Capítulo 22: A localização do vigilante

Aquela noite não seria fácil para o morcego. Muito menos para o palhaço. Mas as perspectivas da situação eram bem distintas e impossíveis de se comparar. Afinal, Batman trabalhava para que a situação se estabeleça depois de um longo prazo com a máscara guardada. Já Coringa trabalhava por baixo dos panos com sua gangue que era tratada, inevitavelmente, como meros peões. Ele queria melhorar a classe e o nível dos criminosos de Gotham, mas parece que só ele sabia fazer o trabalho em sua visão. Só que alguém grandioso tanto quanto ele – talvez louco, mas de modo diferente – havia aparecido naquela cidade obscura para mostrar suas habilidades também.

Ele era conhecido por Bane, e se tratava de um terrorista. Um criminoso que nunca havia se mostrado naquela cidade. Era como uma notícia nova e fresca para os jornalistas de plantão e para estampar as páginas dos jornais. Não tinha muito que se descobrir sobre ele, mas podia-se apenas dizer o que ele procurava: Destruir Gotham. Era estranho o problema que os criminosos tinham com Gotham. Era apenas uma cidade cheia de corruptos, com pouca segurança válida e bandidos que assaltam quando bem entendem. Era apenas mais uma cidade ruim. Mas o que se distinguia dela era a estadia de um homem que tentava protegê-la por inteiro. Ele começou do nada.

Antes, era apenas algo para vingar a morte de seus pais na infância. Mas depois foi se tornando algo maior. E depois de ter sido treinado e exposto ao lado ruim da vingança, decidiu se tornar algo diferente. Não a vingança, mas sim a justiça. Eram coisas diferentes e caminhos inversos. Não era uma satisfação pessoal, e pelo contrário, queria procurar a satisfação das outras pessoas em sentarem em seus sofás e sorrirem por verem que seus filhos estarão seguros indo apenas à escola ou apenas levá-lo ao teatro. Queria se assegurar de que aquela tragédia que presenciou não iria pesar nos ombros de outra criança. Ele sabia que não era qualquer um que podia fazer a justiça com as próprias mãos. Não só como o suporte financeiro. Mas as razões de cada um por lutarem.

Gotham já havia presenciado muitos que ousaram copiar o Batman. E muitos deles fracassaram e acabaram por serem presos. Não era isso que ele havia pensado quando se tornou o guardião daquela cidade. Ele gostaria de inspirá-las não para vestir o mesmo traje e tentar usar os punhos, mas sim, trazendo a esperança de que algum dia, as coisas venham a melhorar e os crimes diminuíssem. Era um trabalho difícil que deveria ser lidado todos os dias.

Por hoje, ele deveria impedir o terrorista. Já estava na hora de ver aquele homem experimentar Arkham pela primeira vez e deixar de tentar explodir a cidade. O problema é que ninguém menos que o próprio Homem Morcego sabe que esse oponente é difícil de ser derrubado.

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- "As explosões voltaram outra vez, James. Estou falando diretamente da Prefeitura, e o que vemos é que o tal terrorista Bane voltou atacar. A polícia está investigando o caso, mas não está dando conta. Os moradores se perguntam, e inclusive nós. Onde está o Batman?" – A mulher no noticiário dizia com a voz nervosa. Atrás dela se mostrava um alto prédio com fumaça aos arredores.

- Parece que as coisas vão mal lá fora. – Dissera, ajeitando o travesseiro no sofá e sentando-se, enquanto acompanhava a notícia na TV. – Mas eu não sou nenhuma louca para sair daqui agora...

Selina havia ido ficado em um apartamento bem longe do centro de Gotham. Não queria aparecer tão cedo por lá, uma vez que odiou sua passeata no Asilo Arkham. Ela estava decidida em simplesmente sumir dos olhos autoritários em Gotham, mas aquela determinação durou apenas alguns minutos. Ela se sentia não arrependida, mas presa. Presa ao que deixou pra trás. Ela simplesmente não conseguia esquecer-se das coisas que viveu naquela cidade, das pessoas que conheceu – com exclusividade apenas uma – e de tudo aquilo que estaria deixando para trás.

A identidade de Bruce era uma das coisas que mais deixavam Selina inquieta. Não pelo fato de saber que ele é o Batman, mas sim por saber que ela não é a única que sabe disso. Talvez Bruce não perceba isso tanto quanto ela, mas que sua prioridade em manter o nome do bilionário distante da postura do morcego podia ir água abaixo a qualquer instante, dependendo do humor de Coringa ou das ações de Bane.

Parecia que tudo que resolvesse fazer a remetia pensar novamente sobre suas atividades recentes em Gotham. Ter conseguido escapar de Arkham não foi uma tarefa fácil e ela realmente não queria fazer novamente. Mas quando aquela maldita sensação de arrependimento a consumia, nada parecia ser melhor do que simplesmente voltar. Ela não estava indo ajudar o morcego. Ela estava indo ajudar si mesma. Se não voltasse e fizesse o que devia, seria impossível ficar pelo menos tranquila. Ela só queria livrar o peso de sua consciência.

