Sadismo: O termo sadismo deriva do nome do escritor e filósofo francês Donatien Alphonse François de Sade (Marquês de Sade), e denota a excitação e prazer provocados pelo sofrimento alheio.

Capítulo 01: Salve o brinquedo

"Ser uma pessoa sádica e ao mesmo tempo segura nem sempre é bom. Talvez a expressão 'rir na cara da morte' fosse muito bem-vinda a esse tipo de pessoa. Aquela que ri, gargalha, apodera e faz comédia da situação onde não tem controle, e do mesmo jeito quando os papéis são invertidos, quando alguém está sofrendo, o sádico vai rir e gargalhar. Nem tudo é piada, mas talvez pra pessoas assim, de certa forma são. Se você encontrar pessoas assim, ou quaisquer indícios de pessoas provocando esse tipo de ação disquem para o número abaixo. Estaremos seguros quando os loucos deixarem a cidade." Era isso que em letras garranchosas fora escrito num caderno de um aluno qualquer, encontrado no chão. Meio estranho um caderno desses num dos becos úmidos e cheios de lixo. O número na folha de caderno escolar fora rabiscado por algum rebelde, mas não tira o fato dos avisos serem uma piada.

- Ei, Bob! Veja isso! – Exclamou o criminoso ao parceiro que estava revirando a bolsa de uma mulher, que há essas horas, estaria ligando pra polícia. – Estão ensinando nas escolas a não serem que nem o chefe!

- Quê? Essa eu quero ver! - Riu o outro, enquanto teve o caderno jogado em suas mãos. Ao ler, soltou uma gargalhada. - O chefe vai rir muito quando ler essa! – Pegaram o caderno e simplesmente meteram na bolsa da mulher, e foram correndo para dentro do caminhão de sorvetes. Roubado, é claro.

Resolveram ligar a música de venda e não andar em velocidade. Sabiam que a essas horas da noite, se andassem com muita velocidade, iriam suspeitar. Do jeito que Gotham era supervisionada, não queriam dar bandeira. Foram tranquilamente – e aliviados – até o seu objetivo. O apartamento 302, onde estava o resto de seus capangas e seu chefe. Um apartamento qualquer a polícia de Gotham não estaria investigando... Foi o que o tal do chefe disse.

Estacionaram o caminhão à frente do apartamento, e iam dando risadinhas com as joias, dinheiros, bolsas, carteiras e o aviso naquele caderno de criança, tudo dentro de uma grande Louis Vuitton original. "Grande dia! O chefe ficará orgulhoso!" pensou o ladrão.

E adentraram no apartamento, com as máscaras de palhaço e a roupa suja, subiram pelo elevador até ao terceiro andar. Com muita festividade, entraram no apartamento 302 e encontraram apenas seu chefe, com a cadeira virada para a janela.

- Ei, chefe! – Disse o Bob, que era um pouco mais gordo que seu parceiro, cujo nome era Buddy. – Veja só esse aviso que encontramos. – Soltou o caderno na mesa na curiosa página. Pensou se o chefe conseguiria ler com aquela fresta de luminosidade que a lua proporcionara. Com a luva roxo-escuro pegando o caderno, voltando-se para a janela e lendo o aviso, pensou que seu chefe conseguiria ler naquela escuridão mesmo.

Uma gargalhada frenética tomou conta do lugar e os dois paspalhos tentaram rir com tanta vontade quanto o homem, mas só conseguiram dar umas risadas nervosas e baixas, como se quem dissesse "ria também, ria também" ameaçadoramente. Ele arrancou a página com cuidado e jogou bruscamente o resto do caderno pela janela, caindo sobre o asfalto em meio dos carros.

- Há, há, há... – Riu falsamente Buddy. – Viu chefinho, estão fazendo isso com você... Chamando você de louco! Não acha injusto? – Perguntou com certa timidez na voz.

- Me diga. – Sua voz saiu um tanto segura desta vez. – Vocês acham que eu sou um... Louco? – Perguntou, gesticulando com as mãos como se essa fosse uma grande questão. Ele continuava encarando a página e olhando a folha, de costa para os capangas.

Um silêncio tomou parte de todo o apartamento escuro, com objetos roubados e dinheiro a toda volta. Eles balançaram em conjunto a cabeça negando a questão. Ficaram apavorados.

- Eu perguntei... – Virou-se. Seu sorriso pela maquiagem parecia quase psicopata. Mas não, seu sorriso não era para transmitir um psicopata. Muito menos um louco. Era... Diferente. De certa forma, os ladrões se assustaram. Ele estava feliz... Demais. – Vocês acham que eu sou um louco?! – Falou ainda mais alto. Ele tranquilamente foi caminhando e encarou o ladrão mais gordo, Bob, quando ameaçou a faca em seu pescoço.

