O DESCONSOLADO PAI ITALIANO


Máscara da Morte estava de péssimo humor naquela manhã. De braços cruzados na entrada de Câncer, ele sequer se deu o trabalho de cumprimentar Afrodite e Milo, os quais voltavam de uma missão e se dirigiam até o Salão do Grande Mestre.

_Aconteceu alguma coisa, caranguejo? – perguntou o curioso escorpiano.

Máscara da Morte simplesmente virou a cara, resmungou algo em resposta, e entrou.

_Eu não entendi o que ele falou. E você, Afrodite?

_Ouvi somente algo sobre cabeças, paredes e um miserável chifrudo filho de uma vaca.

Milo pensou um pouco. Depois, perguntou:

_O que o Debas andou fazendo na nossa ausência?

_Eu não sei, mas se ficarmos aqui fora, nós nunca iremos descobrir!

Os dois logo chegaram à sala de Câncer e encontraram Máscara da Morte sentado no sofá e com a cabeça entre as mãos, desconsolado. Era impressão ou os olhos dele estavam mesmo chorosos?

Milo sussurrou:

_Parece ser algo grave.

Afrodite, então, perguntou ao se aproximar do canceriano:

_Qual é o problema?

_Eu deixei o Guido uma tarde com o Aldebaran. E agora... Agora o Guido não torce mais para la mia Squadra Azzurra! – Máscara da Morte engolia o choro.

De repente, todos na sala escutam uma voz vinda da TV do quarto de Guido. Era Galvão Bueno narrando a final da Copa do Mundo de 1994:

Final de jogo, final de cento e vinte minutos. É sua Taffarel. Partiu Baresi, pé direito... Bateeeeeeeeeuuuu! Pra fora e muito! Os jogadores no banco abraçados, o Brasil inteiro e você, Márcio Santos. Partiu, bateu... Pegou Pagliuca! Albertini ajeita. Ele beijou a bola... Não tomou distância. Partiu. Taffarel... É gol da Itália. Momento de angústia. Partiu Romário, pé direito... Bateeeeu, é goooooool! Autoriza o juiz... Sai que é sua, Taffarel! Bateu no meio do gol... Pra que se mexer?! Lá vai Branco... Vai partir a bomba na perna esquerda... Partiu Branco, bateu é gooooool! Partiu Massaro, pé direito, bateu... Taffarel! Vai que é sua, Taffarel! Ele e o Pagliuca... Partiu Dunga, pé direito, bateu... É goooool! É goooool! É goooool! Goooooooool! Baggio e Taffarel... Vai partir. Vai que é sua, Taffarel! Partiu, bateu... Cabooooouuuuuu! Cabooooouuuuuuu! Acaboooooooouuuuu! É Tetraaaaa! É Tetraaaaa! É Tetraaaaaaaa! O Brasil é Tetracampeão Mundial de futebol!

Segundos depois, o menininho chega à sala gritando – e vestido com a camisa da seleção brasileira:

_É tetra! É tetra! É tetra do Brasil-sil-sil!

Máscara da Morte cobre os olhos com as mãos e lamenta:

_Em 94, a seleção da Itália perdeu a Copa do Mundo para a seleção verde e amarela – ele disse e depois cuspiu no chão, num gesto de desprezo. - E o Aldebaran mostrou o jogo ao Guido!

Exultante, o pequeno canceriano corria e gritava com uma bandeirinha do Brasil numa das mãos – presente de Aldebaran:

_Romário! Bebeto! Taffarel-rel-rel!

Milo e Afrodite não seguraram o riso. Máscara da Morte, então, confessou:

_Mas sabem o que é pior, infelices? É esse maldito narrador brasileiro berrando no meu ouvido! – exclamou Máscara da Morte se referindo à Galvão Bueno.


Ah... Eu era pequena, mas lembro desse jogo! Bons tempos!