E ela simplesmente veio a olhar aquele uniforme preto em sua cama. Ela tinha que usá-lo novamente para sua última noite como um gato aventureiro em Gotham. E aos poucos ela ia dando adeus a Selina Kyle, aquela moça de rosto jovial e de lábios vermelhos. Começava a cumprimentar aquela outra mulher que usava uma máscara preta e uns óculos de visão noturna que quando repousados sobre a cabeça davam a lembrança de orelhas de um gato.

- Você pode tentar seguir um gato... – Dizia ela para si mesma. – Mas não deve tentar pegá-lo. – Olhou para a TV que simplesmente mostrava os policiais investigando as explosões na prefeitura.

. . .

- Ah, o morcego. O morcego entrou na festa? Eu adoro festas. Principalmente com o Batman. – Coringa desceu do ônibus escolar, ajeitando o cabelo para trás.

- Chefe! Não é arriscado o senhor sair? Tem um cara explodindo a cidade! – Dissera um dos palhaços do ônibus pela janela.

- Tem um cara explodindo a cidade. – Afirmou o sádico ajeitando a gravata. – E tem outro muito mais esperto explodindo seus miolos. – Ele rápido tirou a arma do bolso e dera um tiro na cabeça do rapaz, fazendo o mesmo cair para dentro do ônibus novamente. Pode ouvir até algum dos outros rapazes reclamando da sujeira que o sangue faria. Coringa se surpreendeu novamente pela mesma arma que disponibilizava de um silenciador. Mas ele simplesmente pegou o apetrecho da arma e arrancou, jogando-o no chão. – Hoje é o dia da diversão. Então eu acho que seria mal educado da minha parte ficar fazendo silêncio.

Os capangas de dentro do ônibus saíram aos poucos, seguindo por aonde Coringa ia. Eles haviam destruído as barreiras que a polícia fizera para os demais moradores de Gotham não pudessem chegar às explosões, mas ninguém veio aparecer aos arredores. Dava para se ouvir os gritos de longe. Havia alguns jornalistas perto da prefeitura gravando matérias ao vivo.

Um dos capangas estava caminhando ao lado de Coringa, segurando uma metralhadora e analisando os destroços da explosão.

- O que você acha que pode ser, chefe? Anarquistas? – Perguntou ele, curioso.

- Ah, não. – Disse ele, despreocupado. – É só mais um homem que se esquece das coisas.

- Se esquecer do que? – Questionou sem entender do que o palhaço estava falando.

- Que o morceguinho está na cola dessa cidade. – Ele passou a língua pelos lábios dando um pequeno sorriso. – Ah! Nesse momento, eu adoraria encontrar quem quer que esteja fazendo isso. Eu adoro pessoas tão diferentes de mim. Provavelmente, ele é interessado em dinheiro. O contrário de mim. Ele quer matar o Batman... O extremo contrário de mim. Não acha?

- Eu não entendo o porquê de não matar o Batman, chefe... Ele tenta te matar toda hora! – Justificou o homem.

- A diferença entre "tentar" e "matar" é monstruosa. Acredito eu que estamos destinados a fazer isso para sempre. Sabe como é. Bem, de qualquer jeito, vamos. Quero conhecer o nosso novo amiguinho, antes que o morcego gigante apareça. – Coringa caminhava até a prefeitura. Um ato arriscado, alguns jornalistas ainda perambulavam por lá. Não tinha certeza se o tal homem pudesse estar dentro do local, mas era a opção mais coerente. Os policiais pareciam estar afastados dali tentando controlar a multidão assustada.

. . .

Aquela noite estava sendo estranha. O Batman cooperando junto da polícia e o retorno do terrorista. Nada parecia fazer sentido ou pelo menos que as informações fossem reunidas para a mente de Bruce Wayne compreender. Mas de fato, a única coisa que queria era dar as caras novamente com Bane. Queria simplesmente acabar com aquilo de uma vez por todas. Ele não iria permitir que aquelas explosões se estendessem. Ele não iria cair por uma segunda vez, pois sabia que se caísse, seria a última. Era hora de escolher Gotham.

- Nós vamos entrar na prefeitura. Ele está chamando nós para ir até lá. – Comentava um dos policiais.

- E é por isso mesmo que a gente não deve! – Reclamara o outro.

Batman analisava a conversa dos policiais de longe e de cara entendia que eles queriam que o morcego fosse. Bem, ele não tinha escolhas, então resolver entrar lá sem mesmo sem importar com a reação dos policiais. Se não agisse rápido, podia ser tarde demais.