- Não, chefe! Não! – Os dois responderam temerosamente.

- Então por que me trouxeram isso? Para eu ler enquanto tomo um chá? Ou talvez enquanto eu tiro algumas vidas de certos criminosos sem valor que não tem o que fazer? – Perguntou em tom de deboche, como se fizesse uma piada.

- Por que é engraçado... – Disse Bob, com medo da faca em seu pescoço largo. – Há, há, há... O senhor devia rir... Sádico... Há, há, há... – Riu nervosamente, tentando não falhar em convencer o chefe, o que deu muito errado, pois sua desculpa parecia mais um lamento para não matá-lo. Sua risada, um choramingo.

- Rir? Eu deveria... – Pensou, olhando em volta. – Rir? Eu vou lhe contar uma história. Veja, veja estas cicatrizes. – Aproximou seu rosto dos olhos de Bob, que estava quase chorando. – Mesmo com a maquiagem, elas aparecem. Você as vê? Vê, é claro que vê. Eu as sinto. Então, deixe-me falar a história de como as consegui. – Fingiu uma tosse e continuou, com a faca deslizando aos poucos para a boca do ladrão. – Eu tinha um serviço em Gotham. E esse serviço era trazer melhores criminosos pra esse lugar. Aqueles criminosos que não se importam apenas com o dinheiro, que não ficam fazendo trabalhos inúteis, você sabe? Sabe. Então, certo dia, pedi educadamente que dois dos que trabalham pra mim, fazer algo de decente em Gotham. Tirarem algumas vidas que nos atrapalham... Detonarem uma bomba em alguma escola... E sabe o que eles trouxeram? Um aviso de que estão todos evitando os loucos nessa cidade. Então eu me ofendi. Afinal, eu não sou louco. – Passou a língua entre os lábios – E eles ficaram tão sérios... E eu perguntei: "Por que tão sério?" e eles não me responderam. Então, eu coloquei um sorriso no rosto deles! – A faca roçou sobre o rosto gordo de Bob, quando o homem simplesmente puxou a faca com força na lateral de sua boca, fazendo-o cair e se agoniar de dor. Buddy, o mais magro, ficou aterrorizado e tentou fugir pela porta que misteriosamente, estava trancada por fora. Começou a pedir piedade, quando o homem simplesmente tirou outra faca do bolso e rapidamente cortou as duas laterais da boca do capanga Buddy, dando o "sorriso" que lhes contou na história.

Começaram a agoniar-se de dor e o sangue caindo pelo carpete do apartamento.

- Se quiserem ouvir outra história... Aqui o meu cartão. – Jogou uma carta no chão entre os dois bandidos caídos com as bocas dilaceradas no chão e saiu pela porta, que agora, já estava aberta. A carta era apenas uma daquelas de baralho, que dizia "Coringa".

Desceu as escadas assoviando e saiu do apartamento com uma máscara de palhaço, parecida com as demais de Bob e Buddy e entrou no caminhão de sorvetes, que agora, estava lotado de outros criminosos que trabalhavam para grupo dele. O homem ao lado do volante iria fazer alguma pergunta sobre o que aconteceu no apartamento, mas ele não teve piedade em dar um tiro em sua cabeça, e o jogar pela janela. Ligou o motor do carro como se tivesse acabado de jogar um pacote de fritas pela janela. Algumas pessoas que perambulavam pela noite de Gotham ficaram chocadas e o caminhão disparou em velocidade para longe dos apartamentos. – Espero que o trânsito não esteja muito lento... Estou com pressa. – Passou língua pelos lábios com maquiagem, fazendo-o até sentir o gosto da tinta vermelha.

O destino, ninguém fazia ideia. Talvez aqueles criminosos que trabalhavam com Coringa sabiam que iriam morrer sem mais nem menos pelas mãos do próprio chefe. Não tinham confiança em si mesmo. Na verdade, eles não sabiam que iriam morrer – tinham quase certeza –, mas de certo modo, se aliar a ele já era uma forma de acabar com a própria vida. Ele era simplesmente um sádico com sua própria lógica.

Os homens que ficavam dentro do caminhão na parte de trás ficaram em silêncio, sem mencionar uma palavra. Coringa iria dirigindo enquanto soltava risadas histéricas e girava a arma em sua mão. Um carro de polícia ligou suas sirenes logo atrás.

