apoiado no chão e os braços cruzados sobre o peito, curvado nas costas doídas; pensativo. Olhava para Mark junto ao fogão, enchendo uma chaleira de água e virando uma omelete com a espátula. O cheiro de óleo se misturava ao dos ovos e atiçava o estômago mesmo que, pela casa toda, ainda sentissem o cheiro de poeira misturar-se ao de sangue inumano.

Com os raios de sol incidindo nas janelas baças enchendo a cozinha até então abandonada com sua luz, Ben podia bloquear a mente só por um momento e deixar-se mergulhar naquele mundo delimitado por quatro paredes, onde a tinta descascava e a infiltração subia em bolhas. Quase podia ver aquele lugar como ele fora antes, com o Sr. Petrie atravessando a porta com o jornal enrolado embaixo do braço, sentando-se em sua cadeira preferida junto à parede. A Sra. Petrie talvez estivesse no lugar onde Mark estava agora, girando para lá e para cá em seu vestido deselegante e seu avental. A tinta estaria como fresca na cozinha bem cuidada e limpa e nem sinal de louça haveria sobre a pia. Mas agora havia a poeira, o papel de parede rasgado, a umidade excessiva e o cheiro de mofo encobrindo a beleza das visões do passado.

Mark mexia a espátula com o maxilar muito apertado e, mais de uma vez, derramara óleo para fora da frigideira. Era horrível estar ali, mesmo depois de três anos e encarar a janela espatifada por onde Barlow entrara, ouvindo o som das testas se chocando com uma força repulsiva, como se a morte de seus pais estivesse acontecendo agora. Mas o pior, certamente, era olhar para baixo e ver o lugar onde os corpos foram deixados inertes, esquecidos e desimportantes. Por este motivo esforçava-se a olhar para cima, para frente, com o pescoço tão duro que lhe daria uma cãibra, enquanto tentava prestar atenção no que fazia para não queimar o café-da-manhã.

N/A:

E é isso, meus bons e velhos chapas.

Devo continuar essa bagaça? D:

:D amo todos vocês. xoxo;