A prefeitura era um prédio grande. Mas de cara, podia ver o lugar que se mostrava aparentemente vazio. Estava escuro e a cada passo que o morcego dava, podia se ouvir claramente ecoando por todo o lugar. Ele queria realmente entender o que se passava na mente de Bane para estar provocando tudo aquilo. Sabia que ele queria destruir Gotham. Mas gostaria mesmo era de compreender os tais motivos que o terrorista tivera para causar isso.

Enquanto ele dava passos devagar no local, conseguiu ouvir alguma coisa andares a cima. Não tão rápido quanto Selina, mas com toda a rapidez que pode se dirigiu até onde os barulhos iam. Até chegar a uma porta branca, no segundo andar, era dali que vinha. Então ele abrira sorrateiramente, olhando ao redor. Ao caminhar alguns passos, via que se tratava de alguém preso em uma cadeira. Mas não conseguia ver claramente quem era. Parecia que haviam evacuado a prefeitura completamente e a energia elétrica havia sido desligada. Mas com sorte a pouca luz da janela que a lua permitia, já havia percebido só pela cor roxa da roupa, quem era.

- Ah. O morcego veio aqui. Espera, espera. Você tem que voltar. – Dissera Coringa ironicamente.

- O que você faz aqui? – A voz perturbadora que Batman construiu parecia não afetar Coringa.

- Eu não sei. Eu estava fazendo meu trabalho em Gotham. E do nada, eu vim parar aqui. Prenderam-me, Bats. Você não está com pena? – Perguntou o palhaço, fazendo um olhar triste.

- Não. – No mesmo momento, a energia elétrica do lugar havia voltado. Pode ver a sala perfeitamente. Era um gabinete de algum deputado, talvez. Coringa estava amarrado pelos pés e as mãos na cadeira, e parecia entranhadamente confortável com a situação.

Talvez o Homem-Morcego não tenha pensado tão rápido para crer que aquilo foi apenas uma forma de chamar sua atenção. Vários homens com panos sujos e empoeirados apareciam armados, tentando render apenas o morcego. Um palhaço amarrado não era o problema.

Era um bom momento para Bruce agradecer ter aprendido escapar e se camuflar em uma velocidade imperceptível. Mas tinha certa dificuldade. Sair da vista de vários homens armados em um escritório pequeno escritório não era algo que se treinava todos os dias. Os homens continuavam apontando suas armas para o morcego enquanto ele planejava alguma forma de escapar. Mas uma pequena explosão de fumaça no cômodo fora a sua deixa para escapar. Ele saiu rapidamente pela mesma porta branca que havia entrado. Os homens encapuzados ainda estavam atordoados.

De longe, pode ver aquela silhueta inconfundível da moça.

- Parece que você não sabe trabalhar sozinho. – Ela comentara, caminhando devagar até o morcego. – Eu sei a localização de Bane. Se você quiser, posso te mostrar... – Ele olhou para ela, pedindo para continuar. – Com uma pequena recompensa. – Era difícil acreditar que Selina podia pensar nessas coisas até naquele momento. Ela ajeitou a máscara preta no rosto e simplesmente piscou ao morcego.

A fumaça estava se esvaindo. Ele teve um rápido olhar pra traz, quando viu a cadeira onde o palhaço estava vazia, e as cordas rasgadas pelo chão.

- Final do Décimo Segundo Capítulo -

N/A: Ei! Eu não morri! Desculpem-me a minha demora. Bem, pra compensar, eu já vou postar os próximos capítulos amanhã ou quarta! Bem. Deu pra ver que o Batman está pertinho de confrontar o terrorista e ameaçador Bane, inimigo que no terceiro filme da trilogia mostra ter um grande potencial físico. E foi com esse mesmo pensamento que eu decidi construí-lo nessa história. Não só para pôr o Batman, assim como Nolan fez, em um apuro que nas versões cinematográficas adaptadas de outros diretores nunca foi visto, como pra incrementar uma história que, como o título já diz... Machucados podem ser bons, não acham? Bem, todas as respostas que por agora ficaram pendentes vão aos poucos se respondendo. Eu espero que vocês tenham gostado. Até o próximo!

Lidi25, eu simplesmente não sei o que seria do Bruce se não fosse o seu Alfred. Hahaha. Bem, aqui está! Minhas sinceras desculpas pela demora desse capítulo, mas você sabe, eu ainda vivo em teto de mãe, e infelizmente tive que ficar longe da tela do meu computador. Hahahahaha Espero que tenha gostado!

Downey, bem, se eu 'acho' que conheço esse palhaço, também creio que ele não fica feliz quando as coisas andam sem ele por perto. Bem, esse capítulo foi baseado na volta da felina (Eu não consigo me controlar... Eu adoro ela. Fim.) Bem, você tem ótimos palpites! Realmente a escolha do morcego está chegando... Eu tenho pronto (Ainda sem revisões, mas isso é coisa rápida) até o 23 e um pouquinho do 24. Acredito que se a história correr assim como planejo, o término acontece pelo 28. Espero que tenha gostado e que continue lendo!