- Chefe! Estão nos seguindo! – Gritou algum, a voz abafada pela máscara de palhaço que usavam.

- Isso é uma pena. Vocês não deveriam ter roubado aquelas coisas! Que coisa feia! – Avisou. Alguns não entenderam, e outros começavam a questionar o chefe um atrás do outro. – Pode passar aquele carrinho de brinquedo? – Perguntou ao ladrão logo atrás do banco de motorista. Sem entender praticamente nada, entregou o carrinho nas mãos do chefe.

- O senhor vai querer esse carrinho? Deve ter coisas aqui valendo milhões, chefe! – Exclamou o ladrão. O trânsito estava agitado e havia carros correndo muito mais rápido do que o grande caminhão de sorvete. Então um solavanco fez com que todos os outros atrás, inclusive o que havia acabado de questionar o chefe, dessem de cara nas laterais e alguns, caindo sobre o dinheiro e os objetos valiosos dentro do caminhão. A polícia de Gotham já deveria estar chamando reforços e gritando para que diminuíssem a velocidade.

- O único meio de viver sensato nesse mundo é sem regras, meus caros. – Colocou em ênfase sua frase.

E então, com seu carrinho de brinquedo, Coringa abriu a porta do caminhão em movimento. Os ladrões já estavam gritando, quando ele realmente pulou e saiu rolando várias vezes na calçada dos pedestres, e como um fajuto truque de mágica, levantou-se de pé e fez um "tchã-ram" cambaleando para todos os lados e saiu andando tranquilamente com seu carrinho de brinquedo, sem nem mesmo olhar o caminhão desgovernado indo a toda velocidade.

Uma grande explosão tomou conta algumas quadras a frente, pois como se fosse calculado, havia um posto de gasolina bem à frente e o destino do caminhão foi bater contra vários carros em alta velocidade e explodir. As pessoas começaram a gritar freneticamente, e outros carros se chocaram e fizeram grandes estragos pra se livrarem da explosão também. Algumas notas de dólares e retalhos de bolsas de grife foram voando pelo lugar, mas as viaturas de polícia tiveram o mesmo destino que o caminhão de sorvetes e outros carros.

Ao analisar a explosão já de longe, deu uma gargalhada como se estivesse vendo um stand-up de comédia: As pessoas gritando "Fogo! Fogo!", alguns carros revirados para cima e outros tendo que pisar no freio agressivamente, e outras viaturas da polícia chegando. Deu uns passos mais rápidos e, como se quem não quisesse nada, passou logo a frente da delegacia, que parecia não ter percebido o "psicopata louco à solta pela cidade" caminhando vagorosamente e acenando, mesmo que não percebam, pela porta transparente da delegacia. Não era que a segurança da cidade era ruim quando não houvesse certa "ajuda especial", mas a lógica de Coringa era tão abstrata para os policiais, que podia se safar de qualquer coisa. Ia caminhando normalmente, quando algumas pessoas começaram a estranhar um homem de máscara e os trajes diferentes brincando com um carrinho e caminhando pela rua, sendo que logo lá atrás, havia uma grande explosão, onde era o destino de várias pessoas que iam correndo em prantos ver o que havia acontecido. Resolveu não abusar tanto assim da sorte e entrou numa espécie de "Entulhos para Carros Velhos do Tio John" – o que estava escrito numa letra horrível em giz na placa –, que na verdade, era simplesmente o lugar aonde se refugiava.

Talvez o tal Tio John não esteja mais tão bem para tomar conta de sua propriedade...

- Fim do Primeiro Capítulo -

N/A: Olá, eu aqui! Como vai? Antes de tudo, deixe-me agradecer a Beatriz, a menina mais legal do mundo que leu primeiro. Bem... E então, o que posso falar do primeiro capítulo da minha primeira fanfic postada no fanfiction? Bem, a vergonha está me consumindo. Isso é um fato. Além de que shippar um "casal" como esse não é fácil de engolir! Bom, pelo menos estou contribuindo com mais uma fanfic slash nesse mundo, não acha?

Ah, e quero explicar certas coisas sobre essa fanfic no qual você pode ficar confuso. Ela é como uma "re-imaginação" do Batman: The Dark Knight. Utiliza acontecimentos do filme, porém, não há "tempo cronológico" nos acontecimentos dela. Certinho? Qualquer coisa, já sabe. Pode falar.

Os dez primeiros capítulos (Sim, eu estou lá no décimo e resolvi postar só agora) estão prontinhos aqui no forno só esperando para serem expostos e lidos por pessoas lindíssimas. Bem, vou parar de torrar a paciência de todo mundo e até o próximo capítulo!